quarta-feira, agosto 11, 2010
Situação radioativa nas florestas de Briansk é complexa, mas controlável
A situação nas florestas da região de Briansk, que foram sujeitas à poluição radoativa depois da explosão na Central Nuclear de Tchernobil, em 1986, continua a ser complicada devido aos incêndios, mas estável e controlável, declarou hoje o diretor dos Serviços Florestais de Briansk.
Vladimir Kotenkov confirmou que o nível de radioatividade pode aumentar devido aos incêndios florestais e recordou que a região de Briansk é considerada uma das regiões com alto nível de tensão ecológica.
“A floresta suportou o fardo mais pesado aquando da difusão de radionuclídeos provenientes da explosão na Central de Tchernobil, tendo concentrado e defendido do alargamento de quantidades significativas a outros territórios”, explicou.
Segundo ele, na região formaram-se áreas de floresta “morta”, cuja área aumenta anualmente.
O funcionário chama a atenção para o fato de esses territórios se terem transformado em “zonas de alto risco ecológico e potencialmente terrorista”. Eles são extremamente perigosos devido à alta probabilidade do aparecimento de incêndios de grandes dimensões, cujas consequências podem fixar próximas das da catástrofe de Tchernobil.
“Porém, a direção das Florestas da Região de Briansk, bem como todos os serviços de combate aos incêndios, fazem todos os possíveis para impedir incêndios florestais nestes territórios”, frisou Kotenkov.
Na época de incêndios de 2010, nesses territórios, ocorreram “acendimentos pouco significativos” numa área de 27,7 hectares, que foram localizados e apagados, informa essa direção.
A Agência para Proteção das Florestas da Rússia (Rosleszachita) difundiu hoje a informação de que, na região de Briansk, foram registados 28 incêndios numa área de 269 hectares.
Tragédia do fumo da minha janela
Moscovo, 11 de Agosto, 11 horas
O fumo foi embora, mas promete voltar
O fumo foi embora, mas promete voltar
É tão bom ver o sol!
E janelas abertas!
terça-feira, agosto 10, 2010
O espectáculo começou!
Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia, participou pessoalmente no combate às chamas a bordo do avião anfíbio Beriev-200.
Segundo as agências russas, Putin, durantre hora e meia, esteve sentado no lugar do co-piloto, tendo dirigido a recolha de água no rio Oka e o seu lançamento nas florestas em chamas dos arredores de Riazan, cidade situada a sudeste de Moscovo.
O avião fez dois voos de recolha e lançamento de água sobre as chamas, tendo atirado 12 toneladas de cada vez.
A Agência ITAR-TASS sublinha que foram apagados dois focos de incêndios florestais.
Na véspera do seu primeiro mandato presidencial, a 01 de Março de 2000, Vladimir Putin realizou um voo à Tchetchénia, onde as tropas russas combatiam a guerrilha separatista, num caça Sukhoi-27.
Na véspera, Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia considerou incorretas as tentativas de algumas forças políticas tentarem ganhar pontos na crítica do poder pelas insuficiências no trabalho de liquidação dos fogos.
Durante o combate aos incêndios, Medvedev e Putin dividiram claramente os papéis entre si. O Presidente resolve os problemas globais a partir do gabinete, enquanto que Putin vai ao terreno incutir força aos bombeiros, prometer apoio às pessoas que perderam casas e bens.
Será que na Rússia há falta de pilotos? É do conhecimento geral que no país se sente falta de pilotos que consigam aterrar e levantar aviões de passageiros em condições de qualidade quase nula, o que ficou demonstrado quando o fumo caiu sobre Moscovo. A grande maioria dos atrasos registou-se com aparelhos pilotados por comandantes russos.
Mas não sabia que havia falta de co-pilotos para a aviação de combate a incêndios. Será que não se consegue controlar as chamas sem a participação directa do primeiro-ministro?
O sistema centralizado, criado por Putin, revela-se um desastre, mas o seu "reforço" continua. Além de pilotar aviões, o primeiro-ministro decidiu tirar os serviços florestais de sob a alçada do Ministério da Agricultura para ficar sob o controlo directo do Governo.
Vamos ver o que se segue.
Blog dos leitores (Fumo sob controlo)
Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre
"Editorial da Gazeta.ru
A indiferença com que as autoridades municipais de Moscovo estão a reagir à dificílima situação ecológica na cidade não é de admirar. O destino dos dirigentes regionais não depende da sua relação com a população nem da sua capacidade de gerir o território que lhes foi confiado. Eles simplesmente não precisam de ser responsáveis, eficazes e humanos.
O presidente da Câmara Municipal de Moscovo, Yuri Lujkov, depois das duras críticas por parte da imprensa e das ridículas declarações do seu secretário de imprensa, Serguei Tsoi (de que os dirigentes municipais “de qualquer forma não podem fazer nada”) sempre se dignou interromper as férias e o “tratamento a uma lesão desportiva”, tendo voltado à capital quase asfixiada pelo fumo. Uma semana após Moscovo se ter transformado num verdadeiro inferno devido ao calor e ao fumo, quando os indicadores da mortalidade desde o início de Agosto já são duas vezes superiores aos números habituais, os dirigentes municipais começaram finalmente falar com a população! E o que disseram?
