sábado, junho 19, 2010

A sua capacidade de utilizar a palavra simplesmente encanta


A imprensa russa e de países que antes faziam parte da União Soviética dão grande relevo à notícia da morte do escritor português José Saramago.

A obra do Prémio Nobel da Literatura, à exceção do seu último romance “Caim”, está toda traduzida em russo. O romance Evangelho Segundo Jesus Cristo foi traduzido também para ucraniano e estónio.

“Interessei-me muito em ver como é que ele construía as frases de forma surpreendente, são construções de lítio, dentro das quais mergulham diálogos, quando não se compreende quem fala: ou autor ou as personagens. Uma fantástica polifonia do texto”, declarou Alexandre Bogdanovski, tradutor de todas as obras de Saramago publicadas em russo.

Segundo ele, “simplesmente atrai a sua forma de utilizar vivamente a palavra. Ele era um combatente de princípio contra a inércia da língua”.

Comparando as escritas do português Saramago e do brasileiro Paulo Coelho, cuja obra foi também traduzida para russo por Bogdanovski, este afirma: “Estão em pólos opostos. Cada um ocupa o seu lugar: um é difícil, o outro é fácil. Mas devo dizer que as dificuldades na leitura de Saramago não são um martelo que bate na cabeça do pobre leitor. Porque é uma espécie de redemoinho que engole o homem”.

A imprensa russa chama principalmente a atenção para o romance Evangelho Segundo Jesus Cristo.

“A Igreja Católica declarou esse romance um “pasquim contra o Novo Testamento. Os sacerdotes assinalaram que, no livro, Jesus é apresentado como um simples homem, capaz de errar, com desejos e dúvidas”, escreve o diário Kommersant.

“Ele estava descontente com a ordem existente das coisas. Penso que muitos se debruçaram, de uma ou de outro forma, sobre isso: Tolstoi, Dostoevski”, afirma Bogdanovski a propósito do polémico romance.

“A Saramago colocaram-se questões que surgem a todo aquele que lê atentamente as Sagradas Escrituras. São perguntas inevitáveis. Mas ele dá-lhes uma forma aguda, inflamada, quase blasfémica”, conclui o tradutor.

Bogdanovski revelou que brevemente será publicado em russo o último romance de Saramago: “Caim”.

sexta-feira, junho 18, 2010

Governo provisório do Quirguistão procura legitimação a todo o custo


Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina do Quirguistão, declarou hoje que o referendo sobre a nova Constituição do país irá realizar-se a 27 de Junho "custe o que custar".
“Queiram ou não, o referendo é necessário para sair deste caos. É possível que haja regiões onde não seja possível realizá-lo. Mas organizaremos muitos lugares onde possa ser realizado”, declarou Otunbaeva, que se encontra no sul do país.
O principal objetivo da consulta popular consiste em legitimar o poder criado em Abril passado, depois do derrube do presidente Kurmambek Bakiev, bem como aprovar a nova Constituição que fará do país uma república parlamentar. O governo interino quirguize prometeu também realizar eleições parlamentares logo após o referendo.
Na véspera, o executivo introduziu alterações no decreto sobre o referendo constitucional que permitem cancelá-lo caso seja imposto o estado de sítio em todo o território nacional.
Alguns líderes políticos quirguizes defendem que é impossível realizar o referendo nas condições existentes.
Claro que é compreensível a rapidez com que o governo quirguize se quer legitimar, mas esta pressa poderá sair cara ao povo no futuro. Na próxima crise - e não duvido que ela irá acontecer -,  a oposição irá lembrar que o referendo não foi universal e não representou a vontade do povo, abrindo assim portas a novas manifestações, levantamentos, golpes de Estado, etc.
O mais sensato seria estabilizar a situação no sul do país e, dentro de algum tempo, realizar o referendo e, mais tarde, eleições presidenciais.
Pelo que entendo, as autoridades provisórias consideram que, obtido o resultado pretendido no referendo, ou seja, a redistribuição dos poderes a favor do Parlamento e em prejuízo do presidente, a comunidade internacional aumente a ajuda.  
Por exemplo, elas renunciaram ao pedido de intervenção de tropas russas ou da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, mas insiste no pedido a Moscovo para que envie tropas para "guardarem edifícios e locais estratégicos".
Não acredito muito que o Kremlin aceite a avançar sozinho na satisfação desse pedido.

Governo provisório estima que o número real de vítimas mortais dos confrontos étnicos é de 2.000 pessoas


O número real de mortos nos violentos confrontos étnicos no sul do Quirguistão supera em dezenas de vezes os dados oficiais, ou seja, oscila à volta de 2.000 pessoas, declarou Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina quirguize.

“Sem dúvida que as perdas são mais numerosas (em comparação com os dados oficiais)... Penso que superam em dezenas de vezes os dados oficiais, porque nos lugares rurais houve muitos mortos e, segundo a nossa tradição, o funeral celebra-se imediatamente, antes do pôr do Sol”, disse Otunbaeva numa entrevista publicada hoje no diário russo Kommersant.

Segundo dados oficiais, os distúrbios causaram 192 mortos e quase 1 200 feridos.

Rosa Otunbaeva, que se encontra na região atingida pelo conflito entre quirguizes e uzbeques, considerou que não há necessidade da intervenção de forças estrangeiras de manutenção da paz no sul do Quirguistão, sublinhando que o governo provisório conseguiu estabilizar a situação.

“Trabalham no local organizações não governamentais, que abrem vias de diálogo, falam com as pessoas com a ajuda da diplomacia popular. Os nossos anciãos falam uns com os outros, o nível de confronto desce”, acrescentou.

