quinta-feira, julho 22, 2010

Mas que calor!



Caros leitores, cheguei a Moscovo com uma vontade grande de incentivar a publicação de textos no blog, mas é impossível, o calor não deixa fazer nada.
Vivo há 33 anos em Moscovo, mas nunca passei por um Verão assim. O mercúrio dos termómetros está acima dos 30 graus e ameaça continuar a subir até aos 36-38 nos próximos dias. Como não tenho, nem gosto de ar condicionado em casa, nada mais me resta do que aguentar, embora seja muito difícil.
Alguns leitores poderão considerar que estou a exagerar, pois temperaturas dessas registam-se em Portugal, no Brasil, etc., mas aqui é mais difícil suportar essas temperaturas. Ainda bem que os bombeiros têm conseguido, por enquanto, controlar os incêndios nas florestas em torno de Moscovo, porque, caso contrário, o fumo não deixaria respirar completamente.
Em Moscovo, o metropolitano não é salvação, porque a ventilação nunca foi grande coisa e, em algumas estações, a temperatura é de 32 graus. Os russos procuram um pouco de frescura nas fontes, lagos, rios, em qualquer lugar onde haja água fria, mas a falta de cuidado e o excesso de bebidas alcoólicas já mataram 1244 banhistas no mês de Julho.
A onda de calor, que se estende praticamente a todo o país, está a provocar uma das maiores secas na História da Rússia, o que terá sérios reflexos negativos na economia.
Quando conseguir novas forças, darei notícias.

quarta-feira, julho 21, 2010

Blog dos leitores (Os Intocáveis)

Texto enviado pelo leitor António Campos:

"O caso Magnitsky é a melhor ilustração do fosso que separa as palavras e os actos do jurista presidente da Federação Russa no que toca ao seu combate pessoal ao que chamou o "niilismo legal" prevalecente no país. O tema é particularmente espinhoso, numa altura em que o Kremlin se desdobra em inúmeras manobras de charme para atrair investidores e fomentar a transferência de tecnologia, no contexto da mais recente cruzada de "modernização". Para que algum peixe incauto caia na rede, é imperativo passar uma imagem de que a Rússia é atraente para os empresários estrangeiros.

Daí que Sergei Magnitsky, mesmo depois de morto, continue a ser uma pedra no sapato do Kremlin. Um pouco de contexto para os poucos que ainda não ouviram falar deste jovem advogado: Magnitsky desmascarou uma conspiração de funcionários policiais que, em conivência com os tribunais, transferiram fraudulentamente a propriedade da gestora de fundos Hermitage Capital para um assassino condenado, tendo depois defraudado o estado em 230 milhões de dólares por via de um pedido de reembolso fiscal deferido em dois dias pela administração responsável. Na sequência do seu trabalho de investigação sobre o que constitui a maior fraude fiscal de que há memória na história da Rússia, Mangitsky foi acusado de corrupção pelos funcionários que desmascarou e encarcerado durante mais de um ano, tendo morrido na prisão com problemas de saúde por lhe ter sido recusada a necessária assistência médica.
Incansáveis, os membros da equipa da sociedade de advogados Firestone Duncan, onde Magnitsky exercia as suas funções, continuam a empreender todos os esforços ao seu alcance para sensibilizarem a opinião pública e os decisores ocidentais no sentido de pressionar o Kremlin a levar este caso a sério e punir os responsáveis tanto pela fraude como pela sua morte. A sua mais recente iniciativa é uma colecção de vídeos exibidos no Youtube dedicada à exposição dos funcionários que acusaram Magnitsky de corrupção. Neles é revelado que, enquanto Magnitsky literalmente apodrecia na prisão, o major Pavel Karpov e o tenente-coronel Artyom Kuznetzov acumulavam riquezas fabulosas e levavam estilos de vida bem para além do que os seus parcos salários de funcionários públicos alguma vez permitiriam. Por exemplo, a mãe do major Karpov, a viver de uma pensão de cerca de 500 dólares, terá adquirido um apartamento no luxuoso complexo Shuvalovsky em Moscovo, no valor de 930 mill dólares, terrenos no valor de 120 mil dólares, um Mercedes-Benz E280, um Porsche 911 e um Audi A3. Os serviços de fronteiras reportam que Karpov ausentou-se do país oito vezes num ano, tendo visitado o Chipre duas vezes, a Grã-Bretanha, Oman, os Estados Unidos e outros países. As riquezas acumuladas pela família Kuznetzov são ainda mais chocantes.

Esta exibição descarada de sinais exteriores de riqueza à boa maneira russa não parece preocupar os seus beneficiários, entretanto promovidos a posições superiores, uma vez que estão conscientes de que não vivem (e não vão viver tão cedo, contrariamente ao que a retórica de Medvedev sugere) num estado de direito. E o sinal mais reconfortante para os mesmos terá sido certamente o facto, reportado pelo jornal de negócios RBK Daily, de que o gabinete da administração presidencial, em vez de mandar investigar a fonte de tamanha opulência, que obrigaria o major a acumular o seu salário durante 145 anos para a adquirir, tê-lo-á instado a submeter à procuradoria-geral uma queixa por difamação contra a Firestone Duncan. Aparentemente, o kompromat difundido por esta sociedade anda a prejudicar de forma inaceitável a reputação das forças policiais russas, o que terá provocado esta presidencial reacção de repulsa. Se não fosse tão trágico, poderia até ser considerado cómico.

Para os interessados no deboche medieval apadrinhado pelo tandem no poder e dançado ao ritmo rap do "combate ao niilismo legal" , e especialmente, para os que continuam quixotescamente a balbuciar que "as coisas estão a mudar na Rússia" e para os aspirantes a investidores no país, os links abaixo são de leitura obrigatória. Os eméticos estão incluídos.


http://russian-untouchables.com/eng/
 



sábado, julho 17, 2010

Poesia russa e soviética a não perder!