“Não há razões para declarar o regime de emergência. A situação está sob controlo, estamos a tratar da situação”, descansou-nos Vladimir Ressin, primeiro adjunto do presidente da Câmara. Ressin informou que Yuri Lujkov, afinal, mesmo quando se encontrava em férias, não estava completamente desligado do trabalho e dava “4-5 indicações por dia”.
Os dirigentes de Moscovo tomaram uma medida concreta de combate ao fumo: limitaram a venda de máscaras a 10 por pessoa, no máximo. Como esclareceu o responsável pelo departamento municipal de saúde, Andrei Seltsovsky, “para evitar a especulação”.
Segundo ele, algumas pessoas estavam a comprar grandes quantidades de máscaras e a vendê-las nos locais públicos a 50 rublos por peça, em vez de sete.
Possivelmente, a autarquia de Moscovo não tem fundamentos jurídicos para declarar o regime de emergência na cidade, asfixiada por dióxido de carbono e outras substâncias tóxicas. Mas para quê mentir, dizer que a “situação está sob controlo”, especialmente depois das palavras do secretário de imprensa, lançado para deter a ofensiva informativa, em que este afirmou precisamente o contrário - que as autoridades não podiam fazer nada?
Mas mesmo que os dirigentes estejam verdadeiramente impotentes, (embora a sua obrigação seja encontrar formas de facilitar a vida aos cidadãos nas situações mais difíceis) eles, em todo o caso, de acordo com as mais elementares normas morais, devem estar ao lado das pessoas, informá-las objectivamente.
Yuri Lujkov, que passa o tempo a aparecer nas televisões, habituado a dar opiniões sobre tudo, desde o estatuto de Sebastopol até à crise económica mundial e à alteração do leito dos rios da Sibéria, resolveu agora tratar de uma lesão desportiva e fazê-lo longe dos incêndios. Se ele se encontra verdadeiramente incapacitado e não está em condições de cumprir as suas obrigações, poderia ter dito isso mesmo, ou ter escrito um pedido antecipado de demissão voluntária.
A verdade é que o presidente da Câmara de Moscovo, tal como qualquer outro dirigente regional na Rússia, sabe perfeitamente que não levará nenhum “pontapé no rabo”por causa dos incêndios e do fumo (mesmo que a região não tenha sido minimamente preparada para eles) nem “de cima” nem “de baixo”.
As eleições dos governadores há muito que foram abolidas e a população em princípio não pode influenciar o processo de nomeação dos líderes regionais. Por isso, o futuro de Yuri Lujkov no cargo que ocupa, mesmo que metade da capital fique asfixiada com fumo, não depende disso. Depende, sim, dos acordos de bastidores estabelecidos entre ele e a elite do poder federal.
É também por isso que o governador de Nijny Novgorod, Valeri Chanssev, que falhou completamente na preparação para os fogos florestais, tomou posse no cargo no último domingo como se nada tivesse acontecido. Tendo sido reconduzido pelo Kremlin para um segundo mandato antes dos fogos, tornou-se logo intocável.
A verdade é que a vida real e os interesses reais das pessoas não são tidos em conta quando são feitas nomeações ou demissões.
As autoridades russas têm uma grave lesão desportiva que as impede de fazer qualquer coisa útil pelo país – é uma lesão da cabeça, que lhes faz inverter completamente as noções de função e de papel dos responsáveis públicos no Estado e na sociedade. O presidente da Câmara de Moscovo não se sente representante dos habitantes de Moscovo, ele sente-se dono da cidade, com a qual pode fazer tudo o que lhe apetece (até uma determinada altura).
As autoridades sabem perfeitamente o que significam “operações de marketing político” na altura do combate aos incêndios. Do ponto de vista audiovisual, é muito vantajoso contactar com populações afectadas (previamente testadas quanto à sua lealdade ao Governo), ou visitar um hospital que escapou às chamas, tal como fez Putin. Mas, do ponto de vista do que faz mesmo falta, o trabalho diário e pouco visível de prevenção dos fogos, que fracassou totalmente na Rússia nos vários níveis do poder, é muito mais importante.
O poder sente que vive numa total irresponsabilidade e falta de controlo. Se Vladimir Putin, possivelmente, ainda terá que passar por eleições presidenciais e, sendo um dos dirigentes-chave da Rússia, precisa de “trabalhar para o rating”, já o presidente da Câmara não tem tal preocupação e pode ficar descansado. Não haverá mais eleições na sua carreira e, no cargo em que tem estado, mesmo que a cidade que lhe foi confiada fique asfixiada, ninguém irá responsabilizá-lo."
Causa da tragédia do submarino Kursk continua por esclarecer dez anos depois
Dez anos depois do afundamento do submarino nuclear russo Kursk, os peritos reconhecem não estarem ainda esclarecidas as causas do seu afundamento, que provocou a morte de 118 tripulantes.
“A causa da explosão do torpedo no submarino nuclear Kursk continua por explicar”, declarou Igor Kudrin, capitão de mar e guerra, presidente do Clube de Tripulantes de Submarinos de São Petersburgo.
A catástrofe ocorreu no dia 12 de Agosto de 2010 no Mar de Barents durante manobras navais.
