domingo, agosto 22, 2010

Blog dos leitores (O Submarino e o Estadista)



   Texto enviado pelo leitor António Campos: 

"O décimo aniversário da tragédia do submarino Kursk foi assinalado neste blog por um post do José Milhazes, no qual referia o receio dos familiares das vítimas de que estas caíssem no esquecimento. Tal como foi mencionado, os membros da família não foram na ocasião contactados por nenhum membro do ministério da defesa nem da marinha, o que passou a mensagem de que afinal, para o estado, as vidas das vítimas não eram assim tão importantes.

No entanto, à peça passou despercebido um pormenor que não é negligenciável, por revelador: segundo o Moscow Times, apesar das diversas cerimónias em vários pontos do país destinadas a relembrar o acontecimento, nem Putin nem Medvedev disseram publicamente uma palavra que fosse acerca do mesmo.

Esta postura repugnante e totalmente indigna de um estadista é tanto mais bizarra quando pensamos que Putin, enquanto presidente na altura do acidente, é o responsável último pela forma incompetente como a crise foi gerida. No fim de contas, aqueles homens morreram a servir o sacrossanto estado que Putin coloca acima de tudo e todos, e que foi, em última análise responsável pela sua morte, falhando por lhes ter colocado nas mãos equipamento instável, defeituoso e deficientemente mantido, e depois, por ter deitado por terra todas as esperanças do salvamento dos sobreviventes, por culpa de uma gestão de crise com contornos absurdamente soviéticos.

Terá o silêncio de Putin o objectivo de evitar chamar a atenção do público sobre as suas responsabilidades? Ou é pura e simplesmente a sua evidente convicção de que é dever do povo sacrificar-se pelo estado, suportar seja o que for que dele venha e não esperar rigorosamente nada em troca? Nem tão pouco honrar quem morreu a servi-lo?

sexta-feira, agosto 20, 2010

Base militar russa continuará em território arménio até 2044


A Rússia e a Arménia assinaram um protocolo sobre a introdução de alterações ao acordo bilateral de 1995 sobre a base militar russa em Giumri, que prevê o prolongamento da vigência desse documento.
O acordo, assinado em 1995, previa a permanência da base durante 25 anos, ou seja, até 2020, mas esse prazo foi agora alargado até 2040.
A assinatura do documento teve lugar na capital arménia após conversações entre Serge Sarguissian, Presidente da Arménia, e o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, que se encontra em visita de Estado a esse país da Transcaucâsia.
A base, que faz parte do sistema unificado de defesa anti-aérea da Comunidade dos Estados Independentes, está equipada com complexos de mísseis S-300 e caças Mig-29. Aí estão aquartelados cerca de cinco mil militares russos.
O acordo prevê o seu prolongamento automático por um período de cinco anos se nenhuma das partes o denunciar até seis meses antes do seu termo.
Além disso, como a base russa, além de defender os interesses estratégicos da Rússia, garante, juntamente com as Forças Armadas da Arménia, a segurança deste país, Moscovo compromete-se a fornecer armamentos modernos.
A existência desta base provoca sérias preocupações no Azerbaijão, que mantém um diferendo territorial com a Arménia em torno de Nagorno-Karabakh.
O diário russo Nezavissimaia Gazeta escreve hoje que o Azerbaijão poderá responder a este acordo russo-arménio com o acolhimento de uma base militar turca na república autónoma de Nakhitchevan, enclave azeri situado entre a Arménia e a Turquia.
Quanto à solução do problema de Nagorno-Karabakh, enclave arménio em território azeri que proclamou a sua independência em 1990, Medvedev afirmou que a Rússia tenciona continuar os esforços de mediação para conseguir a solução política desse problema.
“Continuamos prontos a continuar a nossa missão de intermediação, a ajudar nesse processo, a contribuir para a busca de uma solução política com base em acordos aceitáveis para todas as partes”, frisou o Presidente russo.
Moscovo e Erevan assinaram também um acordo sobre a construção de mais um bloco na Central Nuclear da Arménia, controlada pela Rússia.
Moscovo tem vindo a perder influência na Transcaucásia e resta apenas a aliança estratégica com a Arménia. O problema é que ela faz deteriorar as relações entre a Rússia e o Azerbaijão, pois Baku convence-se cada vez mais que o Kremlin não é um intermediário neutro no conflito em torno de Nagorno-Karabakh, como pretende fazer crer. 
Além disso, é de salientar o papel crescente da Turquia na região.

Diplomacia de Moscovo desiludida com decisão da Tailândia extraditar But


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia chamou hoje o embaixador da Tailândia na capital russa para lhe manifestar “desilusão” e “perplexidade” face à decisão do trinbunal tailandês de extraditar o traficante de armas Victor But.

“Foi manifestada desilusão e perplexidade extremas a propósito da sentença, politicamente motivada, do Tribunal de Apelação da Tailândia que contradiz a decisão anteriormente tomada pelo Tribunal Criminal desse país, em Agosto de 2009, que recusou a extradição de But para os Estados Unidos por insuficiência de provas de culpa do cidadão russo”, lê-se num comunicado publicado hoje na capital russa.

Antes, Serguei Lavrov, chefe da diplomacia russa, declarou que a  Rússia irá lutar pelo regresso de Victor But ao seu país.

