quinta-feira, abril 09, 2009

Saakachvili recebe ultimato de 24 horas para se demitir


Os participantes na acção de protesto junto do Parlamento da Geórgia aprovaram um apelo ao Presidente da República, Mikhail Saakachvili, onde exigem a sua demissão voluntária em conformidade com a Constituição.
Os organizadores do comício declararam que informarão da resposta do dirigente georgiano dentro de 24 horas, dependo as acções futuras dessa resposta.
“A sociedade exige de Mikhail Saakachvili que aja de forma adequada e cumpra a vontade do povo. Esta é a última possibilidade para a direcção de se colocar acima dos interesses pessoais e, com a responsabilidade de Estado, abordar a tarefa de tirar o país da complicadíssima crise”, lê-se no apelo.
“Saakachvili deve dar ao povo a possibilidade de mudar o poder de forma pacífica, constitucional, e, desse modo, permitir-nos mostrar a todo o mundo que somos uma nação digna e civilizada”, consideram os manifestantes.
Depois de afirmar que no comício participaram centenas de milhares de pessoas, a oposição apresenta as causas do seu descontentamento: “Hoje, aqui está representada toda a Geórgia. As pessoas vieram para aqui para, de forma pacífica, dizerem não à desintegração do país, à política de terror e violência, ao medo, à falsificação das eleições, ao esmagamento da liberdade de expressão e de pensamento, a outros factores negativos”.
Segundo dados do Ministério do Interior da Geórgia, no comício participaram entre 20 e 25 mil manifestantes.
Acções de protesto, convocadas por 14 partidos da oposição, realizaram-se noutras cidades georgianas: Batumi e Poti.
Os protestos contra o Presidente Saakachvili começaram em Novembro de 2007, tendo sido utilizada a força para reprimir as manifestações da oposição.
O dirigente georgiano acabou por aceitar a realização de eleições presidenciais, que venceu à primeira volta. A oposição acusou-o de falsificação de resultados.
Os dirigentes da oposição suspenderam as suas acções de protesto em Agosto passado, quando a Geórgia entrou em guerra com a Rússia, que levou à derrota de Tbilissi e à perda de duas regiões separatistas. Abkházia e Ossétia do Sul.
Os protestos começaram hoje e irão continuar até que o Presidente se demita, mas Saakachvili já prometeu abandonar o cargo no fim do mandato, em 2013.

Na sexta-feira, a oposição promete continuar a luta por tempo indeterminado, até que o Presidente se demita, mas sublinha que os protestos irão ser pacíficos. As autoridades também prometem não empregar força. Um impasse para acompanhar.

Para quê partir a mobília?


A noite passada foi calma na capital moldava, que recupera dos desacatos que ocorreram na terça-feira, declara o ministério do Interior da Moldávia.
“A noite foi calma, sem excessos”, declarou um representante desse ministério à agência Ria-Novosti.
Segundo o correspondente da agência Interfax no local, “as manifestações de protesto foram suspensas, no centro da cidade a situação é calma, nem sequer há grupos de pessoas como havia na manhã da véspera antes das acções de protesto”.
A mesma agência informa que, durante a madrugada, foi retirado o cordão policial em torno do edifícios do Governo, da Presidência e do Parlamento.
Na véspera, o Presidente da República, Vladimir Voronin, prometeu recorrer à força caso os manifestantes tentassem assaltar a sede do Governo, expulsou o embaixador romeno do país e restabeleceu o sistema de vistos entre a Moldávia e a Roménia, acusando Bucareste de estar por detrás das desordens em Chisinau.
À noite, a Comissão Eleitoral Central da Moldávia publicou os resultados definitivos das eleições parlamentares de domingo passado, que estiveram na origem dos confrontos entre manifestantes da oposição e a polícia.
Segundo esses dados, que terão ainda de ser homologados pelo Tribunal Constitucional, o Partido dos Comunistas da Moldávia conquista 60 mandatos, enquanto que os três partidos da oposição terão 41 assentos.
O Partido dos Comunistas conquistou a maioria dos lugares no Parlamento, mas terá de chegar a um acordo com a oposição para eleger o sucessor de Vladimir Voronin no cargo de Presidente, pois este terá de conseguir pelo menos o apoio de 61 deputados.
A eleição do Presidente da República deverá ter lugar em Maio ou Junho.
A oposição, entretanto, vai aumentando o rol de reivindicações. Além da recontagem de votos, ela exige a demissão e o julgamento de Vladimir Voronin, bem como a proibição do Partido dos Comunistas.
“Estamos unidos e vamos até ao fim. Vós não podereis mais controlar-nos”, lê-se na primeira declaração oficial da oposição.
“Não queremos ir para Itália, Portugal e Espanha. Não queremos ir para o Canadá ou Moscovo. Queremos trabalhar no nosso país. Queremos um Estado que se baseie no respeito e na fé”, sublinham os opositores do Presidente Voronin.
A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa e vários milhões de moldavos viram-se na necessidade de emigrar para sustentar as famílias.
Para reparar os estragos feitos pelos manifestantes, a Moldávia terá de pagar gastar mais de 50 milhões de euros.
Razão tinha o clássico russo Nicolau Gogol quando escreveu: "Realmente Alexandre da Macedónia era um grande cabo de guerra, mas para quê partir móveis?"

Afinal a Rússia não tem zona de influência!??