“A detonação do torpedo podia ter ocorrido por duas razões: interna e externa. Muitos dizem que o Kursk podia ter chocado com outro submarino ou ter sido mesmo alvo de um ataque de torpedo”, afirmou Kudrin numa conferência de imprensa.
“Não há nenhuma prova de um ataque de torpedo contra o submarino. Os que falam da colisão com um submarino americano devem estar loucos”, sublinhou, acrescentando que “para nós é muito cómodo ter a “versão americana””.
Kudrin não exclui que a detonação do torpedo possa ter sido provocada por “ações erradas da própria tripulação”.
Este perito considerou a operação de salvamento “incompetente”.
O académico Igor Spasski, que dirigiu a operação de retirada dos destroços do submarino, considera que a causa da explosão podia ter sido a “perda de hermeticidade do torpedo”.
“A água oxigenada começou a sair dele até que se deu a explosão”, precisou.
Os restos do vaso de guerra foram retirados do fundo do Mar de Barents um ano após o naufrágio.
O académico Spasski recorda o encontro noturno com Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, onde foi decidido realizar a operação.
“Ele perguntou: “É preciso levantar?”, eu respondi que é preciso, pois a profundidade não é grande, trata-se de um local de navegação e pesca, e no submarino há dois reatores nucleares. Eu pedi três anos para fazer isso, mas Putin disse: um!”, recorda ele.
“Então, eu coloquei duas condições: recorrer a empresas estrangeiras e transferir o dinheiro concedido para um banco holandês, para que ninguém o retirasse. Assim decidimos. Eu saí do gabinete do Presidente e parecia que tinha pernas de algodão”, conclui.
No dia 12 de Agosto, cerca de 200 familiares dos marinheiros irão assistir a uma cerimónia solene no templo de Nikolo-Bogoiavlensk em São Petersburgo.
Após o serviço religioso, irá realizar-se uma cerimónia militar no Cemitério Serafimovskoe, onde estão sepultados 32 marinheiros, em que participarão também os adidos militares dos Estados Unidos, Noruega e Grã-Bretanha.
segunda-feira, agosto 09, 2010
Cada um assinalou à sua maneira o 2º aniversário da guerra
O Presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, declarou hoje (Doimingo) que a agressão russa contra o seu país não começou em 2008, mas muito antes e continua.
No dia 08 de Agosto de 2008, tropas russas, a pretexto de defenderem os seus cidadãos, entraram na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, dando início a uma guerra que durou cinco dias e levou os soldados russos aos arredores de Tbilissi.
“A nossa luta vai continuar até que o último ocupante abandone a terra georgiana; até que seja restabelecida a justiça em relação a centenas de milhar de habitantes da Geórgia de diferentes origens, que foram obrigados a abandonar as suas casas, cidades e aldeias”, afirmou Saakachvili hoje.
Segundo ele, que se encontra na Colômbia para a tomada de posse do novo Presidente desse país, as tropas georgianas, em 2008, à custa da própria vida, defenderam, com armas nas mãos, a honra, a liberdade e o futuro do país.
“Por isso, a memória desses soldados obriga-nos a conduzir essa luta diariamente, no interior da Geórgia e em todo o mundo, a defender as nossas posições. Não podemos perder sequer um dia enquanto o inimigo estiver na Geórgia, enquanto terras georgianas estiverem ocupadas”, frisou.
“Levaremos essa luta até ao fim e libertaremos a Geórgia”, concluiu.
A oposição georgiana programou para hoje uma manifestação em memória das vítimas da guerra.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, decidiu assinalar a data com uma visita à Abkhásia, outra região separatista da Geórgia que proclamou a independência com o apoio de Moscovo.
“Iremos desenvolver boas relações com a Abkhásia, iremos desenvolver relações económicas, relações na esfera da segurança”, declarou.
Serguei Bagapch e Eduard Kokoiti, presidentes da Abkhásia e da Ossétia do Sul, não excluem “novas provocações militares da parte da Geórgia”.
“Não se pode excluir a repetição dos acontecimentos de Agosto de 2008. Digo isto ao ver como os países ocidentais continuam a armar a Geórgia”, declarou Bagapch à agência Interfax.
Kokoiti apela à imposição de sanções internacionais contra a Geórgia.
A independência da Ossétia e do Sul foi reconhecida pela Rússia, Nicarágua, Naura e Venezuela.
Tragédia do fumo da minha janela
Moscovo, 09 Agosto, 18. 29 horas
As coisas parecem estar a melhorar. Esperemos que a direcção do vento não mude.
As coisas parecem estar a melhorar. Esperemos que a direcção do vento não mude.
Onda de calor sem precedentes nos últimos mil anos
Alexandre Frolov, diretor dos Serviços Meteorológicos da Rússia, declarou que o seu país nunca conheceu uma onda de calor tão intenso durante os mil anos da sua história.
“Desde o momento da formação do nosso país, ou seja, num período de 1000 anos, nada de semelhante aconteceu do ponto de vista do calor; nem nós, nem os nós antepassados fixámos tal coisa”, disse ele, numa conferência de imprensa.
Segundo ele, “trata-se de um fenómeno absolutamente único, não há nada igual nos arquivos das observações”.
Porém, Frolov sublinhou que este fenómeno não confirma, nem desmente a hipótese do “aquecimento global”.