“Lamentamos a decisão, em meu entender, não jurídica, política, tomada pelo tribunal de apelação na Tailândia. Segundo a informação de que dispomos, a decisão foi tomada sob forte pressão do exterior. Isso é triste”, comentou Lavrov.
O ministro russo assinalou que a Rússia tem prestado apoio a Victor But, acrescentando que “estivemos em contacto com os seus advogados, com a sua família”.
“Garanto-vos que continuaremos a fazer todos os possíveis para conseguir o seu regresso à pátria”, concluiu.
Um tribunal de recurso tailandês aceitou hoje o pedido das autoridades norte-americanas para extraditar o traficante de armas russo Victor But, conhecido como o “comerciante da morte”.
But, antigo oficial da Força Aérea Soviética, que terá inspirado o personagem protagonizado por Nicolas Cage no filme “Senhor da Guerra”, está detido desde março de 2008 em Banguecoque, mas o pedido de extradição foi inicialmente recusado por um tribunal de Banguecoque.
“O tribunal decidiu mantê-lo sob detenção para que seja extraditado para os Estados Unidos", afirmou o juiz Jitakorn Patanasiri.
Segundo um dos advogados do traficante de armas, But só poderá ser extraditado depois da decisão sobre um segundo pedido de extradição para os Estados Unidos que está a ser analisado no tribunal tailandês.
Porém, advogados russos contatados pela Lusa em Moscovo consideram que esse obstáculo é facilmente superável, pois Washington deverá retirar o segundo pedido de extradição, porque o primeiro já foi aceite.
But foi detido num hotel da capital tailandesa depois de se ter encontrado com agentes norte-americanos que se fizeram passar por responsáveis das FARC (guerrilha colombiana) que procuravam comprar armas.
Se o "senhor da guerra" for extraditado para os EUA e forem provadas as acusações, poderá ser condenado a 180 anos de prisão.
O advogado russo de Victor But já propôs às autoridades de Moscovo que troquem o traficante de armas por espiões americanos. Quantos espiões valerá tudo o  que sabe esse homem, que fala fluentemente português, pois trabalhou como conselheiro militar do MPLA e forneceu armas à UNITA?  

Dois comboios atropelaram 50 vacas enquanto os pastores bebiam




Dois comboios que circulavam em sentidos diferentes chocaram, na madrugada passada, com uma manada de  cerca de 230 vacas na região de Vitevsk, na Bielorrússia.
Segundo Marina Fando, porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Bielorrrússia, os comboios de passageiros Grodno (Bielorrússia) – Moscovo e Moscovo-Varsóvia mataram cerca de 50 vacas, mas não se registaram feridos entre os passageiros.
“A tragédia ocorreu numa passagem sem guarda. As vacas pertenciam ao “Kolkhoz 40 anos de Outubro” e tiveram de ser retiradas por camiões com gruas”, acrescentou ela, citada pela agência BELTA.
A polícia local investiga este insólito acontecimento, mas já determinou que dois pastores se encontravam embriagados e foram levados para um hospital a fim de realizar análises.
O choque entre os comboios e as vacas provocaram atrasos nos horários desses e outras composições férreas. O comboio Moscovo-Varsóvia sofreu um atraso de 40 minutos e Grodno-Moscovo, 03 horas e 49 minutos.
Alexandre Martchenko, porta-voz do Ministério do Interior da Bielorrussia, assinalou que este não foi o único caso registado nas últimas 24 horas. Outro comboio chocou com um javali, tendo sofrido um atraso de 35 minutos.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Incêndios causam prejuízos da ordem dos 12 mil milhões de rublos

Os prejuízos financeiros provocados pelos incêndios florestais até hoje na Rússia rondam os 12 mil milhões de rublos (cerca de 300 milhões de euros), declarou aos jornalistas Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência.
“Os gastos com a superação dos incêndios, somando os meios para a construção de casas e outros recursos, nomeadamente para o combustível, constituem hoje 12 mil milhões de rublos”, disse ele.
“A isso deve-se juntar as florestas afetadas. É difícil que as madeiras ardidas tragam proveito à indústria”, acrescentou.
Os incêndios florestais, provocadas por altas temperaturas inéditas e pela seca, provocaram a morte de 53 pessoas, deixando mais de 3 500 sem teto.
As autoridades falam em cerca de 800 mil hectares de área ardida, mas a organização ecologista Greenpeace fala em mais de 15 milhões de hectares.
Peritos citados pela agência Ria-Novosti calculam que os prejuízos totais dos incêndios poderão ir de cinco a dez mil milhões de euros.
Serguei Choigu assinalou que as causas do avanço rápido das chamas deveu-se ao fato de “as autoridades competentes não terem prevenido desse perigo, a fraca viguilância, a falta de deltaplanos, bem como de aviões sem piloto”.
O ministro para Situações de Emergência aconselhou os dirigentes das regiões ardidas que inspecionem as organizações que ganharam os concursos para proteger as florestas dos incêndios.
“Na região de Nijni-Novgorod venceu uma organização constituída por 56 almas vivas e dois veículos. Sabem o que aconteceu depois!”, sublinhou.
A região de Nijni-Novgorod foi uma das mais atingidas pelas chamas na época de incêndios de 2010.
“Eu compararia o combate às chamas com a guerra, tivemos vitórias e derrotas, falhas nas operações de reconhecimento”, acrescentou.
Segundo ele, cerca de 166 mil bombeiros combateram os incêndios florestais.
“Não pedimos ajuda aos parceiros estrangeiros, mas recebêmo-la com gratidão. Participaram 449 bombeiros estrangeiros, aviões e helicópteros, que cumpriram as tarefas colocadas. O último grupo estrangeiro deve deixar a Rússia a 21 de Agosto”, concluiu.

