sexta-feira, agosto 21, 2009

O Blog dos Leitores (MAKS)


A leitora Cristina Mestre fez a amabilidade de traduzir e enviar-me um texto sobre a MAKS, a maior exposição de armamentos da Rússia e uma das maiores do mundo. Aqui fica o texto com um grande agradecimento.


"MAKS-2009: UM SUCESSO LOGO NOS PRIMEIROS TRÊS DIAS
Moscovo, 21 de Agosto – RIA Novosti

Nos primeiros três dias do Salão Aeroespacial MAKS, destinados a delegações estrangeiras, empresas e especialistas, tornou-se claro que a mostra, não obstante a crise e as previsões pouco optimistas, já é um sucesso. Mostram-no o número de participantes , a qualidade das transacções anunciadas e efectuadas, o nível das novidades apresentadas.
Entre os acontecimentos mais significativos há a referir a assinatura de um contrato sem precedentes entre o Ministério da Defesa e a companhia Sukhoi sobre o fornecimento de caças-bombardeiros num valor superior a 80 mil milhões de rublos; o anúncio pela companhia RosAvia de um leilão para a compra, na Rússia e no Ocidente, de 65 aviões de fuselagem estreita, assim como a fixação definitiva dos prazos de início das entregas do Sukhoi Superjet 100.
Em geral, os participantes consideram que a crise não teve influência na qualidade do salão aeroespacial em Jukovsky, embora se queixem dos altos preços de participação no MAKS.

Construção aeronáutica e sector espacial continuam a ser prioridades
O primeiro-ministro Vladimir Putin participou na inauguração do salão aeroespacial, tendo expressado condolências aos “Russkie Vitiazi”, grupo de acrobacia aérea cujo comandante, Igor Tkachenko, morreu durante os voos de treino nas vésperas do MAKS.
O primeiro-ministro visitou os pavilhões, assistiu aos voos acrobáticos de equipas de pilotagem francesas, italianas e russas e (o mais importante) dirigiu uma reunião de trabalho sobre as questões de desenvolvimento do sector nacional de construção aeronáutica.
Durante esta reunião, Putin declarou que os sectores espaciais e de construção aeronáutica continuam a ser prioritários para o país. Assim, no quadro do apoio do Estado à recapitalização da empresa “Aviões Civis Sukhoi”, o Governo irá canalizar 3,2 mil milhões de rublos. Para fins idênticos, serão destinados à empresa “MIG” outros 15 mil milhões de rublos.
Não obstante, o primeiro-ministro alertou para o facto de o Estado não poder ajudar eternamente as empresas a pagar as dívidas. O dinheiro do Estado deve, em primeiro lugar, ajudar as empresas a tornarem-se verdadeiramente competitivas.
Putin deu orientações aos respectivos ministérios de prepararem, até 1 de Outubro, um programa de revitalização financeira do sector nacional de construção aeronáutica.
Tendo criticado a gestão pouco eficiente numa série de empresas do sector, Putin referiu-se especialmente à Corporação Aeronáutica Unificada (CAU), que integra os principais produtores nacionais. De acordo com o primeiro-ministro, a corporação tem vendido aviões a companhias russas e estrangeiras com prejuízo para a empresa. Para além disso, frisou, a CAU e as empresas filiadas devem aos seus credores 119 mil milhões de rublos.

Transacções militares e civis
O primeiro dia do salão foi extremamente bem-sucedido, tendo sido anunciada a assinatura de um novo contrato sem precedentes entre o Ministério da Defesa da Rússia e a companhia “Sukhoi” sobre os fornecimentos de caças-bombardeiros num valor superior a 80 mil milhões de rublos.
A Força Aérea da Federação Russa receberá 48 caças Su-35, 12 Su-27 e 4 Su-30.
Este contrato pode ser considerado um dos mais importantes para a modernização da Força Aérea nos últimos 20 anos, disse o governador do Território de Khabarovsk, Viatcheslav Chport.
A Força Aérea russa não tenciona limitar-se a estes aparelhos e deverá comprar cerca de oito esquadrilhas dos novos aviões MIG-31, informou o comandante da Força Aérea da FR, general Aleksandr Zelin. Cada esquadrilha é composta por 12 aparelhos, acrescentou.
Os produtores e vendedores russos de equipamentos aeronáuticos fizeram um balanço dos contratos anteriormente assinados, dos actuais fornecimentos e dos planos para o futuro.
Assim, foi totalmente cumprido o contrato de venda à Malásia de 18 caças-bombardeiros Su-30MKM. Dos 28 aviões SU-30 que a Rússia deve fornecer à Argélia, 22 já foram entregues, os outros seis serão fornecidos em Setembro deste ano.
A Rosoboronexport informou que até ao fim deste ano deverá ser assinado um contrato russo-indiano para a modernização de aviões Su-30MKM (instalação de mísseis supersónicos BrahMos nestes aparelhos). Para além disso, a Rússia já forneceu à Índia um dos três aviões А-50 do sistema de alerta prévio.
Até 2010, a Rússia deverá cumprir o contrato de venda ao Vietname de oito aviões Su-30МК2, disse na quarta-feira o vice-director da Rosoboronexport, Aleksandr Mikheiev.
Globalmente, as empresas “Sukhoi” e ”MIG” tencionam até 2015 deter 15-20% do mercado mundial de equipamentos aeronáuticos, informou o dirigente do consórcio “Sukhoi” Mikhail Pogossian.
Durante o segundo dia do MAKS-2009 soube-se que a companhia aérea Rosavia tenciona comprar a produtores russos e estrangeiros 65 aviões de fuselagem estreita. As propostas serão aceites até meados de Setembro, declarou o director-geral da Rostekhnologii, Serguei Chemesov.
A companhia de leasing Iliuchin Finance (que integra a CAU) tenciona adquirir cerca de 70 aviões, para posteriores operações de leasing da companhia. Assim, já existe um contrato de leasing com a companhia aérea Atlant-Soyus, referente a 45 aviões, sendo ainda possível o fornecimento de seis aviões à transportadora aérea pública Rossia.
Na quinta-feira, foi o Dia de Moscovo no MAKS. A transportadora do Governo municipal de Moscovo, Atlant-Soyus, assinou com a Iliuchin Finance um contrato de leasing de 30 novos aviões regionais de passageiros AN-148 e 15 aviões de médio curso Tu-204CM. O montante do contrato ascende 1.200 milhões de dólares.
Foram ainda efectuadas outras transacções de compra de aviões de fabrico nacional."

quinta-feira, agosto 20, 2009

Cargueiro foi descoberto graças a sistema de monitorização da NATO



O cargueiro que desapareceu durante vários dias dos radares foi possível encontrar, em grande parte, graças ao sistema de monitorização marítima das Forças Armadas da NATO, declarou o representande diplomático da Rússia junto da Aliança Atlântica.
O Arctic Sea, que desapareceu em finais de Julho, foi encontrado a 16 de Agosto perto do arquipêlago de Cabo Verde. Os 15 tripulantes foram salvos e os oito alegados piratas detidos por militares russos.
“Quando se realizou o meu primeiro encontro com o novo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, no dia 11 de Agosto, foi levantado o tema do Arctic Sea e ele ofereceu-se para utilizar todos os meios de informação à sua disposição, à disposição do Estado-Maior das Forças Armadas da NATO na Europa”, revelou Dmitri Ragozin, numa entrevista à rádio Eco de Moscovo.
“Tratou-se, antes de tudo, do sistema de monitorização marítimo que ajuda os membros da NATO a seguir os movimentos dos navios”, acrescentou.
Segundo ele, a partir de 12 de Agosto, a parte russa começou a receber diariamente as coordenadas da localização da Arctic Sea e pôde calcular a rota do navio, partindo da sua velocidade.
“Do ponto de vista deste tipo de cooperação e política informativa, que recebemos da NATO, considero que conseguimos endereçar mais precisamente o nosso navio de guerra para o alvo e realizar com êxito a libertação dos reféns”.
Rogozin, numa entrevista a publicar na sexta-feira no diário Rossiskaia gazeta, não exclui a possibilidade deste caso vir a ser analisado no quadro do Conselho Rússia-NATO, porque “agora se trata de um alargamento claro da geografia de assalto a navios civis... perto de países europeus”.
“Para restabelecer a estabilidade e segurança numa questão importante como o direito à navegação livre, é necessário não só os esforços dos militares, como aconteceu com o Arctic Sea, mas também a coordenação prévia das acções dos serviços especiais”, concluiu.
P.S. Esta "estória" continua a colocar muitas perguntas: 1) Porque é que os membros da tripulação que vieram para Moscovo foram encerrados na prisão "Lefortovo", do Serviço de Segurança da Rússia, e continuam a não poder contactar com os familiares? Porque é que o cargueiro, navegando sob bandeira maltesa, sendo proriedade de uma empresa finlandesa, está a ser levado de Cabo Verde para Novorrossiski, porto russo do Mar Negro? Porque é que o navio andou tanto tempo no mar e não foi recuperado, embora se soubesse onde se encontrava?


Cargueiro dirige-se para porto russo de Novorrossisk

O cargueiro Arctic Sea, que foi resgatado pelos militares russos no passado dia 16, dirige-se para Novorrossisk para que as investigações continuem, declarou Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia, num encontro com Dmitri Medvedev, Presidente russo.
O cargueiro, que desapareceu em finais de Julho, foi recuperado por militares russos no passado domingo, perto do arquipélago de Cabo Verde.
Segundo o ministro da Defesa, 11 membros da tripulação e oito piratas foram transportados para a capital russa.
“Quatro ficaram a bordo, incluindo o capitão, o piloto e o mecânico. O navio está a ser transportado para Novorrossiski, onde irão continuar as investigações”, acrescentou.
A agência Interfax informa que os 11 tripulantes foram transportados para o estabelecimento prisional “Lefortovo” de Moscovo, que depende do Serviço Federal de Segurança da Rússia.
Uma fonte dessa agência russa declarou que os membros da tripulação do cargueiro Arctic Sea só poderão regressar a suas casas depois de provada a sua não participação no desvio do navio.
“Se for determinado, durante a investigação, que os membros da tripulação do cargueiro não estiveram envolvidos no desvio do Arctic Sea, ser-lhes-á permitido regressar a casa”, frisou a fonte.
O canal televisivo Vesti mostrou imagens de uma carrinha que transportava os oito piratas para a mesma prisão.
“O estado físico, moral e psíquico de todos os marinheiros é bom”, lê-se num comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Em Moscovo manifesta-se reconhecimento às autoridades da República de Cabo Verde pelo apoio concedido à parte russa”, sublinha a diplomacia russa.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Presidente Medvedev apela a continuar a luta contra os terroristas sem cerimónias



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, apelou hoje a “continuar sem cerimónias a luta contra os terroristas” e “liquidá-los sem emoções e vacilações”.
O dirigente russo exigiu “um castigo forte e irreversível” para os autores dos recentes crimes contra dirigentes políticos, polícias, defensores de direitos humanos e cidadãos simples na Inguchétia, república em que um atentado suicida causou, na passada segunda-feira, 25 mortos e dezenas de feridos.
Medvedev fez estas declarações na cidade de Stavropol, durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia com vista a tomar medidas para travar a crescente onda de acções terroristas e a estabilizar a situação política e social nas repúblicas do Cáucaso do Norte russo.
O Presidente russo defendeu, nomeadamente, a alteração da lei para que os terroristas e membros de grupos criminosos organizados não sejam julgados em tribunais de jurados.
“Alterar a jurisdição em processos por terrorismo e extremismo para que os bandidos e corruptos não possam pressionar os tribunais”, frisou.
Medvedev não exclui a influência do “factor externo” na situação no Cáucaso do Norte, mas sublinhou que os “factores internos” são a principal causa da desestabilização na região.
“As raízes estão na organização da nossa vida, no desemprego, na pobreza, nos clãs que se estão nas tintas para o povo, que mais não fazem do que repartir as correntes financeiras que chegam à região, lutar por empreitadas e, depois, ajustarem contas uns com os outros. E na corrupção, que, realmente, está muito difundida no seio das forças da ordem”, enumerou ele.
“A nossa tarefa é arrancar pela raíz com esses fenómenos”, concluiu.

