terça-feira, junho 30, 2009

Rússia aperta o cerco gasífero à UE ao assinar contrato com Azerbaijão


A empresa russa Gazprom assinou hoje um contrato com a Companhia Pública de Petróleo do Azerbaijão (GNKAR) sobre o fornecimento de gás azeri à Rússia, o que é visto como mais uma passo para invavilizar a construção do gasoduto Nabucco.
Segundo as agências russas, “o documento, que fixa as condições fundamentais da aquisição de gás natural azeri, foi assinado pelo director da “Gazprom”, Alexei Miller, e pelo dirigente da GNKAR, Rovnag Abdullaev, depois das conversações entre o Presidente russo, Dmitri Medvedev, e o seu homólogo azeri, Ilkham Aliev”.
O contrato prevê o fornecimento de 500 milhões de metros cúbicos por ano a partir de 01 de Janeiro de 2010, mas os fornecimentos deverão aumentar.
“Planeamos, posteriormente, aumentar os fornecimentos de gás à medida que aumentarmos a extracção de gás azeri”, declarou o Presidente Aliev.
Segundo ele, o volume de extracção de gás no Azerbaijão deverá subir de 27 mil milhões de metros cúbicos em 2009 para 30 mil milhões em 2010.
“Hoje, lançámos uma boa base para a cooperação na esfera gasífera. Penso que será uma cooperação com muito êxito e mutuamente vantajosa”, frisou.
A agência Ria-Novosti sublinha que “até agora, a Gazprom não comprava gás azeri”.
Segundo alguns analistas, este documento é mais uma das tentativas russas de neutralizar o projecto “Nabucco”.
Este gasoduto, que deverá ser financiado pela União Europeia, ligará a Ásia Central e a bacia do Mar Cáspio à Europa, ladeando o território russo.
Alguns analistas consideram que o acordo russo-azeri vem juntar-se ao interesse da Rússia em participar na construção do gasoduto Transsariano, que irá ligar a Nigéria à Europa através do deserto do Saara, como forma de controlar as fontes de fornecimento de combustível azul à União Europeia.
Durante a visita à Nigéria, realizada na semana passada, o Presidente Medvedev declarou que a construção do Transsaariano “é um projecto interessante para a Rússia", sublinhando: “não porque queiramos fechar torneiras e controlar a situação”.
Porém, Boris Tumanov, analista do diário digital gazeta.ru, chama a atenção para as palavras de Alexei Miller, dirigente da Gazprom, durante a mesma visita.
“Tudo isso foi estragado por Alexei Miller, que, quase paralelamente ao Presidente russo, preveniu a Europa das tentativas de diversificar as fontes de fornecimento de gás, porque, como ele explicou, isso pode, pelo contrário, deteriorar a sua segurança energética”, considera o analista.
Segundo o analista, à primeira vista, há uma contradição nas palavras do Presidente russo: "quando Moscovo faz tudo para impedir a construção do gasoduto Nabucco (não foi por acaso que Medvedev foi a Baku para convencer Aliev a vender o gás azeri à Rússia), quando Moscovo “fecha a torneira” na Ucrânia, na Turcoménia e até na Bielorrúsia, tentando “controlar a situação”, o desejo de fornecer permanentemente gás nigeriano à Europa poderia ser um sinal de preocupante bifurcação do pensamento estatal russo”.
Porém, o comentador defende que Moscovo “simplesmente deseja controlar não só os recursos gasíferos turcomenos e azeris, mas também nigerianos”.
Os presidentes russo e azeri analisaram também o problema de Nagorno-Karabakh, enclave no território azeri com maioria da população arménia.
Em 1989, Nagorno-Karabakh proclamou a independência em relação ao Azerbaijão, provocando uma longa guerra entre azeris e arménios. Em 1994, o conflito foi congelado, mas ainda não foi encontrada solução até hoje.

segunda-feira, junho 29, 2009

Exército russo dá início a exercícios militares no Cáucaso


As Forças Armadas da Rússia começam hoje manobras estratégicas “Cáucaso 2009”, em que participam também as brigadas russas estacionadas na Abkházia e Ossétia do Sul, informou o general Vladimir Voldirev, comandante do Exército.
“As manobras operativo-estratégicas “Cáucaso-2009”, sob o comando do chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, general Nikolai Makarov, começam hoje em dez províncias do sul da Rússia”, precisou Andrei Bobrun, porta-voz da Região Militar do Cáucaso do Norte.
Entre essas regiões estão as repúblicas do Norte do Cáucaso russo: Ossétia do Norte, Inguchétia, Daguestão, Karatcheaevo-Circásia e Tchetchénia, fazendo esta última fronteira com a Geórgia.
O Ministério do Interior da Rússia informou que nas manobras, que se prolongarão até 06 de Julho, participam 8.500 soldados e oficiais, 200 tanques, 450 veículos blindados e 250 peças de arilharia de diverso calibre.
“Nos exercícios participam unidades da Região Militar do Cáucaso do Norte, bem como estruturas que interagem com elas: Força Aérea e Tropas de Defesa Anti-aérea, Frota do Cáspio, base naval militar de Novorrossisk, direcção regional das Tropas Fronteiriças do Serviço Federal de Segurança, comando regional das Tropas do Ministério do Interior no Cáucaso do Norte e paraquedistas”, acrescentou Andrei Bobrun.
Além disso, nas manobras participam as tropas russas estacionadas na Abkházia e Ossétia do Sul, repúblicas separatistas georgianas que proclamaram a independência com o apoio de Moscovo.
O cenário é muito semelhante àquele seguido no ano passado em manobras idênticas, que antecederam a guerra entre a Rússia e a Geórgia, no mês de Agosto.
“Durante as manobras, iremos experimentar e analisar um amplo leque de medidas adequadas possíveis de carácter militar para garantir a segurança dos cidadãos da Rússia, das comunicações de transporte e energéticas, de alvos estratégicos, bem como medidas com vista à defesa dos interesses económicos da Rússia na região sudoeste”, frisou Bobrun.
Ele acrescentou que as tropas da região militar do Cáucaso do Norte irão ter em conta a experiência adquirida durante a “operação para obrigar a Geórgia à paz”.
A pretexto de defender os seus cidadãos na Ossétia do Sul do ataque das tropas da Geórgia, Moscovo desencadeou, a 08 de Agosto de 2008, uma operação militar que levou à retirada dos militares georgianos dessa região separatista e à ocupação de parte do território do país vizinho.
Em Setembro, o Kremlin reconheceu a independência das repúblicas separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul.

“Eu levo o kochka lá na verkh”










As duas reportagens abaixo publicadas foram escritas para a Agência Lusa, de quem sou correspondente em Moscovo. Na passada sexta-feira, visitei a vila Pritchistoe, onde vive Alexandra e sua mãe Natália.