“Se nos próximos 30 anos a situação se repetir, então estaremos perante o aquecimento global”, acrescentou.
O Ministério para Situações de Emergência da Rússia informa que no território do país continuam ativos 557 focos de incêndios numa área de 174 mil hectares. Nalgumas regiões, os bombeiros conseguiram estabilizar a situação e o número de novos incêndios é inferior aos apagados: 239 e 247 respetivamente.
No Verão de 2010, a Rússia registou 26 mil fogos florestais numa área de 750 mil hectares. No combate às chamas participam mais de 160 mil bombeiros, apoiados por 26 mil meios técnicos, incluindo 42 aviões e helicópteros.
Países como a Ucrânia, Cazaquistão, Arménia, Azerbaijão, Polónia, França e Alemanha enviaram homens, aviões e helicópteros para ajudar no combate às chamas.
P.S.Caros leitores, peço muito respeito ao fazerem os comentários, pois estamos perante uma catástrofe de enormes dimensões. Neste momento, o importante é que os bombeiros russos estão a dar provas de heroísmo no combate às chamas. Quanto a responsabilidades, vamos esperar pelo fim da tragédia para ver se vão ser ou não tiradas lições.
domingo, agosto 08, 2010
sábado, agosto 07, 2010
Número de fogos aumenta no país e Moscovo não se vê livre do fumo
O número de mortos subiu para 51.
Segundo esse ministério, no combate às chamas participam 161 876 bombeiros e 26 384 meios técnicos, incluindo 56 aviões e helicópteros.
Moscovo voltou a acordar sob uma densa camada de fumo, sendo os níveis de poluição cinco vezes superiores às normas.
Os serviços meteorológicos da Rússia prevêem, para sábado, chuva e ventos fortes para a região de Moscovo, mas previnem que a situação não irá melhorar, pelo contrário, o “manto de fumo na região da capital irá dificultar a visibilidade até 100-500 metros”. O mercúrio nos termómetros continuará muito próximo dos 39 graus centígrados.
As autoridades desportivas russas decidiram adiar a realização de dois jogos de futebol, previstos para amanhã em Moscovo, e transferir para São Petersburgo o encontro amigável entre as seleções da Rússia e Bulgária, marcado para a próxima quarta-feira.
Os aeroportos de Moscovo registam algumas dificuldades, porque a visibilidade é muito baixa. Hoje, pelo menos sete aviões não conseguiram aterrar nos aeroportos de Domodedovo e de Vnukovo, tendo-se registado também alguns atrasos nas partidas.
O diário eletrónico newsru.com informa que algumas embaixadas estrangeiras (Alemanha, Austria, Polónia e Canadá) começaram a retirar alguns dos seus funcionários da capital russa, tendo a Alemanha “encerrado a sua embaixada e consulado”.
As farmácias não conseguem responder à procura de máscaras, mas elas podem ser compradas, três a cinco vezes mais caras, no centro de Moscovo. Além disso, os moscovitas recorrem também aos respiradares utilizados na construção civil, mas também aqui as lojas não têm stocks para responder à procura.
Os especialistas consideram que o fumo continuará a dominar os céus de Moscovo pelo menos até terça-feira.
sexta-feira, agosto 06, 2010
Presidente da Câmara de Moscovo recusa-se a suspender férias
Iúri Lujkov, presidente da Câmara de Moscovo que se encontra a passar férias nos Alpes, não vê razões para as suspender e regressar à capital russa.
“Mas que problemas? Em Moscovo foi declarada situação de emergência, de crise, temos problemas em Moscovo? Isto é um problema de Moscovo?”, declarou Serguei Tzoi, porta-voz de Lujkov, ao responder às perguntas dos jornalistas.
“Em Moscovo não há situação de crise e o fumo não é um problema de Moscovo”, acrescentou quando confrontado se a cortina de fogo que cobre a capital russa não é um problema.
“Se é preciso vir para dar nas vistas, isso é uma coisa. Mas está ser feito tudo o que é preciso em Moscovo, o sistema está oleado”, frisou.
Segundo ele, “fazemos tudo para resolver o problema, mas a sua fonte está nos arredores de Moscovo e nas regiões vizinhas”.
À pergunta: “onde é que Lujkov está a passar férias?”, o seu porta-voz respondeu: “Se quisermos revelar isso, revelaremos”.
A rádio Kommersant-fm, ao transmitir os boletins meteorológicos, anuncia a temperatura na capital russa e “no local onde o presidente da câmara está a passar férias”.
A capital russa continua coberta por uma cortina de fumo que está a criar sérios problemas à vida dos seus habitantes.
Recentemente, Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, exigiu que os dirigentes locais que não conseguiram tomar medidas para prevenir os incêndios se demitam, mas apenas um ouviu essa exigência.
O Ministério para Situações de Emergência da Rússia lançou um apelo aos voluntários para reforçar a luta contra as chamas.
“Todas as pessoas que queiram prestar essa ajuda, devem dirigir-se por telefone ao centro regional do Ministério para Situações de Emergência”, informa um porta-boz do ministério.
Três números de telefone foram postos à disposição dos voluntários. Segundo o ministério, no terreno já trabalham cerca de 1500.
17 regiões da parte europeia da Rússia continuam em estado de emergência devido aos incêndios que já queimaram mais de 600 mil hectares de florestas.