Depois de sobrevoar de helicóptero as regiões devastadas pelo conflito, Otunbaeva afirmou que “a cidade de Och será reconstruída para que as pessoas regressem a suas casas”.

Os confrontos entre quirguizes e uzbeques começaram no dia 10 de Junho em Och, segunda maior cidade do país. Esta explosão de violência étnica, a mais grave nos últimos 20 anos, alargou-se rapidamente à região vizinha de Jalal-Abad dando origem a distúrbios, incêndios e pilhagens.

quinta-feira, junho 17, 2010

Rússia considera inaceitáveis sanções unilaterais dos Estados Unidos e União Europeia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia publicou hoje um comunicado onde considera “inaceitáveis” as sanções tomadas unilateralmente contra o Irão pelos Estados Unidos, bem como o pacote de medidas acordadas pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de pressão sobre Teerão.
“Como já assinalámos no nosso comentário sobre a aprovação da resolução 1929 do CS da ONU sobre o Irão, consideramos semelhantes atos dos parceiros como manifestação de uma política que vai contra os princípios do trabalho conjunto no “sexteto” e no quadro do CS da ONU”, lê-se no comunicado publicado.
Segundo a diplomacia russa, “para nós são inaceitáveis as tentativas de, desse modo, se colocarem “acima” do Conselho de Segurança. Rejeitamos categoricamente semelhante prática”.
“As medidas complementares de sanção contra o Irão, aprovadas por Washington, vão muito além do regime de sanções que vigoram em relação a Teerão no quadro do CS da ONU”, continua o comunicado.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirma estar também ao corrente do “pacote de medidas suplementares de pressão sobre o Irão acordado pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros da UE, que foi apresentado à Comissão Europeia”.
“Estamos desiludidos com semelhantes decisões. Elas minam as bases do nosso diálogo e da interação na questão das vias ótimas de regularização da situação em torno do programa nuclear iraniano”, considera a diplomacia de Moscovo.
“De fato, repete-se sempre a mesma história: logo que nós, à custa de grandes esforços, chegamos a um acordo no CS da ONU sobre a escolha de medidas de pressão sancionária precisamente equilibradas sobre o Irão, os Estados Unidos e a UE não ficam por aí e, rigorosamente falando, revelam desprezo político para com a parceria com a Rússia”, conclui.

Autoridades ameaçam exigir retirada de base aérea norte-americana do país

O governo provisório quirguize ameaça exigir a retirada da base aérea norte-americana de Manaz, arredores da capital do país, se a Grã-Bretanha não extraditar Maksim Bakiev, filho do presidente do Quirguistão derrubado por um levantamento popular em Abril passado.
“A Inglaterra nunca extradita ninguém que esteja no seu território. Mas, visto que a Inglaterra e os Estados Unidos lutam contra o terrorismo e a presença da base aérea é um dos elementos dessa luta, os ingleses devem extraditar Maksim Bakiev”, declarou Azimbek Beknazarov, vice-primeiro-ministro quirguize.
Segundo a imprensa britânica, o filho de Kurmambek Bakiev chegou a Londres num avião particular e pediu asilo político na Grã-Bretanha. O ex-presidente encontrou refúgio na Bielorrússia.
A base aérea dos Estados Unidos, onde actualmente prestam serviço militar mais de mil soldados e oficiais norte-americanos, foi aberta na Quirguízia em Dezembro de 2001 para apoiar a operação norte-americana contra os talibans no Afeganistão.
No ano passado, Bakiev prometeu ao Kremlin o encerramento da base a troco de uma ajuda económica de mais de dois mil  milhões de dólares, mas mudou de ideias depois de Washington aumentar significativamente a renda pelo aluguer.
Alguns analistas russos consideram que o levantamento de Abril, que levou ao derrube de Bakiev, foi apoiado por Moscovo a fim de castigá-lo não só por ter não ter cumprido a promessa, mas também por ter desviado o dinheiro concedido.

quarta-feira, junho 16, 2010

País enfrenta eminente catástrofe humanitária – analista político


Publico aqui uma entrevista que fiz com Arkadi Dubnov, um dos melhores analistas sobre problemas da Ásia Central, para a Agência Lusa, pois considero que poderá dar respostas a algumas perguntas dos leitores sobre a situação no sul do Quirguistão:

“O Quirguistão encontra-se perante uma enorme catástrofe humanitária, que terá graves consequências para o país, para a região da Ásia Central e para a Rússia”, declarou à Lusa Arkadi Dubnov, especialista em assuntos da Ásia Central.
Dubnov considera que existe uma grande falta de controlo na distribuição da ajuda humanitária que está a chegar de diferentes países e organizações humanitárias, sublinhando que ela não chega aos refugiados uzbeques.
“A maioria dos refugiados e deslocados são uzbeques e a ajuda humanitária é distribuía, principalmente, através de organizações estatais quirguizes, que, voluntária ou involuntariamente, dão prioriade aos quirguizes”, explicou.
Segundo as organizações humanitárias internacionais, o número de refugiados e deslocados no Uzbequistão é superior a cem mil.
Quando a uma possível intervenção militar da Rússia ou de organizações internacionais no Quirguistão, o analista russo defendeu o seu envio nos primeiros dias dos confrontos no sul do país, mas sublinha que “ela agora não está na ordem do dia”.
“Duvido que a Rússia tenha capacetes azuis preparados para atuar na Ásia Central. Além disso, o Uzbequistão, país vizinho do Quirguistão, olha com desconfiança para a presença de tropas russas perto das suas fronteiras”, explica.
“Os Estados Unidos poderíam não estar contra a presença de tropas russas na região, mas Moscovo sofre do “síndroma georgiano”, ou seja, receia ser acusado de ambições imperialistas pela comunidade internacional”, acrescenta.
No que respeita à realização do referendo sobre a Constituição, marcado para 27 de Junho, Dubnov diz ter, ontem, conversado com Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina do governo quirguize, que lhe garantiu estarem a fazer todos os esforços para que não seja adiado.
“Mas eu não acredito que ele se realize nessa data. Ela própria reconheceu que ainda não foi tomada uma decisão definitiva. Nessa altura, as famílias das centenas de mortos estarão em luto e não vejo como será logisticamente possível realizar o escrutínio entre os refugiados e deslocados. Como se trata de um ato de legitimização das novas autoridades, o referendo deverá ser adiado”, frisou o analista russo.
Arkadi Dubnov espera que as autoridades quirguizes façam regressar a ordem e a calma ao sul do país, mas concluiu: “este conflito abriu feridas profundas, que deverão muito tempo a sarar. As suas consequências são difíceis de prever”.