“Eu levo o kochka lá na verkh”, grita Alexandra numa infantil mistura de línguas russa e portuguesa, enquanto pega num gatinho (kochka em russo) siamês e o leva para cima (na verkh) do forno russo, onde tem instalada a “casa” de seus amigos: gatos, bonecas, livros...
A menina russa que, foi retirada à família de acolhimento portuguesa e partiu para a Rússia há pouco mais de um mês, aumenta diariamente o seu vocabulário russo com grande rapidez, esquecendo aos poucos as palavras equivalentes em português.
“Por enquanto, ainda é Sandra, mas, daqui a pouco tempo, já será Chura (um dos diminuitivos russos de Alexandra)”, declara à Lusa o avô Serguei, ao mesmo tempo que explica a forma como a menina aprende o russo.
“Quando ficámos sozinho, disse-lhe: vai lá cima e traz umas meias. Ela olhou para mim e não entendeu o que eu queria, mas mostrei-lhe umas meias que tinha calçadas e ela rapidamente me trouxe outras”, regozija-se o velho mineiro, hoje reformado.
“Ontem, por telefone, João e Florinda perguntaram-lhe, por telefone, se ela queria voltar a Portugal e a Sandra que respondeu que não, que aqui estava melhor”, acrescentou vitorioso.
“A minha mãe disse-nos ontem que a Sandra disse aos portugueses que não queria regressar, que gostava muito de estar aqui”, corrobora com menor convicção Valéria, acabada de chegar a casa da escola.
“Valéria! Valéria!”, grita Alexandra ao ver a irmã mais velha a entrar no umbral da velha casa de madeira da família Zarubin.
“Adora a irmã mais velha!É a maior amiga da Sandra. Anda sempre atrás da Valéria quando ela está em casa, não a deixa um minuto em paz”, confirma a “mãe Natália”, como lhe chama Alexandra.
“Os portugueses devem viver em Portugal, os russos na Rússia e os alemães na Alemanha. Eu não tenho nada contra outros povos, vivi com gentes de muitas nacionalidades no Cazaquistão, mas a minha posição é esta”, junta-se a avó de Alexandra à conversa.
Porém, as palavras dos membros da família dos Zarubin já não são pronunciadas com a mesma firmeza e convicção de há um mês atrás... O não de Natália à proposta de regresso a Portugal já não é tão categórico.
“Vamos ver, por enquanto, ainda tenho muitos problemas burocráticos a resolver, tenho de me inscrever no fundo desemprego, comprar uma máquina de costura para começar a trabalhar”, declara à Lusa Natália, reconhecendo que não recebeu qualquer ajuda das autoridades russas além de quinze dias de férias numa casa de repouso do Distrito de Iaroslav.
As relações com um dos vizinhos também estão irremediavelmente estragadas.
“Ele estaciona o camião quase em cima da casota da cadela Lúcia e receio que atropele a Sandra, pois ela está sempre a correr para junto da Lúcia e do cachorrinho. Peço-lhe para afastar o camião, mas sou ouço insultos”, queixa-se Natália.
Valerii Dementiev, o vizinho visado, respondeu com acusações à família dos Zurabin e ameaçou recorrer à polícia.
“Vou apresentar queixa à polícia e tenho muitas razões para isso”, deixou ele a ameaça no ar.
Alexandra, aparentemente alheia aos conflitos dos adultos, não pára um minuto, corre pela horta e grita : “babotchka” (borboleta), babuchka (avó), kartochka (batata).

“Na nossa vila há hotel para albergar a família portuguesa”











Natália Zarubina, mãe de Alexandra, olha com alguma incerteza para o futuro, mas não fecha a “porta” à vinda da família Pinheiro à aldeia onde habita.
“Na nossa vila há um hotel com condições e estou disposta a receber o João e a Florinda, eles podem visitar a Sandra quando quiserem”, declarou Natália à Lusa quando confrontada com a pergunta de se admitia a possibilidade de regressar a Portugal.
Um riso céptico surge-lhe no rosto e desvia o rumo da conversa.
“Recebemos ajuda inesperada. Um grupo de russos que vivem nos Emiratos Árabes Unidos enviaram uma piscina de plástico e um telemóvel para a Alexandra. Um anónimo trouxe-nos comida para os cães que deve dar para mais de um ano”, relata a mãe da menina russa que foi retirada à família de acolhimento portuguesa e levada para a Rússia há pouco mais de um mês.
“Mas também recebi um postal com insultos vindo da Espanha, pelo menos trazia selo espanhol. Exigiam que eu devolvesse a criança a Portugal”, acrescentou.
Natália não se queixa, mas constata que pouco apoio tem recebido das autoridades russas, a não ser uma estadia de duas semanas para ela e as filhas numa casa de repouso no Distrito de Iaroslav.
“Da Câmara Social junto do Presidente da Rússia não veio cá ninguém, disseram-me que vou começar a receber um abono de família no início de Julho, mas não sei quanto, vou increver-me no centro de emprego, mas não está fácil”, sublinha.
A crise económica já há muito tempo chegou à vila de Pritchistoe e os empregos não são muitos, tanto mais que desapareceram algumas indústrias.
“Antes, tínhamos uma panificação, uma vacaria, fábrica de leite e queijo, mas já fecharam todas”, reconhece Valéria, a irmã mais velha e a maior amiga de Sandra.
O seu sonho é estudar arquitectura na cidade de Iaroslavl, mas para isso é preciso terminar a escola média, obter notas para conseguir esse objectivo e ter meios financeiros para ir estudar para a capital de distrito.
Quando se aborda a questão da possibilidade de Natália e Alexandra regressarem a Portugal, a primeira reacção de toda a família dos Zarubin é uma negativa, mas já não tão firme como há um mês atrás, quando mãe e filha chegaram à Rússia.
Além das dificuldades económicas evidentes, aumentadas pela entrada em casa de mais duas pessoas, as relações com alguns vizinhos não são nada pacíficas. A família dos Zarubin chegaram do Cazaquistão a Pritchistoe em 2000, são todos russos, mas olhados com alguma desconfiança pelos locais.
Alexandra ainda não tem idade para compreender zangas e problemas de adultos e tenta estabelecer contacto com os locais, aprendendo rapidamente palavras separadas ou frases inteiras em língua russa.
“Quero um morojno (gelado em russo) de chocolate e kartochki (batatas)”, diz Alexandra depois de entrar numa pequena loja local.
A menina fala numa mistura de russo e português, sendo cada vez maior o número de palavras russas nas suas conversas, mas continua a dizer em português: “mãe Natália” e “mãe Florinda”.

domingo, junho 28, 2009

Putin oferece Manifesto do Partido Comunista a Guennadi Ziuganov


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, deu hoje os parabéns a Guennadi Ziuganov (na foto), dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, que festejou, na passada sexta-feira, o 65º aniversário do seu nascimento.
Durante um encontro com dirigentes dos partidos representados na Duma (câmara baixa) do Parlamento da Rússia, realizado na casa de campo de Vladimir Putin, este ofereceu a Ziuganov a primeira edição em russo do “Manifesto do Partido Comunista”, obra escrita por Karl Marx e Frederich Engels e que constitui uma espécie de “catecismo” do comunismo.
A obra “Manifesto do Partido Comunista” conheceu a sua primeira edição em língua alemã, a 21 de Fevereiro de 1848. Em russo, ela foi editada apenas depois da revolução comunista de 1917.
“Paira um espectro pela Europa — o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e polícias alemães.Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reaccionários, a recriminação estigmatizante do comunismo?”, lê-se no Manifesto.
Segundo Marx e Engels, “Deste facto concluem-se duas coisas.O comunismo já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder. Já é tempo de os comunistas exporem abertamente perante o mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objectivos, as suas tendências, e de contraporem à lenda do espectro do comunismo um Manifesto do próprio partido”.
No mesmo livro, os clássicos do “comunismo científico” escrevem: Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!”.
O marxismo foi a única ideologia permitida na URSS/Rússia entre 1917 e 1991, onde o Partido Comunista monopolizava a vida política, económica e social do país.