Tragédia do fumo da minha janela
Moscovo, 12.00 horas, 06 de Agosto
Caros leitores, as imagens falam por isso. É difícil explicar a situação das pessoas em casa. De janelas fechadas, pareço encontrar-me num aquário de vidro fosco. Sair à rua é impossível, porque, além do fumo, a temperatura está perto dos 40 graus.
E é cada vez mais forte a sensação de claustrofobia, pois não se vê luz ao fim do túnel. Segundo as previsões, o calor vai continuar... Até quando?
quinta-feira, agosto 05, 2010
Polícia recorre a gás lacrimogéneo para dispersar manifestação da oposição
A polícia quirguize empregou gás lacrimogéneo e granadas de barulho para dispersar apoiantes de Urmat Bariktobassov, um dos líderes da oposição, que tentaram entrar na capital do país, informa o Ministério do Interior do Quirguistão.
“Foram empregues meios especiais para dispersar os manifestantes que cortaram a estrada para Bichkek”, precisou a polícia.
A oposição quirguize tencionava realizar hoje uma reunião em Bichkek e conseguiu reunir alguns milhares de apoiantes junto do edifício do Parlamento do país, que exigiram um encontro com Rosa Otunbaieva, Presidente do país.
Porém, a polícia barrou o caminho a cerca de mil automóveis à entrada da cidade, impedindo que novos manifestantes, bem como o seu dirigente, se reunissem aos que já se encontram no centro de Bichkek.
As autoridades estão dispostas a iniciar conversações com a oposição.
“A realização de conversações seria o mais razoável. Por outro lado, os manifestantes avançam exigências nacionalistas”, declarou o porta-voz do Governo Provisório.
Urmat Bariktobassov é um conhecido homem de negócios que, depois da “revolução das tulipas” tentou participar nas eleições presidenciais de 2005, apresentando-se como adversário de Kurmambek Bakiev.
Porém, a Comissão Eleitoral Central do Quirguistão afastou-o da corrida, alegando que ele possuía dupla nacionalidade. Descontentes com a decisão, os seus apoiantes ocuparam o edifício do Governo durante algumas horas.
Após a vitória de Bakiev, Urmat Bariktobassov refugiou-se num dos países árabes e regressou ao país, aós a queda de Bakiev em Abril passado, para exigir o fim da perseguição judicial.
Bariktobassov foi detido pelas autoridades quirguizes e acusado de ter organizado um golpe de Estado.
Em Junho, confrontos entre quirguizes e uzbeques no sul do país provocaram milhares de mortos, feridos e desalojados.
quarta-feira, agosto 04, 2010
Até onde irá o apuramento de responsabilidades?
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, demitiu hoje toda uma série de altas patentes da Armada devido a um grande incêndio ocorrido numa base das forças militares navais em Kolomen, arredores da capital russa.
“O comandante chefe da Armada, almirante (Vladimir) Visotski, é repreendido por incompetência parcial; o chefe do Estado Maior da Armada, primeiro-vice-chefe do comando, (Alexandre) Tatarinov, é repreendido por incompetência parcial; o vice-chefe para a rataguarda da Armada (Serguei) Sergueev é demitido”, ordenou Medvedev numa reunião alargada do Conselho de Segurança da Rússia.
A demissão de altas patentes da Armada continuou. Medvedev demitiu o comandante da Aviação Naval da Armada, almirante Kuklev, o vice-comandante, coronel Rasskazova, o vice-comandante interino da Retaguarda Aviação Naval e comandante da base Nº 2512, onde ocorreu o incêndio.
“Encarrego o ministro da Defesa de demitir toda uma série de oficiais por terem cometido violações disciplinares”, acrescentou nessa reunião, dedicada à proteção de edifícios estratégicos face à onda de chamas que assola o país..
“Se algo acontecesse de semelhante noutros lugares, noutras instituições, faria o mesmo, sem qualquer complacência”, frisou Medvedev.
Ao referir-se ao incêndio na base militar, o dirigente russo declarou: “a investigação prévia já foi feita, mas vai continuar. Ela mostrou o imcumprimento simples de funções e descuido criminoso quando não foi possível localizar o fogo num momento em que avançava ainda bastante devagar”.
“Não se sabe por onde andava o comando da base” ,concluiu.
Na véspera, o jornal Life.ru noticiou que uma base aérea das Forças Navais da Rússia, situada em Kolomskoe, nos arredores de Moscovo, ardeu completamente devido aos incêndios florestais, tendo sido destruídos 200 aviões e helicópteros.
Segundo este jornal, o prejuízo causado foi de cerca de 500 milhões de euros.
O diário eletrónico dizia ter confirmado a informação na Direção de Investigação Militar da Região Militar de Moscovo, precisando, porém, que essa Direção não revelou nem o local da instalação da unidade, nem os prejuízos causados.
“Tiveram de vir duas cooperações de bombeiros das unidades vizinhas para combater o fogo”, acrescenta a fonte.
O incêndio ocorreu na madrugada de quinta para sexta-feira e os ventos fortes teriam transportado as chamas para a base aérea.
“O fogo destruiu o território de uma unidade militar secreta de 100 hectares em 10 minutos”, diz a fonte.