Blog dos leitores (O meu 19 de Agosto)




Texto enviado pelo leitor Jest: 




"No dia 19 de Agosto de 1991 (que era uma Segunda – Feira) eu, o estudante e jornalista – aprendiz, por razão que já não consigo recordar foi visitar a secção de registo de domicílio na fábrica onde trabalhava o meu pai. Naquela época, todo o cidadão soviético deveria viver registado em algum domicílio, acto comprovado pelo carimbo que o mesmo cidadão recebia no seu passaporte interno (o BI soviético com muitas páginas onde as autoridades controladores registavam o seu estado civil, registo domiciliar e até o grupo de sangue, embora este último só ao pedido do portador do passaporte).

E lá, na secção do registo, ouvi na rádio a notícia, que já tinha ouvido naquela mesma manha, mas em cuja veracidade não quis acreditar. Mikhail Gorbachev (o presidente auto-proclamado da URSS, pois não foi votado em escrutínio popular), retirou-se para a Crimeia por questões da saúde (qualquer cidadão soviético percebia que homem foi detido) e todo o poder na URSS passava para as mãos de junta político – militar, que tinha um nome complexo de pronunciar: Comité Estatal de Situação de Emergência, ou GKChP.

O meu primeiro pensamento foi algo do género: “Meu Deus, a minha vida acabou, a Perestroica acabou, o meu país (acho que ainda sentia a URSS como meu) irá viver uma terrível ditadura comunista”. Agora, olhando para trás, entendo claramente que o poder soviético (acredito que foi com o total aval de Gorbachev), preparava a opinião pública para a necessidade de “aperto de parafusos”. Desde oReferendo Soviético de 1991 as medias estatais assustavam os “pequenos – burgueses” soviéticos com as informações sobre o “crescimento do nacionalismo” nos Estados Bálticos, Geórgia, Moldova e Ucrânia. As imagens preferidas eram de alimentos racionalizados (açúcar, sabão, cigarros), mas também de ovos, frangos, carne, “achados” nas lixeiras municipais. Dava-se entender que a URSS estava à beira de colapso e que apenas boa velha ordem conseguirá nós salvar “deles”, quem eram “eles” não se dizia, mas no entender da propaganda pró – soviética não era a gente boa.

Deixei tudo por trás e imediatamente foi para a Praça Central de Kyiv (o actual Maydan, ou a Praça de Independência), que ainda tinha o nome de, salvo erro, Revolução de Outubro e era vigiada pela enorme estátua de Lenin de granito, cercado pelo marinheiro, soldado – camponês e uma trabalhadora de bronze, de cima de uma colina subjacente.

A Praça era conhecida na época de 1987-1991 como Hyde_Park de Kyiv, servia de espaço de liberdade onde eram vendidos revistas e jornais independentes: liberais ou democratas moscovitas, imprensa democrata ou nacionalista ucraniana de Kyiv, Kharkiv ou Lviv.

Naquele dia na Praça eram distribuídas os panfletos vindos da Rússia, assinados pelas pessoas próximas do Bóris Yeltsin, que exortavam os cidadãos a não aceitar a autoridade da junta militar. No mesmo dia, mas a tarde, apareceram os primeiros panfletos ucranianos, da autoria da plataforma política nacionalistaAssembleia Inter-Partidária Ucraniana (UMA) e do Movimento Popular da Ucrânia (Rukh). O Governo regional ucraniano manifesta-se bastante tardiamente no sentido do que os decretos da junta não tem a força jurídica na Ucrânia, pedindo os cidadãos para “não agravar a situação social e política da República, evitar o confronto e conflitos”. Discursando na tarde do dia 19, o chefe do parlamento, comunista e futuro 1º Presidente da Ucrânia Independente, Leonid Kravchuk exorta a população ucraniana manter a “paz e tranquilidade”, para não dar motivos de instalar na República o estado de emergência.

Naquele mesmo dia 19 escrevi a reportagem sobre os acontecimentos na Praça, mas o pessoal do jornal onde habitualmente publicava as minhas primeiras notícias disse que sou um jovem bom e corajoso, mas nada disso poderia ser publicado por causa da censura restabelecida pela junta militar.

Assim dirigi-me para casa, chegando exactamente para assistir ao meio a famosa entrevista em directo com a liderança da junta, mais tarde apelidada de Bando dos Oito. O chefe nominal da junta, o vice – presidente soviético Gennady Yanayev tinha mãos tremidas, por vezes respondia as perguntas dos jornalistas balbuciando frases sem nenhum nexo. Todos os outros membros da junta pareciam muito nervosos, o que obviamente foi lhes fatal, os telespectadores percebiam que algo não bate certo.

Cerca de 100.000 moscovitas saíram às ruas para defender o edifício do Governo russo, a “Casa Branca” foi cercada pelas barricadas improvisadas, as pessoas usavam para isso todo o tipo de material de construção que conseguiam usar, incluindo também vários carros eléctricos e viaturas de limpeza municipal. Uma Centena Ucraniana bem organizada, empenhando as bandeiras da Ucrânia participou na defesa da Casa Branca, assegurando a defesa da parte sudoeste do edifício. Entre as três pessoas que morreram no dia 21 de Agosto, quando a Divisão Motorizada da Infantaria Tamanskaya começou o ataque contra a Casa Branca, foi ucraniano Ilya Krichevskiy, sepultado mais tarde envolto na bandeira ucraniana. Ele e mais dois companheiros mortos durante o golpe de Estado receberam a título póstumo o título dos Heróis da União Soviética.

