As condições em que a criança vive, e isto já não deve ser nenhuma novidade nem para os portugueses, nem para os russos, podem ser consideradas humanas se analisadas há luz de meados do séc. XX, ou talvez até de antes.
A vila de Pretchistoe, que em russo significa “limpíssima”, “bem limpa”, é uma vila como outros milhares de localidades russas, com casas novas e velhas, estradas sofríveis e más, etc., etc.
Mas, aqui, o dramático e o importante é constatar que a casa da família Zarubin não tem o mínimo de condições de vida. Construída de madeira, é velha, está inclinada, não tem canalização, nem sequer retrete.
Trata-se de uma família que vive com grandes dificuldades económicas, o pai e o irmão de Natália não deixam dúvidas que nunca perdem a mínima oportunidade de consumir bebidas alcoólicas em quantidades significativas.
Quanto à mãe da Alexandra, nos dois dias em que lá estive, pude constatar que ela não tinha bebido álcool… e nada mais. Diz-se decidida a não voltar mais a Portugal e a refazer a vida na Rússia…
A menina tem bom aspecto e ainda não entende o que se passa.
Resumindo, porque o tempo aperta, vão lendo o que tenho escrito para a Lusa e vejam hoje a SIC, pois as imagens valem mais do que mil palavras.
Tenho recebido dezenas de mails de leitores a perguntarem o que se pode fazer e aproveito para responder a todos: é preciso passar das promessas aos actos para ajudar a Alexandra e a sua família russa.
Não vou discutir mais se o Tribunal de Guimarães decidiu bem ao mal, se a criança saiu ou não legalmente de Portugal, etc. Isso são perguntas às quais as autoridades portuguesas devem responder.
Nem vou discutir se as autoridades russas estão a cumprir ao não o que prometeram no tribunal de Guimarães, porque vi que nada estão a fazer. A menina tem sido visitada por médicos, polícias encarregados de menores, funcionárias da Segurança Social, dezenas de jornalistas russos e portugueses, mas os resultados são praticamente nulos.
A justificação de que Alexandra vive “como vivem muitos outros milhares de crianças russas” não me satisfaz nada, pois, pelo menos em relação à menina, as autoridades russas comprometeram-se perante um tribunal. A Rússia, que pretende ao estatuto de superpotência, tem enormes riquezas naturais, é um Estado soberano e, por isso, os seus dirigentes e só eles podem resolver este tipo de situações.
Aos portugueses, digo: arranjem forma de fazer chegar à mãe da Alexandra ou a alguma organização de defesa dos direitos da criança na Rússia idónea meios financeiros e outros para melhorar a vida desta família. Não consigo imaginar mais nada.
Mas deixo aqui um aviso: cuidado com os impostores que poderão tentar utilizar esta situação.