terça-feira, junho 15, 2010

O país do “líder da nação” preside à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa

 

O Parlamento do Cazaquistão, país da Ásia Central, aprovou um decreto que proclama o actual Presidente do país, Nursultan Nazarbaev, “líder da nação”.

Esse novo estatuto faz com que qualquer pessoa que diga palavras feias ou faça “acusações infundadas” contra Nazarbaev possa ser condenada pelos tribunais. Além disso, o líder e a sua família não poderão ser judicialmente perseguidos no território do Cazaquistão.

Tendo em conta os negócios da família, trata-se de uma decisão oportuna.

Porém, mais importante ainda é que Nazarbaev, mesmo depois de abandonar o cargo de Presidente, manterá a sua influência na vida política do país.

Nussultan Nazarbaev parece ter ficado incomodado com o novo título e, por isso, não assinou o decreto, mas (imagine-se, talvez por esquecimento, pois a idade não perdoa!) não vetou o documento. Ora, como o Presidente não vetou essa lei, ela entrou hoje automaticamente em vigor ao ser publicada no jornal oficial “Kazakhstanskaia Pravda”.

Se calhar, o primeiro Presidente cazaque até pode merecer o título: a situação no Cazaquistão é estável, o nível de vida vai melhorando e o país é uma “ilha de estabilidade” num região turbulenta como a Ásia Central. Além disso, o petróleo corre regularmente para os mercados mundiais.

Mas só uma dúvida me preocupa: como é que um país com um regime político semi-autoritário, com um “líder da nação”, pode presidir à Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa? Segundo os estatutos desta organização, entre outros objectivos, ela deve velar pelo respeito das liberdades e dos direitos humanos nos países membros.

Mais um caso de “pragmatismo” e de “política real”. Dir-me-ao, trata-se de “uma particularidade asiática”, pois, caso contrário, os motins que ocorrem no Quirguistão podem repetir-se no Cazaquistão. Resumindo, mais um país que “ainda não tem condições para ser democrático”.

 Por este andar, arriscamo-nos a ver o Turquemenistão ou o Uzbequistão a dirigem essa organização...


segunda-feira, junho 14, 2010

França suspeita que Rússia pretende construir centro de espionagem em Paris



Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre:


"Gazeta.ru
Os serviços secretos franceses estão preocupados com o aumento da actividade dos espiões russos, informa o jornal britânico Daily Telegraph.
O jornal relaciona esta notícia com a construção no centro de Paris de uma igreja russa, insinuando que, na realidade será um centro de espionagem russo.
Os britânicos citam o semanário francês Le Nouvel Observateur, que publica um artigo sobre a construção de uma igreja russa no centro da capital francesa. O jornal afirma que o terreno foi comprado pelo chefe do Gabinete civil do presidente da Rússia, Vladimir Kojin e que outros países, nomeadamente a Arábia Saudita, ofereceram 70 milhões de euros. 
O jornal afirma que Kojin é um ex-agente do KGB e acrescenta que na França se regista um crescimento da actividade da rede de espionagem russa.
“Os receios dos serviços secretos franceses são reforçados pelo facto de se ter registado um aumento significativo da actividade dos espiões russos em França desde a eleição para a presidência de Nicolas Sarkozy, em 2007”, lê-se no artigo.
Desta forma, os jornalistas consideram que a igreja pode vir a ser uma base para os espiões da Rússia.
O local para a construção deste centro foi muito bem escolhido: próximo encontra-se um conjunto de edifícios governamentais franceses, onde residem muitos assessores de Sarkozy.
Vladimir Kojin já desmentiu as acusações. Por seu lado, o secretário do Gabinete civil do presidente da Rússia, Viktor Khrekov, considerou os receios dos franceses como não tendo qualquer fundamento, transmite a rádio Ekho Moskvy

Vincent Jauvert, o autor do artigo “Operação Igreja” no Nouvel Observateur, escreve:

“Os serviços secretos geralmente não divulgam comunicados de imprensa. Nós, jornalistas, temos as nossas fontes. Segundo os meus dados, a contra-espionagem francesa está preocupada pelo facto de o local, situado bastante perto de anexos do Palácio do Eliseu, ser posto à disposição de um país estrangeiro – A Rússia. Mas isso não significa que o objectivo da igreja seja a espionagem. O templo será construído junto ao Palácio de l’Alma, junto ao Eliseu, onde se encontram os escritórios dos assessores do Gabinete do presidente francês, os apartamentos de serviço do conselheiro diplomático, chefe do Estado-Maior para Encargos Especiais do presidente. Por outro lado, a igreja ficará no centro do quarteirão onde estão situados os ministérios, nomeadamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Defesa”. (…)  