O life.ru escreve que este não é o único incêndio em quartéis militares, tendo outro ocorrido numa manutenção militar.
O Ministério da Defesa da Rússia considerou essa notícia uma “invenção”, sublinhando que nessa região não existe nenhuma base das Forças Navais da Rússia.
Porém, a Procuradoria da Região Militar de Moscovo, veio reconhecer depois que o incêndio tinha destruído “os edifícios do comando, da parte financeira, do clube, duas garagens para automóveis, 13 armazéns de meios diversos para a aviação, 17 áreas abertas onde se guardavam equipamentos com os automóveis que aí se encontravam”.
Na mesma reunião, Medvedev prometeu também ajustar contas com os governadores das regiões ardidas e com o Governo, mas só depois de normalizada a situação.
Presidente da África do Sul pretende elevar cooperação bilateral a novo nível
O Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, vai estar na Rússia, em visita oficial, de 4 a 6 de Agosto, devendo-se encontrar com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, no dia 5 em Sotchi, no sul do país.
Trata-se da primeira visita de um Presidente sul-africano à Rússia e tanto Moscovo como Pretória estão interessados em que ela se transforme num marco na história das relações bilaterais.
Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, considerou a África do Sul “um dos parceiros mais influentes da Rússia”, sublinhando que o diálogo irá ser “fértil em todos os campos”.
O chefe da diplomacia russa considera que o volume atual das trocas comerciais anuais (cerca de 300 milhões de euros) “não pode satisfazer as partes” e, por conseguinte, é necessário dar-lhe um forte incentivo.
Os Presidentes Medvedev e Zuma irão analisar projetos conjuntos de investimento, nomeadamente em campos como a energia nuclear e o Espaço, bem como irão assinar acordos no campo da economia, ciência e cultura.
“Quero discitir a Rússia a cooperação em campos onde o vosso país tem grande experiência e tecnologias de ponta. Espero que, durante a visita, sejam assinados acordos no campo da ciência, energia, extração de minérios”, concretizou Zuma numa entrevista concedida à televisão russa. na véspera da sua visita.
“Estou convencido de que a minha visita à Rússia servirá o reforço das nossos relações bilaterais. Em Sotchi, irei encontrar-me com o Presidente Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin. É preciso ter em conta que os nossos laços foram historicamente sempre maravilhosos e nunca se romperam”, declarou Zuma à televisão russa, na véspera da sua visita.
“Ao contrário de numerosos Estados europeus, a Rússia nunca realizou conquistas coloniais. Além da história, os nossos dois países estão ligados por muitas outras coisas, por exemplo, pela existência de ricas reservas de minérios”, acrescentou.
Segundo ele, “nós desejamos o desenvolvimento da cooperação económica com a Rússia. Penso que ela vai utilizar a minha visita, pois a África do Sul é a “porta de África” e, tendo boas relações connosco, pode-se agir com êxito em todo o continente”.
“Moscovo pretende utilizar os laços outrora existentes entre a União Soviética e o Congresso Nacional Africano, que hoje dirige a África de Sul. Numerosos dirigentes sul-africanos estudaram ou receberam treino militar na Rússia, fator que o Kremlin já utiliza nas relações com outros países africanos, nomeadamente com Angola”, declarou à Lusa uma fonte diplomática na capital russa.
terça-feira, agosto 03, 2010
Blog dos leitores (Tribunais russos proíbem acesso ao YouTube)
Texto traduzido e enviado pela Cristina Mestre:
"Quando em Junho dissemos que o tema dos livros proibidos e da censura em geral começava a ser uma das questões-chave da actual agenda política, muitos acharam que isto não passava de mais uma conversa de intelectuais. De facto, o que poderia a censura fazer quando há a Internet, onde o custo de reprodução de materiais é praticamente zero? “Se fecharem um site, podemos encontrar determinado livro noutro site, sem grande problema”, diziam eles. Afinal, o problema é bastante mais sério.
A 27 de Julho todos ficámos a conhecer um perigoso precedente: um tribunal de Komsomolsk-no-Amur, por exigência da Procuradoria, obrigou o fornecedor local de Internet de barrar o acesso a cinco sites, entre os quais lib.rus.ec, zhurnal.ru, thelib.ru, web.archive.org, bem como youtube.com.
O motivo para tal terá sido a existência nos primeiros quatro sites do texto do livro “A Minha Luta” de Hitler, que alguns meses atrás fora considerado “extremista” na Rússia. O YouTube foi bloqueado devido a um único vídeo (Russia for Russians), também considerado extremista.
Desta forma, verifica-se uma tendência muito clara: se num site qualquer houver nem se seja um único “material extremista”, a Procuradoria exige a proibição do acesso a esse site na totalidade e os tribunais russos, como é hábito, satisfazem tal exigência.
Estamos, pois, perante uma máquina ideal de censura da Internet que, em traços gerais, funciona assim: a Procuradoria local numa das regiões da Rússia começa a ter suspeitas se um determinado texto ou livro não “será um incitamento ao ódio, não conterá elementos de extremismo”. O texto é enviado para “peritagem” a uma “instituição científica” local, onde os “especialistas”, obviamente, irão incluir tudo aquilo que o procurador pede nos resultados da “peritagem”. Com um tal documento, a Procuradoria vai ao tribunal, que toma uma decisão onde se diz que “uma tal sequência de palavras” é proibida na Federação Russa.