Organização russa lança apelo a Comissário para Direitos Humanos da Rússia


O sítio electrónico russo girus.ru publicou uma carta/petição aberta a Vladimir Lukin, Comissário para Direitos Humanos da Federação da Rússia, pedindo-lhe que explique se os direitos de Alexandra não foram violados quando foi decidido trazê-la para a Rússia.
Neste sítio, criado especialmente para que os cidadãos russos se possam dirigir aos órgãos de poder, os autores da carta relatam as peripécias do processo que levou o Tribunal de Guimarães a retirar Alexandra ao casal de acolhimento e a entregá-la à mãe biológica, Natália Zarubina, admitindo que Lukin “não saiba o que se passou com a russa de deis anos, Alexandra Zarubina”.
“Como resultado, Alexandra viu-se, juntamente com a mãe, no distrito de Iaroslav. Aí está rodeada pela mãe, avó, avó, irmã mais velha, que ela antes nunca viu. A criança considera a sua família os portugueses, com os quais viveu seis anos”, continuam os autores da carta.
Segundo eles, “a língua pátria de Alexandra é o português, não fala russo... As condições de vida em que se viu a criança diferem muito daquelas onde ela cresceu. A mãe considera a educação que a filha recebeu durante seis anos, com a sua concordância, “tonta”, mas não considera vergonhoso bater publicamente na criança”.
“A nossa posição formou-se com bases nas informações da imprensa. Claro que ela pode ser incompleta. Claro que compreendemos que as questões das relações de pais, filhos, adoptores são extremamente complexas e delicadas. Talvez as autoridades portuguesas e russas que decidiram o destino da cidadã russa Alexandra Zarubina, tenham observado todas as formalidades indispensáveis”, acrescentam.
Com base no que leram, os autores da carta/petição pedem a Vladimir Lukin que os ajude a encontrar respostas a várias perguntas: “A transferência de Portugal para a Rússia não foi uma violação dos direitos de Alexandra Zarubina, nomeadamente os direitos ao meio linguístico habitual e o direito à instrução? Não contradiz isso as leis russas e os compromissos internacionais do nosso país?”, interrogam.
“Como é que a legislação russa avalia o comportamento de uma mãe que, durante seis anos, não se dedicou à educação da sua filha, não se preocupou com ela, atirou essas tarefas par cima de outra família e, depois, provocou a ruptira brusca da filha com pessoas querias, a língua e a habituais?”, perguntam eles.
“Esperamos que o Sr. Possa encontrar respostas a estas perguntas e se elas despertarem em si preocupação pelo destino de Alexandra Zarubina, faça tudo para resolver o problema”, concluem os autores da carta.
Em três dias, a petição foi assinada por 462 pessoas, sendo a maioria russos e portugueses.

sexta-feira, junho 26, 2009

Cooperação económica no centro das conversações de Dmitri Medvedev e J.E.Santos


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, irá discutir com a direcção angolana medidas para aumentar as trocas comerciais, a cooperação na esfera espacial, o desenvolvimento da cooperação na exploração de recursos naturais e energia eléctrica, declarou aos jornalistas Serguei Prikhodko, assessor de Medvedev para assuntos internacionais.
“Durante as conversações russo-angolanas ao mais alto nível planeia-se discutir um amplo leque de questões da cooperação nas esferas política, comercial-económica, técnico-científica e culturo-humanitária”, acrescentou.
Prikhodko sublinhou que “um dos temas principais será questões práticas da cooperação comercial-económica, antes de tudo passos para aumentar o comércio bilateral que, em 2008, constituiu 76,3 milhões de dólares”.
Segundo ele, depois das conversações de Dmitri Medvedev com José Eduardo dos Santos, os dirigentes russo e angolano assinarão um comunicado conjunto, bem como toda uma série de documentos bilaterais, nomeadamente, o programa a médio prazo de cooperação económica, técnico-científica e comercial para 2009-2013, o acordo sobre o incremento e protecção mútua dos investimentos e o memorando no campo da cooperação tecnológica na esfera dos recursos naturais.
O porta-voz do Kremlin anunciou também que irá ser assinado um pacote de contratos sobre o projecto de criação de um sistema de comunicações por satélite em Angola “ANGOSAT”.
O assessor de Medvedev não excluiu a possibilidade da assinatura de um acordo sobre a abertura de uma ligação aérea directa entre Luanda e Angola, bem como um documento sobre a criação de um comité intergovernamental para a cooperação técnico-militar.
Porém, Prikhodko sublinhou que “não nos concentramos apenas nos diamantes e cooperação técnico-militar. Tencionamos cooperar na esfera da instrução, da preparação de quadros, do Espaço”.
O Kremlin não considera mesmo a cooperação técnico-militar uma direcção prioritária na cooperação com Luanda.
“Não penso que a situação seja actual. Foram transportados para o país armamentos mais que suficientes. Penso tratar-se, agora, da necessidade da sua manutenção, da preparação de quadros”, frisou ele.
Prikhodko revelou igualmente que a exploração de minas de diamantes em Angola é uma das principais direcções da cooperação económica bilateral.
“Nesse país trabalham com êxito as empresas de extracção de diamantes “Catoca” e “Luo”; com a particição da empresa russa “ALROSA”, realiza-se trabalho de prospecção geológica conjunta em Cacolu”, exemplificou.
O assesor defendeu que a extracção de combustíveis é mais uma direcção prometedora da cooperação bilateral.
Segundo ele, além da “ALROSA”, que obteve licença para realizar prospecções geológicas de petróleo nas bacias dos rios Kwanza e Congo, outras empresas do ramo dão os primeiros passos no mercado angolano: a OAO “Zarubejneft” estabeleceu contactos com a “SONANGOL”.
“Existem também”, continuou ele,”boas possibilidades para o desenvolvimento da cooperação na energia eléctrica”, revelando que actualmente se estuda a questão da participação da empresa russa “Tekhpromeksport” na construção de duas centrais eléctricas no rio Kwanza.
A Tekhpromeksport participou na construção da central hidroeléctrica “Capanda” e a empresa conjunta “Hidrochicala”, com a participação da “ALROSA”, terminou, no ano passado, a construção de uma central hidroeléctrica no rio Chicala.
Serguei Prikhodko destacou igualmente a cooperação no campo da instrução e preparação de quadros, sublinhando que, hoje, cerca de 300 estudantes angolanos frequentam universidades russas.
“Será prestada especial atenção à discussão dos problemas internacionais actuais com vista ao reforço da interacção russo-angolana na política externa”, continuou.
“Planeia-se a troca de opiniões sobre a luta contra as consequências da crise económico-financeira global e sobre a criação de um sistema internacional eficaz e justo de gestão dos processos económicos, sobre a situação em África e sobre o desenvolvimento dos progressos integracionistas no continente”, concluiu Prikhodko.
A viagem de Medvedev a Angola realiza-se a 26 de Junho.