Ontem à noite, sexta-feira, estive em Fafe para apresentar o livro do meu saudoso amigo e poeta José Sampaio Marinho: "Poesia Soviética Russa (sec. XIX e XX)". Tratou-se de um bom momento que contou com a presença de familiares, amigos e conterrâneos de Sampaio Marinho.
Como podem já ter constatado pelos poemas por ele traduzidos e que publiquei neste blog, trata-se, segundo a minha opinião, de uma das melhores traduções de poesia russa para língua portuguesa. Enquanto poeta, Sampaio Marinho conseguiu conservar a beleza rítmica, a força espiritual e poética de grandes poetas russos e soviéticos como Anna Akhmatova, Boris Pastarnak, Marina Svetaeva, etc.
Sampaio Marinho conseguiu verter para a língua de Camões poetas russos como Serguei Essenine, conhecido pela sua alma profundamente nacional, russa.
Caros leitores, se gostam realmente da cultura e da literatura russas, se pretendem conhecer  mais de perto uma das culturas mais ricas do mundo, leiam este livro, porque, além das qualidades acima referidas, o preço dele não é alto. Na sessão de lançamento, custava 10 euros.
Podem adquirí-lo através do sítio electrónico da Editora Labirinto:  http://www.editoralabirinto.com/ .
E claro que fico a aguardar as vossas opiniões e críticas.

sexta-feira, julho 16, 2010

Coisas boas de Portugal

Como os leitores já devem ter dado conta, pela frequência na publicação de textos, encontro-me em Portugal. Entre poucas férias e muito trabalho, vai-se encontrando algum tempo livre para passar por lugares interessantes do nosso país.
No caminho entre Lisboa e Póvoa de Varzim, há um local que toda a gente conhece pelo leitão assado e pelo bom vinho: a Mealhada. Como sou um apreciador dessas delícias, não ousei recusar o convite de um leitor deste meu blog (o que é particularmente agradável e gratificante) para visitar o seu restaurante, que se chama "Nova Casa dos Leitões".
É difícil descrever a qualidade da comida e dos vinhos nessa casa, só provando, recomendo fortemente a todos os leitores que passem pela Mealhada.
  Fiquei surpreendido ao constatar a vontade de inovar e modernizar do nosso anfitrião, André Martins. Além do restaurante, possui uma excelente adega, com vinhos de grande qualidade por ele produzidos. Provei excelentes vinhos, tintos e brancos, e espumantes de alta qualidade.
Deixei a Mealhada bem impressionado com a recepção que me foi concedida por André Martins e apenas posso recomendar os meus leitores a passarem na "Nova Casa dos Leitões".  

Blog do leitor (As consequências de 1812)

Texto enviado pelo leitor António Campos:

Acabei de passar por um comentário do historiador Conrad Black que, com um toque de história alternativa, faz uma reflexão provocatória sobre a evolução da Rússia e o impacto de um hipotético sucesso napoleónico em 1812.

"Estas lamentações sobre o que poderia ter sido são em geral infrutíferas e cansativas, mas podem ser úteis porque o perverso trabalho de poda dos historiadores tem muitas vezes que ser questionado. Não vou agitar mais as águas com reflexões adicionais sobre a revolução americana. No entanto, a derrota de Napoleão na Rússia, que mais do que compensou a Grã-Bretanha pela sua perda no Novo Mundo, é geralmente considerada uma coisa boa.

À excepção de alguns franceses obscuros, que eu saiba, sou o único historiador que reconhece o desastre que foi para o mundo a derrota de Napoleão na Rússia. Como resultado, os nativistas russos prevaleceram sobre os sucessores ocidentalistas de Pedro o Grande; os criadores de mitos tradicionalistas, liderados por Tolstoy, venderam bem a fraude da nobreza da Rússia medieval, bárbara e vagamente santificada, com o desespero da servidão, a opressão absurda das cinzentas massas eslavas, os pogroms e a indiferença à violência Dostoyevskiana, para não falar da estalinista.

Napoleão, tal como Goethe e Beethoven famosamente decidiram, não era propriamente um agente da democracia. Mas à sua luz, e certamente tendo em conta os padrões primitivos da Europa oriental, era um agente do iluminismo. Se tivesse tido a possibilidade de impor qualquer influência na Rússia, tal como o fez no resto da Europa, teria eliminado a servidão, criado uma qualquer espécie de tradição legislativa e modernizado o decrépito estado russo. Teria ancorado a Rússia no Ocidente, tal como Churchill, Roosevelt, Truman, Eisenhower, de Gaulle, Kennedy, Nixon e Reagan, colaborando com Adenauer e Kohl, ancoraram a Alemanha no Ocidente. As vidas de Lenine e Trotsky teriam sido os mais longos e menos violentos anais dos Ulyanov e Bronstein, e a vida de Estaline, o ladrão de bancos siberianos Djugashvili, mais curta e menos consequente.

Carlos XII era um novo-rico exibicionista. Hitler era um maníaco genocida. Napoleão foi o único invasor sério que a Rússia enfrentou que teria melhorado de facto o país, mau grado a indesculpabilidade da presença da Grande Armée no território."

terça-feira, julho 06, 2010

Putin repete bom diagnóstico para Cáucaso do Norte

Os extremistas no Cáucaso do Norte transformam-se cada vez mais em criminosos puros e simples a coberto de palavras de ordem políticas, afirmou hoje o primeiro ministro russo, Vladimir Putin, numa conferência regional do Partido Rússia Unida.

“Com efeito, os extremistas realizam atentados, mas degeneram mais e mais, atualmente, em bandos de criminosos comuns e recorrem a palavras de ordem políticas para se dedicarem aos ataques armados e à nova redistribuição de propriedades”, afirmou Putin na conferência “Estratégia de Desenvolvimento Social e Económico do Cáucaso do Norte até 2020” a decorrer em Kislovodsk.