Após o texto ser incluído na respectiva lista de materiais extremistas, começa a segunda parte do espectáculo.
Os procuradores, numa qualquer outra região do país, analisam detalhadamente a Internet para ver se existem quaisquer textos dos incluídos na lista de materiais proibidos e, tal como aconteceu em Komsomolsk-no-Amur, exigem, por via judicial, aos fornecedores de acesso à Internet que bloqueiem o acesso a esses sites.
Este sistema permite ser altamente selectivo mas permite também neutralizar qualquer site de forma perfeitamente legal, sancionada pelo tribunal.
Agora imagine que amanhã vem a saber do seu fornecedor de Internet que já não tem mais acesso a torrent trackers, redes sociais, sites de vídeos, blogues ou bibliotecas. Estes haviam sido bloqueados uma decisão judicial, já que em qualquer um destes sites não será difícil encontrar um ou outro texto ou imagem que possam ser considerados “extremistas”.
Se considera que isto é um guião de filme fantástico, pergunte aos habitantes de Komsomolsk-no-Amur como é que eles se sentem.
Claro que isto não afecta a vida dos procuradores e dos agentes da Polícia, uma vez que eles não lêem livros e podem sempre confiscar filmes aos vendedores ambulantes. No entanto, não obstante os esforços dos órgãos russos de protecção da ordem, no país ainda há outras categorias de cidadãos para quem a liberdade de informação representa um valor real.
Nesta situação, julgo que se justifica um contra-ataque. Espero que surjam juristas com a formação adequada que verifiquem a constitucionalidade da decisão do tribunal de Komsomolsk-no-Amur. Nós podemos denunciar a situação nos blogues e nos meios de comunicação social. Mesmo assim, devemo-nos lembrar que, politicamente, todos aqueles que hoje defendem na Rússia a limitação da liberdade de expressão, seja por considerações religiosas, étnicas ou outras, acabam por ficar do lado dos procuradores analfabetos.
Kiril Martinov
Original:http://www.liberty.ru/Themes/Rossijskie-sudy-zakryvayut-dostup-k-youtube.-CHto-delat "
A Rússia não está pronta para enfrentar onda inédita de calor
Os russos já deixaram de contar os recordes batidos pela actual onda de calor que se instalou há mais de duas semanas e continuará nos próximos quinze dias nas regiões centrais da parte europeia da Rússia. Em 130 anos de observações metereológicas que estas regiões não viam o mercúrio a subir nos termómetros até além dos 30 e 40 graus centígrados.
Em algumas regiões, nomeadamente em Moscovo, o calor é acompanhado pelo fumo explido para a atmosfera pelos muitos incêndios florestais, que faz subir os índices de poluição atmosférica (na capital russo, o indíce é duas vezes superior ao permitido) e o número de chamadas para os serviços médicos de emergência da parte de pessoas que sofrem de males respiratórios e cardíacos.
Segundo o último balanço oficial, os incêndios florestais nas regiões centrais da Rússia provocaram 40 mortos e 323 feridos, tendo sido hospitalizadas 62 pessoas. As chamas devoraram 1 875 casas, deixando sem tecto mais de 2200 pessoas.
As autoridades reconhecem que, este ano, já arderam mais de 500 mil hectares, mas os ecólogos da organização Greenpeace da Rússia falam em mais de três milhões. Um quarto das colheitas já foi destruído pela longa seca. Os prejuízos materiais rondam os 4 500 mil euros.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, exigiu que os dirigentes locais que não conseguiram travar o avanço das chamas se devem demitir dos cargos, mas apenas um lhe deu ouvidos.
“O Governo Federal mostrou não estar preparado para a luta contra os incêndios. Os poderes locais, com os seus orçamentos miseráveis, também não estão. A vitória da centralização e da “vertical do poder” (criada por Putin) cheira a queimado”, escreve o jornal Novaia Gazeta.
Hoje, Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência da Rússia, reconheceu a falta de meios nos orçamentos regionais e explicou-a assim: “Os incêndios de grandes dimensões conduziram a que tenham acabado os meios e exigem mais dinheiro. Mas nem todas as autoridades preencheram correctamente os documentos, em conformidade com os quais se concedem mais meios. Isto atrasou o apoio ao financiamento das autoridades locais”.
Choigu afirmou que decuplicou o número de bombeiros no terreno, para 130 mil, aos quais se juntaram mais de dois mil militares e um número desconhecido de voluntários.
Os especialistas em provocar chuvas artificiais, em que na Rússia existe grande experiência, reconhecem a sua impotência no combate às chamas.
“Para provocar precipitações artificiais é necessário que a humidade do ar seja superior a 95 por cento. Ou seja, a chuva está quase a começar a cair e nós apenas apressamos esses processo”, declarou Alexei Liakhov, director do Serviço de Meteorologia de Moscovo.
Quando os meios técnicos e humanos são insuficientes, nada mais resta do que olhar para os Céus.
“Peço a todos os filhos e filhas fiéis da Igreja Ortodoxa Russa que se unam numa oração a Deus, que Ele mande chuva à nossa terra queimada”, disse Kirill.
