segunda-feira, agosto 10, 2009

Impressões da Tchetchénia

"Eu,culpado? Provem!"

Entrada da residência de Ramzan Kadirov em Gudermes

Avenida Vladimir Putin, Grozni


Caros leitores, tal como estava planeado, eu realizei uma visita, há muito tempo esperada, à Tchetchénia. As impressões são muitas. O objectivo era entrevistar Ramzan Kadirov, Presidente dessa república do Cáucaso russo, mas ainda tive tempo de passear por Grozni, falar com as pessoas.
Antes de publicar o texto sobre as peripécias do encontro com Ramzan Kadirov, quero salientar que os tchetchenos são um povo muito hospitaleiro e atencioso. Isso permitiu falar com bastantes pessoas em Grozni e ficar com uma ideia da cidade que renasce das cinzas.

A entrevista com o Presidente da Tchetchénia, Ramzan Kadirov, estava marcada para o sábado, mas logo que os jornalistas aterraram na capital tchetchena, na sexta-feira, foram avisados de que o encontro poderia ter lugar a qualquer momento.
“O Presidente Kadirov é imprevisível, tem uma agenda muito cheia, movimenta-se muito. Por isso, não podemos dizer qual a hora certa da entrevista”, informou um funcionário do centro de imprensa da Presidência tchetchena.
“Ramzan Kadirov está em toda a parte”, respondeu o funcionário, com o característico humor caucasiano, à pergunta: “Onde se vai realizar a entrevista?”.
As horas passavam, a noite aproximava-se, mas as informações que chegavam do centro de imprensa continuavam a ser pouco precisas. O primeiro sinal chegou ao hotal cerca das dez da noite, quando nos foi dito que deveríamos estar prontos em quinze minutos para sair.
Uma carrinha da Administração Presidencial recolheu-nos no hotel e dirigiu-se a alta velocidade para fora de Grozni, desrespeitando todas as normas do código de estrada. O encontro não se realizaria no palácio presidencial da capital tchetchena.
Passámos a cidade de Argun e, depois de percorrer cerca de 40 quilómetros, quando nos aproximávamos de Gudermes, outra cidade tchetchena, a carrinha parou junto de uma quinta iluminada com lâmpadas com as cores da bandeira tchetchena: verde, branca e vermelha.
As barreiras e homens barbudos, armados com metralhadoras Kalachnikov, vestidos de forma a que era difícil distinguir se estavamos perante agentes da autoridade ou guerrilheiros, eram um sinal de que ali vivia alguém que necessita de protecção.
Depois da revista de gravadores, máquinas fotográficas e telemóveis, a carrinha transportou-nos através de um parque onde havia um hipódromo (Ramzan Kadirov é um grande admirador de corridas de cavalos) e vários edifícios, entre os quais uma pepuena mesquita, uma jaula com um casal de leões, aves exóticas como pavões e outras.
Um novo e longo compasso de espera foi preenchido com conversas com funcionários do centro de imprensa de Ramzan Kadirov sobre a guerra na Tchetchénia e a situação no Cáucaso.
Já passava da uma hora da manhã quando fomos convidados a entrar na residência do Presidente tchetcheno. Descalçámos os sapatos junto da porta da entrada, como manda a tradição muçulmana, e entrámos numa sala de bilhar, onde Kadirov, vestindo um fato de treino, disputava uma partida com um dos seus seguranças.
Foi ainda preciso esperar mais um pouco para que o Presidente trocasse o fato de treino por uma camisa Dolce & Gabbana e se sentasse à secretária do seu gabinete.
Ramzan Kadirov, com intensa gesticulação e emoção, como é próprio dos homens do Cáucaso, respondeu a todas as perguntas, sem fugir às mais desagradáveis. Os gestos tornavam-se mais frequentes e a voz subia de tom quando se defendia das acusações de estar por detrás de assassinatos de adversários políticos e defensores de direitos humanos.
O dirigente tchetcheno nem sequer escondeu a sua preferência face aos actuais dirigentes russos.
“Putin é o meu herói, estaria disposto a dar a vida por ele. Gostaria que ele fosse Presidente da Rússia!”, exclama Kadirov, mas acrescenta: “O Presidente da Rússia é Dmitri Anatolevitch Medvedev, é perante ele que respondo”.
Eram três da manhã quando Ramzan Kadirov retomou a partida de bilhar, depois de se despedir dos jornalistas.
“Ninguém sabe quando é que o nosso Presidente dorme, descansa ou trabalha. Pode acordar de madrugada e dirigir-se para as montanhas, ou realizar reuniões de trabalho”, revela à Lusa um funcionário da Presidência.



Fez-me lembrar José Estaline, que também gostava de trabalhar à noite, podendo levantar da cama os seus ministros a qualquer hora da noite.

domingo, agosto 09, 2009

Navio mercante com tripulação russa desaparece junto da costa portuguesa



A Marinha de Guerra da Rússia segue com atenção o desaparecimento do navio de carga Arctic Sea e já deu as indicações necessárias aos seus navios, lê-se num comunicado divulgado hoje em Moscovo.
O navio de carga Arctic Sea, com tripulação russa de 13 homens, deixou de estar em contacto com terra junto da costa portuguesa, escreve hoje a edição electrónica do Sovfakht, jornal especializado em transportes marítimos.
Segundo o director deste jornal, Mikhail Voitenko, o navio, que navegava sob bandeira de Malta, deveria ter chegado a um porto argelino no passado dia 04 de Agosto, mas não existe qualquer tipo de comunicação com ele desde 28 de Julho.
“O navio literalmentente desapareceu, não há comunicação com ele, nem o armador, nem os parentes sabem da sua localização. O navio está a ser procurado por todos os serviços, incluindo armadas militares”, acrescentou.
“Um navio desse tipo não pode desaparecer facilmente, não podia afundar-se antes de lançar um SOS, isso é simplesmente impossível”, frisou.
Na sexta-feira passada, a rádio finlandesa informou que o navio teria sido desviado no Mar Báltico, quando navegava da cidade de Ikovstadt rumo à Argélia.
Segundo o diário Helsingin Sanomat, citando autoridades portuárias espanholas, o navio de carga não atravessou ainda o Estreito de Gibraltar.
Emm Moscovo não se exclui a possibilidade de este desvio do navio de carga estar ligado ao tráfico de droga.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Parlamento da Ossétia do Sul nomeou o primeiro-ministro



Para os leitores que não compreenderam os meandros financeiros na Ossétia do Sul, que vive exclusvamente à custa do Orçamento da Rússia, deixo aqui um texto que escrevi para a Agência Lusa hoje:

"O Parlamento da Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, cuja independência foi reconhecida pela Rússia, nomeou o cidadão russo Vadim Brovtsev (na foto), para o cargo de primeiro-ministro.
Na véspera, Eduard Kokoiti, Presidente osseta, demitiu Aslanbek Bulatsev de chefe do governo da Ossétia devido “ao seu estado de saúde”.
A candidatura de Brovtsev, apresentada por Kokoiti, foi aprovada, em votação secreta, por 24 dos 27 deputados do Parlamento.
Vadim Brotsev, 40 anos, ocupava o cargo de director de uma companhia de construção civil da cidade russa de Tcheliabinski, nos Urais.
Esta troca de um ossete por um russo no cargo de primeiro-ministro poderá ter a ver com o desaparecimento dos meios financeiros canalizados pela Rússia para a reconstrução da Ossétia do Sul.
“Recentemente, uma missão do Tribunal de Contas da Rússia esteve na Ossétia do Sul e constatou que muito do dinheiro enviado tinha desaparecido nos meandros da corrupção local”, declarou à Lusa por telefone uma fonte em Moscovo.
“Trata-se claramente de uma tentativa de aumentar o controlo de Moscovo sobre os dirigentes da Ossétia do Sul”, frisou.
“Por outro lado, o Kremlin sublinha uma vez mais que é senhor da situação naquela república”, concluiu a fonte."

terça-feira, agosto 04, 2009

Ossétia do Sul encerra fronteira com Geórgia

A fronteira estatal da Ossétia do Sul com a Geórgia será encerrada à meia noite, declarou hoje o Presidente osseta, Eduard Kokoiti, citado pela agência interfax.
Numa reunião com dirigentes dos serviços de segurança em Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, Kokoiti invocou, como razões para justificar essa decisão, as “provocações cada vez mais numerosas da parte georgiana nos últimos tempos, bem como o perigo da entreda na Ossétia do Sul da “gripe suína”, alguns casos da qual foram registados na Geórgia.
Segundo Kokoiti, a proibição da travessia da fronteira diz respeito tanto a veículos como a peões. Entretanto,
Tbilissi já reagiu à decidiu de Moscovo de pôr o seu contingente militar em estado de alerta. “As tropas russas encontram-se no território da Geórgia de forma completamente ilegal, elas ocupam hoje cerca de 20 pc do nosso território”, declarou Alexandre Nalbandov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Geórgia.
Segundo ele, “as declarações sobre o reforço da preparação militar dos militares e guarda-fronteiriços russos que se encontram na Ossétia do Sul, são até curiosas”.
“Elas contêm uma ameaça aberta de emprego da força contra a Geórgia”, frisou.
Nos últimos dias, as relações entre Moscovo e Tbilissi agudizam-se, acusando-se mutuamente de ataques armados na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, mas cuja independência é reconhecida pela Rússia.
P.S. Gostaria de chamar a atenção para uma das causas do encerramento da fronteira: a gripe suína. O Sr. Kokoiti deveria ter inventado algo mais inteligente. Na Geórgia h~´a apenas 12 casos de gripe A H1V1.
Seria mais importante analisar se toda esta agudização da crise na Ossétia do Sul não tem a ver com o desaparecimento dos meios financeiros canalizados pela Rússia para a reconstrução do "novo Estado independente".