Cargueiro podia transportar armas

O cargueiro Arctic Sea, que esteve desaparecido quase três semanas no Oceano Atlântico, podia transportar armas, considera o almirante estónio Tarmo Kouts, em declarações ao diário estónio Postimees.
Segundo as autoridades militares russas, alguns dos piratas que desviaram o navio são de nacionalidade estónia, facto que já foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia.
“Semelhante comportamento estranho da Rússia em toda esta história apenas pode ser explicado pelo facto de a bordo do navio estarem mísseis de cruzeiro”, declarou Kouts, antigo chefe das Forças Armadas da Estónia. “É evidente que metade da Marinha de Guerra da Rússia não iria perseguir o Arctic Sea, por ordem do Presidente, por drogas, por muito grande que fosse a sua quantidade”, sublinha Tarmo Kouts, que, actualmente, está ao serviço da UE na luta contra a pirataria.
Mikhail Voitenko, o director da revista marítima Sovfrakht que denunciou o desaparecimento do navio, considera que o navio transportava uma “carga muito específica”, obrigando a uma operação dos serviços secretos.
“Porque é que os chamados piratas tomaram de assalto o cargueiro no lugar mais perigoso para eles, no Mar Báltico, se podiam fazer isso no Atlântico? Porque é que os assaltantes se deixaram encantar por um navio que transporta uma carga pouco valiosa como a madeira?”, pergunta Voitenko, citado pela imprensa russa.
Segundo o diário Kommersant, citando um dos gerentes da companhia de seguros onde estava segurado o navio, os piratas “tomaram o Arctic Sea com o objectivo de receber um resgate da companhia que segurou o navio em 04 milhões de dólares em caso de afundamento”.
Os assaltantes exigiam um resgate de 1,5 milhões de dólares, recorda o jornal.
O Ministério da Defesa da Rússia veio, mais tarde, confirmar a tese do pedido de resgate pelos piratas.
O jornal Rossiskaia Gazeta, órgão oficial do Governo russo, informa que, ontem, um avião militar de transporte levantou voo dos arredores de Moscovo e dirigiu-se para a ilha do Sal, a fim de recolher a tripulação.
Para Cabo Verde partiu também um grupo de criminalistas e investigadores judiciais para tentar esclarecer as causas do desvio do cargueiro.

terça-feira, agosto 18, 2009

Rússia e Israel enveredam por parceria estratégica


Israel não ameaça o Irão e considera existirem possibilidades de diminuir o perigo de destabilização no Médio Oriente, declarou o Presidente israelita, Shimon Peres, após um encontro com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev.
Numa conferência de imprensa realizada em Sotchi, cidade do sul da Rússia, Shimon Peres sublinhou que “o Irão é o único membro da ONU que ameaça Israel”, acrescentando que Israel não ameaça o Irão, nem ninguém”.
Peres não exclui a possibilidade de uma explosão da situação no Médio Oriente, mas acredita que a Rússia é capaz de a impedir.
“Estou convencido e espero que a Rússia faça tudo para impedir explosões da situação na nossa região, que são bem possíveis”, declarou.
A realização de uma Conferência Internacional sobre o Médio Oriente está marcada para este ano em Moscovo, estando essa decisão fixada em duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
“Israel pretende sinceramente estabelecer relações de paz e estabilidade com todos os vizinhos e realiza a política correspondente”, respondeu Medvedev, na mesma conferência de imprensa.
Porém, o dirigente russo não escondeu que o estabelecimento da paz no Médio Oriente exige ainda “muitos e muitos esforços”.
“É necessário renunciar aos cenários de confronto e falar calmamente. É imprescindível renunciar a acções unilaterais, tenho em vista todos os particpantes do conflito”, acrescentou.
Medvedev garantiu que a Rússia, enquanto membro do quarteto de intermediários no Médio Oriente, “irá contribuir para a consecução de todos esses objectivos”.
No campo bilateral, Shimon Peres considerou que foi aberto um novo capítulo nas relações entre a Rússia e Israel.
“Agrada-nos muito que a Rússia esteja pronta a elevar as suas relações com Israel ao nível existente com a Alemanha, Itália e França. Sinto que abrimos um novo capítulo nas relações bilaterais”, frisou.
Peres recordou que os dois países já cooperam no campo da nanotecnologia e da agricultura.
O Presidente russo acrescentou que os dois países se compreendem cada vez melhor, sublinhando que “isso é extremamente útil”.
Numa declaração aprovada durante as conversações, Medvedev e Peres consideram que as tentativas de negar o Holocausto são um insulto directo a todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial e a todos que combateram contra o fascismo.
“As tentativas de negação do Holocausto são um insulto directo à memória de todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial e aos que lutaram contra o fascismo, uma tentativa de diminuir a tragédia do Holocausto e limpá-lo da história, bem como de esconder a morte e sofrimentos de milhões de vítimas inocentes de diferentes nacionalidades”, lê-se na declaração.
Medvedev considerou inadmissíveis e criminosas as tentativas de criar uma áurea de heroísmo em torno do nazismo.
“Não podemos olhar calmamente quando este ou aquele Estado põe em dúvida o contributo decisivo da União Soviética na Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto”, frisou.
Peres declarou que o Presidente do Irão “nega a catástrofe do Holocausto”, acrescentando que se trata de “um fenómeno vergonhoso também para o povo iraniano”.
“Temos uma atitude particular para com a Rússia, nós não esqueceremos o contributo da Rússia na Segunda Guerra Mundial, se ela não tivesse participado, dificilmente o mundo teria vencido essa ameaça”, concluiu.

Medvedev e Peres só não revelaram quem irá participar na Conferência Internacional de Moscovo sobre o Médio Oriente, porque Israel já disse que não meteria os pés nessa reunião se lá estiverem representantes do Hamas e de outros grupos radicais.

Militares russos detiveram oito piratas


O cargueiro Arctic Sea foi desviado por oito cidadãos da Estónia, Letónia e Rússia, declarou Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia. Numa conversa com o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o ministro precisou que o cargueiro foi libertado sem que tenha sido disparado um tiro.
Ele informou que , às 23 horas (20 horas em Lisboa) de 24 de Julho, uma lancha rápida , onde se encontravam quatro cidadãos da Estónia, dois da Letónia e dois da Rússia, nas águas territoriais da Suécia.
“Essas pessoas, alegando que o seu bote estava avariado, entraram a bordo do Arctic Sea e, ameaçando com armas, exigira, da tripulação o cumprimento incondicional de todas as suas ordem”, acrescentou.
Segundo ele, “depois, o navio Arctic Sea dirigiu-se para África por uma rota indicada pelos assaltantes, tendo desligado os aparelhos de navegação”.
Serdiukov frisou que a operação de buscas foi realizada pela Força Aérea e pela Marinha de Guerra da Rússia.
O ministro da Defesa informou que os trabalhos de investigação com os assaltantes continuam a bordo do vaso de guerra russo Ladnii, que descobriu o Arctic Sea perto da costa de Cabo Verde.
“Os assaltantes foram presos e nenhum dos tripulantes do Arctic Sea ficou ferido”, frisou o ministro.
Serdiukov informou o Presidente russo de que estão a ser feitos esforços para fazer regressar a tripulação a casa de avião.
Antes, a imprensa russa informou que no Aeroporto do ilha do Sal se encontra, desde domingo, um avião militar de transporte, que deverá trazer a tripulação para Arkhangelsk, cidade onde vivem.

Quais as razões que levaram à realização de um acto de pirataria naval na Europa? Ajuste de contas entre estruturas mafiosas de países da antiga URSS? Transporte de armas ou outros "materiais proibidos" no Arctic Sea?

E mais uma pergunta, o cargueiro tem 98 metros de comprimento. Como será que navegou durante tanto tempo despercebido entre o Báltico e Cabo Verde?