A Rússia e os Estados Unidos não devem colocar os países do antigo espaço soviético perante a escolha inequívoca de um aliado, não deve haver uma “ordem de dia secreta”, declarou hoje Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, numa entrevista a vários órgãos de informação russos.
“É inadmissível tentar colocá-los perante uma falsa escolha: ou estão connosco, ou estão contra nós. Isso conduzirá à luta por esferas de influência, de que tentam acusar a política externa russa. Nós não fazemos isso”, declarou a propósito dos acontecimentos na Moldávia.
Lavrov espera que a UE e a Roménia façam esforços para que as bandeiras romenas não sejam utilizadas para minar a soberania moldava.
“Chamámos a atenção da UE para isso. Disseram-nos que abordam a situação com toda a seriedade”, sublinhou o ministro.
O chefe da diplomacia russa chamou a atenção para o facto de as desordens em Chisinau dificultarem a normalização da situação em torno da Transdniestria, região separatista da Moldávia onde a maioria da população é russófona.
“Os habitantes da Transdniestria afirmam, há muito tempo e com toda a justiça, que estão prontos a viver num estádo único com a Moldávia, mas se o Estado perder a sua identidade, eles irão sozinhos resolver o que fazer”, frisou.
Os manifestantes moldavos exigem a união da Moldávia e da Roménia, exigência que, nos finais dos anos 80 do séc. XX, levou os habitantes da Transdniestria a proclamar a independência. Depois de uma sangrenta guerra civil.
Serguei Lavrov defendeu que não tem comparação a situação na Moldávia com as “revoluções coloridas” na Ucrânia e Geórgia.
“Na Moldávia, nenhuma organização internacional pôs em causa os resultados das eleições. A OSCE, o Parlamento Europeu e os observadores de todas as organizações internacionais reconheceram que as eleições foram democráticas, estiveram conforme os padrões internacionais”, declarou.
“O que aconteceu na Moldávia é vandalismo, desrespeito total e despreso pelos símbolos do Estado”, frisou Lavrov.
“Não compreendo por que é que as estruturas parlamentares na Europa não expressaram a sua posição face ao sucedido”, concluiu.

A única questão que se coloca é: alguém acredita que a Rússia, querendo desempenhar, no mínimo, o papel de grande potência no mundo, não tenha zona ou zonas de influência?

Esta parte da entrevista do ministro dos NE da Rússia faz-me lembrar a propaganda soviética.

quarta-feira, abril 08, 2009

Nem tudo o que parece "revolução anti-comunista", é!



A situação na Moldávia continua indefinida. A polícia retomou o controlo da capital do país, mas a oposição diz que irá continuar os protestos até que seja feita a recontagem dos votos das eleições parlamentares que deram a vitória absoluta aos comunistas.Considero que a oposição não terá grandes possibilidades de êxito por duas razões: primeira, os observadores de todas as organizações internacionais, incluindo a OSCE, Parlamento Europeu, etc., consideraram as eleições democráticas, apontando erros de pouca monta. Segundo, essa oposição não soube controlar as forças que trouxe para a rua e que se dedicaram à pura pilhagem. Terceiro, a oposição dividiu-se e já não consegue coordenar acções de protesto, pois receiam que o resultado seja o mesmo das acções anteriores.
Javier Solana, Comissário da UE para Política Externa, pronunciou mais uma das suas salomónicas sentenças, mas tarde e a más horas: "A violência em relação aos edifícios governamentais é inadmissível. Não é menos importante o respeito inalienável à reunião e manifestações pacíficas". Já a “louça”, neste caso, os móveis estavam partidos.
Talvez a União Europeia se tenha atrasado mais uma vez. A Moldávia é um dos seis antigos países soviéticos para os quais a UE pretende lançar um programa de mais intensa cooperação, mas só no próximo mês, na cimeira de Praga.
O que foi dito não pretende justificar a política do Presidente comunista, Vladimir Voronin. Em oito anos de governo, pouco ou nada fez para arrancar a Moldávia da lista dos países mais pobres, não só na Europa, mas no mundo. Milhões de moldavos vêem-se obrigados a ganhar o pão no estrangeiro, pois o seu país está mergulhado na corrupção e no compadrio.
A propósito, alguns analistas consideram que grande parte dos jovens que participaram nos desacatos, entre os quais havia muitos menores, são filhos dos moldavos que trabalham no estrangeiro e estão fartos da situação criada no país.
Por outro lado, Voronin tem de manobrar entre a União Europeia e a Rússia. Se for para a frente a ideia da fusão da Moldávia e da Roménia num estado único (uma das reivindicações dos manifestantes), Chisinau pode esquecer a Transdniestria, região que já proclamou a sua independência e espera seguir o exemplo da Abkhásia e Ossétia do Sul, com a ajuda de Moscovo. Até agora, o dirigente moldavo tem tentado, tendo Moscovo como intermediário, estabelecer pontes de diálogo com os separatistas.
Além disso, a região da Gagaúzia não deixará também de aproveitar o momento para se separar da Moldávia.
Alguns analistas apressaram-se a considera os confrontos em Chisinau, que provocaram centenas de feridos e avultados prejuízos materiais, como mais uma "revolução anti-comunista", mas os argumentos pecam por solidez. O Presidente Voronin defende a aproximação da Moldávia à UE e o Partido dos Comunistas da Moldávia não se comporta como os seus congêneres no poder, porque, como constataram os observadores internacionais, as eleições parlamentares foram democráticas.
Este movimento juvenil assemelha-se mais aos actos de vandalismo que ocorreram noutras capitais europeias: Grécia e Paris.

terça-feira, abril 07, 2009

Moldávia: violência não é solução dos problemas


Não estou entre os que consideram que o que está a acontecer na Moldávia seja mais um exemplo de revolução anti-comunista, mas trata-se de mais uma demonstração de violência política gratuíta, que conduz a um beco sem saída.

Mas vamos por partes:

O Partido dos Comunistas da Moldávia, dirigido pelo Presidente do país, Vladimir Voronin, conseguiu uma vitória confortável nas eleições parlamentares, anunciou Iúri Chokab, secretário da Comissão Eleitoral Central.
No Domindo, realizaram-se eleições parlamentares na Moldávia, depois das quais os deputados deverão eleger um novo Presidente do país. 17 partidos políticos lutaram por 101 mandatos. Segundo a lei eleitoral, só elegem deputados as forças políticas que conquistam mais de 06 por cento dos votos.
“Os comunistas conseguiram 49,91 por cento dos votos dos eleitores, o Partido Liberal recebeu 12,91 por cento, o Partido Liberal-Democrático conquistou 12,23 por cento e a aliança Nossa Moldávia teve 9,88 por cento”, anunciou Chocan.
Os restantes 13 partidos que participaram nas eleições não conseguiram superar a barreira dos 06 por cento.
Os comunistas conquistaram assim 62 ou 63 mandatos dos 101 no Parlamento. Sendo assim, o Partido dos Comunistas da Moldávia poderá não só formar Governo sozinho, mas também eleger o Presidente do país.
Segundo a Constituição da Moldávia, o Chefe de Estado é eleito pelo Parlamento, deve receber o mínimo de 61 votos.
O segundo mandato do actual Presidente, Vladimir Voronin, termina em Abril e ele não se poderá recandidatar mais ao cargo, devendo ser substituído no cargo por outro militante comunista.
A Moldávia, antiga república da União Soviética, está entre os países mais pobres da Europa.