segunda-feira, agosto 03, 2009

Uzbequistão não quer base militar russa no Quirguistão

O Uzbequistão opõe-se à instalação de uma nova base militar russa no sul do Quirguistão porque desestabilizará a situação na região, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão num comunicado.
“O Uzbequistão considera que não existe necessidade alguma de instalar uma nova base militar russa no sul do Quirguistão, uma zona complicada e pouco previsível onde se juntam as fronteiras de três países e onde se poderá desestabilizar a situação”, assinala-se no comunicado.
Moscovo revelou os seus planos de criar uma nova base militar no Quirguistão depois de assinar, no dia 01 de Agosto, o memorando “Sobre as intenções da Rússia e do Quirguistão de desenvolver o marco legal que regula o estacionamento de unidades militares e o aquartelamento de contingentes adicionais russos no território do Quirguistão”.
Segundo este plano, Moscovo pretende instalar um contingente militar adicional que incluirá um batalhão e um centro de instrução para preparar militares russos e quirguizes.
A Rússia tem já uma importante base aérea militar em Kant, nos arredores de Bichkek, capital do Quirguistão, perto da base área militar norte-americana de Manas. Estas bases foram criadas a pretexto de travar o alargamento do extremismo islâmico à Ásia Central e de apoiar a luta contra os talibãs no Afeganistão.
“Esses planos podem provocar processos de militarização e dar início a manifestações nacionalistas e extremistas capazes de desequilibrar seriamente a situação neste vasto território”, assinala a diplomacia uzbeque.

domingo, agosto 02, 2009

Acusações de Moscovo são “ameaça aberta” - diplomacia georgiana

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia condenou hoje a declaração do Ministério da Defesa da Rússia onde se acusa as autoridades georgianas de provocações contra a Ossétia do Sul.
Segundo a diplomacia de Tbilissi, as acusações são “absolutamente infundadas” e a declaração é considerada uma “provocação aberta contra a Geórgia”.
Além disso, na declaração sublinha-se que a posição de Moscovo “visa desestabilizar a situação na região e encaminhar os acontecimentos segundo um cenário perigoso”.
O Ministério da Defesa da Rússia advertiu, ontem, que utilizará a força para defender a Ossétia do Sul e os soldados russos aquartelados nessa república caso a Geórgia não suspenda os ataques contra essa sua república separatista.
“Esses ataques causam sérias preocupações. E no caso de mais provocações que ameaçem a população da Ossétia do Sul e o contingente russo, o Ministério da Defesa da Rússia reserva-se o direito de empregar toda a sua força e recursos disponíveis para defender a população civil e as tropas russas”, sublinha-se num comunicado desse ministério.
Segundo ele, nos últimos dias, desde o território da Geórgia que se têm realizado ataques contra povoações da Ossétia do Sul e Tskhinvali, capital dessa república, sem, até ao momento, provocar vítimas.
“Num cenário similar desenvolveram-se, em Agosto de 2008, os acontecimentos que conduziram à agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul e os ataques contra as tropas de paz russas”, acrescenta-se no comunicado do Ministério da Defesa.
Horas antes, o Ministério da Informação da Ossétia do Sul anunciou que um posto de observação militar desse território tinha sido atacado na manhã de Sábado com fogo de morteiros a partir do território da Geórgia.
A 30 de Julho, Geórgia e Ossétia do Sul trocaram acusações sobre as origens do tiroteio que se produziu durante a noite na zona de Tskhinvali, sem causar vítimas, nem destruições.
Trata-se da primeira onda de incidentes depois da Rússia ter intervindo militarmente contra a Geórgia, a 08 de Agosto de 2008, a pretexto de defender os seus cidadãos e tropas de manutenção da paz na Ossétia do Sul.
Essa guerra terminou com um cessar de fogo assinado entre a Rússia e a Geórgia, tendo a União Europeia actuado como intermediária. Em Setembro do mesmo ano, Moscovo reconheceu a independência não só da Ossétia do Sul, mas também da Abkhásia, outra república separatista da Geórgia.
Até agora, esta iniciativa do Kremlin recebeu o apoio apenas da Nicarágua.

Contributo para a História (Moçambique)


Guennadi Luchenok foi um dos pilotos militares soviéticos que combateu em Moçambique ao lado da FRELIMO.
Aqui fica parte de uma entrevista por ele concedida ao jornal “Vesti Segodnia”, orgão de informação publicado na Letónia (país onde actualmente reside) em língua russa. Luchenok tripulava um caça MIG-17 e combateu em Moçambique em 1979. Os aviões de combate soviéticos chegavam por mar ao porto de Nacala.
“Deram-nos várias vacinas, mas, no fundamental, recomendavam tratar com álcool todas as doenças incuráveis para os europeus. Viajavamos para África como uma equipa de desportistas, em aviões civis, tínhamos passaportes diplomáticos verdes. Se bem me recordo, partimos no Outono e chegámos ao Hemisfério Sul no zénite do Verão”, recorda.
Guennadi, que esteve apenas uma vez no Maputo, pois os caças soviéticos estavam estacionados “num ponto completamente diferente do país, reconhece que também participou nos combates contra a RENAMO, “apoiada pela República da África do Sul e pela Rodésia do Sul”. “Do “outro” lado também havia aviões antigos: os americanos “Sabre” e “Super-Sabre”. Mas nunca tive de disparar contra eles; no fundamental, atacavamos alvos terrestres, peças de artilharia ou lança-mísseis. Voavamos a 1200-1800 metros. O MIG-17 estava muito bem armado, tinha duas metralhadoras de 23 mm e uma de 30 mm, enquanto que os “Sabre” americanos” tinham 6 metralhadoras de 12,7 mm. Mas o “Sabre” fazia ponjaria através de um sistema de rádio, enquanto que, no MIG, tínhamos de fazer contas de cabeça, ter em conta todos os ângulos, correntes aéreas que desviavam as munições”, continua o piloto.
“Eu disparava e bombardeava bem”, continua o oficial soviético, “Voei em Moçambique 150 horas, ou seja, realizei cerca de 250 voos... Tínhamos muitas limitações com o combustível, porque, os caças voam com mais êxito, e com menos consumo de combustível, a uma altura de 9-10 quilómetros”.
Quanto às baixas entre pilotos moçambicanos, o soviético recorda que, fundamentalmente, os aviões eram abatidos por peças de artilharia anti-aérea. “Eu comandava um grupo de 5 homens, dos quais 2 morreram. Eles catapultaram e lixaram-se. Lá, as leis são cruéis e só dificilmente fazia prisioneiros”, conclui.


quinta-feira, julho 30, 2009

Moldávia: resultados eleitorais que apenas colocam interrogações


Depois de contados 98% dos votos, a Comissão Eleitoral Central da Moldávia anunciou que o Partido dos Comunistas venceu o escrutínio com 45,1% dos votos (48 deputados), o Partido Liberal-Democrático ficou em segundo lugar com 16,4% (17 mandatos), o Partido Liberal conseguiu 14,4% (15 assentos), o Partido Democrático obteve 12,6% (13 lugares) e a aliança Nossa Moldávia - 7,4% (oito deputados).
Se estes resultados se concretizarem, os comunistas perderão a maioria que tinham no Parlamento (60 dos 101 deputados), alcançada no passado mês de Abril.

Mas antes de passar à análise dos resultados, gostaria de chamar a atenção para o facto de, em quatro meses, os comunistas terem perdido 22 deputados, ou seja, quase um terço dos votos. Este número parece dar razão à oposição que, em Abril, acusou os comunistas de falsificação dos resultados da eleição parlamentar, pois é muito difícil perder tantos deputados em tão pouco tempo. Ou talvez continue a ter razão o ditador comunista José Estaline, que dizia que "o importante não é em quem se vota, mas a forma como se contam os votos".
Nas parlamentares de Abril, os comunistas ficaram a um voto de puderem eleger o Presidente da República no Parlamento. Eram necessários 61, mas o Partido dos Comunistas conseguiu 60 e, desta vez, ao contrário do que acontecera anteriormente, não conseguiu arrastar para o seu lado nenhum deputado da oposição. Como as eleições de Julho foram convocadas porque o Parlamento não conseguiu eleger o Chefe de Estado de um dos países mais pobres da Europa, os resultados do último escrutínio vieram ainda mais complicar a situação.
Em nome do afastamento dos comunistas do poder e do enfraquecimento do domínio político e económico do clã do ainda Presidente da República, Vladimir Voronin, os partidos democráticos poderão conseguir formar Governo, mas este vai ser instável, porque há fortes contradições no campo anti-comunista.
Além disso, a situação económica e social da Moldávia é tão deplorável, que o futuro Governo terá tarefas titânicas para resolver.
As complicações internas poderão ser agravadas pelos problemas externos com que se debate esta antiga república da União Soviética.
A Moldávia enfrenta o problema do separatismo na Transdniestria, onde a maioria da população é russa e ucraniana, e na Gagaúzia, onde a população é predominantemente turcomana. Se o novo Governo tentar fazer uma política pró-romena ou pró-europeia, terá sérios problemas com esses territórios separatistas, que recebem o apoio de Moscovo.
As coisas ficarão ainda piores se o novo Governo fizer ressuscitar a adesão da Moldávia à NATO.

É de assinalar que a Rússia tem nas mãos fortes alavancas de pressão económica, como é o caso do boicote aos produtos agrícolas moldavos, principalmente ao vinho. Não foi por acaso que, durante a campanha eleitoral, Moscovo suspendeu as limitações à importação de vinho moldavo, que antes considerava não estar conforme as normas sanitárias.
Esta pesada derrota dos comunistas é, ao mesmo tempo, um revés para a política externa russa na região, se ela for analisada segundo o prisma da luta entre a Rússia, por um lado, e a UE e Estados Unidos, por outro lado.
Nada promete estabilidade no país e o primeiro teste será a eleição do novo Presidente da República. Se os comunistas não chegarem a um acordo com a actual oposição, sobre a figura do novo Presidente, será impossível a sua eleição, o que obrigará a uma repetição de eleições parlamentares. Um país tão pobre como a Moldávia não se pode dar ao luxo de realizar actos eleitorais tão frequentemente como acontece agora.


domingo, julho 26, 2009

Dirigentes russos reconhecem crise tecnológica no país


Vladimir Visotski, comandante-chefe da Marinha da Rússia, reconheceu, numa entrevista à agência Ria-Novosti, que os fracassos nos testes do míssil balístico intercontinental "Bulava" se devem "à crise no desenvolvimento das tecnologias na Rússia".
Seis dos onze ensaios, nomeadamente os últimos dois, falharam.
"Realmente, hoje existe uma crise nas áreas tecnológicas. O "Bulava" é uma prova fundamental que provará se a Rússia irá superar essa crise", acrescentou o almirante.
Estes fracassos levaram à demissão do académico Iúri Solomonov do cargo de director do instituto que fabrica esses mísseis que deverão equipar os submarinos de última geração. Mas os ensaios irão continuar para que o complexo militar-industrial russo não "perca a cara".
O almirante russo colocou o dedo numa das mais graves feridas da actual Rússia, ou seja, constatou que o país se atrasa em relação a outros no campo da investigação científica e tecnológica, correndo o risco de esse atraso se tornar irreversível.
Este retrocesso tem várias causas, algumas das quais têm origem no período que se seguiu ao fim da União Soviética. Nomeadamente, na "fuga de cérebros". Nessa altura, milhares de cientistas russos partiram para países estrangeiros (e não só ocidentais) à procura de melhores condições de vida e de trabalho. Além disso, as autoridades deixaram praticamente de investir na investigação científica, mantendo-se esta, muitas vezes, por carolice por cientistas.