quinta-feira, junho 25, 2009

Supremo Tribunal anula sentença que absolveu acusados do assassinato de Anna Politkovskaia


O Supremo Tribunal da Rússia anulou hoje a sentença que absolveu três pessoas acusadas no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaia em Outubro de 2006.
O tribunal aceitou o recurso de cassação interposto pela Procuradoria-Geral da Rússia que defendia a anulação da sentença e a realização de uma nova investigação.
A Procuradoria-Geral alegou, para justificar o seu recurso, “irregularidades cometidas durante o processo”.
Em Fevereiro passado, um tribunal de jurados absolveu os três acusados de assassino de Politkovskaia: dois irmãos tchetchenos, Ibraguim e Djabrail Mkhmudov e o oficial do Ministério do Interior, Serguei Khadjikurbanov, que foram postos em liberdade.
Mas Khadjikurbanov voltou a ser imediatamente detido e acusado de extorsão de 350 mil dólares a Dmitri Pavliutchenkov, principal testemunha no caso Politkovskaia.
Murad Mussaev, advogado dos acusados, não ficou surpreendido com a decisão do Supremo Tribunal, anunciou que irá contestá-la no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de Estrasburgo. Os filhos de Anna Politkovskaia também revelaram a sua oposição face à decisão do Supremo Tribunal da Rússia.
A jornalista Anna Politkovskaia, de 48 anos, colaborado do jornal Nezavissimaia Gazeta e forte crítica da política do Kremlin na Tchetchénia, foi assassinada a 07 de Outubro de 2006 à entrada da sua residência em Moscovo.

Contributo para a História (Moçambique)


Os dirigentes soviéticos preferiam Joaquim Chissano a Samora Machel à frente de Moçambique, vendo no primeiro um político mais culto, equilibrado e sensato, segundo o primeiro embaixador da então URSS em Maputo.
"Ele era um talento por natureza, como se costuma dizer, talento inato, mas faltava-lhe a instrução que possuía Eduard Mondlane, primeiro presidente da Frelimo", escreve nas suas "Memórias do Trabalho em Moçambique" o diplomata Piotr Evsiukov, que esteve em contacto com o dirigente moçambicano durante mais de dez anos.
"Durante a guerra de libertação nacional, quando um grupo de militares soviéticos, depois de realizar uma marcha numa das regiões libertadas pela guerrilha em Moçambique, parou para descansar, um general nosso decidiu fazer um elogio a Samora Machel", recorda.
"O senhor caminha bem, é assim que eu imagino um Presidente'. Ao que Samora Machel retorquiu: 'Não, quando Moçambique for independente, terá um Presidente culto!' Não sei se nessa altura Machel pensava na presidência, mas não a recusou quando foi eleito", conta Piotr Evsiukov.
O diplomata soviético chama a atenção para o "extremismo de esquerda" de Samora Machel.
"Fui convidado por ele para uma reunião de trabalho. Esperavam-me Samora Machel e Marcelino dos Santos.
Os interlocutores interessaram-se pela minha opinião sobre a Revolução Cultural na China, mais precisamente, sobre os comités revolucionários e se era preciso realizar algo semelhante em Moçambique.
Eu dei uma nota negativa aos comités, sublinhando que em Moçambique já havia pessoas que ajudavam o partido e que era apenas necessário dirigir e controlar a sua actividade", escreve Evsiukov.
"Marcelino dos Santos ouvia as minhas considerações e apoiava. Mas Samora, segundo entendi, tinha uma opinião contrária, ele era pela imitação da experiência chinesa, que mostrou ser azeda", refere.
Após ressaltar o apego do dirigente moçambicano à vida e obra do ditador soviético José Estaline, Evsiukov acrescenta: "Só se pode compreender e avaliar a actividade de S. Machel se soubermos os factos da sua vida contraditória e traços do seu carácter: talento inato, por um lado, e falta de instrução em combinação com tentativas de compensar essa insuficiência através da imitação dos poderosos deste mundo, por outro lado".
"Não sei quem foi o verdadeiro culpado da morte trágica do Presidente de Moçambique independente. Não duvido que os inimigos ficaram felizes com isso", conclui.
Opinião bem diferente tinha o diplomata soviético sobre Joaquim Chissano.
"Chama a atenção a sua intelectualidade, ponderação, equilíbrio nas palavras e a habilidade de manter o diálogo político e encontrar uma solução satisfatória", considera Evsiukov, e acrescenta: "Se compará-lo com S. Machel, eram pessoas completamente opostas quanto ao temperamento".
"Eu tinha conhecimento que entre J. Chissano e S. Machel surgiam por vezes contradições nas avaliações políticas da situação e do desenvolvimento dos acontecimentos em Moçambique, nomeadamente das posições da Frelimo para com a população portuguesa", continua o diplomata.
"J. Chissano era bastante maleável com os portugueses, encontrava com eles linguagem comum. Neste campo, S. Machel nem sempre estava de acordo com J. Chissano", conclui Evsiukov.

Estados Unidos mantêm base no Quirguistão


O Parlamento do Quirguistão, país da Ásia Central, ratificou hoje o acordo entre os Governos dos Estados Unidos e do Quirguistão sobre a criação de um “centro de trânsito de mercadorias”, no aeroporto internacional de Manas, para apoiar a operação militar no Afeganistão.
Segundo a agência noticiosa Ria-Novosti, o documento foi apoiado por 75 dos 88 deputados presentes na sessão parlamentar.
O centro de trânsito ficará situado no mesmo local onde se encontrava instalada a base militar norte-americana, que tinha sido aberta em Dezembro de 2001 e deveria ser encerrada no próximo mês de Agosto.
As autoridades quirguizes sublinham que o novo centro de trânsito será utilizado para o transporte de “mercadorias não militares”, mas o acordo não é claro quanto a isso.
O encerramento da base militar norte-americana foi justificada com a “estabilização da situação no Afeganistão e considerações económicas”, tendo essa decisão sido precedida da promessa de Moscovo de conceder ao Quirguistão um crédito de dois mil milhões de dólares.
“O Kremlin prometeu dinheiro, mas nada deu. O Presidente quirguize, Kurmanbek Bakiev, precisa de dinheiro para colmatar os problemas provocados pela crise financeira e para a campanha eleritoral. Os americanos abriram os cordões à bolsa e conseguiram o que queriam”, declarou à Lusa uma fonte diplomática em Moscovo.
O acordo prevê que Washington irá pagar anualmente 60 milhões de dólares pelo centro de trânsito, enquanto que pela base militar pagava apenas 17,4 milhões.
Além disso, os Estados Unidos irão investir 36,6 milhões de dólares na construção de novos terminais e armazéns fora do aeroporto civil de Manas e 30 milhões na modernização do sistema de controlo aéreo desse aeroporto.
Segundo o acordo, os Estados Unidos propuseram criar também um fundo conjunto de desenvolvimento económico, no valor de 20 milhões de dólares, bem como prometem pagar o arrendamento de terrenos nos arredores de Manas e “taxas justas e baseadas nos padrões da Organização Internacional de Aviação Civil pelas aterragens dos aviões”.
A imprensa russa considerou a decisão das autoridades quirguizes “uma surpresa desagradável para Moscovo, sublinhando que “as nações vizinhas entenderam há algum tempo que podem não cumprir as promessas verbais”.
“A situação parece ainda mais desagradável pelo facto de já ter havido precedentes, e não só com o Quirguistão. O Turcomenistão, por exemplo, promete os seus hidrocarbonetos ora à Gazprom, ora à China, ora à Europa. A Bielorrússia conseguiu de Moscovo créditos e gás baratos, mas resiste à cedência do controlo das suas empresas, nem reconhece, contra as expectativas da Rússia, a independência da Abkházia e Ossétia do Sul”, escreve o diário Kommersant.

