sexta-feira, novembro 12, 2010

Futuro da Aliança Atlântica está na aproximação à Rússia

O futuro da NATO está na aproximação com a Rússia, pois, caso contrário, a sua posterior existência deixa de ter grande sentido, disse à Lusa Fiodor Lukianov, redator-chefe da revista “Rússia na Política Global”.
“A NATO foi criada para enfrentar a União Soviética, mas, hoje, ela não existe. Por isso, a única missão que poderá explicar a existência da Aliança Atlântica é a aproximação à Rússia”, considera.
“No interior da NATO há fortes divergências sobre o seu futuro. Os Estados Unidos querem ver nela um mecanismo de apoio europeu à sua política externa, mas o Afeganistão mostra o resultado. A Europa de Leste vê na NATO uma proteção face à Rússia e a Europa Ocidental fala de novas ameaças, mas de forma muito vaga”, precisou.
Segundo o analista, “quanto menos clareza sobre o futuro da NATO existir no interior dessa aliança, tanto mais se tornará necessária a aproximação à Rússia, isto torna-se a razão da sua existência”.
Fiodor Lukianov não espera resultados concretos da Cimeira Rússia-NATO, que irá decorrer em Lisboa a 20 de Novembro, mas sublinha que Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, não irá apenas para “ficar na fotografia”.
“Não se esperam decisões concretas que alterem qualitativamente as relações entre a Rússia e a NATO. A visita de Medvedev a Lisboa terá um carácter simbólico. Em 2008, Vladimir Putin foi à Cimeira da NATO de Bucareste para manifestar o descontentamento face ao alargamento da Aliança ao Leste da Europa. O atual Presidente russo vai para dizer que o seu país quer relações mais construtivas e concretas com a Aliança”, defende Lukianov.
Quanto às áreas de cooperação entre as duas partes, Lukianov considera que “não passam de boatos as notícias sobre a possível participação de tropas russas ao lado das forças da NATO no Afeganistão”.
“A experiência russa é tão trágica que a sua repetição não passaria de um ato de masoquismo”, frisa.
“Além disso”, continua o analista, “há outra razão cínica, mas realista para não enviar tropas para o Afeganistão: A NATO está a perder a guerra, a vitória é impossível. Por isso, temos de pensar nesse país depois da retirada das tropas da NATO”.
Lukianov considera que é preciso elaborar um “sistema de segurança regional”, enquadradando-se nesse esquema as propostas de Moscovo de preparação de pilotos afegãos em território russo e o fornecimento de armamentos.
No que respeita à criação de um sistema de defesa antimíssil (SDA) europeu, o conhecido analista russo é da opinião que “é mais importante a discussão desse problema do que o resultado”.
“Há muitas perguntas a que se deve responder: O que é o SDA? Qual o papel da Europa nesse sistema? A Rússia e os Estados Unidos é que devem responder a essas questões, mas ninguém quer responder, porque as contradições são muitas”, esclareceu.
“Por essas razões, a visita de Medvedev a Lisboa é simbólica, mas ele não vai lá apenas para a foto”, concluiu Lukianov.



Blog do leitor (Um Ano Depois)

Texto enviado por António Campos:

 
"O dia 16 deste mês marca a estreia de um documentário sobre a vida e morte do advogado Sergei Magnitsky, realizado pelos jornalistas holandeses Hans Hermans e Martin Maat. A data foi escolhida para coincidir com o aniversário da sua morte às mãos das autoridades prisionais russas. Como se sabe, Magnitsky, a trabalhar para a sociedade de advogados Firestone Duncan, contratada pela gestora de fundos Hermitage Capital para investigar a razão dos "raids" à empresa pelas autoridades fiscais, desmascarou um esquema de fraude fiscal de dimensões tão colossais que nunca poderia ter passado despercebido pelas autoridades máximas do país: apossando-se fraudulentamente dos documentos da empresa criminosos ligados à administração russa venderam a mesma a entidades fantasmas, usando-a depois para obter o maior reembolso fiscal de que há memória na Rússia: 230 milhões de dólares reembolsados 2 dias após o pedido.
Após ter prestado testemunho contra os funcionários estatais envolvidos na fraude, Magnitsky foi encarcerado durante um ano sem julgamento e sujeito às mais variadas formas de coacção psicológica e física, destinadas a que o mesmo alterasse o seu testemunho. Apesar da violência a que foi sujeito, que incluiu recusa de assistência médica, encarceramento em condições horríveis (celas húmidas sem janelas, corte de água quente e/ou aquecimento, entupimento das instalações sanitárias - Magnitsky submeteu, enquanto preso, 450 queixas formais ao juiz em protesto pelas condições sub-humanas a que foi submetido), recusou-se sempre a alterar o seu testemunho.
Sergei Magnitsky morreu na prisão no dia 16 de Novembro de 2009, por complicações decorrentes de condições médicas não tratadas.
Como era de esperar, o comité de investigação encarregado de determinar as causas da morte do advogado declarou, em peça recente saída no jornal oficial Rosiiskaya Gazeta, "não ter encontrado razões para crer" que o ocorrido tenha tido alguma relação com actividades dos funcionários encarregados do caso contra o mesmo. Um ano depois do ocorrido, ninguém foi indiciado nem acusado.
William Browder, presidente da Hermitage Capital, tem vindo a desenvolver esforços no sentido de divulgar a fraude de que a sua empresa foi vítima e chamar a atenção para o caso de Sergei Magnitsky. Estes parecem estar a dar alguns resultados no plano político: o Parlamento Europeu está a considerar propor uma proibição de emissão de vistos para os funcionários russos implicados, e alguns estados-membros da UE e outros, tais como o Reino Unido, a Polónia e o Canadá, estão já a considerar a introdução de legislação nacional nessa matéria. Por seu lado, um grupo de parlamentares americanos propôs legislação destinada a congelar os bens e proibir a emissão de vistos para os mesmos indivíduos.
Numa demonstração de solidariedade sem precedentes, no dia 16 o documentário será exibido numa série de órgãos parlamentares em vários países do mundo (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Estónia e Parlamento Europeu).
Talvez esta iniciativa constitua um passo importante no sentido de apelar à consciência dos líderes mundiais que continuam a considerar "business as usual" lidar com um estado criminoso, fazendo vista grossa sobre a monstruosidade do regime. Tal como Estaline quando ajudou a Alemanha nazi nos seus esforços de guerra em 1939-1940, porventura consideram que é do seu interesse fazê-lo. Queira então o destino que o escorpião não os pique quando o estiverem a ajudar a atravessar o rio.
Segue abaixo link para o trailer do documentário "Justice For Sergei", o qual poderá ser visto na íntegra no site http://www.journeyman.tv/.
Nota de José Milhazes: Os dirigentes da prisão onde morreu Magnitsky foram condecorados no passado dia 11 de Novembro.








Mais informações sobre o caso:







www.lawandorderinrussia.org



quinta-feira, novembro 11, 2010

Imprensa revela o culpado do maior escândalo de espiões depois da guerra fria

O diário russo Kommersant revelou hoje o principal culpado do escândalo de espionagem que rebentou entre Moscovo e Washington em junho passado, pouco depois da primeira visita do Presidente russo, Dmitri Medvedev, aos Estados Unidos.
Segundo o jornal, trata-se do tenente-coronel Cherbakov, do Serviço russo de Inteligência Externa (SVR).
Onze presumíveis agentes do SVR foram detidos nos Estados Unidos em finais de junho e foram trocados, em Viena, por quatro cidadãos russos que cumpriam penas de prisão por espionagem a favor do Ocidente. Este foi o maior escândalo de espionagem entre a Rússia e os Estados Unidos depois do fim da guerra fria.
O Kommersant considera que os agentes do SVR foram denunciados por Cherbakov, que, durante muito tempo, dirigiu a secção americana do chamado “Departamento S”, divisão do SVR que se dedica ao trabalho com os infiltrados.
Uma fonte da investigação contou ao diário que a filha de Chervakov vivia há muitos anos nos Estados Unidos, “sem que ninguém tenha estranhado que uma pessoa nesse cargo tivesse parentes no estrangeiros”.
Também não levantou suspeitas a sua recusa em aceitar a promoção que o SVR lhe propôs quase um ano antes do escândalo. Segundo o Kommersant, a oferta foi declinada para evitar o teste do polígrafo, ou detetor de mentiras, obrigatório nesses casos.
O filho de Cherbakov, que trabalhava no organismo russo de controlo de drogas, apressou-se a apanhar um avião de Moscovo para os Estados Unidos pouco antes da detenção dos agentes do SVR em território norte-americano. E o próprio delator fugiu três dias antes da chegada de Medvedev aos Estados Unidos.
“Os americanos procederam às detenções por recearem que suspeitássemos de uma traição e começássemos a retirar dos EUA os nossos infiltrados. Isso colocou a Casa Branca numa situação muito embaraçosa, com os nervos à flor da pele, pois ninguém queria comprometer a primeira visita de Medvedev aos Estados Unidos”, precisou a fonte.
Um alto funcionário do Kremlin disse ao Kommersant que a traição não ficará impune.
“Sabemos quem e onde está ele... Não duvidem que já foi enviado um Mercader para tratar dele”, frisou.
Em 1940, Ramon Mercader, agente dos serviços secretos soviéticos, assassinou Leão Trotski com golpes na cabeça no México. A ordem desse assassínio partiu do ditador comunista, José Estaline.



Influência do azulejo português na Tartária

A pintora tártara Flora Daminova nunca esteve em Portugal, mas são os azulejos portugueses que lhe servem de inspiração.
"Dediquei-me durante muitos anos à produção de recordações de cerâmica, mas, nos últimos 6-7 anos, dedico-me à pintura de azulejos. Vi um filme sobre Portugal, sobre os seus azulejos tradicionais de cor azul e branco. Casas e estações, tabuletas com nomes de ruas, etc. , tudo revestido a azulejos. Que maravilha! Fiquei simplesmente encantada. E decidi experimentar. Não posso parar", declarou ela numa entrevista ao portal eletrónico kazan.24.
Daminova vive e tem uma galeria em Kazan, capital da Tartária, república da Federação da Rússia.
Ficam aqui algumas fotos.












quarta-feira, novembro 10, 2010

União Soviética apoiou aplicação do Acordo de Alvor até vésperas da independência de Angola