A oposição ao Presidente Voronin, não obstante a opinião de numerosas organizações internacionais de que o acto eleitoral foi, em geral democrático, veio para a rua contestar os resultados e exigir a recontagem dos votos.

Muito bem, tem todo o direito a isso, o que fez na segunda-feira, mas, no dia a seguir, uma multidão, fundamentalmente de jovens, invadiu e pilhou os edifícios do Parlamento e da Presidência da Moldávia, deixando de ter qualquer tipo de justificação para os actos de violência e vandalismo.

Os manifestantes defendem a união da Moldávia e da Roménia e a adesão da primeira à União Europeia. As desordens não fazem aproximar nenhum desses objectivos. Pelo contrário. Além disso, a união dos dois Estados significará a desintegração do primeiro, porque, nesse caso, a Transdniestria, território moldavo habituado por uma maioria russófona, separar-se-á definitivamente.

Falou-se de um acordo para a recontagem de votos, mas falhou e a situação de indefinição continua.

Uma factor positivo há a assinalar. A condenação dos actos de violência é geral, vêm tanto do lado da União Europa, como da Rússia, o que pode levar estes dois agentes a unirem-se para evitar o aparecimento de mais um foco de tensão na Europa.

Este movimento desordeiro não é uma revolução anti-comunista até porque o Partido dos Comunistas da Moldávia nada tem a ver com partidos homónimos clássicos. Pode não ter feito muito para arrancar o país da cauda da Europa, mas tem respeitado as regras do jogo democrático. Não esconde a intenção de aproximação à União Europeia, mas mantém boas relações com Moscovo para não perder a Transdniestria.

Vladimir Voronin é um dirigente dos equilíbrios possíveis e é de lamentar que a oposição, que diz ser mais democrática e europeia, não tenha sabido controlar os desvaneios da multidão.



Greves vão chegar ao complexo militar-industrial russo?

Trabalhadores de empresas russas do sector da defesa preparam-se para acções de protesto, incluindo greves, devido a salários em atraso, anunciou hoje a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores e Funcionários das Forças Armadas da Rússia.
Segundo esse sindicato, que reúne operários e funcionários civis que trabalham no complexo militar-industrial, cerca de 800 mil pessoas têm salários em atraso, que podem ir de três a seis meses.
As acções de protesto começarão no próximo 10 de Abril nas empresas da Armada do Norte da Marinha da Rússia, mas, no dia 15, elas deverão alargar-se à armadas do Pacífico e Báltico, declaram dirigentes sindicais ao diário Nezavissimaia Gazeta.
O sindicato calcula que as empresas da Armada do Norte devem aos seus funcionários cerca de 120 milhões de rublos (cerca de três milhões de euros).
Situação análoga constata-se nas empresas ligadas às Tropas de Mísseis de Importância Estratégica, mas os trabalhadores consideram conseguir resolver os problemas sem recorrer a acções de protesto.
Em Fevereiro passado, Serguei Tchemezov, director da corporação pública Rostekhnologia, declarou que cerca de um terço das empresas do complexo militar-industrial estão às portas da falência.
Ontem, Vladimir Putin, primeiro-ministro, anunciou que está prevista a concessão de 70 mil milhões de rublos (1,6 mil milhões de euros) para o apoio às empresas do complexo militar-industrial no contexto actual da crise económica.

Crise: quando vem, é para todos!


A situação económica na Rússia não difere substancialmente da situação mundial, caracterizada por um aumento do desemprego e uma redução do Produto Interno Bruto (PIB), constatou o primeiro-minisro russo, Vladimir Putin, no primeiro relatório sobre a actividade do Governo apresentado à Duma Estatal.
“Este ano, pela primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial, a economia mundial conhece uma recessão”, afirmou ele, ao apresentar um programa de luta contra a crise.
Porém, Putin sublinhou que o Governo não tenciona alterar a sua linha estratégica.
O primeiro-ministro russo apresentou como duas vitórias importantes do seu Governo a “conservação do sistema bancário” e “a queda controlada do rublo”.
Segundo ele, em 2009, a Rússia concederá três biliões de rublos (cerca de 66,9 mil milhões de euros), dos quais 1,4 biliões de rublos (31 mil milhões de euros) estão previstos no Orçamento de Estado, para lutar contra a crise.
Parte significativa da ajuda irá para o complexo militar industrial.
“O consórgio MIG (que produz aviões militares) recebeu 15 mil milhões de rublos (334 milhões de euros) e o Centro Khrunitchev (que produz foguetões e mísseis) 08 mil milhões de rublos (178 milhões de euros). Outras empresas poderão ser igualmente objecto de decisões análogas, em primeiro lugar as empresas do complexo militar-industrial, para com as quais o Estado tem responsabilidades directas”, afirmou.
Segundo o primeiro-ministro, está prevista a concessão de 70 mil milhões de rublos (1,6 mil milhões de euros) para o apoio às empresas do complexo militar-industrial no contexto actual da crise económica.
O primeiro-ministro defendeu que a sociedade russa se deve unir face à crise e contribuir assim para a sua superação.
“Primeiro, a sociedade deve estar unida face aos desafios da crise. Quando o nosso país tem de enfrentar provas, devemos responder com a coesão”, declarou ele.
“Gostaria que, neste caso, a nossa sociedade reagisse de maneira adequada aos acontecimentos e elaborasse conjuntamente medidas de combate à crise”, acrescentou.
Putin prometeu continuar a combater a inflação, que deverá descer até 08 pc em três anos, contra os 13 pc actualmente, enquanto que o déficite orçamental deverá atingir 03 pc em 2011, contra 08pc em 2009.
A manutenção da estabilidade macroeconómica e da confiança dos investidores russos e estrangeiros face à política orçamental é uma das prioridades do plano anti-crise, assinalou.
O primeiro-ministro defendeu que a sociedade russa se deve unir face à crise e contribuir assim para a sua superação.
“Primeiro, a sociedade deve estar unida face aos desafios da crise. Quando o nosso país tem de enfrentar provas, devemos responder com a coesão”, declarou ele.
“Gostaria que, neste caso, a nossa sociedade reagisse de maneira adequada aos acontecimentos e elaborasse conjuntamente medidas de combate à crise”, acrescentou.
Depois de constatar que o Governo russo conseguiu impedir a catástrofe, Putin chamou a atenção para o facto de o ano de 2009 ser muito complicado.
“Garantir a combinação óptima das medidas anti-crise e dos projectos a longo prazo, não ficar à defesa, mas avançar, construir uma economia nova mais eficaz”, defendeu ele.
“Devemos não só conservar as produções fulcrais, mas acelerar também a transição da economia para a via do desenvolvimento inovador, não só apoiar o consumo interno, mas também realizar grandes projectos no campo das infraestruturas”, acrescentou.
Vladimir Putin concluiu dizendo que o Orçamento de 2009 será um “orçamento de desenvolvimento” e que “todos os programas sociais serão cumpridos sem alteração”.