Contributo para a História (Moçambique)


Logo após a proclamação da independência de Moçambique, o seu Presidente, Samora Machel, decidiu casar-se e convidou para a cerimónia numerosas pessoas, entre as quais estavam Arkadi Glukhov, encarregado de negócios da então URSS em Maputo.
"Perante mim e a minha esposa colocou-se uma questão difícil, que literalmente provocou uma dor de cabeça: o que oferecer aos noivos? Faltava cerca de uma semana até ao casamento e não tinha sentido esperar 'ajuda' de Moscovo: ainda não havia vôos da Aeroflot (linhas aéreas soviéticas) para Maputo", recorda Glukhov nas suas memórias "Os Nossos Primeiros Passos em Moçambique", publicadas em Moscovo.
"Meditações intensas", continua o diplomata soviético, "levaram-me a ter a ideia de telefonar para Dar-es-Salam, para o nosso embaixador na Tanzânia, S.A. Sliptchenko, que, no vôo seguinte da companhia aérea local, nos enviou, a título de empréstimo, um grande samovar".
O samovar é um volumoso vaso metálico utilizado normalmente para aquecer água para o chá.
"Quando o completámos com um colar de âmbar, encontrado entre um monte de colheres de pau da nossa própria 'reserva de oferendas', a prenda de casamento tomou um aspecto digno e prestigiante", recorda Glukhov.
O chefe máximo da representação diplomática soviética não esperava a reacção do dirigente moçambicano.
"Quando felicitámos os noivos e lhe entregámos as nossas prendas, o Presidente Samora Machel, depois de observar o samovar e de abrir a torneira, expressou perplexidade bem-humorada pelo facto de o samovar estar vazio e dele não correr 'stolitchnaia'", escreve Glukhov.
"Stolitchnaia" era uma das mais conhecidas marcas de vodka tanto na União Soviética, como no estrangeiro.
O dirigente moçambicano fez um ar sério e começou a recordar como, alguns anos antes, durante uma visita à União Soviética, lhe tinham oferecido "stolitchnaia" de um samovar.
"Ao som dos risos dos presentes tivemos de prometer para o Ano Novo encher o samovar com o devido conteúdo", sublinha o diplomata.
Além deste episódio, outra coisa ficou na memória do casamento de Samora Machel: "o vinho verde português, que, devagar, mas com certeza, privou os hóspedes do necessário equilíbrio".

quarta-feira, junho 24, 2009

Foi o Banco Mundial que disse...

O Banco Mundial prevê uma queda de 7,9 pc do Produto Interno Bruto (PIB) russo em 2009, ou seja, quase o dobro da sua previsão anterior, enquanto o desemprego poderá chegar aos 13 pc da população activa da Rússia, lê-se num relatório hoje publicado.
A recessão profunda da economia mundial e a queda da produção “terão um impacto mais grave do que o previsto na economia e no sector social russos”, sublinha o Banco Mundial que estabeleceu, nos fins de Março, uma descida de 4,5 pc do PIB na Rússia.
“O PIB poderá sofrer uma queda de 7,9 pc em 2009, não obstante os preços do petróleo voltarem a subir”, considera o Banco Mundial.
Este organismo financeiro internacional constata também a redução substancial do fluxo de investimentos directos. Os investimentos estrangeiros directos foram de cerca de 3,2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2009, representando uma descida de 43 pc em comparação com igual período de 2008.
“No fim do primeiro trimestre de 2009, a dívida externa dos sectores estatal e privado baixou até 454 mil milhões de dólares, contra um número recorde de 547 mil milhões em Outubro de 2008”, sublinha o relatório este aspecto positivo na economia russa.
“As medidas tomadas para estimular a economia, bem como o aumento progressivo dos preços do petróleo e a descida da inflação poderão criar condições mais favoráveis no segundo semestre e a economia russa poderá retomar um crescimento moderado em 2010”, prevê o relatório.
“A médio prazo, tendo em conta a dinâmica económica actual e uma previsão de crescimento de 3,5 pc em 2011 e 2012, o PIB só deverá atingir o nível anterior à crise no terceiro trimestre de 2012”, acrescenta o documento.
O Banco Mundial mantém o nível de inflação da Rússia entre os 11 e 13 pc.
O relatório chama a atenção das autoridades russas para os efeitos negativos da recessão nas camadas sociais mais desfavorecidas e uma classe média ainda frágil. O número de pobres poderá subir para 24,6 milhões de pobres, ou seja 17,4 pc da população.
O número de desempregados poderá subir até 13 pc em 2009.
“Esta previsão reflecte tanto a diminuição geral do número de empregos, como as mudanças estruturais nos vários ramos da economia. O mais alto nível de desemprego poderá registar-se na indústria transformadora, construção e comércio a retalho”, lê-se no relatório, que sublinha as cidades que dependem de uma ou algumas poucas empresas sentirão particularmente o aumento do desemprego.
“A Rússia encontra-se frente a uma tarefa difícil: fazer face, simultaneamente, às consequências sociais de uma crise mais importante do que o previsto, controlar as finanças públicas e tomar medidas para apoiar a economia”, considera o Banco Mundial.

"Coração de cão"