Miragem em Moscovo




Agosto, o mês maldito para a Rússia

Se eu fosse dirigente da Rússia e supersticioso, retiraria o mês de Agosto do calendário, pois não há mês pior do que este na história recente do país. Apenas alguns exemplos: golpe comunista de Agosto de 1991, catástrofe do submarino Kursk, incêndio na torre de televisão Ostankino de Moscovo, guerra russo-georgiana do ano passado...
Este ano, não foi excepção. Em apenas alguns dias, o número de mortos, feridos e desaparecidos sobe muito acima da centena.
Claro que tudo isto pode não passar de uma coincidência, mas é difícil acreditar nisso.
No Cáucaso do Norte, não há dia que passe sem atentado terrorista ou ataque contra a polícia por parte da guerrilha separatista islâmica.
Ontem, o Presidente da Inguchétia, acusou os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e Israel de estarem por detrás da guerrilha. Parece continuar a ser mais fácil acusar os outros do que resolver os verdadeiros problemas da região: corrupção, banditismo, raptos e assassinatos, desemprego.
Já escrevi várias vezes que os problemas do Cáucaso do Norte devem ser resolvidos de forma complexa, onde as componentes militar e policial devem ser acompanhadas de grandes investimentos no desenvolvimento da região.
Quanto à queda dos aviões Su-27 no treino de uma parada, nos arredores de Moscovo e à avaria na maior central hidroeléctrica do mundo, na Sibéria, que provocou 12 mortos, 15 feridos e 64 desaparecidos, tudo indica que ambos os acidentes se deveram ao facto de não serem renovados mecanismos e aparelhos. No caso dos aviões de guerra, antes da avaria, os pilotos já se queixavam que voavam em aparelhos que precisam de "ir para a reforma".
A propósito, os aviões que chocaram nos céus dos arredores de Moscovo foram os que sobrevoaram a Praça Vermelha no passado dia 09 de Maio.
Dois casos que se juntam aos muitos outros que mostram que os dirigentes russos não utilizaram a chuva de petrodólares na modernização do país. Infelizmente, parece que serão precisos ainda muitos outros desastres e avarias para que o Kremlin compreenda que chegou a hora de tomar medidas sérias, pensadas e abertas para resolver a situação.
Os dirigentes russos alegam que a corrupção é uma das razões que levam a que não sejam feitos grandes investimentos na modernização de infraestruturas, mas, para se combater essa chaga social, é necessário inverter a política actualmente realizada. É necessário restabelecer e reforçar a sociedade civil, permitir as actividades da oposição e discusões abertas sobre os problemas do país e sobre a sua solução, realizar eleições legítimas e transparentes, não travar a entrada de pessoas competentes nas estruturas do poder apenas porque não pertencem aos serviços secretos ou ao Partido Rússia Unida.
Além disso, talvez não fosse má ideia realizar uma política externa mais realista, sensata, e, por conseguinte, mais barata. Por enquanto, a Rússia não se pode dar a luxos de superpotência, nem de potência com sonhos imperiais no espaço post-soviético.
O Governo russo tem de deixar de ser um constante Ministério para Situações de Emergências e transformar-se num cérebro de planificação e elaboração de planos reais, transparentes e competentes de modernização do país.
No futebol, quando a equipa de futebol sofre derrota após derrota, o treinador é demitido. Na política, deve acontecer o mesmo....Penso eu.
No século XIX, a Rússia sofreu uma humilhante derrota na Guerra da Crimeia (1853-1856), o que levou o czar Alexandre II a realizar um programa de reformas gigantesco, que incluiu a libertação dos servos da gleba no país em 1861. Esta política deu um forte impulso ao desenvolvimento do Império russo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Grave acidente em barragem da Sibéria


Pelo menos oito pessoas morreram, 11 ficaram feridas e 54 devido a um acidente ocorrido na central hidroeléctrica Saiano-Chuchenskaia, na Sibéria, informa o Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
Uma explosão, que ocorreu às 04.42 horas locais (00.42 TMG) provocou a destruição parcial da parede da sala das máquinas e a sua inundação.
Os peritos consideram que a explosão se pode ter devido a um “golpe hidráulico”.
“Uma das causas mais prováveis do acidente é um golpe hidráulico, ou seja, o aumento drástico da pressão. Ocorreu uma explosão de um óleo num dos transformadores. Os trabalhos de reparação continuam”, declarou Dmitri Kudriavtsev, porta-voz do Centro Regional de Emergências.
Segundo Kudriavtsev, a central hidroeléctrica, uma das maiores do mundo, foi parada logo após a explosão, foi feita uma descarga de água de emergência para evitar a inundação das localidades próximas da albufeira.
Vassili Zubakin, presidente do consórcio RusHidro, proprietária da central, declarou que serão necessários meses de trabalhos de reparação para que a situação volte à normalidade.
A suspensão do fornecimento de energia eléctrica por essa central, que tem dez geradores de 640 MW, cada um com uma potência de 22,8 mil milhões de kilovates hora por ano, está a prejudicar seriamente o funcionamento de fábricas de metalurgia situadas naquela região da Sibéria.
Segundo uma rádio de Abacan, cidade próxima da central, parte da população entrou em pânico, abandonou as suas habitações e refugiou-se num lugar mais alto, situado a dez quilómetros da cidade, pois tema inundações.

Mais um grande atentado terrorista na Inguchétia


Pelo menos 19 pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas devido à explosão de um camião armadilhado junto de uma esquadra da polícia de Nazran, cidade da Inguchétia.
“Neste momento, o número de pessoas feridas e transportadas para o hospital devido à explosão em Nazran é de 65, mas este número muda constantemente, chegam feridos a todo o momento e muitos falecem devido aos ferimentos”, declarou à agência Ria-Novosti uma fonte no hospital de Nazran.
“Neste momento, os médicos ainda não conseguiram consultar todos os feridos, não temos possibilidades”, acrescentou a fonte.
Às 9.08 horas locais (06.08 TMG), um camião, que, segundo a polícia, era conduzido por um suicida, entrou na parada de uma esquadra policial no momento em que os agentes estavam reunidos para receberem ordens, e explodiu.
“Não há dúvida de que isso foi feito pelos guerrilheiros para aumentar a sua importância. Trata-se de uma tentativa de desestabilizar a situação e semear o pânico”, declarou Iunus-Bek Evkurov, Presidente da Inguchétia, ele próprio a recuperar dos ferimentos sofridos durante um atentado contra a sua vida.
Segundo ele, a explosão em Nazran é uma tentativa da guerrilha se vingar pelas operações especiais com êxito da polícia.
“Estou longe de considerar que os árabes estão por detrás de tudo isso. Aí há outras forças, mais sérias. Sublinhei e repito agora que o Ocidente, não obstante tudo, irá tentar não permitir o renascimento da Rússia até ao nível da antiga potência soviética”, considerou o dirigente inguche ao comentar mais um atentado atribuído à guerrilha separatista islâmica que combate na Inguchétia.
“Os árabes que vão para o Cáucaso do Norte são mercenários. O sistema de espionagem pode estar organizado como uma empresa árabe, mas nós compreendemos de quem são os interesses: dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel. Isso é bem possível”, acrescentou.
Actualmente, o Presidente Evkurov está a recuperar, em Moscovo, de um atentado contra a sua vida, realizado a 22 de Julho e atribuído à guerrilha separatista.
A Inguchétia é uma das repúblicas do Cáucaso do Norte russo que, nas últimas semanas, regista um forte aumento dos confrontos armados entre grupos armados separatistas, de inspiração islâmica radical, e a polícia.
A guerrilha realiza também acções idênticas na Tchetchénia e no Daguestão.

Ferrari e Bentley em saldos em Moscovo


Podem não acreditar, mas a crise a isto obriga. O stand que vende viaturas das marcas Ferrari e Bentley na capital russa está a realizar uma campanha de saldos e esses carros de luxo podem ser adquiridos a metade do preço. A julgar pelo grande número de automóveis dessas marcas nas estradas de Moscovo, pode-se concluir que a campanha tem êxito.
Eu publiquei esta fotografia tirada por um meu amigo português que vive em Moscovo, porque não imaginava que os saldos chegassem a tão luxuosas esferas. É mesmo motivo para se exclamar: "Coitadinhos dos capitalistas!"

sábado, agosto 15, 2009

Descoberta do navio está por horas ou dias...


Dmitri Rogozin, embaixador da Rússia junto da NATO, anunciou que a Rússia e a NATO dispõem de informação completa sobre o Arctir Sea e mostrou confiança no êxito da operação de buscas.
Segundo ele, a Rússia e a NATO trocam, diariamente, informações sobre o sucedido e os últimos dados transmitidos pela Aliança Atlântica incutem esperança.
“A informação completa existe e, ao que tudo indica, tem carácter objectivo, é transmidida imediatamente para o Estado Maior da Armada da Rússia”, acrescentou Rogozin.
Citado pela agência Ria-Novosti, o embaixador russo “manifestou-se convencido no êxito da operação de busca do Arctic Sea, mas não comunicou a sua localização”.
“Perante nós, enquanto parceiros (Rússia e NATO), coloca-se uma tarefa: pôr à hora exacta e no lugar exacto as forças enviadas pelo Presidente da Rússia”, acrescentou Rogozin.
Moscovo enviou quatro navios de guerra e dois submarinos para o Oceano Atlântico com vista à realização de uma operação de busca do cargueiro, apoiada também por informações de satélites militares.
“Os nossos contactos com a NATO visam, nomeadamente, confirmar a informação de que a parte russa dispõe através das suas fontes. Mas a informação que recebemos dos parceiros também é importante e essencial, porque confirma a nossa informação”, sublinhou.
O Arctic Sea, que oficialmente transportava madeira, fazia uma viagem da Finlândia para a Argélia, aonde deveria chegar no dia 04 de Agosto. O aviso de desaparecimento foi dado no passado domingo.
Segundo informações que não receberam confirmação, o navio, com 15 tripulantes russos a bordo, teria sido visto, primeiramente, ao largo de Cabo Verde e, depois, no Golfo da Biscaia.

Merkel e Medvedev condenam violência no Cáucaso russo


A Alemanha condena os recentes assassinatos de representantes de organizações não governamentais na Rússia e considera importante que os culpados desses crimes sejam chamados à responsabilidade, declarou a chanceler alemã depois de um encontro com o Presidente russo.
A cimeira russo-alemã realizou-se na residência de verão do dirigente russo, situada em Sotchi, no sul da Rússia.
“Falámos do assassinato de representantes de ONG’s na Tchetchénia e deixei claro que condenamos firmemente, tal como a parte russa. É importante que quem cometeu esses crimes terríveis sejam chamados à responsabilidade. O Presidente Dmitri Medvedev prometeu-me que assim será”, declarou Angela Merkel na conferência de imprensa .
A dirigente alemã teve em vista o assassinato da activista de direitos humanos, Natália Estemirova, a 15 de Julho na Tchetchénia, bem como de dois funcionários da ONG “Salvemos a geração”, que ocorreu a 10 de Agosto na mesma república do Cáucaso do Norte russo.
Medvedev considerou que os assassinatos políticos no Cáucaso visam desestabilizar a situação nessa região.
“Aconteceu o seguinte: esse rosário de assassinatos e atentados políticos visam desestabilizar a situação no Cáucaso. Trata-se da morte dos citados defensores dos direitos humanos, bem como do atentado contra o Presidente da Inguchétia, que se dedicava à normalização da situação”, acrescentou.
Segundo ele, “esses crimes mostram que não temos razões para nos relaxar. A situação é muito complexa e o Estado deve fazer tudo para mudar a situação”.
“A detenção dos assassinos, o julgamento e a condenação dos criminosos é a tarefa mais importante dos órgãos de segurança do nosso país”, sublinhou.
Dmitri Medvedev defende que os criminosos recebem apoio do estrangeiro.
“As forças que não estão contentes com o sentido positivo do desenvolvimento da Rússia aumentaram a sua actividade, recebem apoio e financiamento, nomeadamente de fontes estrangeiras”, acusou ele.
“Foram elas que fizeram desplotar os mecanismos terroristas, com o emprego de novas tecnologias terroristas”, acrescentou.
O dirigente russo anunciou também que, nas conversações com Angela Merkel, foram abordados problemas internacionais como os programas nucleares do Irão e da Coreia do Norte.
“Precisamos de continuar a cooperação na direcção afegã. Tudo isso é o nosso exemplo de cooperação estreita com os nossos parceiros alemães e com outros Estados europeus, com os Estados Unbidos”, concluiu.