“Com a ajuda do Kremlin (e por ordem deste?) a Igreja russa tenta, após a eleição de Putin, apoderar-se de um imenso património: os múltiplos locais de culto construídos pela aristocracia czarista antes da revolução de 1917 e geridos, depois, pela emigração russa e seus descendentes. O objectivo é triplo: aumentar o património da Igreja no estrangeiro, impedir que a nova emigração russa abandone a orientação espiritual de Moscovo e voltar a ter o controlo da velha emigração.
Nos anos 20, os russos que abandonaram a URSS decidiram não depender mais do Patriarcado de Moscovo que se tornara, por força das circunstâncias, cúmplice do poder comunista. Muitos destes emigrantes reuniram-se sob o Patriarcado de Constantinopla. Oitenta anos mais tarde, os seus descendentes não querem, na sua grande maioria, voltar atrás. Eles querem praticar uma ortodoxia mais “liberal”, menos nacionalista do que aquela que existe hoje na Rússia. Ora, segundo a lei francesa, só os paroquianos podem decidir sobre uma mudança de obediência. Para tal é necessário o voto e o acordo dos conselhos paroquiais, onde são maioritários. Face a tal obstáculo, o Patriarcado de Moscovo e o Kremlin primeiro procuraram um compromisso mas depois decidiram passar à força.  
Em Dezembro de 2004, em Biarritz foi organizado um “putch” contra o conselho paroquial local. Eles fizeram vir (com a ajuda dos serviços secretos russos?) “fiéis” da Espanha vizinha, organizaram um conselho paralelo, que se apressou a votar a obediência a Moscovo.  (…)
Para o presidente russo, ter um lugar de culto no centro de Paris vale bem um tal esforço: a “Operação Igreja” é prioritária. Ela faz parte de uma estratégia global, determinada há muito: a legitimação do regime de Putin através da Igreja. Construir uma catedral russa em Paris – a primeira desde a queda dos Romanov – permitirá ao actual poder apresentar-se como continuador da Grande Rússia imperial.
http://hebdo.nouvelobs.com/sommaire/enquete/098559/operation-cathedrale.html "

Presidente russo considera situação intolerável e exige tomada de medidas duras




O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considerou hoje a situação no Quirguistão “intolerável” e “extremamente perigosa” para a região, tendo os confrontos provocado pelo menos 124 mortos e mais de 1500 feridos.
“A situação atual no Quirguistão é intolerável, as pessoas morrem, o sangue corre, têm lugar desordens étnicas. Isto é extremamente perigoso para a região e, por isso, é preciso fazer tudo para impedir semelhantes ações, em conformidade com a lei, mas de forma dura”, frisou ele num encontro com Nikolai Bordiuja, secretário-geral da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, e Nikolai Patruchev, chefe do Conselho de Segurança da Rússia.
“Claro que é preciso ajudá-los para conseguirem resolver os problemas. Vocês, representantes dos países da OTCS, elaboraram medidas de reação e propostas. Agora, os chefes dos Estados devem reagir. Se for necessário, participarei nisso. Compreendemos que se trata de uma questão de prática. Se tudo isso conduzir ao restabelecimento da ordem, ficaremos por aqui”, acrescentou.
“Mas se as desordens continuarem, deverá ser convocada uma nova reunião de representantes da OTSC e, se necessário, uma cimeira extraordinária de chefes de Estado”, concluiu.
Nikolai Bordiuja informou o dirigente russo que foi proposta ajuda concreta às forças de segurança quirguizes.
“Essas forças são hoje suficientes, mas há falta de equipamentos, helicópteros, meios de transporte terrestres e até combustível”, declarou.
Segundo ele, esses fornecimentos, se forem feitos a tempo, com urgência, “o plano de restabelecimento da ordem resultará”.
“Mas propomos um conjunto de medidas, até à concessão de ajuda na detenção e julgamento dos organizadores das desordens. Também iremos trabalhar com vista a informar a população”, frisou.
Além da Rússia, essa organização reúne a Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, estando os últimos quatro países situados na Ásia Central.

Organização do Tratado de Segurança Coletiva admite envio de forças militares para o sul do Quirguistão

Representantes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, que estiveram reunidos na capital russa, não excluíram o emprego de todo o leque de meios de que dispõe a OTSC para estabilizar a situação no país, dependendo do desenrolar da situação.
“Não excluímos o emprego de qualquer dos meios de que a OTSC dispõe e cujo emprego irá depender do desenvolvimento da situação no Quirguistão”, declarou Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, depois da reunião.
“Acordamos as medidas a tomar e comunicámo-las ao presidentes dos Estados da OTSC. Esperamos que essas medidas sejam rapidamente acordadas entre eles”, acrescentou.
Os representantes da OTSC manifestaram preocupação pelo “aumento do número de vítimas dos conflitos” e lançaram um apelo para que “o governo provisório quirguize tome medidas extraordinárias para normalizar a situação”.
Além da Rússia, essa organização reúne a Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, estando os últimos quatro países situados na Ásia Central.
 Azimbek Beknazarov, vice-primeiro ministro do governo provisório quirguize, declarou que a situação nas regiões de Jalal-Abad e Suzaks se começa a estabilizar.
“Ao fim da tarde de segunda-feira, a situação começou a estabilizar-se, as partes do confronto acordaram pôr fim ao conflito”, declarou.
Segundo ele, dirigentes das comunidades quirguize e uzbeque “acordaram o desarmamento das partes, a organização do patrulhamento conjunto (polícia, representantes das duas comunidades) das regiões onde vivem uzbeques e quirguizes, para evitarem novos conflitos”.
Segundo dados oficiais, os confrontos entre quirguizes e uzbeques no sul do país provocaram a morte de 124 pessoas, as organizações não governamentais sobem esse número para mais de 200 e dirigentes da comunidade uzbeque do Quirguistão, citados pela agência Interfax, falam em 700. O número de feridos já ultrapassou os mil e quinhentos.
São também divergentes as informações sobre o número de refugiados. O governo de Bichkek fala de 60 mil uzbeques que procuraram refúgio no Uzbequistão; a Cruz Vermelha avança o número de 80 mil e os dirigentes da comunidade uzbeque falam em mais de 100 mil.

sábado, junho 12, 2010

Que fazer com o Quirguistão?


