quinta-feira, setembro 30, 2010

Estudantes guineenses não podem regressar ao país após termo dos estudos

Cerca de 20 estudantes da Guiné-Bissau que terminaram os seus estudos na Rússia não conseguem regressar ao seu país, porque as autoridades guineenses não conseguem arranjar dinheiro para pagar os bilhetes de avião.
“Estamos a viver uma situação muito difícil, alguns alunos já foram expulsos das residências e não têm onde viver. A autorização de residência já caducou e não sabemos quando é que o problema irá ser tratado”, declarou à Lusa, por telefone, Iancuda Sanha, dirigente da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Voronej, cidade russa situada ao sul de Moscovo.
Segundo ele, “em Voronej, são quatro os estudantes que se encontram nessa situação”, sublinhando que estão a viver “situações dramáticas” por terem passado a “ilegais na Rússia.
“Começam a ser perseguídos, não têm onde dormir”, frisou.
Óscar Fernandes, dirigente da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau na Rússia, afirmou à Lusa ter hoje ficado a par dessa situação e acrescenta que está a desempenhar esforços para que o Governo de Bissau resolva a situação.
“A situação desses e outros estudantes não é boa, pois o frio está a chegar e eles devem abandonar os lares estudantis. Vou entrar uma vez mais em contacto com o nosso Governo para tentarmos resolver o problema”, precisou.
O dirigente estudantil guineense revelou à Lusa que nas universidades russa estudam cerca de 245 estudantes vindos da Guiné-Bissau, encontrando-se 20 numa situação de não conseguirem regressar ao país. 
Por lei, o Governo da Guiné-Bissau é responsável pelo regresso a esse país dos estudantes finalistas que frequentaram universidades russas com bolsas concedidas por ele, mas as dificuldades financeiras provocam o mesmo problema todos os anos, obrigando os estudantes a ficarem na Rússia ilegalmente.
Os bolseiros guineenses que vão estudar para a Rússia com bolsas do Governo de Moscovo recebem mensalmente 1200 rublos (cerca de 30 euros), quantia claramente insuficiente para se viver nesse pais.
“Claro que semelhante dinheiro não dá para nada. Por isso, temos de nos desenrascar: receber dinheiro dos pais ou parentes, arranjar algum trabalho”, disse à Lusa Aldemar, outro estudante guineense.
A Lusa tentou numerosas vezes contactar com a Embaixada da Guiné-Bissau na capital russa, mas sem êxito.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Gorbachov afirma-se desiludido com política russa

O antigo Presidente da União Soviética Mikhail Gorbachov, declarou hoje estar desiludido com a política russa e queixa-se de ter sido afastado da vida política.
“Estou farto, estou cheio desta política”, disse Gorbachov a jornalistas, adiantando que “gostaria de ajudar, lançaram-me um apelo. Tentei várias vezes criar um novo partido político e, há algum tempo atrás, decidi criar o fórum social “Diálogo cívico”.
Porém, deram-lhe a entender que não teria grandes possibilidades de registar a nova estrutura política.
“Disseram-me diretamente, Mikhail Sergueevitch, por amor de Deus! Você é um homem de mérito”, relatou Gorbachov e traduziu essa expressão para linguagem real: “Acalma-te, Gorbachov”.
Para o pai da reestruturação e da abertura da União Soviética, “enquanto assim for, não teremos qualquer sistema de partidos políticos e só através deles poderemos começar a resolver as questões democráticas”.
Gorbachov comentou também a demissão de Iúri Lujkov do cargo de presidente da Câmara de Moscovo.
Considerando que o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, tomou uma decisão correta, Gorbachov sublinhou que essa medida devia ter sido tomada há muito tempo, pois “Lujkov, tal como Brejnev (antigo líder soviético), esteve 18 anos no poder”.
Nesta não é a primeira vez que Gorbachov critica o atual sistema político russo, tendo comparado o Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, ao Partido Comunista da União Soviética, que monopolizou o poder entre 1917 e 1991.

Xadrez internacional dominado por "extraterrestres"

Кирсан Илюмжинов поставил Анатолию Карпову мат
Kirsan Iliumzhinov foi hoje reeleito presidente da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), batendo o seu único rival e compatriota Anatoli Karpov, antigo campeão do Mundo.
Iliumzhinov, que lidera a FIDE desde 1995, recebeu o apoio de 95 delegados na assembleia geral em Khanty-Mansiisk, na Sibéria, enquanto Karpov contou com apenas 65 federações nacionais do seu lado, incluindo o compatriota Garry Kasparov, o seu rival histórico.
Esta reeleição, que contou com 13 votos anulados, ficou precedida de numerosos escândalos. A maioria dos membros da Federação de Xadrez da Rússia apoiou, inicialmente, Karpov, mas, após fortes pressões do Kremlin, passou a apoiar Iliumjinov.
Karpov juntou-se ao seu antigo rival, Garri Kasparov, várias vezes campeão do mundo da modalidade, com vista a desalojarem Iliumjinov do cargo, acusando-o de incompetência e corrupção.
Pouco antes da votação final, Kasparov declarou: “isto não é uma assembleia, mas um jogo de batoteiros políticos. Tem lugar a imposição das decisões políticas necessárias. Anatoli Karpov está habituado a jogar segundo as regras, mas propõem-nos batota”.
Para surpresa dos delegados, após o anúncio dos resultados, Iliumjinov propôs a Karpov ocupar o cargo de vice-presidente da FIDE, desconhecendo-se ainda se a proposta foi aceite.
Iliumjinov, que, além da direção do xadrez mundial, governou a república budista da Calmúquia, na Federação da Rússia, é conhecido por atos e dizeres extravangantes, destacando-se as suas revelações de contatos com extraterrestres.
A candidatura de Karpov foi proposta pelos Estados Unidos e França, enquanto a de Iliumzhinov foi apresentada pela Rússia.
Iliumjinov enterrou definitivamente os grandes momentos de xadrez. Este desporto passou a ser periférico.

terça-feira, setembro 28, 2010

Demissão de Presidente da Câmara de Moscovo abre nova página na luta política no país

Лужков отправлен в отставку

Depois do conflito aberto entre o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e o dirigente da Câmara de Moscovo, Iúri Lujkov, bem como da guerra informativa lançada pelo Kremlin contra o último, poucos eram os que acreditavam que Lujkov se mantivesse à frente de Moscovo, não só capital do país, mas também o membro da Federação da Rússia mais rico.