“Iremos fazer todos os esforços para proteger a vida, os direitos e a segurança dos nossos cidadãos. Não admitiremos jamais ingerência nos nossos assuntos internos, qualquer atentado à soberania e à integridade territorial da Rússia”, sublinhou, acrescentando que o tempo do extremismo passou.

Vladimir Putin fez fortes críticas às autoridades regionais, considerando que “estão afastadas dos problemas reais e, por conseguinte, desacreditam o Estado, envolvem-se em disputas de clãs e revelam frequentemente incompetência gritante”.

Para o chefe do Governo russo, o desemprego crónico do Cáucaso do Norte é o mais grave problema social e psicológico da região.
O Partido Rússia Unida, que é chefiado por Vladimir Putin, detém a maioria esmagadora na Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento Russo e deu início a um ciclo de conferências regionais com vista à preparação das eleições parlamentares, marcadas para o próximo ano.
O diagnóstico feito por Vladimir Putin não é novo, mas, até agora, nunca foi levado à prática. Será que vai ser desta?



Apresentação de livro na Póvoa de Varzim


Caros leitores, irei estar na Póvoa de Varzim para lançamento do meu livro "Samora Machel : Atentado ou Acidente?".
A sessão irá realizar-se no dia 8 de Julho , às 22 horas, no Diana-Bar.

sexta-feira, julho 02, 2010

Resultados da TAP na Rússia cima das expectativas

 Os resultados da Transportadora Aérea Portuguesa na linha Moscovo-Lisboa ficaram acima das expetativas no primeiro ano de operações, o que levou a aumentar o número de voos de seis para sete por semana.
A TAP deu início a voos regulares entre as capitais portuguesa e russa a 10 de Junho de 2009.
Segundo dados revelados pela representação da TAP na capital russa, a companhia aérea transportou, no ano passado, 15 291 passageiros, sendo a ocupação média no Verão de 68 por cento e, no Inverno, 47 por cento.
Não obstante a crise mundial e financeira, a operadora aérea nacional diz que esses números ficaram “acima dos planos iniciais” e as perspetivas são boas.
Nos primeiros três meses de 2010, o número de russos que visitaram ou passaram por Portugal aumentou em 24 por cento se comparado com igual período do ano anterior, o que levou a TAP a abrir um sétimo voo por semana entre 14 de Julho e 15 de Setembro.
A Lusa sabe que 75 por cento dos lugares nesse voo já estão vendidos.
Operadores turísticos contatados pela Lusa consideram que a TAP tem boas perspetivas no mercado russo não só por não ter concorrentes na linha que liga Moscovo a Lisboa, mas por possuir “um bom e moderno parque de aviões”.
Além disso, num momento em que o Brasil e a Rússia aboliram entre si o sistema de vistos e não existir uma ligação direta entre os dois país, a TAP aparece como um meio cómodo de ligação entre Moscovo e várias cidades brasileiras.
No entanto, os operadores turísticos russos chamam a atenção para a morosidade na passagem da fronteira no Aeroporto de Lisboa.
“Não se pode fazer com que os turistas estejam uma hora e mais à espera numa fila só porque o número de funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras é insuficente. Trata-se do primeiro contato com o país...”, disse à Lusa um operador turístico que decidiu ficar no anonimato.
Esta morosidade está a causar sérios prejuízos à TAP não só nas ligações com o Brasil, mas também com a Madeira, destino turístico muito apreciado pelos russos.
“Os nossos turistas chegam a Lisboa ao princípio da noite e, devido às longas filas de espera na fronteira, perdem as ligações para a Madeira e outros destinos. Claro que a TAP os aloja em hotéis de Lisboa uma noite e, no dia seguinte, eles partem, mas já com o plano de férias estragado”, acrescentou o operador.
“Além do mais, isso provoca também sérios prejuízos à transportadora portuguesa”, sublinhou.
Em geral, os turistas russos elogiam o serviço de bordo da TAP, mas chamam a atenção para o fato das instruções de segurança e outros anúncios não serem feitos também em russo.
“Não compreendo. Será que a TAP não pode fazer uma gravação em russo e passá-la depois das instruções em português e inglês? É estranho que num país onde os russos são recebidos de forma cordial, a transportadora aérea não faça um gesto tão pequeno de simpatia, tanto mais que o serviço de bordo em si é bom”, disse à Lusa Vladimir, turista russo que frequentemente passa férias em Portugal.

quinta-feira, julho 01, 2010

Blog dos leitores (Não somos responsáveis pelos tiranos do passado)

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Texto enviado por Cristina Mestre:

