quarta-feira, setembro 16, 2009

Rússia entra na era da alta velocidade




A Rússia entra na era da alta velocidade através de um “compromisso” entre a mais moderna tecnologia alemã e a infra-estrutura russa ainda não modernizada. Os Velaros Rússia, fabricados pela empresa alemã Siemens, irão começar a circular no próximo mês de Dezembro entre Moscovo e São Petersburgo, ficando à espera de uma linha férrea autónoma e mais moderna.
Não obstante, Vladimir Zinner, director do Departamento de Alta Velocidade dos Caminhos de Ferro da Rússia (RZD), não tem dúvida de que o primeiro TGV a cursar entre as duas maiores cidades russas está ao nível de concorrer com o automóvel e o avião.
SAPSAN (Falcão) é o nome do primeiro comboio de alta velocidade fabricado pela Siemens especialmente para a Rússia e os testes com os primeiros aparelhos revelaram já as boas perspectivas deste moderno meio de transporte.
Mesmo utilizando a actual infra-estrutura existente, o SAPSAN deverá cursar a uma média de 150 quilómetros à hora, o que permitirá superar os 660 quilómetros que separam Moscovo e São Petersburgo em 04 horas e 15 minutos.
Em comparação com os actuais comboios russos, o TGV da Siemens faz apenas poupar 33 minutos, mas, além de prometer velocidades bem mais altas quando for construído um caminho de ferro especial para o efeito (até uma média de 350 km/hora), já agora garante mais espaço, conforto e segurança.
Inicialmente, a Rússia planeava adquirir à Siemens 60 comboios de alta velocidade, mas a crise económica mundial obrigou a rever os planos e a reduzir esse número para oito.
Mas trata-se de dificuldades temporárias e as autoridades russas dizem-se decididas a modernizar as infraestruturas do país.
“O nosso objectivo é construir até 10 mil quilómetros de linhas férreas de alta velocidade até 2030”, declarou à Lusa Vladimir Zinner.
“Vamos apostar principalmente nas distâncias médias, onde o poder de concorrência do TGV é evidente em comparação com o avião, para já não falar do automóvel”, acrescentou.
Num país onde praticamente não existem auto-estradas, uma viagem entre Moscovo e São Petersburgo de automóvel leva, em média, 8-9 horas, o que faz com que este meio de transporte não seja concorrente com o TGV.
“O TGV também vai concorrer com o avião. Embora o voo entre Moscovo e São Petersburgo demore apenas 1 hora e 20 minutos, é necessário estar no aeroporto duas horas antes do voo e, antes disso, é necessário chegar ao aeroporto. Tendo em conta as extensas filas de carro nas estradas das duas cidades russas e o facto de os aeroportos se situarem nos arredores, a viagem do avião não se torna mais rápida”, declarou à Lusa Hans-Jorg Grundman, chefe do Departamento de Mobilidade da Siemens.
“Além disso”, continua, “o passageiro terá muito mais espaço, poderá usar computador e telemóvel no comboio e o bilhete será mais barato”.
Segundo a direcção da RZD da Rússia, o bilhete (ida e volta) de TGV entre Moscovo e São Petersburgo deverá rondar os cem euros, enquanto que o bilhete de avião custa 130 euros.
“E não se pode menosprezar o facto de o TGV ser incomparavelmente menos poluente”, sublinhou Grundman.

Rússia aposta na importação de tecnologia estrangeira no campo da alta velocidade







As enormes mudanças políticas de finais do séc. XX provocaram sérias alterações nos planos de desenvolvimento dos transportes na Rússia. O maior país do mundo, onde os caminhos de ferro sempre foram uma prioridade entre os transportes, necessita de comboios de alta velocidade para a sua modernização.
A União Soviética deu início ao fabrico de comboios rápidos em 1965, mas a posterior desintegração do país e do COMECOM (organização económica dos antigos países comunistas)levaram à suspensão do projecto, optando a actual direcção russa pela importação de tecnologia estrangeira.
O primeiro comboio de alta velocidade a ser produzido na era soviética recebeu o nome de Aurora, em honra do cruzador de guerra que, em Novembro de 1917, deu o sinal para o início da revolução comunista.
Com locomotivas fabricadas pela empresa Skoda na Checoslováquia, o Aurora atingia uma média de 160 km/hora e cobria a distância entre Moscovo e São Petersburgo em 04 horas e 59 minutos.
Mais tarde, em 1984, o comboio rápido ER-200, fabricado em Riga, na Letónia, fez subir a velocidade média para 200 km/hora, o que reduziu o tempo de viagem para 04 horas e 48 minutos.
Porém, a fábrica letã teve tempo de produzir apenas dois comboios de alta velocidade, um dos quais já se encontra no Museu dos Caminhos de Ferro da Rússia.
Era preciso encontrar uma solução para este problema depois da queda da União Soviética e uma decisão política de Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, foi o suficiente para dar início à cooperação entre os Caminhos de Ferro da Rússia e o consórcio alemão Siemens no campo da alta velocidade.
A decisão do Kremlin de apostar na tecnologia alemã foi tomada num encontro entre Putin e Gerhard Schroeder, então chanceler alemão.
Os dirigentes da Siemens não escondem esse facto, mas sublinham que, actualmente, outras empresas do ramo entram no mercado russo. Por exemplo, o TGV que irá ligar São Petersburgo e Helsínquia, capital da Finlândia, será de fabrico francês.
A Siemens participa não não só na modernização da rede ferroviária de alta velocidade russa. Os Caminhos de Ferro da Rússia planeiam também substituir, até 2030, todas as 20 mil locomotivas de que actualmente dispõem, e isso será feito com a participação do consórcio alemão.
Em Ekaterimburgo, cidade russa nos Urais, uma empresa russo-germânica conjunta produz, presentemente, cem locomotivas por ano, mas outros projectos avançam.

terça-feira, setembro 15, 2009

Moscovo dá novos passos para anexar Abkházia e Ossétia do Sul


A Rússia assinou hoje um acordo de cooperação com a Abkházia e a Ossétia do Sul que que prevê a criação de bases militares nessas regiões separatistas da Geórgia.
O acordo, válido por 49 anos, foi assinado na capital russa por Anatóli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia, e pelos seus homólogos da Abkházia e da Ossétia do Sul, respectivamente Merab Kichmaria e Iúri Tanaev.
O documento prevê, entre outras coisas, o aquartelamento de 1.700 soldados russos em cada uma dessas regiões, cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin em Agosto do ano passado.
Anatóli Serdiukov anunciou que a Rússia planeia assinara novos acordos de cooperação no campo técnico-militar com a Abkházia e Ossétia do Sul.
“Trata-se apenas do primeiro passo entre os nossos ministérios. Nos tempos mais próximos irá ser assinada uma série de acordos nos campos da cooperação militar e técnico-militar”, declarou.
No mesmo dia, o general Victor Trufanov, comandante do Serviço Fronteiriço do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, anunciou que irá prender os navios que violarem a fronteira marítima da Abkházia, anunciou hoje .
Antes, o vice-comandante desse serviço, Evgueni Intchin, declarou que as forças fronteiriças navais do FSB da Rússia irá, juntamente com a guarda-fronteiriça abkhaze, garantir a segurança dos navios que entrarem nas águas da Abkházia.
A Abkházia, região separatista da Geórgia, proclamou a independência, em Agosto do ano passado, com o apoio de Moscovo. A guarda-fronteiriça georgiana, desde o início de 2009, deteve mais de 20 navios por terem “violado as regras de entrada nas águas de territórios ocupados”.
Moscovo, baseando-se no acordo assinado com a Abkházia sobre a garantia conjunta da segurança nas águas territoriais abkhazes, ameaçou recorrer à força para impedir aquilo que considera “acções de pirataria” da Geórgia.
O general Victor Trufanov anunciou também que “todos os trabalhos necessários para organizar as fronteiras da Abkházia” estarão terminados em Novembro de 2009.

Em Direito Internacional, estes passos têm uma definião: anexação.

Dmitri Medvedev não exclui possibilidade de se recandidatar à presidência em 2012


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, não excluiu hoje a possibilidade de se recandidatar a esse cargo nas eleições de 2012.
“Há algum tempo atrás, eu próprio não tencionava candidatar-me ao cargo de presidente, mas o destino decidiu de outro modo e, por isso, não tento adivinhar nada e não excluo nada”, declarou Medvedev num encontro com analistas políticos e jornalistas russos e estrangeiros.
“Posso dizer sobre esse tema que tento sempre, enquanto pessoa mais ou menos consequente, levar os meus planos até ao fim. Segundo, tento não adivinhar o futuro, porque assim é mais simples, devo ter um plano, mas, em relação a mim, tento nada adivinhar”, frisou.
Medvedev foi eleito Presidente da Rússia em Março de 2008, substituindo Vladimir Putin nesse cargo. As próximas eleições terão lugar em 2012 e ele poderá ser reeleito.
No passado dia 11, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que não irá concorrer com o actual Presidente do país, Dmitri Medvedev, nas eleições presidenciais de 2012, tal como não o fez em 2008.
“À pergunta se eles (Putin e Medvedev) irão concorrer nas eleições de 2012, Putin respondeu com uma pergunta: “Mas será que nós concorremos em 2008? Em 2012 também não iremos concorrer. Chegaremos a um acordo porque somos pessoas com o mesmo sangue e as mesmas ideias políticas”, relatou então Nikolai Zlovin, analista político.
Segundo ele, Putin sublinhou que, quando chegar a hora, ele e Medvedev “pensarão juntos”, partindo das realidades de 2012, dos planos políticos, da correlação de forças, da situação na “Rússia Unida”, partido dirigido pelo primeiro-ministro russo.
Ao comentar estas palavras, Medvedev frisou: “Há um sentido completamente evidente no facto de Putin ter respondido a essa pergunta”.
“Depois começaram a circular comentários estranhos sobre que ele alegadamente divide o eleitorado, decide como o povo russo vota. Mas ele disse uma coisa completamente diferente: há um grupo definido de pessoas e o facto é que, por enquanto, eu e ele, se nada acontecer, gozamos de uma popularidade bastante boa”, acrescentou.
“Se não for assim, seremos substituídos por outras pessoas. Isso não significa que resolvemos algo à priori, mas, enquanto pessoas responsáveis, devemos chegar a acordo um com o outro sobre algumas questões”, sublinhou.
“No que respeita aos meus planos, serei eu a formulá-los, não duvidem. Para mim, o meu destino não me é indiferente”, concluiu.

Blog dos leitores (Viagem à Rússia) Parte 5




O leitor Manuel R. Ortigão esteve recentemente na Rússia e decidiu compartilhar as suas impressões e fotografias com os restantes leitores. Aqui fica a última parte da viagem.