A situação poderia ter mudado com a chegada de Vladimir Putin ao Kremlin, em 2000, e com o aumento brusco do preço do petróleo e gás nos mercados internacionais. Foram lançados alguns programas para atrair cientistas que tinham partido, bem como estrangeiros, mas tiveram pouco êxito. Os que decidiram regressar vêem-se confrontados com barreiras como a burocracia e a corrupção e optam por emigrar novamente.

A degradação do nível de ensino no país é outro factor que contribui seriamente para a crise nas áreas tecnológicas.

Outra via que poderia ter sido melhor aproveitada é a via da aquisição de novas tecnologias no estrangeiro, de produções inteiras, como, por exemplo, o caso da Qimoda, mas aqui, a julgar pelos resultados das inovações no complexo militar-industrial, também parece não ter havido grande aproveitamento.
Se há algum avanço sensível, ele existe na cooperação de empresas russas com estrangeiras. Por exemplo, o fabrico do avião de passageiros Superjet-100.
A direcção russa não soube aproveitar a chuva de dólares, provocada pelo aumento do preço do petróleo e gás, para modernizar e diversificar o seu tecido económico. Daí ser evidente que, entre os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Rússia não é uma locomotiva do desenvolvimento tecnológico, não me enganando se afirmar que, neste campo, é a"última carruagem".
Claro que seria um absurdo continuar a política soviética de "autosuficiência", quando tudo se fabricava no país, mesmo que os produtos tivessem pouca qualidade, mas também não é normal que um país como a Rússia, que tem pretensões a potência mundial, importe uma grande parte de produtos e bens que consome.
Portugal teve uma amarga experiência neste campo. Quando dos Descobrimentos, o dinheiro das especiarias (no caso da Rússia, leia-se petróleo e gás) ia para luxos e para pagar as dívidas contraídas pela Coroa junto de casas bancárias estrangeiras.

sábado, julho 25, 2009

Resposta do Senhor Bispo de Leiria-Fátima

Recebi a seguinte resposta de Sua Excelência, o Senhor Bispo de Leiria-Fátima, a propósito da minha carta sobre o ícone de Nossa Senhora de Kazan. Antes de a publicar, quero manifestar o meu agradecimento pela atenção dispensada.

"O Senhor Bispo de Leiria-Fátima recebeu as suas observações, que agradece e que leu atentamente.

O assunto apresentado será posto à consideração dos responsáveis.

Apresento respeitosos cumprimentos.


Vítor Coutinho
Chefe de Gabinete Episcopal"

quinta-feira, julho 23, 2009

“Obama de Volgogrado” é originário da Guiné-Bissau


Joaquim Crima, 37 anos, natural da Guiné-Bissau, era um dos muitos estrangeiros desconhecidos que viviam na Rússia, mas passou a ser conhecido por “Obama de Volgogrado” depois de ter decidido candidatar-se a presidente da junta de freguesia de Srednii Akhtubinsk, localidade que se situa no concelho de Volgogrado.
Crima, que terminou a Universidade Pedagógica de Volgogrado (antiga cidade de Estalinegrado), foi viver para Srednii Akhtubinsk há 12 anos atrás, casou-se com uma russa e considera-se russo, escreve o diário Nezavissimaia Gazeta, exigindo ser tratrado por Vassili Ivanovitch.
O guineense, que se dedica com êxito à venda de melancias numa estrada, foi buscar esse nome e patronímico a Tchapaev, herói comunista da guerra civil de 1917-1922 na Rússia e personagem principal de um famoso filme soviético homónimo.
Segundo órgãos de informação regionais citados pelo diário de Moscovo, “o negro Vassili Ivanovitch, que já passou a ser conhecido por “Obama de Volgogrado”, declarou que, se for eleito presidente da junta, irá trabalhar como um negro de manhã à noite em prol dos habitantes”.
O Nezavissimaia gazeta sublinha que a campanha eleitoral para o poder local no Distrito de Volgogrado adquire um carácter “cada vez mais escandaloso”, sublinhando que os candidatos, para vencerem, por vezes mudam a cor política, “nomeadamente no sentido directo”.
Baseando-se em opiniões de observadores locais, o jornal escreve, com ironia, que a candidatura do “Obama de Volgogrado” deve contribuir apenas para a reeleição do actual presidente da junta Vassili Romanov, porque “tendo como fundo um candidato negro derrotado, as boas acções e a firmeza do patriarca da política de Srednii Akhtubinsk devem ser mais visíveis”.
O Nezavissimaia Gazeta chama a atenção para o facto de Romanov estar a mudar de cor, mas, neste caso, cor política. Depois de ter sido, durante muitos anos, um “comunista inabalável” e crítico da “política de Vladimir Putin”, ele abandonou o Partido Comunista da Federação da Rússia e suspeita-se que passará a apoiar a Rússia Unida, força política do actual primeiro-ministro russo.

sábado, julho 18, 2009

Avó quer impedir que a criança viaje para Portugal

A avó de Alexandra Zarubina, a criança russa entregue à mãe após quatro anos com uma família de Barcelos, tenciona impedir que a menina viaje para Portugal, apesar de a mãe já ter admitido fazê-lo.

“Ninguém tenciona ir a lado nenhum. Eles confundem o sonho com a realidade”, declarou a avó de Alexandra, Olga Zarubina, numa entrevista à agência noticiosa Ria-Novosti, comentando as notícias de que a mãe da criança tenciona visitar Portugal com as duas filhas e o irmão.

Contactada anteriormente pela Lusa por telefone, Natália Zarubina, mãe de Alexandra, admitiu a possibilidade de visitar Portugal para ver as propostas de residência e emprego que lhe tinham sido oferecidas por entidades públicas e privadas portuguesas.

Segundo a avó, “os portugueses querem tentar fazer regressar Natália a todo o custo, para lhe tirar Sandra”.

“Eles (família de acolhimento) não precisam da Natália. Tentam atraí-la juntamente com a Sandra para Portugal, porque a menina está inatingível para eles na Rússia”, acrescenta a avó, sublinhando que as intenções da parte portuguesa estão longe de ser “boas”.

“Se eles realmente quisessem ajudar, há muito poderiam ter feito isso. Eu não sei para que precisam disto, mas não se trata de amor pela menina”, diz Olga Zarubina, insinuando haver “interesse” da parte da família que acolheu a criança.

A avó reconhece que os “portugueses” telefonam constantemente a Natália para a convencer a regressar com Alexandra, mas mostra-se categoricamente contra isso.

“Não excluo que Natália vá a Portugal para legalizar um documento, mas não permitirei que Sandra vá com ela. Se ela for, vai sem a filha”, frisou.

“Depois de conseguirem o seu objectivo, eles farão com Natália o que quiserem, não podemos excluir isso”, considerou.

Alexandra encontra-se na Rússia há quase dois meses e, na segunda-feira passada, passou a frequentar um infantário da vila de Pretchistoe, onde vive a família Zarubin.

sexta-feira, julho 17, 2009

Mãe increve-se em centro de emprego e criança ingressa em infantário


Natália Zarubina, mãe da menina russa que foi retirada à família de acolhimento portuguesa pelo Tribunal de Guimarães, inscreveu-se num centro de emprego e já lhe foram feitas propostas de trabalho que ela aceitou, noticia hoje o diário russo Komsomolskaia Pravda.
"O centro de emprego do concelho de Pervomainski [onde se situa o local de residência da família de Natália] já encontrou para ela emprego no campo da costura e na esfera da restauração", declarou ao jornal Liudmila Gurova, directora do centro de emprego.
"Natália não recusa as propostas feitas. Ela tem vontade de trabalhar", frisou Gurova.
Olga Kuznetsova, jornalista do Komsomolskaia Pravda que acompanha de perto o caso Alexandra, declarou à Lusa que a criança começou a frequentar o infantário de Pretchistoe (vila onde vive a família dos Zarubin) na segunda-feira passada e "já começou a criar amizades com as colegas".
Entretanto, o caso Alexandra continua a provocar discussões na sociedade russa. Anatoli Kutcheren, presidente da comissão para a reforma judicial da câmara social junto do Presidente da Rússia, reconhece que se trata de um "caso complicado", mas põe de lado a possibilidade da criança ser devolvida ao casal de acolhimento.
"Continuo hoje a considerar que o tribunal português tomou uma decisão legítima. Ele não tinha qualquer razão para separar à força a mãe da filha e entregá-la à família que a educou", declara Kutcheren numa carta publicada hoje na imprensa russa.
"Porém, continua o conhecido advogado russo, "a lei não pode abranger o inabrangível", ou seja, prever todas as colisões de que está cheia a vida humana".
"Por isso, em casos análogos, defendo sempre que as partes do conflito devem partir sempre dos interesses da criança, do seu bem-estar, tentando criar condições óptimas para o seu desenvolvimento físico e espiritual. Infelizmente, com muita frequência, vencem as ambições e o desejo doentio de defender, com todas as forças, a própria razão", frisa.
Anatoli Kutcheren defende que "não se deve fechar os olhos ao facto de a transferência da pequena Sandra Zarubina de uma família portuguesa, citadina e estável, para uma casa velha e mal cuidada no distrito de Iaroslavl ter criado para ela problemas enormes e constituído um factor psico-traumático".
"Ela praticamente não fala russo e não se compreende muito bem como poderá estudar na escola. Não tem ninguém com quem falar em português, por isso deverá esquecer a língua que, no fundo, é a sua língua natal, e desconhece-se se irá dominar plenamente o russo", sublinha.
O advogado também afirma estar preocupado com a forma como Natália Zarubina trata da filha, mas acrescenta: "Claro que agora não se trata de devolver a criança à família portuguesa, mas é necessário fazer tudo para que o seu destino seja feliz.
"Contactada por telefone pela Lusa, Natália afirma estar a ser controlada "como uma formiga à lupa" e desmente todas as acusações que são feitas na imprensa russa.
A mãe de Alexandra confirmou que está à procura de emprego, mas frisou que tenciona visitar Portugal, acompanhada das duas filhas e do irmão."Depois de pôr a documentação em ordem, vamos a Portugal e eu já dei essa notícia à Sandra", concluiu.




