terça-feira, junho 23, 2009

Cáucaso do Norte pode tornar-se em mais uma Somália


Iunus-Bek Evkurov, Presidente da Inguchétia (república do Cáucaso do Norte russo), encontra-se internado num hospital de Moscovo em "estado muito grave", continuando em estado de coma.

O atentado contra a vida deste político, general e Herói da Rússia, veio mostrar uma vez mais que a "política de pacifícação", realizada pelo Kremlin no Cáucaso, está muito longe de dar resultados positivos, ou mais precisamente, falhou.

Para quem não saiba, o general Evkurov comandou as tropas russas que, em 1999, depois de uma rápida marcha, ocuparam o aeroporto de Pristina, no Kosovo.

A aposta de Moscovo na força militar dura e crua é insuficiente para normalizar a situação no Cáucaso. Ela pode ter efeitos positivos, mas apenas temporários e muito relativos. Tropas e polícias russos concentram os seus esforços na Tchetchénia e o Kremlin até chegou ao ponto de suspender o "regime de operação antiterrorista" nesse território, mas a guerrilha separatista islâmica desfere ataques noutras repúblicas vizinhas do Cáucaso russo: Inguchétia, Daguestão, Ossétia do Norte ou Cabardino-Balcária.

O Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, os Ministérios do Interior e da Defesa da Rússia não se cansam de anunciar "êxitos" na luta contra os terroristas, mas o facto é que nem sequer conseguem garantir a segurança de altos dirigentes das repúblicas caucasianas.

Quanto aos dirigentes da guerrilha, funciona o princípio da "matrioska" (boneca russa), ou seja, as forças de segurança matam um cabecilha, mas este é imediatamente substituído por outro, normalmente mais radical e sanguinário do que o antecessor.

A solução destes problemas só pode ser complexa, porque são complexas as raízes deste conflito.

Uma das causas é o nível altíssimo de corrupção no Cáucaso do Norte, onde tudo se compra e se vende, desde o mais simples emprego até aos mais altos cargos políticos. No caso da Inguchétia, os oito anos de presidência de Murat Ziazikov, general do KGB que antecedeu a Evkurov, ficaram marcados por grande aumento desse cancro social. Iunus Bek-Evkurov tentou mexer nesse vespeiro e as consequências estão à vista.

Outro problema é a arbitrariedade dos órgãos de poder em relação aos cidadãos. As pessoas sentem-se completamente desprotegidas, vão parar à prisão sem saberem a razão, o desaparecimento de pessoas, raptos, etc. são fenómenos muito comuns.

Uma das formas de enfrentar a brutalidade do poder, principalmente entre os jovens, é pegar em armas, fugir para as montanhas e juntar-se à guerrilha islamita, que pretende separar o Cáucaso da Federação da Rússia e criar um califado.

Outra das fontes de força humana desse guerrilha é o desemprego, que atinge dimensões catastróficas. Na Inguchétia, o número de desempregados é superior a 50% da população activa. Por isso, a participação na guerrilha ou em grupos de crime organizados é a única fonte de rendimento para muitas famílias.

É importante assinalar que as ligações entre a guerrilha islamita e o crime organizado são outro elemento que Moscovo prefere não ter em conta, preferindo acusar organizações islâmicas estrangeiras de financiar os guerrilheiros, embora não seja segredo para ninguém que muito do dinheiro ganho em negócios escuros e corruptos vai alimentar a guerrilha.

Nesta situação, a Rússia, se não quiser perder definitivamente o Cáucaso, terá de tomar medidas urgentes não só no campo militar, mas também nas áreas diplomática, política e social.

A diplomacia é necessária para contactar e dialogar com aqueles sectores da guerrilha ou da oposição que ainda aceitam sentar-se à mesa das conversações, embora se deva reconhecer que estes sectores são cada vez menos numerosos, mas, mesmo assim, é um meio que ainda pode ser aproveitado.

No campo social e económico, é preciso criar condições em que os cidadãos se sintam seguros e com possibilidade de trabalhar, que a ascensão social não dependa da pertença a este ou àquele clã, mas da competência e do esforço individual.

Trata-se de um trabalho árduo e longo e onde a Rússia deve ter o apoio da União Europeia, pois o Cáucaso faz parte da Europa e a degradação da situação pode transformar essa região em mais um Afeganistão ou Somália, a escolha não é muito grande.

Se os problemas do Cáucaso, e aqui tenho em vista não só a parte russa, mas também a Geórgia, Arménia, etc., não começarem a ser resolvidos de forma séria e complexa, arriscamo-nos a ter mais um "buraco negro" na Europa.

Mas para que isso aconteça, é necessário que a região deixe de ser uma zona de disputa entre a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia. Ou será que se juntarão esforços apenas quando o Cáucaso se transformar irremediavelmente noutro Afeganistão?





segunda-feira, junho 22, 2009

"Não regressarei a Portugal"


Natália Zarubina, mãe de Alexandra, criança russa que foi retirada da família de acolhimento portuguesa pelo Tribunal de Guimarães, continua a insistir que não tenciona regressar a Portugal.
“Eu não regressarei a Portugal, não quero mudar de lugar de residência”, declarou Natália Zarubina, numa declaração ao sítio electrónico do jornal “Komsomolskaia Pravda”.
“Os portugueses que deixem de fazer pressão sobre mim. O meu sonho é comprar duas máquinas de costura”, acrescentou, sublinhando que “nunca gostei de fazer negócios, por isso não preciso de um café”.
“Gosto muito de costurar e possa passar horas sentada a uma máquina. É pena que não tenha uma”, concluiu.Natálina recusa assim a proposta que foi feita por dois empresários e um presidente de câmara portugueses que estão dispostos a facultar-lhe um apartamento, montar um café e pagar as despesas da viagem caso ela aceite voltar para Portugal.
Natália acaba de regressar à vila de Pretchistoe, no distrito de Iaroslavl, depois de ter passado, com as duas filhas, quinze dias numa casa de repouso, férias que lhes foram oferecidas pelas autoridades distritais.
Quando chegou a casa, Natália deparou com encomendas postais, vindas dos Emiratos Árabes Unidos, onde havia uma boneca e uma piscina insuflável para Alexandra, bem como comida e uma coleira para a cadela Lúcia, que a menina levou de Portugal.
Olga Kuznetsova, jornalista do Komsomolskaia Pravda,declarou à Lusa que “nem todas as prendas agradaram Natália”.
“Ela recebeu vários postais insultuosos, com a exigência de devolver a menina a Portugal”, frisou.
Alexandra Zarubina/Tsiklauri, que nasceu em Portugal em 2003, regressou à Rússia no início de Maio depois de uma longa disputa judicial entre a mãe Natália e e a família de acolhimento: João e Florinda Pinheiro.A chegada da família à Rússia ficou marcada por vários escândalos. O canal de televisão russo NTV, por exemplo, mostrou imagens em que se via Natália a bater na filha. O primeiro canal de televisão russo ORT filmou um programa, onde a mãe de Alexandra foi acusada de “alcoólica” pelo público, mas o programa ainda não foi exibido.

Atentado contra a vida do Presidente da Inguchétia







As piores previsões para o Cáucaso do Norte começam a tornar-se realidade, não obstante todas as declarações do Kremlin de que tem a situação nessa região sobre controlo. Essa região montanhosa do Sul da Rússia continua a ser o "tendão de Aquiles" do país e o Kremlin tem-se mostrado incapaz de resolver os problemas da região e, desse modo, retirar terreno à guerrilha separatista islâmica, que alargar a geografia dos seus ataques.
Desta vez, o alvo dos terroristas foi o Presidente da Inguchétia, Iunus-Bek Evkurov, que se encontra entre a vida e a morte.
As estruturas de segurança do Círculo Federal do Sul da Rússia (onde se situa o Cáucaso do Norte) estudam a possibilidade de imposição do regime de operação antiterrorista no território da Inguchétia, informa agência Ria-Novosti citando uma fonte oficial.
Hoje de manhã, a explosão de um carro armadilhado feriu gravemente o Presidente da Inguchétia, Iunus-Bek Evkurov, bem como o seu irmão e vários guarda-costas.
“Presentemente, na capital da Inguchétia tem lugar uma reunião extraordinária dos dirigentes das forças de segurança que analisarão a questão da imposição na república do regime de operação antiterrorista”, informa a agência russa.
Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, não tem dúvidas que o atentado está ligado à “actividade profissional” de Evsukov.
“Nos últimos tempos, foi realmente feito muito pelo Presidente da Inguchétia para, por um lado, impôr a ordem e, por outro lado, organizar a paz civil na república. Essa actividade não é do agrado dos bandidos”, declarou Medvedev numa reunião com os chefes do Ministério do Interior e do Serviço Federal de Segurança da Rússia.
“Claro que tudo o que se passou é uma consequência do reforço das posições da direcção e do reforço do trabalho em todos os sentidos”, considerou.
“Não nos podemos descontrair nesta situação”, frisou o dirigente russo.
O atentado contra a vida de Evkurov foi o segundo realizado nos últimos dias contra altos dirigentes da Inguchétia.
A 10 de Junho, Aza Gazguereeva, vice-presidente do Supremo Trinbunal da Inguchétia, foi assassinada a tiro por desconhecidos.
No dia 13, foi a vez de Bachir Auchev, antigo primeiro-ministro daquela república do Cáucaso do Norte.
As autoridades russas não duvidam que o atentado contra Evsukov foi mais um acto da guerrilha separatista islâmica que actua no Cáucaso do Norte, mas, por enquanto, esta ainda não reivindicou o atentado.
O sítio electrónico da guerrilha na Internet: kavkazcenter.org dá a notícia do atentado: “Foi atacado o cabecilha dos traidores na Inguchétia. Está na reanimação”, mas não o reivindica.
A solução dos problemas do Cáucaso não passa apenas por acções militares contra a guerrilha separatista islâmica, mas por uma série de iniciativas com vista a criar empregos na região, combater os sistemas de clãs e compadrios, a corrupção.
Antes, a guerrilha actuava apenas na Tchetchénia, mas, presentemente, alargou as suas operações a todo o Cáucaso do Norte: Inguchétia, Ossétia do Norte, Daguestão, Cabardino-Balcária. Alguns políticos e analistas russos consideram que este atentado terrorista é um sinal da agonia da guerrilha, mas esta posição faz lembrar a avestruz que enterra a cabeça na areia.
Parece mais plausível a hipótese de que Iunus-Bek Evkurov foi vítima de um atentado terrorista por ter mexido e ter começado a destruir o "vespeiro da corrupção", criado pelo anterior Presidente da Inguchétia e general do FSB (KGB), Murat Ziazikov.
Seja como for, o Cáucaso transforma-se num barril de pólvora cada vez mais perigoso. As coisas podem "acalmar-se" no Inverno, mas voltam a complicar-se no Verão e isto acontecerá até que o Kremlin não desista das "medidas cosméticas" e não aposte numa solução global e a longo prazo.