O Patriarca sugeriu que as orações fossem feitas com particular zelo no dia 2 de Agosto, dia do Profeta Elias no calendário litúrgico ortodoxo, a quem já é hábito rezar por chuva.
O Patriarca sugeriu que as orações fossem feitas com particular zelo no dia 2 de Agosto, dia do Profeta Elias no calendário litúrgico ortodoxo, a quem já é hábito rezar por chuva.
Mas, por enquanto, a chuva não chega e os meteorólicos prometam ainda mais calor.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Polícia reprime manifestação da oposição ao Kremlin
A polícia de choque russa (OMON) impediu a realização de uma manifestação da oposição extra-parlamentar ao Kremlin na capital russa, tendo feito dezenas de detenções.
Serguei Udaltsov, dirigente da “Frente de Esquerda”, acompanhado de um grupo de militantes dessa organização, conseguiu estar na Praça do Triunfo cinco minutos, tendo-se algemado a uma grade.
A OMON, logo que eles começaram a gritar “”Demissão de Putin!”, “Liberdade!”, “Artigo Nº 31”, deteve-os, arrastando-os para uma das 30 camionetas prontas para transportar os manifestantes para várias esquadras da polícia.
Entre os detidos estava também Boris Nemtsov, antigo ministro do Governo do Presidente Boris Ieltsin e dirigente do movimento “Solidariedade”.
“Não obstante todas as barreiras, cerca de três mil manifestantes conseguiram entrar na praça”, declarou à Lusa Roman Dobrokhotov, dirigente da organização “Nós”.
Antes do início da manifestação, a polícia deu instruções aos jornalistas: “Peço aos meios de informação que cobrem estes acontecimentos para serem objetivos, para mostrarem o que se passa na realidade”, declarou Victor Biriukov, porta-voz da polícia de Moscovo.
Andrei Babuchkin, membro do Conselho Social junto da polícia de Moscovo, recomendou aos jornalistas a não ajudarem os agentes da OMON na detenção dos manifestantes.
“Independentemente das vossas ideias políticas, não façam isso. Se, por exemplo, vêem que o agente da OMON arrasta alguém e isso lhe é difícil, não é preciso ajudá-lo”, declarou Babuchkin.
Em todos os meses com 31 dias do ano, a oposição convoca para a Praça do Triunfo uma manifestação em defesa do Artigo Nº 31 da Constituição, que autoriza a liberdade de expressão na Rússia, mas as autoridades moscovitas proibem-na sempre, sob os mais variados pretextos.
Segundo os opositores de movimentos como “Frente de Esquerda”, “Outra Rússia”, “Solidariedade”, a Lei Suprema exige que os organizadores de manifestações apenas informem as autoridades, não sendo preciso pedir autorização.
Desta vez, as autorizadas deram prioridade a um espetáculo de automóveis de corrida. A 31 de Julho, foi organizado na Praça do Triunfo uma recolha de sangue.
Demissão da dirigente do Conselho presidencial para Direitos Humanos
Dmitri Medvedev aceitou o pedido de demissão de Ella Pamfilova do cargo de dirigente do Conselho para os Direitos Humanos e Desenvolvimento da Sociedade Civil junto do Presidente da Rússia, anunciou o Kremlin
Ella Pamfilova, , anunciára antes que apresentou a demissão desse cargo. Os defensores dos direitos humanos pedem-lhe para mudar de posição.
Pamfilova, que ocupa esse cargo desde 2004, recusou-se a falar das causas da sua demissão, assinalando apenas que planeia trabalhar “não na esfera da política, nem como funcionária pública”.
“Não tenho vergonha do que fizemos, conseguimos fazer mais do que o possível”, frisou, acrescentando que recomendou Alexandre Auzan para o cargo deixado vago.
Na véspera, Alexei Tchadaev, um dos ideológos do Rússia Unida, partido dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, acusou Pamfilova de “politizar” o Conselho por ela dirigido e, no seu blog no Twitter, chamou-lhe “estrela da agitação”, “chefe histérica” e “vampira”.
A organização juvenil pro-Kremlin “Nachi” (Nossos) já saudou a demissão de Pamfilova, pois era um dos principais alvos das suas críticas.
“Esses rapazaes poderão chegar ao poder dentro de alguns anos... Porque esses frutos de alguns tecnólogos políticos vendem a alma ao diabo. Eles queimaram livros...Qual será o próximo passo? Queimar pessoas?”, declarou recentemente Ella Pamfilova.
Os defensores dos direitos humanos no país consideram que Pamfilova foi obrigada a demitir-se e pedem ao Presidente Dmitri Medvedev que não aceite a demissão.
“Espero que o Presidente não aceite a demissão. Ela desempenha muito bem as suas funções, sacrifica-se muito”, considera Liudmila Alekseevna, dirigente do Grupo de Helsínquia.
“Considero que a decisão de Medvedev de aumentar os poderes do Sergviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia foi a gota de água que levou Pamfilova a demitir-se”, disse à Lusa um ativista dos direitos humanos.
Em virtude desta lei, assinada ontem, qualquer pessoa ou empresa que obstrua o trabalho de um agente do FSB pode ser alvo de processo judicial, multas de 500 a 50.000 rublos (13 a 1.300 euros) ou prisão até 15 dias.
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