quinta-feira, julho 16, 2009

Humilde missiva dirigida ao Bispo de Leiria


À primeira vista, pode parecer estranho eu estar a utilizar o meu blog para me dirigir a Sua Eminência, D. António Agusto dos Santos Marto, bisbo de Leiria. Até porque tenho consciência de que o bispo não lê o meu blog.
Porém, o motivo, penso eu, justifica a missiva, acreditando eu que algum dos habitantes da Diocese de Leiria possa levá-la ao conhecimento do bispo.
Na quarta-feira, visitei Fátima com alguns amigos russos e, sempre que aí vou, levo os meus convidados ao templo bizantino que existe nesse lugar santo para muitos cristãos.
A maioria dos portugueses que vai a Fátima talvez não saiba que por detrás da basílica principal existe uma igreja cristã ortodoxa, mas ela está lá e simboliza a relação estreita entre as aparições e a história da Rússia do séc. XX.
O templo encontra-se no interior da Domus Paci (Casa da Paz), edifício pertencente à Divisão Azul e foi construído para albergar uma das maiores relíquias da Igreja Ortodoxa Russa: o ícone de Nossa Senhora de Kazan. Destaca-se pela sua cúpula em forma de cebola e pela cruz ortodoxa.
Eu ainda tive a possibilidade de ver em Fátima essa obra-prima da pintura religiosa russa, que foi enviada pelo Vaticano para a Rússia depois do comunismo ter deixado de ser poder nesse país.
Durante algum tempo depois da queda do comunismo, o templo bizantino estava aberto aos curiosos, mas só depois do aparecimento de uma numerosa diáspora ucraniana em Portugal é que esse lugar de culto passou a ser utilizado pelos greco-uniatas, tendência religiosa importante na Ucrânia que se destaca da Igreja Católica Romana porque tem um rito semelhante ao ortodoxo russo, mas que se aproxima, ao mesmo tempo, dessa mesma Igreja, porque reconhece a supremacia do Papa.
Não obstante as paredes do templo terem sido cobertas de símbolos ucranianos, incluindo uma bandeira amarela e azul da Ucrânia, aí podia-se ver reproduções fotográficas do famoso ícone russo.
Porém, da última vez que por lá passei, dei conta que todas as fotos de Nossa Senhora de Kazan tinham desaparecido. Dirigi-me à direcção da Domus Paci para tentar saber porque é que isso tinha acontecido e foi-me dito que se tratou de uma decisão do novo capelão do templo, sacerdote brasileiro da Igrega Greco-Uniata.
Felizmente, as reproduções retiradas estão bem guardadas e poderão regressar ao seu lugar.
D. António Augusto dos Santos Marto, dirijo-me a Vossa Eminência como historiador, para pedir que as reproduções fotográficas de Nossa Senhora de Kazan regressem ao seu lugar, pois foi essa imagem que deu origem à capela. Além disso, considero que Vossa Eminência poderia interceder junto da Igreja Ortodoxa Russa para que seja feita uma cópia do ícone original e afixada em Fátima, pois trata-se de um dos mais fortes laços espirituais entre Portugal e a Rússia, entre católicos e ortodoxos.
Desconheço o que o levou o novo capelão a tomar tal decisão, mas espero que não tenha sido tentado pelo demónio das lutas políticas entre igrejas irmãs. Isto é tanto mais estranho tendo em conta os esforços realizados por Bento XVI e Kirill I para aproximar ortodoxos russos e católicos.

Eminência, certamente saberá que aumenta o número de russos que visitam Fátima e posso dizer-lhe, por experiência própria, que para eles é uma revelação saber que a milhares de quilómetros da terra deles, numa pequena localidade chamada Cova de Iria, Nossa Senhora se preocupou com os destinos do seu país. Mas para que eles sinta isso mais profundamente, é importante, essencial, voltar a colocar nas paredes do templo bizantino as reproduções do ícone de Nossa Senhora de Kazan, protectora da Rússia.

Com o maior dos respeitos. José Milhazes, historiador e jornalista.

Mais um crime hediondo contra os direitos humanos

Um dos leitores do blog teve a gentileza de publicar esta tradução como comentário, mas eu publica como post dada a sua importância. Os comentários serão feitos no fim

"Activista assassinada na Rússia No dia 15 de Julho, às 8h00, junto ao seu apartamento em Grozny (Chechénia), foi raptada a jornalista e activista dos direitos humanos, colaboradora da sociedade “Memorial” chechena, Sra. Natália Estemirova. Natália Estemirova era a última voz incómoda da Chechénia, ela era famosa pela sua crítica do poder local. Nomeadamente, as suas denúncias mais recentes eram sobre a onda de raptos que se iniciou após o decretado fim da “operação antiterrorista” na república. Desde o Janeiro de 2009 na Chechénia foram raptadas cerca de 50 activistas dos direitos humanos.No mesmo dia, às 16h30 soube-se que Natália Estimirova foi assassinada, o seu corpo baleado foi encontrado nos arredores da aldeia Gazi – Yurt em Ingushétia. Hoje, dia 16 de Julho no centro de Moscovo no Parque Novo – Pushkin (estação do metro “Pushkinskaya”) das 17h30 às 19h00 será realizado um piquete em memória da activista assassinada.Natália Estemirova foi a primeira pessoa condecorada com o prémio Anna Politkovskaya (2007), ela também foi vencedora do Prémio do Parlamento da Suécia “Direito à Existência” (2004). Em 2005 foi condecorada pelo Parlamento Europeu com a medalha Robert Schumann".

Pouco há a acrescentar a esta notícia, a não ser repetir que os dirigentes da Tchetchénia e da Rússia condenam o crime e prometem descobrir os autores de mais este crime.

Mas, como tem acontecido até agora, os organizadores e autores deste tipo de crimes não são detidos, julgados e condenados. Por isso, fica sempre uma suspeita no ar que em nada dignifica os dirigentes da Tchetchénia e da Rússia.

segunda-feira, julho 13, 2009

Turquemenistão "dá gás" ao Nabucco

O Turquemenistão tem reservas de gás que poderá exportar, anunciou o Presidente turcomeno, Gurbanguli Berdimukhamedov, frisando que o seu país poderá fornecer combustível azul à Europa através do gasoduto Nabucco.
“O Turquemenistão, fiel aos princípios da diversificação da exportação de combustíveis para os mercados mundiais, tenciona utilizar as suas possibilidades para participar em grandes projectos internacionais, como por exemplo o projecto Nabucco”, declarou, numa reunião do Conselho de Ministros do seu país.
Esta declaração foi feita na véspera da assinatura pela Turquia e quatro países da União Europeia (Áustria, Bulgária, Hungria e Roménia) de um acordo sobre a construção do gasoduto Nabucco, pipeline que irá ligar a Ásia Central e a Europa ladeando o território russo.
Até muito recentemente, o Turquemenistão exportava o seu gás através de condutas russas, mas os recentes problemas com Moscovo levaram Ashkhabad a diversificar as vias de transporte do seu combustível. No passado dia 09 de Abril, a Gazprom reduziu fortemente a aquisição de combustível azul ao Turquemistão depois de uma explosão no gasoduto Ásia Central-Ásia, tendo o Governo turcomeno acusado a ,petrolífera russa de ter sido a causadora do acidente.
Além disso, a Gazprom propôs a Achkhabad reduzir a compra de gás turcomeno proporcionalmente à redução das exportações de gás russo para a Europa e rever as fórmulas dos preços.
Esta decisão do Presidente Berdimukhamedov vem dar mais força ao projecto de construção do gasoduto Nabucco, que, embora não liberte a União Europeia da dependência do gás russo, pelo menos conceder-lhe-á uma maior poder de manobra em situações semelhantes à da crise do gás entre Rússia e Ucrânia, no início do ano.
O Nabucco, que terá um comprimento de 3,3 mil quilómetros e irá custar cerca de oito mil milhões de euros, deverá estar pronto em 2014. A Rússia, porém, não desiste da construção do gasoduto South Stream, que deverá transportar gás pelos mares Cáspio e Negro até à Europa. Orçado em 8,5 mil milhões de euros, deverá entrar em funcionamento em 2015.
Antes da decisão tomada pelo Turquemenistão, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considerou o Nabucco um projecto sem perspectivas de rentabilidade. “Antes de investir milhares de milhões de dólares “num tubo” e enterrá-los, é preciso compreender aonde ir buscar o gás para esse tubo”, ironizou Putin a propósito do projecto Nabucco.
“É preciso ter em conta tuas componentes fundamentais. A primeira e principal é garantir os fornecimentos, possuir o produto. A segunda é a rentabilidade económica. No nosso projecto (South Stream) há gás e rentabilidade económica”, continuou.
“No que respeita ao Nabucco, é preciso fazer contas, mas essa questão deve ser feita aos que pretendem participar na realização do projecto”, disse ainda o governante russo.
“Agora, o Turquemenistão, rico em gás, deu uma resposta clara a essa questão”, comenta o jornal electrónico newsru.com.

sexta-feira, julho 10, 2009

De regresso a casa por uns tempinhos


Terão os leitores de me perdoar, mas talvez não vá, durante algum tempo, publicar notícias da Rússia todos os dias, pois também preciso de estar em Portugal a "carregar as baterias". Se algo acontecer de importante na Rússia ou nos países em redor, certamente que irei reagir. Gostaria também de comunicar que realizei a viagem entre Moscovo e Lisboa num avião da TAP, baptizado com o nome de Luísa Todi, cantora sadina que brilhou em muitos palcos da Europa do séc. XIX, incluindo os da Rússia. Além de ser uma viagem sem escala, directa, o que já não realizava há algum tempo, não posso deixar de sublinhar a simpatia do pessoal de bordo da companhia aérea portuguesa. Apenas pequenos reparos para que a TAP apresente um melhor serviço na linha Lisboa-Moscovo-Lisboa. Considero que já não era sem tempo se as instruções de segurança e outros anúncios na linha Lisboa-Moscovo-Lisboa soassem também em língua russa. Acreditem que não se trata de um pequeno pormenor, pois, além de haver muitos passageiros russos que não falam português e inglês, eles gostam de ouvir a sua língua natal. Não me perguntem porquê, talvez algum leitor russo me possa esclarecer, mas o facto é que os russos preferem, de longe, sumo de tomate a outros sumos e daí a TAP ter de reforçar os fornecimentos dessa bebida para que ela não falte a meio da viagem.
Alguns leitores poderão explicar esse gosto com o cocktail "Maria sangrenta", composto por vodka e sumo de tomate, mas não sei se assim é, porque, pelo menos no aparelho em que voei, notei que os passageiros bebiam sumo simples. Até porque, como voámos de madrugada (o avião partiu depois das cinco horas da manhã de Moscovo (duas em Portugal) e chegou a Lisboa por volta das oito horas) , essa altura não é a mais indicada para o consumo de bebidas alcoólicas.
Quanto ao resto, de mais nada me posso queixar e só desejo que a TAP voe durante muitos anos para a Rússia. Claro que aqui há um certo egoísmo da minha parte, pois gosto de voar directamente, mas os leitores que viajam compreender-me-ão.

quarta-feira, julho 08, 2009

Obama, samovar e balalaika...