Rússia diversifica rotas de exportação de combustíveis


A Rússia continuará a diversificar as rotas de exportação de hidrocarbonetos, declarou hoje Vladimir Putin, primeiro-ministro russo.
“No ano passado, começou a extracção industrial de crude na nova região petrolífera do Leste da Sibéria e entrou em funcionamento o primeiro troço do oleoduto “ Sibéria do Leste – Oceano Pacífico”, anunciou hoje Putin, ao apresentar, pela primeira vez na história do país, um relatório anual do Governo ao Parlamento.
Segundo ele, dentro de algumas semanas, “o oleoduto chegará à fronteira chinesa e continuaremos a avançar”, sublinhou.
O acordo russo-chinês, que prevê a construção de um ramal do gasoduto “Sibéria do Leste – Oceano Pacífico” até à China e o fornecimento de petróleo russo a esse país a longo prazo, foi assinado a 17 de Fevereiro. Esse documento prevê também que Pequim concederá um empréstimo de 15 mil milhões de dólares à petrolífera russa Rosneft e 10 mil milhões à Transneft.
A Rússia prevê fornecer ao país vizinho 15 milhões de toneladas de crude por ano.
Vladimir Putin sublinhou também que o seu país continua a fazer avançar os projectos dos gasodutos Nord Stream, South Stram, Cáspio e Burgas-Alexandropolis.
“Claro que nem todos os países do mundo estão interessados em que os novos tubos entrem em funcionamento”, continuou Putin, sublinhando que “os projectos em questão estão em conformidade com as normas ecológicas mais rigorosas” e “contribuem para a segurança energética global”.
O primeiro-ministro russo reafirmou que “são contraproducentes” as tentativas de marginalizar a Rússia do processo decisório no âmbito energético e de menosprezar os seus interesses legítimos.

sábado, abril 04, 2009

Mais uma vez sobre a soberania limitada


A adesão da Albânia e da Croácia à NATO não provocam preocupações em Moscovo, declarou hoje Dmitri Rogozin (na foto), embaixador russo junto da Aliança Atlântica.
“Eu considero que dois tanques albaneses não nos podem preocupar muito”, afirmou Rogozin aos microfones da rádio Russaia Slujva Novostei.
A Albânia e a Croácia terminaram o processo de adesão à NATO na quarta-feira passada e os dirigentes dos dois países estão presentes na Cimeira da Aliança Atlântica.
Rogozin considera que o alargamento da NATO mina a sua capacidade militar.
“No fundo, ao conservar o seu anterior potencial militar, a NATO tenta dispersá-lo em áreas mais amplas, o que a torna mais pesada”, frisou.
Segundo ele, a adesão de países da Europa de Leste à NATO apenas complica o seu funcionamento.
“Eles (países do Leste Europeu) tentam levar todas as suas querelas para a NATO. Isso obriga os “velhos” europeus a levarem as mãos à cabeça”, concluiu.
“Trata-se de uma reacção esperada. Enquanto a NATO não se alargar à custa do antigo espaço soviético, a reacção de Moscovo será de desprezo”, declarou uma fonte diplomática contactada pela Lusa na capital russa.
“O discurso muda radicalmente quando se fala da possibilidade da Ucrânia ou da Geórgia aderir à Aliança Atlântica. O Kremlin continua a considerar esses países quintas suas, trazendo à memória a doutrina de Brejnev da soberania limitada”, acrescentou.

Enquanto o barco se afunda...


O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, está disposto a avançar para eleições presidenciais antecipadas, mas se elas forem realizadas ao mesmo tempo que as parlamentares.
“Estou pronto a tomar a decisão sobre eleições presidenciais antecipadas. Porque essa decisão depende hoje de mim”, declarou Iuschenko, durante a visita a um quartel das Forças Armadas da Ucrânia.
Mas o dirigente ucraniano acrescentou que só estará de acordo se forem realizadas eleições parlamentares no mesmo dia e segundo uma nova lei eleitoral.
Segundo o Presidente Iuschenko, ele está pronto a apresentar, na próxima semana, um projecto de alterações à lei eleitoral, que prevê o “sistema proporcional de eleições com listas abertas”.
Até agora, o Parlamento (Rada Suprema) era formado de duas formas: metade dos deputados era eleita em listas partidárias e a outra, em círculos uninominais.
Além disso, Iuschenko exige que os deputados aprovem uma lei que lhes retire a imunidade parlamentar.
“Penso que seria uma manifestação bonita daqueles que vão para eleições com mãos limpas, que não temem responder perante a lei”, precisou.
Victor Iuschenko defendeu também a aprovação de uma nova Constituição do país, que divida mais equitativamente os poderes entre o Presidente, o Governo e o Parlamento.
Alexandre Lavrinovitch, vice-presidente da Rada Suprema da Ucrânia, diz existirem condições para “a realização de eleições parlamentares e presidenciais antecipadas”.
O Partido das Regiões, a principal força da oposição a Iuschenko e à primeira-ministra Iúlia Timochenko, trouxe os seus apoiantes para as ruas de Kiev para exigir a demissão de ambos.
Discursando perante mais de dez mil manifestantes, o líder do partido, Victor Ianukovitch, decidiu dar “mais uma possibilidade ao Governo, sublinhando que irá exigir a sua demissão se até 14 de Abril a primeira-ministra não apresentar um programa de combate à crise.

A primeira-ministra Iúlia Timochenko declarou também estar disposta a abandonar o cargo se for criada uma nova coligação governamental.