O conflito entre Medvedev e Lujkov vinha de longe, mas agravou-se no passado mês de Agosto, a pretexto do presidente da Câmara de Moscovo não ter suspendido as férias numa altura em que a capital se via sufocada por uma densa nuvem de fumo. Tratava-se de um sinal claro de que tinha acabado o reinado, quase total e absoluto, de 18 anos de Lujkov em Moscovo, mas este recusou-se a abandonar o cargo voluntariamente, esperando, talvez, que alguém viesse em sua ajuda: o primeiro-ministro Vladimir Putin ou o Partido Rússia Unida, de que era um dos dirigentes.

Seguiu-se uma violenta campanha na imprensa contra Lujkov, e principalmente contra a sua esposa, Elena Baturina, uma das mulheres mais ricas do mundo e que controla negócios importantes em Moscovo. Apenas o canal televisivo TVTs, controlado por Lujkov, tentou vir em sua defesa, mas foi rapidamente silenciado.

O Kremlin voltou-lhe a dar mais uma possibilidade de sair a bem ao conceder-lhe uma semana de férias “para refletir” e suspender, durante esse período, a “guerra informativa”, mas Lujkov ainda ontem reafirmou que não se tencionava demitir.

Medvedev, se deixasse arrastar o caso por mais tempo, correria o risco de perder a popularidade e passar por “dirigente fraco”, qualidade fatal para quem se pretender recandidatar à Presidência da Rússia nas eleições de 2012.

Não obstante a maioria dos observadores políticos considerar que este confronto foi apenas um dos primeiros entre Dmitri Medvedev e Vladimir Putin na luta pelo poder supremo no país, Natália Timakova, porta-voz do Kremlin veio revelar que “o Presidente comunicou ao primeiro-ministro a decisão da demissão de Iúri Lujkov antes de assinar o respetivo decreto”.

Nenhum partido saiu em sua defesa, nem mesmo aquele de quem era um dos dirigentes máximos: Rússia Unida, que atirou as culpas para cima de Lujkov por ter “perdido a confiança do Presidente”. O ex-dirigente de Moscovo respondeu ao seu partido com uma dura carta de demissão.

Agora, as atenções viram-se tanto para o futuro político de Lujkov, como para o seu possível sucessor.

“Se não forem iniciados processos-crime contra Lujkov por corrupção, Medvedev, no futuro, terá um forte adversário político nas presidenciais de 2012”, considera Boris Nemtsov, dirigente da “Coligação Democrática”, organização que reúne as forças liberais extra-parlamentares.

Quanto ao seu futuro sucessor, a lista de candidatos avançada pela imprensa é longa, mas a nomeação dele será um barómetro das relações existentes entre Medvedev e Putin.

Além disso, espera-se que seja um político experiente, porque, caso contrário, a redistribuição da propriedade em Moscovo, nomeadamente a pertencente a Elena Baturina, poderá fazer voltar a capital russa aos anos 90 do séc. XX, quando as armas de fogo eram o principal instrumento na solução dos problemas.

“A mistura dos negócios familiares e do poder em Moscovo atingiu envergaduras inéditas. A situação vai mudar: a nova equipa irá arrancar à corte de Lukov Moscovo bocado a bocado. E claro que ela vai resistir”, considera Ilia Iiachin, dirigente da organização Solidariedade.

Iúri Lujkov escorraçado da Câmara de Moscovo

 Лужков отправлен в отставку
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, assinou hoje um decreto em que demite antecipadamente Iúri Lujkov de presidente da Câmara de Moscovo. A justificação para essa decisão é a mais humilhante para aquele que constituia um dos mais influentes políticos russos: “perda de confiança” do Kremlin.
“Afastar Iúri Mikhailovitch (Lujkov) do cargo de Presidente da Câmara de Moscovo devido à perda de confiança por parte do Presidente da Rússia”, lê-se no decreto publicado.
Segundo este documento, “ele entra em vigor no momento da sua assinatura”.
Medvedev decidiu substituí-lo temporariamente pelo vice-presidente da Câmara de Moscovo, Vladimir Reznik.
Iúri Lujkov, que ocupou esse cargo durante 18 anos, deveria terminar o seu mandato à frente da capital russa em Dezembro do ano seguinte, mas o Kremlin decidiu antecipar a demissão a fim de controlar a cidade de Moscovo, o maior centro político e financeiro do país.
O confronto público entre Iúri Lujkov e o Kremlin começou em Agosto passado, quando o dirigente de Moscovo foi criticado por não ter regressado antecipadamente de férias quando a capital russa se viu envolvida numa densa nuvem de fumo proveniente dos fogos florestais nos arredores.
Imediatamente a seguir, alguns canais de televisão russos lançaram uma campanha contra Lujkov, acusando-o, entre outras coisas de “corrupção”, “nepotismo” e “destruição do centro histórico de Moscovo”.
Helena Baturina, esposa de Lujkov e uma das mulheres mais ricas do mundo, foi também alvo da campanha, pois foi acusada de enriquecer à custa do marido.
O Kremlin tudo tentou fazer para que Lujkov tomasse a iniciativa de renunciar ao cargo, mas, ainda na véspera, ele sublinhou que tencionava “continuar a trabalhar”.
Alguns analistas contatados pela Lusa vêem na demissão de Lujkov uma das fases da luta entre Medvedev e o primeiro-ministro-russo Vladimir Putin pelo cargo de Presidente da Rússia nas eleições presidenciais de 2012.
O seu afastamento é um êxito do Presidente Medvedev, mas é preciso ainda saber quem realmente irá suceder a Lujkov na presidência de Moscovo para se compreender se se tratou de uma vitória significativa ou não do Kremlin.

segunda-feira, setembro 27, 2010

China e Rússia reforçam bases de cooperação com petróleo, gás e energia atónica

A Rússia e a China assinaram hoje todo um conjunto de importantes acordos e contratos no quadro da visita de Dmitri Medvedev a esse país. A cooperação irá da esfera do petróleo, gás e átomo até à energia elétrica e exploração de carvão.

Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia que se encontra de visita à capital chinesa, considera que, até ao fim do ano, as relações comerciais bilaterais irão atingir os números observados antes da crise de 2008.
Neste ano, iremos compensar o tempo perdido e, ao que tudo indica, chegaremos aos índices da cooperação económica registados antes da crise”, declarou Medvedev numa conferência de imprensa realizada após conversações com o seu homólogo chinês, Hu Jintao.
O dirigente russo apontou como áreas estratégicas de cooperação a energia, incluindo formas de sua poupança, o desenvolvimento de linhas de distribuição, a energia nuclear, bem como a realização de projetos no campo das altas tecnologias.
No campo dos fornecimentos de petróleo, a Rússia irá fornecer, a partir do início do próximo ano, 15 milhões de toneladas de petróleo pelo novo oleoduto construído entre os dois países, mas os chineses querem mais.
A parte chinesa manifestou vontade de aumentar os volumes de compra, mas isso, por enquanto, não passa de um desejo. É preciso encontrar petróleo e garantir o seu transporte”, comentou Nikolai Tokarev, diretor da “Transneft”, consórcio público russo que gere os pipe-lines.
A situação é diferente no que respeita ao gás. Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo, revelou que a China consome 90 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano e que a Rússia poderá fornecer quantidades superiores a essa.
Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, e o seu homólogo chinês, Yan Czechi, assinaram acordos de cooperação em matéria de energia, finanças e recursos marinhos, bem como na luta contra o terrorismo, o separatismo e o extremismo.
Serguei Kirienko, diretor da Agência Atómica da Rússia (Rosatom), anunciou que, no próximo ano, especialistas russos irão dar início à construção de mais dois reatores nucleares na central chinesa de Tianwan e que assinou com o seu homólogo chinês um acordo de cooperação estratégica no uso pacífico da energia atómica.
Dmitri Medvedev sublinhou particularmente que as posições da Rússia e da China coincidem no campo internacional.
Seguimos firmemente a política de parceria estratégica face a todas as questões da ordem de dia internacional, temos uma boa coordenação tanto face às questões internacionais, como regionais. É produtiva a interação em plataformas como os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Organização de Cooperação de Xangai e o G-20”, precisou o líder russo.
P.S. Num encontro com veteranos chineses e russos da SEgunda Guerra Mundial, uma chinesa chamou a Medvedev "Presidente da União Soviética" e comparou-o a José Estaline. Mas o actual dirigente russo tem tanto a ver com o ditador comunista como o seu homólogo chinês Hu Jintao tem a ver com Mao.

sexta-feira, setembro 24, 2010

E ainda dizem que os anti-comunistas não tinham razão

Андрей Котиков чувствует себя удовлетворительно 
 


E ainda diziam que os anti-comunistas e anti-soviéticos não tinham razão. Tinham toda a razão pelo menos quando diziam que os ursos passeavam nas ruas das cidades soviéticas.
Hoje, no centro da cidade de Siktivkar, capital da República dos Komi, um jovem de 26 anos foi atacado por um urso e, segundo os médicos, teve muita sorte em ter ficado vivo.
"Eram cinco da madrugada e eu passava na Rua Tentiukovka, perto da loja Izkar. De súbito, vi um urso do outro lado da rua. Ele também me viu e avançou imediatamente no meu sentido. Eu gritei, mas talvez ninguém me tenha ouvido", relata a vítima, Andrei Kotikov.
O homem não fugiu, pois tinha ouvido os caçadores dizerem que é preciso ficar imóvel perante a presença de um urso, mas este animal devia desconhecer qualquer tipo de norma da convivência humana civilizada, incluindo a dos caçadores, e atirou-se à vítima.
"Toda a minha vida passou perante os meus olhos. Pensei que era o fim", recorda o jovem.
Mas tal como os "bogatiri" (personagens muito fortes dos contos popukares russos) e, principalmente, porque pratica halterofilia, Andrei empurrou a fera, que foi bater contra um muro. Aproveitando-se do facto do animal ter ficado atónito, o combatente conseguiu esconder-se atrás de uns arbustos.
Entretanto os cães da vizinhança começaram a ladrar e o urso decidiu abandonar o centro da cidade.
Andrei foi internado num hospital e encontra-se de saúde depois de os médicos lhe tratarem de sete feridas.
Mas o mais preocupante é que, nos últimos meses, vários ursos ousaram entrar na cidade, embora não tenham atacado ninguém.
E diziam que era um "boato da reacção". Não, pelo menos este não era e continua a não ser na Rússia actual...

P.S. Previno os "pró-soviéticos" e "russófilos" que, sendo verdadeiros os factos relatados, tentei fazê-lo com sentido de humor e sem intenção de ofender quem quer que seja.



Faleceu um dos dirigentes do golpe de Estado contra Gorbachov em 1991


Guennadi Ianaiev, um dos dirigentes do golpe de Estado de 19 de Agosto de 1991 contra o Presidente soviético Mikhail Gorbachov, faleceu num hospital de Moscovo aos 73 anos, anunciaram as agências russas.
Vice-presidente da URSS de 1990 a 1991, Ianaiev esteve entre os organizadores da tentativa de derrube de Gorbachov e dirigiu a URSS durante três dias. Depois do fracasso do golpe de Estado, foi detido e libertado em 1994, quando todos os participantes da intentona foram amnistiados.
Antes do golpe, Gorbachov apresentou-o como “um homem de princípios e adepto da perestroika (reestruturação)”.
Após a libertação, Ianaev trabalhou como consultor do comité dos veteranos e inválidos da função pública, bem como dirigiu a cadeira de História da Rússia e das Relações Internacionais da Academia Internacional de Turismo.
Ianaev dixit: “Sim, as mãozinhas realmente termiam e a explicação para isso podia ser a mais simples: o velho ontem apanhou uma piela. Os cínicos democráticosexploraram de todas essas formas este tema. Mas, na realidade, a decisão da declaração do estado de emergência foi tomada sem mim e eu só soube dela no último momento, às 21 horas, quando um grupo de camaradas já tinha voado para Foros para se encontrarem com Gorbachov”.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Presidente russo proibiu o fornecimento de armamentos pesados a Teerão


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, proibiu o fornecimento ao Irão de sistemas de defesa anti-aéreos S-300, carros blindados, aviões, helicópteros e navios de guerra, anunciou o centro de imprensa de Kremlin.

Segundo ele, isso é feito em cumprimento da resolução 1929 do Conselho de Segurança da ONU de 09 de Junho de 2010.