"No dia seguinte partimos para Novgorod, uma cidade a 190 km a sul de S. Peter. Fomos na camioneta de carreira que partiu às 08:30 e demorou pouco de mais de 2 horas. Ao longo da viagem fomos vendo as casas de madeira que marcam a paisagem campestre da Rússia, com as mais variadas cores, formatos e tamanhos, embora grande parte num mau estado de consevação. Sabe-se que muitas destas casas são “dachas”, isto é, casas de fim-de-semana dos habitantes das grandes cidades, embora outras funcionem como residências permanentes.

Novgorod é a mais antiga cidade Russa tendo sido fundada no século IX por Rurik, um príncipe Viking. Durante os séculos que se seguiram Novgorod envolveu-se e foi palco de enormes batalhas no quadro da luta pela sopremacia territorial na região, nomeadamente durante o reinado de Ivan o Terrivel que viria a ser o primeiro Tsar de Todas as Russias.

Novgorod é uma cidade relativamente pequena com uma grande muralha que circunda o chamado Kremlin, uma vasta área onde se situam os principais pontos de interesse, ou seja as igrejas e o museu de História, Arquitectura e Arte. Aqui se encontram fantásticas colecções de ícones incluindo os mais antigos que são conhecidos e que datam do século XI.

Estar em Novgorod foi também a oportunidade de fruir o movimento de uma pequena cidade na Rússia, com um ritmo mais calmo e bem diferente de Moscovo ou S. Petersburgo. Ali dormimos uma noite para no dia seguinte regressarmos a Moscovo e voar de volta para Lisboa.

Estes 10 dias de viagem foram aproveitados quase ao minuto e por isso a experiência foi intensa. Mas ficou a vontade de regressar para visitar tantos outros sítios e cidades sobretudo mais para Leste bem ficou a vontade de ver este país no Inverno, quando a neve e temperaturas baixas marcam presença."

Manuel R. Ortigão – Setembro 2009

Impressões de viagem a alta velocidade




Na segunda-feira, tive a possibilidade de participar nos testes do "SAPSAN" (Falcão), TGV da Siemens fabricado especialmente para a Rússia, e devo dizer que se trata de uma sensação muito agradável.


Infelizmente, não batemos recordes mundiais, pois os caminhos de ferro russos tal não permitem, mas conseguimos chegar aos 252 km/hora. Na foto publicada, apenas consegui registar os 251 km/hora. Uma sensação inesquecível.


Fiquei espantado ao ver pessoas a atravessar a linha de comboio com uma calma impressionante. Ainda bem que o SAPSAN avançava a uma velocidade baixa, mas, segundo nos disseram os condutores, acontece terem de travar de emergência, embora isso seja uma manobra difícil. Se o comboio for a uma velocidade de 250km/hora, necessita de mais de dois quilómetros para travar.


Amanhã, irei escrever mais pormenorizadamente sobre a minha viagem a São Petersburgo, mas deixo desde já claro que, com estas impressões, não quero envolver-me na discussão sobre o TGV em Portugal, pois acho que se trata de duas situações sem qualquer possibilidade de comparação.

domingo, setembro 13, 2009

O futuro incerto da "OPEP do gás natural"


Os analistas não são unânimes na avaliação das perspectivas de transformação do Forum dos Países Exportadores de Gás (FPEG) numa espécie de “OPEP do gás”. Alguns consideram pouco provável a criação de uma estrutura que regule os preços mundiais do gás, mas outros consideram que se pode transformar numa organização mais poderosa do que a que reúne os exportadores de petróleo.
A ideia da criação de uma “OPEP do gás” foi lançada pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, num encontro com o seu homólogo turcomeno, Saparmurat Niazov, em 2002, mas a ideia não teve o apoio do Turquemenistão, um dos maiores produtores mundiais de gás.
No início de 2007, Ali Hamenei, líder supremo do Irão, fez a mesma proposta num encontro com Igor Ivanov, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, e foi ganhando força até que foi criado o FPEG, de que fazem parte a Argélia, Bolívia, Egipto, Guiné Equatorial, Irão, Líbia, Nigéria, Qatar, Rússia, Trindade e Tobago e Venezuela.
A Noruega e o Cazaquistão são membros observadores.
A posição da Rússia em relação a esta organização é ambígua. Se, por um lado, Moscovo considera que o mercado mundial do gás não pode ser regulado como o mercado do petróleo, os dirigentes russos não estão contra a utilização deste forum para formar os preços do “combustível azul” e pretendem ao papel central no seu seio.
“É difícil esperar uma posição conjunta, por exemplo, sobre os volumes de extracção de gás. É pouco provável que a Gazprom queira aconselhar-se com alguém sobre isso. Por conseguinte, não será uma OPEP completa”, considera Dmitri Alexandrov, perito da empresa financeira “Financial Bridge”.
Segundo ele, “a única coisa que podem fazer é a elaboração de uma especificidade conjunta de contratos para o comércio na bolsa, o anúncio conjunto de níveis de preços de gás semelhantes, uma estratégia conjunta de desenvolvimento e trabalho nos vários mercados”.
Depois de constatar que “o mesmo fenómeno observa-se nas relações entre a Rússia e a OPEP”, Alexandrov acrescenta que o FPEG, não obstante, se pode tornar numa organização mais influente que a OPEP.
“Em princípio, é preciso compreender que a “OPEP do gás” acabará por controlar um maior de volume de comércio e extracção mundial do que que a OPEP”, sublinhou.

Rússia combate em todas as frentes dos fornecimentos de gás à Europa


Não obstante a crise económica, a Rússia continua a combater em todas as frentes dos fornecimentos de gás à Europa.
Na frente leste, Moscovo tenta fazer avançar os projectos de construção de dois gigantescos gasodutos: “Corrente do Norte” e “Corrente do Sul”, a fim de fornecer gás natural da Ásia Central à Europa, ladeando os territórios da Ucrânia, Bielorrússia e da Polónia.
Além disso, principalmente a construção do “Corrente Sul”, pretende dificultar ou mesmo impedir a edificação do gasoduto “Nabbuco”, obra financiada pela União Europeia e que visa reduzir a dependência da Europa em relação à Rússia no campo dos fornecimentos de “combustível azul”.
A frente ocidental tem como plataforma o Norte e o Ocidente de África, onde as empresas russas estão a realizar sérios investimentos no campo da prospecção e exploração de gás e petróleo.
Na Argélia, a Gazprom, o maior produtor e exportador de gás russo, tenciona explorar até 30 milhões de toneladas de petróleo e cerca de 100 mil milhões de metros cúbicos de gás no jazigo de El Assel.
A Rosneft, a maior petrolífera russa, criou uma empresa conjunta com a gasífera argelina Sonatrach para explorar jazigos de gás em Tasselit do Norte.
Na Líbia, a Gazprom explora duas regiões gasíferas na plataforma continental do Mar Mediterrâneo e a sul da capital líbia, Tripoli.
No Egipto, a empresa Novatek, o segundo maior produtor de gás da Rússia, vai começar a explorar gás em El-Arish.
Na Nigéria, a Gazprom assinou com a empresa nigeriana NNPC um acordo que prevê investimentos de mais de dois mil milhões de euros na prospecção e desenvolvimento do sector energético nesse país.
Este é um dos primeiros passados da gasífera russa com vista a participar na construção do gasoduto que irá ligar a Nigéria à Europa através do Deserto do Sara.
Nos últimos tempos, a Rússia tem planos de desenvolvimento do ramo do gás condensado, tendo em conta os seus investimentos na Venezuela e noutros países da América Latina.

sábado, setembro 12, 2009

Diplomacia russa recusa-se comentar visita secreta de Netanyahu à Rússia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia não comenta informações sobre a visita secreta do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu à Rússia, informa a rádio Eco de Moscovo.
Este pedido de informação foi feito depois de Dan Meridor, ministro para Assuntos da Energia Atómica de Israel, ter admitido a realização dessa visita, embora não tenha revelado qual o objectivo.
No dia 09 de Setembro, órgãos de informação israelitas escreveram que, dois dias antes, na segunda-feira, Benjamin Netanyahu teria realizado uma rápida viagem secreta à capital russa a fim de abordar, com os dirigentes russos, a questão do desaparecimento do cargueiro Arctic Sea.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, num encontro com analistas políticos, respondeu com uma pergunta à pergunta: “O que sabe sobre a visita de Netanyahu a Moscovo?”.
“E você o que sabe?”, retorquiu Putin e nada mais acrescentou.
O cargueiro Arctic Sea, que oficialmente transportava madeira da Finlândia para a Argélia, desapareceu em finais de Julho no Mar Báltico e foi descoberto por navios de guerra russos nas costas de Cabo Verde a 16 de Agosto.
Após o resgaste do navio, as autoridades militares russas anunciaram que ele iria ser rebocado para o porto de Novorrosisk, no Mar Negro, onde deveria chegar até 10 de Setembro para ser sujeito a “buscas minuciosas”. Porém, no dia 10, Moscovo anunciou que o cargueiro iria ser entregue às autoridades de Malta, sob cuja bandeira navegava, nas ilhas espanholas de Las Palmas.
Ontem, sem qualquer tipo de explicações, o Arctic Sea começou a afastar-se dessas ilhas, estando agora em parte incerta.
Tendo em conta os mistérios criados à volta do desaparecimento do navio e os meios militares empregues pela Rússia para o localizar, alguns analistas levantaram a hipótese de o Arctic Sea transportar mísseis S-300 para o Irão ou a Síria, tendo a operação sido abortada através de uma intervenção dos serviços secretos israelitas.
Segundo este cenário, Netanyahu teria vindo secretamente a Moscovo para resolver o problema, evitando tornar público os pormenores de toda a história.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Procuradoria-Geral da Rússia, no entanto, continuam a afirmar que o cargueiro nada mais transportava além da “carga declarada”.
“O facto de o navio ainda não ter chegado a um porto mostra que Moscovo ainda não conseguiu apagar todos os rastos da carga ilegal que o Arctic Sea transportava”, declarou à Lusa uma fonte diplomática em Moscovo.
“Além disso, a forma como as autoridades russas têm gerido o misterioso desaparecimento do cargueiro, contradizendo-se quase diariamente, é mais uma prova de que ele realmente transportava carga ilegal”, sublinhou a fonte.
Moscovo está em dívida para com Telavive. No verão passado, durante a guerra entre a Geórgia e a Rússia, Israel recusou-se a vender tanques e aviões a Tbilissi.
Além do mais, o Kremlin pretende realizar ainda este ano uma conferência internacional sobre o Médio Oriente, mas essa iniciativa não terá sentido sem Israel.

Blog dos leitores (Viagem à Rússia) Parte 4




O leitor Manuel R. Ortigão esteve recentemente na Rússia e decidiu compartilhar as suas impressões e fotografias com os restantes leitores. Aqui fica a continuação.