Mas para que alguma coisa se mexa, é preciso chegar a um acordo, o que é difícil imaginar na actual Ucrânia.

quinta-feira, abril 02, 2009

Deputados ucranianos comparados a piratas somalis


A primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko não gostou da forma como a oposição protesta e comparou os seus deputados a "piratas somalis".
O Partido das Regiões (da oposição ao Presidente Victor Iuschenko e à primeira-ministra Iúlia Timochenko) bloqueou hoje os trabalhados da Rada Suprema (Parlamento), exigindo do governo de coligação a apresentação do seu programa de combate à crise.
Ontem, os membros do Partido das Regiões prometeram bloquear a tribuna e o presidium da Rada nos dias 02 e 03 de Abril.
A oposição acusa o poder de incapacidade de superar a crise na Ucrânia. Antes da sessão do Parlamento, os deputados do Partido das Regiões ocuparam a tribuna e barricaram a entrada da sala com cadeiras.
Iúlia Timochenko comparou os deputados do Partido das Regiões aos “piratas somalis”.
“Gostaria que o Partido das Regiões não se comportasse como os piratas somalis, que fazem o seu escuro negócio e nada sabem da crise que hoje afecta o mundo e a Ucrânia”, comentou ela.
Segundo Timochenko, o Partido das Regiões bloqueou o trabalho da Rada para impedir a aprovação dos projectos-lei necessários.
“O Governo apresentou ao Parlamento o programa de recuperação há três meses e já está a realizar 12 pontos. Por essa razão, o comportamento do Partido das Regiões apenas visam complicar as coisas”, acrescentou.
A aprovação do “programa de recuperação” é uma das condições para que a Ucrânia receba um empréstimo do Fundo Monetário Internacional.
Ana German, uma das dirigentes do Partido das Regiões, reconheceu que o objectivo da acção da oposição é provocar a demissão do Presidente e do Governo, bem como a dissolução do Parlamento.
“Se formos a escolher entre um Parlamento que não trabalha e não quer trabalhar e as eleições, teremos de optar pelas eleições”, declarou Igor Popov, representante de Victor Iuschenko na Rada.
Porém, Iuschenko tem em vista eleições parlamentares antecipadas. Quanto às presidenciais, ele irá recorrer, junto do Tribunal Constitucional, da decisão da Rada de realizar a eleição do Presidente em 25 de Outubro de 2009, considerando que o escrutínio deverá ter lugar a 17 de Janeiro de 2010.

Reflexões sobre Cimeira do G-20

A Cimeira de Londres está a chegar ao fim e, por aquilo que me vai chegando, parece ter sido alcançada alguma unanimidade quanto às receitas para sair da crise.
Que sejam levadas a cabo com sucesso caso contribuam realmente para melhorar a situação.
Mas estou a escrever este post por outra razão, embora o que eu vá dizer não seja novidade para ninguém, talvez apenas uma forma de lançar discussão entre os leitores.
Esta crise deixou claro que é urgente mudar o paradigma de desenvolvimento da Humanidade, deixando-se de apostar absolutamente no aumento do consumo como motor desse desenvolvimento e virar-se para uma cultura de moderação do consumo nos países ricos e de aumento do nível de vida dos países pobres.
Os recursos mundiais já não chegam para satisfazer o consumo crescente e as aberrações luxuosas de certas camadas da população dos países ricos e pobres. Não, não me enganei quando falei de "países ricos e pobres", porque as élites destes últimos não pretendem ficar atrás no que respeita à ostentação de riqueza.
Poderão alguns dos leitores pensar que o que acabo de escrever é puro lirismo, pois poucos são os que estão prontos a renunciar "ao carrito ou carritos", "às fériazinhas no estrangeiro", aos últimos modelos de roupa, calçado, etc., etc.
Se as pessoas, na sua maioria, continuarem a pensar e a comportar-se assim, é sabido que o aumento da procura de novas matérias-primas poderá provocar novos conflitos armados. Um deles poderá ser a guerra pelos recursos do Árctico. Se assim for, novas corridas aos armamentos, isto é, novos gastos, serão inevitáveis.
Mas esta espiral consumista irá também fazer aumentar o abismo entre ricos e pobres, não só no chamado Terceiro Mundo, mas também na Europa e Estados Unidos. Na Europa, o caso é ainda mais complicado, pois os seus cidadãos estão habituados a Estados sociais que começam a ter dificuldades em satisfazer as suas necessidades.
Quando existiam a União Soviética e o chamado "campo socialista", estes "papões" obrigavam os mais ricos a ceder, em parte do mundo capitalista, uma fatia da sua riqueza aos mais pobres para não perderem tudo, como aconteceu na Rússia em 1917. Neste sentido, o regime totalitário comunista trouxe vantagens, não aos cidadãos que nele viviam, mas aos cidadãos dos países capitalistas.
Terminado o comunismo, alguns "profetas" apressaram-se a declarar o "fim da história". Lembram-se do artigo daquele filósofo norte-americano Fukyama? Agora mudou de tema, porque a "história não terminou", mas parece estar agora a começar.
Neste contexto, a Rússia deveria virar-se para si mesmo, com vista a modernizar-se e a voltar ao "clube dos grandes". Deixou escapar uma boa oportunidade, entre 2000 e 2008, quando os petrodólares pareciam não ter fim. Para alguns foi um "fartar vilanagem", mas à maioria coube uns restos que estão a acabar.
Por enquanto, o regime poplítico existente continua a gerir a crise, mas se o preço do crude descer para 25 ou 20 dólares por barril, a integridade da Rússia irá correr perigo. Este país poderá mergulhar numa situação muito difícil. Pois não tenhamos ilusões: não obstante todas as declarações, a Rússia esteve presente na Cimeira de Londres não como um país da "primeira divisão", mas da "segunda" ou até "terceira".
O mundo ainda se lembra deste país porque ele continua a ter armas atómicas, herdadas da era soviética. Como alguém disse na era de Gorbatchov, a "União Soviética é o Alto Volta com armas nucleares". E hoje? Terá mudado muita coisa ?

quarta-feira, abril 01, 2009

Acto de vandalismo











As fotos acima publicadas são a prova de mais um acto de vandalismo contra a história. Durante a madrugada, uma bomba de pequena intensidade provocou os estragos bem vísiveis na estátua de Lénine situada junto da Estação da Finlândia em São Petersburgo.
O monumento recorda um dos momentos mais dramáticos da preparação da revolução comunista de 1917 na Rússia. Após o derrube do czar, em Março de 1917, Lénine regressa a Petrogrado (como então se chamava a cidade), vindo da Finlândia e é esperado por milhares de manifestantes. Depois de subir para cima de um tanque, pronunciou um inflamado discurso, que entrou para a história como as "Teses de Abril", onde o dirigente bolchevique defende a transformação da revolução burguesa em revolução proletária.
Seja como for, nada justifica o acto de vandalismo contra o monumento, não se deve copiar dos bolcheviques russos os métodos de luta contra os seus adversários. Eles destruíram muitos monumentos: estátuas, igrejas, etc. a dinamite, mas a resposta deve ser a reposição da verdadeira histórica através da publicação de documentos e discussão aberta, e não através da violência, que nada mais gera do que violência.