“O decreto proibe, nomeadamente, a passagem por território da Rússia (incluindo por via áerea), a exportação da Rússia para o Irão, bem como a entrega ao Irão fora do território russo... de tanques, carros blindados, sistemas de artilharia de grande calibre, aviões, helicópteros e navios de combate, mísseis ou sistemas de mísseis”, informa o centro de imprensa.

O documento proíbe também a exportação de peças sobresselentes para esses armamentos e a entrada de uma série de cientistas e funcionários iranianos ligados à atividade nuclear do Irão.

Antes, Nikolai Makarov, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Rússia, não revelou se esta decisão de Moscovo significa a ruptura definitiva do acordo de fornecimento de mísseis S-300.

À pergunta de se a Rússia rompe o respetivo contrato com Teerão, o general Makarov respondeu: “Vamos ver, isso irá depender do comportamento do Irão”.

Israel e os Estados Unidos têm feito forte pressão sobre Moscovo para que não forneça esse tipo de armamentos.

Forum de Moscovo sobre o Ártico tem como temas aquecimento global e delimitação de fronteiras

O Forum Internacional “Ártico – Território do Diálogo”, que se realiza nos dias 22 e 23 na capital russa, tem como temas centrais o aquecimento global e a delimitação das fronteiras naquela região do globo.
“Esperamos que o forum por nós organizado contribua para a solução dos problemas atuais do Ártico”, declarou Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência e presidente da Sociedade Geográfica da Rússia.
Segundo ele, “a região do Ártico é extremamente importante para todo o mundo e é a que mais rapidamente reage às mudanças de clima. Mais de 800 milhões de pessoas podem ver-se numa zona de situações de emergência devido ao derretimento dos gelos no Ártico”.
Choigu frisa que esse fenómeno pode conduzir à derrocada de edifícios construídos no Círculo Polar Ártico devido ao aquecimento dos solos, bem como a avarias nos pipe-lines aí construídos.
“Dentro em breve, será formada uma comissão para estudar essa questão e encontrar soluções para o futuro”, acrescentou.
Este encontro tem também como objetivo acelerar o processo de delimitação das fronteiras da plataforma continental no Ártico.
“Quero sublinhar que o processo de precisão das fronteiras externas da plataforma continental é bem real e estou convencido que este processo terá êxito”, afirmou Anton, Vassiliev, embaixador para missões especiais do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Vassiliev apresentou como exemplo o acordo recentemente assinado entre a Rússia e a Noruega sobre a delimitação de fronteiras no Ártico.
No forum, onde participam 287 especialistas de 15 Estados, irão discursar Vladimir Putin, primeiro-ministro russo; Olaf Grimson, Presidente da Islândia, e Alberto II, duque do Mónaco. 

terça-feira, setembro 21, 2010

Gays exigem demissão de Iúri Lujkov


Agentes da polícia de choque OMON dispersaram uma manifestação de gays que tentaram exigir a demissão de Iúri Lujkov do cargo de Presidente da Câmara da capital russa e detiveram os organizadores da iniciativa.
Não obstante o forte aparato policial na Praça Tverskaia, onde está situado o edifício da câmara municipal, algumas dezenas de gays conseguiram entrar no local e prenderam-se com algemas aos gradeamentos instalados em redor da estátua de Iúri Dolgorrukov, fundador de Moscovo.
Os manifestantes exigiram a demissão de Lujkov por este impedir a realização de paradas gays na cidade.
“Esta é a nossa prenda de aniversário a Iúri Lujkov”, declarou aos jornalistas um dos organizadores da manifestação.
A polícia atuou com dureza e deteve pelo menos dez dos manifestantes.
Esta manifestação tem como fundo uma forte campanha lançada na imprensa contra o poderoso dirigente de Moscovo e Iúlia Baturina, sua esposa e a mulher mais rica da Rússia. Os canais de televisão públicos acusam-nos de corrupção e nepotismo.
Numa entrevista concedida ontem à revista russa The New Times, Baturina afirma que a iniciativa dos ataques contra o marido partem do Kremlin, da Administração do Presidente Dmitri Medvedev, e que se trata de um dos episódios da luta pelo cargo de Presidente da Rússia entre Medvedev e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, nas eleições de 2012.
Lujkov, que hoje comemora 74 anos, decidiu festejar o seu aniversário nos Alpes austríacos com a família e os analistas tentam adivinhar em que data e em que condições ele será demitido do cargo de presidente da Cãmara de Moscovo por Medvedev.
O Presidente russo não lhe deu os parabéns, como é costume, enquanto que  Vladimir Putin enviou um telegrama de felicitações, mas o seu centro de imprensa sublinhou que se tratou de “uma questão protocolar”.

Blog do Leitor (A Nova Horda Mundial)


Texto escrito e enviado pelo leitor António Campos:

"Muitos cidadãos falam mal das suas democracias ocidentais. Muitos apontam os inúmeros casos em que as instituições são aproveitadas para proveito de determinados interesses, em detrimento da população em geral. Muitos gostam de salientar a influência política do grande capital sobre o aparelho de estado e a forma como tal condiciona as decisões democráticas e ameaça o estado social. São preocupações legítimas e merecem ser expressas em voz alta, dando indícios de que a consciência cívica ocidental está de boa saúde. É dever de todos nós expor estes cancros e lutar contra eles.

Mas como encaixa isto na simultânea indiferença, tanto da maioria dos governos como da população em geral, relativamente ao crescente uso da alavancagem económica por parte do Kremlin sobre os seus vizinhos (e não só), que traz em si a ameaça de, no médio prazo, minar a independência política e as instituições cívicas desenvolvidas na Europa desde a segunda guerra mundial?

O Kremlin é exímio na compra de políticos. Exemplos emblemáticos são o ex-chanceler Gerhard Schroeder e, presumivelmente, Silvio Berlusconi. Por outro lado, os planos de Putin para colocara Europa sob o domínio energético russo estão em marcha acelerada: a Bulgária depende da Rússia para 90% das suas necessidades de consumo de gás. A Eslováquia depende a 100% da Rússia. A Gazprom controla a totalidade da indústria petrolífera e de gás da Sérvia. A deplorável situação financeira ucraniana permitiu ao Kremlin dar um passo gigante no sentido de transformar, num piscar de olhos, o país à sua imagem: uma democracia fraudulenta controlada por uma mão cheia de gente rica, moldável aos interesses do seu vizinho maior.