sábado, junho 20, 2009

Moscovo impõe condição para redução de armamentos estratégicos


A redução de armamentos ofensivos só será possível se Washington satisfizer as preocupações russas face à instalação do sistema de defesa antimíssil norte-americano na Europa, lê-se numa declaração do Presidente russo, Dmitri Medvedev, difundida hoje na capital russa.
Antes, o dirigente russo, numa conferência de imprensa realizada depois de se encontrar em Amsterdão com o primeiro-ministro holandês, declarára: “a Rússia está pronta a reduzir a quantidade de vectores de cargas nucleares várias vezes em relação à quantidade fixada no START-1 (Tratado sobre Armas Ofensivas Estratégicas)”.
O START-1, que foi assinado em 1991 entre a União Soviética e os Estados Unidos previa que Moscovo e Washington deveriam reduzir a quantidade de ogivas nucleares até 6000 e os seus vectores até 1600 para cada uma das partes. A vigência deste tratado termina em Dezembro do ano corrente.
Medvedev preveniu que não iria revelar todas as propostas russas sobre o START-2 até ao encontro com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, marcado para 06 de Julho em Moscovo.
“Sem revelar todos os promenores, revelarei alguns pontos: nós somos por uma redução real e verificável, e iremos insistir nisso”, frisou, acrescentando que: “na base dessas propostas poderemos continuar as conversações com os americanos”.
Nessa conferência de imprensa, Dmitri Medvedev não ligou a questão da elaboração de um novo Tratado START com o escudo de defesa antimíssil que os Estados Unidos tencionam instalar na Polónia e República Checa, tendo sido isso feito na declaração publicada pelo seu centro de imprensa, o que não é muito comum.
Nesta declaração, o dirigente russo frisou também que o novo Tratado START deve fixar claramente a interligação dos armamentos estratégicos ofensivos e defensivos.
“Não podemos concordar com os planos americanos de criação de um sistema global de defesa antimíssil, gostaria de sublinhar que as reduções por nós propostas só serão possíveis se os Estados Unidos derem resposta às preocupações russas. Em qualquer dos casos, o problema da interligação de armamentos estratégicos ofensivos e defensivos deve ficar claramente fixado no tratado”, sublinha-se no documento.
A próxima volta de conversações sobre a elaboração do START-2 irá realizar-se em Genebra, nos dias 23 e 24 de Junho, e será a última antes da cimeira Medvedev-Obama.
“Semelhante declaração do Presidente (Medvedev) é uma demonstração de boa vontade e de prondidão para reduzir os armamentos nucleares”, declarou Alexandre Goltz, analista militar do diário electrónico “Ejednevni Jurnal”.
“A Rússia não terá dificuldade em reduzir o número de vectores de ogivas nucleares, porque parte dos mísseis tem, de qualquer das formas, de ir para a sucata”, concluiu.

sexta-feira, junho 19, 2009

Dois bombardeiros despenham-se em três dias


O Ministério da Defesa da Rússia suspendou os voos dos bombardeiros militares Su-24 devido ao despenhamento do segundo aparelho que teve lugar hoje no Distrito de Rostov no Don (sul do país).
“Um avião Su-24 chocou com o solo ao aterrar num aeródromo militar depois de ter realizado exercícios, tendo os dois pilotos conseguido ejectar-se e salvar as suas vidas2, informa a agência Ria-Novosti citando fonte da Força Aérea da Rússia.
A fonte acrescentou que a queda do aparelho não ptovocou vítimas, nem estragos materiais em terra.
Trata-se da segunda catástrofe de aparelhos Su-24 em três dias. Na quarta-feira, um bombardeiro chocou com o solo ao aterrar no aeródromo, no distrito de Murmansk (norte da Rússia). Os seus pilotos também conseguiram ejectar-se e salvar as suas vidas.
As autoridades investigam a causa dos sinistros. O bombardeiro Su-24 é um dos aparelhos mais utilizados na Força Aérea da Rússia.
Segundo dados preliminares, a causa da queda foi uma falha técnica num sistema de bordo.
O Su-24 é um bombardeiro táctico com asas de geometria varável destinado a atacar com mísseis e bombas em quaisquer condições atmosféricas, de dia ou de noite, a pepequenas alturas. É um dos aviões de combate mais popular na Força Aérea da Rússia.

Sonda espacial russa comprovará se vida tem origem extraterrestre


A sonda espacial russa Fobos-Grunt, que será lançada no próximo mês de Outubro rumo a Marte e deverá trazer de volta amostras de solo de Fobos, a lua marciana, ajudará a comprovar a hipótese de que a vida na Terra tem origem no Espaço, declarou hoje Lev Zelioni, director do Instituto de Estudos Espaciais da Rússia.
“Enviaremos a Fobos culturas bacterianas para averiguar se sobrevivem ou não nas condições do frio e da radiacção, ou seja, se podem viajar com meteoritos, por exemplo”, explicou o cientista russa à agência Ria-Novosti.
“Durante os três anos em que durará o voo, as bactérias ficarão expostas a baixas temperaturas, vácuo e raios gama provenientes do Sol, ou seja, viajarão em condições equiparáveis às do Espaço exterior”, acrescentou, sublinhando que “a radiação será a prova mais difícil”.
Zelioni revelou que a experiência visará confirmar ou não a chamada teoria da panspermia, segundo a qual as substâncias químicas e até microorganismos podem deslocar-se no Universo em meteoritos e cometas e, um dia, chegaram à Terra dando início à ulterior evolução de organismos vivos.

Bailarino português vence concurso em Moscovo



O bailarino português Marcelino Sambé, de 15 anos, venceu na véspera o XI Concurso Internacional de Artistas de Bailado e de Coreógrafos de Moscovo, numa luta renhida entre 40 candidatos ao prémio na categoria júnior.
Marcelino Sambé venceu, na categoria júnior, a medalha de prata daquele concurso, que decorreu no Teatro Bolshoi, não tendo sido atribuída a medalha de ouro. A competição decorreu em três etapas e o português conseguiu vencer na última etapa, em que participaram 20 bailarinos.
“No que respeita à quantidade de bailarinos. Na categoria júnior participaram na final 20 bailarinos com uma geografia bastante extensa. Estiveram representados a Rússia, Estados Unidos, Ucrânia, Bielorrússia, Canadá, Coreia, Japão e Portugal... Em princípio, não há nada de extraordinário neste resultado, aí estão representadas as potências mundiais de bailado, os seus representantes participaram na final”, declarou à rádio Cultura Serguei Ussanov, director-geral da Federação Interbacional de Concursos de Bailado.
“A luta foi muito séria e a terceira volta foi decisiva”, frisou Ussanov, organizador da competição.
“Marcelino arranca sempre os aplausos da sala. Ele tem medalhas de três concursos internacionais e pretende ao ouro”, escreveu o sítio do canal televisivo “Kultura”, que acompanhou a final.
“É a mais forte sensação na minha vida: a participação no concurso. Em dada altura, senti-me cansado, mas sou expressivo e soube concentrar-me para terminar com êxito a variação”, declarou o bailarino português ao canal russo.
O Concurso Internacional de Artistas de Bailado e de Coreógrafos de Moscovo é um dos concursos mais prestigiados neste sector, tendo no júri estrelas do bailado russo e mundial, lendas do Teatro Bolshoi como o coreógrafo Iúri Grigorovitch, Artista do Povo da URSS, e os bailarinos Vladimir Vassiliev, Artista do Povo da URSS, e Nikolai Tsiskaridzé, Artista do Povo da Rússia.
Entre os membros do júri havia também representantes de mais dez países.
Segundo a Lusa conseguiu apurar, os vencedores deste concurso irão participar no XV Festival Internacional de Bailado Rudolf Nuriev, que se realizará na terra natal do bailarino, cidade de Ufá, na Bachkíria (leste da Rússia), entre 21 e 30 de Junho.
Para quem quiser ver fragmentos do concurso:

http://www.tvkultura.ru/video.html?id=123616&doc_type=rnews&doc_id=342646

quinta-feira, junho 18, 2009

Rússia propõe elaboração de novo acordo de segurança euro-atlântica

A Rússia propôs hoje a cinco alianças regionais a realização, no próximo ano, de uma reunião para acordar posições sobre a segurança no espaço euro-atlântico, anunciou Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
Nesterenko precisou, numa conferência de imprensa, que se tratará de um encontro de “dirigentes de cinco estruturas internacionais que operam nesta zona: Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Comunidade de Estados Independentes (CEI)”.
“O objectivo é examinar as respectivas estratégias de segurança e coordenar posições para formar na região um espaço de segurança indivisível”, acrescentou.Nesterenko sublinhou também que a elaboração de um novo acordo de segurança europeia, iniciativa lançada pelo Presidente russo Dmitri Medvedev, deverá realizar-se “num cenário independente, não no quadro da OSCE”.
Segundo ele, a Rússia considera insatisfatório o actual nível de segurança no espaço euro-atlântico, em particular, devido à estagnação das medidas de confiança, a profunda crise em torno do Tratado FACE (Forças Armadas Convencionais na Europa), as tentativas de solução militar de conflitos regionais, como aconteceu na Geórgia em Agosto passado, bem como as ameaças de terrorismo internacional, narcotráfico e outras formas de criminalidade transfronteiriça.
“Semelhante situação deve-se ao facto de terem deixado de funcionar os princípios fundamentais... antes de tudo, o compromisso de não reforçar a segurança própria à custa dos outros e o não emprego da força militar para a solução de conflitos”, precisou.
Na mesma conferência de imprensa, Andrei Nesterenko avaliou positivamente o desenvolvimento das consultas com os Estados Unidos sobre a ulterior redução de armas nucleares estratégicas.“As negociações decorrem num ambiente construtivo.
Consideramos que os Presidentes (Dmitri Medvedev e Barack Obama) poderão anunciar os resultados preliminares na sua reunião de Julho próximo”, anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
O diplomata frisou que ambas as partes realizam “preparativos intensos para a cimeira”, o que infunde “esperanças de que seja muito produtiva”.
Estados Unidos e Rússia realizaram nas últimas quatro semanas duas voltas de consultas bilaterais para decidir o futuro do acordo START, que expira em Dezembro próximo. A terceira volta terá lugar em Genebra em 23 e 24 de Junho.
O Tratado START foi assinado pela URSS e os Estados Unidos em Julho de 1991 e entrou em vigência em Dezembro de 1994. Impõe limites iguais para o número de ogivas (6.000 ogivas para cada uma das partes), vectores, bem como o peso dos mísseis estratégicos.
Andrei Nesterenko lançou um apelo para que a declaração da Coreia do Norte de “vingança pela resolução do Conselho de Segurança da ONU” não seja interpretada no “sentido directo”, acrescentando, porém, que “é profundamente lamentável que um Estado-membro da ONU declare demonstrativamente que se recusa a cumprir uma resolução do Conselho de Segurança”.