Fátima na Sibéria



Os meus leitores, pelo menos os portugueses, poderão pensar que a fotografia aqui publicada foi tirada nalguma aldeia ou vila de Portugal, onde é frequente ver imagens de Nossa Senhora de Fátima.

Mas esta imagem de Fátima encontra-se na Sibéria, mais precisamente, no Orfanato de São José da cidade russa de Tomsk, para onde foi levada em 1997.

A foto foi-me enviada pelo maestro João Tiago que foi a essa cidade dirigir a Orquestra Filarmónica De Tomsk em Janeiro passado, quando o mercúrio dos termómetros marcava 37 graus negativos.

A Orquestra interpretou a abertura "D.Ines de Castro" de Vianna da Motta e a abertura "Romeo e Julieta" e Sinfonia Nº6 de Piotr Tchaikovsky.

O maestro, que ainda estuda no Conservatório de São Petersburgo, tem um blog: Nevskiy Prospekt, que recomendo.


terça-feira, março 31, 2009

Preparação de viagem a Marte


O Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Academia das Ciências da Rússia e a Agência Espacial Europeia deram hoje início a uma experiência de 105 dias “Mars 500”, durante os quais irá ser simulada parte de uma viagem a Marte.
Seis voluntários (quatro russos e dois europeus) irão passar mais de três meses numa superfície fechada que emita o interior de uma nave espacial. A tripulação é constituída pelos russos Oleg Artemiev e Serguei Riazanski, astronautas, por Alexei Baranov, médico, e por Alexei Chpakov, treinador de ginástica, bem como pelo piloto civil francês Cyrille Fournier e pelo engenheiro militar alemão Oliver Knickel. Cada um receberá 15 mil euros no fim da experiência.
“A nave marciana” é composta por cinco “barris” metálicos, mas os “astronautas” irão utilizar três: a residencial com 150 metros cúbicos, a médica com 100 e um módulo onde se encontrarão aparelhos de ginástica, frigoríficos para a comida e uma estufa, com 250 metros cúbicos.
“Entre as tarefas do projecto pretendemos determinar se é possível um voo desses do ponto de vista da psicologia e fisiologia e elaborar exigências precisas para apresentar à tripulação real que poderá voar para Marte”, declarou na conferência de imprensa Anatoli Grigoriev, dirigente do projecto.
Os participantes da experiência ficarão praticamente privados de contactar com o mundo exterior.
“A falta de qualquer tipo de contacto é um dos objectivos da experiência. Se a tripulação da Estação Espacial Internacional tem possibilidade de telefonar para qualquer pessoa na Terra, nós não a teremos”, declarou Serguei Riazanski.
A “tripulação marceana” irá alimentar-se com rações iguais às que os astronautas hoje consomem, mas com uma particularidade.
“A diferença reside no facto de os astronautas poderem alterar a ementa, e nós não”, acrescentou.
Os “astronautas-cobaias” só poderão abandonar a nave se a sua vida correr perigo, pois, em caso de doença, terão o apoio do médico Alexei Baranov.
Esta iniciativa constitui a segunda parte de uma experiência com três fases. A primeira, um “voo” de 14 dias, teve lugar em Novembro de 2007 e a terceira, uma “viagem a Marte” com a duração de 520 dias, o tempo que a ciência pensa ser necessário para ir ao “planeta vermelho” e regressar à Terra, deverá começar no fim do ano corrente.

segunda-feira, março 30, 2009

O copo está meio cheio ou meio vazio?

As autoridades russas não estão de acordo com as previsões do Banco Mundial no que respeita ao desenvolvimento económico da Rússia em 2009, segundo as quais o Produto Interno Bruto poderá descer pelo menos 4,5 por cento, declarou hoje Igor Chuvalov, primeiro vice-primeiro ministro do Governo russo.
“Não estamos de acordo com essa previsão, encarregamos os nossos peritos de a submeter a uma análise”, acrescentou.
O Banco Mundial (BM) prevê uma queda de pelo menos 4,5 por cento do Produto Interno bruto (PIB) da Rússia em 2009, devido à crise económica mundial e à descida do preço do petróleo.
"Com perspectivas financeiras mundiais muito agravadas e os preços do petróleo em torno dos 45 dólares o barril, a economia russa vai provavelmente sofrer uma contracção de 4,5 por cento em 2009, ou mais", prevê o Banco Mundial num estudo hoje divulgado em Moscovo.
Na sua última avaliação, em Novembro, o BM previa ainda um crescimento de 3 por cento do PIB russo.
"A amplitude desta revisão reflecte a deslocação da economia mundial entretanto ocorrida", refere o estudo do banco, cuja previsão aponta para um recuo de 1,7 por cento do PIB à escala mundial em 2009.
Para a Rússia, são os dois primeiros trimestres de 2009 que se anunciam como os mais difíceis.
Mas as "esperanças iniciais de que a Rússia e outros países se recompusessem rapidamente já não parecem prováveis", sublinha.
Face à crise, as autoridades enfrentam um "duplo desafio": conter o impacto social apesar de um orçamento retraído e gerir uma nova vaga de pressão sobre o sector bancário, nota o Banco Mundial.
"A rapidez do ajustamento do mercado do trabalho da Rússia foi impressionante" e traduziu-se numa escalada do desemprego (segundo as normas da Organização Internacional do Trabalho) de 8,9 por cento em Fevereiro de 2009, contra 8,1 por cento em Janeiro e 5,4 por cento em Maio de 2008, nota o documento.
Enquanto isso, "a posição orçamental agravou-se consideravelmente e a margem de manobra reduziu-se rapidamente, limitando as opções do governo por novas medidas de relançamento orçamentais”.
Elvira Nabiulina, ministra do Desenvolvimento Económico, previu para o ano corrente uma contracção do PIB da ordem dos 2,2 por cento, recordou Chuvalov.
“Ao prognosticar uma queda de 4,5 por cento, o Banco Mundial apoia-se no preço do barril de crude a 45 dólares, o que é superior ao número preconizado pelo Ministério do Desenvolvimento Económico: 41 dólares por barril”, frisou o primeiro vice-primeiro-ministro russo.