"Caros leitores, posso estar enganada mas acho que estamos perante um artigo histórico. O editorial de ontem do jornal Gazeta.ru afirma algo que muitos esperavam há muito que fosse dito publicamente: que a Rússia só andará para a frente quando reconhecer que não é “continuadora”nem “herdeira” do regime soviético. Pois isso acaba agora de ser afirmado abertamente, pela boca de Konstantin Kossachov, dirigente do Comité de Assuntos Internacionais na câmara baixa do Parlamento russo, que começou por publicar um texto no seu blogue na rádio Ekho Moskvy, depois reproduzido pela Interfax e agora pelo jornal.
Diz ele que “se a Rússia se demarcar da actuação de Estaline e de outros ditadores do período soviético, poderá preservar o seu orgulho nacional e não complicar a vida com repentinos embargos sanitários e guerras verbais com países do antigo bloco socialista”.
O deputado propõe adoptar para tais efeitos “uma espécie de doutrina histórica”, que evite à Rússia a necessidade de “reacção a cada provocação”. N opinião de Kossachov, a Rússia deverá “cumprir os compromissos do Estado soviético em matéria de acordos internacionais, de dívida externa etc., mas sem assumir a responsabilidade jurídica nem moral pela actuação daquele regime”, ou seja, não aceitar as exigências políticas, financeiras ou legais pelas violações do direito nacional e internacional cometidas na época soviética. “Os países do Báltico, Geórgia, Moldávia e Ucrânia levaram a cabo nos últimos anos reiteradas tentativas de reavaliar a História que partilharam com a Rússia durante o período soviético. Moscovo reagiu a isso com campanhas públicas de protesto, declarações ameaçadoras por parte do Parlamento e do Ministério dos Negócios Estrangeiros e até com embargos comerciais praticamente simultâneos a essas reavaliações. Mais que impressionar os países vizinhos, este tipo de respostas confirma que a Rússia se sente vulnerável no seu orgulho nacional”.
O jornal qualifica a iniciativa de Kossachov como “pensada, suficientemente rigorosa, inequívoca e benéfica para a imagem da Rússia”.
Esta conclusão a que Kossachov chega (e à qual muitos já haviam chegado dentro e fora da Rússia, embora não publicamente) termina, mesmo assim, numa nota pessimista. Ora vejam:
Em caso de adopção oficial da Doutrina Histórica, ela, infelizmente só terá influência na esfera internacional. Dentro do país não há nem haverá qualquer consenso sobre a responsabilidade moral e jurídica pelas acções do poder soviético, nem sequer uma tolerância mínima entre os que discutem sobre este tema. Uma vez que nós não temos uma entidade política ou social que possua suficiente autoridade moral para não reagir aos que fazem escândalos e remetê-los para tal documento aprovado, não são de esperar mudanças.
/Não haverá mudanças/ enquanto a maioria dos cidadãos não encontrar outra coisa de que se orgulhar para além das conquistas reais ou imaginárias da defunta União Soviética”.

Fonte: http://www.gazeta.ru/comments/2010/06/30_e_3392654.shtml"

terça-feira, junho 29, 2010

Mais uma história de espiões mal contada



O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou esperar que o “escândalo de espiões” não prejudique o que de positivo foi acumulado nas relações russo americanas.
Tu chegaste a Moscovo no preciso momento, a polícia “esmerou-se” no teu país e atira pessoas para a cadeia. É verdade que esse trabalho é feito em toda a parte”, disse ele ao receber, na capital russa, Bill Clinton, antigo Presidente norte-americano.
Espero muito que o que de positivo foi acumulado nas nossas relações bilaterais, nos últimos tempos, não saia prejudicado pelos últimos acontecimentos”, frisou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu hoje um segundo comunicado onde afirma que os Estados Unidos acusaram de espionagem cidadãos russos que estiveram em território norte-americano em várias alturas, mas sublinha que eles não agiram contra os Estados Unidos.
A propósito das acusações feitas nos Estados Unidos em relação a um grupo de pessoas alegadamente por espionagem a favor da Rússia, comunicamos que se trata de cidadãos russos que se viram no território dos Estados Unidos em diferentes épocas”, lê-se num comunicado no sítio eletrónico do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Declaramos que esses cidadãos não realizaram quaisquer ações dirigidas contra os interesses dos Estados Unidos”, sublinha a diplomacia russa.
Moscovo espera que os funcionários consulares e advogados da Embaixada da Rússia em Washington possam prestar o apoio necessário aos detidos.
Esperamos que a parte americana revele, nesta questão, a devida compreensão, nomeadamente partindo do caráter positivo da atual etapa do desenvolvimento das relações russo-americanas”.
Os dirigentes russos estão a revelar forte nervosismo face às acusações norte-americanas.
Nikolai Kovaliov, antigo diretor do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, considera este episódio “estupidez completa, um detetive ainda mais barato do que os de Agatha Christie”.
Claro que não se trata de uma coincidência ocasional o fato do grupo de “espiões russos desmascarados” ter sido detido logo após a visita de Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, aos Estados Unidos”.
Na véspera, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia refutou as acusações da polícia alemã sobre a espionagem industrial russa no território da Alemanha com argumentação semelhante.
Trata-se de um conjunto padrão de pretensões apresentadas aos representantes diplomáticos russos na Alemanha, que, segundo os serviços de contraespionagem alemães, continuam a ser “ninhos de espiões” que minam a segurança da Alemanha”, comentou Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
Na semana passada, Thomas de Maizière, ministro do Interior da Alemanha, apresentou um volumoso relatório onde se acusa a Rússia e a China de serem os países que mais ativamente fazem espionagem industrial naquele país e constituem uma ameaça aos interesses alemães.
O documento apresentado pelo ministro, infelizmente, está de novo repleto de acusações infundadas ao nosso país, retiradas da época da “guerra fria”, que já parecia distante”, frisou Nesterenko.
Estou convencido de que estes incidentes não irão prejudicar fortemente as relações entre os Estados, até porque a espionagem é tão velha como o mundo.
Acho que as autoridades russas estão a agir com demasiado nervosismo para a altura. Além de dois comunicados publicados num só dia, o que não é frequente, o MNE da Rússia reconheceu que os detidos são cidadãos russos, contradizendo assim as declarações de alguns familiares dos suspeitos.
Waldo Mariscal, filho da Jornalista Vica Pelaez e do professor Juan Lazardo, dois dos alegados espiões, declarou à agência noticiosa russa que: “eles nunca estiveram na Rússia, embora, claro, se interessem pela cultura russa e gostem de Tchaikovski”.
É para estes casos que serve o provérbio: “o silêncio é ouro”.