quarta-feira, junho 17, 2009

Moscovo e Pequim assinam importantes acordos no campo energético


A Rússia e a China assinaram um memorando sobre compreensão mútua na esfera da extracção e transporte de gás natural depois do encontro dos Presidentes dos dois países, Dmitri Medvedev e Hu Jintao, realizado hoje no Kremlin.
Em Maio passado, Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo, anunciou que a Rússia planeava revelar as suas propostas sobre os fornecimentos de gás à China durante a visita de Hu Jintao a Moscovo.Segundo ele, a Rússia está disposta a fornecer as quantidades de gás que o país vizinho quiser comprar.
O Programa de Gás Oriental, que está a ser coordenado pela gasífera russa Gazprom, prevê a criação, na Sibéria Oriental e no Extremo Oriente, de um sistema único de extracção, transporte e fornecimento de gás tendo em conta as possibilidades de exportação de combustível azul para os mercados da China e de outros países da região da Ásia e Pacífico.
Porém, Alexandre Ananenkov, vice-director da Gazprom, reconheceu que os fornecimentos de gás russo à China não começarão em 2011, como estava previsto, mas mais tarde, devido a divergências face ao preço do combustível.
“As conversações continuam, ainda não chegamos a acordo sobre os preços, já não podemos falar do início em 2011, trata-se de um trabalho cuja envergadura já não se enquadra nesse ano”, declarou Ananenkov, numa conferência de imprensa hoje realizada em Moscovo.
“Logo que haja preço, começaremos a construção (de gasoduto rumo à China), mas esta questão não é simples, o vendedor quer vender sempre mais caro e o comprador quer comprar mais barato”, sublinhou.
Os dirigentes russos e chineses assinaram também um memorando de compreensão mútua sobre cooperação na esfera carbonífera.
Segundo esse documento, as empresas russas passam a poder participar na construção de uma central eléctrica a carvão na China.
Foi também assinado outro memorando entre o consórcio russo Renova e a Empresa Pública de Extracção de Ouro da China.
Medvedev e o seu homólogo chinês assinaram uma declaração conjunta, onde propõem uma nova volta de conversações para “verificar a distribuição de quotas no Fundo Monetário Internacional”.
“É necessário realizar atempadamente uma nova volta de conversações para verificar a distribuição de quotas no FMI e elaborar um projecto de reforma do Banco Mundial, que aumente consideravelmente o direito de voto e a representação dos novos mercados e Estados em desenvolvimento nas estruturas financeiras mundiais”, sublinha-se na declaração.
“Faremos tudo para que os ritmos da cooperação económica se mantenham este ano e para minimizar a influência da crise”, declarou Dmitri Medvedev, no encontro com o seu homólogo chinês.
O Presidente russo frisou que, em 2008, as trocas comerciais superaram os 50 mil milhões de euros.
Hu Jintao recordou que este ano se comemora o 60º aniversário do estabelecimento de relações entre a Rússia e a República Popular da China.
“Durante estes 60 anos, as nossas relações percorreram um caminho complicado. O Governo e o povo da China jamais esquecerão que o Governo da União Soviética foi o primeiro a reconhecer a República Popular da China e a estabelecer relações diplomáticas”, concluiu o Presidente chinês.

“Guerra do leite” azeda relações bilaterais


A Bielorrússia começou hoje a intensificar os controlos aduaneiros nas principais passagens fronteiriças rodoviárias e ferroviárias com a Rússia, o que constitui mais um sinal da degradação das relações bilaterais.
Minsk justifica esta medida com o facto de através da fronteira russo-bielorrussa entrar “contrabando”, mas também não esconde que esta medida é uma resposta ao que considera ser “restrições comerciais discriminatórias” da parte de Moscovo.
No princípio do mês de Junho, a Rússia proibiu a entrada de cerca de 500 produtos leiteiros bielorrussos, lista que foi aumentada para 800. Segundo as autoridades sanitárias russas, essa proibição deve-se ao facto de os rótulos dos produtos leiteiros bielorrussos não estarem em conformidade com as exigências técnicas nesse campo. Por exemplo, Moscovo exige que os produtores bielorrussos vendam não como leite, mas como “bebida láctea” os produtos feitos a partir de leite em pó.
A “guerra do leite” provocou uma nova deterioração das relações entre a Rússia e a Bielorrússia, cujo Presidente, Alexandre Lukachenko declarou recentemente ser “necessário procurar a felicidade noutras paragens”, uma alusão ao programa Parceria Oriental, proposto por Bruxelas a seis antigas repúblicas soviéticas.
No passado Domingo, o dirigente bielorrusso suspendeu a sua visita à capital russa, onde deveria participar na Cimeira da Organização do Tratado de Defesa Colectiva.
“Quando um dos participantes da organização realiza acções que minam a segurança económica, é impossível falar de segurança militar”, declarou uma fonte da presidência bielorrússia à agência Ria-Novosti.
A Organização do Tratado de Defesa Colectiva reúne países do antigo espaço soviético como a Arménia, Bielorrússia, Cazaquestão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão. Na cimeira, os presidentes desses países deveriam assinar “as normas de funcionamento das Forças Colectivas de Reacção Rápida”, o que não veio a acontecer porque as decisões nesta organização só podem ser aprovadas por unanimidade.
Na véspera, Elena Skrinnik, ministra russa da Agricultura, deu por terminada a “guerra do leite”, anunciando que Moscovo e Minsk tinham chegado a acordo, mas as autoridades bielorrussas têm uma opinião diferente.
Alexandre Lukachenko também não esconde o seu descontentamento face ao facto do Kremlin lhe recusar um crédito de cinco mil milhões de dólares, pressionar Minsk a aceitar as exigências russas em matéria de privatizações e a reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas: Abkházia e Ossétia do Sul.
A política do dirigente bielorrusso cria mais um problema a Moscovo no momento em que a Rússia, Bielorrússia e Cazaquestão decidiram unificar as regras e tarifas aduaneiras no quadro da criação de uma União Aduaneira. Há uma semana atrás, os dirigentes dos três países decidiram aderir à Organização Mundial do Comércio como zona aduaneira única.
“Alexandre Lukachenko é conhecido por tirar proveitos das contradições entre a Rússia e a União Europeia em torno da Bielorrússia, país com uma posição estratégica entre elas. Até agora, tem tido êxito, mas a corda pode rebentar”, declarou à Lusa uma fonte diplomática em Moscovo.
Segundo esta fonte, “a paciência do Kremlin tem limites, mas as posições de Lukachenko são sólidas. Por exemplo, parte do sistema de defesa anti-aéreo da Rússia está instalado na Bielorrússia, num dos sectores mais sensíveis, a fronteira com a Polónia, e a desestabilização no país vizinho poderá ter sérias consequências”.
“A Rússia arrisca-se a deteriorar gravemente as relações com a única antiga república soviética que considerava aliada sua nas fronteiras ocidentais”, frisou.
Ao princípio da noite de terça-feira, a Bielorrúsia anunciou o levantamento das barreiras alfandegárias e Moscovo prometeu resolver a "guerra do leite", mas os conflitos entre Minsk e Moscovo são cada vez mais frequentes e complexos.