Quando o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou à capital russa na segunda-feira, foi recebido por uma onda de frio e chuva de que não há memória na metereologia da Rússia, mas, na quarta-feira, quando foi tomar o pequeno almoço com Vladimir Putin, o Sol voltou a brilhar.
“Quero agradecer ao primeiro-ministro por ter organizado um tempo tão bom para nós em Moscovo”, declarou Obama, com um sorriso nos lábios, quando cumprimentou Putin.
Ao contrário da véspera, hoje em Moscovo o céu está limpo e o Sol brilha, a temperatura do ar aumentou significativamente.
“Muito obrigado”, respondeu o primeiro-ministro russo ao elogio de Obama.
Este episódio levou a pensar que Vladimir Putin poderia ter ordenado à Força Aérea da Rússia que impedisse a chegada de nuvens negras às proximidades da sua casa de campo, onde se realizou o pequeno-almoço, mas um porta-voz desse ramo das Forças Armadas declarou: “Não tenho informações sobre isso”.
Putin surpreendeu também o dirigente norte-americano com o pequeno almoço tipicamente russo. O olhar de Obama ficou preso por um homem, em trajes russos, que atiçava as brasas num samovar com uma bota de couro.
Assim os russos aqueciam a água para o chá antes do aparecimento da electricidade.
A ementa correspondeu aos mais altos padrões de um pequeno almoço russo. Nas mesas cobertas por toalhas que faziam lembrar lenços tradicionais russos havia beluga fumada com panquecas e marmelada de bagas selvagens, ovos com caviar preto e natas, ravioli de codorniz, gelados e gelatina de cereja.
Enquanto os hóspedes norte-americanos comiam, uma orquestra interpretava canções populares russos.
Obama partiu e o frio regressou a Moscovo. Mas será mesmo que Putin a senhor do tempo? Quando ia acreditar nisso, não fora a recepção que o primeiro-ministro russo fez ao Presidente norte-americano. Um país que pretende ser uma superpotência, que quer ser moderno, tenta mostrar ao hóspede como se bebia chá antes do aparecimento da electricidade na Rússia? Não teria sido melhor demonstrar como é que os russos irão fazer isso quando o desenvolvimento da nanotecnologia, uma das ideias muito acarinhadas pelos actuais senhores do Kremlin, der frutos reais no país?
Ou será que Obama acertou quando disse que Vladimir Putin tinha um pé no passado e outro no futuro?

terça-feira, julho 07, 2009

Barack Obama ouviu oposição russa


O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniu-se com dirigentes da oposição russa, tendo-se limitado a ouvir a opinião deles.
“Teve lugar uma troca de opiniões bastante livre. Obama, no fundo, não perguntou nada e cada um de nós disso o que achou ser necessário. Nomeadamente, eu falei da dificuldade no “reinício” das relações bilaterais, pois não existe confiança”, declarou Boris Nemtsov, dirigente da organização “Solidariedade”.
“Para a direcção americana, os valores básicos são a liberdade de expressão e a democracia, enquanto que para a nossa são a censura e o monopolismo do poder em tudo”, precisou.
Garry Kasparov, ex-campeão do mundo de xadrez e líder da Frente Cívica Unida, entregou a Obama uma lista de opositores russos perseguidos e assassinados, bem como de presos políticos. Boris Nemtsov trouxe “materiais sobre a corrupção na Rússia” e a advogada Elena Lukianova, militante comunista, entregou uma lista dos “juízes russos perseguidos”.
Serguei Mitrokhin, dirigente do partido liberal “Iabloko”, defendeu ser “indispensável desenvolver as relações russo-americanas para atrair a elite política e militar para projectos conjuntos, o que irá incentivar o desenvolvimento da democracia no nosso país”.
“A imprensão do encontro é muito positiva. Obama quer compreender o que se passa. Ele quer realmente encontrar uma via para renunciar ao confronto dos anos passados e não deslizou para a guerra fria”, considerou Leonid Gozman, dirigente do partido Causa da Direita.
Segundo Gozman, “ele não é um cínico. Nesse sentido, ele é, ao mesmo tempo, um parceiro difícil para os nossos dirigentes e com muita perspectiva”.
“Eu pedi-lhe para não acreditar que os russos não são como os restantes, que nós não estamos prontos para a democracia ou que precisamos de uma democracia especial. Somos como todos, acreditamos na liberdade e democracia como os restantes povos”, concluiu.

Obama prometeu a Putin ter em conta preocupações da Rússia


O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu ter em conta em maior medida as preocupações da Rússia face ao sistema de defesa antimíssil e os interesses russos no espaço post-soviético, declarou Iúri Uchakov, vice-chefe da chancelaria do Governo russo.
“Os americanos não fizeram nenhuma promessa clara, mas o processo de análise da situação geral continua, terminará dentro de algumas semanas ou meses. Obama disse que, durante essa análise, terá em conta, em maior medida, as preocupações russas”, precisou Uchakov, que participou nas conversações entre Obama e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
Os Estados Unidos tencionam instalar até 2013 dez mísseis interceptores na Polónia e um radar na República Checa sobre o pretexto da defesa contra a ameaça de um ataque do Irão. Moscovo receia que esse escudo ameace a sua segurança.
Barack Obama terá prometido também ter em conta os interesses russos no espaço post-soviético.
“Falou-se do espaço post-soviético, incluindo a Geórgia e a Ucrânia, da importância desses dois países e de todo o espaço post-soviético para a Rússia”, revelou Uchakov.
Segundo ele, “Todas as considerações de Vladimir Vladimirovitch (Putin) foram ouvidas com especial atenção e o Presidente Obama prometeu ter em conta as particularidades da nossa vizinhança com esses países”.
Iúri Uchakov informou igualmente que Putin “fez uma avaliação da situação nas relações entre os dois países e analisou as causas de alguns obstáculos na cooperação, bem como fez considerações de como desenvolver as relações com vista a mudar qualitativamente o seu carácter”.
“As conversações decorreram numa atmosfera muito aberta, livre e amiga”, acrescentou Uchakov.
“Não foram discutidos os direitos humanos. Não foram abordadas questões internas em geral”, concluiu.

Parlamento russo critíca posição da OSCE que equipara estalinismo e nazismo



A Rússia considera a resolução da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que de facto equipara o regime estalinista e o nazismo, uma tentativa de romper o diálogo entre a Rússia e o Ocidente, lê-se numa declaração hoje aprovada pelos dirigentes das duas câmaras do Parlamento russo.
Na passada sexta-feira, a Assembleia Parlamentar da OSCE, que reúne 320 deputados de 56 países, aprovou uma resolução que condena, em igual medida, o estalinismo e o nazismo.A resolução, cujo texto foi apresentado pela Lituânia e Eslovénia, recebeu oito votos contra e quatro abstenções, tendo a delegação russa boicotado a votação.No texto afirma-se, nomeadamente, que “os dois principais regimes totalitários, o nazismo e o estalinismo, trouxeram o genocídio, a violação dos direitos e liberdades do homem, crimes militares e crimes contra a Humanidade”.A Assembleia Parlamentar da OSCE condena “o elogio de regimes totalitários, incluindo a realização de manifestações públicas que glorifiquem o passado nazi ou estalinista”.
Os dirigentes da Duma Estatal e do Conselho da Federação da Rússia consideram que “foi feita uma tentativa mal encoberta de pôr ao mesmo nível a Alemanha nazi e um dos principais Estados da coligação anti-hitleriana e fundador da ONU: a URSS”.
“Trata-se de uma ofensa directa à memória de milhões de cidadãos nossos que deram a vida, durante a Segunda Guerra Mundial, pela libertação da Europa do jugo fascista, para que os seus descendentes vivam numa Europa pacífica e livre”, sublinham na declaração.
Os dirigentes parlamentares russos classificam de “inconsistente” o apelo da Assembleia Parlamentar da OSCE para fazer do dia 23 de Agosto, da assinatura do pacto soviético-alemão de 1939, o dia da memória das vítimas do totalitarismo.
“Como se a assinatura desse pacto não tivesse sido antecedida do vergonhoso “conluio de Munique”, que libertou as mãos de Hitler e predeterminou a direcção da agressão da Alemanha nazi para o Oriente”, assinalam, acrescentando que “os dirigentes das potências ocidentais ignoraram os esforços da direcção soviética com vista à criação de uma aliança anti-hitleriana ainda antes da guerra”.
Depois de constarem que semelhante tipo de resoluções não contribuem para o diálogo entre a Rússia e o Ocidente, os dirigentes parlamentares russos apelam aos povos e parlamentos dos Estados da OSCE para “não caírem em provocações anti-históricas”.
“Chegou a hora de colocar perante todas as organizações internacionais de prestígio a questão da responsabilidade pelos atentados contra a memória histórica em relação aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, pelo denegrir das acções dos participantes da coligação anti-hitleriana e pela justificação dos actos dos nazis e dos seus colaboradores”, concluem.