A República Checa parece ser o próximo alvo. Um dos estados mais corruptos da União Europeia segundo a Transparency International, este país está a sofrer, com a ajuda do seu tristemente notório presidente Vaclav Klaus (o novo amigo de Putin), uma forte pressão por parte do Kremlin para dar de mão beijada a implantação e a exploração da sua energia nuclear a empresas russas controladas pelo estado, numa das maiores transacções que o país já viu. Os checos importam já da Rússia 80% do gás natural que consomem, por intermédio de traders com estrutura accionista obscura, que se suspeita serem controladas por interesses russos. Por outro lado, segundo o jornalista de investigação Jaroslav Spurny, da revista checa Respekt, a Lukoil pretende adquirir o controlo da única fonte não russa de petróleo, um pipeline que conduz matéria-prima alternativa através da Alemanha. Este quadro aponta, no breve trecho, para uma total dependência energética da República Checa relativamente à Rússia. O passo mais importante para garantir a dependência política estará dado. E é certo que o ambiente de corrupção generalizado no país foi um dos principais facilitadores deste assalto.

Enquanto isso, pouca gente no Ocidente parece estar a dar atenção a esta e a outras realidades galopantes. Barack Obama, mais preocupado em pintar com cores de sucesso a sua política de "reset" para com a Federação Russa, e em nome do potencial comercial bilateral, faz vista grossa ao crescente ataque contra os organismos que lutam pela transparência e pela criação de uma sociedade civil russa e ao predomínio do estado e das elites em detrimento dos cidadãos. As maiores praças de capitais mundiais continuam a não questionar a falta de transparência de empresas e indivíduos russos, que as usam sem quaisquer entraves para se financiarem. A próxima viagem à Rússia do ministro dos negócios estrangeiros britânico, William Hague, parece estar a ser planeada numa nota que atira para trás das costas o caso Litvinenko e os atropelos aos direitos humanos, em benefício de lucrativas parcerias comerciais com o Kremlin, particularmente ao nível energético. Em particular, o partido conservador britânico parece estar especialmente permeável à influência política russa, ao ponto de fontes trabalhistas afirmarem que os "deputados do Rússia Unida no Conselho da Europa […]usam os seus colegas Tories como o equivalente moderno dos idiotas úteis de Lenine".

E a Alemanha? As palavras do analista Max Bergmann proporcionam um bom resumo da posição deste país: "… a Alemanha fez na prática vista grossa aos ataques de Putin contra a democracia, os direitos humanos e a sociedade civil. O país retrai-se amiúde em matéria de políticas da UE que poderão irritar a Rússia, mesmo aquelas que reflectem os seus valores fundamentais e são do interesse da União Europeia. Os interesses empresariais alemães têm interesse em que a actual política russa se mantenha. Tal inclui, por inferência, bloquear os esforços de mudança e integração da política energética da UE. Além disso, a hostilidade russa contra a sua vizinhança, e mesmo contra estados-membros da UE, não conduziu a mudanças na política alemã. A política altamente agressiva russa contra os membros da UE menos flexíveis envolveu ataques informáticos contra as repúblicas bálticas, a imposição de tarifas contra certos estados-membros, assassínios com materiais radioactivos em Londres e a exploração de tensões étnicas com vista a sabotar os esforços da UE para estabilizar os Balcãs.[…] Mark Leonard e Nicu Popescu, do Conselho Europeu das Relações Exteriores argumentam que, ao não conseguir endereçar estes desafios, a abordagem alemã de "progressiva integração" favorece a estratégia russa explícita de construir uma interdependência assimétrica com a União, em que os líderes russos procuram criar uma situação  na qual a UE precisa mais da Rússia do que esta da UE"".

A análise destas realidades revela que uma parte significativa dos poderes vigentes na Europa e nos Estados Unidos parece disposta a tolerar (ou mesmo a defender ou incentivar) qualquer movimentação do Kremlin, seja ela externa ou interna, a troco do sonho de segurança e de um pedaço da gigantesca cenoura que os recursos da Rússia prometem oferecer, preferindo ignorar que quem está ao leme do seu novo "parceiro" é uma máquina repressiva e corrupta com uma agenda externa expansionista. Cegos pelos dividendos políticos de curto prazo, pelo  lucro e pelo oportunismo eleitoral de um possível catalisador para a saída da crise, os poderes ocidentais estão a deixar entrar na mesa um batoteiro oportunista cuja última preocupação são as regras do jogo. E a opinião pública em geral (com a excepção dos estados que decidirem fazer frente ao seu antigo opressor), demasiado assustada com o efeito que a crise está a ter no seu quotidiano, manifesta indiferença relativamente a um problema que lhes parece demasiado longínquo.

Em vez disso, talvez todos nós devêssemos dar mais atenção a Václav Bartuska, até Junho o representante governamental para a política energética checa, que afirmou que "as empresas russas exportam corrupção". A degradação moral prevalente nos tempos soviéticos e que continua a dominar a sociedade russa tem muitos alvos por onde escolher cá deste lado. Caso a nossa indiferença conivente não seja sacudida, o músculo financeiro do Kremlin continuará lentamente a comprar políticos menos escrupulosos e até estados inteiros por esse mundo fora, contaminando as nossas instituições e transformando-as progressivamente nas caricaturas impudicas que as congéneres russas são: fachadas corruptas que servem uma pequena elite, canalizando para ela as rendas da produção do país. Contaminar as nossas instituições forrando os bolsos de políticos e empresários sugestionáveis é o primeiro passo para exportar o modelo feudal russo para os nossos quintais. Com ele virão as assimetrias sociais e injustiças que corroem o bem-estar da sua própria população. Se continuarmos a olhar para o outro lado, o petro-rublo continuará a financiar o alastramento de um imenso retrocesso civilizacional, com consequências sociais muito mais nefastas do que as que estão no centro das preocupações dos actuais críticos das instituições do ocidente. Os alegados males dos neoliberalismos empalidecem em comparação.