terça-feira, junho 16, 2009

Duas Cimeiras em Ekaterimburgo


Passei hoje o dia inteiro a escrever sobre as duas cimeiras que se realizaram em Ekaterimburgo, cidade russa situada entre a Europa e Ásia: a Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e a Cimeira dos BRIC's, mas fiquei com a sensação que ambas as reuniões não foram além de declarações verbais, importantes, mas que, por enquanto, continuam no papel.
O Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, quase estragava a primeira cimeira, pois chegou mais tarde e partiu mais cedo do que o previsto. Não ficou claro se se encontrou com Dmitri Medvedev à parte ou se apenas o cumprimentou para a fotografia, mas conseguiu receber os parabéns dos dirigentes dos países membros da OCX pela sua reeleição.
Os chefes de Estado dos países membros da Organização de Cooperação de Xangai assinaram a Declaração de Ekaterimburgo, documento fundamental da cimeira dessa organização, onde se faz uma avaliação da actual situação internacional.
Na declaração sublinha-se “a irreversibilidade da tendência para uma multipolaridade real e para o aumento da importância do aspecto regional na solução dos problemas globais”.
O documento destaca também a importância do reforço das bases fundamentais das relações internacionais e do aumento do papel coordenador da ONU nos assuntos internacionais; reafirma o apego aos princípios de manutenção da paz com base na segurança igual para todos os Estados sem excepção e na regularização dos conflitos internacionais e regionais através de meios político-diplomáticos.
Os participantes da cimeira da OCX manifestaram o seu apoio ao Tratado de Não Difusão de Armas Nucleares, defenderam o aumento da cooperação na esfera do controlo e gestão das finanças mundiais, na conservação da estabilidade da economia.
“A cooperação internacional é um instrumento sem alternativas para a solução dos problemas permentes da actualidade, incluindo a segurança energética e alimentar, as alterações do clima, a crise financeira”, constata-se na declaração final, onde se sublinha também a necessidade de uma “participação mais activa dos Estados da OCX na direcção dos processos globais”.
Os dirigentes dos países-membros da OCX aprovaram também um comunicado conjunto onde são definidos os passos com vista ao desenvolvimento da cooperação no quadro dessa organização em campos concretos.
Foi igualmente assinada a Convenção da OCX contra o terrorismo, documento que “desenvolve a base normativo-jurídica da Organização tendo em conta as exigências da época e a especificidade dos novos desafios e ameaças”.
A cimeira aprovou também o programa de combate contra o terrorismo, separatismo e extremismo para 2010-2012, um acordo sobre a preparação de quadros para a luta antiterrorista, bem como um acordo sobre a cooperação no quadro da garantia da segurança informativa internacional.
Os países da Organização de Cooperação de Xangai aprovaram um apelo especial ao reinício de conversações “com vista a procurar uma solução para o problema nuclear da Coreia do Norte”, que se agravou depois de Pyongyang ter reiniciado testes nucleares.
A OCX é constituída por países como a Rússia, China, Cazaquestão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. A Índia, Irão, Paquistão e Mongólia têm o estatuto de observadores. A Bielorrússia e o Sri-Lanka receberam o estatuto de “parceiros de diálogo” na cimeira de Ekaterimburgo.
Dmitri Medvedev não poupou adjectivos na avaliação da importância da primeira Cimeira dos BRIC's.
“Trata-se de um acontecimento de destaque, diria mesmo, histórico”, declarou Medvedev, na conferência de impensa realizada após o encontro dos quatro Presidentes.
“Todos os participantes do encontro consideraram que a primeira cimeira justificou as expectativas”, acrescentou, sublinhando que “a conversa não foi apenas séria e pormenorizada, mas absolutamente concreta”.
Segundo Medvedev, “a Cimeira dos BRIC’s deve criar condições para uma organização mundial mais justa e para a formação de um meio favorável que permita resolver as tarefas actuais de envergadura universal”.
O dirigente russo destacou que “do desenvolvimento dinâmico das economias da China, Índia, Brasil e Rússia depende, no fim de contas, o desenvolvimento de numerosos processos económicos no mundo, o potencial industrial e, em certa medida, a segurança global”.
“O nosso objectivo continua a ser o mesmo. Esse objectivo constitui o reforço das bases colectivas da vida internacional, a base da tomada de decisões sobre as questões internacionais mais actuais e sobre as questões da segurança deve ser mais justa”, acrescentou.
“Mas, ao mesmo tempo, claro que não devemos esquecer as nossas tarefas nacionais, isso é para cada um de nós uma prioridade incondicional enquanto dirigentes dos respectivos Estados e Governos”, frisou.
Os dirigentes dos BRIC’s ordenaram aos seus ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais para se reunirem e elaborarem posições coordenadas sobre questões financeiras e económicas da cooperação conjunta. Estas posições deverão ser apresentadas noutras reuniões internacionais como no “G-20”.
Medvedev anunciou também que os dirigentes dos BRIC’s delegaram nos respectivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros a coordenação do trabalho conjunto, mas acrescentou: “Também podem ser os Ministérios da Agricultura, os ministérios que respondem pelo desenvolvimento das relações comerciais e económicas. Espero que neste trabalho participem também autoridades regionais”.
Nas duas cimeiras voltou-se a falar da necessidade de novas moedas supranacionais de reserva, tendo o Presidente russo se lembrado do ecu europeu, como um dos modelos a ser seguido.
Não se pode deixar de assinalar o apoio da Rússia e da China às pretensões da Índia e do Brasil a desempenharem um papel maior nas Nações Unidas.
Muito foi dito nas duas cimeiras, resta esperar para ver o que irá ser levado à prática.
No que consiste à Rússia, trata-se de dois importantes palcos de influência na política mundial, mas não se pode deixar levar em eufurismos, pois em ambas as organizações há outros jogadores tão ou mais fortes.

Mikhail Gorbatchov grava disco em memória da esposa


O antigo Presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, editou um disco “Canções para Raísa”, dedicada à memória da sua esposa, Raísa Gorbatchova, informa a agência Interfax.
“No disco foram gravadas as sete romanças mais queridas de Raísa Maksimova. Eu interpretei-as acompanhado por Andrei Makarevitch”, revelou Mikhail Gorbatchov.
A romança é uma canção tradicional russa, pode ser comparada ao fado português. Andrei Makarevitch é um conhecido compositor e intérprete de música rock russa, vocalista do grupo “Machina Vremia” (Máquina do Tempo).
O antigo dirigente soviético, que, em 1985, deu início à liberalização do sistema comunista na União Soviética, acrescentou: “Nós pusemos o disco à venda num leilão de beneficiência em Londres, não será vendido ao público”.
Segundo revelou Makarevitch, o único exemplar do disco foi vendido por mais de cem mil euros e a campanha de beneficência rendeu mais de um milhão. Todos os meios vão para o combate à leucemia na Rússia.
O disco é editado no 10º aniversário da morte de Raísa Gorbatchova, que faleceu de leucemia a 20 de Setembro de 1999. Depois da morte da esposa, Mikhail Gorbatchov tem-se dedicado à recolha de fundos para apoiar doentes com essa enfermidade.

Moldávia vai novamente às urnas


O Presidente da Moldávia, Vladimir Voronin, assinou, na véspera, um decreto que dissolve o Parlamento do país e marca eleições parlamentares antecipadas para 29 de Julho, informa o centro de imprensa da Presidência moldava.
“Na sexta-feira passada, o Tribunal Constitucional da Moldávia confirmou o direito do actual Presidente dissolver o Parlamento”, informou um porta-voz de Voronin.
O dirigente moldavo viu-se obrigado a dissolver o Parlamento formado em conformidade com os resultados das eleições de 05 de Abril, porque os deputados não conseguiram eleger o sucessor de Vladimir Voronin à frente da Moldávia. O Partido dos Comunistas da Moldávia conquistou 60 dos 100 lugares no Parlamento, mas faltou-lhe um voto para eleger o novo Presidente do país.
Vladimir Voronin cumpriu dois mandatos e não se pode candidatar a um terceiro.
Os partidos da oposição, que contestaram com manifestações de rua os resultados do escrutínio de 05 de Abril, já anunciaram que irão concorrer separadamente às eleições.
A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa e palco de acesas disputas políticas, que se transformam em mais um fardo em época de crise económica.
O dinheiro que irá ser gasto num novo escrutínio, poderia ser empregue na solução de outros problemas. Mas como as eleições se irão realizar, seria bom que as organizações internacionais iniciassem atempadamente a monotorização da campanha eleitoral e do escrutínio para que a contagem dos votos não conduzam à repetição de cenas de violência e destruição, tal como sucedeu no início de Abril.

segunda-feira, junho 15, 2009

Alexandre Lukachenko volta a desafiar o Kremlin

O Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, suspendeu a sua visita à capital russa, onde deveria participar, hoje, na Cimeira da Organização do Tratado de Defesa Colectiva, informa a agência Ria-Novosti.
“Quando um dos participantes da organização realiza acções que minam a segurança económica, é impossível falar de segurança militar”, declarou uma fonte da presidência bielorrússia à agência russa.
A Organização do Tratado de Defesa Colectiva reúne países do antigo espaço soviético como a Arménia, Bielorrússia, Cazaquestão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão. Na cimeira de ontem, os presidentes desses países deveriam assinar “as normas de funcionamento das Forças Colectivas de Reacção Rápida”, mas isso não foi feito porque as decisões devem ser aprovadas por unanimidade.
Além disso, a Bielorrúsia deveria receber da Rússia o comando dessas forças armadas.
A diplomacia bielorrussa justifica esta decisão de Alexandre Lukachenko com o facto de Moscovo ter proibido a importação de cerca de mil marcas de produtos lácteos da Bielorrússia, alegando que “elas não correspondem aos novos regulamentos técnicos russos”.
Analistas políticos em Moscovo consideram que as autoridades sanitárias russas responderam assim às palavras insultuosas do polémico Alexandre Lukachenko dirigidas a Alexei Kudrin, ministro das Finanças da Rússia, que pôs em dúvida as capacidades de Minsk de pagar as dívidas e manifestou-se contra a concessão de um importante empréstimo à Bielorrússia.
O Kremlin olha também com desconfiança para a aproximação entre a Bielorrússia e a União Europeia e para a participação de Minsk na “Parceria Oriental”, programa de cooperação entre a UE e alguns países da Europa do Leste.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia desvaloriza a ausência de Lukachenko na cimeira.“É um problema de Lukachenko, uma decisão pessoal da parte bielorrussa se ele vem ou não. Não podes influir nela”, comenta a diplomacia russa, condenando o facto de “se ligar questões económicas concretas com a participação na Cimeira da Organização do Tratado de Defesa Colectiva”.
Moscovo ameaçou com o aumento do preço do gás à Bielorrússia e Minsk deu parcialmente marcha atrás. Mas episódios como estes vão repetir-se, pois Lukachenko tenta jogar entre a Rússia e a União Europeia para tirar dividendos económicos e políticos de ambos os lados.

sábado, junho 13, 2009

O início do fim da era Putin?


Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, surpreende cada vez mais com as suas atitudes aparentemente originais, mas que fazem lembrar episódios pouco elogiosos das biografias de antigos dirigentes soviuéticos.
Durante uma visita a um dos mais famosos e conceituados artistas plásticos do país, Ilia Glazunov, o ex-Presidente russo fez um comentário sobre um quadro.
Perante um quadro que representa uma noite medieval, Putin terá dito: «A espada está muito curta. Deste tamanho só conseguiria cortar salsichas».
O primeiro-ministro russo teve sorte de encontrar um pintor que esteve sempre habituado a "beijar as mãos" dos dirigentes do país, um artista plástico "da corte", que acabou por «concordar» com a crítica e prometeu «corrigir» o «erro».
Putin fez lembrar Nikita Khrutchov quando, durante uma visita a uma exposição de arte moderna, nos anos 60 do séc. XX, fez tão duras críticas das obras que viu que travaram por muitos anos o desenvolvimento das artes soviéticas. Pouco tempo depois, Khrutchov foi derrubado por um golpe palaciano.
Mas Ilia Glazunov não foi o primeiro a sofrer uma «humilhação pública». Na semana passada, para mostrar o seu «poder», Putin obrigou um dos homens mais ricos da Rússia, Oleg Derispaka, a reabrir uma fábrica de alumínio, depois dos trabalhadores se terem queixado de ficarem sem emprego e dinheiro.
A ordem foi dada frente às câmaras de televisão. O primeiro-ministro atirou uma caneta para cima de uma mesa e ordenou a Oleg Derispaka que assinasse os papéis para reabrir a fábrica.
Depois, para mostrar todo o seu poder, exigiu do oligarca que lhe devolvesse a esferográfica.
Claro que o primeiro-ministro fez um figurão perante os russos, mas, logo a seguir, começaram a exigir problemas laborais e salariais em várias regiões da Rússia, que deixaram claro que Putin não consegue "apagar todos os incêndios" por muito bombeiro que seja.
Além disso, os humilhados costumam não esquecer este tipo de acções...

sexta-feira, junho 12, 2009

Cáucaso do Norte novamente a "ferro e fogo"


A polícia daguestanesa abateu, durante uma operação especial realizada na sexta-feira, dois guerrilheiros separatistas, tendo um agente dos serviços secretos russos sido mortalmente atingido durante o tiroteio.
A polícia do Daguestão, república do Cáucaso do Norte russo, cercou, no centro de Makhatchkala, capital daguestanesa, dois guerrilheiros, que alegadamente estiveram envolvidos no assassinato de um agente das tropas especiais do Ministério do Interior da Rússia, a 09 de Junho, liquidando-os fisicamente.
Durante a troca de tiros foi atingido mortalmente um agente dos serviços secretos russos, informa o Ministério do Interior da Rússia.
Na manhã de sexta-feira, desconhecidos assassinaram com um tiro na cabeça, também no centro de Makhatchkala, um capitão da polícia que se dirigia para o local de trabalho.
Na madrugada de quinta para sexta, uma viatura da polícia foi atacada a tiro no distrito daguestanês de Khassaviurt, tendo ficado feridos dois agentes.
Estes novos ataques ocorrem uma semana depois do assassinato do ministro do Interior do Daguestão, Adilguerei Magomedtaguirov.
Este crime levou o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, a visitar com urgência a região para examinar in loco a situação no Cáucaso russo.
Medvedev recordou que, desde o início de 2009, foram cometidos 308 actos terroristas no Cáucaso do Norte, que causaram a morte de 75 membros das forças da ordem e de 48 civis, tendo sido abatidos 112 guerrilheiros.
Não obstante o recente levantamento do regime de operação antiterrorista na Tchetchénia, arena de dois conflitos armados depois da queda da URSS em 1991, os ataques contra as forças armadas e polícia aumentam de frequência e alargam-se às repúblicas vizinhas do Daguestão e Inguchétia.
A guerrilha fundamentalista islâmica, que por detrás da maioria dos ataques, luta pela separação do Cáucaso do Norte da Rússia, mas nos confrontos com a polícia poderão estar envolvidos também grupos mafiosos locais.

Estabilidade energética, alimentar e financeira no centro das atenções da cimeira dos BRIC


Os dirigentes do Brasil, Rússia, Índia e China reúnem-se na Cimeira de Ekaterimburgo, entre 15 e 17 de Junho, para analisar questões da estabilidade dos mercados mundiais energértico, alimentar e financeiro, anunciou Arkadi Dvorkovitch, assessor económico do Presidente Medvedev.
“O programa (da Cimeira dos BRIC) está praticamente pronto, mas ainda não está fechado”, declarou ele, numa conferência convocada para o efeito, sublinhando que “já é claro que se trata de um programa rico”.
Arkadi Dvorkovitch revelou que os participantes da Cimeira irão abordar dois temas. O primeiro está ligado ao facto de a reunião dos BRIC se realizar na véspera da Cimeira do G-8, no formato 8+5, onde deverão participar todos os países dos BRIC.
“Para ser mais preciso, a Cimeira dos BRIC vai realizar-se entre a Cimeira dos “20”, onde participamos todos, e a Cimeira do G-8, por isso iremos discutir as questões que foram e irão ser levantadas nessas cimeiras”, precisou.
“Veremos até que ponto coincidem as nossas posições face a vários problemas, chegaremos a conclusões conjuntas, mas seria precipitado declarar a que conclusões chegaremos, isso ficará claro depois da discussão”, acrescentou o assessor do Presidente russo.
Dvorkovitch afirmou também que o segundo tema das discussões será a cooperação entre os países dos BRIC em diversas áreas.
“Claro que existem”, continuou, “interesses comuns no comércio, nos investimentos, em acções coordenadas com vista a garantir a estabilidade dos mercados mais diversos, tenho em vista mercados fulcrais como o energético, alimentar e financeiro”.
“Penso que poderão surgir conclusões e declarações interessantes, mas claro que, do ponto de vista político, é importante que países tão grandes cheguem a acordo sobre interacções e elaborem posições conjuntas sobre questões fulcrais das relações internacionais, antes de tudo, da economia internacional”, concluiu.
Serguei Ivanov, vice-primeiro-ministro russo, considera que os BRIC serão a locomotiva que retirarão a economia mundial da crise.
“Os países BRIC estarão entre os primeiros, que, como uma locomotiva, irão arrancar a economia mundial da crise. E isto não é apenas uma declaração. Os BRIC são economias em desenvolvimento dinâmico”, declarou ele no Forum Económico de São Petersburgo, realizado no fim da semana passada.

Combate ao terrorismo e crise económica na ementa da OCX


A Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que começa na segunda-feira na cidade russa de Ekaterimburgo, irá debruçar-se sobre medidas de combate ao terrorismo e crise económica.
“Os presidentes dos países da OCX assinarão uma convenção sobre a luta contra o terrorismo. Será dedicada grande atenção ao problema do Afeganistão no contexto da realização do plano de acções dos Estados da OCX, que foi aprovado numa conferência especial em Moscovo”, anunciou Andrei Nesterenko, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“No encontro irá realizar-se uma discussão activa com vista a avançar a cooperação económica nas condições da crise económica”, acrescentou.
A Organização da Cooperação de Xangai foi fundada em 2001 e tem como membros a Rússia, China, Cazaquestão, Tadjiquistão, Quirguistão e Uzbequistão. A Índia, Irão, Mongólia e Paquistão têm o estatuto de observadores nessa organização.
Na Cimeira de Ekaterimburgo, que irá decorrer paralelamente à Cimeira dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Bielorrúsia e o Sri-Lanka deverão ser aceites como “parceiros de diálogo” da OCX.
A reunião da OCX irá também fazer um balanço da sua actividade durante a presidência da Rússia, que entregará esta função ao Uzbequistão.
No âmbito desta cimeira, é de salientar o encontro do Presidente afegão, Hamid Karzai, com o seu homólogo quirguize, Kurmanbek Bakiev, onde o primeiro irá tentar convencer o segundo a adiar o encerramento da base área militar norte-americana no Quirguistão.
“Não vale a pena esperar sensações do encontro dos dirigentes da OCX. Eles encontram-se pela primeira vez durante a crise económica mundial e não se pode excluir a possibilidade de se abordar a questão da criação de uma nova moeda mundial de reserva. O Presidente Medvedev propôs o yuan chinês, mas é curioso assinalar que os chineses não se precipitam a fazer essa proposta”, declarou Arkadi Dubnov, especialista em assuntos da Ásia Central.
A cidade de Ekaterimburgo foi escolhida porque fica situada junto dos montes Urais, que separam a Europa e a Ásia.
As cimeiras da OCX e dos BRIC serão acompanhadas de um Festival das Culturas Nacionais dos Estados da Organização da Cooperação de Xangai. O Museu Hermitage de São Petersburgo apresenta a exposição “Filigramas Valiosas do Oriente”, onde são exibidas obras encomendadas pela família imperial russa a artistas orientais.

quinta-feira, junho 11, 2009

Mãe de Alexandra humilhada em programa televisivo russo


“Fui enganada e apresentaram-me como alcoólica”, declarou Natália Zarubina, mãe de Alexandra, ao semanário Argumenti i Fakti.
Comentando a participação da sua família no programa “Que falem!”, gravado na semana passada, mas ainda sem data de transmissão, Natália declarou indignada: “Durante as filmagens, mostraram umas imagens onde eu bebo conhaque, depois do que um dos conviados do programa gritou que eu sou alcoólica!”.
“A equipa de Malakhov (o apresentador do talk show) apresentou de propósito essa imagem: quando vieram ter comigo para me convencerem a participar no programa, pediram para beber conhaque com eles, que tinham trazido consigo. Fomos enganados quando disseram que queriam mostrar tudo de forma positiva”, continua Natália, cidadã russa a quem o Tribunal de Guimarães entregou a sua filha que estava à guarda de uma família portuguesa.
“Antes das filmagens, deram-me instruções: diz isto, diz aquilo. Por exemplo, pediram-me para não me esquecer de recordar que a família portuguesa vive numa casa que antes tinha sido um bordel”, recorda.
Segundo o semanário russo, os participantes do programa dividiram-se em dois campos: “uns gritavam: “Devolvam Sandra a Portugal! Tu és alcoólica e drogada!”; outros defenderam as mulheres de Iaroslavl”.
Natália Zarubina acusa o apresentador, Andrei Malakhov, de ter desempenhado o papel de “defensor da moralidade”.
“Ele perguntou-me: como se foi deitar na cama com um trabalhador ilegal, sem registar as vossas relações?”, revela a mãe de Alexandra.
Natália afirma que o pai biológico de Sandra, Gueorgui Tsklauri, lhe telefonou e comunicou que a família lhe propôs dinheiro para retirar a criança à mãe através do tribunal, mas que ele teria dito que não faria isso.
“Se Florinda e o marido me tivessem devolvido a menina sem todos os julgamentos, eu manteria relações com eles, mas agora estou muito zangada com eles”, frisou.
A mãe de Alexandra promete-lhe contar toda a história do seu regresso à Rússia quando for mais crescida, mas reafirma a sua intenção de não regressar a Portugal.
“Vou organizar a minha vida aqui, dentro de pouco tempo vou inscrever-me num centro de emprego, a minha filha vai para o infantário. Quero que, no futuro, as minhas filhas terminem a universidade e possam encontrar um emprego normal, e não lavar o chão de alguém”, concluiu.