segunda-feira, junho 28, 2010

Decreto sobre ocupação soviética divide coligação governamental na Moldávia


O decreto sobre a ocupação soviética, aprovado pelo Presidente interino da Moldávia, Mihai Ghimpu, está a provocar fortes discussões no país e pode conduzir à desintegração da coligação democrática e pró-europeia que governa esta antiga república da URSS.
Segundo esse decreto, 28 de Junho foi considerado o “dia da ocupação soviética”. Ele prevê, nomeadamente, a realização de cerimónias fúnebres em todo o país, a edificação de um monumento às vítimas da ocupação soviética no centro da capital moldava e a exigência da retirada das tropas russas do território da Moldávia, mais precisamente, da região separatista da Transdnístria.
O atual território da Moldávia formou-se após a assinatura do pacto germano-soviético de 1939, conhecido por Pacto Molotov-Ribbentrop, quando a União Soviética ocupou a Bessarábia, que pertencia à Roménia, e a juntou a uma faixa de território ucraniano que, hoje, constitui a Transdnístria.
A maioria das forças políticas que fazem parte da coligação governamental “Pela Integração Europeia”, constituída pelos partidos Liberal-Democrático e Democrático e pela aliança “Nossa Moldávia” manifestou-se contra a decisão do Presidente interino do país, mas, segundo a agência Novosti-Moldova, Ghimpu recusa-se a anular o decreto.
O decreto foi revogado de facto. Do ponto de vista formal, há duas formas de o revogar: ou Ghimpu faz isso, ou isso será feito pelo Tribunal Constitucional, onde os comunistas já entregaram um protesto”, declarou aos jornalistas Marian Lupu, dirigente do Partido Democrático da Moldávia.
Alguns analistas moldavos consideram que esta divergência é o primeiro sinal forte da desintegração da coligação governamental.
O Partido Comunista da Moldávia, a mais importante força da oposição, já exigiu a demissão de Ghimpu do cargo de Presidente interino.
Esse homem já mostrou várias vezes que não é capaz de dirigir o país. Ele viu-se acidentalmente no cargo de Presidente e envergonha o nosso país. Ele deve demitir-se imediatamente, porque as suas ações divergem da opinião da esmagadora maioria dos cidadãos do país”, disse aos jornalistas Vladimir Voronin, antigo Presidente da Moldóvia e dirigente comunista.
A situação poderá agudizar-se ainda mais à medida que se aproxima a data do referendo, marcado para o próximo mês de Setembro e que deverá decidir se o Presidente da República será eleito por voto direto ou pelo Parlamento, como tem acontecido até agora.

Quirguistão diz “sim” à revisão constitucional


A Comissão Eleitoral do Quirguistão anunciou que mais de 50 por cento por cento dos eleitores disseram sim ao novo projeto de Constituição apresentado pelo Governo provisório, garantindo assim uma vitória à proposta de transformação deste país da Ásia Central numa república parlamentar.
Segundo as últimas projeções, o apoio poderá ficar muito próximo dos 90 por cento, num escrutínio em que, segundo a Comissão Eleitoral do Quirguistão, a afluência às urnas foi superior a 69 por cento.
Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina do Governo do Quirguistão, já anunciou uma vitória do “sim” no referendo constitucional que legitimiza as novas autoridades.
Hoje, aprovámos a nova Constituição. O referendo realizou-se, não obstante as dificuldades e a resistência dura dos adversários da nova Lei Suprema. Desse modo, o povo pôs um grande ponto final na época da direção autoritária de duas clãs: os Akaiev e os Bakiev”, declarou ela aos jornalistas depois do encerramento das urnas.
Entrámos no campo da lei, eu hoje passarei a ter os poderes de presidente do período de transição e irei também dirigir o Governo”, acrescentou.
Otunbaeva e o Governo provisório chegaram ao poder em Abril passado, depois de um levantamento popular ter derrubado o regime do Presidente Kurmanbek Bakiev.
Não obstante sangrentos confrontos entre as etnias quirguizes e uzbeques em meados de Junho, que provocaram milhares de mortos, feridos e deslocados no sul do país, o referendo foi realizado com vista a legitimar as novas autoridades.
Gostaria de salientar as declarações do Presidente russo, Dmitri Medvedev, que considerou um erro a transformação do Quirguistão de república presidencial em parlamentar e que este país da Ásia Central corre sério risco de desintegrar. Duas notas importantes.

domingo, junho 27, 2010

Governo do Quirguistão procura legitimação no referendo

Os eleitores do Quirguistão votam hoje num referendo destinado a legitimar o governo provisório instalado em abril depois do derrube do presidente Kurmambek Bakiev, mas que poderá transformar o país da Ásia Central numa república parlamentar.

“Queiram ou não, o referendo é necessário para sair deste caos. É possível que haja regiões onde não seja possível realizá-lo. Mas organizaremos muitos lugares onde possa ser realizado”, declarou Rosa Otunbaeva, primeira-ministra do Governo interino quirguize.

As autoridades introduziram alterações na lei eleitoral que permitem, nomeadamente, considerar o referendo válido caso nele participem menos de 50 por cento dos eleitores inscritos.

Caso o “sim vença”, o poder será redistribuído a favor do Parlamento e em detrimento do Presidente, serão marcadas eleições parlamentares para outubro deste ano e presidenciais para o ano seguinte.

Porém, os confrontos entre quirguizes e uzbeques, que começaram em 10 de junho em Och, segunda maior cidade do país, e alastaram rapidamente à região vizinha de Jalal-Abad dando origem a distúrbios, incêndios e pilhagens, levaram alguns políticos a considerarem que não existem condições mínimas para a realização do referendo.

Os distúrbios, cuja autoria as autoridades atribuem aos barões da droga e aos apoiantes do antigo presidente Bakiev, provocaram mais de 250 mortos, quase 1200 feridos e 700 mil refugiados.