Moscovo apoia assinatura de Carta Económica para saída da crise

A Rússia apoia a iniciativa da Alemanha respeitante à elaboração de uma carta económica para a saída da crise, declarou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, numa conferência de imprensa conjunta com Angela Merkel.
A chanceler alemã tinha avançado a proposta de elaboração de uma Carta Económica do Desenvolvimento Estável, que regule a economia mundial.
“A Rússia apoiou e apoia uma série de iniciativas, incluindo a proposta alemã, ligada à carta económica. Consideramos que que se trata de material positivo que pode ser base para posterior trabalho. Tudo isso é a base para avançarmos”, frisou Medvedev.
Ao mesmo tempo, ele assinalou a necessidade de continuar as consultas sobre questões económicas na véspera da cimeira dos “vinte” em Pittsburg.
“Parece que fizemos alguma coisa durante este tempo”, acrescentou o dirigente russo.
Medvedev destacou o aparecimento de sintomas que incutem esperança no que respeita à superação das consequências da crise financeira.
“Começámos as conversações por aí. Em geral, trata-se de um momento agradável, mas, parece-me, não devemos emocionarmo-nos, mas devemos fazer tudo o que acordámos em Washington, tudo o que acordámos depois em Londres e que iremos acordar em Pittsburg”, declarou o Presidente russo.
Angela Merkel apoiou a cooperação do consórgio austro-canadiano Magna com a Rússia com vista à aquisição da empresa Opel à General Motors.
Não obstante a crise, os dirigentes russo e alemã constataram o aumento dos investimentos bilaterais.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Confrontos entre polícia e guerrilha provocam grande número de vítimas no Cáucaso


Pelo menos quatro polícias morreram e outros tantos ficaram feridos num tiroteio com guerrilheiros ocorrido durante a noite numa localidade próxima da capital tchetchena, Grozni, informa o Ministério do Interior da Tchetchénia.
“Durante uma operação especial realizada na pasada quinta-feira às 21.30 horas locais (17.30 TMG) na localidade de Kerla Iurt, agentes da polícia bloquearam numa casa dois guerrilheiros que ofereceram resistência armada às forças da ordem”, informaram fontes da polícia citadas pela agência Ria-Novosti.
Segundo essas fontes, os guerrilheiros foram abatidos durante o tiroteio.
No Daguestão, outra república do Cáucaso do Norte russo, três guerrilheiros foram abatidos durante a madrugada no Distrito de Derbent.
“Agentes da polícia tentaram deter um automóvel para verificar os documentos dos seus ocupantes perto da localidade de Sabnava, mas os homens que viajavam no veículo desobedeceram à ordem e abriram fogo contra os polícias”, informou a polícia daguestanesa, acrescentando que “no carro foram encontradas várias metralhadoras Kalachnikov”.
O Ministério do Interior do Daguestão informou também ter estabelecido a identidade de alguns dos guerrilheiros que mataram, ontem à noite, onze pessoas, incluindo quatro agentes da polícia, em ataques a um posto da polícia e a uma sauna na cidade de Buinarsk.
“Foi possível determinar a identidade de alguns bandidos, incluindo o cabecilha. Quase todos são procurados pela polícia por diferentes delitos”, informou a polícia.
Ontem, um franco-atirador feriu também dois polícias em diferentes bairros de Makhatchkalá, capital do Daguestão.
Nos últimos meses, as repúblicas do Cáucaso russo. Daguestão Inguchétia e Daguestão têm sido palcos de frequentes combates entre a polícia e a guerrilha separatista islâmica que actua na região.

Medvedev deu mais "um tiro no pé"


Depois da reacção do Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, à mensagem do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, chegou a reacção da primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko.

Como é sabido, as relações entre Iuschenko e Timochenko são praticamente nenhumas, mas quando Moscovo atacou, uniram-se para dar uma resposta dura a uma mensagem claramente exagerada pelo seu tom e conteúdo.

Por vezes, é mais importante a forma como se diz do que o conteúdo do que se diz. Neste caso concreto, Dmitri Medvedev falou como se estivesse a dirigir a uma das suas colónias e apenas conseguiu unir dois inimigos irreconciliáveis, pelo menos temporariamente. A continuar assim, Moscovo terá na Ucrânia o mesmo resultado que obteve em 2004, mais uma forte derrota diplomática.

Medvedev anunciou o adiamento do envio do embaixador russo para Kiev, mas deu marcha atrás pouco mais de 48 horas depois. Mais "um tiro no pé". Talvez seja por estas e por outras que a Rússia tem relações azedas praticamente com todos os vizinhos.

"A primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko, afirmou hoje que o seu país realizará uma política soberana e não permitirá a ninguém ingerir-se nos seus assuntos internos.
“A Ucrânia definirá sozinha a sua política interior e exterior sem ingerência de fora. O país estudará o passado, analisará o presente e edificará o futuro sem consultar ninguém”, lê-se num texto publicado no sítio electrónico do Governo ucraniano.
Segundo Timochenko, o seu país está disposto a ouvir as opiniões dos vizinhos, tanto no Leste como no Ocidente, e respeitar os seus interesses, mas “considera inadmissível a ingerência nos assuntos internos do país”.
Ao mesmo tempo, ela frisou que, enquanto dirigente do Governo ucraniano, fez e faz tudo para aprofundar a cooperação frutífera entre a Ucrânia e a Rússia, antes de tudo na economia, e prometeu “realizar essa política independentemente do cargo que lhe confie o povo,
Iúlia Timochenko, uma das fortes candidaturas ao cargo de Presidente da Ucrânia nas eleições marcadas para 17 de Janeiro de 2010, assinalou que irá desenvolver com a Rússia segundo o princípio da igualdade, “respeitando os interesses nacionais, a soberania e a integridade territorial”.
A primeira-ministra ucraniana sublinhou que fez esta declaração depois do Presidente Victor Iuschenko responder à mensagem do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev.
O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, manifestou-se, ontem, desiludido com a “mensagem não amistosa” do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, refutando as acusações nela contidas.
Dmitri Medvedev anunciou, no dia 11 de Agosto, o adiamento do envio do novo embaixador russo na Ucrânia devido à política anti-russa do país vizinho e espera a eleição de um novo Presidente ucraniano para normalizar relações bilaterais.
O dirigente russo acusou o seu homólogo de fornecer armas à Geórgia, dificultar a actividade da Marinha de Guerra no Mar Negro, dos homens de negócios russos na Ucrânia, bem como de discriminar a língua russa.
“Vou ser sincero, fiquei muito desiludido com o carácter não amistoso da mensagem. Não posso deixar de estar de acordo sobre que há sérios problemas entre os nossos países, mas é estranho que o Senhor exclua qualquer responsabilidade por isso da parte da Rússia”, responde Iuschenko numa carta publicada no sítio oficial do Presidente ucraniano na Internet.
Há vários meses que Victor Iuschenko e Iúlia Timochenko estão de relações praticamente cortadas, mas a mensagem dura de Medvedev levou-os a esquecer, pelo menos durante um dia, as suas divergências face à pressão do Kremlin".

quinta-feira, agosto 13, 2009

Presidente Iuschenko responde a homólogo russo


O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, mostrou-se hoje desiludido com a “mensagem não amistosa” do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, refutando as acusações nela contidas.
Dmitri Medvedev anunciou, no dia 11 de Agosto, o adiamento do envio do novo embaixador russo na Ucrânia devido à política anti-russa do país vizinho e espera a eleição de um novo Presidente ucraniano para normalizar relações bilaterais.
“Vou ser sincero, fiquei muito desiludido com o carácter não amistoso da mensagem. Não posso deixar de estar de acordo sobre que há sérios problemas entre os nossos países, mas é estranho que o Senhor exclua qualquer responsabilidade por isso da parte da Rússia”, responde Iuschenko numa carta publicada no sítio oficial do Presidente ucraniano na Internet.
Segundo ele, a decisão do Kremlin de adiar a ida do novo embaixador russo para Kiev “não irá contribuir para o desenvolvido construtivo das nossas relações”.
Iuschenko refuta as acusações de Medvedev de que a direcção ucraniana fornece armas à Geórgia e dificulta as actividades da Armada russa do Mar Negro, aquartelada no território ucraniano.
“A posição da Ucrânia em relação aos acontecimentos do ano passado na Geórgia é conhecida e coincide com as posições de praticamente todos os países do mundo. Ela consiste no respeito exclusivo da soberania, da integridade territorial e a inviolavilidade das fronteiras do Estado georgiano ou de qualquer outro”, frisa o Presidente da Ucrânia.
No que respeita à Armada do Mar Negro, ele acusa-a de “violar sistematicamente os acordos bilaterais e as leis ucranianas.
“A Ucrânia continua a ser fiel a uma ampla cooperação com a Federação da Rússia na base do respeito mútuo, da igualdade através do diálogo construtivo, nomeadamente ao mais alto nível”, conclui Iuschenko.
Após a publicação da resposta de Iuschenko, o serviço de imprensa do Kremlin informou que Dmitri Medvedev assinou o decreto que nomeia Mikhail Zuravov, antigo ministro da Saúde e Segurança Social, embaixador da Rússia na Ucrânia, pondo fim ao adiamento dessa nomeação.
Seria necessário fazer um discurso tão duro, como o que fez Medvedev, para adiar por três dias o envio do embaixador russo na Ucrânia?