O que aconteceu depois é do domínio público: uma parte do exército passou para o lado do governo federativo russo, os líderes da junta foram presos, um deles suicidou-se conjuntamente com a esposa. No dia 24 de Agosto a Ucrânia proclamou a sua Independência, seguida pela Moldova (27 de Agosto), no dia 6 de Setembro a URSS reconheceu as independências da Letónia, Lituânia e Estónia. A desintegração da URSS era apenas a questão de dias.

Outra vez, olhando para trás, acho que o maior erro e a tragédia da jovem – democracia russa, foi a incapacidade dos seus líderes de revogar para sempre o chauvinismo imperial russo. A tentativa de usar o nacionalismo russo para amedrontar e controlar os Estados vizinhos foi mais forte do que a luta e o sofrimento conjunto, que os dois povos sentiram durante 74 anos da ditadura bolchevique, que terminou exactamente em Agosto de 1991.

No dia 24 de Agosto de 1991 estive com milhares de outros ucranianos no “cerco” pacífico do edifício do Parlamento ucraniano, tendo a vontade firme permanecer lá até que a Independência seja proclamada. Mas é uma outra história.    
  
Moscovo, golpe comunista na noite de 19 para 20 de Agosto de 1991:

Fotos de Agosto de 1991:




terça-feira, agosto 17, 2010

Blog dos leitores (Não quero comunicar nem ser activo)

Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre: 