Pode bem vir a acontecer, a julgar pelo andar da carruagem, que os inimigos do sistema político europeu, muitos deles apologistas da actual plutocracia russa, venham, mais cedo do que pensam, a ter oportunidade de experimentar na pele as consequências do regime que defendem.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Mais de vinte soldados mortos em ataque a coluna militar no Tadjiquistão

Vinte e três soldados morreram e dez ficaram feridos quando uma coluna militar foi alvo de um ataque empreendido, no Domingo, por guerrilheiros islamistas no leste da capital do Tadjiquistão, informa o Ministério da Defesa desse país da Ásia Central, num, comunicado publicado hoje.
Nesse comunicado afirma-se que a coluna seguia para a vila de Garm e foi atacada por “membros do bando do mullah Abdullo”, um dos líderes da oposição islamista na região que não depôs as armas aoós a guerra civil de 1992-1997.
Porém, a agência noticiosa Ásia-plus informa que nos combates morreram 43 militares, dos quais cinco oficiais, e dez feridos.
Segundo uma fonte da agência Interfax, a coluna militar dirigia-se para a região onde é possível que tenham encontrado refúgio cerca de trinta presos que conseguiram fugir de um estabelecimento prisional que se encontra no centro da capital tadjique.
Entre os fugitivos estavam  seis russos, quatro afegãos, bem como tadjiques e uzbeques, todos eles condenados, em meados de Agosto, a penas entre os 10 e 30 anos de prisão por vários crimes, entre os quais a “participação em tentativa de golpe de Estado”.
Os fugitivos pertenciam a um grupo que foi detido nos dias 08-11 de Julho de 2009 durante uma operação especial do Ministério do Interior e do Comité de Segurança Nacional do Tadjiquistão.
Durante a operação, a polícia matou cinco russos que, segundo os serviços secretos, eram “membros de um grupo terorista organizado”, com ligações ao Movimento Islâmico do Uzbequistão.
A Ásia Central transforma-se cada vez mais rapidamente num "barril de pólvora". Se as forças da NATO saírem do Afeganistão e não conseguirem impor aí um regime moderado, o extremismo islâmico irá aumentar as suas actividades no Tadjiquistão, Quirguistão, Uzbequistão e, depois, Cazaquistão e Rússia.
Por isso, Moscovo tem de apoiar com maior afinco as operações da NATO e sem fazer de conta que está a fazer um "grande frete" à Aliança Atlântica ao deixar passar tropas e mantimentos pelo seu território.
Há muito que a Rússia e a NATO deviam cooperar mais estreitamente na Ásia Central. O alastramento do conflito no Afeganistão será um grande problema para ambos.
Não quero ser pessimista, nem alarmistas, mas,  se a crise se alargar à Ásia Central, a Rússia vai ter de ser o tampão, o escudo entre a Europa e os radicais islâmicos. Como historiador, isto faz-me lembrar o papel da Rússia na travagem do avanço das tropas tártaro-mongóis na Idade Média. Chegaram às portas de Viena, mas estavam esgotados e voltaram para trás.
Claro que o mundo mudou muito, mas...

sábado, setembro 18, 2010

Blog do leitor (Chalámov)



Texto enviado pelo leitor Daniel Zanella

"Varlam Chalámov.
Encerro a página 101 de “A Paixão Pelos Livros”, compilação da editora Casa da Palavra sobre aficionados pela natureza da leitura. O autor russo pontua da seguinte forma sua relação carnal com os livros: “Lamento nunca ter tido minha própria biblioteca.”
Em pouco mais de vinte páginas, Chalámov narra sua saga noite adentro do urso feroz chamado Rússia, uma exposição seca – imersa em gravidade – e intensa do stalinismo, os anos de prisão na Sibéria, a rotina do cárcere, os parcos livros lidos entre algemas e trabalhos forçados nos campos de concentração. Comovente.
São palavras carregadas de dor, amargor e escuridão – letras capazes de apresentar as próprias esquinas sombrias do homem, a necessidade, a emergência de uma outra vida através dos escritores.
Ao contrário de Chalámov, não sei medir minha intensidade diante dos livros, mal sei de meus fantasmas. Sei de meu relicário particular de frustrações e anseios por caminhos que nem sei, os autores que me acompanham na jornada pagã das coisas cotidianas, a crônica que me persegue e me recria.
[Também sei medir minhas limitações literárias, apesar das ambições desmedidas. Tento ler e ser tudo.]
Ao decodificar esse russo de dentes escaldados também reflito sobre esse tempo presente tão escasso de lirismo e paixão pelos livros, as novas tecnologias à serviço de um tipo de leitor que desconheço, a celeridade e apego a tudo o que pode escoar por entre os dedos.
Chalámov queria uma biblioteca."



(Blog do leitor)Não sei se sou um democrata mas estou certo que sou um homem livre

Texto traduzido e enviada pela leitora Cristina Mestre: 