Omurbek Suvanaliev, general da polícia quirguize que dirigiu a reposição da ordem em Och, demitiu-se em sinal de protesto contra a realização do referendo.

“Não quero que me obriguem a usar recursos administrativos e a manipular os votos das pessoas que sobreviveram a esse drama horrível”, declarou, sublinhando que a realização do escrutínio poderá provocar “nova onda de violência”.

O Partido Comunista do Quirguistão defende o adiamento do escrutínio e a legalização da nova direção do país através da convocação do Parlamento eleito na época de Kurmambek Bakiev e dissolvido após o levantamento popular de Abril passado, mas esta proposta foi recebida com ceticismo, porque cerca de 80 por cento dos deputados foram eleitos em listas do partido do ex-presidente.

Os adversários do referendo consideram também errado limitar os poderes presidenciais numa situação tão conflituosa.

A comunidade internacional, nomeadamente os Estados Unidos, Rússia e UE, defende a realização do refrendo, pois consideram-no um passo importante para estabilização no país.

sexta-feira, junho 25, 2010

Autoridades suspendem estado de emergência no sul do país

As autoridades do Quirguistão decidiram suspender o estado de emergência no sul do país à meia noite local (20 horas em Lisboa), informou o centro de imprensa do Governo provisório.
“Hoje, à meia noite, termina a vigência do decreto do Governo Provisório sobre o estado de emergência na região de Jalal-Abad e nalgumas localidades da região de Och”, precisa a fonte citada pelas agências.
O estado de emergência foi decretado no sul do Quirguistão no dia 25 de Junho a fim de travar os confrontos étnicos entre quirguizes e uzbeques. Os incidentes, que começaram a 10 de Junho, provocaram cerca de dois mil mortos, vários milhares de feridos e mais de meio milhão de refugiados.
O levantamento do estado de emergência permitirá realizar o referendo constitucional, marcado para 27 de Junho, em todo o  território desse país da Ásia Central.
Os principais objetivos do escrutinio são a transformação do Quirguistão numa república parlamentar e legitimar as autoridades que chegaram ao poder em Abril passado, quando um levantamento popular levou ao derrube do Presidente Kurmanbek Bakiev.
Baktibek Alimbekov, vice-ministro do Interior do Quirguistão, declarou que as forças de segurança continuarão a trabalhar “em regime reforçado” para garantir a ordem durante o referendo.

Monumento a Estaline retirado da sua cidade natal


O monumento ao ditador comunista soviético José Estaline (1879-1953) foi retirado secretamente na madrugada passada da praça central de Gori, sua terra natal. O lugar será ocupado por um monumento aos “heróis mortos na guerra contra a Rússia em Agosto de 2008”.
O monumento de 15 metros de altura, erigido em 1952, será transferido para o Museu José Estaline, situado a algumas centenas de metros da praça.
Segundo a rádio Imédi, “os habitantes da cidade não foram prevenidos da decisão, por isso tratou-se de uma ação completamente inesperada para eles”.
“A desmontagem da estátua demorou várias horas, tendo a praça sido previamente cercada pela polícia. Todos estes pormenores permitem duvidar de que a proposta de retirar o monumento fosse recebida em delírio pela população local”, sublinha a rádio georgiana.
A praça onde se encontrava o monumento, que tinha o nome de Estaline, passará a chamar-se Praça dos Heróis Mortos na Guerra contra a Rússia e no centro será edificado um novo monumento aos soldados georgianos que tombaram na guerra contra as tropas russas em Agosto de 2008.
Moscovo enviou tropas suas para território georgiano a pretexto de proteger os seus cidadãos na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, tendo os militares russos chegado a bombardear e ocupar a cidade de Gori.
A primeira tentativa de desmontagem do monumento a Estaline foi feita há dois anos atrás.
“Estaline é o fundador da União Soviética e o carrasco de milhões de pessoas. Num país que constitui um símbolo da liberdade, é inadmissível que no centro da cidade esteja um monumento a Estaline, não obtante ele ser de origem georgiana”, declarou então Gueorgui Baramidzé, vice-primeiro-ministro do Governo da Geórgia.
Porém, só à segunda vez é que as autoridades georgianas conseguiram retirar a estátua de Estaline.
Depois desta desmontagem, bustos e estátuas de Estaline podem ser vistas em algumas cidades russas, erigidos por iniciativa do Partido Comunista da Federação da Rússia.

quinta-feira, junho 24, 2010

Comunistas de São Petersburgo exigem repetição de jogo Portugal-Coreia do Norte

                                 
Ilia Repin. Cossacos escrevem carta ao sultão turco

Publico abaixo a tradução da carta enviada pela "Organização dos Comunistas de São Petersburgo e da Região de Leninegrado à FIFA. Antes disso, gostaria de lembrar que entre as propostas desta organização está a de beatificação do ditador comunista José Estaline pela Igreja Ortodoxa Russa.

 

 

 

"Estimado Sr. Blatter!

O 19º Campeonato do Mundo de Futebol, cuja fase final se realiza na República da África do Sul entre 11 de Junho e 11 de Julho, está a ser acompanhado, para nossa profunda tristeza, de numerosos escândalos, provocações, ingerência na competição dos serviços secretos imperialistas e, por isso, a competição perdeu a legitimidade aos olhos de milhões de amantes do futebol: partidários da paz e da amizade entre os povos.

Por exemplo, quando da escolha do local de realização, foi afastada do concurso a Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia.

Quando, sob a pressão das forças progressistas do planeta, a República da África do Sul, que derrubou o jugo do apartheid, foi escolhida como local de realização do campeonato, o conhecido revanchista e experiente espião Franz Beckenbauer fez várias tentativas de mudá-lo. Isso estragou os nervos aos jogadores da selecção da África do Sul e dos seus amigos, os comunistas de todo o mundo.