"Andrei Arkhanguelsk: Não quero comunicar nem ser activo
Esta crónica não é sobre o calor, mas sobre a nossa cultura de comunicação: é que no nosso país as conversas costumam ser um dos meios de nos salvarmos de qualquer catástrofe natural. Ao mesmo tempo, a verdadeira cultura de comunicação perdeu-se e as conversas transformaram-se num meio de nos levar a consumir.
O escritor Dmitry Danilov tem um livro chamado “Posição Horizontal”. Recomendo este romance porque, creio, nenhum dos actuais escritores expressou com tal força a essência da nossa vida: a repetição de acções automáticas, vazias e sem sentido.
As conversas “sobre qualquer coisa” são uma forma segura de nos obrigarem a fazer compras espontâneas. Por isso, a actividade e a sociabilidade tornaram-se na moral deste mundo.
Uma conversa frequente:
Falamos sobre a Holanda e a França,
Falamos sobre o carácter nacional dos holandeses, comparação com o carácter nacional dos franceses,
Falamos sobre Roterdão, comparação com Amesterdão,
Falamos sobre a subcultura da claque do Feyenoord, comparação com a claque do Ajax, 
(Na mesa temos vodka, pão, toucinho fumado, carne, legumes guisados)
Falamos sobre o fenómeno dos carteiristas em Paris,
Falamos sobre as características do metro de Paris, comparação com as características do metro de Moscovo,
Falamos sobre a situação no mercado imobiliário de Moscovo,
Falamos sobre as novas máquinas fotográficas Nikon, comparação com as máquinas fotográficas Canon,
Falamos sobre os problemas ligados à crise económica,
Falamos sobre o escritor Anatoli Gavrilov, comparação com o escritor Viktor Erofeev,
Falamos sobre o restaurante Siviy Merin, que está a fechar,
Falamos ainda sobre várias coisas, à entrada do metro.
“Então até à próxima, gostei de te ver, passámos um bom bocado, depois ligo-te”.
Esta estrutura de uma típica “conversa de intelectuais num café da cidade”: ao contrário das conversas “normais” (onde se fala de coisas que se compraram e de tarifas, dos conhecidos comuns e queixas dos engarrafamentos) estas conversas consistem num interesse patológico sobre tudo o que não tem relação contigo, na rápida passagem de um assunto para outro, na demonstração de uma vasta erudição. 
Claro que este formato fragmentado nos foi inculcado pela televisão e pela comunicação na Internet. As conversas sobre os novos produtos, os gadgets, são mesmo um tema à parte: na prática, é o nosso reconhecimento de que as coisas há muito que são mais perfeitas e melhores e até mais independentes do que as pessoas. A própria pessoa sente que a sua existência não é tão importante e está igualmente longe quer da Nikon D80, quer da Nikon D90.
As conversas tornaram-se uma imitação igual a muitas outras: a cultura de comunicação como nascimento de algo novo, conjunto, de procura profunda, terminou. Nós vivemos na época não da filosofia mas da psicologia e, como me disse recentemente uma amiga-filósofa, é por isso que a conversa se transformou para nós num instrumento terapêutico.  
Conversámos – relaxámos os músculos da face, esquecemo-nos um no outro: o conteúdo da conversa não interessa, esquecemo-nos dela no meio dos nossos trinta planos. Aliás é fácil de dizer “Vamos falar de forma produtiva”; a frivolidade é o espírito do nosso tempo. Isto é reconhecido como um problema até pelos intelectuais. O curador de arte Hans Ulrich Obrist costuma juntar 16 dos mais conhecidos intelectuais londrinos na galeria Serpentine de três em três meses, às 5.45 da manhã para falar de um determinado tema. A hora não foi escolhida por acaso: às 5.45 não vais a lado nenhum por acaso, não vais lá para matar o tempo. As pessoas sacrificam o seu tempo de sono para poder conversar só se querem mesmo esclarecer algo a sério ou se têm algo para dizer.
Entretanto, o filólogo Mikhail Epstein está a recriar na Rússia a prática de “improvisações”, inventada há 30 anos. Recentemente, estive num destes encontros. Cinco, seis pessoas juntam-se a uma mesa, durante meia hora, escrevem um ensaio sobre um determinado tema, ou seja, assinalam as teses para a discussão e só depois é que discutem o tema.
“Para que é que inventou estas “improvisações” nos anos 80?” – perguntei eu a Mikhail Epstein. “Era uma fuga do sovietismo?” “Não. Era uma fuga do nosso próprio desleixo mental. Há muito que reparei que, quando na Rússia um grupo de pessoas simpáticas e inteligentes se junta à mesa e tu estás à espera de algo semelhante ao “Banquete” de Platão, afinal resulta uma conversa tipo “televisão”: não sei porquê todos consideram como sua obrigação não “falar de coisas pesadas”, deslizando para conversas sobre conhecidos comuns ou sobre anedotas… Porquê? Afinal há ainda quem tenha pena de perder tempo com futilidades! Foi por isso que inventei as improvisações …”.
A experiência de resistência à tagarelice inconsequente hoje ainda é mais actual: a grande descoberta da humanidade – a comunicação – foi colocada ao serviço do consumo. Não é por acaso que um dos argumentos na publicidade é o apelo “a conversar mais e mais”. Trata-se, obviamente, de ser propositadamente activo, conversador, participativo: todas estas coisas são actualmente sinónimo de consumo. Neste sentido, a publicidade há muito que não vende produtos mas sim a ideia de actividade. Faz-se publicidade não à imagem mas ao ritmo de vida. Um empregado experiente no restaurante, ao ver como a conversa está a animar, escolhe o momento adequando para sugerir humildemente: “Mais vinho?”
Aliás, o mesmo acontece com toda a economia, que se baseia actualmente no consumo não do que faz falta mas do que surge pela frente. A comunicação espontânea “sobre qualquer coisa” é a forma mais segura de nos levar a fazer compras espontâneas.
Por isso, a actividade, a comunicabilidade, a participação tornam-se na moral do mundo actual. Uma “pessoa como deve ser” é aquela que se interessa por tudo o que é novo, tudo o que acaba de sair, tudo o que é moderno, super-moderno. É aquela que tem um milhão de conhecidos e amigos. Consequentemente, aquele que evita a comunicação e as novidades, é amoral. Uma pessoa que não faça parte de um qualquer fórum ou rede social é considerada como doente, um irremediável outsider no mundo.
“Ó cabeça no ar, estás neste mundo ou no outro?” - é assim que dizem a uma criança, com um irónico estalar dos dedos em frente aos olhos, quando esta deixa de tagarelar alegremente e fica calada e distraída a pensar ao canto da mesa. “Estás muito calada…”, insistem os adultos com esta criança. Parece que tagarelar sem fim é considerado normal. As pessoas sentem um perigo – elas têm medo que a criança venha a ser pouco comunicativa, ou seja, que viole as regras deste mundo, que se afaste dos limites das pessoas. “Vais ficar toda a vida sozinha”, diz-lhe a mãe, assustando-a com a mais sombria das perspectivas. 
….Eu não apelo a ir viver para um mosteiro. Simplesmente, quando te puxam à força para a comunicação, convém suspeitar se tal não estará a ser feito com algum outro motivo.
A alternativa à comunicação total é escapar à actividade imposta, em última instância, escapar à manipulação.
Isto não é, de maneira nenhuma, uma crítica ao capitalismo, é simplesmente a posição de um dependente, de um calaceiro da sociedade de consumo, que vive à custa das compras dos outros e à custa da actividade alheia. Enquanto os outros vendem as palavras quase de graça, o que está calado vende a raridade das suas palavras. Este também é um comportamento económico, só que é outro modelo. Finalmente, a negação e o afastamento da comunicação é também um desejo de ser outra pessoa, de te afastares de ti próprio.

Andrei Arkhanguelsk, jornalista, redactor da secção de cultura da revista “Oganiok” "

Atentado terrorista provoca pelo menos 28 feridos


Pelo menos 28 pessoas ficaram hoje feridas num atentado em Pitigorsk, cidade balnear situada no Cáucaso do Norte russo, afirmou a Procuradoria da Rússia.
Três pessoas ficaram gravemente feridas na explosão, que ocorreu num café de Pitigorsk, no centro da cidade, de acordo com a agência noticiosa russa Interfax.
Inicialmente, o Ministério do Interior russo afirmou tratar-se de uma explosão causada por uma botija de gás.
Mas o Ministério para as Situações de Emergência russo e a Procuradoria da Rússia disseram já tratar-se de um atentado terrorista com carro armadilhado.
Segundo as autoridades policiais, a potência da explosão foi equivalente a 30 quilos de trotil.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, exigiu que sejam tomadas todas as medidas para se esclarecer a origem da explosão e prestar assistência médica a todas as vítimas.
Hoje de manhã, um terrorista suicida fez-se explodir junto de um posto da polícia na Ossétia do Norte, república do Cáucaso do Norte russo. Um agente morreu e dois ficaram feridos.
O Cáucaso russo é palco de uma guerra entre a guerrilha separatista islâmica e forças militares e policiais de Moscovo.