No 2º dia em S. Peter fomos na única excursão organizada em que participamos nesta viagem para visitar o palácio de Verão de Catarina a Grande – Tsarskoe Selo. Optámos por uma excursão porque há grandes filas para entrar no palácio e desta forma entra-se com mais facilidade para além do facto de que assim também tínhamos assegurado o transporte para o local que fica a cerca de 60 kms de S. Peter. O palácio é enorme, imponente, cheio de ouro e de uma ostentação excessiva. O parque e jardins circundantes são fantásticos, com um grande lago, à volta do qual demos um lindíssimo passeio.

No 3º dia fomos então ao Hermitage para o que chegamos bem cedo à porta do palácio no sentido de evitar a fila: o museu só abre às 10:30 e cerca das 9 já havia umas dezenas de pessoas na fila. Esperamos, entramos e pudemos então desfrutar não só das fantásticas e diversificadas colecções de arte e objectos preciosos que ali estão expostos, mas também do edifício em si mesmo.

Após umas horas de visita ao museu precisávamos era de descansar um pouco porque ao fim do dia íamos à Opera, para o que é preciso estar bem acordado e descansado! Depois de uma sesta no hotel fomos para o Marinsky Theatre, para assistir a uma ópera de Wagner: “The Flying Dutchman” para a qual tínhamos comprado bilhetes ainda em Portugal, com alguma antecedência. O Marinsky Theatre é um dos locais de maior tradição no panorama musical e de dança na Europa, pelo que era com grande expectativa que íamos para este espectáculo. E as expectativas não foram defraudadas, bem antes pelo contrário: para além da beleza da sala e do seu imaculado estado de conservação, para além da emoção de estar ali naquela cidade, rodeados de um público maioritariamente Russo, com alguns turistas pelo meio, para além de tudo isso presenciamos a uma ópera de 2 horas e meia, sem intervalo, com grandes interpretações e sobretudo com uma encenação simples, despretensiosa mas sobretudo muito eficaz no sentido de criar o ambiente necessário para o desenvolvimento da historia e sua fruição e compreensão por parte do espectador.

O 4º dia foi marcado pelas viagens de barco. Era domingo e fomos de manhã no hydrofoil até Peterhof. O hydrofoil é um barco que desliza sobre as águas do Volga em grande velocidade, sem fazer praticamente qualquer onda e que em pouco mais de meia hora nos deixou no cais do parque de Peterhof. Ai compramos um bilhete que permite visitar os magníficos parques e jardins que circundam o palácio de Verão de Pedro o Grande. Optámos por não entrar no palácio propriamente dito pelo tamanho das filas e porque achamos que a experiência seria semelhante à do palácio de Catarina, mas passear nestes parques foi novamente uma experiencia agradabilíssima. Visitamos o “Mon Plaisir” , um pequeno recanto especial de Pedro o Grande onde, segundo reza a historia, ele instalava os seus amigos mais chegados e fazia grandes boémias. Uma pequena casa toda envidraçada com excelente vistas sobre o parque e sobre o rio e mantendo intacta a decoração da época, facilmente se imagina como Pedro e os seus amigos se deveriam aqui sentir tão bem, a desfrutar os privilégios que a vida lhes proporcionava. Pudemos também apreciar as fantásticas fontes que se encontram espalhadas pelos jardins e como o dia estava quente sabia especialmente bem parar junto da água a correr. Os numerosos visitantes com que nos cruzamos durante este dia eram maioritariamente Russos, alguns de S. Petersburgo e outros que se percebia virem de mais longe. Deu para perceber de qualquer forma que esta ida de barco e passeio nos parques de Peterhoof faz parte dos hábitos de fim de semana da população local.

Ao longo deste dia, como em todos os outros, fomos apreciando algo que nunca nos deixou de surpreender: os Russos quando se fotografam uns aos outros, colocam-se sempre em poses especiais, em que o olhar, as mãos, os braços, a postura do corpo tem sempre um carácter especial, estudado e extremamente curioso aos nossos olhos, quando para eles isso é feito com toda a naturalidade. Aqui está uma diferença cultural interessante! Outra diferença cultural é também o habito de os casamentos se movimentarem para os locais públicos, com os noivos e convidados vestidos a rigor, fazendo-se acompanhar das garrafas de champagne ou vinho branco e passando uma horas nesses locais públicos a beberem, tirar fotografias e sem dúvida a divertirem-se. No próprio hydrofoil ia também uma festa de casamento, mas ao longo dos dias em S Peter foram inúmeras as festas de casamento a que presenciámos. De regresso ao centro de S Peter, novamente no hydrofoil, tivemos um almoço tardio num restaurante grego perto da Catedral e Praça de S. Isaac e dos famosos hotéis Astoria e Inglaterra. Ao entardecer fomos noutro passeio de barco, desta vez numa viagem pelos canais da cidade, o que é uma experiencia em si mesma fundamental pela perspectiva que oferece da cidade.

O 5º e último dia em S Peter foi dedicado à história política. Começamos por visitar a fortaleza de Peter e Paul com vários pontos de interesse nomeadamente a igreja do mesmo nome e o museu prisão. Na prisão nas muralhas da fortaleza estiveram encarcerados muitas pessoas famosas durante os anos que precederam a revolução de Outubro, e à porta de cada cela está uma biografia dos mais importantes hóspedes que ali estiveram. Por lá passaram entre outros Trotsky e Máximo Gorky e também Alexander Ulianov, o irmão mais velho de Lenine que no final do sex XIX organizou um atentado para matar o Tsar Alexandre III, com a sua organização “Narodnaia Volia” (A Força do Povo) que passa por ter sido a primeira organização terrorista existente no mundo. Alexander Ulianov viria depois a ser transferido para outra prisão onde seria enforcado anos antes da Revolução de 1917, e reza a historia que todos estes factos viriam a ser determinantes na formação política de Lenine. Após a Revolução de 1917 antigos ministros e dirigentes militares do Tsar aqui ficariam também presos.

De seguida e pela proximidade fomos visitar o Museu da História Política da Rússia que está instalado numa magnífica mansão que antes pertenceu à bailarina Matilda Kshesinskaya, famosa não só pelos seus dotes artísticos mas sobretudo por ter sido amante do Tsar Nicolau II que a presenteou com aquela excelente casa. Depois da Revolução os dirigentes bolcheviques apoderaram-se do local e transformaram-no num dos seus quartéis-generais onde Lenine tinha o seu escritório e de cuja uma das varandas discursava para as massas. O museu actual mostra um pouco de tudo isso: como era a vida de Matilda quando ali vivia, como ficaram algumas das salas depois da ocupação pelos dirigentes revolucionários, estando as restantes divisões repletas de documentos e adereços da história política do país, incluindo uma das boinas de Lenine!

Mais tarde fomos visitar a casa museu de Kirov, também no mesmo bairro. Kirov foi uma figura proeminente do partido bolchevique que em 1934 foi assassinado presumivelmente por Estaline. Embora nunca tenha sido “oficialmente” assumido que a sua execução foi feita a mando de Estaline, existe um consenso generalizado entre os historiadores que foi esse o caso. A casa de Kirov fica num grande apartamento de um prédio do inicio do século XX, muito moderno para a altura. O apartamento está extremamente bem reconstituído mantendo toda o mobiliário e decoração originais, permitindo imaginar como seria o estilo de vida do seu ocupante. Destacam-se os cerca de 20.000 livros que compunham a biblioteca de Kirov e os inúmeros troféus de caça por ele acumulados. Na secretária de trabalho está o manuscrito do discurso que Kirov havia preparado para proferir no dia em que foi assassinado. Ao sair do apartamento imaginei que à porta da rua estaria parado um Volga preto com o motorista à espera de Kirov para o levar para uma reunião do comité central do partido…" (cont.)

sexta-feira, setembro 11, 2009

Putin não irá competir com Medvedev nas presidenciais de 2012

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou hoje que não irá concorrer com o actual Presidente do país, Dmitri Medvedev, nas eleições presidenciais de 2012, tal como não o fez em 2008, declarou à Ria-Novosti o analista político Nikolai Zlovin.
Zlovin revelou que Putin fez essa declaração numa reunião do Clube de Discussão Internacional “Valdai”, organização que reúne jornalistas, analistas e políticos russos e estrangeiros.
“À pergunta se eles (Putin e Medvedev) irão concorrer nas eleições de 2012, Putin respondeu com uma pergunta: “Mas será que nós concorremos em 2008? Em 2012 também não iremos concorrer. Chegaremos a um acordo porque somos pessoas com o mesmo sangue e as mesmas ideias políticas”, relatou Zlovin.
Segundo o analista político, Putin sublinhou que, quando chegar a hora, ele e Medvedev “pensarão juntos”, partibdo das realidades de 2012, dos planos políticos, da correlação de forças, da situação na “Rússia Unida”, partido dirigido pelo primeiro-ministro russo.

Blog dos leitores (Viagem à Rússia) Parte 3




O leitor Manuel R. Ortigão esteve recentemente na Rússia e decidiu compartilhar as suas impressões e fotografias com os restantes leitores. Aqui fica a continuação.





"O 4º dia foi de viagem para S. Petersburgo. Fomos de táxi para o aeroporto de Domodedovo, com alguma antecedência pois queríamos ficar a conhecer o aeroporto já que no último dia iríamos passar ali parte da noite. Ficamos a perceber que o aeroporto é muito moderno e com excelentes locais para passar uma horas de espera, seja de dia ou de noite. Viríamos aliás a perceber no último dia, quando ali estivemos das 22:00 até às 05:00 do dia seguinte que todo o aeroporto se mantém em funcionamento 24 horas por dia, com lojas, cafés e restaurantes abertos e muita gente em movimento, sendo que às três da manhã por exemplo quase parecem três da tarde. A razão para isto tem a ver com o facto de deste aeroporto partirem e chegarem voos durante toda a noite para vários pontos do mundo, nomeadamente os mais remotos destinos asiáticos, como Uzbequistão, Kazaquistão, Sibéria, Vladivostok, etc. etc.

Viajamos para S Petersburgo numa companhia chamada Sibéria Airlines, abreviadamente conhecida como S7. Tínhamos algum receio do tipo de companhia que íamos encontrar mas afinal viemos a constatar que esta é bem moderna, com poucos anos de existência, sendo os aviões novos, com excelente aparência e transmitindo muita segurança. O voo de ida e volta não podia ter corrido melhor, com pontualidade e muito bom serviço. Em S. Petersburgo aterramos no aeroporto de Pulkovo 1, pois Pulkovo 2 destina-se aos voos internacionais. Pulkovo 1 é um aeroporto antigo, com um estilo marcamente soviético, mas em óptimo estado de conservação. Viríamos a passar ali umas horas antes do voo de regresso para Moscovo, durante as quais pudemos apreciar os detalhes da decoração dos edifícios, tentando imaginar como seria aquele aeroporto nos anos do poder soviético, com a frequência dos homens carrancudos de sobretudo e chapéu escuro.