segunda-feira, julho 06, 2009

Medvedev e Obama satisfeitos com resultados das conversações


Os Presidentes da Rússia e Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, revelaram satisfação com os resultados das conversações realizadas do Kremlin, mas não esconderam divergências.
“A Rússia e os Estados Unidos têm uma responsabilidade especial pelo que se passa no mundo e estão prontos a contribuir para a solução dos problemas económicos e sociais globais”, declarou Medvedev na conferência de imprensa realizada após as conversações.
Segundo ele, os dois países têm “muitos pontos de contacto” e “o desejo comum de resolver os problemas globais económicos”.
“O trabalho que realizamos exige boa vontade, respeito mútuo e a tomada em conta honesta das posições da outra parte”, frisou.
O dirigente russo reconheceu, porém, que continuam a existir divergências entre Moscovo e Washington a respeito do escudo antimíssil que os Estados Unidos pretendem instalar no Leste da Europa.
“Aprovámos uma declaração conjunta sobre a defesa antimíssil, e isso é também um resultado importante do trabalho, mesmo compreendendo que, em relação a certas posições continuam a existir divergências”, revelou Medvedev.
Obama tomou a palavra para defender que “o sistema de defesa antimíssil não defende a América do poderoso arsenal de mísseis da Rússia e, por isso, não se deve ligar os problemas da redução de armamentos estratégicos ofensivos e do sistema de defesa antimíssil”.
Porém, Medvedev voltou a defender a posição russa, mas ressalvou que existem progressos na aproximação das posições russas e norte-americanas.
“Primeiro, os Estados Unidos reconheceram a existência de uma interligação entre os armamentos ofensivos e defensivos (entre a redução de armamentos estratégicos ofensivos e o sistema de defesa antimíssil)”, declarou o dirigente russo.
“Segundo, a nova Administração norte-americana fez uma pausa para reavaliar esse projecto, acrescentou.
Barack Obama apelou à cooperação russo-americana na luta contra a difusão de armas nucleares.
“Faremos tudo para que os países que querem elaborar programas nucleares pacíficos não utilizem esses conhecimentos para o desenvolvimento de programas nucleares militares”, frisou o dirigente norte-americano.
“A Coreia do Norte renunciou aos seus próximos compromissos e continua a desenvolver o seu programa nuclear. Além disso, constata-se a difusão de armas nucleares, o que pode conduzir não só a que os Estados nucleares possam ameaçar com armas nucleares cidadãos de outros países, mas também a que sujeitos não governamentais possam conseguir essas armas”, exemplificou.
O Presidente norte-americano sublinhou a importância da posição da Rússia sobre a autorização do trânsito de cargas e pessoal militares dos Estados Unidos para o Afeganistão através do seu território.
Obama defendeu a integridade territorial da Geórgia, mas acrescentou que “nenhum de nós está interessado num conflito militar”.
Interrogado sobre a eficácia do dueto Medvedev-Putin, Obama declarou: “juntos, trabalham muito eficazmente ”.
Vou esperar para ver, pois considero que as críticas e a desconfiança mútuas foram superadas rapidamente demais. Além disso, é cada vez mais claro que as cimeiras russo-americanas já não são tão importantes como as soviético-americanas para os destinos do mundo. Será isto positivo ou não? É discutível. Espero que o multipluralismo não se transforme em mais uma forma de anarquia nas relações internacionais, mas, por enquanto, parece estar a ocorrer precisamente o contrário.

Faleceu o escritor russo Vassili Aksionov


O célebre escritor russo Vassili Aksionov faleceu hoje aos 77 anos, informou o director do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Burdenko.
“Vassili Aksionov encontrava-se em estado crítico devido a um grave traumatismo recebido num acidente de viação”, precisou.
Vassili Aksionov nasceu em 1932 em Kazan, cidade nas margens do Volga. Filho de Pavel Aksionov, funcionário municipal, e Evguenia Guisburg, conhecida jornalista e escritora, o futturo escritor passou a infância na Sibéria, para onde os seus pais foram deportados por motivos políticos.
Em 1956, termina a Faculdade de Medicina de Leninegrado, tendo exercido a profissão de médico durante três anos. Em 1960, torna-se conhecido depois da publicação do seu romance Colegas, adaptado ao cinema em 1963. Na década de 60, publicou cerca de vinte obras literárias, entre as quais romances, novelas e peças de teatro: Pássaro de Aço, Sempre à venda, Em busca do género, etc.
Nos anos 70 do séc. XX, teve problemas com a censura soviética que proibiu a publicação de obras como Queimadura e Ilha da Crimeia.
Expulso da União Soviética e privado da cidadania soviética em 1980, Aksionov instalou-se nos Estados Unidos, onde leccionou literatura em várias importantes universidades norte-americanas.
Após a derrocada da URSS em 1991, o escritor volta a ver as suas obras publicadas no seu país. Em 2004, escreve o romance “Volterianismo e Volterianos”, onde explora os problemas dos limites da autonomia e da liberdade, tendo sido premiado com o Prémio Booker russo.
Em 2004, termina a triologia Saga de Moscovo, que foi levada ao cinema, e, em 2007, publica o romance Elementos Terrestres Raros.
No ano seguinte, foi galadoardo com a Ordem de Artes e Letras, um dos mais importantes prémios de França.
A sua obra provoca reacções diversas entre crírticos e leitores russos. Uns consideram-no um combatente contra o totalitarismo comunista, enquanto outros vêem nele um escritor anti-russo e politicamente tendencioso. Os seus temas principais são o destino da intelectualidade na sociedade totalitária, a limitação da liberdade.
Por isso, não escondia o seu desagrado face à actual política do Kremlin.
Na sua escrita, Aksionov recorreu frequentemente a métodos surrealistas e absurdos.
O Presidente e o primeiro-ministro russos, Dmitri Medvedev e Vladimir Putin, enviaram condolências à família do escritor.

P.S. Infelizmente, desconheço se alguma obra deste grande escritor foi traduzida para português.

domingo, julho 05, 2009

Medvedev e Obama assinarão um acordo sobre armas estratégicas nucleares


Os Presidentes da Rúsia e dos Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, assinarão um acordo sobre armas estratégicas nucleares (START) no fim das conversações no Kremlin, declarou hoje Serguei Prikhodko, assessor de Medvedev.
“O documento que assinarão os dirigentes russo e norte-americano não será juridicamente vinculante e só estabelecerá os pontos de referência para a elaboração de um novo tratado de armas ofensivas estratégicas que substitua o Tratado START-1 que expira a 05 de Dezembro de 2009”, explicou.
O Tratado START-1 foi assinado pela URSS e os Estados Unidos a 31 de Julho de 1991. Ele obriga cada uma das partes a limitar até 6.000 unidades o número de ogivas nucleares e até 1.600 o dos vectores. Ele prevê também inspecções recíprocas dos lugares de armazenamento e destruição das armas, trocas de informação.
Em 1993, a Rússia e os Estados Unidos assinaram o Tratado START-2 que previa uma redução importante de mísseis balísticos intercontinentais e de ogivas nucleares, mas a Rússia retirou-se desse tratado em 2002 em sinal de protesto contra o abandono pelos Estados Unidos do Acordo de 1972 que proibia a criação de sistemas de defesa antimíssil.
A 24 de Maio de 2002, a Rússia e os Estados Unidos assinaram um acordo sobre a redução dos seus potenciais estratégicos ofensivos até 1700-2.200 cargas nucleares de cada parte até 31 de Dezembro de 2012.
A 1 de Abril de 2009, os Presidentes russo e americano acordaram em Londres relançar as negociações sobre um novo Tratado START.
O assessor de Medvedev reconheceu desconhecer os números que podem figurar no acordo-marco, mas assinalou que Moscovo está disposto a aceitar reduções que possam ser controladas eficazmente e sejam mais radicais que as fixadas no START-1.
“Mas a Rússia deseja abordar o tema da redução de armas ofensivas estratégicas em ligação com o plano de defesa antimíssil dos Estados Unidos na Europa e pretende também incluir no documento a proibição de instalar armamento estratégico ofensivo fora dos territórios nacionais”, precisou.
Prikhodko assinalou que, em geral, a Rússia e os Estados Unidos têm divergências que continuam a ser objecto de discussão. Por exemplo, Washington projecta instalar ogivas não nucleares em vectores estratégicos.
“A execução de tais planos incidirá negativamente na segurança e previsibilidade estratégica”, defendeu o assessor de Medvedev.
Os dirigentes russo e norte-americano assinarão também uma declaração sobre a cooperação em matéria nuclear.
“Medvedev e Obama acordarão desenvolver a cooperação bilateral no sector nuclear e também cooperar com terceiros países nesse terreno e fortalecer o regime de não proliferação de armas nucleares”, precisou o assessor do Kremlin.
Segundo ele, Moscovo espera que Washington desenvolva os esforços necessários para que volte a ser apresentado para ratificação no Congresso dos EUA o Acordo de cooperação no uso pacífico da energia nuclear assinado em Maio de 2008.
Neste contexto, os presidentes irão analisar a situação criada em torno da Coreia do Norte e Irão.

sábado, julho 04, 2009

Políticos russos indignados com equiparação do estalinismo soviético e nazismo alemão



Políticos russos condenam a resolução da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa que condena o nazismo e o estalinismo e exigem que a Rússia reaja da forma “mais dura”.
Na véspera, a Assembleia Parlamentar da OSCE, que reúne 320 deputados de 56 países, aprovou uma resolução que condena, em igual medida, o estalinismo e o nazismo.
A resolução, cujo texto foi apresentado pela Lituânia e Eslovénia, recebeu oito votos contra e quatro abstenções, tendo a delegação russa boicotado a votação.
No texto afirma-se, nomeadamente, que “os dois principais regimes totalitários, o nazismo e o estalinismo, trouxeram o genocídio, a violação dos direitos e liberdades do homem, crimes militares e crimes contra a Humanidade”.
A Assembleia Parlamentar da OSCE condena “o elogio de regimes totalitários, incluindo a realização de manifestações públicas que glorifiquem o passado nazi ou estalinista”.
“Consideramos que a resolução, tal como foi aprovada, é um fenómeno vergonhoso para toda a Europa. As tentativas de colocar ... a União Soviética ao mesmo nível da Alemanha fascista são asquerosas quanto à sua essência e destruidoras para a própria Europa”, declarou hoje Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia.
Segundo ele, “a Rússia deve reagir a isso da forma mais dura. De qualquer forma: ou através de uma declaração, ou da ruptura de relações com essa organização”.
Oleg Morozov, vice-presidente da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo, considerou “inaceitáveis” as tentativas de colocar um sinal de igualdade entre o estalinismo e o fascismo.
“Há definições universalmente aceites, rígidas do ponto de vista do Direito Internacional, do que é o fascismo. Há as decisões do Tribunal de Nuremberga. Há os resultados da Segunda Guerra Mundial, que ninguém tem o direito de pôr em dúvida”, declarou Morozov, que é também dirigente do partido Rússia Unida, base de apoio do Kremlin.
“Outra questão completamente diferente é a questão de quem é Estaline, a sua herança, o regime por ele criado. Mas isso são questões completamente diferentes”, sublinhou.
Segundo ele, as tentativas de comparar o estalinismo e o fascismo são “uma forma indirecta de pôr em dúvida as decisões de Tribunal de Nuremberga”.