Antes de publicar a tradução para português do artigo "Coração de cão", gostaria apenas de dizer que só lê este blog quem quer. Os leitores sabem a minha posição sobre este caso e julguem como acharem bem. Publico isto para que saibam o que escrevem os órgãos de comunicação sobre o caso.
“A pequena Sandra, que cresceu em Portugal e regressou recentemente com a mãe à vila natal nas profundezas do Distrito de Iaroslavl, conhece de forma cada vez mais próxima a dura realidade russa”, escreve o diário Moskovskii Komsomolets, na sua edição de quarta-feira.
No artigo “Coração de Cão”, a jornalista Janna Golubitskaia relata que “a menina decidiu defender do vizinho a casota da sua querida cadela Lúcia, mas o vizinho declarou que nem a polícia, nem muito menos uma rapariguinha o impedirá de passar com o seu camião por cima da casota da cadela”.
Segundo a jornalista, que falou com Natália, a mãe da menina russa que foi retirada pelo Tribunal de Guimarães à família de acolhimento portuguesa, “o vizinho, Valerii Dementiev, ocupa um terço da mesma casa em que vive a família dos Zarubin e a parte de trás do quintal dos Zarubin e Dementiev estava dividida a meio”.
“Atrás da casa tínhamos apenas lenha, claro que o camião tapáva-nos, com as suas rodas enormes, o acesso a ela, mas, antes, suportávamos isso. Mas, agora, atrás da casa temos a casota da Lúcia. A Sandra passa a vida a correr para lá. E, para chegar perto do cão, a criança tem de passar literalmente por debaixo do camião”, declarou ao jornal Olga Zarubina, avó de Alexandra.
“O tempo está quente, o camião tem um grande depósito de gasóleo, completamente cheio. Corre-se o risco de explosão! Pedi várias vezes a Valerii para retirar o camião, mas ele apenas refila”, continua a avó.
“A pequena Sandra chora: Ele quase esmagou a minha cadela! Ali onde estão as suas rodas enormes vive a minha Lúcia!”, cita a jornalista as palavras da menina.
Janna Golubitskaia descreve como “Sandra decidiu despertar bons sentimentos no vizinho com métodos puramente europeus”: “Ela e o avó penduraram um fio na fronteira do seu território para que o camião não entrasse. E no fio a menina pendurou coraçõeszinhos coloridos, que ela recortou de papel um dia inteiro”.
“Mas será que semelhante sentimentalismo pode tocar o coração rígido do dono rural de um camião! À noite, Sandra viu que o fio tinha sido retirado e os coraçõeszinhos estavam caídos no chão, sujos, amarrotados e pisados por pneus”, continua a jornalista.
“Só por milagre ele não esmagou a casota com a cadela! Se visse como a criança chorou! Chamámos a polícia, mas foi-nos dito: o agente encarregado da vossa zona está de férias, resolvam o problema sozinhos!”, queixa-se Natália ao jornal.
“Ontem foi falar com o vizinho, queria falar com ele, mas ele apenas rugiu: “Pensas que és a mais valente se os jornalistas vêm a tua casa? Não tenho medo dos jornalistas, estaciono o camião onde quero!”, sublinha a mãe de Sandra.
“Para afastar Sandra de ideias tristes, no dia seguinte, a avó levou-a consigo para o emprego, no orfanato. Aí a menina brincou todo o dia com as crianças e voltou para casa contente, feliz. Mas quando saiu para o quintal e viu o que fizeram com os enfeites, voltou a chorar”, constata a jornalista, e conclui: “Que fazer! Os costumes na pátria histórica de Sandra estão longe dos europeus. Tem de se habituar”.

terça-feira, junho 23, 2009

Cáucaso do Norte pode tornar-se em mais uma Somália


Iunus-Bek Evkurov, Presidente da Inguchétia (república do Cáucaso do Norte russo), encontra-se internado num hospital de Moscovo em "estado muito grave", continuando em estado de coma.

O atentado contra a vida deste político, general e Herói da Rússia, veio mostrar uma vez mais que a "política de pacifícação", realizada pelo Kremlin no Cáucaso, está muito longe de dar resultados positivos, ou mais precisamente, falhou.

Para quem não saiba, o general Evkurov comandou as tropas russas que, em 1999, depois de uma rápida marcha, ocuparam o aeroporto de Pristina, no Kosovo.

A aposta de Moscovo na força militar dura e crua é insuficiente para normalizar a situação no Cáucaso. Ela pode ter efeitos positivos, mas apenas temporários e muito relativos. Tropas e polícias russos concentram os seus esforços na Tchetchénia e o Kremlin até chegou ao ponto de suspender o "regime de operação antiterrorista" nesse território, mas a guerrilha separatista islâmica desfere ataques noutras repúblicas vizinhas do Cáucaso russo: Inguchétia, Daguestão, Ossétia do Norte ou Cabardino-Balcária.

O Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, os Ministérios do Interior e da Defesa da Rússia não se cansam de anunciar "êxitos" na luta contra os terroristas, mas o facto é que nem sequer conseguem garantir a segurança de altos dirigentes das repúblicas caucasianas.

Quanto aos dirigentes da guerrilha, funciona o princípio da "matrioska" (boneca russa), ou seja, as forças de segurança matam um cabecilha, mas este é imediatamente substituído por outro, normalmente mais radical e sanguinário do que o antecessor.

A solução destes problemas só pode ser complexa, porque são complexas as raízes deste conflito.

Uma das causas é o nível altíssimo de corrupção no Cáucaso do Norte, onde tudo se compra e se vende, desde o mais simples emprego até aos mais altos cargos políticos. No caso da Inguchétia, os oito anos de presidência de Murat Ziazikov, general do KGB que antecedeu a Evkurov, ficaram marcados por grande aumento desse cancro social. Iunus Bek-Evkurov tentou mexer nesse vespeiro e as consequências estão à vista.

Outro problema é a arbitrariedade dos órgãos de poder em relação aos cidadãos. As pessoas sentem-se completamente desprotegidas, vão parar à prisão sem saberem a razão, o desaparecimento de pessoas, raptos, etc. são fenómenos muito comuns.

Uma das formas de enfrentar a brutalidade do poder, principalmente entre os jovens, é pegar em armas, fugir para as montanhas e juntar-se à guerrilha islamita, que pretende separar o Cáucaso da Federação da Rússia e criar um califado.

Outra das fontes de força humana desse guerrilha é o desemprego, que atinge dimensões catastróficas. Na Inguchétia, o número de desempregados é superior a 50% da população activa. Por isso, a participação na guerrilha ou em grupos de crime organizados é a única fonte de rendimento para muitas famílias.

É importante assinalar que as ligações entre a guerrilha islamita e o crime organizado são outro elemento que Moscovo prefere não ter em conta, preferindo acusar organizações islâmicas estrangeiras de financiar os guerrilheiros, embora não seja segredo para ninguém que muito do dinheiro ganho em negócios escuros e corruptos vai alimentar a guerrilha.

Nesta situação, a Rússia, se não quiser perder definitivamente o Cáucaso, terá de tomar medidas urgentes não só no campo militar, mas também nas áreas diplomática, política e social.

A diplomacia é necessária para contactar e dialogar com aqueles sectores da guerrilha ou da oposição que ainda aceitam sentar-se à mesa das conversações, embora se deva reconhecer que estes sectores são cada vez menos numerosos, mas, mesmo assim, é um meio que ainda pode ser aproveitado.

No campo social e económico, é preciso criar condições em que os cidadãos se sintam seguros e com possibilidade de trabalhar, que a ascensão social não dependa da pertença a este ou àquele clã, mas da competência e do esforço individual.

Trata-se de um trabalho árduo e longo e onde a Rússia deve ter o apoio da União Europeia, pois o Cáucaso faz parte da Europa e a degradação da situação pode transformar essa região em mais um Afeganistão ou Somália, a escolha não é muito grande.

Se os problemas do Cáucaso, e aqui tenho em vista não só a parte russa, mas também a Geórgia, Arménia, etc., não começarem a ser resolvidos de forma séria e complexa, arriscamo-nos a ter mais um "buraco negro" na Europa.