O Governo Provisório do Quirguistão, criado no mês de Abril depois de um levantamento popular ter derrubado o presidente Kurmambek Bakiev, reconheceu ser incapaz de travar os confrontos entre quirguizes e uzbeques no sul do país.
Os confrontos, que começaram na quinta-feira com uma rixa entre um quirguize e um uzbeque, provocaram mais de 70 mortos e mil feridos e o número de vítimas continua a subir. 
O sul do Quirguistão, que faz fronteira com o Uzbequistão, é, há muito tempo, uma zona explosiva. Em 1990, confrontos entre as duas etnias fizeram mais de 300 mortos, segundo dados oficiais, e mais de mil, segundo dados das organizações não governamentais.  Os quirguizes vêem nos uzbeques uma espécie de invasores, que têm mais direitos do que eles.
As autoridades quirguizes pediram ajuda militar à Rússia, mas Moscovo respondeu que, por enquanto, não há condições para isso. Porém, se as desordens continuarem, Moscovo terá mesmo de intervir, embora em conjunto com outros membros da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, que, além da Rússia, reúne a Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. 
Tendo em conta a situação geográfica do Quirguistão, não deverá ser difícil a Moscovo conseguir também, se não o apoio, pelo menos o consentimento, dos Estados Unidos, União Europeia e China para essa intervenção.
No Quirguistão encontra-se uma base aérea norte-americana, importante para o apoio à operação militar da NATO no Afeganistão. Esse país centro-asiático faz fronteira com as regiões muçulmanas da China e visto que o fundamentalismo islâmico ganha força no Quirguistão, o alargamento do confronto constitui uma série ameaça.
Para a Rússia, isto poderá significar a desestabilização em toda a Ásia Central e nas suas fronteiras do sudeste. Para a União Europeia, será não só a base militar de apoio norte-americana que ficará em risco, mas também passará a existir uma ameaça aos fornecimentos de gás natural da Ásia Central. Este último será uma  dor de cabeça também para a Rússia por os gasodutos passam pelo seu território.
Resta apenas pôr de lado interesses mesquinhos e tomar medidas rápidas, não só no campo militar, mas também económico, pois a miséria e a corrupção são duas das causas dos conflitos. Ainda há tempo para evitar que o Quirguistão se transforme num novo Afeganistão, mas resta cada vez menos.

sexta-feira, junho 11, 2010

Confrontos entre etnias regressam ao Quirguistão


Pelo menos 41 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas devido a violentos confrontos, na noite de quinta para sexta-feira, entre quirguizes e uzbeques na cidade de Och, no sul do Quirguistão.
Segundo testemunhas citadas pelas agências, o detonador do conflito foram confrontos físicos entre um grande número de quirguizes e uzbeques, uma das comunidades mais numerosas em Och, que, em poucas horas, resultou numa onda incontrolável de grupos enfurecidos de cada etnia que incendiaram automóveis, assaltaram lojas e agrediram transeuntes nos vários bairros da cidade.
Para pôr fim aos confrontos e desordens as autoridades declararam o estado de emergência e o recolher obrigatório nas cidades de Och, Uzguen e nas províncias de Karasuisk e Avaransk, que foram ocupadas pelo exército.
Elena Baialinova, porta-voz do Ministério da Saúde do Quirguistão, anunciou que os confrontos provocaram 14 mortos e 148 feridos.
Um porta-voz dos bombeiros de Och reconheceu que, durante as desordens, foi incendiada o Edifício da Orquesta Filarmónica, o Teatro Dramático Uzbeque, a sede de uma empresa de telecomunicações, um hotel, tipografias, centros comerciais, restaurantes e bares.
As autoridades quirguizes, que enviaram reforços militares para o sul do país, afirmam ter travado a onda de violência e controlar a situação.
O Quirguistão é um dos mais pobres países da Ásia Central, dilacerado pela luta de clãs e máfias. Recentemente, a oposição conseguiu derrubar o regime autoritário do Presidente Kurmambek Bakiev, mas não soube ainda travar a onda de violência.
Em 1990, em confrontos semelhantes entre quirguizes e uzbeques morreram, segundo dados oficiais, cerca de 300 pessoas, mas as organizações não-governamentais falam em mais de mil.