terça-feira, agosto 11, 2009

Medvedev entra na campanha eleitoral na Ucrânia



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, adiou o envio do novo embaixador russo na Ucrânia devido à política anti-russa do país vizinho e espera a eleição de um novo Presidente ucraniano para normalizar relações bilaterais.
“Quero informá-lo que, no contexto da política anti-russa realizada pelos dirigentes ucranianos, tomei a decisão de adiar a chegada à Ucrânia do nosso embaixador”, declarou Medvedev numa mensagem aberta dirigida ao seu homólogo ucraniano, Victor Iuschenko.
A mensagem televisiva foi publicada no blog que o dirigente russo mantém no sítio da Internet http//:blog.kremlin.ru.
Medvedev explicou esta sua escolha com o facto de “as relações entre os dois países polarizarem a atenção dos cidadãos da Rússia e da Ucrânia, influindo directamente na sua vida quotidiana e no seu futuro”.
Depois de sublinhar que os ucranianos para a Rússia “sempre foram não só vizinhos, mas um povo irmão”, o dirigente russo sublinha que “os estadistas têm por tarefa proteger a amizade entre os russos e os ucranianos e cimentar as bases da cooperação em benefício dos dois países”.
Ao mesmo tempo, Medvedev exprimiu a sua “profunda preocupação” pela crise que atravessam no seu desenvolvimento as relações bilaterais, provocada pelo “abandono por Kiev dos princípios da amizade e cooperação com a Rússia reafirmados no Tratado de 1997”.
Entre os factores negativos que ensombram as relações entre os dois países, Medvedev citou o apoio da Ucrânia à “agressão do regime de Saakachvili contra a Ossétia do Sul”, o desejo “obstinado” de ingressar na NATO contra a opinião dos cidadãos do país e os esforços para “dificultar as actividades da Armada russa do Mar Negro”.
Segundo o líder russo, “fica-se com a impressão de que Kiev apostou na ruptura dos laços económicos existentes, antes de tudo, no sector da energia”, o que “põe em perigo a utilização estável do sistema único de transporte de gás que proporciona segurança energética à Rússia, à Ucrânia e a muitos países europeus”.
Dmitri Medvedev lembrou também que as autoridades ucranianas violam os direitos dos investidores russos, tentam rever a história comum e glorificar os sequazes nazis, assim como se esforçam por desalojar a língua russa da vida social na Ucrânia.
Após considerar de “provocação inédita no espaço post-soviético” a recente decisão de Kiev de expulsar dos diplomatas russos sem motivo algum, o Presidente da Rússia sublinha: “Eis a quintessência da actual política das autoridades ucranianas para com a Rússia”.
“Na Rússia esperam que a nova direcção política da Ucrânia esteja pronta para estabelecer entre os nossos países relações que correspondam realmente aos verdadeiros interesses dos nossos povos, aos interesses do reforço da segurança europeia”, concluiu.

Vladimir Dolin, jornalista russo que trabalha na Ucrânia disse-me por telefone: “Se esta mensagem de Medvedev constitui o início da participação da Rússia nas eleições presidenciais na Ucrânia (Janeiro de 2010), é um mau começo. A popularidade de Victor Iuschenko é extremamente baixa e os ataques de Moscovo contra ele apenas jogam a seu favor”.
Segundo o jornalista, “o Kremlin repete o erro de 2004, quando a sua ingerência nas presidenciais na Ucrânia a favor de Victor Ianukovitch levou à eleição de Iuschenko”.
“Eu ligaria este discurso de Medvedev ao projecto-lei por ele apresentado ao Parlamento, na véspera, sobre o emprego das forças armadas no estrangeiro”, continua o jornalista, considerando que “Moscovo está disposto a recorrer a um amplo leque de medidas, desde diplomáticas a militares, na sua política externa”.

Ramzan Kadirov, o dirigente que não deixa ninguém indiferente


Os tchetchenos que o apoiam chamam-lhe carinhosamente “o nosso Ramzan”, enquanto que os seus adversários políticos o acusam de numerosos crimes e a guerrilha separatista o transformou no mais importante alvo a abater. Mas o Presidente da Tchetchénia, diz ser apenas um “servo do povo”.
Ramzan Akhmatovitch Kadirov nasceu a 05 de Outubro de 1976 na vila de Tsentoroi, República Autónoma Socialista Soviética da Tchetcheno-Inguchétia, uma das regiões da Federação da Rússia e, por conseguinte, da União Soviética.
O actual dirigente tchetcheno não esconde que cedo pegou em armas, para combater as tropas russas que invadiram a Tchetchénia em 1994. Porém, na segunda guerra da Tchetchénia, em 1999, passa, juntamente com o pai, para o lado de Moscovo, acusando a guerrilha separatista de ter caído sob a influência do wahhabismo, corrente radical do Islão.
Quando o seu pai, Akhmad Kadirov, passou a dirigir o Governo pró-russo da Tchetchénia (2000), Ramzan acumulou vários cargos nas estruturas do poder, principalmente ligados à segurança.
A 10 de Maio de 2004, Akhmad Kadirov morre vítima de um atentado terrorista organizado pela guerrilha. No dia seguinte, Ramzan promete liquidar os autores do atentado e pede ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que altere a legislação para que ele se pudesse candidatar ao cargo de Presidente da Tchetchénia, mas recebeu uma recusa.
Nessa altura, Ramzan tinha 28 anos e, segundo as leis russas, o Presidente das repúblicas e regiões russas não pode ter menos de 30 anos.
Não obstante, o seu poder era cada vez mais forte na Tchetchénia e, logo que cumpriu os 30 anos, foi nomeado Presidente pelo Kremlin.
Kadirov escapou a mais de cinco atentados, mas conseguiu liquidar os mais conhecidos comandantes da guerrilha separatista: Salman Raduev, Chamil Bassaev, Aslan Maskhadov, etc. Conseguiu, através de conversações e amnistias, trazer para o seu lado muitos dos guerrilheiros, alguns dos quais ocupam, hoje, cargos importantes no sistema de poder da república. Porém, agora, aposta apenas na componente militar para acabar com o que resta da guerrilha.
A guerrilha está, presentemente, bastante enfraquecida, mas, não obstante, continua a organizar atentados terroristas e ataques em várias regiões da Tchetchénia, coordenando também as suas operações com as guerrilhas separatistas que actuam na Inguchétia, Daguestão e Cabardino-Balcária.
Moscovo tem canalizado importantes meios financeiros para a reconstrução da Tchetchénia, permitindo a Kadirov realizar alguma política social e conquistar o apoio de parte significativa da república, cansada da guerra.
Porém, alguns analistas consideram que o poder de Kadirov se baseia quase exclusivamente na repressão e na liquidação dos seus adversários.
“Uma pessoa que se orgulha de matar “federais” (soldados russos) desde os quinze anos é um bandido. Ele continua a ser bandido mesmo depois de Putin o ter condecorado com a medalha de Herói da Rússia”, considera Garri Kasparov, ex-campeão do mundo de xadrez e dirigente da oposição russa.

Ninguém tem qualquer prova de que sou um assassino


“Ninguém tem qualquer prova de que eu tenho assassinado ou mandado assinar alguém. Jornalistas, polícia, procuradores, todos investigaram e investigam. Se provarem a minha culpa, que me castiguem”, declarou Ramzan Kadirov, Presidente da Tchetchénia, numa entrevista exclusiva à Agência Lusa.
“Que poderia fazer essa mulher contra mim? Ela acusava-me de violar os direitos humanos, queixou-se de mim a Moscovo, vieram cá comissões, activistas, mas nada conseguiram provar”, acrescenta, indignado.
Kadirov referia-se, concretamente, a Natália Estemirova, activista dos direitos humanos que foi raptada em Grozni e assassinada na Inguchétia (república vizinha da Tchetchénia) no mês passado.
“Ela nunca teve honra, consciência, honestidade. Eu convidei-a para trabalhar em conjunto pelo povo, mas ela recusava-se a trabalhar com a direcção da república”, acrescentou.
“Putin vai ao estrangeiro, assassinam Politkovskaia; Medvedev vai ao estrangeiro, assassinam Estemirova. Com que objectivo?”, interroga Ramzan Kadirov.
Anna Politkovskaia, forte crítica da política do Kremlin na Tchetchénia, foi assassinada em Outubro de 2006 em Moscovo, tendo alguns activistas dos direitos humanos acusado Kadirov de estar por detrás desse crime.
Porém, o dirigente tchetcheno não tem dúvidas de que essas acusações são dirigidas não só contra ele, mas contra o primeiro-ministro,Vladimir Putin.
“Sou totalmente um homem de Putin. Dizem que sou um homem do Kremlin, eu jamais trairei Putin, estou disposto a dar a minha vida por ele”, frisa, acompanhando estas palavras com forte gesticulação.
Kadirov não tem dúvidas que por detrás dessas acusações estão aqueles que “recebem dinheiro do Ocidente e querem receber mais e mais, por isso inventam”.
“Eles (activistas dos direitos humanos) não se preocupam com a integridade da Rússia. Consideram-se defensores dos direitos humanos, mas não respeitam os meus. Sou, em primeiro, lugar, um homem, e só depois Presidente. Não me acusem sem provas”, sublinhou.
“Sabem que Kadirov é firme, tem um programa claro para o futuro da Tchetchénia, quer ver a sua república próspera e maravilhosa. Os cães ladram, mas a caravana passa”, concluiu.
P.S. Hoje, terça-feira, tornou-se pública a notícia de que mais dois defensores dos direitos humanos foram assassinados a tiro em Grozni. O mistério continua...

Putin é o meu herói, devo-lhe a vida


Avenida Putin em Grozni

“Putin é o meu herói! Estou disposto a sacrificar a minha vida por ele!Devo a vida a esse homem. Esta é a minha posição pessoal. Mas como Presidente da República da Tchetchénia, tenho presente que o nosso Presidente é Dmitri Anatolevitch Medvedev, político forte, sábio, correcto”, declarou o dirigente tchetcheno à Lusa, ao definir a sua posição face aos actuais dirigentes russos.
“Ele (Putin) não teve vergonha de baixar para o cargo de chefe do Governo, quis servir o seu povo, o seu Estado, no posto mais responsável. Por isso, a minha atitude para com Putin jamais mudará”, acrescentou ele.
“Quero, quero muito que Putin seja o Presidente vitalício da Federação da Rússia!”, exclamou, entusiasmado, ao responder à pergunta de se concorda com o regresso de Vladimir Putin ao Kremlin.
Kadirov não esconde o seu apoio à política do Kremlin no Cáucaso, considerando que qualquer cedência de Moscovo nessa região significará o fim da Rússia. Por isso, apoiou as acções militares russas contra a Geórgia, em Agosto do ano passado.
“A Ossétia do Sul é um pretexto para os americanos controlarem o Cáucaso e ditarem as suas condições. O Governo russo fez bem em não os ter deixado entrar... Porque o Cáucaso é a fronteira da Rússia”, explicou.
“Mas porque é que devemos entregar a Ossétia do Sul ou a Abkházia? Que sejam Estados soberanos, mas para a Rússia serão aliados”, sublinhou.
Durante a primeira guerra da Tchetchénia (1994-1996), Ramzan Kadirov combateu ao lado da guerrilha separatista tchetchena contra as tropas russas, mas sublinha que nunca lutou contra a Rússia.
”Eu nunca estive contra a Federação da Rússia, eu estive ao lado do meu povo. Então, o povo estava contra, foi obrigado por políticos: Ieltsin (antigo Presidente da Rússia), Berezovski (oligarca russo que se encontra refugiado em Londres) e outros do género que queriam destruir a Federação da Rússia, tal como tinham feito com a União Soviética”, defende ele.
O meu povo estava contra porque lançaram tanques contra nós, eram abençoados como se fossem combater fascistas, nós víamos tudo isso e suportámos tudo. Foi isso que nos obrigou a estar contra a Rússia”, sublinhou.
“Quando apareceram fortes estrategas na política da Federação da Rússia (Putin), o nosso povo compreendeu que podia ser útil à Rússia, que se podia reconciliar com os povos da Federação da Rússia, provar a toda a sociedade russa que o povo tchetcheno não foi o culpado do sucedido”, concluiu.