Fomos de táxi do aeroporto para o hotel Dostoievsky em S. Petersburgo onde iríamos ficar nos próximos 5 dias, partilhando o carro com um jovem Ucraniano com quem meti conversa no avião. O Andrey ia a S. Petersburgo em negócios, concretamente para tentar vender e comprar petróleo e gás. Segundo ele, muita gente anda a tentar fazer negócios desse tipo, situação que eu francamente não entendi pois pensava que estas matérias-primas só se negociariam em larga escala e entre grandes empresas, mas pelos vistos não é bem esse o caso.

O Hotel Dostoievsky era bastante estranho, desde logo pela sua localização: ocupava os 5º e 6º pisos de um grande edifício havendo nos restantes andares um centro comercial. Apesar de recomendado pelos guias e agência de viagens não gostamos do hotel: é barulhento, pouco simpático e o pequeno-almoço é caótico. A localização não é má, pois dá acesso a pé à Nevski Prospect. Check-in feito lá fomos a caminhar até essa mítica avenida, palco das grandes manifestações de massas que estiveram na origem da Revolução de Outubro de 1917.

S. Petersburgo fundada em 1703 por Pedro o Grande que ali estabeleceu a capital do país, passou a chamar-se Petrogrado em 1914 quando a guerra eclodiu, tendo em 1924 assumido a designação de Leninegrado nome que manteve até 1991, até ser rebaptizada com o seu nome original.

A caminhar pela Nevski Prospect, uma larga e comprida avenida ladeada por enormes edifícios, fomos apreciando a monumentalidade da cidade enquanto nos cruzavamos com uma pequena multidão em circulação, composta por gente muito diversificada num movimento que viríamos a perceber ser uma constante no centro da cidade.

Finalmente chegamos à Praça do Palácio onde o Palácio de Inverno de Pedro o Grande, actual Hermitage, se impõe em toda a sua grandiosidade. A entrada no museu é um assunto complicado pelas filas que existem e por isso deixamos a visita para um outro dia.

O resto do dia foi preenchido com várias caminhadas pela cidade o que nos permitiu ir ganhando uma ideia genérica da mesma. À noite, extenuados, voltamos ao hotel para recuperar forças no bar, à volta de umas cervejas."

quinta-feira, setembro 10, 2009

Polónia fez de Lisboa um dos principais centros de acção durante a Segunda Guerra Mundial


A Polónia transformou Lisboa numa das suas principais bases de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial, quando esse país se viu ocupado pela Alemanha nazi.
Este facto está bem patente nos documentos publicados pelo Serviço de Reconhecimento Estrangeiro (SVR) da Rússia, herdeiro do KGB soviético, numa colectânea divulgada na capital russa.
Segundo um dos documentos publicados, foi em Lisboa que os alemães fizeram chegar aos polacos informações sobre o “caso de Katyn”, onde, nos finais de 1939, cerca de 15 mil oficiais e soldados polacos foram fuzilados. A União Soviética acusou as tropas nazis de terem cometido o crime, mas, mais tarde, foi determinado que a autoria desse massacre pertenceu às tropas do NKVD (Ministério do Interior) da URSS.
O “problema de Katyn” é, actualmente, um dos mais fortes atritos entre a Rússia e a Polónia, pois Varsóvia exige um pedido de desculpas da parte de Moscovo devido a esse crime pessoalmente ordenado pelo ditador comunista José Estaline.
“Kowalewski recebeu materiais sobre os “acontecimentos em Katyn” para informar o governo polaco e os polacos”, lê-se numa “Informação sobre o trabalho de espionagem polaca em Lisboa”, enviada pelo agente soviético “Zenhen” a 15 de Junho de 1943.
Jan Kowalewski, militar e diplomata experiente, dirigia, a partir de Lisboa, uma das mais importantes redes de espionagem na Europa, cujas informações também chegavam a Moscovo através de agentes soviéticos infiltrados nas estruturas do poder polaco no exílio.
“Kowalewski está ligado a alemães, japoneses, romenos e búlgaros. Z. (Zenhen) afirma que não há quaisquer fundamentos para supôr que ele não é leal aos aliados. Ele coloca perante si o objectivo de enfraquecer os países do eixo através dos canais diplomáticos e, ao mesmo tempo, melhorar a situação da Polónia depois da guerra”, lê-se no mesmo relatório.
Segundo este documento, através de agentes seus ou de contactos com o corpo diplomático acreditado em Portugal, Kowalewski mantinha contactos com nove países europeus.
Na mesma colectânea, pode-se ler também o resumo de uma conversa de António de Oliveira Salazar, primeiro-ministro de Portugal, com o embaixador polaco em Lisboa, Karl Dubic-Penter, realizada em Maio de 1937, onde o diplomata propõe pôr ao serviço do governo português a experiência polaca de luta contra o comunismo.
“Salazar recebeu bem a minha proposta e garantiu-me que irá amplamente utilizar essa possibilidade”, escreve Dubic-Penter, cujo relatório chegou a Moscovo através de um agente soviético na estrutura do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia.
A publicação da colectânea de documentos sobre a política externa polaca visa comprometer os políticos que dirigiram a Polónia antes da Segunda Guerra Mundial, bem como mostrar que Estaline não tinha alternativa à assinatura do pacto Molotov-Ribbentrop, documento que dividiu a Europa do Leste entre Hitler e Estaline.

VIagem de Arctic Sea termina nas Canárias?


O cargueiro Arctic Sea irá ser entregue a representantes de Malta dentro de alguns dias, depois de os investigadores russos terminarem o seu trabalho a bordo do navio, anunciou hoje o Comité de Investigação (CI) da Procuradoria-Geral da Rússia.
“Depois de terminadas as acções de investigação no cargueiro, o navio será entregue em Las Palmas a representantes da República de Malta, sob cuja bandeira o cargueiro navegava quando foi desviado”, lê-se num comunicado desse Comité.
Segundo o CI, os investigadores e criminalistas continuam a revistar o navio, o que irá exigir “mais alguns dias”.
Antes, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e o CI da Procuradoria-Geral da Rússia anunciaram que o Arctic Sea não transportava mísseis S-300 para o Irão, nem qualquer carga ilegal.
O navio Arctic Sea, que, oficialmente, transportava madeira da Finlândia para a Argélia, foi sequestrado por piratas em finais de Julho no Báltico e libertado por um navio de guerra russo perto de Cabo Verde em meados de Agosto.
As autoridades militares russas anunciaram que o navio estava a ser rebocado para o porto russo de Novossirbirsk, no Mar Negro, onde deveria ser sujeito a uma revista, mas, agora, operaram pela sua entrega a Malta nas ilhas Canárias.

Mas porque é que demorou tanto tempo a rebocar o Arctic Sea de Cabo Verde até às ilhas Canárias? Quem acredita em "contos de fadas" deste tipo no início do séc. XXI?

Blog dos leitores (Viagem à Rússia) Parte 2



O leitor Manuel R. Ortigão esteve recentemente na Rússia e decidiu compartilhar as suas impressões e fotografias com os restantes leitores. Aqui fica a continuação.


"A visita ao Kremlin exige a compra de um bilhete para entrar nas muralhas. Dentro do perímetro destas, onde se circula a pé, existem quatro catedrais antigas decoradas com inúmeros ícones de grande beleza encontrando-se numa delas o trono onde os vários Tsares foram coroados. Lá está também o museu de “State Armoury”, onde estão guardadas as colecções de objectos preciosos dos vários imperadores. Contrastando com os vários monumentos antigos há um enorme edifício mandado construir por Nikita Khrutchov, que, além de feio e inestético, destoa francamente com tudo o resto.
Ao fim da tarde fomos à Rua Arbat, de Metropolitano. Sendo esta a primeira vez que andamos de Metro houve que perceber a sua lógica de funcionamento. Esta é uma daquelas situações em que algum conhecimento da lingua Russa apresenta uma grande vantagem, já que os nomes das estações estão escritos apenas em cirílico. O metro tem algumas estações que são autênticos monumentos – obra de Estaline, e surpreendeu-nos pela positiva, pelas seguintes razões: grande eficiência de funcionamento, combóios sempre a passar, com intervalos de escassos minutos, enormes escadas rolantes (as do Metro de Londres ao pé destas são pequenas…) e bilhetes muito baratos, como aliás de todos os outros transportes públicos, uma viagem simples custa 20 rublos o que equivale a cerca de 40 cêntimos.

A Rua Arbat, conhecida de muitos livros e filmes, é uma rua pedonal com lojas e cafés mas cujo movimento fica um pouco aquém do que se esperaria. Algumas pessoas a passear, lojas com aspecto banal e edifícios pouco interessantes. Acabamos por jantar num restaurante referenciado: “the Rus”, onde tivemos uma primeira experiência que iríamos repetir várias vezes: acompanhar uma refeição a vodka e comer caviar. Aliás viemos a aprender depois que bom mesmo é acompanhar a refeição a vodka e sumo, em copos separadas, o que permite beber um pouco de vodka, fazer uma saúde para beber de seguida um gole de sumo, de toranja, por exemplo! Uma boa opção, sem dúvida!
No 3º dia em Moscovo fomos, novamente a pé, na direcção do Boulevard Tverskoy. A mais famosa avenida de Moscovo, comumente referida apenas como o “boulevard”, tem uma larga faixa central arborizada ladeada pelas ruas por onde circulam os carros. Os edifícios do fim do século XIX, são relativamente baixos, contrastando com os enormes edifícios que havíamos visto nas outras áreas da cidade, tornando esta uma paisagem urbana bastante mais agradável. Passamos no café Pushkin, um restaurante famoso que estava na nossa lista, aproveitando para reservar mesa para o jantar. No caminho encontramos de surpresa um mosteiro do sec XIX, muito bonito, onde alguns jovens estavam a pintar. Entramos na loja Yeliseev's Food Hall (Yeliseevskiy Gastronom) uma fantástica e enorme loja de produtos alimentares como não existe em Portugal e ao nível das melhores lojas europeias. Sempre a caminhar pela cidade acabamos por ir dar de novo à Praça Vermelha. Aí fomos então visitar o GUM, o que não tínhamos feito no dia anterior. O GUM são umas enormes galerias comerciais construídas em 1890-93 que chegaram a incluir 2000 lojas. Hoje, mantendo toda a estrutura arquitectónica antiga, em perfeito estado de conservação, o GUM continua a ser um centro comercial onde se encontram as lojas das grandes marcas ocidentais.
O dia acabou com o jantar no Restaurante Pushkin, um dos mais famosos restaurantes de Moscovo muito frequentado pelas elites locais. À porta estava estacionado um Meibach, com dois corpulentos seguranças o que desde logo dava uma ideia do tipo de clientela que lá iríamos encontrar: gente bem vestida e a quem a vida parece correr pelo melhor. Este Restaurante tem dois andares, o de cima, mais caro que é uma livraria antiga ainda com as prateleiras, livros e mobiliário originais, e o andar de baixo que era uma farmácia também antiga e que mantém também a decoração da época. O Restaurante em si não tem mais de meia dúzia de anos mas o facto de ter mantido toda a traça das lojas anteriores confere-lhe um charme e ambiente muito especiais. Fundamental ainda é visitar as casas de banho na cave. A comida é excelente e pagamos cerca de 80 euros por um jantar para os dois, acompanhado de vodka, preço que não sendo barato também não se pode considerar exagerado comparativamente com Lisboa."


cont.

