O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou esperar que o “escândalo de espiões” não prejudique o que de positivo foi acumulado nas relações russo americanas.
“Tu chegaste a Moscovo no preciso momento, a polícia “esmerou-se” no teu país e atira pessoas para a cadeia. É verdade que esse trabalho é feito em toda a parte”, disse ele ao receber, na capital russa, Bill Clinton, antigo Presidente norte-americano.
“Espero muito que o que de positivo foi acumulado nas nossas relações bilaterais, nos últimos tempos, não saia prejudicado pelos últimos acontecimentos”, frisou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu hoje um segundo comunicado onde afirma que os Estados Unidos acusaram de espionagem cidadãos russos que estiveram em território norte-americano em várias alturas, mas sublinha que eles não agiram contra os Estados Unidos.
“A propósito das acusações feitas nos Estados Unidos em relação a um grupo de pessoas alegadamente por espionagem a favor da Rússia, comunicamos que se trata de cidadãos russos que se viram no território dos Estados Unidos em diferentes épocas”, lê-se num comunicado no sítio eletrónico do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Declaramos que esses cidadãos não realizaram quaisquer ações dirigidas contra os interesses dos Estados Unidos”, sublinha a diplomacia russa.
Moscovo espera que os funcionários consulares e advogados da Embaixada da Rússia em Washington possam prestar o apoio necessário aos detidos.
“Esperamos que a parte americana revele, nesta questão, a devida compreensão, nomeadamente partindo do caráter positivo da atual etapa do desenvolvimento das relações russo-americanas”.
Os dirigentes russos estão a revelar forte nervosismo face às acusações norte-americanas.
Nikolai Kovaliov, antigo diretor do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, considera este episódio “estupidez completa, um detetive ainda mais barato do que os de Agatha Christie”.
“Claro que não se trata de uma coincidência ocasional o fato do grupo de “espiões russos desmascarados” ter sido detido logo após a visita de Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, aos Estados Unidos”.
Na véspera, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia refutou as acusações da polícia alemã sobre a espionagem industrial russa no território da Alemanha com argumentação semelhante.
“Trata-se de um conjunto padrão de pretensões apresentadas aos representantes diplomáticos russos na Alemanha, que, segundo os serviços de contraespionagem alemães, continuam a ser “ninhos de espiões” que minam a segurança da Alemanha”, comentou Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
Na semana passada, Thomas de Maizière, ministro do Interior da Alemanha, apresentou um volumoso relatório onde se acusa a Rússia e a China de serem os países que mais ativamente fazem espionagem industrial naquele país e constituem uma ameaça aos interesses alemães.
“O documento apresentado pelo ministro, infelizmente, está de novo repleto de acusações infundadas ao nosso país, retiradas da época da “guerra fria”, que já parecia distante”, frisou Nesterenko.
Estou convencido de que estes incidentes não irão prejudicar fortemente as relações entre os Estados, até porque a espionagem é tão velha como o mundo.
Acho que as autoridades russas estão a agir com demasiado nervosismo para a altura. Além de dois comunicados publicados num só dia, o que não é frequente, o MNE da Rússia reconheceu que os detidos são cidadãos russos, contradizendo assim as declarações de alguns familiares dos suspeitos.
Waldo Mariscal, filho da Jornalista Vica Pelaez e do professor Juan Lazardo, dois dos alegados espiões, declarou à agência noticiosa russa que: “eles nunca estiveram na Rússia, embora, claro, se interessem pela cultura russa e gostem de Tchaikovski”.
É para estes casos que serve o provérbio: “o silêncio é ouro”.