Os terroristas são diabos, devem ser liquidados



“Os terroristas não são pessoas, são diabos que nada têm de humano”, declarou Ramzan Kadirov, Presidente da Tchetchénia, numa entrevista à Lusa, comentando as actividades da guerrilha islâmica separatista.
“É preciso matá-los. Eles não merecem nem amnistia, nem perdão. Só a morte”, sublinhou emocionado.
Os guerrilheiros separatistas assassinaram o seu pai, Akhmad Kadirov, em Maio de 2004, e organizaram vários atentados contra a sua vida. A última operação terrorista de envergadura teve lugar há pouco mais de dez dias, quando uma suicida se fez explodir à entrada da sala de concertos de Grozni.
O Presidente da Tchetchénia deveria assistir a um espectáculo nesse dia, mas, por razões desconhecidas, não apareceu. A explosão matou seis pessoas e feriu dezenas.
“Eles têm as mãos cobertas de sangue do meu povo, o lugar deles é uma cova com três metros de profundidade, mas não nos cemitérios muçulmanos, pois eles não são muçulmanos”, frisou.
Sabendo que estava a dar uma entrevista a uma agência de informação estrangeira, Kadirov acrescentou: “Hoje, liquidámos um e vamos liquidá-los a todos. Trata-se de terroristas internacionais. Eles não combatem só contra a Tchetchénia e a Rússia...”.
No entanto, Kadirov está disposto a receber Akhmed Zakaev, ministro dos Negócios Estrangeiros da Itchkéria (nome que a guerrilha separatista dá à Tchetchénia), que reside em Londres. Nos últimos tempos, Zakaev tem apelado à guerrilha para que suspendam os ataques terroristas, mas sem êxito.
“Há pouco tempo, ele, zangado, telefonou-me e pediu-me para não dizer que ele irá ser nomeado director da Sala de Concertos de Grozni. Eu respondi-lhe que já temos um bom ministro da Cultura, mas ele ocupará um lugar digno quando regressar à Tchetchénia, pois não falta trabalho”, revelou.
Antes de se dedicar à política, Akhmed Zakaev era actor no Teatro Dramático de Grozni e o mais conhecido intelectual entre os comandantes da guerrilha separatista. Em Londres, ele tem o apoio da conhecida actriz britânica Vanessa Redgrave.
Nos últimos tempos, mantém conversações com Kadirov com vista ao seu regresso à Tchetchénia.

Falamos de política sem microfone ligado

O futuro da Tchetchénia

Homem armado à paisana


Parque de Grozni, Monumento à amizade dos povos ao fundo


“Posso falar de tudo contigo, pois não tenho nada a esconder, mas desliga o gravador quando quiseres falar de política”, declarou à Lusa Aslambek, pequeno empresário tchetcheno, quando iniciámos a conversa.
Os tchetchenos, tais como outros povos do Cáucaso, são um povo muito hospitaleiro e comunicativo, considerando os pedidos dos seus hóspedes como uma ordem de cumprimento obrigatório, mas, desta vez, foi pedida uma excepção.
“Não peço isso porque receie criticar o Presidente Kadirov, mas a nossa história recente é dramática demais para fazer considerações públicas”, acrescentou Aslambek.
Zurema - uma mulher tchetchena que regressou há poucos anos de um campo de refugiados na Inguchétia, república vizinha da Tchetchénia – concretiza mais essa ideia.
“Eles não se cansam de falar do “síndroma de guerra” dos soldados, mas esquecem-se dos milhares de civis, de pessoas simples que sofreram durante estes anos”, começa ela o seu relato.
“Eu e a minha família tivemos de fugir da Tchetchénia duas vezes e ninguém se lembrou de nós”, continua, e sublinha com emoção: “os canais centrais de televisão (da Rússia) deturpam tudo, não acreditem neles. Apresentam os tchetchenos como uns selvagens, mas isso é uma grande mentira”.
Durante a viagem de avião para Grozni, um oficial das tropas do Ministério do Interior que ía sentado ao nosso lado, preveniu-nos: “Rapaziada, durante o dia, podem passear na cidade, mas não vos aconselho a sair do quarto do hotel durante a noite, a situação é complicada”.
“Eles (soldados russos) têm de justificar a sua presença aqui, por isso inventam. Vai ver que as coisas são bem diferentes”, explica à Lusa um taxista, enquanto nos transporta pelas ruas de Grozni.
O taxista chama a atenção, com um sorriso irónico, para um dos poucos monumentos que sobreviveram às duas guerras na Tchetchénia: o monumento à amizade dos povos. Um tchetcheno e um inguche (tchetchenos e inguches são povos muito próximos) seguem atrás de um russo. Estas três personagens históricas implantaram o poder comunista na Tchetchénia e Inguchétia depois da Revolução de Outubro de 1917.
“O monumento à amizade desses povos resistiu às bombas, mas a confiança entre tchetchenos e russos está longe de ser uma realidade. Duas guerras que provocaram muitos milhares de mortos entre a população civil tchetchena deixaram feridas muito profundas que não sei se algum dia sararão”, declara à Lusa Mukhamad, professor universitário que saiu da Tchetchénia em 1996 para a República Checa e que só recentemente regressou a casa.
“Vim ver o que tudo vai dar...”, frisa com algum cepticismo.
“Não obstante o que foi feito, que é visível em Grozni, ainda falta fazer muito mais. O desemprego é ainda muito grande, principalmente entre a juventude, que viveu a maior parte da sua vida na guerra. A corrupção e o compadrio são um forte travão económico e social”, acrescenta ele.
A prova da corrupção na Tchetchénia não tardou a chegar. Um polícia de trânsito mandou parar o táxi em que seguíamos, alegando que o condutor não tinha virado no lugar certo. O taxista “reuniu-se” a sós com o agente e regressou quase meia hora depois.
“Queria tirar-me a carta de condução por quatro meses e só me safei depois de pagar 400 rublos (cerca de oito euros). Normalmente, levam cem ou duzentos, mas desta vez exagerou, levou-me muito dinheiro”, relatou ele.
A presença militar russa não é visível no centro de Grozni, mas, nos arredores, nomeadamente junto do aeroporto, pode ver-se, por detrás de muros de tijolo, um enorme quartel de tropas do Ministério do Interior da Rússia.
“É fácil sarar as feridas materiais, reconstruir edifícios e ruas, mas as marcas da guerra vão demorar tempo a sair dos corações dos tchetchenos. Sofremos muito”, frisa Zurema.

Grozni, a cidade que renasceu das cinzas

Mesquita Akhmad Kadirov

Retratos de pai e filho Kadirov

Sala de Concertos de Grozni


As ruas da capital da Tchetchénia, cidade de Grozni, já não fazem lembrar as imagens televisivas que chegavam desta urbe nos anos noventa do século passado ou nos primeiros anos do actual.
A capital tchetchena sarou muitas das feridas materiais provocadas pela guerra, mas os cidadãos daquela república da Federação da Rússia no Cáucaso do Norte ainda sentem o peso da perda de milhares dos seus entes queridos na guerra entre separatistas islâmicos e Moscovo.
“Conta-se que um jornalista ocidental prometeu cem euros a quem lhe mostrasse um edifício atingido por bombas ou balas, mas não encontrou ninguém capaz de fazer isso”, declara à Lusa Adam, advogado de Grozni, com uma ponta de orgulho.
Adam chama a atenção para o Parque construído em memória dos jornalistas que norreram nas duas guerras da Tchetchénia (1994-1996 e 1999-2001).
“Esté é o primeiro lugar na cidade onde as pessoas puderam estar até altas horas da noite à mesa das esplanadas de cafés e restaurantes sem receio de tiros ou bombas”, sublinha ele, apontando para um longo jardim ladeado de árvores novas e com uma fonte ao meio.
Alguns metros à frente, torna-se visível a grandiosa mesquita que tem o nome de Akhmad Kadirov, Presidente pró-russo da Tchetchénia que foi assassinado pelos guerrilheiros islâmicos em 2004, pai do actual dirigente, Ramzan.
Pelo traço e pela imponência, este templo muçulmano tenta não só copiar, mas até competir com a Catedral de Santa Sofia em Istambul, na Turquia, templo cristão transformado em mesquita pelos turcos.
Perto da mesquita, que Adam recorda ser “a maior da Europa”, foi recentemente inaugurada uma moderna sala de concertos, que já foi palco de um atentado terrorista. Há pouco mais de dez dias atrás, uma suicida fez-se explodir à porta do edifício, tendo o atentado, que visava liquidar Ramzan Kadirov, morto seis pessoas e ferido dezenas.
“Trata-se de um acto cada vez mais raro em Grozni e na Tchetchénia. Os terroristas querem mostrar que ainda combatem, mas têm cada vez menos apoio. As pessoas estão cansadas”, afirma à Lusa Akhmad, estudante de uma das escolas superiores da capital tchetchena.
O taxista Aslambek desvia a nossa atenção para o nome da principal artéria da cidade: a Avenidade Lénine ostenta agora o nome do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
“Trata-se de uma iniciativa de Ramzan Kadirov, que considera que Vladimir Putin está na origem na estabilidade que hoje temos”, frisa Mukhamad, outro estudante.
O culto da personalidade, ou mais exactamente, de várias personalidades, é evidente desde que se aterra no Aeroporto de Grozni.
“A minha arma é a verdade e qualquer exército é impotente perante essa arma”, reza umas das citações de Akhmad Kadirov escrita à entrada do aeroporto. A poucos metros da porta aérea da capital tchetchena, numa das paredes de um hotel pode-se ver um gigantesco retrato de Ramzan Kadirov com a palavra de ordem: “A felcidade consiste em servir o povo”.
Além dos retratos de Akhmad e Kadirov, pode-se ver em numerosas praças e ruas da cidade os rostos de Dmitri Medvedev e Vladimir Putin, Presidente e primeiro-ministro da Rússia.
“Eu não aprovo que se colem por todo o lado o meu retrato, a iniciativa não é minha. Pode retirá-los todos amanhã, mas aparecerão novos. Se ninguém os arranca ou estraga com tinta, é porque o povo me apoia”, declarou à Lusa Ramzan Kadirov, quando confrontado com essa questão.
“É um gesto do povo para com o Presidente, que trouxe estabilidade, calma à Tchetchénia”, concorda o advogado Adam.
Durante o dia, Grozni é uma cidade como outra qualquer, mas quando cai a noite é notório o aumento de patrulhas militares e policiais nos acessos à capital tchetchena.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Tropas russas poderão ser autorizadas a actuar em qualquer região do mundo