Mas para que isso aconteça, é necessário que a região deixe de ser uma zona de disputa entre a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia. Ou será que se juntarão esforços apenas quando o Cáucaso se transformar irremediavelmente noutro Afeganistão?





segunda-feira, junho 22, 2009

"Não regressarei a Portugal"


Natália Zarubina, mãe de Alexandra, criança russa que foi retirada da família de acolhimento portuguesa pelo Tribunal de Guimarães, continua a insistir que não tenciona regressar a Portugal.
“Eu não regressarei a Portugal, não quero mudar de lugar de residência”, declarou Natália Zarubina, numa declaração ao sítio electrónico do jornal “Komsomolskaia Pravda”.
“Os portugueses que deixem de fazer pressão sobre mim. O meu sonho é comprar duas máquinas de costura”, acrescentou, sublinhando que “nunca gostei de fazer negócios, por isso não preciso de um café”.
“Gosto muito de costurar e possa passar horas sentada a uma máquina. É pena que não tenha uma”, concluiu.Natálina recusa assim a proposta que foi feita por dois empresários e um presidente de câmara portugueses que estão dispostos a facultar-lhe um apartamento, montar um café e pagar as despesas da viagem caso ela aceite voltar para Portugal.
Natália acaba de regressar à vila de Pretchistoe, no distrito de Iaroslavl, depois de ter passado, com as duas filhas, quinze dias numa casa de repouso, férias que lhes foram oferecidas pelas autoridades distritais.
Quando chegou a casa, Natália deparou com encomendas postais, vindas dos Emiratos Árabes Unidos, onde havia uma boneca e uma piscina insuflável para Alexandra, bem como comida e uma coleira para a cadela Lúcia, que a menina levou de Portugal.
Olga Kuznetsova, jornalista do Komsomolskaia Pravda,declarou à Lusa que “nem todas as prendas agradaram Natália”.
“Ela recebeu vários postais insultuosos, com a exigência de devolver a menina a Portugal”, frisou.
Alexandra Zarubina/Tsiklauri, que nasceu em Portugal em 2003, regressou à Rússia no início de Maio depois de uma longa disputa judicial entre a mãe Natália e e a família de acolhimento: João e Florinda Pinheiro.A chegada da família à Rússia ficou marcada por vários escândalos. O canal de televisão russo NTV, por exemplo, mostrou imagens em que se via Natália a bater na filha. O primeiro canal de televisão russo ORT filmou um programa, onde a mãe de Alexandra foi acusada de “alcoólica” pelo público, mas o programa ainda não foi exibido.

Atentado contra a vida do Presidente da Inguchétia







As piores previsões para o Cáucaso do Norte começam a tornar-se realidade, não obstante todas as declarações do Kremlin de que tem a situação nessa região sobre controlo. Essa região montanhosa do Sul da Rússia continua a ser o "tendão de Aquiles" do país e o Kremlin tem-se mostrado incapaz de resolver os problemas da região e, desse modo, retirar terreno à guerrilha separatista islâmica, que alargar a geografia dos seus ataques.
Desta vez, o alvo dos terroristas foi o Presidente da Inguchétia, Iunus-Bek Evkurov, que se encontra entre a vida e a morte.
As estruturas de segurança do Círculo Federal do Sul da Rússia (onde se situa o Cáucaso do Norte) estudam a possibilidade de imposição do regime de operação antiterrorista no território da Inguchétia, informa agência Ria-Novosti citando uma fonte oficial.
Hoje de manhã, a explosão de um carro armadilhado feriu gravemente o Presidente da Inguchétia, Iunus-Bek Evkurov, bem como o seu irmão e vários guarda-costas.
“Presentemente, na capital da Inguchétia tem lugar uma reunião extraordinária dos dirigentes das forças de segurança que analisarão a questão da imposição na república do regime de operação antiterrorista”, informa a agência russa.
Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, não tem dúvidas que o atentado está ligado à “actividade profissional” de Evsukov.
“Nos últimos tempos, foi realmente feito muito pelo Presidente da Inguchétia para, por um lado, impôr a ordem e, por outro lado, organizar a paz civil na república. Essa actividade não é do agrado dos bandidos”, declarou Medvedev numa reunião com os chefes do Ministério do Interior e do Serviço Federal de Segurança da Rússia.
“Claro que tudo o que se passou é uma consequência do reforço das posições da direcção e do reforço do trabalho em todos os sentidos”, considerou.
“Não nos podemos descontrair nesta situação”, frisou o dirigente russo.
O atentado contra a vida de Evkurov foi o segundo realizado nos últimos dias contra altos dirigentes da Inguchétia.
A 10 de Junho, Aza Gazguereeva, vice-presidente do Supremo Trinbunal da Inguchétia, foi assassinada a tiro por desconhecidos.
No dia 13, foi a vez de Bachir Auchev, antigo primeiro-ministro daquela república do Cáucaso do Norte.
As autoridades russas não duvidam que o atentado contra Evsukov foi mais um acto da guerrilha separatista islâmica que actua no Cáucaso do Norte, mas, por enquanto, esta ainda não reivindicou o atentado.
O sítio electrónico da guerrilha na Internet: kavkazcenter.org dá a notícia do atentado: “Foi atacado o cabecilha dos traidores na Inguchétia. Está na reanimação”, mas não o reivindica.
A solução dos problemas do Cáucaso não passa apenas por acções militares contra a guerrilha separatista islâmica, mas por uma série de iniciativas com vista a criar empregos na região, combater os sistemas de clãs e compadrios, a corrupção.
Antes, a guerrilha actuava apenas na Tchetchénia, mas, presentemente, alargou as suas operações a todo o Cáucaso do Norte: Inguchétia, Ossétia do Norte, Daguestão, Cabardino-Balcária. Alguns políticos e analistas russos consideram que este atentado terrorista é um sinal da agonia da guerrilha, mas esta posição faz lembrar a avestruz que enterra a cabeça na areia.
Parece mais plausível a hipótese de que Iunus-Bek Evkurov foi vítima de um atentado terrorista por ter mexido e ter começado a destruir o "vespeiro da corrupção", criado pelo anterior Presidente da Inguchétia e general do FSB (KGB), Murat Ziazikov.
Seja como for, o Cáucaso transforma-se num barril de pólvora cada vez mais perigoso. As coisas podem "acalmar-se" no Inverno, mas voltam a complicar-se no Verão e isto acontecerá até que o Kremlin não desista das "medidas cosméticas" e não aposte numa solução global e a longo prazo.