Metade do PIB vai parar às mãos de funcionários públicos corruptos

Metade do Produto Interno Bruto da Rússia vai parar às mãos dos funcionários corruptos, afirma a organização não governamental Associação de Advogados pelos Direitos Humanos num relatório hoje publicado.
Esta organização, citando dados do Departamento da Segurança Económica do Ministério do Interior da Rússia, escreve que o “suborno médio” na Rússia, na primeira metade de 2010, constituiu 44 mil rublos (cerca de 1 500 euros), o que é o dobro do registado no ano passado.
A compra de um cargo na polícia de trânsito pode custar 40 000 euros e uma decisão favorável da justiça favorável 26 mil, lê-se no relatório realizado entre 02 de Julho de 2009 e 30 de Julho de 2010 com base em 6 589 queixas.
“Segundo os nossos cálculos, cerca de 50 por cento da economia da Rússia está sob o domínio da corrupção, ou seja, ela constitui cerca de metade do PIB. Os nossos dados coincidem com os do Banco Mundial, que calcula que 48 por cento do PIB da Rússia está sob o domínio da corrupção”, considera a ONG.
“A fusão do mundo do crime e das forças da ordem tem um caráter universal”, constata-se no relatório.
Na Rússia, onde o salário médio mensal é inferior a 600 euros, o cargo de assistente de procurador distrital custa 10 mil dólares (7 800 euros) e um  posto na polícia de trânsito pelo menos 50 mil dólares (40 mil euros).
A ONG sublinha que “as profissões mais prestigiosas são aquelas onde a corrupção é estável”.
Os responsáveis dos departamentos da polícia encarregados de lutar contra o crime organizado e que asseguram a proteção a negócios criminosos ganham até 20 mil dólares por mês e os procuradores 10 mil pelos mesmos serviços, informa a mesma fonte.

Rússia reconfigura relações com a Ásia Central

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, vai encontrar-se, na próxima quarta-feira, em Sotchi, com os seus homólogos afegão Hamid Karzai, paquistanês Asif Ali Zardari e tadjique Emomali Rakhmon.
Segundo o centro de imprensa do Kremlin, Medvedev irá também ter encontros bilaterais com os dirigentes dos três países.
O diário Vremia Novostei considera que o encontro a quatro ajudará a Rússia a reconfigurar as suas relações com a Ásia Central.
O jornal sublinha que a próxima cimeira, a segunda depois da que teve lugar em Julho de 2009 em Duchambé, seria inconcebível há cinco ou dez anos. As relações de Moscovo com Islamabad eram historicamente dificultadas pela cooperação estratégica entre a Índia e a Rússia; a memória da invasão soviética de 1979 complicava ainda a participação da Rússia no atual processo de normalização no Afeganistão e a amizade com o Tadjiquistão era posto continuamente à prova devido às vacilações conjunturais de Rakhmon entre a Rússia e o Ocidente.
Porém, a situação geoestratégica mudou significativamente nos últimos anos. A Administração de George W. Bush conseguiu fazer da Índia o principal aliado da política norte-americana no Sul da Ásia, o que enfraqueceu os laços entre Nova Deli e Moscovo e levou a diplomacia paquistanesa a “reiniciar” a relação com a Rússia.
Os ânimos anti-americanos no Afeganistão aumentam e a intervenção armada da coligação liderada pelos Estados Unidos encontra-se num beco sem saída. Por isso, Cabul vê como tarefa prioritária restabelecer as relações com Moscovo sem olhar para o passado recente.
Emomali Rakhmon não tem alternativa ao fomento dos laços com a Rússia, porque o Ocidente, não obstante todo o interesse nos recursos energéticos da Ásia Central e o desejo de marginalizar a Rússia, não está disposto a tratar como “amigos” os dirigentes autoritários dessa região.
O incipiente formato quadrilateral vislumbra-se como o arquetipo de uma nova aliança baseada na cooperação pragmática, livre de critérios políticos e ideológicos.
Natália Zamaraieva, perita do Instituto de Estudos Orientais da Rússia, defende que a questão central na agenda da cimeira será a assistência financeira ao Paquistão, onde as inundações provocaram milhões de deslocados. Moscovo poderá anunciar a doação de significativa ajuda a Islamabad.
Além disso, a Rússia pretende participar na solução de vários problemas comuns ao Afeganistão, Paquistão e Tadjiquistão, em particular, a falta de recursos energéticos e água potável, a necessidade de unificar infraestruturas para criar novos corredores de transportes. Por exemplo, Moscovo está interessada na contrução de vias féreas e estradas que liguem Islamabad ao Vale de Fergana e Duchambé, através de Cabul.

domingo, agosto 15, 2010

Tragédia do fumo da minha janela

                            Moscovo, 15 de Agosto. 21.30 horas





Tragédia do fumo da minha janela

    Domingo, 15 de Agosto, 11.37 horas

             O fumo voltou e a situação, segundo os especialistas, tende a piorar. Voltei a fechar a janela.
                          






sábado, agosto 14, 2010

Blog dos leitores (O Caso Farewell)


Texto enviado pelo leitor Manuel Santos: 