A propósito da exportação de mísseis russos para o Irão


Na passada quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um novo pacote de sanções contra o Irão, que proibem, nomeadamente, a venda de armamentos ofensivos a esse país.
A Rússia, o principal fornecedor de armas a Teerão, também aprovou as sanções, mas, pelos vistos, não tem especialistas capazes de avaliar o tipo de armamentos que fabrica e vende ao estrangeiro.
Senão, vejamos. Uma fonte do Kremlin, citada pelas agências russas, afirmou que as novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irão impedem o fornecimento de mísseis russos S-300 à República Islâmica.
Tendo em conta que a fonte revelou ao mesmo tempo a informação a todas as agências russas, não restam dúvidas de que (a julgar pela tradição) se trata de uma notícia cujo fundamento é inabalável.
Porém, na véspera,  Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa, (e, depois, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros) declarou que os fornecimentos de sistemas de defesa anti-aérea S-300 russos ao Irão não ficam sob a alçada da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre novas sanções contra esse país.
 “A resolução aprovada ontem (quarta-feira) pelo Conselho de Segurança contra o Irão contém referências às armas interditas de exportar para o Irão, posso dizer-vos que os mísseis DCA, excetuando os sistemas portáteis, não figuram na lista”, precisou o diplomata quando interrogado sobre o conteúdo da resolução.
Porém, Nesterenko recusou-se a responder à pergunta de se a Rússia irá ou não fornecer os complexos S-300 a Teerão.
 “Talvez essa questão deva ser comentada pelas nossas instituições militares e pelas estruturas que respondem pelos fornecimentos desses tipos de armas a países estrangeiros”, frisou.
Moscovo adiou várias vezes a entrega dos complexos S-300 a Teerão, o que tem provocado duras críticas da parte das autoridades iranianas.
Ontem também, a agência Interfax, citando “um alto representante do sistema de exportações de armamentos da Rússia”, anunciou que Moscovo suspende a cooperação técnico-militar com o Irão devido à resolução aprovada na véspera pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“A decisão do Conselho de Segurança da ONU é de cumprimento obrigatório para qualquer país e a Rússia não é exceção. Claro que será congelado o contrato de fornecimento a Teerão dos sistemas de defesa antimíssil S-300”, declarou a fonte.
Em que ficamos? A bateria de mísseis anti-aéreos S-300 é uma arma ofensiva ou defensiva. Do ponto de vista do Irão e dos seus apoiantes, trata-se de uma arma defensiva, enquanto que Israel e os seus aliados a consideram ofensiva.
Isto faz lembrar uma velha e gasta anedota: uma pessoa perguntou à outra: “Qual é a diferença entre um penico e uma chávena?”. – “Não sei”, respondeu a outra. “Grande confusão vai em tua casa”, retorquiu a primeira.
Só que, neste caso, não se trata de louça, mas de armas bastante potentes. Por isso, vamos ficar à espera da lista de armas proibidas de exportar para o Irão, prometida pelo Kremlin.

quinta-feira, junho 10, 2010

Organização de Cooperação de Xangai vai deixar Irão de fora


A cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que se realizará a 11 de Junho em Tachkent, capital do Uzbequistão, irá aprovar as normas de admissão de novos membros, mas o Irão, um dos candidatos, não poderá aderir enquanto estiver sujeito a sanções internacionais.
“Na cimeira serão assinados vários documentos muito importantes, antes de tudo o “Processo de admissão de novos membros da OCX”, declarou Muratbek Imanaliev, secretário-geral dessa organização.
A OCX é constituída pela Rússia, China, Cazaquestão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Quatro países: Irão, Paquistão, Índia e Mongólia são observadores, enquanto que a Bielorrússia e o Sri-Lanka têm o estatuto de “parceiros para o diálogo”.
O Irão e o Paquistão apresentaram o pedido de adesão à OCX, mas Teerão ficará “à porta”, porque a Organização não quer membros que estejam sujeitos a sanções internacionais.
“Gostaríamos que os países que venham a fazer parte da nossa organização a reforcem, aumentem o seu potencial e as possibilidades de cooperação em vários campos... e não ao contrário, não se tornem um peso com os seus problemas”, frisou Imanaliev.
Madmud Ahmadinejad, Presidente do Irão, não irá estar presente na cimeira, como tem sido costume em reuniões anteriores.
“A sua ausência não está apenas ligada à aprovação desse documento, mas principalmente ao resfriamento das relações entre Teerão e Moscovo, devido ao fato da Rússia apoiar as novas sanções contra o Irão nas Nações Unidas”, declarou à Lusa uma fonte diplomática em Moscovo.
Os dirigentes dos países-membros da OCX irão também analisar formas de combate ao terrorismo e tráfico de drogas.
“Antes de tudo, trata-se do problema da segurança numa enorme área da Eurásia, incluindo o problema do Afeganistão”, precisou Imanaliev.
Questões da cooperação económica, cultural e humanitária estarão também no centro da atenção dos participantes da cimeira de Tachkent.

Fornecimento de sistemas anti-aéreos russos S-300 não é afetado pelas sanções

Os fornecimentos de sistemas de defesa anti-aérea S-300 russos ao Irão não ficam sob a alçada da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre novas sanções contra esse país, declarou hoje Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
“A resolução aprovada ontem pelo Conselho de Segurança contra o Irão contém referências às armas interditas de exportar para o Irão, posso dizer-vos que os mísseis DCA, excetuando os sistemas portáteis, não figuram na lista”, precisou o diplomata quando interrogado sobre o conteúdo da resolução.
Porém, Nesterenko recusou-se a responder à pergunta de se a Rússia irá ou não fornecer os complexos S-300 a Teerão.
 “Talvez essa questão deva ser comentada pelas nossas instituições militares e pelas estruturas que respondem pelos fornecimentos desses tipos de armas a países estrangeiros”, frisou.
Moscovo adiou várias vezes a entrega dos complexos S-300 a Teerão, o que tem provocado duras críticas da parte das autoridades iranianas.
Andrei Nesterenko acrescentou que as novas sanções não irão afetar a construção da central nuclear em Bucherh por empresas russas, que deverá começar a funcionar no próximo mês de Agosto.
Antes, a agência Interfax, citando “um alto representante do sistema de exportações de armamentos da Rússia”, anunciou que Moscovo suspende a cooperação técnico-militar com o Irão devido à resolução aprovada na véspera pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“A decisão do Conselho de Segurança da ONU é de cumprimento obrigatório para qualquer país e a Rússia não é exceção. Claro que será congelado o contrato de fornecimento a Teerão dos sistemas de defesa antimíssil S-300”, declarou a fonte.
Na véspera, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que impõe ao Irão novas sanções depois da sua recusa de pôr fim aos trabalhos de enriquecimento de urânio.
O Iraque está a reagir muito mal à posição da Rússia e da China, ouvindo-se já em Teerão "Morte aos russos" e outros tipos de ameaças. Pode ser é coisa passageira, pois o Irão está cada vez mais isolado.

quarta-feira, junho 09, 2010

Faleceu a bailarina que salvou a dança clássica na União Soviética


A lendária bailarina russa Marina Semionova faleceu hoje no seu apartamento de Moscovo com a idade de 102 anos, anunciou Anatoli Iksanov, diretor do Teatro Bolshoi.