"Dmitry Bábich, RIA Novosti
O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e os líderes de Itália e Coreia do Sul, reunidos recentemente numa conferência na antiga cidade russa de Yaroslav, debateram assuntos de importância crucial para a Rússia e para o mundo.
Na fase pública do fórum e na reunião de politólogos participaram os membros do Clube internacional de Debates Valdai, instituído pela RIA Novosti conjuntamente com o Conselho para a Política Externa e de Defesa.
Os participantes no fórum consideraram que um dos temas centrais tem a ver com os problemas e os erros na modernização da Rússia. Recordamos que o Clube Valdai dedicou grande parte dos seus debates a analisar a história da Rússia e a sua influência (muitas vezes negativa) na situação actual do país.
No seu encontro com especialistas, Medvedev disse que a inércia da história russa em grande parte determinou o futuro do país e que a Rússia, à excepção dos últimos 20 anos, nunca teve democracia.
“Temos mil anos de história autoritária. Somos um exemplo interessante de como a democracia se pode desenvolver com base numa história autoritária muito antiga”, disse Medvedev.
Significa isso que os russos nunca foram livres? Não, o que foi argumentado de forma muito convincente no Clube Valdai por Adam Michnik, redactor-chefe do jornal Gazeta Wyborcza e reconhecido especialista antisoviético.
A propósito, na Europa, durante os séculos mencionados por Medvedev, estabeleceu-se a prática de ver o povo e o Estado russo em separado.
Muitas vezes, esta visão é justa, ainda que também sirva de pretexto cómodo para os críticos da Rússia.
Quando afirmam que sentem simpatia pelo povo russo e repúdio pelo Kremlin, esses peritos tentam impor a sua posição antirussa tanto contra o Governo como contra o povo.
Mas até os adversários mais irreconciliáveis da Rússia não negam que os russos sempre lutaram pela sua liberdade individual.
Tal foi destacado também por outros membros do Clube Valdai, que recordaram o historiador Vassili Kliuchevski, cujas obras continuam actuais até hoje. A mesma tese mas de outra forma foi expressa pelo primeiro vice-presidente da Administração do Kremlin, Vladislav Surkov.
“Não sei se sou um democrata mas estou certo de que sou um homem livre”, disse Surkov, citado pelo jornal Rossiskaya Gazeta.
“Este paradoxo da história da Rússia, de um país livre com muita gente livre, encontrou a sua descrição no “Índice Valdai”, um documento que recolhe os critérios sobre o desenvolvimento da Rússia elaborado entre as sessões anuais do clube, com base nas avaliações e opiniões dos seus membros. 
O documento foi apresentado ao primeiro-ministro Vladimir Putin e também a Medvedev que provavelmente não desfrutou muito da sua leitura porque os aspectos mais criticados no índice referiam-se ao estado actual do sistema político da Rússia.
Há um ano, Medvedev no seu artigo “Rússia, avante!” propôs a sua variante de reforma política destinada a melhorar o sistema, que foi o tema principal do fórum político anterior.
Não obstante, passado um ano, 52% dos peritos do clube Valdai não viram nenhum avanço no estado da política russa, mais ainda, muitos falaram de uma “deterioração considerável”. Pois bem, a liberdade começa pela possibilidade de expressar opiniões negativas.
Curiosamente, os membros do clube valorizaram de maneira muito mais positiva outros aspectos: 74% deles qualificaram a actuação diplomática da Rússia como positiva; 69% destacaram o papel que a Rússia desempenha na segurança global.
Tanto as opiniões a favor como as críticas reflectem uma realidade objectiva: a Rússia de hoje é um país não agressivo e pragmático, que não tenta inculcar a ninguém o seu modo de vida e a sua ideologia. A avaliação do Clube Valdai relativamente os “recursos humanos” no desenvolvimento da Rússia também não foi alta. Somente 38% dos inquiridos viram alguns progressos, 12% considera que há uma deterioração e 50% não vêem quaisquer mudanças.
Neste sentido tem relevância a posição de Medvedev quando disse que o desenvolvimento da democracia não pode ir à frente do desenvolvimento do homem, da sua personalidade, educação e auto-estima. A auto-estima é um tema complexo, sobretudo nos últimos anos.
“Há muitos que, mesmo no século XXI, gostam de afirmar que não são livres, que estão humilhados e que não depende nada deles. Esta é uma postura muito cómoda já que, se não podes fazer nada, não se te pode exigir muito”, assinalou Medvedev no Fórum.
Segundo o presidente, um dos critérios importantes do desenvolvimento da democracia é a convicção de que os cidadãos vivem num país democrático. Esta certeza tem que ser máxima mas, na Rússia, é muito baixa. Em parte por razões objectivas, mas também devido à trivial tendência de fuga às responsabilidades.
Não nos devemos render às dificuldades objectivas e isso os membros norte-americanos do Clube sabem-no bem.
“Nós, os norte-americanos, temos muitos defeitos mas a maior parte dos cidadãos dos EUA continua a acreditar na democracia do seu país”, assinalou Timothy Colton, dirigente da cátedra de Administração Pública da Universidade de Harvard. “Pode ser que seja ingénuo, mas esta fé no sistema protege-nos das ditaduras. Graças a esta fé ingénua, os norte-americanos acreditam mais nas instituições e nos “bons” políticos, com competências extraordinárias”, disse Timothy Colton.
Foi talvez por isso que Colton perguntou a Vladimir Putin, em Sochi, como tencionava aumentar o papel das instituições na política russa sem mencionar o papel dos políticos.
Como se depreende do discurso de Medvedev, a Rússia continua a procurar sem êxito uma resposta para esta pergunta. Mesmo assim, tal não teve ser motivo para abandonar a busca.
http://sp.rian.ru/analysis/20100915/127757543.html
http://rian.ru/authors/babich/ "

sexta-feira, setembro 17, 2010

Notícia agradável para mim


Caros leitores, enviaram-me esta fotografia tirada no Aeroporto da Portela de Lisboa. É agradável ver que o meu livro sobre a morte de Samora Machel está a ser bem vendido. Por isso, decidi compartilhar esta alegria convosco.

Líder separatista checheno detido e Rússia exige extradição


A polícia de Varsóvia deteve hoje o líder separatista checheno Akhmed Zakaiev, exilado em Inglaterra e procurado pela justiça russa por atividades terroristas, e Moscovo prepara o pedido de extradição.
Escoltado por agentes do departamento antiterrorista, Zakaiev foi conduzido para a Procuradoria-Geral da Polónia, onde declarou que a Polónia é um país livre e que responderá perante as autoridades polacas sobre as acusações apresentadas pela Rússia.
Zakaiev chegou à Polónia para participar no Congresso Mundial do Povo Checheno, que se realiza entre 16 e 18 de Setembro num dos subúrbios de Varsóvia, organizado pelo governo da República da Itchekéria no exílio, Estado proclamado por rebeldes chechenos que exigem a separação da Chechénia da Rússia.
Na véspera, as forças de segurança da Polónia declararam a sua disposição de deter Zakaiev em cumprimento de um mandado de captura enviado pela Rússia à Interpol.
Hoje, a Procuradoria-Geral da Rússia informou que começou a preparar os documentos para conseguir a extradição de Zakaiev para Moscovo.
“Em relação à detenção de Akhmed Zakaiev no território da Polónia e em conformidade com a Convenção Europeia, a Procuradoria-Geral da Rússia prepara a documentação traduzida para polaco, que será enviada às entidades competentes da Polónia para sua extradição para a Rússia”, anunciou um porta-voz desse órgão.
Donald Tusk, primeiro-ministro polaco, veio dizer que o caso de Zakaiev será resolvido com base nos interesses do Estado polaco.
“Tomaremos a nossa decisão sobre este dossier como tomamos sobre outro qualquer, ou seja, em conformidade com os interesses do Estado da Polónia, bem como da justiça, e não nos deixaremos influenciar por ninguém”, declarou Tusk a uma estação de rádio polaca.
O dirigente polaco sublinhou que “a Polónia realiza uma política independente em relação à Chechénia e a Zakaiev”.
Organizações de defesa dos direitos humanos polacas exigiram a libertação do líder separatista checheno, sublinhando que ele, antes, visitou legalmente o país quatro vezes e que, desta vez, recebeu o visto do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia.