Avançar, mas devagar


A Rússia continuará a avançar na via do desenvolvimento económico, social e político, mas devagar e sem revoluções, escreve o Presidente russo, Dmitri Medvedev, num longo artigo publicado no jornal electrónico gazeta.ru.
Medvedev começa por enumerar os problemas da Rússia, sublinhando “o atraso económico, a corrupção secular e a convicção dos cidadãos de que todos os seus problemas serão resolvidos pelos outros”.
Segundo ele, “o atraso económico secular, o hábito de existir à custa da exportação de matérias-primas, trocando-as, de facto, por produtos acabados, é uma doença antiga do país”.
“Elementos do sistema de inovação foram criados, e com algum êxito, por Pedro o Grande, pelos últimos czares e pelos bolcheviques. Mas o preço desses êxitos foi demasiadamente alto. Eles foram conseguidos, regra geral, à custa da tensão extrema de forças, no extremo das possibilidades da máquina estatal totalitária”, considera.
Dmitri Medvedev reconhece que “esses problemas são muito grandes mesmo para um Estado como a Rússia”, mas acrescenta que “não se deve exagerar nos tons negros”.
“Faz-se muito. A Rússia trabalha. Ela já não é o meio-Estado semi-paralisado como há dez anos atrás. Todos os sistemas sociais funcionam”, defende ele.
Defendendo as transformações democráticas, o dirigente russo frisa que elas devem ser feitas sem pressas, nem revoluções.
“Quero desiludir os adeptos da revolução permanente. Não iremos ter pressa”, escreve Medvedev, acrescentando, porém, que “a democracia russa não irá copiar mecanicamente os modelos ocidentais”.
No seu extenso artigo, o dirigente do Kremlin afirma que “a Rússia estará suficientemente armada para que ninguém tenha a ideia de ameaçar o país e os nossos aliados”.
Medvedev lança um apelo aos russos para que enviem para o seu blog pessoal (kremlin@ gov.ru) “planos de desenvolvimento do nosso Estado”.

Blog dos leitores (Dinheiro e censura: GQ abafa artigo de investigação sobre os atentados de 1999)


Recebemos um artigo do leitor António Campos, que publicamos na íntegra.

Quando a conhecida revista GQ (antiga Gentlemen’s Quarterly) solicitou ao correspondente de guerra veterano Scott Anderson que escrevesse uma peça sobre a Rússia, este nunca imaginou que, ao escolher o tema dos atentados bombistas de 1999 em Moscovo, que serviram de pretexto principal para a segunda invasão da Chechénia, estava a despoletar uma polémica que alastraria por todo o meio jornalístico online e offline.

Após a recepção do artigo, os editores da GQ decidiram pela sua publicação, mas apenas na edição americana impressa. Mais nenhuma versão da revista o deveria publicar. Nem sequer a versão online. Segundo a rádio americana NPR, “Jerry Birenz, advogado da Condé Nast, casa editorial proprietária das revistas Vanity Fair e GQ, bem como das edições russas da GQ, Glamour, Tatler e Vogue, enviou um memo para mais de uma dúzia de executivos e editores, onde afirmava que “…a administração da Condé Nast decidiu que a peça […] não deverá ser distribuída na Rússia””.

Em declarações à NPR, Anderson, famoso pelos seus artigos na Harper’s Magazine, New York Times e Vanity Fair, afirmou: “Para mim, é um grande mistério. De repente, ficou claro que eles iriam publicar a história, mas também que iriam tentar enterrá-la tanto quanto possível”.

O artigo de 8 páginas, intitulado “Vladimir Putin’s Dark Rise to Power” contém uma análise crítica à versão oficial dos acontecimentos, apoiando as alegações de Alexander Litvinenko e outros, segundo as quais os atentados foram organizados pelas forças de segurança russas para suscitar apoio público para a eleição de Putin para a presidência e para a intervenção militar na Chechénia. Anderson tentou contactar uma série de familiares de vítimas e outros participantes directos ou indirectos nos acontecimentos de 1999, mas a maioria recusou-se a prestar declarações. Assim, a peça é baseada essencialmente em várias entrevistas à única pessoa sobrevivente das que investigaram os acontecimentos, o antigo agente do KGB Mikhail Trepashkin, assim como em depoimentos de membros da organização Memorial e de alguns advogados da área dos direitos humanos. À excepção de Trepashkin e de um jornalista, todos os entrevistados solicitaram o anonimato, por recearem represálias.

Vários analistas consideram que as motivações da Condé Nast de enterrar a história têm que ver com razões financeiras, uma vez que o volume de negócios das publicações desta empresa na Rússia é considerável. É sabido que as autoridades podem paralisar durante meses a actividade de um jornal ou revista que se atreva a publicar peças críticas das autoridades, através de “inspecções” e “auditorias” surpresa, que resultam normalmente em significativas perdas de receitas em vendas e publicidade.

No entanto, muitos consideram que esta atitude de auto-censura servil foi um tiro no pé, tendo resultado em acusações de “cobardia editorial” pelo meio jornalístico e acabado por gerar muito mais notoriedade para o assunto do que se nada tivesse sido feito. O Gawker, um dos mais visíveis blogs americanos, publicou, à revelia da GQ, uma reprodução digitalizada do artigo, acompanhada de uma tradução para russo, elaborada por voluntários. Estas fontes estão agora a ser citadas e reproduzidas por dezenas de blogs.

O artigo pode ser lido (em russo e em inglês) em:
http://gawker.com/5352827/ "

quarta-feira, setembro 09, 2009

Blog dos leitores (Viagem à Rússia) - Parte 1




O leitor Manuel R. Ortigão esteve recentemente na Rússia e decidiu compartilhar as suas impressões e fotografias com os restantes leitores. Visto que o texto é longo, irei publicá-lo por partes.


"Foi há cerca de um ano que começamos a planear esta viagem. A lenta aprendizagem da língua Russa a que me vinha dedicando seria desde logo uma razão suficiente para querer viajar pela Rússia, mas a dimensão deste país e a sua extraordinária história e riqueza cultural foram de facto os factores preponderantes na escolha deste destino. Munidos dos guias Lonely Planet e DK fomos falando ao longo dos últimos meses com quem podíamos para recolher opiniões ou sugestões.

A viagem foi absolutamente fantástica e em 10 dias vimos, sentimos, ouvimos e experimentamos tantas coisas tão diferentes que decidi fazer este registo sobretudo para que os inúmeros detalhes não caíssem no esquecimento.

No dia 03/08, segunda-feira de manhã, partimos no novo vôo directo da TAP para Moscovo. A diferença de 3 horas mais as 5 horas de viagem permitiram-nos aterrar em Domodedovo às 17:30 locais, excelente hora para chegar a uma cidade desconhecida e algo intimidante à partida, pela dimensão e ritmo de circulação que se esperaria.

Na viagem de táxi para a cidade desde logo pudemos constatar que andar de carro neste país é perigoso já que as viaturas de alta cilindrada circulam a velocidades estonteantes pelas largas avenidas que rasgam a cidade. O Hotel Budapeste veio a confirmar a descrição do guia: um hotel de estilo soviético que mantém a decoração da época, aliada aos confortos do presente. Na parede principal está uma placa testemunhando que Lenine ali ficou hospedado duas vezes. Feito o check-in saimos a pé para explorar as imediações. Desde logo deparamos com diferentes lojas de moda das melhores marcas mundiais de Itália ao Japão, o que nos permitiu perceber que estávamos de facto no coração comercial da cidade. Nas ruas fomo-nos cruzando com pessoas elegantemente vestidas, com destaque para as mulheres já de si altas, mas usando sapatos com grandes saltos bem como mini-saias acentuadas. Os homens muitos deles com fatos de corte italiano, brancos ou claros e apropriados ao Verão, apresentam na sua generalidade sapatos bicudos também de cores claras. E assim nos começamos a habituar a uma população urbana moscovita que claramente preza a sua aparência exterior. As nossas caminhadas levaram-nos a uma rua pedonal, onde existem uma série de restaurantes com esplanadas, com um ambiente bem agradável. Escolhemos um café de nome francês: “Le pain du jour”, por coincidência da mesma cadeia de outro que tínhamos encontrado recentemente em Notting Hill, Londres, onde comemos uma refeição ligeira, saboreando não só a comida e a cerveja mas sobretudo o ambiente que nos rodeava. Começavamos a sentir-nos bem em Moscovo!

No segundo dia partimos a pé na direcção do Kremlin e da Praça Vermelha. Fomos caminhando pelas larguíssimas avenidas de Moscovo, ladeadas por edifícios enormes e imponentes. Ao fim de alguns minutos começamos a ouvir várias vozes em megafone a anunciar excursões turísticas. Estávamos ao pé da Praça Vermelha. Avistámos uma longa fila de pessoas e assustámo-nos a pensar que seria para entrar no Kremlin, mas viemos a perceber que era apenas para visitar o mausoléu do Lenine, e como não planeávamos lá entrar ficamos mais descansados. A Praça Vermelha é bonita mas mais pequena do que se imaginaria. Em Russo designa-se como “Кра́сная пло́щадь” e Кра́сная tem dois significados: Vermelha e Bonita. Assim, existe uma pequena polémica à volta de qual o significado pretendido originalmente para o nome da praça, ser apenas bonita ou de facto vermelha? De todas as formas o simbolismo histórico desta praça é enorme com a memória dos desfiles militares e discursos políticos que ali ocorreram.

Na Praça Vermelha está a catedral de S. Basílio que com as suas várias torres coloridas é possivelmente a imagem mais forte que povoa o nosso imaginário antes de visitar Moscovo. Mas como se refere num dos guias, a visão real da catedral supera sempre qualquer ideia ou expectativa que pudéssemos ter acerca da mesma. O colorido das suas torres é de facto impressionante mais parecendo uma imagem de um conto de fantasia. A igreja é composta por várias salas, de pequena dimensão, ligadas umas às outras, por escadas ou pequenos corredores, onde vamos encontrando os objectos de culto e principalmente os ícones que decoram as paredes. Numa das salas desta catedral estava um pequeno grupo coral masculino que cantava música sacra à capela, com um efeito extremamente bonito. Terminada esta visita e encantados com o que viramos dirigimo-nos para o Kremlin." cont.

terça-feira, setembro 08, 2009

Afinal, o cargueiro só transportava madeira!!