"O Caso Farewell ou no original “L’Affaire Farewell” é um filme francês de 2009 com realização de Christian Carion e contando nos principais papeis os actores Guillaume Canet e o consagrado realizador Emir Kusturica.
O filme é baseado na história verídica de Vladimir Vetrov, um coronel da divisão de informação de tecnologia do KGB que deserta para o Ocidente.
No filme, que se passa na Moscovo soviética de 1981, Grigoriev(Kusturica) desiludido com o regime, decide passar informações para os serviços secretos franceses de modo a fazer implodir o sistema por dentro.
A DST envia-lhe Pierre Froment (Guillaume Canet), um engenheiro da Thomson destacado em Moscovo. Depois do cepticismo inicial do coronel do KGB relativo ao amadorismo do francês, cresce um entendimento mútuo entre os dois homens, evoluindo para uma relação de amizade que cruza as expectativas, sonhos e desilusões de ambos tudo misturado com os seus respectivos dramas pessoais.
Enquanto Pierre tenta ocultar o perigo da sua família, levando à quase ruptura com a sua esposa sempre na expectativa de obter o desejado lugar em Nova Iorque, Grogoriev vive um impasse no seu casamento, havendo traição de ambos além da díficil e conturbada relação de companheirismo/distância com o seu filho adolescente, grande apreciador da música dos Queen.
O Caso Farewell, muito mais do que um mero filme de espionagem é um drama humano que reflete os anseios e esperanças dos seus protagonistas obviamente muito mais romanceado que a realidade pois como aconteceu, o protagonista acaba por esfaquear a sua amante devido a problemas de alcoolismo.
É também um filme sociológico e político  que retrata a queda e falência de um sistema que criou esperança, mas também a desilusão da outra esperança reflectida pelo Ocidente além de apresentar mais uma causa para a queda da União Soviética no papel da desmontagem da rede de espiões que garantiam a passagem dos avanços tecnológicos que mantinham a URSS.
Além das soberbas interpretações dos principais protagonistas, de salientar a magnífica actuação do actor americano Fred Ward a  interpretar um perfeito Ronald Reagan quer em aparência, gestos ou típica pronúncia, sempre com o televisor ligado num filme de John Wayne.
Os cenários são inquestionáveis, retratando uma ainda “feliz” cidade de Moscovo com os seus parcos e pobres veículos, os casais de namorados, os militares em trânsito ou até os desfiles dos pequenos pioneiros pelas largas e obtusas avenidas e entre a tradicional estatuária soviética. Com uma banda sonora riquíssima que retoma os êxitos da música pop da época, deixando tocado qualquer nostálgico dos “eighties”.
Como qualquer história de espionagem real, a trama também acaba mal mas isso apenas reforça o encanto do drama humano de um filme que efectivamente merce ser visto.

O trailer legendado:

http://www.youtube.com/watch?v=guo1O90_37Q"

sexta-feira, agosto 13, 2010

Bombeiros estrangeiros deixarão o país a 17 de Agosto



Os bombeiros estrangeiros estão a terminar o seu trabalho de combate às chamas na Rússia e irão ser substituídos por russos, declarou hoje Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência da Rússia.
“Tendo em conta que criámos uma reserva de aviação e de outros meios técnicos, iremos começar a retirar os bombeiros estrangeiros, estando esse processo planeado para 17 de Agosto”, precisou.
No combate aos incêndios na Rússia participam forças do Azerbaijão, Polónia, Bielorrússia, Arménia, Ucrânia, Bulgária, Itália e França.
“Eles serão retirados e substituídos por especialistas nossos”, frisou Choigu.
O ministro anunciou que a situação com os fogos florestais melhorou consideravelmente: as chamas foram apagadas em 14 regiões da Rússia e a área dos incêndios desceu de 126 mil para 64 mil hectares.
“Infelizmente, a natureza não nos ajuda. Tudo o que foi feito foi realizado com os nossos esforços”, frisou.
Serguei Choigu exigiu também das autoridades policiais que descubram a origem dos “boatos” sobre os incêndios na região de Briansk, atingida pela radioatividade depois da explosão num dos reatores da Central Nuclear de Tchernobil, em 1986, frisando que “nessa região não há incêndios”.
Segundo as autoridades russas, as chamas devoraram, em 2010, cerca de 800 mil hectares de floresta.

Central Nuclear de Busher entra em funcionamento a 21 de Agosto


A entrada em funcionamento do reator da Central Nuclear de Busher, no Irão, terá lugar a 21 de Agosto, informou hoje Serguei Novikov, porta-voz da Agência Atómica da Rússia (Rosatom).
Segundo Novikov, nesse dia, o combustível nuclear deverá ser transportado do centro de conservação para o reator.
“A partir desse momento, ele será considerado uma instalação energética nuclear”, frisou.
Esta notícia foi confirmada por Mahmud Jafari, alto funcionário iraniano, à agência Interfax.
“Todos os trabalhos de instalação terminaram, os testes foram feitos e a Central Nuclear está pronta para entrar em funcionamento”, declarou.
Na cerimónia irão participar Serguei Kirienko, diretor da Rosatom, e Ali Akbar Salihi, vice-presidente do Irão.
A construção dessa central foi iniciada em 1974 pelo consórcio alemão Kraftwerk Union A.G., que rompeu o contrato com o Irão em 1980, depois do Governo alemão aderir ao embargo norte-americano de fornecimento de maquinaria ao Irão.
A União Soviética retomou a construção dessa obra, que foi continuada pela Rússia.
Segundo Moscovo, a central nuclear foi edificada sob o controlo da Agência Internacional para a Energia Atómica e respeita todas as normas internacionais e o regime de não difusão de armas nucleares..