P.S. É minha opinião que Zakaiev não será deportado, porque a política da Polónia face à Chechénia é bem diferente da da Rússia. Além disso, Varsóvia sabe que se ele for entregue, ele não será julgado num tribunal imparcial, mas será simplesmente linchado.     

Faleceu último embaixador soviético em Portugal




Guennadi Guerassimov, último embaixador da União Soviética em Portugal, faleceu na quinta-feira em Moscovo aos 80 anos de idade, informou a rádio Eco de Moscovo.
Guennadi Guerassimov nasceu a 03 de Março de 1930. Depois de terminar o Instituto de Relações Internacionais de Moscovo, trabalhou como jornalista. Entre 1983 e 1966, foi redator principal do semanário Novidades de Moscovo, um dos jornais mais envolvidos no apoio às reformas do dirigente soviético Mikhail Gorbachov.
Guerassimov ocupou, entre 1986 e 1990, o cargo de porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da URSS.
Em 1990, foi nomeado Embaixador da União Soviética em Lisboa, mas ocupou esse cargo apenas durante um ano, pois esse país desapareceu do mapa político em 1991.
Este diplomata soviético ficou conhecido mundialmente a 25 de Outubro de 1989 ao comentar um discurso de Eduard Chevarnadzé, ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS, no programa televisivo “Good morning, America”.
Chevarnadzé anunciou a intenção  da URSS de não se ingerir nos assuntos internos dos outros países, incluindo os Estados do Tratado de Varsóvia.
No seu comentário, Guerassimov comentou com humor que a política externa da URSS seria regida pela “doutrina de Frank Sinatra”, tendo em vista a famosa canção do norte-americano “I Did It My Way”.
Esta política veio substituir a política da “soberania limitada” do dirigente soviético Leonid Brejnev.
Após regressar de Lisboa, o embaixador voltou ao jornalismo, publicando artigos sobre política externa em vários órgãos de informação russos.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Gorbachov avança para criação de Forum “Diálogo Cívico”


Mikhail Gorbachov, antigo Presidente da União Soviética, defendeu a necessidade de organização do Forum “Diálogo Cívico”, cuja assembleia constituinte se realizou hoje.
A ideia da criação desse forum foi lançada por Gorbachov em meados de Julho, numa entrevista ao jornal “Novaya Gazeta”.
O antigo dirigente soviético considera que, na situação atual, é necessário um “diálogo real com o poder”, porque a sociedade está dividida e os partidos existentes, principalmente o “Rússia Unida”, tornaram-se num “instrumento para dizer amén”.
Segundo Gorbachov, o forum deve ser “suprapartidário” e aberto a todos os cidadãos, exceptuando os extremistas.
“O nosso objetivo não é o confronto com o poder, mas o diálogo com ele”, frisou ele, acrescentando que “penso que semelhante movimento será mais livre do que um partido”.
Na reunião constituinte, realizada na Fundação Gorbachov, estiveram presentes cem políticos, defensores dos direitos humanos e homens de negócios.

Kremlin pressiona presidente da Câmara de Moscovo a demitir-se



O Kremlin deu hoje mais um sinal de que a demissão de Iúri Lujkov do cargo de presidente da Câmara de Moscovo é inevitável, não obstante a resistência do dirigente moscovita.
“A questão do prolongamento das competências do presidente da Câmara de Moscovo não é decidida por Lujkov, mas, em conformidade com a legislação da Rússia, é prerrogativa do Presidente”, declarou uma fonte do Kremlin, citada pelas três maiores agências de informação russas.
Na véspera, Lujkov anunciou que não tencionava abandonar o cargo antes de Dezembro do próximo ano e lançou ameaças na direção do Presidente Dmitri Medvedev.
Segundo uma fonte do diário Gazeta.ru, numa reunião da direção de Moscovo do Partido Rússia Unida, de que é um dos dirigentes, Lujkov teria dito: “Sem mim, vós não tereis a maioria em Moscovo” e ameaçou mesmo provocar uma cisão no interior do partido.
Lujkov reagia assim à campanha lançada contra ele nos órgãos de informação russos.
No final da semana passada, vários canais de televisão russos, controlados pelo Kremlin, acusaram o dirigente da capital russa de “corrupção” e de “favorecimento” das empresas da sua esposa, Iúlia Baturina, a mulher mais rica da Rússia e uma das mais ricas do mundo.
Lujkov considerou-se alvo de “uma guerra informativa” e apresentou queixa nos tribunais contra vários órgãos de informação.
Como resposta, um dos canais de televisão visados, o NTV já prometeu para o próximo fim de semana a revelação de novo “material comprometedor”.
“Agora, ele, como oficial, deve dar um tiro na cabeça. Se o presidente da câmara não é oficial, deve envenenar-se”, ironizou Nikita Belikh, governador da província de Kirov.
Antes de ocupar esse cargo, Belikh dirigiu o Partido Causa Justa (liberal) e, na altura, denunciou a corrupção na capital russa.
“Quando nós dizíamos o mesmo sobre Lujkov, eramos atirados para a prisão”, declarou ele ao diário Kommersant.
Serguei Mironov, dirigente do Conselho da Federação (câmara alta) do Parlamento Russo, aconselhou a Procuradoria Geral e o Tribunal de Contas da Rússia a investigarem as atividades de Lujkov, sendo isto interpretado como uma ameaça velada de que o dirigente moscovita poderá ser mesmo julgado se continuar a resistir.
Os analistas políticos vêem neste confronto uma tentativa de Medvedev reforçar a sua influência nas estruturas do poder.
“Se Medvedev conseguir afastar Lujkov, reforçará as suas posições, pois Lujkov sempre foi um homem de Putin. Caso contrário, a autoridade do atual Presidente da Rússia sairá fortemente abalada e poderá pôr em perigo a possibilidade de ele se recandidatar nas presidênciais em 2012”, declarou à Lusa uma fonte em Moscovo.
O cargo de presidente da Câmara da capital russa é importante não só pelo fato de na cidade viverem mais de sete milhões de eleitores, mas também por controlar “importantes correntes financeiras”.