sábado, junho 20, 2009

Moscovo impõe condição para redução de armamentos estratégicos


A redução de armamentos ofensivos só será possível se Washington satisfizer as preocupações russas face à instalação do sistema de defesa antimíssil norte-americano na Europa, lê-se numa declaração do Presidente russo, Dmitri Medvedev, difundida hoje na capital russa.
Antes, o dirigente russo, numa conferência de imprensa realizada depois de se encontrar em Amsterdão com o primeiro-ministro holandês, declarára: “a Rússia está pronta a reduzir a quantidade de vectores de cargas nucleares várias vezes em relação à quantidade fixada no START-1 (Tratado sobre Armas Ofensivas Estratégicas)”.
O START-1, que foi assinado em 1991 entre a União Soviética e os Estados Unidos previa que Moscovo e Washington deveriam reduzir a quantidade de ogivas nucleares até 6000 e os seus vectores até 1600 para cada uma das partes. A vigência deste tratado termina em Dezembro do ano corrente.
Medvedev preveniu que não iria revelar todas as propostas russas sobre o START-2 até ao encontro com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, marcado para 06 de Julho em Moscovo.
“Sem revelar todos os promenores, revelarei alguns pontos: nós somos por uma redução real e verificável, e iremos insistir nisso”, frisou, acrescentando que: “na base dessas propostas poderemos continuar as conversações com os americanos”.
Nessa conferência de imprensa, Dmitri Medvedev não ligou a questão da elaboração de um novo Tratado START com o escudo de defesa antimíssil que os Estados Unidos tencionam instalar na Polónia e República Checa, tendo sido isso feito na declaração publicada pelo seu centro de imprensa, o que não é muito comum.
Nesta declaração, o dirigente russo frisou também que o novo Tratado START deve fixar claramente a interligação dos armamentos estratégicos ofensivos e defensivos.
“Não podemos concordar com os planos americanos de criação de um sistema global de defesa antimíssil, gostaria de sublinhar que as reduções por nós propostas só serão possíveis se os Estados Unidos derem resposta às preocupações russas. Em qualquer dos casos, o problema da interligação de armamentos estratégicos ofensivos e defensivos deve ficar claramente fixado no tratado”, sublinha-se no documento.
A próxima volta de conversações sobre a elaboração do START-2 irá realizar-se em Genebra, nos dias 23 e 24 de Junho, e será a última antes da cimeira Medvedev-Obama.
“Semelhante declaração do Presidente (Medvedev) é uma demonstração de boa vontade e de prondidão para reduzir os armamentos nucleares”, declarou Alexandre Goltz, analista militar do diário electrónico “Ejednevni Jurnal”.
“A Rússia não terá dificuldade em reduzir o número de vectores de ogivas nucleares, porque parte dos mísseis tem, de qualquer das formas, de ir para a sucata”, concluiu.

sexta-feira, junho 19, 2009

Dois bombardeiros despenham-se em três dias


O Ministério da Defesa da Rússia suspendou os voos dos bombardeiros militares Su-24 devido ao despenhamento do segundo aparelho que teve lugar hoje no Distrito de Rostov no Don (sul do país).
“Um avião Su-24 chocou com o solo ao aterrar num aeródromo militar depois de ter realizado exercícios, tendo os dois pilotos conseguido ejectar-se e salvar as suas vidas2, informa a agência Ria-Novosti citando fonte da Força Aérea da Rússia.
A fonte acrescentou que a queda do aparelho não ptovocou vítimas, nem estragos materiais em terra.
Trata-se da segunda catástrofe de aparelhos Su-24 em três dias. Na quarta-feira, um bombardeiro chocou com o solo ao aterrar no aeródromo, no distrito de Murmansk (norte da Rússia). Os seus pilotos também conseguiram ejectar-se e salvar as suas vidas.
As autoridades investigam a causa dos sinistros. O bombardeiro Su-24 é um dos aparelhos mais utilizados na Força Aérea da Rússia.
Segundo dados preliminares, a causa da queda foi uma falha técnica num sistema de bordo.
O Su-24 é um bombardeiro táctico com asas de geometria varável destinado a atacar com mísseis e bombas em quaisquer condições atmosféricas, de dia ou de noite, a pepequenas alturas. É um dos aviões de combate mais popular na Força Aérea da Rússia.

Sonda espacial russa comprovará se vida tem origem extraterrestre


A sonda espacial russa Fobos-Grunt, que será lançada no próximo mês de Outubro rumo a Marte e deverá trazer de volta amostras de solo de Fobos, a lua marciana, ajudará a comprovar a hipótese de que a vida na Terra tem origem no Espaço, declarou hoje Lev Zelioni, director do Instituto de Estudos Espaciais da Rússia.
“Enviaremos a Fobos culturas bacterianas para averiguar se sobrevivem ou não nas condições do frio e da radiacção, ou seja, se podem viajar com meteoritos, por exemplo”, explicou o cientista russa à agência Ria-Novosti.
“Durante os três anos em que durará o voo, as bactérias ficarão expostas a baixas temperaturas, vácuo e raios gama provenientes do Sol, ou seja, viajarão em condições equiparáveis às do Espaço exterior”, acrescentou, sublinhando que “a radiação será a prova mais difícil”.
Zelioni revelou que a experiência visará confirmar ou não a chamada teoria da panspermia, segundo a qual as substâncias químicas e até microorganismos podem deslocar-se no Universo em meteoritos e cometas e, um dia, chegaram à Terra dando início à ulterior evolução de organismos vivos.

Bailarino português vence concurso em Moscovo



O bailarino português Marcelino Sambé, de 15 anos, venceu na véspera o XI Concurso Internacional de Artistas de Bailado e de Coreógrafos de Moscovo, numa luta renhida entre 40 candidatos ao prémio na categoria júnior.
Marcelino Sambé venceu, na categoria júnior, a medalha de prata daquele concurso, que decorreu no Teatro Bolshoi, não tendo sido atribuída a medalha de ouro. A competição decorreu em três etapas e o português conseguiu vencer na última etapa, em que participaram 20 bailarinos.
“No que respeita à quantidade de bailarinos. Na categoria júnior participaram na final 20 bailarinos com uma geografia bastante extensa. Estiveram representados a Rússia, Estados Unidos, Ucrânia, Bielorrússia, Canadá, Coreia, Japão e Portugal... Em princípio, não há nada de extraordinário neste resultado, aí estão representadas as potências mundiais de bailado, os seus representantes participaram na final”, declarou à rádio Cultura Serguei Ussanov, director-geral da Federação Interbacional de Concursos de Bailado.
“A luta foi muito séria e a terceira volta foi decisiva”, frisou Ussanov, organizador da competição.
“Marcelino arranca sempre os aplausos da sala. Ele tem medalhas de três concursos internacionais e pretende ao ouro”, escreveu o sítio do canal televisivo “Kultura”, que acompanhou a final.
“É a mais forte sensação na minha vida: a participação no concurso. Em dada altura, senti-me cansado, mas sou expressivo e soube concentrar-me para terminar com êxito a variação”, declarou o bailarino português ao canal russo.
O Concurso Internacional de Artistas de Bailado e de Coreógrafos de Moscovo é um dos concursos mais prestigiados neste sector, tendo no júri estrelas do bailado russo e mundial, lendas do Teatro Bolshoi como o coreógrafo Iúri Grigorovitch, Artista do Povo da URSS, e os bailarinos Vladimir Vassiliev, Artista do Povo da URSS, e Nikolai Tsiskaridzé, Artista do Povo da Rússia.
Entre os membros do júri havia também representantes de mais dez países.
Segundo a Lusa conseguiu apurar, os vencedores deste concurso irão participar no XV Festival Internacional de Bailado Rudolf Nuriev, que se realizará na terra natal do bailarino, cidade de Ufá, na Bachkíria (leste da Rússia), entre 21 e 30 de Junho.
Para quem quiser ver fragmentos do concurso:

http://www.tvkultura.ru/video.html?id=123616&doc_type=rnews&doc_id=342646