Moscovo considera inevitável ligação entre redução de armamentos estratégicos e sistema de defesa antimíssil


A Rússia espera um debate sério com os americanos sobre a defesa antimíssil quando da visita do Presidente Barack Obama a Moscovo, anunciou Andrei Nesterenko, porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros.
“Contamos com um debate muito sério sobre o problema do sistema de defesa antimíssil que está estreitamente ligado às questões da redução das armas ofensivas estratégicas”, acrescentou o diplomata.
No que respeita à redução de armas ofensivas estratégicas, ele frisou que “a consecução de acordos (START) que permitirão substituir o documento que expira em dezembro próximo (START-1) será objecto de uma atenção especial”.
Segundo o diplomata, “os presidentes farão um balanço do trabalho realizado e darão instruções aos peritos”.
A anterior administração dos Estados Unidos projectava instalar um radar na República Checa e dez mísseis interceptores na Polónia até 2013. A Rússia opõe-se a esse plano, não obstante representantes norte-americanos afirmarem que o escudo de defesa antimíssil visa impedir um ataque balístico da parte do Irão e que a Rússia não deve ver nele uma ameaça à sua segurança nacional.
O Tratado START-1, que expira em dezembro próximo, foi assinado pela URSS e os Estados Unidos a 31 de Julho de 1991. Ele obriga cada uma das partes a limitar até 6.000 unidades o número de ogivas nucleares e até 1.600 o dos vectores. Ele prevê também inspecções recíprocas dos lugares de armazenamento e destruição das armas, trocas de informação.
Em 1993, a Rússia e os Estados Unidos assinaram o Tratado START-2 que previa uma redução importante de mísseis balísticos intercontinentais e de ogivas nucleares, mas a Rússia retirou-se desse tratado em 2002 em sinal de protesto contra o abandono pelos Estados Unidos do Acordo de 1972 que proibia a criação de sistemas de defesa antimíssil.
A 24 de Maio de 2002, a Rússia e os Estados Unidos assinaram um acordo sobre a redução dos seus potenciais estratégicos ofensivos até 1700-2.200 cargas nucleares de cada parte até 31 de Dezembro de 2012.
A 1 de Abril de 2009, os Presidentes russo e americano acordaram em Londres relançar as negociações sobre um novo Tratado START.
É precisamente neste campo que o Kremlin espera maiores resultados da cimeira Obama-Medvedev, isto se os norte-americanos aceitarem a ligação entre os dois problemas.
“Recordo que a Rússia e os EUA têm, juntos, 95 pc de todo o potencial nuclear mundial, isso é realmente assim. Mas só poderemos descer mais abaixo do que certo nível se a outra parte não estiver total e completamente segura em relação a esse nível mais baixo. Porque, então, a outra parte também não será tentada a ser a primeira a tentar empregar a arma (nuclear)”, considera Konstantin Kossatchov, presidente do Comité para Relações Internacionais da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo.
Segundo ele, “por isso, essa ligação não surgiu nas nossas cabeças, ela existe objectivamente. E se não conseguirmos manter essa ligação, nós, objectivamente, não poderemos descer abaixo de um certo nível de armamentos estratégicos ofensivos”, acrescenta.
A adminnistração americana compreende que uma importante redução de armamentos estratégicos ofensivos poderá exigir no futuro uma ligação estreita com o problema do escudo antimíssil, considera Dmitri Simes, presidente do Centro Nixon (EUA), numa messa redonda dedicada à cimeira russo-americana.
“A administração Obama não considera que esta questão (a ligação das duas questões) implica uma solução absolutamente unívoca. Actualmente, é preciso prorrogar a acção do tratado START e este processo deve estar terminado antes de Dezembro, quando esse tratado expirar. Formalmente, será difícil impor uma relação entre os armamentos estratégicos e a defesa antimíssil, maspenso que a administração Obama compreende que profundas reduções de armamentos ofensivos estratégicos exigirão o estabelecimento de uma relação com a defesa antimíssil. E não penso que essa ideia seja rejeitada pela administração americana”, sublinha o perito norte-americano.

Recordando Anna Akhmatova


Anna AKHMÁTOVA (1889-1966)

Nascida perto de Odessa, passou grande parte da sua vida em Leninegrado. Casada com um oficial branco, fuzilado durante a guerra civil, não aceitou imediatamente a revolução, embora se recusasse a abandonar a Rússia. Se bem que pertencesse à União dos Escritores Soviéticos, os seus livros editavam-se pouco. Praticamente, só a partir dos anos 60 granjeou fama como poeta lírico. Em 1965 foi-lhe atribuído o prémio internacional Etna Taormina, da Academia Italiana, e o título de doutor “honoris causa” pela universidade inglesa de Oxford.
Poeta de um lirismo trágico, tanto pelo modo de sentir como pelas circunstâncias da sua vida, Akhmátova é uma das mais representativas continuadoras da tradição da poesia clássica russa, cujas infinitas possibilidades soube explorar.
A tradução do poema abaixo publicado é do meu saudoso amigo José Sampaio Marinho.

A MULHER DE LOTH

E a mulher de Loth olhou para trás
e transformou-se em estátua de sal.

E ia o justo atrás do enviado divino,
Enorme e claro, pela montanha de pez.
Mas algo à mulher disse num tom cristalino:
Ainda não é tarde, olha mais uma vez

As torres ígneas da tua natal Sodoma,
A praça onde cantaste, o pátio onde fiaste,
As vazias janelas da casa sem dona,
Onde o marido amado com filhos brindaste.

Olhou. Paralisados pela dor mortal,
Seus olhos mais não viram do que a noite escura,
E o seu corpo ficou de transparente sal
E os pés ágeis cravaram-se na terra dura.

Quem entre os homens tal mulher lamentará?
Não será ela a perda menor a chorar?
Só o meu coração jamais esquecerá
A que perdeu a vida por um só olhar.

sexta-feira, julho 03, 2009

Curiosidades de Pretchistoe


A vila de Pretchistoe, onde vive Alexandra, fica situada a 25 quilómetros de outra vila que tem um nome curioso de Liubim (Amado), a 362 quilómetros a norte de Moscovo e 91 da cidade de Vologda.


Não obstante ser pouco visível na foto, posso garantir que a sede local do Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro Putin, está instalada na mesma casa de madeira em que se encontra a agência funerária. O letreiro da Rússia Unida pode ser visto parcialmente entre o tronco de uma árvore e a parte de frente da casa, enquando o letreiro da funerária aparece em primeiro plano.

Analistas russos cépticos face ao futuro das relações entre Rússia e Estados Unidos


Os analistas russos olham com algum cepticismo para o futuro das relações entre Moscovo e Washington, considerando que isso se deve ao facto de os Estados Unidos não tencionarem fazer alterações sérias na sua política externa em relação à Rússia.
“Da parte russa (em comparação com as opiniões de analistas norte-americanos), o cepticismo é bem mais evidente, porque na Rússia não vêem mudanças reais na política americana e consideram que elas têm um carácter fundamentalmente cosmético”, considera Serguei Karaganov, presidente do Conselho para a Política Externa e de Defesa.
Karaganov apresenta como exemplos a recusa de Washington a travar o alargamento da NATO (à Ucrânia e Geórgia) e as tentativas de se esquivar à assinatura de um acordo sobre segurança europeia, proposta feita pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev.
Segundo este analista, as divergências são também provocadas pelo facto de Washington e Moscovo terem interesses vitais diferentes na arena internacional.
“Os interesses vitais ou se encontram a diferentes níveis, ou têm um peso radicalmente diferente para cada uma das partes”, sublinha.
“Entre os interesses vitalmente importantes dos Estados Unidos estão a saída digna do Iraque, a estabilização no Afeganistão, a conservação do Paquistão e o controlo das suas armas nucleares. E, em primeiro lugar, a não aquisição de armas nucleares pelo Irão, o que ameaça com um colapso as posições da América no Médio Oriente, região fulcral para ela”, explica Karaganov.
“Entre os interesses da Rússia estão o domínio no espaço post-soviético e a não permissão nesta área de alianças de outros países, a criação de uma nova arquitectura da segurança europeia e um sistema mais justo de direcção da economia mundial”, acrescenta.
Porém, Karaganov frisa que nenhuma das partes pode resolver os seus problemas vitais sem a cooperação entre elas.
Victor Kremeniuk, vice-director do Instituto dos EUA e Canadá da Academia das Ciências da Rússia, considera ser importante o que poderá provocar mudanças nas relações entre os dois países, acrescentando que “por enquanto, não vejo nada que possa levar a essas mudanças”.
Por isso, o analista defende que é necessário, no mínimo, elevar as relações russo-americanas ao nível conseguido por Mikhail Gorbatchov e Ronand Reagan, quando as partes realizavam consultas regulares.
“A Rússia receia revelar fraqueza se aceitar coordenar a sua política com os americanos. Os americanos receiam que a Rússia enfraqueça ainda mais e não é preciso aceitar compromissos excessivos”, sublinha Kremeniuk.
Uma sondagem realizada pelo Levada-Tsentr na Rússia mostra que 57 pc dos respondentes consideram que as relações russo-americanas não sofreram alterações depois da eleição de Barack Obama para o cargo de Presidente dos Estados Unidos. Em Janeiro, esse número era de 38pc.
Segundo este estudo, 56 pc dos russos consideram que a Rússia não deve aceitar a proposta de Washington de reduzir significativamente o número de cargas nucleares e dos seus vectores, tendo em conta os planos dos Estadosa Unidos de reforçar o seu sistema de defesa antimíssil.