domingo, março 29, 2009

Afinal, a culpa não é dos "banqueiros estrangeiros invejosos"


O sistema financeiro mundial deve ser baseado numa “cesta de múltiplas moedas” e, no futuro, pode-se chegar a um acordo sobre uma moeda mundial de reserva, declarou Dmitri Medvedev, numa entrevista à BBC.
“É completamente evidente que o actual sistema monetário não aguentou os desafios. Ainda bem que temos um certo leque de moedas convertíveis: dólar, euro, libra estrelina. Mas, para bem do sistema, este deve basear-se numa cesta de múltiplas moedas, incluir outras moedas regionais de reserva”, explicou.
“Se chegarmos a acordo sobre isso, no futuro poderemos falar da criação de uma super-moeda”, acrescentou.
Medvedev considera que a cimeira dos G-20, em Londres, deverá terminar com medidas adequadas à gravidade da crise mundial.
“Os dirigentes devem chegar a acordo porque deste, da nossa decisão de realizar medidas bastante radicais para mudar a arquitectura financeira mundial depende o futuro dos nossos países, dos nossos povos”, afirmou.
Ao responder se o equilíbrio de forças do Ocidente para o Oriente irá mudar durante a crise, o dirigente russo declarou: “A questão não reside de onde e para onde se movimenta, mas em dar uma resposta correcta. Claro que as actuais proporções na economia mundial já não correspondem ao estado actual da vida. Vimos como se desenvolvem rapidamente as chamadas economias dinâmicas, como crescem rapidamente mercados como os do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), como se desenvolve rapidamente o Extremo Oriente. É preciso ter isso em conta”.
“Porém”, frisou Medvedev,”isso não é motivo para dizer: está tudo feito. As novas proporções, o novo quadro político estão fixados e, agora, vivemos num novo mundo. A crise é motivo para encontrar soluções”.
Medvedev não culpa os “banqueiros invejosos estrangeiros” dos problemas económicos da Rússia: desvalorização do rublo, aumento do desemprego, dívidas das empresas russas a bancos estrangeiros.
As empresas russas devem a bancos ocidentais cerca de 480 mil milhões de dólares.
“Talvez algumas delas tenham feito isso de forma pouco crítica, mas isso é culpa dos donos dessas companhias, e não dos bancos estrangeiros”, sublinhou.
Segundo o presidente russo, a crise mostrou outros problemas existentes na economia russa.
“Nós já tínhamos compreendido antes que a economia da Rússia estava insuficientemente diversificada, que ela está significativamente virada para as matérias-primas... Esta crise atingiu mais os países com uma maior orientação exportadora e a Rússia está entre eles”, constatou.
“Por isso, a tarefa mais importante da Rússia no futuro é avançar pela via da diversificação da economia, criar novas produções, fundamentalmente nas esferas das altas tecnologias”, concluiu.
Apenas quero acrescentar que, ainda muito recentemente, dirigentes como Vladimir Putin atiravam todas as culpas da crise para cima do Ocidente, sem reconhecer que o seu país não se preparou, no tempo das "vacas gordas", nem para esta, nem para outra crise.
Medvedev, pelo menos, é realista. Talvez esta seja uma das razões dos atritos que se têm vindo a observar entre ele e Putin, que são cada vez mais evidentes.

"Vento da história sopra nas velas das forças de esquerda!"


Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia (PCFR), considerou hoje que a crise financeira cria no país uma nova situação revolucionária e defendeu que os comunistas devem conquistar para o seu lado novas camadas da população.
“Forma-se uma nova situação revolucionária. Ela apenas amadurece, mas não há dúvida de que o vento da história sopra nas velas das forças de esquerda”, declarou o líder comunista num plenário dedicado à política do PCFR durante a crise.
Ziuganov constatou o aumento da actividade dos trabalhadores, provocada pela deterioração da situação económica.
“As pessoas começam a perder as ilusões criadas durante oito anos de “chuva de ouro””, frisou o dirigente comunista, tendo em conta o período em que a Rússia beneficiou dos altos preços do petróleo e gás nos mercados internacionais.
“Claro que seria infantilismo esperar um aumento forte e rápido da resistência. A classe operária está mal organizada e, em parte, a culpa disso é nossa. Pouco fizemos para organizar os trabalhadores para a luta pelos seus interesses”, reconheceu Ziuganov perante os seus camaradas do Comité Central.
“Devemos, juntamente com os sindicatos independentes, com os sovietes de operários e camponeses alterar a situação. 04 de Abril será um dia nacional de protestos. Depois vêm os dias 01 e 09 de Maio. São festas nossas e devemos aumentar a pressão sobre o poder”, defendeu.
Guennadi Ziuganov acusou o Kremlin de não permitir o acesso dos comunistas à televisão.
“Não podemos esperar que nos deixem aparecer na televisão. Claro que lutamos energicamente por esse direito e o poder já prometeu alguma coisa, mas seria precipitado acreditar nele”, declarou.
O dirigente comunista defendeu a aposta nos “novos órgãos de informação, incluindo a Internet e os sms”, bem como a conquista do apoio dos militares “que brevemente serão despedidos devido à redução das Forças Armadas”, da classe média e do “proletariado dos escritórios”.
“Não devemos pretender à direcção de cada organização em que participamos...Devemos conquistar a confiança e apoio do povo antes de tudo com acções tácticas, com a avaliação correcta da situação, com a firmeza na luta. Então, as pessoas virão ter connosco, chamar-nos-ão”, concluiu.