“O bailado russo chora a morte de Marina Semionova, lendária bailarina cujo nome faz recordar as mais belas páginas da história do Bolshoi. Ela manteve-se fiel toda a vida a este teatro, ao qual deu todo o seu talento: inicialmente como primeira bailarina, depois como ensaiadora e professora de dança. A sua arte elevou o bailado russo ao mais alto nível mundial”, frisou ele.

Formada na Escola de Coreografia de Leninegrado (atualmente São Petersburgo), Marina Semionova estreou-se como bailarina no Teatro Marinski, onde dançou até 1930, depois ingressou no Bolshoi de Moscovo. Ela brilhou em interpretações caracterizadas pelo rigor do estilo académico e que exigem grande mestria.

Marina Semionova foi a primeira bailarina soviética a atuar no estrangeiro antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tendo triunfado no bailado “Giselle” na Ópera de Paris em 1935.

Depois de abandonar os palcos, Semionova deu aulas de dança no Bolshoi até aos 97 anos, tendo preparado bailarinas mundialmente conhecidas como Maia Plissetskaia, Rimma Karelskaia, Ninna Timofeeva, Natália Bessmertnova.

Entre os seus alunos está também Nikolai Tziskaridzé, um dos grandes bailarinos atuais do Teatro Bolshoi.

“Quando, em 1925, os comissários (comunistas) decidiam se devia ou não existir bailado, Vaganova (famosa professora russa) convidou-os para um concerto com a sua querida aluna, Marina Semionova. A sua beleza e o seu talento conquistaram os comissários, por isso a questão do bailado foi resolvida de forma positiva, foi concedido dinheiro ao teatro e à escola de coriografia”, recorda Tziskaridzé.

“Por isso, pode dizer-se que o bailado russo é Marina Semionova”, concluiu.

Serviços secretos anunciam detenção de importante comandante da guerrilha do Cáucaso do Norte


O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB,ex-KGB) anunciou hoje a detenção de Magas, um dos mais conhecidos comandantes da guerrilha separatista no Cáucaso do Norte.

“Hoje, o Serviço Federal de Segurança realizou uma operação especial durante a qual um chefe dos rebeldes do Cáucaso do Norte foi feito prisioneiro, um tal Taziev, conhecido pelo nome de guerra de Magas”, declarou Alexandre Bortnikov, chefe do FSB, durante uma conversa com o Presidente Dmitri Medvedev, transmitida pela televisão.

O dirigente russo felicitou o chefe do FSB por essa detenção, uma importante vitória das autoridades policiais russas sobre os rebeldes que continuam a realizar operações de grande envergadura, nomeadamente o duplo atentado no metro de Moscovo que fez 40 mortos em finais de Março.

“É um bom resultado. Felicite da minha parte todos os agentes que participaram na operação. Peço-lhe que faça tudo para recolher corretamente o depoimento desse bandido e levar o processo até ao fim”, acrescentou Medvedev.

Ali Taziev, também conhecido pelos nomes de Magas e Akhmad Evloiev, era um dos comandantes máximos da guerrilha islamita que luta pela separação do Cáucaso do Norte em relação à Rússia e pela criação de um Emirato Islâmico no Sul da Rússia.

Ele era também o dirigente máximo dos revoltosos na Inguchétia, uma das mais instáveis repúblicas do Cáucaso russo. Segundo Bortnikov, Magas, em 2004, organizou, juntamente com o tchetcheno Chamil Bassaev, um ataque contra a cidade inguche de Nazran, explosões em dois autocarros de passageiros na região de Stavropol, raptos de parentes de Murat Ziazikov, antigo presidente da Inguchétia.

Magas esteve também ligado, no ano passado, ao atentado que feriu gravemente Iunus-Bek Evkurov, atual dirigente inguche.

“Ele não é um comandante, mas um cão raivoso. Qual comandante? É um cão raivoso que destrói o seu povo. Foi detido, por isso há menos um cão”, frisou Evkurov, defendendo que ele deve ser condenado a prisão perpétua.
P.S. Os serviços secretos russos já tinham anunciado várias vezes a morte deste terrorista.

terça-feira, junho 08, 2010

Matemático russo recusa-se a receber prémio de um milhão de dólares


O Instituto de Matemática Clay, baseado nos Estados Unidos, tencionava hoje entregar, em Paris, uma estatueta e um cheque de um milhão de dólares a Grigori Perelman por ter demonstrado a hipótese de Poincaré, um dos mais difíceis problemas da Matemática, mas o matemático russo não compareceu à cerimónia.

“Não posso explicar a escolha dele, mas respeitámo-la. Ele (Perelman) não quer que se ingiram na sua vida privada”, declarou James Carlson, director do instituto.

Carlson ainda espera que o matemático russo de origem judaica altere a sua decisão, mas, caso contrário, o dinheiro será entregue a instituições de caridade.

Grigori Pelerman, que nasceu em 1966, tornou-se conhecido por ter resolver um dos sete desafios do milénio na Matemática. O desafio criado pelo matemático francês Jules Henri Poincaré (1854-1912) estimou que, de forma simplificada, qualquer espaço tridimensional sem furos seria equivalente a uma esfera esticada..