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou hoje ter apresentado à Câmara Baixa do Parlamento Federal um projecto-lei que regulamenta o emprego das Forças Armadas russas no estrangeiro.
“Este assunto está ligado ao que aconteceu há um ano”, precisou Medvedev, referindo-se ao conflito russo-georgiano em torno da Ossétia do Sul, e acrescentou: “Não queremos nada que se repitam tais acontecimentos, mas é necessário ter um regulamento estrito”.
O dirigente russo fez essa declaração numa reunião com os dirigentes dos quatro partidos representados na Duma Estatal da Rússia, realizada em Soitchi, no sul do país.
Dmitri Medvedev pediu aos deputados para introduzir alterações à lei “Sobre a Defesa”, propondo uma adenda ao artigo 10 dessa lei, que define o emprego das tropas russas no estrangeiro.
Segundo essa adenda, as tropas russas poderão ser empregues para “rechaçar ataques contra as Forças Armadas da Federação da Rússia ou contra outras tropas aquarteladas fora do território da Rússia”, “rechaçar ou impedir a agressão contra outro Estado”; “defesa dos cidadãos da Federação da Rússia no estrangeiro” e “lutar contra pirataria e garantir a segurança da navegação”.
A “defesa dos cidadãos da Federação da Rússia no estrangeiro” foi, ainda antes de estar prevista na lei, foi o pretexto utilizado por Moscovo, em Agosto do ano passado, para expulsar as tropas georgianas da Ossétia do Sul e levar os seus militares às portas de Tbilissi, capital da Geórgia.
Quem será a próxima ou as próximas vítimas desta nova doutrina militar?

Marinha de Guerra russo envia vasos para procurar navio de carga desaparecido

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou hoje que, na quarta-feira, navios da sua Armada do Mar Negro entrarão no Oceano Atlântico para dar início às buscas do navio de carga Arctic Sea, com tripulação russa a bordo.
Segundo a agência Interfax, que cita fontes do Ministério da Defesa da Rússia, “amanhã, às 23.00 horas (20 horas TMG), quatro vasos de guerra da Armada do Mar Negro atravessarão o Estreito de Gibraltar e entrarão no Atlântico, tendo já sido dado a respectiva ordem”.
Porém, os militares russos sublinham que as operações de busca se irão realizar “de passagem”, ou seja, “na zona e no quadro do gráfico de movimentação dos navios de guerra russos, porque eles devem chegar ao porto Baltisk (no Mar Báltico) na hora marcada”.
A velocidade destes navios de guerra é de 11 nós (cerca de 20 km/hora).
Na véspera, a Marinha de Guerra da Rússia anunciou que o navio Arctic Sea, que transportava madeira do Báltico para a Argélia, teria desaparecido em águas territoriais portuguesas.
Porém, hoje, o Ministério dos Transportes da Rússia anunciou ter recebido das autoridades portuguesas a informação de que esse navio não se encontra nas águias territoriais de Portugal.

Foi Dmitri Medvedev que disse

Caros leitores, para não dizerem que sou eu que passo a vida a denegrir a Rússia e os seus dirigentes, deixo aqui um artigo difundido pela AFP com importantes declarações do Presidente Medvedev. Afinal, é urgente modernizar e diversificar a economia russa.
"O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considerou hoje que o seu país deve reformar a sua economia, que actualmente depende fortemente da venda de hidrocarbonatos (petróleo e gás natural) para sair do actual “impasse”.
“No futuro não podemos continuar a desenvolvermo-nos desta maneira. É um impasse”, disse Medvedev em Sotchi (estância balnear do Sul da Rússia), em declarações emitidas pela cadeira de televisão NTV.
“De outro modo a nossa economia não tem futuro”, sublinhou.
“A Rússia precisa de andar para a frente, mas de momento não há passos em frente. Andamos às voltas, e a crise mostrou-o bem”, disse ainda Medvedev.
Muito estimulada pelos petrodólares, nos últimos anos a economia da Rússia teve taxas de crescimento espectaculares: 5,6 por cento no ano passado, 8,1 por cento em 2007 e 7,7 por cento em 2006.
“Mas desde que a crise começou afundámo-nos. E afundámo-nos de maneira mais intensa que muitos outros países”, reconheceu o Presidente da Rússia.“Porquê? Porque não mudámos a estrutura da nossa economia. A nossa economia assenta nos hidrocarbonetos, os recursos naturais e a sua exportação”, explicou.
As autoridades russas estimam para este ano uma queda de 8,5 por cento do PIB do país."

Impressões da Tchetchénia

"Eu,culpado? Provem!"

Entrada da residência de Ramzan Kadirov em Gudermes

Avenida Vladimir Putin, Grozni


Caros leitores, tal como estava planeado, eu realizei uma visita, há muito tempo esperada, à Tchetchénia. As impressões são muitas. O objectivo era entrevistar Ramzan Kadirov, Presidente dessa república do Cáucaso russo, mas ainda tive tempo de passear por Grozni, falar com as pessoas.
Antes de publicar o texto sobre as peripécias do encontro com Ramzan Kadirov, quero salientar que os tchetchenos são um povo muito hospitaleiro e atencioso. Isso permitiu falar com bastantes pessoas em Grozni e ficar com uma ideia da cidade que renasce das cinzas.

A entrevista com o Presidente da Tchetchénia, Ramzan Kadirov, estava marcada para o sábado, mas logo que os jornalistas aterraram na capital tchetchena, na sexta-feira, foram avisados de que o encontro poderia ter lugar a qualquer momento.
“O Presidente Kadirov é imprevisível, tem uma agenda muito cheia, movimenta-se muito. Por isso, não podemos dizer qual a hora certa da entrevista”, informou um funcionário do centro de imprensa da Presidência tchetchena.
“Ramzan Kadirov está em toda a parte”, respondeu o funcionário, com o característico humor caucasiano, à pergunta: “Onde se vai realizar a entrevista?”.
As horas passavam, a noite aproximava-se, mas as informações que chegavam do centro de imprensa continuavam a ser pouco precisas. O primeiro sinal chegou ao hotal cerca das dez da noite, quando nos foi dito que deveríamos estar prontos em quinze minutos para sair.
Uma carrinha da Administração Presidencial recolheu-nos no hotel e dirigiu-se a alta velocidade para fora de Grozni, desrespeitando todas as normas do código de estrada. O encontro não se realizaria no palácio presidencial da capital tchetchena.
Passámos a cidade de Argun e, depois de percorrer cerca de 40 quilómetros, quando nos aproximávamos de Gudermes, outra cidade tchetchena, a carrinha parou junto de uma quinta iluminada com lâmpadas com as cores da bandeira tchetchena: verde, branca e vermelha.
As barreiras e homens barbudos, armados com metralhadoras Kalachnikov, vestidos de forma a que era difícil distinguir se estavamos perante agentes da autoridade ou guerrilheiros, eram um sinal de que ali vivia alguém que necessita de protecção.
Depois da revista de gravadores, máquinas fotográficas e telemóveis, a carrinha transportou-nos através de um parque onde havia um hipódromo (Ramzan Kadirov é um grande admirador de corridas de cavalos) e vários edifícios, entre os quais uma pepuena mesquita, uma jaula com um casal de leões, aves exóticas como pavões e outras.
Um novo e longo compasso de espera foi preenchido com conversas com funcionários do centro de imprensa de Ramzan Kadirov sobre a guerra na Tchetchénia e a situação no Cáucaso.
Já passava da uma hora da manhã quando fomos convidados a entrar na residência do Presidente tchetcheno. Descalçámos os sapatos junto da porta da entrada, como manda a tradição muçulmana, e entrámos numa sala de bilhar, onde Kadirov, vestindo um fato de treino, disputava uma partida com um dos seus seguranças.
Foi ainda preciso esperar mais um pouco para que o Presidente trocasse o fato de treino por uma camisa Dolce & Gabbana e se sentasse à secretária do seu gabinete.
Ramzan Kadirov, com intensa gesticulação e emoção, como é próprio dos homens do Cáucaso, respondeu a todas as perguntas, sem fugir às mais desagradáveis. Os gestos tornavam-se mais frequentes e a voz subia de tom quando se defendia das acusações de estar por detrás de assassinatos de adversários políticos e defensores de direitos humanos.
O dirigente tchetcheno nem sequer escondeu a sua preferência face aos actuais dirigentes russos.
“Putin é o meu herói, estaria disposto a dar a vida por ele. Gostaria que ele fosse Presidente da Rússia!”, exclama Kadirov, mas acrescenta: “O Presidente da Rússia é Dmitri Anatolevitch Medvedev, é perante ele que respondo”.
Eram três da manhã quando Ramzan Kadirov retomou a partida de bilhar, depois de se despedir dos jornalistas.
“Ninguém sabe quando é que o nosso Presidente dorme, descansa ou trabalha. Pode acordar de madrugada e dirigir-se para as montanhas, ou realizar reuniões de trabalho”, revela à Lusa um funcionário da Presidência.