Através de ameaças, chantagem, falsificações e terror moral, foram afastadas da competição as equipas de Cuba, Venezuela, Vietname, Laos, Abkházia, Nicarágua, Síria, Nepal, Zimbabwe, Namíbia, Bielorrússia, ou seja, os países socialistas mais destacados. Não nos satisfazem as explicações ridículas dos burocratas da FIFA de que os países socialistas jogam mal futebol.

A campanha publicitária do torneio, a despeito dos protestos da opinião pública mundial, foi entregue à Coca-Cola, sobre cuja consciência pesam milhões de vidas jovens assassinadas, principalmente na Rússia.

No período de realização do campeonato, os racistas e neocolonialistas submeteram a uma perseguição implacável os apoiantes da República da África do Sul, veteranos do movimento de libertação, pelo emprego do vuvuzel. A campanha desenfreada de ridicularização dessa tradição nacional dos negros levou, no fim de contas, a que a selecção da RAS não tenha pasado aos 1/8 de final. Semelhante discrimação aberta do país que recebe o campeonato ocorreu pela primeira vez na história do futebol mundial.

No período de preparação dos jogos, veteranos, homens da ciência e da cultura, combatentes pela independência da Ásia e da África chamaram a atenção da FIFA para o facto de a nova bola da Adidas: Jabulani, especialmente fabricada para o Campeonato, revelar uma surpresa total da sua trajectória, não obedece às pernas humanas, é controlada de fora. Disso falou, nomeadamente, Fidel Castro.

Mas a FIFA ignora quais críticas das forças progresistas sobre as condições insuportáveis em que decorre o Campeonato. Os acontecimentos em torno da equipa da República Democrática Popular da Coreia do Norte (RDPC) são a apoteose da violação de todas as regras e tradições desportivas, uma prova da ingerência descarada do bloco da NATO na vida desportiva. Inicialmente, antes do jogo decisivo contra o Brasil, desapareceram os melhores quatro jogadores da única equipa socialista que chegou ao campeonato.

Mas, mesmo privada pelos inimigos dos seus melhores filhos, a equipa da Coreia Popular apertou seriamente os brasileiros. Depois de pessoas de boa vontade terem retirado das garras da CIA, a FIFA devia suspender o campeonato até à apuração de todas as circunstâncias do rapto, inspeccionar os estádios, as bolas, as balizas, os próprios desportistas para determinar a sua autenticidade, a correspondência às regras de utilização de meios técnicos. Isso não foi feito! Foi organizado apressadamente o jogo entre a suposta “selecção da RDPC” e a equipa de Portugal, durante o qual a maioria dos observadores viu claramente que no campo estava a ocorrer algo muito pouco parecido com o futebol, o desporto e o desanuviamento da tensão internacional.

“Alguns peritos afirmam que metade dos jogadores da seleção da RDPC foram substituídos por futebolistas da Coreia do Sul...Outros assinalam a trajetória inexplicável da bola, que, com a ajuda de meios técnicos, voava constantemente para a baliza da seleção da RDPC. Além disso,ninguém tem dúvidas de que a seleção portuguesa é constituída por drogados acabados, mas não foram feitos testes de doping. Nenhum comentador conseguiu explicar a diferença na qualidade do jogo da equipa da RDPC nos jogos contra o Brasil e Portugal, tanto mais que brasileiros e portugueses são absolutamente iguais”.

Nestas condições, os Comunistas de Petersburgo e da Região de Leninegrado exigem da FIFA a repetição do jogo entre a RDPC e Portugal, depois de investigar os factos do rapto dos jogadores da Coreia do Norte, inspeccionar a equipa de Portugal sobre o consumo de drogas, estudar a relva e as bolas a propósito de aparelhos especiais que influem na trajectória do movimento da bola.

Exigimos a passagem da selecção da RAS aos 1/8 de final, porque, caso contrário, renascerá o apartheid.

Informamo-o que nós iremos hoje apelar aos trabalhadores sul-africanos para que deixem de operar no Campeonato em sinal de protesto contra as limitações impostas às equipas da RDPC e da RAS na etapa decisiva da competição, inspirados por Kim Jong-il e Nelson Mandela.

Acabem com a guerra do futebol contra as equipas dos países que estão na vanguarda da luta contra o imperialismo, pela paz e o progresso social!"

terça-feira, junho 22, 2010

Mais uma guerra de gás, desta vez entre Rússia e Bielorrússia





O consórcio energético russo Gazprom prometeu hoje garantir completamente o fornecimento de gás aos consumidores europeus não obstante a ameaça da Bielorrússia de cortar o trânsito do combustível russo através do seu território.

“Iremos utilizar vias alternativas de transporte de gás através da Ucrânia e da Lituânia, a utilização das reservas dos depósitos subterrâneos”, declarou Serguei Kuprianov, porta-voz da Gazprom, ao canal televisivo Vesti 24.

Kuprianov acrescentou que já recebeu a confirmação de Kiev, o que foi anunciado pelo primeiro-ministro ucraniano, Mikola Azarov, de que a Gazprom poderá aumentar os volumes de trânsito de gás através da Ucrânia.

“Não vemos qualquer problema, os nossos clientes na Europa receberão os volumes de gás acordados”, frisou.

A Gazprom explica que a dívida de 192 milhões de dólares surgiu devido ao fato de a Bielorrússia, em 2010, ter decidido unilateralmente pagar o gás ao preço do ano passado: 150 dólares por mil metros cúbicos, enquanto, segundo o contrato assinado, tem de pagar 174 dólares.

Alexandre Lukachenko, Presidente da Bielorrússia, deu ordem para que seja suspensa a passagem de gás russo para a Europa através do seu país até que a Gazprom pague as dívidas.