TAP chega finalmente a Moscovo









Caros leitores, gostaria apenas de dar boas notícias. Por isso, não posso perder esta oportunidade de o fazer. Para mim, a abertura da ligação aérea Lisboa-Moscovo-Lisboa pela TAP é um grande acontecimento e, por isso, o dia 10 de Junho foi intensamente vivivido.
Antes de passar à notícia, porém, quero apenas dizer que tive a oportunidade de conhecer funcionários da TAP simpáticos e espero que este voo dure muito tempo e corra sempre bem.




"Eram precisamente 03 horas e 45 minutos da manhã (0 horas e 45 minutos em Portugal Continental) quando os pneus do avião Eugénio de Andrade, da Tranportadora Aérea Portuguesa, entraram em contacto com a pista do Aeroporto de Domodedovo, nos arredores da capital russa.
O Airbus 320, que deu início às ligações aéreas regulares entre Lisboa e Moscovo, aterrou 30 minutos antes da hora prevista, o que provocou uma verdadeira correria entre os numerosos fotógrafos e alguns jornalistas portugueses que quiseram fixar essa chegada.
A TAP irá, a partir de hoje, realizar cinco voos por semana entre as capitais portuguesa e russa, o que poderá dar um forte impulso não só ao sector do turismo, mas também a outros sectores da cooperação económica.
Não obstante a hora tardia e o cansaço de quase cinco horas de voo, Bernardo Trindade, Secretário de Estado do Turismo, não escondia a sua satisfação e optimismo quando desembarcou no Aeroporto Domodedovo.


“A viagem correu lindamente e reflecte o bom momento que atravessam as relações entre Portugal e a Rússia”, declarou ele à Lusa.
“Há dois anos atrás, começámos com um pavilhão de nove metros quadrados na Feira de Turismo de Moscovo. No ano passado, o stand português foi considerado o melhor e, este ano, inaugurámos uma linha aérea regular garantida pela nossa companhia de bandeira”, acrescentou Bernardo Trindade.
Segundo ele, “a TAP já tem 15 mil reservas nesta rota. Por isso, deveremos ultrapassar o número de 30 mil turistas russos (alcançado no ano passado) e esperamos um crescimento de dois dígitos”.
Bernardo Trindade chamou também a atenção para o facto de esta nova ligação aérea impulsionar os contactos bilaterais, sublinhando que vinha acompanhado de vários homens de negócios.
Mas foi a tripulação do Eugénio de Andrade a primeira a atravessar a fronteira russa.
“A viagem correu muito bem, o tempo estava bom, por isso chegámos mais cedo”, disse à Lusa Falé Borges, comandante da TAP, sublinhando que “fomos muito bem recebidos pelos parceiros russos”.

Falé Borges assinalou que existem algumas diferenças no trabalho dos pilotos e controladores russos e europeus, mas acrescentou que “preparámo-nos bem e não houve problemas”.
Naída Simons, chefe de cabine, reconheceu que nem todos os bilhetes foram vendidos para o primeiro voo, mas estava optimista.
“Para cá viajaram 78 passageiros, mas para lá já voarão 124. Pensamos que esta linha tem boas perspectivas”.
A chefe de cabine da TAP disse à Lusa que o serviço de bordo, principalmente na classe executiva, tem algumas particularidades.
“Trata-se de uma viagem longa e isso permite um serviço melhor e mais alargado”, disse Naída Simons, e acrescentou: “Servimos aperitivos, sopa e os passageiros da executiva puderam escolher entre três pratos. A sobremessa foi constituída por doces típicos portugueses, entre os quais habia pastéis de nata”.
Logo que o Airbus 320 aterrou em Moscovo, no aparelho entrou uma brigada de limpeza, que devia preparar o aparelho para o voo de regresso a Lisboa, a cujo Aeroporto chegou ontem.


A Transportadora Aérea Portuguesa, que inaugurou a nova linha que liga as capitais portuguesa e russa, planeia aumentar o número de voos, não excluindo a possibilidade de abrir novas rotas entre Lisboa e outras cidades russas.
“Começámos com cinco voos por semana, mas isto é o início para, mais tarde, aumentar a sua frequência para Moscovo”, anunciou Carlos Paneiro, vice-presidente da TAP, numa conferência de imprensa realizada na capital russa.
“Estados convencidos do enorme potencial do mercado russo e, por isso, até poderemos vir a criar novos destinos na Rússia”, acrescentou.
Segundo Carlos Paneiro, o objectivo é não só aumentar o fluxo turístico russo para Portugal, mas também aproveitar a situação estratégica de Lisboa e de outras rotas da TAP.
“Somos a companhia aérea europeia que tem mais destinos no Brasil (oito) e em África (oito)”, frisou.
Serguei Rudakov, director do Aeroporto Domodedovo de Moscovo, onde passaram a aterrar os aparelhos da transportadora portuguesa, apoia o optimismo da TAP.
“A TAP é um dos grandes parceiros para o desenvolvimento do nosso aeroporto. Portugal é não só um centro de turismo e negócios na Europa, mas igualmente um ponto de passagem para a África e o Brasil, o que nos fazia falta”, defendeu.
“Por isso, dentro em breve, poderá ser organizado um voo diário entre Lisboa e Moscovo, bem como poderão ser utilizados com maior capacidade de transporte de passageiros”, acrescentou.
Carlos Paneiro salientou, porém, que a estratégia da TAP foi elaborada com muito cuidado para evitar desaires em tempo de crise.
“Tornámos o sonho realidade. Mas agora vamos concentrar-nos na rota de Moscovo para garantir o êxito dos voos já existentes. Queremos ter lucro para não desistir”, sublinhou.
“Até agora já estão reservados 16 mil bilhetes, esperamos vender 24 mil até ao fim do ano, mas o objectivo é chegar aos 40 mil passageiros por ano”, concretizou.
Carlos Paneiro não concorda que os preços praticados pela TAP sejam superiores aos dos concorrentes, sublinhando que “trata-se de um bom sinal se vendemos os bilhetes de categorias económicas mais rapidamente do que as outras empresas”.
“A TAP chegou em tempo de crise, quando todos têm cuidado. Nós também temos cuidado, mas olhamos para o futuro”, concluiu Rudakov, dirigente do melhor aeroporto da capital russa.
A TAP irá realizar um voo de Lisboa para Moscovo à segunda, terça, quinta e dois ao sábado.

terça-feira, junho 09, 2009

Mãe de Alexandra não quer regressar a Portugal


Natália Zarubina, a mãe de Alexandra, recebeu “três propostas extremamente atraentes” de Portugal, mas reafirma que não pretende abandonar a Rússia, escreve hoje Olga Kuznetsova, jornalista do diário “Komsomolskaia Pravda”.
“O caso (Alexandra) emocionou Portugal inteiro. Agora, os portugueses propõem à mãe e filhas habitação e emprego, apenas para que ela (Natália) regresse a esse país com a filha. Porém, ela, que reside na vila Pretchistoe, Distrito de Iaroslavl, não tenciona abandonar a Rússia”, acrescenta a jornalista de Iaroslav, que tem acompanhado de perto este caso.
O Komsomolkaia Pravda revela: “uma câmara municipal de uma das principais cidades de Portugal propôs a Natália, à sua família e à família do irmão habitação grátis. Uma empresa prometeu montar um café para Natália poder trabalhar. Um dos homens mais ricos do país prometeu pagar as despesas de transporte da família”.
“Zarubina olha com desconfiança para a proposta de regressar a Portugal. Ela afirma recear que os portugueses iniciem um novo processo para lhe retirar a criança, que a acusem de prostituição e maus tratos da criança”, continua a jornalista, citando declarações de Natália.
O diário escreve também que Natália não recusa ajuda material dos portugueses, pois vive à custa da mãe e só poderá começar a procurar emprego em Setembro.
“Ela propõe aos pais afectivos portugueses que enviem dinheiro para comprar uma casa com boas condições, uma casa de banho, para que Sandra não precise de nada”, sublinha o Komsomolskaia Pravda.
O diário electrónico newsru.com lembra que “os rendimentos da avó e avô, que são o sustento da família, é de cerca de 20 mil rublos (cerca de 450 euros) por mês”.
“E que irei eu fazer na velhice em Portugal? Ficar sentada entre quatro paredes?”, afirma Olga Zarubina, avó de Alexandra, quando lhe falaram das propostas portuguesas.
Num artigo publicado hoje na edição electrónica do jornal Komsomolskaia Pravda, chama-se a atenção para as declarações contraditórias feitas por João Pinheiro, pai afectivo de Alexandra, à imprensa portuguesa: "a um dos jornais ele afirma que falou com Natália e ela recebeu com entusiasmo a proposta de se transferir. Mas, a outro jornal, João declarou que Natália apenas prometeu pensar, expressando receio face à possibilidade de lhe virem a retirar novamente a criança".

segunda-feira, junho 08, 2009

Kremlin receia protestos nas Forças Armadas


O Kremlin está preocupado com o aumento dos sentimentos de protesto no Exército e Marinha, o que levou o Presidente Medvedev a ordenar a introdução de correcções na reforma militar, escreve hoje a imprensa russa.
Nikolai Makarov, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, considera que a organização castrense russa fica muito aquém das FA dos Estados Unidos e da NATO, defendendo a criação de “uma estrutura mais flexível”, escreve o diário económico Vedomosti.
A nova reforma militar, que está a ser implamentada, visa reduzir fortemente o número de oficiais e soldados, maleabilizar o sistema de comando, tornando as Forças Armadas da Rússia máis móveis e flexíveis.
Segundo o general Makarov, no Ministério da Defesa não existe uma “oposição de generais”, mas apenas “alguns oficiais não querem ir para o novo local de serviço”.
Porém, o diário Nezavissimaia Gazeta, citando fontes militares, considera que a situação é bem mais grave, o que levou o Presidente Medvedev a reagir às numerosas queixas que recebe de militares a propósito da realização da reforma limitar.
Segundo este jornal, os oficiais e membros das suas famílias já organizaram piquetes para protestar contra o encerramento de hospitais militares emn algumas guarnições.
O diário Rossiskaia Gazeta, órgão oficial do Governo russo, reconhece a existência de problemas nas Forças Armadas, mas considera que eles se devem ao facto de os generais não querem perder “os seus lugares quentes”.
Segundo este jornal, a perda de “lugares quentes” é bem real, porque a última avaliação das competências dos oficiais de alta patente levou a que apenas 66 dos 249 generais avaliados continuem nos seus cargos, enquanto que 133 serão enviados para novos locais e cerca de 50 irão para a reserva.
“A rotação obrigatória de comandantes, que o ministro da Defesa ordenou realizar de três em três anos, transformou-se numa espécie de catástrofe para uma série de comandantes. Com ligações, apartamentos e casas de campo na capital, eles não querem abandonar os lugares quentes”, considera o Rossiskaia Gazeta.
“Além disso, regra geral, essas pessoas nunca comandaram soldados e chegaram ao cargo de general sem se afastarem de Moscovo e São Petersburgo”, frisa o diário.