Fez-me lembrar José Estaline, que também gostava de trabalhar à noite, podendo levantar da cama os seus ministros a qualquer hora da noite.

domingo, agosto 09, 2009

Navio mercante com tripulação russa desaparece junto da costa portuguesa



A Marinha de Guerra da Rússia segue com atenção o desaparecimento do navio de carga Arctic Sea e já deu as indicações necessárias aos seus navios, lê-se num comunicado divulgado hoje em Moscovo.
O navio de carga Arctic Sea, com tripulação russa de 13 homens, deixou de estar em contacto com terra junto da costa portuguesa, escreve hoje a edição electrónica do Sovfakht, jornal especializado em transportes marítimos.
Segundo o director deste jornal, Mikhail Voitenko, o navio, que navegava sob bandeira de Malta, deveria ter chegado a um porto argelino no passado dia 04 de Agosto, mas não existe qualquer tipo de comunicação com ele desde 28 de Julho.
“O navio literalmentente desapareceu, não há comunicação com ele, nem o armador, nem os parentes sabem da sua localização. O navio está a ser procurado por todos os serviços, incluindo armadas militares”, acrescentou.
“Um navio desse tipo não pode desaparecer facilmente, não podia afundar-se antes de lançar um SOS, isso é simplesmente impossível”, frisou.
Na sexta-feira passada, a rádio finlandesa informou que o navio teria sido desviado no Mar Báltico, quando navegava da cidade de Ikovstadt rumo à Argélia.
Segundo o diário Helsingin Sanomat, citando autoridades portuárias espanholas, o navio de carga não atravessou ainda o Estreito de Gibraltar.
Emm Moscovo não se exclui a possibilidade de este desvio do navio de carga estar ligado ao tráfico de droga.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Parlamento da Ossétia do Sul nomeou o primeiro-ministro



Para os leitores que não compreenderam os meandros financeiros na Ossétia do Sul, que vive exclusvamente à custa do Orçamento da Rússia, deixo aqui um texto que escrevi para a Agência Lusa hoje:

"O Parlamento da Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, cuja independência foi reconhecida pela Rússia, nomeou o cidadão russo Vadim Brovtsev (na foto), para o cargo de primeiro-ministro.
Na véspera, Eduard Kokoiti, Presidente osseta, demitiu Aslanbek Bulatsev de chefe do governo da Ossétia devido “ao seu estado de saúde”.
A candidatura de Brovtsev, apresentada por Kokoiti, foi aprovada, em votação secreta, por 24 dos 27 deputados do Parlamento.
Vadim Brotsev, 40 anos, ocupava o cargo de director de uma companhia de construção civil da cidade russa de Tcheliabinski, nos Urais.
Esta troca de um ossete por um russo no cargo de primeiro-ministro poderá ter a ver com o desaparecimento dos meios financeiros canalizados pela Rússia para a reconstrução da Ossétia do Sul.
“Recentemente, uma missão do Tribunal de Contas da Rússia esteve na Ossétia do Sul e constatou que muito do dinheiro enviado tinha desaparecido nos meandros da corrupção local”, declarou à Lusa por telefone uma fonte em Moscovo.
“Trata-se claramente de uma tentativa de aumentar o controlo de Moscovo sobre os dirigentes da Ossétia do Sul”, frisou.
“Por outro lado, o Kremlin sublinha uma vez mais que é senhor da situação naquela república”, concluiu a fonte."

terça-feira, agosto 04, 2009

Ossétia do Sul encerra fronteira com Geórgia

A fronteira estatal da Ossétia do Sul com a Geórgia será encerrada à meia noite, declarou hoje o Presidente osseta, Eduard Kokoiti, citado pela agência interfax.
Numa reunião com dirigentes dos serviços de segurança em Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, Kokoiti invocou, como razões para justificar essa decisão, as “provocações cada vez mais numerosas da parte georgiana nos últimos tempos, bem como o perigo da entreda na Ossétia do Sul da “gripe suína”, alguns casos da qual foram registados na Geórgia.
Segundo Kokoiti, a proibição da travessia da fronteira diz respeito tanto a veículos como a peões. Entretanto,
Tbilissi já reagiu à decidiu de Moscovo de pôr o seu contingente militar em estado de alerta. “As tropas russas encontram-se no território da Geórgia de forma completamente ilegal, elas ocupam hoje cerca de 20 pc do nosso território”, declarou Alexandre Nalbandov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Geórgia.
Segundo ele, “as declarações sobre o reforço da preparação militar dos militares e guarda-fronteiriços russos que se encontram na Ossétia do Sul, são até curiosas”.
“Elas contêm uma ameaça aberta de emprego da força contra a Geórgia”, frisou.
Nos últimos dias, as relações entre Moscovo e Tbilissi agudizam-se, acusando-se mutuamente de ataques armados na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, mas cuja independência é reconhecida pela Rússia.
P.S. Gostaria de chamar a atenção para uma das causas do encerramento da fronteira: a gripe suína. O Sr. Kokoiti deveria ter inventado algo mais inteligente. Na Geórgia h~´a apenas 12 casos de gripe A H1V1.
Seria mais importante analisar se toda esta agudização da crise na Ossétia do Sul não tem a ver com o desaparecimento dos meios financeiros canalizados pela Rússia para a reconstrução do "novo Estado independente".

segunda-feira, agosto 03, 2009

Uzbequistão não quer base militar russa no Quirguistão

O Uzbequistão opõe-se à instalação de uma nova base militar russa no sul do Quirguistão porque desestabilizará a situação na região, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão num comunicado.
“O Uzbequistão considera que não existe necessidade alguma de instalar uma nova base militar russa no sul do Quirguistão, uma zona complicada e pouco previsível onde se juntam as fronteiras de três países e onde se poderá desestabilizar a situação”, assinala-se no comunicado.
Moscovo revelou os seus planos de criar uma nova base militar no Quirguistão depois de assinar, no dia 01 de Agosto, o memorando “Sobre as intenções da Rússia e do Quirguistão de desenvolver o marco legal que regula o estacionamento de unidades militares e o aquartelamento de contingentes adicionais russos no território do Quirguistão”.
Segundo este plano, Moscovo pretende instalar um contingente militar adicional que incluirá um batalhão e um centro de instrução para preparar militares russos e quirguizes.
A Rússia tem já uma importante base aérea militar em Kant, nos arredores de Bichkek, capital do Quirguistão, perto da base área militar norte-americana de Manas. Estas bases foram criadas a pretexto de travar o alargamento do extremismo islâmico à Ásia Central e de apoiar a luta contra os talibãs no Afeganistão.
“Esses planos podem provocar processos de militarização e dar início a manifestações nacionalistas e extremistas capazes de desequilibrar seriamente a situação neste vasto território”, assinala a diplomacia uzbeque.

domingo, agosto 02, 2009

Acusações de Moscovo são “ameaça aberta” - diplomacia georgiana

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia condenou hoje a declaração do Ministério da Defesa da Rússia onde se acusa as autoridades georgianas de provocações contra a Ossétia do Sul.
Segundo a diplomacia de Tbilissi, as acusações são “absolutamente infundadas” e a declaração é considerada uma “provocação aberta contra a Geórgia”.
Além disso, na declaração sublinha-se que a posição de Moscovo “visa desestabilizar a situação na região e encaminhar os acontecimentos segundo um cenário perigoso”.
O Ministério da Defesa da Rússia advertiu, ontem, que utilizará a força para defender a Ossétia do Sul e os soldados russos aquartelados nessa república caso a Geórgia não suspenda os ataques contra essa sua república separatista.
“Esses ataques causam sérias preocupações. E no caso de mais provocações que ameaçem a população da Ossétia do Sul e o contingente russo, o Ministério da Defesa da Rússia reserva-se o direito de empregar toda a sua força e recursos disponíveis para defender a população civil e as tropas russas”, sublinha-se num comunicado desse ministério.
Segundo ele, nos últimos dias, desde o território da Geórgia que se têm realizado ataques contra povoações da Ossétia do Sul e Tskhinvali, capital dessa república, sem, até ao momento, provocar vítimas.
“Num cenário similar desenvolveram-se, em Agosto de 2008, os acontecimentos que conduziram à agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul e os ataques contra as tropas de paz russas”, acrescenta-se no comunicado do Ministério da Defesa.
Horas antes, o Ministério da Informação da Ossétia do Sul anunciou que um posto de observação militar desse território tinha sido atacado na manhã de Sábado com fogo de morteiros a partir do território da Geórgia.
A 30 de Julho, Geórgia e Ossétia do Sul trocaram acusações sobre as origens do tiroteio que se produziu durante a noite na zona de Tskhinvali, sem causar vítimas, nem destruições.
Trata-se da primeira onda de incidentes depois da Rússia ter intervindo militarmente contra a Geórgia, a 08 de Agosto de 2008, a pretexto de defender os seus cidadãos e tropas de manutenção da paz na Ossétia do Sul.
Essa guerra terminou com um cessar de fogo assinado entre a Rússia e a Geórgia, tendo a União Europeia actuado como intermediária. Em Setembro do mesmo ano, Moscovo reconheceu a independência não só da Ossétia do Sul, mas também da Abkhásia, outra república separatista da Geórgia.
Até agora, esta iniciativa do Kremlin recebeu o apoio apenas da Nicarágua.

Contributo para a História (Moçambique)


Guennadi Luchenok foi um dos pilotos militares soviéticos que combateu em Moçambique ao lado da FRELIMO.
Aqui fica parte de uma entrevista por ele concedida ao jornal “Vesti Segodnia”, orgão de informação publicado na Letónia (país onde actualmente reside) em língua russa. Luchenok tripulava um caça MIG-17 e combateu em Moçambique em 1979. Os aviões de combate soviéticos chegavam por mar ao porto de Nacala.
“Deram-nos várias vacinas, mas, no fundamental, recomendavam tratar com álcool todas as doenças incuráveis para os europeus. Viajavamos para África como uma equipa de desportistas, em aviões civis, tínhamos passaportes diplomáticos verdes. Se bem me recordo, partimos no Outono e chegámos ao Hemisfério Sul no zénite do Verão”, recorda.
Guennadi, que esteve apenas uma vez no Maputo, pois os caças soviéticos estavam estacionados “num ponto completamente diferente do país, reconhece que também participou nos combates contra a RENAMO, “apoiada pela República da África do Sul e pela Rodésia do Sul”. “Do “outro” lado também havia aviões antigos: os americanos “Sabre” e “Super-Sabre”. Mas nunca tive de disparar contra eles; no fundamental, atacavamos alvos terrestres, peças de artilharia ou lança-mísseis. Voavamos a 1200-1800 metros. O MIG-17 estava muito bem armado, tinha duas metralhadoras de 23 mm e uma de 30 mm, enquanto que os “Sabre” americanos” tinham 6 metralhadoras de 12,7 mm. Mas o “Sabre” fazia ponjaria através de um sistema de rádio, enquanto que, no MIG, tínhamos de fazer contas de cabeça, ter em conta todos os ângulos, correntes aéreas que desviavam as munições”, continua o piloto.
“Eu disparava e bombardeava bem”, continua o oficial soviético, “Voei em Moçambique 150 horas, ou seja, realizei cerca de 250 voos... Tínhamos muitas limitações com o combustível, porque, os caças voam com mais êxito, e com menos consumo de combustível, a uma altura de 9-10 quilómetros”.
Quanto às baixas entre pilotos moçambicanos, o soviético recorda que, fundamentalmente, os aviões eram abatidos por peças de artilharia anti-aérea. “Eu comandava um grupo de 5 homens, dos quais 2 morreram. Eles catapultaram e lixaram-se. Lá, as leis são cruéis e só dificilmente fazia prisioneiros”, conclui.