Poincaré e os matemáticos que vieram depois dele acreditavam que a proposta estaria correta, mas não conseguiram uma prova algébrica sólida para elevar a hipótese à categoria de teorema.

A complexidade do assunto levou o Instituto de Matemática de Clay a incluir o problema entre os “sete desafios do milênio”. Para cada desafio que fosse solucionado, o instituto prometeu pagar um prêmio de um milhão de dólares.

Em 22 de Agosto de 2006, no Congresso Internacional de Matemáticos, realizado em Madrid, Perelman foi contemplado com a Medalha Fields, o equivalente a Prémio Nobel, tendo-a no entanto recusado.

O matemático, que vive em condições muito humildes em São Petersburgo, é conhecido por se recusar categoricamente a falar com a imprensa e a partitcipar em sessões públicas.

Contribuição para a História (Jornalista Mário Neves organizou canal de ligação conspirativa entre o Kremlin e o general Spínola através do KGB)

Evgueni Pitovranov

Mário Neves, conhecido jornalista português, organizou um canal de ligação conspirativo entre o general Spínola e o Kremlin de Moscovo através do KGB soviético logo após o 25 de Abril, escreve o antigo agente soviético Alexandre Kissilov, num livro de memórias sobre conhecidos espiões do Comité de Segurança do Estado da URSS.

“Nos finais de Abril de 1974, em Portugal teve lugar, de forma bastante inesperada para a opinião pública mundial, a “Revolução dos Cravos”... Os meios e os métodos utilizados para esses fins nobres (libertação da ditadura fascista) – uma conjura de generais e de um levantamento militar -, provocavam algumas dúvidas sobre a sinceridade dos objetivos e valores declarados”, escreve Kissilov nas suas memórias “Etapas de uma grande jornada”.

“Mas nem a Secção Internacional do Comité Central (do Partido Comunista da União Soviética), nem os serviços secretos tinham informação suficiente para a análise objetiva e conclusões precisas, o que provocava irritação visível no Secretário-geral, Brejnev”, continua ele num livro patrocinado pelo Serviço de Espionagem da Rússia.

Segundo Kissilov, Iúri Andropov, que então dirigia o KGB soviético recorreu aos serviços de Evgueni Pitovranov, um dos agentes mais experientes da espionagem soviética.

Pitovranov, que, em 1974, era vice-presidente da Câmara do Comércio e Indústria da URSS e general do KGB, tinha contatos com Mário Neves que, então, ocupava o cargo de comissário da Feira das Indústrias Portuguesas. Por isso, entrou em contato com o português, que lhe prometeu um encontro secreto com o general Sínola, então Presidente de Portugal.

“No dia seguinte à sua chegada a Lisboa, Neves recebeu o seu amigo-parceiro moscovita e, na tarde do dia seguinte, dois generais encontraram-se secretamente no palácio presidencial”, recorda Kissilov.

O agente soviético, continua Kissilov, “transmitiu ao Governo Provisório e ao povo de Portugal felicitações da direção da URSS pelo derrube da ditadura e boa sorte na via das transformações democráticas”.

“Spínola recebeu com evidente interesse a proposta da criação de um canal conspirativo direto entre a direção dos dois países. Ele expôs a sua plataforma política e delineou as vias mais prováveis das transformações futuras”, acrescenta Kissilov.

A amizade entre Neves e Pitovranov continuou depois do primeiro ter sido nomeado Embaixador de Portugal na URSS: “ele (Neves) habituava-se com dificuldade aos nossos frios e a algumas outras coisas, principalmente na organização da vida quotidiana. Pitovranov tornou-se o seu apoio seguro” .

Para Kissilov, “isso preocupou seriamente os serviços secretos portugueses: a conselho dos parceiros da NATO, eles passaram a desconfiar que existisse algo de subversivo numa normal amizade humana. Neves passou a ser seguido, o seu gabinete e apartamento foram cheios de meios de escuta, todas as chamadas telefónicas eram controladas”.

“Porém, as suspeitas evaporaram-se, e não podia ser de outra forma porque Pitovranov, experiente na luta secreta, nunca poria em risco o seu amigo”, conclui.

Mário Neves morreu em 1999. Como diplomata foi o primeiro embaixador de Portugal em Moscovo depois do 25 de Abril de 1974 e como jornalista denunciou a responsabilidade das forças nacionalistas do massacre de Badajoz durante a Guerra Civil de Espanha e é o autor da célebre pergunta ao general Humberto Delgado durante as eleições presidenciais de 1958: «Sr. General o que vai fazer de Salazar se ganhar as eleições?», perguntou Mário Neves na conferência de imprensa do café Chave D´Ouro, em Lisboa. Delgado respondeu: «Obviamente demito-o.»

Saramago publicado em língua ucraniana



O romance “Evangelho segundo Jesus Cristo”, do escritor português e Prémio Nobel José Saramago, acaba de ser publicado em ucraniano pela editora Folio.

Trata-se da primeira tradução de uma obra deste escritor para o ucraniano, língua eslava falada por cerca de 40 milhões de pessoas.

“O romance “Evangelho segundo Jesus Cristo”, escrito pelo português José Saramago em 1991, é considerado um dos mais escandalosos livros do séc. XX. Saramago propõe aos leitores explicações muito claras e racionais dos episódios do Novo Testamento”, lê-se numa das críticas publicadas na imprensa ucraniana.

Esta obra de José Saramago foi vertida por Victor Shovkun, um dos mais conceituados tradutores ucranianos. Poliglota, traduziu para a sua língua natal obras de escritores como Victor Hugo, Albert Camus, Agatha Christie, Jorge Luis Borges, Ortega y Gasset, Miguel de Unamuno e Paulo Coelho.