Natália Zarubina não aceita regressar a Portugal


Natália Zarubina receia perder a filha se voltar a terras portuguesas e recusou várias propostas de trabalho para voltar.
A mãe de Alexandra Zaburin, a menina russa que viveu com uma família de Barcelos durante quatro anos, diz que recebeu várias propostas de trabalho e ajuda caso regressasse a Portugal, mas recusou-as por recear que lhe tirem a filha.
Uma câmara municipal ofereceu-se para dar à família Zarubin um apartamento perto da terra do casal Pinheiro, que acolheu Alexandra, uma empresa portuguesa ofereceu-se para abrir um café para a mãe da menina gerir e um conhecido homem de negócios português prontificou-se ainda a pagar todas as despesas com a viagem dos Zarubin para Portugal se Natália Zaburin voltasse com a filha, disseram à Lusa fontes próximas das duas famílias (Zaburin e Pinheiro).
A câmara municipal, a empresa e o homem de negócios em causa pediram anonimato para que este caso não seja utilizado politicamente, nem seja visto como oportunismo político, segundo as mesmas fontes.
Porém, Natália recusou a proposta, sublinhando que teme perder a filha: "Eu regresso e a família portuguesa começa outra vez a recorrer aos tribunais para me retirarem a menina, voltam a acusar-me de alcoólica, prostituta... Não, não posso aceitar essa proposta", disse à Agência Lusa.
"Além disso, os meus pais são pessoas idosas, nada terão a fazer em Portugal. São idosos e não se irão sentir bem, estão habituados à vida na Rússia, não querem ir para lado nenhum", acrescentou.
Porém, Natália não recusa apoio material dos portugueses: "Se querem ajudar a Alexandra e a mim, que enviem apoio material. Eu assim poderei melhorar as condições de vida aqui, na Rússia, arranjar uma casa normal, etc.".
Serguei Zarubin, avô de Alexandra, revelou à Lusa que as autoridades locais de Pervomaisk, onde fica a vila de Pretchistoe, onde a família vive, ofereceu quinze dias de férias a Natália e às duas filhas numa casa de repouso.
"Elas partirão amanhã [terça-feira] e irão descansar quinze dias. Natália está neste momento a receber essa oferta da Junta de Freguesia, pois precisa de descansar", sublinhou o avô.
Alexandra, de seis anos e filha de uma imigrante russa, estava à guarda de uma família de Barcelos há quatro anos quando uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça, determinou a sua entrega à mãe.
A criança passou a viver recentemente com a mãe e os avós numa cidade russa, a 350 quilómetros de Moscovo.

sábado, junho 06, 2009

Reconciliação para ajudar Alexandra




Continuo a receber dezenas de mails, alguns deles muito emocionados, cujos autores pretendem ajudar Alexandra, a menina russa que foi entregue pelo Tribunal de Guimarães à mãe biológica russa e que reside actualmente na vila Pretchistoe.
Neste caso, as duas partes que disputam a menina já disseram tudo o que tinham a dizer uma da outra, parecendo estar esgotadas todas as acusações, principalmente depois do pai biológico ter também dito "da sua justiça" em numerosos órgãos de informação.
Agora, é urgente ajudar concretamente a Alexandra, mais, essa ajuda já deveria ter começado a chegar à longínqua vila russa.
Em casos complicados e dramáticos como este, é necessário, em primeiro lugar, prestar uma ajuda urgente, ser uma espécie de INEM que presta os primeiros socorros, sendo depois necessário dar passos para encontrar uma solução mutuamente aceitável para as partes do conflito.
As condições de vida da família Zarubina são más, há falta de dinheiro e, por conseguinte, de alimentos. Por isso, talvez não fosse má ideia enviar alguma ajuda.
Alguns receiam que essa ajuda poderá ser desviada para o álcool, mas será que não existem organizações sociais e pessoas idóneas que possam controlar esse processo?
Depois de se prestar os "primeiros socorros" e, paralelamente, pôr fim às acusações mútuas, pode-se começar a dar passos no sentido da aproximação das famílias Zarubina e Pinheiro e, neste caso, devem tomar uma atitude semelhante à mãe verdadeira do relato bíblico sobre o Rei Salomão, ou seja, pôr os interesses supremos da criança acima de tudo.
Superadas as duas etapas, as duas famílias poderão decidir onde e com quem Alexandra deverá viver. Aqui, há várias possibilidades: a menina pode viver na Rússia em condições decentes e ir passar férias com a mãe a Portugal; a família Pinheiro poderá visitar Alexandra, a família de Alexandra poderá ir viver para Portugal e visitar a Rússia, etc., etc.
Paralelamente a isso, as autoridades portuguesas e russas deverão explicar como é que acontecem situações destas e tomar medidas para que não se repitam.
Li na empresa que a Assembleia da República Portuguesa irá rever a lei para aumentar a protecção das crianças. Muito bem, mas também não seria mau se a Rússia assinasse, finalmente, a Convenção de Haia. É urgente aproximar as legislações da Rússia e da União Europeia no campo da defesa dos direitos da criança.
Este caso mostrou claramente que a justiça portuguesa falhou, mas parece não ter sido a única instituição a falhar. Alguns advogados russos consideram que foram violadas leis russas no processo de atribuição da cidadania russa a Alexandra, e isto deve também ser esclarecido.
E nunca podemos esquecer que há muitas Alexandras na Rússia e Portugal, que necessitam também de ajuda urgente.

Fotos da longa guerra civil em Angola

Cartaz da exposição

Foto


Alexandre Dzassokhov


Victor Chalinev e Andrei Tokarev



Veterano



Uma exposição de fotografias tiradas por veteranos de guerra soviéticos e russos em Angola, entre 1974 e 1992, irá estar patente até ao próximo dia 15 no Museu de História Moderna da Rússia, na capital russa.
O tema da exposição “Nós não deveríamos lá estar?” foi retirado de uma canção composta por um dos veteranos soviéticos em Angola e é uma pergunta à posição oficial soviética que nunca reconheceu que cidadãos seus combateram naquela ex-colónia portuguesa.
“Do ponto de vista dos soldados e oficiais que aqui se encontram, a sua presença em Angola foi uma missão internacionalista, quiseram apoiar o povo que se libertára do colonialismo e apoiar as forças políticas nossas aliadas”, declarou à Lusa Alexandre Dzassokhov, antigo membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética.
Nas paredes do museu podem-se ver várias dezenas de fotos, a preto e branco e cores, tiradas por militares e outros especialistas soviéticos e russos durante operações militares contra os adversários do MPLA: UNITA e FNLA.
Fotos tiradas junto a tanques e canhões sul-africanos destruídos, crianças penduradas em blindados e canhões, militares russos e soviéticos ao lado de combatentes do MPLA, ou seja, cenas de uma guerra civil onde participaram duas superpotências:
“Para os Estados Unidos e a União Soviética, o confronto em Angola foi a continuação da guerra fria, mas de forma “quente”, militar. Uma guerra entre duas superpotências, embora elas se recusassem a reconhecer a sua participação directa no conflito”, frisa Dzassokhov, que visitou várias vezes Angola.
Esta posição é apoiada por Victor Chalinev, que foi intérprete militar na Escola de Cadetes de Huambo entre 1985 e 1987.
“Os nossos corações jovens ardiam de desejo de prestar ajuda aos povos oprimidos. Não tive, nem tenho dúvida da justeza da nossa missão”, afirmou à Lusa.
Andrei Tokarev, hoje professor de português e historiador, foi um dos primeiros especialistas militares a chegar a Angola.
“Aterrei em Luanda ainda antes da proclamação da independência do país, na véspera de 11 de Novembro de 1975”, recorda Andrei, na altura tradutor militar, e acrescenta: “tratou-se de uma missão de serviço multiplicada por um internacionalismo sincero, por um desejo de ajudar os amigos num momento difícil”.
À medida que se aproxima a hora de abertura da exposição, dezenas de “veteranos de Angola”, como se designam os russos que combateram ao lado do MPLA, entre os quais se via pessoas de várias idades.
Um veterano mais idoso, que trazia na lapela uma medalha da Organização de Veteranos de Angola na Rússia e um emblema de veterano dos serviços secretos soviéticos (KGB), aceitou prestar declarações à Lusa, mas sem revelar o nome.
“Ajudámos Angola a tornar-se um verdadeiro Estado independente. Foi um período de alto nível nas relações entre Angola e a União Soviética. E mais digo...”, afirmou.
“Esta exposição mostra que a URSS e a Rússia, para não falar de Cuba, deram um grande contributo para a actual estabilidade no nosso país”, declarou à Lusa António José Mateus, adido de imprensa da Embaixada de Angola na Rússia, considerando que “as relações russo-angolanas entraram numa nova de etapa, somos parceiros”.