A Procuradoria-Geral da Rússia comunicou hoje que o navio Arctic Sea, sequestrado por piratas em finais de Julho no Báltico e libertado por um navio de guerra russo perto de Cabo Verde em meados de Agosto, não transportava carregamento diferente do declarado.
“Os juízes instrutores da Procuradoria-Geral inspeccionaram minuciosamente o cargueiro e não descobriram nos convés nennum carregamento diferente da madeira que foi a carga declarada”, assinalou essa instituição num comunicado publicado.
O cargueiro encontra-se actualmente em alto mar e os juízes instrutores permaneceram vários dias a bordo. Segundo as autoridades militares, o Arctic Sea deverá chegar ao porto de Novorrossisk no Mar Negro até 10 de Setembro.
Alguns meios de informação noticiaram que o Arctic Sea poderia transportar drogas ou mísseis anti-aéreos S-300.
Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, desmentiu categoricamente essa notícia de que o Arctic Sea podia transportar mísseis S-300.
“É completamente falso que houvesse S-300 a bordo do Arctic Sea”, declarou Lavrov, numa conferência de imprensa.
O chefe da diplomacia russa prometeu o máximo de transparência na investigação das causas do desaparecimento do cargueiro, sublinhando que irão ser convidadas a participar nela representantes de Malta, sob cuja bandeira navega o Arctic Sea.
“Tudo será transparente e espero que todos terão oportunidade de se convencer que os boatos em que se baseiam (os jornalistas) não têm absolutamente qualquer fundamento”.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Chavez mais uma vez em Moscovo


O Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, visita a Rússia na quarta-feira para participar no III Forum Russo-Venezuelano de Negócios, mas a aquisição de armas e a cooperação no campo da exploração de hidrocarbonetos serão os principais temas das conversações com os dirigentes russos.
Segundo a agência Ria Novosti, Hugo Chavez poderá assinar um acordo sobre o fornecimento de tanques russos às Forças Armadas da Venezuela.
A agência recorda que Chavez anunciou tencionar comprar “vários batalhões de tanques russos tendo como pano de fundo o aumento do número de militares americanos na Colómbia”.
Na Rússia, um batalhão blindado é constituído por 31 tanques.
No campo da cooperação da extracção de hidriocarbonetos, Vaguit Alekperov, patrão da petrolífera Lukoil, anunciou que, durante a visita de Chavez, poderá ser assinado um protocolo que irá nortear o trabalho de um consórcio russo de petrolíferas na Venezuela.
A 08 de Outubro de 2008, um grupo de grandes companhias russas: Rosneft, Gazprom, Lukoil, Surgutneftegaz e TNK-BP, criou o “Consórcio Petrolífero Nacional” (CPN) para trabalhar na Venezuela.
“O grupo CPN preparou propostas pormenorizadas. Esperamos que, durante a visita, irá ser assinado um protocolo sobre os princípios fundameniais do tranbalho futuro neste projecto”, declarou Alekperov, precisando que, por enquanto, apenas se trata da exploração no bloco Junin-6.
Igor Setchin, vice-primeiro-ministro da Rússia encarregado das relações com a Venezuela, declarou que o projecto exige investimentos de cerca de 25 milhões de euros, mas que o jazigo Junin-6 tem reservas equivalentes a 53 mil milhões de barris de petróleo.
Segundo ele, a companhia pública venezuelana PDVSA participará também neste projecto, porque, segundo a legislação daquele país latino-americano, apenas empresas mistas podem explorar petróleo e gás na Venezuela.
O CPN pretende também fazer prospecção e extracção do jazigo petrolífero “Carabobo”, na região de Orinoco.
As empresas russas realizam também projectos separados com a PDVSA.
Durante a sua estadia em Moscovo, Hugo Chavez deverá encontrar-se com o seu homólogo russo Dmitri Medvedev, bem como com o primeiro-ministro, Vladimir Putin.

Contributo para a História


Encontrei um artigo curioso sobre “As ambições coloniais polacas nos anos 30 do séc. XX” em países como o Brasil e em colónias portuguesas como Angola e Moçambique. Não sei se este tema é conhecido dos historiadores brasileiros e portugueses, por isso deixo aqui um resumo do mesmo.
O artigo foi publicado no jornal electrónico regnum.ru por I.Gavrilov.
“...Em Fevereiro de 1928, sob a direcção do antigo consul polaco em Curitiba (Brasil), Kazemir Gluhovski, foi criada a União dos Pioneiros Coloniais (Zwiazek Pionerow Kolonialnych), cujo objectivo era a propaganda do domínio pela Polónia de colónias ultramarinas. No mesmo ano, essa União passou a fazer parte da Liga Zeglugi Polsiej (Liga Marítima Polaca), que, em 1930, passou a chamar-se Liga Morska i Kolonialna (LMK, Liga Marítima e Colonial). Não se tratou apenas de uma mudança de nome, mas uma mudança de política: no programa da organização aprovado no primeiro congresso, em Outubro de 1928, já tinham sido incluídos artigos sobre que a organização iria lutar pela aquisição de colónias por parte da Polónia, mas, agora, tratava-se da realização prática desse programa...”.
...”A imprensa russa e a direcção da LMK compreendia de várias formas o “colonialismo”.
Primeiro, tratava-se da transferência de colónos-sedentários polacos para novas terras, nomeadamente para o estrangeiro. Desse modo, criava-se de forma organizada uma forte diáspora em territórios pertencentes a potências estrangeiras. Claro que isso não transformava esses territórios em possessões da Polónia, mas podia permitir explorar novas regiões em prol da economia polaca (visto que os sedentários, em troca de créditos para a transferência, deviam pagar com matérias-primas). Semelhante “colonialismo” era praticado por uma grande quantidade de organizações na Polónia, bem como era activamente apoiado pelo governo. Porém, isso não podia dar resultados significativos, porque os sedentários não conseguiam realizar a extracção industrial de matérias-primas.
Segundo, podia ser a criação de grandes plantações com base em concessões de governos de potências pouco desenvolvidas. Semelhantes concessões, dirigidas centralizadamente por companhias polacas, deviam ser a base para a importação massiva de matérias-primas bartas para a Polónia. A LMK aposta precisamente neste tipo de “colonialismo”.
A terceira táctica era a criação de colónias clássicas, isto é, submissão política de determinados territórios à Polónia. Esta abordagem também gozava de grande apoio na LMK...
“... Além das exigências e da propaganda, organizações e governo polacos (e claro que a LMK) tentaram levar à prática projectos de colonização de territórios deste ou daquele país... Analiso apenas os projectos mais conhecidos, realizados pela LMK ou pelo Governo da Polónia.

Brasil

Não foi por acaso que a União dos Pioneiros Coloniais foi criada por um antigo consul na província brasileira de Paraná. O facto é que, no Sul do Brasil, no início do séc. XX, vivia e trabalhava uma diáspora polaca bastante grande : na provincía do Paranã viviam cperto de 150 mil no início dos anos 30, cerca de 18% da população. O general-brigadeiro Stefan Strjemenski, representante da LMK, propôs um grandioso plano: construir, com os meios das companhias polacas, um caminho de ferro, através do Estado do Paranã, de Rioniho e Gaurapavi, com o objectivo de ligar as aldeias polacas e, ao mesmo tempo, melhorar as condições de transporte da produção agrícola e de madeiras (que deviam ser enviadas para a Polónia). Em troca, a LMK devia receber dois milhões de hectares de território de uma reserva índia junto do caminho de ferro. Mas as altas despesas que implicaria a construção (11 milhões de dólares a preços da época) levaram à corecção substancial do plano. Em vez dos milhões de hectares, foram adquiridos cerca de sete mil hectares de terra para uma localidade chamada “Morska Wolia” (Liberdade Marítima). Um pouco mais tarde, com meios da LMK, foram adquiridos mais 20 mil hectares para a aldeia “Orlic-Dresher”. Em 1935, começou o povoamento das “colónias”, mas a dimensão do projecto está patente no facto de na “Liberdade Marítima”se terem instalado cerca de 350 pessoas, o que não é surpreendente, visto que os gastos com a transferência de uma família podiam chegar a três mil dólares. Além disso, a campanha colonial intensa na imprensa polaca obrigou o governo brasileiro de Getúlio Vargas a olhar de forma diferente para a questão do povoamento das terras. Como resultado, em 1937, a “Liberdade Marítima” povoou apenas 50% do planeado. Ao mesmo tempo, as relações das autoridades brasileiras, extremamente nacionalistas, e dos colonos polacos levaram ao aparecimento de recomendações da parte do MNE da Polónia no sentido de parar o posterior povoamento e foi posto fim ao projecto.

Angola

Logo após a criação, a União dos Pioneiros Coloniais dedicou-se activamente ao trabalho. Uma das primeiras tarefas da União foi a tentativa de criar uma rede de plantações polacas nas colónias portuguesas. Por exemplo, em 1928, para Angola foi enviada uma expedição com o objectivo de visitar e encontrar territórios para a criação de plantações agrícolas. Como resultado, foi encontrada a terra necessária e o trabalho começou: foram criadas duas companhias (“Polangola” para resolver questões de comércio e compras, e “Alfa” para resolver questões de povoamento) e os colonos polacos membros da LMK começaram a comprar parcelas de terra (de 600 a 2000 hectares) para plantações. Porém, os planos de criação de plantações em Angola estavam condenados a não se realizarem: o governo português, preocupado com tão inesperado desenvolvimento dos acontecimentos, tornou mais complicado o processo de imigração para as colónias, bem como passou a prestar muita atenção desnecessária aos colonos polacos. Como resultado, a maior parte dos grandes plantadores foi obrigada a abandonar Angola depois de 1938.