Kremlin adia render da guarda pela quinta vez devido ao calor


O render da guarda da Guarnição Presidencial na Praça Sovornaia do Kremlin de Moscovo não se irá realizar amanhã, 14 de Agosto, anunciou hoje o centro de imprensa do Serviço Federal da Guarda da Rússia.
A cerimónia, que se realizou pela última vez há mais de um mês atrás, a 10 de Julho, é adiada pela quinta vez devido a condições meteorológicas.
Uma onda inédita de calor em Moscovo, inciada em meados de Junho, bateu mais de dez recordes nos termómetros da capital russa. Além disso, os fumos provenientes dos incêndios florestais nos arredores complicam ainda mais a vida dos moscovitas.
O fumo recuou no início da semana, mas os serviços metereológicos prevêem o seu regresso no fim de semana.
“Nos próximos dias espera-se condições metereológicas desfavoráveis, provocadas pelas ondas de ar poluídas das regiões dos incêndios nas florestas e turfeiras”, informam hoje os Serviços Meteorológicos da Rússia num comunicado distribuído à imprensa.
O render da guarda no Kremlin tem lugar aos sábados, durante o Verão. Os militares do Serviço Federal da Guarda que participam na cerimónia, vestem uniformes solenes do início do séc. XX. Os uniformes são confecionados de tecidos de lã, o que provoca ainda mais calor.
Nesta cerimónia solene, que dura 20 minutos e se realiza há seis anos, a companhia da Guarda Presidencial faz demonstração com armas e os guardas montados a cavalo desenham o chamado “carrocel”.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Polícia detém dezenas de manifestantes da oposição


A polícia da capital russa deteve hoje dezenas de opositores que pretendiam participar no “Dia da Ira”, desta vez para exigirem a demissão de Iúri Lujkov, presidente da Câmara de Moscovo.
Os manifestantes pediram uma vez mais autorização para a realização de mais um “Dia da Ira”, mas as autoridades municipais não autorizaram, alegando, entre outras coisas, que eles “dificultariam a passagem dos turistas”.
Desta vez, a polícia cercou com antecedência a Praça Tverskaia, onde se encontra o edifício da Câmara de Moscovo, colocando camiões de lavar as ruas em redor da estátua do fundador da capital russa, Iúri Dolgorrukov. Vários camiões e camionetas com polícias rodearam toda a praça para não deixarem entrar manifestantes.
Os opositores, que transportavam cartazes e gritavam palavras de ordem como “Moscovo sem Lukov!” e “Devolvamos a nós a cidade!”, nem sequer conseguiram chegar à praça, pois eram detidos nas passadeiras suberrâneas e nos acessos.
Serguei Udaltsov, dirigente da Frente de Esquerda e um dos organizadores da manifestação, foi dos primeiros a ser detido.
“Eu ia pela passagem subterrânea que liga a Câmara à praça e foi detido. Agora, vão-nos levar para alguma esquadra”, conseguiu declarar aos jornalistas quando era arrastado para um dos carros da polícia.
Lev Ponomariov, outro dos organizadores do “Dia da Ira”, foi também detido quando chegou perto da praça e foi rodeado pelos jornalistas.
A polícia deteve mais de 30 pessoas.
Perto da Praça Tverskaia juntaram-se algumas centenas de pessoas, mas nem sempre era fácil distinguir quem eram os manifestantes, os polícias à paisana  e os numerosos jornalistas.
Mas não restaram dúvidas de que o número de polícias fardados era bem maior do que o de manifestantes.

Familiares de marinheiros do Kursk sentem-se esquecidos pelas autoridades


O 10º aniversário da tragédia do submarino Kursk foi amplamente assinalado em numerosas cidades da Rússia, mas os parentes dos 118 marinheiros esperam que a sua memória não seja esquecida.
Em Vidiaevo, porto de onde partiu para a última viagem o submarino nuclear russo, a memória dos marinheiros foi assinalada com um minuto de silêncio em todos os vasos de guerra e com uma cerimónia religiosa no templo de São Nicolau.

A catástrofe ocorreu no dia 12 de Agosto de 2000 no Mar de Barents durante manobras navais, mas as causas não foram ainda reveladas pelas autoridades.

Os parentes da tripulação do Kursk esperam que se conserve a memória do heroísmo dos matinheiros.

“Não precisamos de nada do Estado. Só queremos uma coisa: que se recordem dos nossos meninos”, declarou à Interfax Sofia Dudko, mãe de um dos oficiais falecidos.

“Esperavamos que, no 10º aniversário, alguém entrasse em contacto connosco do Ministério da Defesa ou do comando da Armada. Pensámos que algum dos dirigentes do país viesse prestar homenagem à memória dos nossos meninos. Infelizmente...”, acrescentou ela.

“Talvez eles já considerem a morte de 118 marinheiros uma grande tragédia. Embora o naufrágio do submarino, em 2000, nos tenha obrigado a olhar de outra forma para o mundo, para a Armada e para o próprio Estado”, frisou.

Sofia Dudko queixa-se de os familiares dos marinheiros terem sido privados de algumas medidas sociais: Até há pouco tempo, tínhamos descontos nos tratamentos nas casas de saúde, mas a comissão que tratava disso foi dissolvida”.

Citada pelo tri-semanário Novaya Gazeta, Sofia Dudko afirma que as autoridades ainda não terminaram a construção do complexo memorial em São Petersburgo.

Pouco tempo após a tragédia, à pergunta de Larry King da CNN: “O que aconteceu ao Kursk?”, Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, respondeu friamente: “afundou-se”.