Natália Zarubina tenciona visitar Portugal ainda este ano


Natália Zarubina, mãe de Alexandra, menina russa que foi retirada a uma família de acolhimento portuguesa pelo Tribunal de Guimarães, mostrou-se disposta a visitar Portugal e constatar no local as propostas que lhe foram feitas de habitação e emprego
“Talvez lá para a época do Natal ou do Ano Novo, quando tiver resolvido aqui questões burocráticas”, declarou Natália à Lusa, numa conversa telefónica.
“Na segunda-feira, a Sandra deverá ir pela primeira vez para o infantário em Pretchistoe (aldeia onde vive a família dos Zarubin), tenho andado estes dias com ela pelos médicos para que lhe dêem o atestado de saúde”, explica ela.
Olga Kuznetsova, jornalista do diário russo Komsomolskaia Pravda que hoje visitou a família dos Zarubin, declarou à Lusa que “Sandra fala cada vez melhor russo, tem bom aspecto e não passa um minuto parada”.
“Depois da menina começar a frequentar o infantário, eu terei tempo para tratar dos passaportes meu, da minha filha mais velha Valéria e do meu irmão, que também pretendem viajar comigo e com a Sandra a Portugal”.
Natália saiu de Portugal há mais de um mês com um passaporte russo caducado, precisando agora de tirar um novo para poder viajar para o estrangeiro.
“A preparação dos documentos demora algum tempo e, por isso, penso que não poderei viajar antes do Natal e do Ano Novo”, precisou.
O Serviço Federal de Imigração da Rússia, órgão que concede aos cidadãos passaportes, fixa um prazo de 30 a 45 dias para esse processo.
A mãe de Alexandra disse à Lusa que já comunicou à filha a possibilidade da viagem a Portugal, notícia que foi recebida com entusiasmo.
“Vou a Portugal para ver o que me propõem, receber garantias de que realmente as promessas são uma realidade e que não se trata de uma armadilha. Depois, tomarei uma decisão”, acrescenta Natália.
Dois presidentes de câmara e dois empresários portugueses comprometeram-se a conceder à família de Natália Zarubina, caso ela aceite voltar a Portugal com Alexandra, um apartamento perto da localidade da família Pinheiro, que acolheu a menina durante quatro anos, bem como um café para explorar e o pagamento das despesas com os transportes da Rússia para Portugal.
Na Rússia, Natália tem recebido visitas de representantes das autoridades, nomeadamente da Câmara Social junto do Presidente da Rússia, mas os apoios não chegam, além de quinze dias de férias numa casa de repouso no Distrito de Iaroslavl e 400 rublos (cerca de 09 euros) por mês de abono de família para as duas filhas.
A mãe e avó de Sandra pediram à Câmara Social para arranjarem uma casa para a família mais perto da cidade de Iaroslavl, onde seria mais fácil a Natália encontrar trabalho, mas não receberam resposta.
A mãe de Alexandra ainda não trabalha e as únicas fontes de rendimento da família são o salário da avó, contabilista num orfanato local, e a reforma do avô.
Segundo a jornalista Orga Kusnetsova, quando os representantes da Câmara Social perguntaram a Alexandra se ela queria voltar a Portugal, ela respondeu: “Claro, tenho lá mais dois cães!”.

quinta-feira, julho 02, 2009

Obama irá encontrar-se também com Putin e Gorbatchov


O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reunir-se-á com Vladimir Putin, actual primeiro-ministro russo, e Mikhail Gorbatchov, último Presidente da União Soviética, durante a sua visita à capital russa, escreve hoje a imprensa de Moscovo citando Denis McDonough, assessor do líder norte-americano.

Ambos os encontros decorrerão no próximo dia 07 de Julho, no segundo dia da visita de Barack Obama à Rússia.

“Na manhã de terça-feira, o Presidente terá um pequeno-almoço de trabalho com o primeiro-ministro Vladimir Putin e, mais tarde, reunir-se-á com o último Presidente da URSS, Mikhail Gorbatchov”, precisou McDonough.

Fonte diplomática em Moscovo declarou à Lusa que a organização do encontro com Vladimir Putin foi um dos pontos mais complicados no acerto da agenda da visita.“Washington compreende que as rédeas do poder na Rússia continuam, em grande parte, nas mãos de Putin, mas é necessário não ferir susceptibilidades, pois o cargo de Presidente é ocupado por Dmitri Medvedev”, precisou a fonte.

“A Rússia é, teoricamente, uma república presidencialista, mas os norte-americanos não podiam deixar de ter em conta a realidade dos factos”, concluiu.

A segunda-feira está reservada para as negociações e encontros informais com o dirigente russo Dmitri Medvedev. À noite, Obama e a mulher jantarão com o casal Medvedev.

O programa da visita de Obama inclui também uma intervenção na Escola Superior de Economia, com um discurso programático que se centrará nas relações russo-norte-americanas, um encontro com empresários russos e uma reunião com representantes de organizações não governamentais.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não acompanhará Obama a Moscovo por motivos de saúde.

quarta-feira, julho 01, 2009

Faleceu a "Amália Rodrigues russa"



Ludmila Zikina, uma das maiores vozes da canças popular russa, faleceu ontem aos 80 anos em Moscovo vítima de problemas cardíacos, informam as agências russas.
Ludmila Gueorguevna faleceu há uma hora atrás. Ela faleceu no hospital. Nos últimos tem, ela sofria de problemas cardíacos”, declarou Ksenia Rubtsova, directora da Fundação Ludmila Zikina.
A Artista do Povo da União Soviética, Ludmila Zikina, começou a sua carreira de intérprete no Coro Popular Russo de Piatnistski em 1947, tendo passado por outro coro importante como o Coro da Canção Russa da Rádio da URSS. Em 1960. iniciou uma carreira a solo, que a ela aos mais distantes recantos da União Soviética e do planeta.
“Amo-te Rússia”, “Corre o rio Volga”, “Vésperas nos arredores de Moscovo” são algumas das canções que fizeram um ícone de Ludmila Zikina, conhecida pela sua voz límpida e penetrante, que fazia chorar plateias.
Zikina, durante a sua carreira, gravou mais de duas mil canções populares russas, obras de compositores soviéticos e russos, bem como romanças russas. Editou discos com uma tiragem total superior a seis milhões de exemplares.
A cantora era, na era soviética, um dos símbolos do seu país, tão conhecida no estrangeiro como as matrioskas ou o caviar russo, tendo actuado em praticamente todos os países europeus, incluindo Portugal, bem como na América do Norte, América Latina, etc.
Além de Artista do Povo da URSS, título máximo que podia ser atribuído no seu país aos intelectuais, Ludmila Zikina foi premiada com a “Ordem da Honra” (1967) e a “Ordem de Lénine” (1979).
A sua popularidade não sofreu com o fim da União Soviética, tendo sido acarinhada e apoiada pelos três presidentes russos. Foi condecorada com as ordens “Pelos Serviços prestados à Pátria” do III, II e I graus, de “Veterana do Trabalho”, “Ordem do Apóstolo Santo André”.
A 20 de Maio de 1999, o Governo da Rússia decidiu chamar “Ludmila Zikina” a um diamante de 55,02 quilates, que se encontra no Fundo de Diamantes do Kremlin.
No passado 10 de Junho, o 80º aniversário de Ludmila Zikina foi festejado com um monumental concerto, organizado por Svetlana Medvedeva, esposa do Presidente russo.
Apoiada por outros artistas, a cantora ainda interpretou alguns dos temas que a imortalizaram.
Para mim, faleceu uma das grandes referências da música soviética e russa, um pouco da minha juventude. Quando me reunia com amigos russos, nos meus anos de estudante, bastava haver uma guitarra (se houvesse um piano, melhor ainda) para passar longas horas a cantar e nunca se passava ao lado das canções interpretadas por Ludmila Zikina.
Cruzei-me uma vez com ela no corredor do edifício onde a cantora viva, pois era vizinha de uma amiga da universidade. Tinha um ar imponente, sempre muito bem apresentada, enfeitada com ricos brincos e anéis, mas sempre muito simples, cumprimentou-nos com um enorme sorriso.
Os que a conheceram mais de perto dizem que Ludmila Zikina era uma mulher muito simples, como as mulheres russas do campo, de onde ela também era originária.
"Corre o rio Volga, Corre o rio longamente, e eu tenho apenas 17 anos. Por entre as neves alvas, corre o rio Volga..."
As comparações nem sempre são fiéis, seguras, mas, no caso de Ludmila Zikina, posso dizer, para os meus leitores que não ouviram a sua voz, que faleceu a "Amália Rodrigues russa".

Jogadores russos são obrigados a seguir o destino de Dostoevski


Vinte anos depois de na URSS ter sido autorizada a abertura do primeiro casino, a Rússia encerrou, às 24 horas de terça-feira, as casas de jogos, atirando os jogadores para os casinos virtuais ou clandestinos em todo o país.
A 01 de Janeiro de 2007, na Rússia entrou em vigor uma lei que ordena o encerramento dos casinos situados fora de quatro “zonas especiais de jogo” até 01 de Julho de 2009. Porém, as autoridades não cumpriram a segunda parte da lei, a criação das “zonas especiais” até à data.
No papel, estas foram criadas no Extremo Oriente e na região das Montanhas de Altai, na fronteira com a China; no distrito de Kalininegrado, enclave russo no Báltico; e na fronteira entre os distritos de Krasnodar e Rostov no Don, no sul do país, mas nada foi feito para construir aí novos casinos.
Segundo os proprietários dos casinos, esta medida lançou para o desemprego cerca de 350 mil trabalhadores, numa altura em que a falta de emprego é cada vez mais aguda na Rússia. Em Moscovo, fecham hoje as portas 29 casinos e 486 salas de jogo.
O Ministério das Finanças da Rússia reconheceu que, em 2008, os “jogos de azar” trouxeram impostos no valor de 26,4 mil milhões de rublos, ou seja, mais de 400 milhões de euros.
A fim de fazer cumprir a lei, as autoridades russas concentraram tropas especiais do Ministrério do Interior nas grandes cidades, onde se encontra o maior número de casinos e salas de máquinas.
Porém, os gerentes dos casinos não têm dúvidas de que os jogos de azar, que fazem movimentar anualmente mais de três milhões de euros, não desaparecerão, mas apenas se adaptarão à nova situação.
Parte significativa dos jogadores passarão a jogar na Internet e algumas das casas de jogo foram transformadas em “clubes de poker”, que não são proibidos pela nova lei. Além disso, muitas das máquinas de jogo foram adaptadas para a venda de bilhetes de lotaria.
As empresas que mantinham casinos e salas de jogo não tencionam mudar para as “zonas especiais”, pois a criação de novos locais requer grandes investimentos, mas admitem mudar-se para países vizinhos da Rússia, onde as leis do jogo são mais liberais.
A Moldávia, Roménia, Bulgária e Montenegro poderão ser alguns países para onde poderão os descendentes das personagens do famoso romance “Jogador”, de Fiodor Dostoevski.
No séc. XIX, o grande escritor russo, viciado no jogo, ia fazer apostas para os casinos na Alemanha, pois os jogos de azar eram proibidos no seu país.
Tatiana Dmitrieva, directora do Centro de Psiquiatria Social e Jurídica de Moscovo, considera que esta proibição irá fazer aumentar o número de pacientes dos psiquiatras.