"Tiro de partida" de relações russo-americanas


Os Presidentes da Rússia e dos Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, publicarão uma declaração, após o encontro de Londres de 01 de Abril, sobre as relações bilaterais e a problemática da redução de armas nucleares estratégicas, declarou,no sábado, aos jornalistas Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para assuntos internacionais.
“Estamos a chegar a acordo sobre duas declarações presidenciais: uma, geral, sobre as relações russo-americanos, outra sobre o Tratado SALT (Strategic Arms Limitation Talks). Os textos não são maus e devem ser o ponto de partida para a organização do posterior trabalho”, revelou Prikhodko, na véspera da cimeira.
“Partimos do princípio que as questões da redução das armas nucleares estratégicas, da instalação do sistema de defesa anti-míssil norte-americano e da não difusão de armas atómicas devem estar em primeiro plano”, frisou.
Segundo ele, “iremos tentar chegar a acordo sobre o gráfico e os parâmetros do trabalho de elaboração do novo Tratado SALT que irá substituir o anterior, para que, na próxima cimeira, se chegue aos primeiros acordos concretos e se termine o trabalho até ao fim do ano”.
O Tratado SALT-1 foi assinado em 1991 pelos presidentes da União Soviética e dos Estados Unidos e comprometia Moscovo e Washington a reduzir as ogivas nucleares estratégicas de dez para seis mil.
Em 1993, a Rússia e os Estados Unidos assinaram o SALT-2, que previa uma redução substancial dos mísseis balísticos intercontinentais e das ogivas nucleares, mas, em 2002, Moscovo abandonou o tratado quando Washington renunciou ao Tratado de 1972, que proibia a criação de sistemas anti-míssil.
Mais tarde, foi assinado um acordo bilateral sobre a redução, até 31 de Dezembro de 2012, dos potenciais ofensivos estratégicos da Rússia e dos Estados Unidos até 1700-2200 munições nucleares.
Em 2005, a Rússia propôs a Washington a assinatura de um novo acordo SALT para substituir o actual.
As conversações em Londres serão o primeiro encontro pessoal de Dmitri Medvedev com Barack Obama depois da eleição para os cargos de presidentes da Rússia e Estados Unidos.
O primeiro encontro pessoal dos presidentes da Rússia e Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, que se realizará no próximo dia 01 de Abril, terá um carácter de “tiro de partida”, porque Moscovo entende que as contradições entre a Rússia e EUA são difíceis de superar, declarou hoje aos jornalistas Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para assuntos internacionais.
Ao comentar o encontro, Prikhodko afirmou que os presidentes deverão “acertar os relógios”, fazer um inventário de todos os aspectos da agenda russo-americana e pôr em marcha uma nova etapa nas relações que já foi qualifidada de “reinício”.
“Temos em conta que o primeiro encontro terá um carácter de tiro de partida. Cada uma das partes trará as suas prioridades, os seus acentos e a sua visão da política externa”, declarou.
Serguei Prikhodko chamou a atenção para as intenções construtivas da nova administração norte-americana para “corrigir as relações bilaterais, pôr em andamento um trabalho conjunto baseado no pragmatismo, no reconhecimento dos interesses mútuos e sem nenhum tipo de preconceitos ideológicos”.
Ao mesmo tempo, o assessor do Kremlin sublinhou que “mantendo posturas realistas, entendemos perfeitamente as contradições que nos dividem e não temos ilusões de que serão fáceis de superar”.
O funcionário russo informou também que Medvedev irá propôr ao seu homólogo norte-americano a monitorização conjunta das ameaças de mísseis, como alternativa ao sistema norte-americano de defensa anti-míssil na Europa.
“Recordaremos a nossa proposta de vigiar de forma conjunta as ameaças de mísseis na direcção sul”, sublinhou.
Serguei Prikhodko revelou também que Medvedev e Obama irão abordar assuntos relacionados com a não proliferação de armas atómicas, a luta contra o terrorismo nuclear, a crise financeira e a proposta russa de reformulação da estrutura europeia de segurança.
Os dois presidentes “analisarão com detalhe a problemática norte-coreana e iraniana”, especialmente a nova estratégia diplomática de Obama face a Teerão.

sábado, março 28, 2009

Moeda universal: utopia ou realidade

 1059 ¤RARISSIMA¤ ESPERANTO 1 Stelo 1959 Veja descriçăo!!!! A delegação russa à cimeira do G20 em Londres, dirigida pelo Presidente russo, leva um extenso pacote de medidas para edificar "uma nova arquitectura financeira mundial”, que inclui a proposta de criação de uma “moeda supranacional única”.
A “criação de uma moeda de reserva supranacional, cuja emissão será feita por institutos financeiros internacionais. Consideramos necessário analisar o papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) nesse processo, bem como determinar a possibilidade e necessidade de tomada de medidas que permitam a essa moeda tornar-se uma moeda 'de super-reserva' por toda a comunidade mundial”, lê-se num documento aprovado pelo governo russo para a cimeira de Londres a 02 de Abril.
Segundo o Kremlin, a base da futura moeda supranacional única poderá ser os Special Drawing Rights (SDR) do FMI. Como fase intermédia, a Rússia defende o aumento do número de divisas de reserva e a criação de vários centros financeiros.
A ideia de criação de uma “moeda supranacional única” foi avançada, entre outros, pelo Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaev, em Fevereiro passado, proposta que foi imediatamente apoiada pela Rússia, que decidiu colocar essa questão na Cimeira de Londres.
A ideia recebeu um novo impulso quando a China anunciou também o apoio à criação de uma “moeda supranacional única”.
“Uma das tarefas estratégicas é a criação de uma moeda de reserva que não esteja ligada à economia de um país definido. Essa moeda deve ser estável a longo prazo. O Fundo Monetário Mundial deve controlar o novo sistema financeiro”, de acordo com um relatório do Banco Central da China, citado pelas agências noticiosas russas.
Moscovo reconhece que se trata de um projecto a longo prazo tendo em conta a oposição dos Estados Unidos a essa ideia.
"Acredito na economia americana e no dólar... Estou convencido de que não há necessidade nenhuma de uma nova moeda internacional”, declarou o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa conferência de imprensa a 24 de Março.
Quinta-feira, o Kremlin propôs a convocação de uma conferência internacional sobre a moeda supranacional única em Moscovo.
“Consideramos que o obstáculo fulcral à criação da nova moeda de reserva não é a impossibilidade técnica, nem futuras divergências entre os participantes da nova união monetária, mas a existência de uma potente vontade política da parte dos Estados Unidos de não permitir o aparecimento de uma nova moeda”, declarou à agência Lusa o economista russo Pavel Pikulev.
“Ontem (quinta-feira), a favor da criação da nova moeda de reserva com base no SDR manifestou-se George Soros. O facto de a favor dessa ideia se manifestarem pessoas tão competentes mostra que não vale a pena considerá-la logo utópica, como fizeram muitos dos nossos colegas”, frisou.