“Quero informar-vos do conflito que, infelizmente, se transforma numa guerra de gás entre a Gazprom e a Bielorrússia”, declarou ele num encontro com Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

 “Enquanto não pagarem o dinheiro pelo trânsito durante meio ano, o gás não passará”, frisou.

Segundo ele, “a Gazprom deve-nos 260 milhões de dólares, incluindo o trânsito de gás em Maio. Ela reconhece essa dívida. Nós devemos-lhe 190 milhões de dólares, mas ela deve-nos 260 milhões. E chegam ao absurdo de dizerem que não pagamos essa dívida”, acrescentou.

Na véspera, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que o seu país não iria reduzir os fornecimentos de gás à Bielorrússia mais de 15 por cento “tendo em conta a atitude especial para com os consumidores bielorrussos”, mas, hoje, a Gazprom  subiu esse número para o dobro e promete não ficar por aí.
O consórcio energético russo Gazprom prometeu hoje garantir completamente o fornecimento de gás aos consumidores europeus não obstante a ameaça da Bielorrússia de cortar o trânsito do combustível russo através do seu território.

“Iremos utilizar vias alternativas de transporte de gás através da Ucrânia e da Lituânia, a utilização das reservas dos depósitos subterrâneos”, declarou Serguei Kuprianov, porta-voz da Gazprom, ao canal televisivo Vesti 24.


“Não vemos qualquer problema, os nossos clientes na Europa receberão os volumes de gás acordados”, frisou.

A Gazprom explica que a dívida de 192 milhões de dólares surgiu devido ao fato de a Bielorrússia, em 2010, ter decidido unilateralmente pagar o gás ao preço do ano passado: 150 dólares por mil metros cúbicos, enquanto, segundo o contrato assinado, tem de pagar 174 dólares.

Alexandre Lukachenko, Presidente da Bielorrússia, deu ordem para que seja suspensa a passagem de gás russo para a Europa através do seu país até que a Gazprom pague as dívidas.

“Quero informar-vos do conflito que, infelizmente, se transforma numa guerra de gás entre a Gazprom e a Bielorrússia”, declarou ele num encontro com Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

 “Enquanto não pagarem o dinheiro pelo trânsito durante meio ano, o gás não passará”, frisou.

Segundo ele, “a Gazprom deve-nos 260 milhões de dólares, incluindo o trânsito de gás em Maio. Ela reconhece essa dívida. Nós devemos-lhe 190 milhões de dólares, mas ela deve-nos 260 milhões. E chegam ao absurdo de dizerem que não pagamos essa dívida”, acrescentou.

Na véspera, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que o seu país não iria reduzir os fornecimentos de gás à Bielorrússia mais de 15 por cento “tendo em conta a atitude especial para com os consumidores bielorrussos”, mas, hoje, a Gazprom  subiu esse número para o dobro e promete não ficar por aí.
O dirigente Lukachenko continua a sua política de ganhar com o equilíbrio entre  vários campos, apresentando-se como um defensor firme dos interesses nacionais. Isto pode fazer parte do seu plano para as eleições presidenciais de 2011.
A Rússia, pelo seu lado, não encontra forma de "pôr Lukachenko na linha". O projecto de união dos dois Estados é cada vez mais a caricatura de uma verdadeira aproximação. Moscovo está cada vez mais farto do dirigente bielorrusso, mas parece não ter alternativa.
O Kremlin não consegue encontrar fórmulas de convivência com os seus vizinhos. Talvez precise de repensar a sua política externa e mudar de táctica e estratégia.  

Reflexões tristes sobre a relação entre ditaduras e futebol


Um dos possíveis destinos da selecção norte-coreana é ser internada num campo de concentração ou obrigada a trabalhar numa mina de carvão, escreve a imprensa russa, desta vez com conhecimento de causa.
Estas afirmações fizeram-me recordar um episódio da história do futebol soviético, mais precisamente do jogo entre as selecções da URSS e da Jugoslávia em 1952, nas Olímpiadas de Helsínquia.
Nos oitavos de final, os jogadores soviéticos estavam a perder 1:5 frente aos jugoslavos, mas acabaram por empatar por 5:5, obrigando à realização de um jogo de desempate no dia seguinte. A URSS perdeu 1:3 e foi eliminada.
Nessa altura, a União Soviética era dirigida por José Estaline, um dos principais mestres de Kim Jong-il, e o ditador soviético não ficou indiferente a essa derrota. Participou inclusive na escolha das formas de castigo dos seus futebolistas.
Em 1948, Broz Tito, Presidente da Jugoslávia tinha, de facto, rompido as relações diplomáticas com a URSS, o que fez dele um inimigo especial de Estaline, levando a imprensa soviética a chamar-lhe “cão do imperialismo”, etc.
Furrioso com a derrota, que considerou um “crime político, Estaline dissolveu a equipa de futebol do TsDSA (clube pertencente ao Exército Vermelho), que tinha dado à selecção 5 dos vinte jogadores e o treinador. Além disso, retirou o título de “mestre do desporto” a grandes nomes do futebol soviético como Petrov, Arkadiev, Bachachkin, Nikolaev, Beskov e Krijevski.
Mais, foi ordenada a destruição de todos os filmes e fotos desse jogo na União Soviética.
Kim Jong-il já começou a imitar o seu mestre: os órgãos de informação norte-coreanos não comunicaram o resultado do jogo entre a Coreia do Norte e Portugal e foi suspensa a transmissão de outros jogos da selecção nacional.
Resta agora saber se o ditador coreano vai seguir o exemplo do seu pai Kim Il-sung, que enviou para um campo de concentração os jogadores que perderam a partida frente a Portugal em 1966, ou revelará tanta “mericórdia” como Estaline, que se limitou a tomar “medidas administrativas”...
E só mais uma nota, ou melhor, uma pergunta: como será possível ter relações ou justificar regimes deste tipo no séc. XXI?