Moçambique

“...A LKM revelou interesse também para com Moçambique, onde se planeava realizar o plano de contrução de uma enorme plantação “Lacerda”, com uma área de 20 hectares para 100 plantadores. O valor do projecto era colossal: cerca de 15 mil libras para a aquisição de terras, para já não falar do equipamento dos colonos e dos subsídios para o início dos trabalhos. Jamais saberemos como terminaria esse plano, porque, em 1939, antes do início da guerra foram realizados apenas os trabalhos preparativos (prospecção geológica, estudos de agronomia).”

domingo, setembro 06, 2009

Silenciado sítio electrónico Sovfrakht


O sítio electrónico Sovfrakht deixou de funcionar no sábado depois de o jornalista Mikhailm Voitenko ter publicado ali acusações e desafios ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.
A última notícia inserida por Voitenko indicava que o cargueiro se encontra hoje, sábado, e amanhã ao largo de Lisboa, informação que a Marinha portuguesa já desmentiu.
Dmitri Purim, director-geral da empresa "Sovfrakht", proprietária do boletim marítimo electrónico com o mesmo nome, anunciou que Mikhail Voitenko se demitiu do cargo de redactor-chefe desse boletim, mas Voitenko desmentiu essa informação e ameaçou falar.
"Tenho um pedido a fazer à 'Sovfrakht': deixai em paz o sítio electrónico e eu não vos tocarei. Ok? Se pronunciam mais uma palavra, eu começo a falar", ameaçou o jornalista que denunciou o desaparecimento do Arctic Sea no mês de Julho.
Mikhail Voitenko fugiu para a Turquia e, depois, para a Tailândia, após ter recebido ameaças de morte por ter denunciado o desaparecimento do cargueiro e por admitir a possibilidade de o navio transportar não apenas madeira, mas "algo mais importante ou perigoso" do que drogas.
A fim de desmentir a informação do seu pedido de demissão, Voitenko continuou, hoje, a publicar informações no boletim electrónico Sovtfracht.
Voitenko escreveu que o Arctic Sea se encontra ao largo de Lisboa para "reabastecer óleo" e acusou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia de ter desinformado sobre a real situação do navio ao afirmar que ele nunca tinha desaparecido.
O Arctic Sea, que oficialmente transportava madeira da Finlândia para a Argélia, desapareceu nos finais de Julho e foi descoberto no dia 16 de Agosto perto de Cabo Verde.
As autoridades militares russas anunciaram que o cargueiro está a ser rebocado para o porto russo de Novorrossiski, no Mar Negro, onde deverá ser sujeito a uma vistoria, mas não precisaram a data da chegada.
Onze dos quinze tripulantes russos do navio regressaram a suas casas, na cidade de Arkhanguelsk, e estão proibidos de fazer qualquer tipo de declarações. Os parentes dos que continuam no cargueiro, bem como dos marinheiros e oficiais do navio de guerra Ladnii, que escolta o Arctic Sea, queixam-se de não poder entrar em contacto com eles.
Os oito piratas que alegadamente desviaram o navio no Mar Báltico estão detidos num estabelecimento prisional especial do Serviço Federal de Segurança da Rússia.
Devido a todo o mistério criado à volta do desaparecimento Arctic Sea, há analistas que põem a hipótese de o cargueiro ter a bordo armas ou materiais radioactivos.

sábado, setembro 05, 2009

Arctic Sea outra vez perto de Lisboa?


O cargueiro Arctic Sea, que desapareceu no mês de Julho e foi descoberto por navios militares russos a 16 de Agosto, encontra-se ao largo de Lisboa nos dias 05 e 06 de Setembro, escreve Mikhail Voitenko, director boletim electrónico Sovfrakht.
“Não tenho nada a perder e escrevo. Nos dias 05 e 06 de Setembro, o Arctic Sea está ao largo de Lisboa para reasbastecer (óleo)”, escreve Voitenko, que foi despedido pela empresa Sovtfracht do cargo de director do boletim electrónico com o mesmo nome, mas continua a publicar informações.
“Posso escrever também que há mais de uma semana que recebo cartas das esposas dos marinhos e oficiais do navio de guerra Ladnii (que descobriu o navio perto de Cabo Verde) a pedirem-me para dizer o que se passa, pois não têm contactos com eles e não sabem o que pensar. Eu acalmei-as, pois não há motivos de preocupação. Simplesmente, o Arctic Sea está rodeado de uma cortina de chumbo de silêncio”, continua ele.
“Interessante, mas porque será? Porque foi desviado por piratas”, interroga Voitenko, o homem que denunciou o desaparecimento do navio no Mar Báltico.
Mikhail Voitenko acusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia de mentir.
“Recordam-se do que escreveu o MNE da Rússia numa declaração? Se não, eu recordo: “o navio claro que nunca desapareceu e a sua localização foi sempre conhecida”. Respondo: mentem, e explico como as coisas aconteceram. No dia 08 de Agosto, telefonaram-me de um serviço marítimo civil, cujo nome não vou revelar. Perguntam-me se eu sabia alguma coisa do Arctic Sea. Precisaram que o Serviço Federal de Segurança e da Armada da Rússia estavam interessados nisso”, escreve.
Voitenko assinala que soube que o navio tinha desaparecido, mas só tornou a notícia publica a pedido dos parentes dos marinheiros.
“Não tenho nada a perder. Se for preciso, continuarei a escrever”, conclui ele, que fugiu da Rússia para a Tailândia.
Oficialmente, o Arctic Sea transportava madeira da Finlândia para a Argélia, mas, devido a todo o mistério criado à volta do seu desaparecimento, os analistas falam em que ele poderia levar armas ou materiais radioactivos.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Guineense pode ser o "Obama russo"


Joaquim Crima, natural da Guiné-Bissau e, actualmente, cidadão da Rússia, foi autorizado a participar nas eleições para a assembleia conselhia de Sredneakhtubinsk, no distrito de Volgogrado.
“A Comissão Eleitoral registou Crima candidato a deputado da duma (assembleia) conselhia de Sredneakhtubinsk. Ele irá lutar pela conquista do mandato nas listas uninominais do círculo eleitoral Nº7”, anunciou Viktor Sapojnikov, presidente da Comissão Eleitoral Territorial.
Joaquim Crima, que prefere que os russos o tratem por Vassili Ivanovitch, nome e patronímo do lendário herói comunista Tchapaev, nasceu em Bolama, na Guiné-Bissau, a 20 de Abril de 1972. Depois de se formar em Pedagogia num instituto da cidade de Volgogrado, antiga Estalinegrado, o guineense casou-se com uma arménia e dedicou-se à venda de melões e melancias.
Poucos foram os que levaram a sério o desejo de Joaquim Crima participar na luta política regional, nomeadamente a esposa.
“Há muito que o meu marido vinha dizendo que se tornaria um grande político, mas ninguém acreditava nele...”, declara a esposa Anait ao diário Komsomolskaia Pravda.
“Eu também me ria, mas, quando um parente do meu marido telefonou de Portugal e propôs-lhe o cargo de presidente de uma pequena zona rural, ele começou a pensar. A minha família recusou-se a ir para Portugal, mas porque é que o meu marido não se pode tornar num grande chefe na Rússia? Toda a gente gosta dele”, acrescenta a esposa.
Segundo uma das lendas que se contam na região, conta o Komsomolskaia Pravda, os bandidos locais tentaram controlar o negócio do guineense, mas nada conseguiram e retiraram-se entre grandes gargalhadas.
“Vassili Ivanovitch (Crima) desarmou-os afirmando que era um príncipe negro. Que não lhes dava dinheiro por uma questão humanitária, pois, caso contrário, o seu país declararia guerra à Rússia e as tribos vingativas comeriam a população local”, escreve o jornal.
Militante do Partido Rússia Unida desde 2008, Crima não esconde as simpatias pelo actual dirigente dessa força política, o primeiro-ministro Vladimir Putin, e que votou em Dmitri Medvedev nas últimas eleições presidenciais.
As sondagens dão a Joaquim Crima, também conhecido por “Obama russo”, 25 pc dos votos no escrutínio, que terá lugar no próximo dia 11 de Outubro, mas a campanha eleitoral promete ser difícil, dado o grande número de candidatos no círculo uninominal: nove.
Entre os concorrentes está o mulato Filipp Kondratiev, filho de pai ganense e mãe russa, realmente parecido com o actual Presidente norte-americano.
Mas Joaquim Crima está disposto a ir até ao fim, prometendo “trabalhar como um negro” caso receba o apoio dos habitantes Sredneakhtubinsk.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Supremo Tribunal ordena nova investigação do assassinato da jornalista Anna Politkovskaia



O Colégio Militar do Supremo Tribunal da Rússia devolveu hoje à Procuradoria-Geral o processo do assassinato da jornalista Anna Politkovskaia para que seja feita uma investigação mais completa.
“O Colégio Militar do Supremo Tribunal anulou a sentença do Tribunal Militar de Moscovo de 07 de Agosto, decidiu satisfazer o pedido da família de Politkovskaia de devolver o processo para a Procuradoria e juntá-lo ao processo de Rustam Makhmudov e de outras pessoas não identificadas”, lê-se na decisão do tribunal.
Os parentes de Anna Politkovskaia consideram que é necessário juntar este processo com o chamado “processo principal” contra os desconhecidos que “encomendaram” o assassinato e contra Rustam Mahmudov, o presumível executor do crime, considerando que só assim pode ser feita uma “investigação completa”.
A Procuradoria-Geral da Rússia apoiou os argumentos da família da jornalista, que se tornou conhecida pela sua crítica à política do Kremlin na Tchetchénia, onde considerava serem violados os direitos huimanos.
Inicialmente, a polícia deteve nove alegados participantes no assassinato da jornalista, ocorrido à entrada da sua residência a 07 de Outubro de 2006.
Porém, apenas quatro foram levadas a tribunal. O Tribunal Militar de Moscovo, apoiando-se na decisão de jurados, acabou por absolvê-los por não ter ficado provado a sua participação do crime.
Anna Politkovskaia é a mais conhecida vítima de uma longa lista de jornalistas e activistas dos direitos humanos assassinados na Rússia, sem que as autoridades tenham conseguido descobrir praticamente nenhum dos executores e “encomendadores” desses crimes.

Segundo uma das advogadas de Politkovskaia, o reinício das investigações poderá constituir uma forma de "enterrar" definitivamente este processo. Os colegas da jornalista no Nezavissimaia Gazeta prometem que não deixarão esquecer este caso. Resta-nos esperar...

Moscovo ameaça Geórgia com guerra naval


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia considerou hoje que a detenção ilegal de navios pela Geórgia nas águas da Abkházia pode provocar um sério conflito armado.
“Essa prática de capturar navios e bloquear a costa da Abkházia viola o Direito Internacional e pode agravar a situação na região, podendo provocar um sério conflito armado”, declarou Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
Nesterenko acrescentou que os numeros casos de captura de navios de terceiros países pela guarda-costeira georgiana nas costas da Abkházia são uma clara violação da Convenção do Mar de 1982.
“A Abkházia já advertiu que os casos de pirataria por parte da Geórgia terá uma resposta adequada”, frisou Nesterenko.
Na véspera, Serguei Bagapch, Presidente da Abkházia, região separatista georgiana, ordenou à Armada “destruir os navios georgianos que violem a fronteira marítima da Abkházia”.
O porta-voz russo considerou que Tbilissi, depois da guerra no Cáucaso de Agosto de 2008, não abandonou os seus planos de empregar a força para resolver litígios territoriais.
Temuri Iakobachvili, ministro para a Reintegração da Geórgia, já veio dizer que “continuaremos a deter os que violarem a lei georgiana”.

Isto há cada nome!