Rapper angolano à conquista de fama


Estudante da Universidade da Amizade dos Povos de Moscovo, Denérido Cudidissa, de seu nome artístico Dene XL, lançou o seu primeiro trabalho a solo, intitulado “Dentro e Fora do Meu Quarto”, num registo Rap- Hip Hop, ainda em Angola, em 2007.
Em declarações à Agência Lusa, diz-se influenciado por variadíssimos géneros musicais, desde Kizomba, zouk, fado, samba, e por outros artistas angolanos e norte americanos da área do Rap- Hip Hop. Considera que o Rap é o género musical de intervenção política por excelência, e por definição, capaz de veicular com impacto uma mensagem de denúncia dos grandes flagelos da sociedade contemporânea.
Tem actuado com regularidade em universidades, clubes nocturnos, em eventos hip-hip e na Embaixada de Angola em Moscovo.
Para além de autor e compositor, Dene XL estreou-se na Rússia há três anos como produtor, numa altura em que sentiu a falta de “beats” (instrumentais) próprios. Não queria cantar em “beats” alheios, nem fazer download de ritmos de outrem. Adquiriu então material, começou a compor os seus próprios ritmos e tornou-se produtor de artistas russos e de outras nacionalidades.
Confessa que ainda não se conseguiu adaptar totalmente ao pais, mas salienta o papel importante que a sua vivência na Rússia tem desempenhado na sua criatividade artística, nomeadamente pela riqueza da tradição musical do país.
Nunca foi agredido fisicamente, mas é diariamente alvo de comentários racistas fora da universidade, no metro, e em inúmeras situações do dia a dia em Moscovo. Encara estas ocorrências com filosofia, considerando que tais comportamentos são fruto da ignorância de pessoas que “não sabem conviver não só com pessoas de outras raças, como também não sabem viver de todo em sociedade, pura e simplesmente.”
Apesar de tudo, diz-se feliz por ter vindo estudar para a Rússia, principalmente pela qualidade de ensino que lhe é providenciada. Feliz também por aprender imenso fora do âmbito dos estudos e por saber que o conjunto de experiências que leva daqui lhe há- de servir no futuro.
É oriundo de Luanda, mas a quem lhe pergunta de que província é, costuma responder que é da província de Uíge, terra do seu pai, sendo a sua mãe do Kwanza Norte.
De olhos postos em Angola, tenciona regressar em 2010 com o seu filho e a sua esposa, Gabriela , de nacionalidade equatoriana, depois de concluir o mestrado em Geologia,
O seu quotidiano é o de um estudante normal, feito de estudo e das pequenas alegrias que lhe proporciona o aconchego do lar, na companhia do filho e da esposa. No pouco tempo livre, compõe música, e, aos fins de semana, encontra-se com os amigos. Segundo dados seus, a comunidade angolana, constituída por cerca de duzentos jovens indivíduos, é a mais numerosa de todas as comunidades estrangeiras da Universidade da Amizade dos Povos.
Do ponto de vista do jovem luandense, não existe diferença entre o DeneXL dos palcos e o Denérido Cudidissa de vinte e cinco anos de idade. Quando compõe tenta não só exprimir a sua sensibilidade pessoal, como também “aquilo que os outros são e vivem”. Põe-se “na pele de uma outra pessoa para transmitir.”
Na vida como no palco, DeneXL define-se como “uma pessoa directa, de intervenção”.

quinta-feira, junho 04, 2009

Ministério da Defesa acusa Polónia de ser a culpada do início da Segunda Guerra Mundial


O Ministério da Defesa da Rússia considera que foi a Polónia e não a Alemanha que provocou a Segunda Guerra Mundial de 1939-1945, tentando assim rever mais uma página da História Universal do séc. XX.
“Todos os que estudaram não tendenciosamente a história da Segunda Guerra Mundial sabem que ela começou devido à renúncia da Polónia satisfazer as pretensões alemãs, sendo as exigências da Alemanha bastante moderadas: incluir a cidade livre de Danzig no Terceiro Reich, permitir a construção de caminhos de ferro e estradas extra-territoriais, que ligassem a Prússia Oriental à Alemanha”, escreve o coronel Serguei Kovaliov, do Instituto de História Militar do Ministério da Defesa na Rússia.
“É difícil considerar infundadas as duas primeiras exigências”, sublinha o militar no artigo “Especulações e Falsificações na avaliação do papel da URSS na véspera e durante a Segunda Grande Guerra”, publicado na secção “A História contra a mentira e as falsificações” do sítio electrónico do Ministério da Defesa.
O coronel repete, para apoiar a sua tese, as justificações da invasão da Polónia, apresentadas pelos dirigentes da Alemanha nazi em Setembro de 1939.
“A esmagadora maioria dos habitantes de Danzig, separados da Alemanha pelo Tratado de Paz de Versalhes, era constituída por alemães, que desejavam sinceramente a reunificação com a pátria histórica... A propósito, ao contrário das fronteiras ocidentais, a Alemanha nunca reconheceu voluntariamente as mudanças territoriais feitas a Oriente pelo Tratado de Versalhes”, escreve Serguei Kovaliov.
O historiador militar sublinha que Varsóvia respondeu com uma “negativa decidida”, porque “tentava obter o estatuto de grande potência” e as suas “ilusões infundadas” eram apoiadas pelos países vencedores na Primeira Guerra Mundial.
(caros leitores, isto não vos faz lembrar nada na história recente da Rússia?)
(Se esta tese for verdadeira, então a Rússioa deverá devolver Kalinninegrado à Alemanha?)
O coronel defende também a tradicional tese soviética de que Estaline não teve outra alternativa do que assinar o Pacto Molotov-Ribbentrop, pois a URSS precisava de adiar o início da guerra para preparar novas linhas de defesa a ocidente da antiga fronteira soviética.
Esta artigo faz parte da campanha iniciada pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, com a criação de uma comissão especial para “combater as falsificações da História”.

quarta-feira, junho 03, 2009

Passem, finalmente, das promessas à prática




Caros leitores, peço desculpa por só agora estar a escrever, mas a actividade profissional a isso obriga. A razão de tão longa ausência foi uma ida à vila de Pretchistoe, no Distrito de Iaroslavl, onde passei dois dias a ver como vive Alexandra e a sua mãe Natália Zarubina.
As condições em que a criança vive, e isto já não deve ser nenhuma novidade nem para os portugueses, nem para os russos, podem ser consideradas humanas se analisadas há luz de meados do séc. XX, ou talvez até de antes.
A vila de Pretchistoe, que em russo significa “limpíssima”, “bem limpa”, é uma vila como outros milhares de localidades russas, com casas novas e velhas, estradas sofríveis e más, etc., etc.
Mas, aqui, o dramático e o importante é constatar que a casa da família Zarubin não tem o mínimo de condições de vida. Construída de madeira, é velha, está inclinada, não tem canalização, nem sequer retrete.
Trata-se de uma família que vive com grandes dificuldades económicas, o pai e o irmão de Natália não deixam dúvidas que nunca perdem a mínima oportunidade de consumir bebidas alcoólicas em quantidades significativas.
Quanto à mãe da Alexandra, nos dois dias em que lá estive, pude constatar que ela não tinha bebido álcool… e nada mais. Diz-se decidida a não voltar mais a Portugal e a refazer a vida na Rússia…
A menina tem bom aspecto e ainda não entende o que se passa.
Resumindo, porque o tempo aperta, vão lendo o que tenho escrito para a Lusa e vejam hoje a SIC, pois as imagens valem mais do que mil palavras.
Tenho recebido dezenas de mails de leitores a perguntarem o que se pode fazer e aproveito para responder a todos: é preciso passar das promessas aos actos para ajudar a Alexandra e a sua família russa.
Não vou discutir mais se o Tribunal de Guimarães decidiu bem ao mal, se a criança saiu ou não legalmente de Portugal, etc. Isso são perguntas às quais as autoridades portuguesas devem responder.
Nem vou discutir se as autoridades russas estão a cumprir ao não o que prometeram no tribunal de Guimarães, porque vi que nada estão a fazer. A menina tem sido visitada por médicos, polícias encarregados de menores, funcionárias da Segurança Social, dezenas de jornalistas russos e portugueses, mas os resultados são praticamente nulos.
A justificação de que Alexandra vive “como vivem muitos outros milhares de crianças russas” não me satisfaz nada, pois, pelo menos em relação à menina, as autoridades russas comprometeram-se perante um tribunal. A Rússia, que pretende ao estatuto de superpotência, tem enormes riquezas naturais, é um Estado soberano e, por isso, os seus dirigentes e só eles podem resolver este tipo de situações.
Aos portugueses, digo: arranjem forma de fazer chegar à mãe da Alexandra ou a alguma organização de defesa dos direitos da criança na Rússia idónea meios financeiros e outros para melhorar a vida desta família. Não consigo imaginar mais nada.
Mas deixo aqui um aviso: cuidado com os impostores que poderão tentar utilizar esta situação.

terça-feira, junho 02, 2009

As desventuras de Tintim na Rússia


A Rússia foi talvez o último país do mundo aonde chegaram os livros de Tintim, não obstante este herói da BD ter tido a sua primeira aventura precisamente no "País dos Sovietes".
O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se “Os Charutos do Faraó”.
Os especialistas russos em história da banda desenhada não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé “Tintim no País dos Sovietes” (1929), obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada “anticomunista” e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.
Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra “Moscou sans voiles”, de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética.
Alguns episódios do primeiro álbum de Hergé são uma ilustração exacta de episódios descritos por Joseph Douillet, como, por exemplo, “as eleições democráticas” na aldeia com uma pistola apontada à cabeça.
Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de banda desenhada europeia consideram aí residir uma das causas da “falta de qualidade” dessa obra.
“Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma banda desenhada bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina, reconhecendo, porém, que “há lugares divertidos”.
Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o facto de “Tintim no País dos Sovietes” ter sido “o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado”.
“Só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um”, sublinha Khatchaturov.
Não obstante o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros heróis da banda desenhada como Astérix. “Os Charutos do Faraó” foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado livreiro tão imenso como é o russo.
Tintim parece ter-se irremediavelmente atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem sovietes.