O diário Komsomolskaia Pravda publica hoje um artigo curioso sobre nomes dados às crianças russas em diferentes épocas do séc. XX.
Anos 20, logo após a revolução comunista de 1917, passaram a ser nomes populares.
Dazdraperma (abreviatura de Viva o Primeiro de Maio); Kim (Internacional Comunista da Juventude); Velior (Grande Revolução de Outubro); Donera (Filha da Nova Era); Ledat (Lev Davidovitch Trotski); Lenundej (Lenine morreu, mas a sua causa vive); Trolebuzina (Trotski, Lénine, Bukharin, Zinoviev).
Nos anos 30, mudaram os heróis, pois a maioria dos heróis dos anos 20 morreram ou foram liquidadas, e, por conseguinte, mudaram os nomes da moda: Vilena (abreviatura de V.I.Lénine); Oiuchminalda (Oto Iu. Chmidt, explorador polar, no gelo); Persostrat (Primeiro Aerostato Soviético); Bestera (Béria Guarda da Revolução); Bors (Atirador de Vorochilov), Gertruda (Heroína do Trabalho); Dazdrasmigda (Viva a União da Cidade e do Campo); Lagchmivara (Acampamento de Chmidt no Árctico).
Nos anos 40, encontramos os seguintes nomes: Mels (abreviatura de Marx, Engels, Lénine, Staline); Polza (Recorda Ensinamentos de Lénine); Mejenda (Dia Internacional da Mulher); Stator (Staline Vence); Pofistal (Staline Vencedor do Fascismo); Odvar (Exército Especial do Extremo Oriente); Papir (Pirâmide do Partido).
Anos 50: Mirat (Átomo Pacífico); Melor (Marx, Engels, Lénine, Revolução de Outubro); Perkosraka (Primeiro Foguetão Espacial); Ninel (Lénine ao contrário); Pridespar (Saudação aos Delegados do Congresso do Partido).
Nos anos 60, o Espaço tornou populares não só nomes como Iúra (Gagarine) e Valentina (Terechkova), mas também: Vaterpejekosma (abreviatura de Valentina Terechkova Primeira Mulher Astronauta) ; Kukutsapol (Milho Raínha dos Campos); Niserkha (Nikita Sergueevitch Khrutchov); Uriurvkos (Viva, Iúra no Espaço).
Mas há outros: Rimma (abreviatura de Revolução, Electrificação, Outubro Mundial); Rem (Revolução Mundial); Vil (Vladimir Ilitchi Lénine); Roi (Revolução, Outubro, Internacional); Marlen (Marx, Lénine); Elina (Electrificação, Industrialização).
Nomes propostos pelo Komsomolskaia Pravda para a actualidade: Doprosol (Realizemos Dignamente Jogos Olímpicos de Sotchi); Jislav (Jiguli (Lada) Melhor Automóvel do Mundo); Upevorg (Ucrânia Deixa de Roubar Gás); Vovvitch (Tchubais é Culpado de Tudo)

quarta-feira, setembro 02, 2009

Presidente da Abkházia ameaça afundar navios georgianos que violem fronteira marítima

Serguei Bagapch, Presidente da Abkházia, região separatista georgiana, ordenou à Armada “destruir os navios georgianos que violem a fronteira marítima da Abkházia”, informou a rádio Eco de Moscovo.
Bagapch atribuiu essa decisão aos “contínuos actos de pirataria por parte da Geórgia” e sublinhou que “as forças navais da Rússia não participarão na solução deste problema”.
O dirigente ablkhaze comparou os “piratas georgianos” aos “piratas somalis” e sublinhou que as suas acções merecem uma “resposta adequada”.
Este ano, a guarda-costeira deteve 23 navios por “violação do regulamento de entrada nas águas territoriais de territórios ocupados”, termo que a Geórgia aplica à Abkházia e à Ossétia do Sul depois de Moscovo ter reconhecido a sua independência em Agosto de 2008.
Temuri Iakobachvili, ministro para a Reintegração da Geórgia, considerou, em declarações à agência Ria-Novosti, que a Abkházia “carece de recursos técnicos para a destruição de navios” e considerou de “bluff pré-eleitoral” as declarações de Bagapch.
Os dirigentes da Abkházia e da Ossétia do Sul fazem lembrar aqueles putos reguilas que começam a insultar e ameaçar os outros quando sentem as costas quentes, neste caso pela Rússia. Esperemos que exista bom senso em Moscovo para não se deixar cair nestas provocações organizadas por dirigentes como Bagapch. A Rússia já tem problemas que cheguem para resolver.

Vladimir Voronin abandona o cargo de Presidente da Moldávia

Vladimir Voronin, dirigente do Partido dos Comunistas da Moldávia, vai abandonar o cargo de Presidente do país para se concentrar no trabalho parlamentar, informa-se um comunicado publicado depois de uma reunião do Comité Central dessa força política.
“Vladimir Voronin abandona a presidência da república para concentrar-se na actividade do grupo parlamentar comunista que tem 48 dos 101 mandatos parlamentares”, lê-se no comunicado.
Segundo a Constituição, Mijai Ghimpu, dirigente do Parlamento da Moldávia e um dos líderes da coligação “Pela Integração Europeia”, assumirá provisoriamente o cargo de chefe de Estado.
Ghimpu, que é considerado adepto da união da Moldávia e da Roménia, foi eleito dirigente do Parlamento pela coligação democrática com 53 votos.
A demissão de Voronin significa que os comunistas se convertem numa força da oposição, contrária a quaisquer fórmulas de compromisso com a maioria parlamentar, formada pelos partidos Liberal Democrático, Liberal e pela aliança Nossa Moldávia.
“Eu, enquanto presidente do partido, não tenciono, nesta hora crítica para a Pátria e para o nosso partido, continuar na situação bastante duvidosa e ambígua de Presidente interino. Não temos fundamentos morais, nem políticos para cumprir formalmente esse alto cargo de Estado”, declarou Voronin.
O ainda Presidente da Moldávia sublinhou que rejeita limiarmente a via pela qual a coligação “Pela Ingração Europeia” pretende conduzir o país.
A Constituição moldava determina que se o parlamento não conseguir eleger o Presidente da república (à nova maioria parlamentar falta oito votos para conseguir isso), ele deve ser dissolvido no início do próximo ano e terão de ser convocadas novas eleições legislativas antecipadas.
A Lei Fundamental permite celebrar eleições parlamentares apenas duas vezes por ano e, em 2009, já se realizaram escrutínios a 05 de Abril e 29 de Junho.

terça-feira, setembro 01, 2009

Princípio fundamental das estruturas europeias não funciona

O princípio fundamental das estruturas europeias, que não permite a ninguém garantir a própria segurança à custa do alheio, na prática, não funciona, declarou Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Ninguém deve garantir a sua segurança à custa da segurança dos outros. Este princípio básico foi aprovado na OCSE e no Conselho Rússia-NATO, mas, na prática, ele não é cumprido”, afirmou Lavrov ao discursar no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo.
O chefe da diplomacia russa acrescentou que a iniciativa de Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, de assinatura de um novo tratado de segurança euro-atlântica visa dar a esse princípio um “caráter juridicamente obrigatório”.
“Já ninguém nega a existência de problemas estruturais na arquitectura da segurança internacional”, sublinhou.
Serguei Lavrov defendeu que o problema do programa nuclear iraniano deve ser resolvido apenas por métodos político-diplomáticos.
“No que respeita ao Irão, não vemos alternativa à solução político-diplomática do problema do seu programa nuclear”, disse ele, acrescentando que a melhor forma de “influir de fora na formação das suas (Irão) intenções não é o isolamento, nem a ameaça do emprego da força, mas uma grande participação na cooperação”.
“Só assim é possível fazer apostas objectivas na causa da manutenção da estabilidade e da segurança na região e em geral”, frisou.
Os chefes de Estado do G-20 irão analisar essa questão na cimeira de Pittsburg, marcada para 24-25 de Setembro.
Lavrov considerou que a a Rússia e a sociedade russa não sofrem de anti-americanismo.
“Por anti-americanismo na Rússia tomavam o facto de nós não estarmos de acordo com os americanos durante a administração anterior sobre muitas questões. Teve um papel relevante a reacção dos Estados Unidos face à agressão (da Geórgia) contra a Ossétia do Sul.
“Se desaparecerem os motivos, irá alterar-se a atitude para com a América no nosso país. E ela já está a mudar”, sublinhou.
Serguei Lavrov recordou que a cimeira Obama-Medvedev em Moscovo, realizada no mês de Julho, mostrou que “tudo é possível quando existe coincidência de interesses”.

Polónia planeava destruir União Soviética nas vésperas da Segunda Guerra Mundial

Os políticos polacos, que dirigiam o país na véspera da Segunda Guerra Mundial, planeavam a desintegração e destruição da União Soviética e, com esse objectivo, atiçavam o separatismo no Cáucaso, Ucrânia e Ásia Central, afirma o Serviço de Inteligência Externa (RVS) da Rússia com bases em documentos dos arquivos soviéticos.
“Entre os materiais tornados públicos há documentos do Estado Maior polaco que testemunham que, nessa estrutura, foi organizado um departamento especial para o trabalho com as minorias nacionais no território da URSS”, declarou à agência Ria-Novosti, Lev Sotskov, general do SVR que preparou a colectânea de documentos hoje publicada.
A colectânea “Segredos da Política Polaca. 1935-1945” é publicada no dia em que o primeiro-ministro, Vladimir Putin, visita a Polónia para participar nas cerimónias do 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial.
Segundo o general, as principais tarefas colocadas pelo Estado Maior das Forças Armadas da Polónia consistiam “na desestabilização da situação na Ucrânia, no Volga e no Cáucaso, bem como na desintegração e destruição da União Soviética”.
Lev Sotskov considera que a espionagem soviética tinha uma boa rede de agentes na Polónia, acrescentando que a actual direcção polaca não possui semelhantes documentos, porque os nazis levaram os arquivos polacos durante a guerra.
“Penso que os polacos devem ficar felizes por nós lhes darmos a possibilidade de conhecer estes documentos”, frisou.
O general considera que, actualmente, a falsificação da história se tornou política oficial na Polónia.
“As avaliações que distorcem o desenrolar dos acontecimentos têm lugar ao nível do governo desse Estado. A principal ideia é atirar a responsabilidade do início da Segunda Guerra Mundial para cima da URSS, tal como na Alemanha fascista”, declarou.
“Não há dúvidas de que parte da culpa no início da Segunda Guerra Mundial pertence à Polónia, por isso, actualmente, são feitas tentativas de distorcer os factos históricos”, sublinhou o general.
Segundo o general Sotskov, os serviços de espionagem polacos continuaram a seguir a política de destruição da URSS mesmo durante a guerra, “quando os serviços especiais dos aliados consideravam a sua tarefa principal o trabalho contra a Alemanha”.
“O departamento de espionagem do exército do general Anders, formado no território da USS, tinha como tarefa a realização de acções operativas relacionadas não só com as acções militares, mas também com “as necessidades da futura revolta na Polónia”, bem como com a necessidade de criar condições para continuar espionagem em grande escala a Leste, depois da guerra”, concluiu o general.