Картинка 8 из 14126

A União Soviética apoiou a realização dos acordos de Alvor até às vésperas da independência de Angola, defendendo a criação de um Governo com representantes do MPLA, FNLA e UNITA, escreve Oleg Najestkin nas suas memórias.
Este ex-agente secreto soviético recorda que foi enviado, no início de novembro de 1975, por Moscovo a Luanda para se encontrar com Agostinho Neto e convencê-lo a aceitar uma coligação tripartidária.
“Estive no Ministério dos Negócios Estrangeiros e na Secção Internacional do Comité Central do Partido Comunista da URSS antes de partir para Brazzaville. Fiquei surpreendido com o facto de dirigentes responsáveis desses órgãos, através dos quais passava uma enorme torrente de informação, olharem de forma limitada, míope, para os acontecimentos em Angola”, escreve no livro nas memórias “No círculo de fogo do bloqueio”.
“Em Angola”, continua o agente secreto da altura, “tinha lugar uma guerra, a CIA realizava a sua operação, ocorria uma intervenção estrangeira, mas a mim diziam-me que a atitude da URSS para com o MPLA só podia orientar-se pelas decisões das respetivas conferências internacionais sobre a criação de uma coligação trilateral”.
Segundo Oleg Najestkin, era-lhe recomendado que exercesse “influência sobre (Agostinho) Neto para levá-lo a reconciliar-se com (Holden) Roberto e (Jonas) Savimbi, bem como restabelecer a coligação trilateral”.
Porém, quando chega a Brazzaville, o espião soviético recebeu instruções “mais suaves”: “eu já não devia exercer influência sobre Neto, mas sondar junto dele a possibilidade dessa coligação e a atitude do MPLA face a ela”.
Alguns horas depois, Najestkin recebe instruções ainda mais favoráveis a Neto e com uma assinatura de “alto nível”: “eu devia, em nome do Governo soviético, dizer a Neto que a URSS estava disposta a reconhecer Angola como Estado soberano logo após a proclamação da independência sob a direção do MPLA”.
Depois de numerosas peripécias, o agente soviético chega a Luanda e consegue um encontro com o dirigente do MPLA.
“Depois de saudações mútuas, Neto olhou para mim com um ar duro e interrogativo. Que veio aqui fazer? Tentar novamente convencer a unir-se com os inimigos da revolução de Angola e com os dissidentes do seu movimento, que traíram a causa pela qual tinha sido derramado tanto sangue?”, recorda o agente.
Najestkin explicou a Agostinho Neto que na direção soviética havia os que defendiam a coligação com a UNITA e a FNLA, mas havia os que tinham outra posição e, por isso, ele tinha vindo a Luanda para comunicar a posição oficial do Kremlin, ou seja, o reconhecimento do poder do MPLA.
“Pedimos-vos que nos enviem urgentemente armas de infantaria para armar os cubanos que chegaram a Angola para defender a sua independência. As autoridades portuguesas em Angola compreendem a situação”, pediu então o futuro primeiro Presidente angolano.
O Acordo de Alvor foi assinado em Janeiro de 1975 entre o Governo português e os três principais movimentos angolanos, MPLA, UNITA e FNLA, para a partilha de poder após a independência, mas não foi respeitado pelas partes, que deram depois início à guerra civil que haveria de durar cerca de três décadas.

Cartazes e livros

Como os leitores já devem ter dado conta, na parte da direita do blog apareceu a publicidade da loja on-line Cornucópia, que se especializa na venda de cartazes, livros e outros materiais de países distantes. Recomendo aos coleccionadores de obras de escritores portugueses em línguas estrangeiras, bem como aos interessados em cartazes de países do Leste da Europa.

Divergência sobre mísseis impede conclusão de documento conjunto entre a Rússia e a NATO

O documento conjunto que deverá sair da cimeira Rússia-NATO, a realizar a 20 de Novembro em Lisboa, ainda não está pronto, por falta de acordo sobre ameaça dos mísseis, declarou hoje Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da Aliança Atlântica.
“No campo das ameaças comuns há cinco pontos: terrorismo internacional, Afeganistão, pirataria, defesa de infraestruturas vitalmente importantes e não difusão de armas de destruição massiva, incluindo mísseis”, disse em entrevista ao diário Kommersant.
Segundo Rogozin, não há acordo ainda sobre os mísseis, estando a ser feito um esforço por peritos russos e da Aliança com vista a conseguir um acordo antes da cimeira.
“Ou conseguir um acordo sobre esse ponto e resolver as contradições, ou fixar as posições das partes tal como são. Isso é também um resultado”, frisou.
O embaixador russo precisou que a principal divergência consiste em que a Rússia, ao contrário da NATO, “não tenciona nomear um inimigo”, frisando que “estamos categoricamente contra a demonização de um qualquer país e consideramos que o sistema de defesa antimíssil deve ser adequado ao objetivo”.
“Pensamos que esse sistema deve intercetar mísseis de curto e médio alcance, o que implica a limitação geográfica da instalação, à zona dos riscos. O sistema não deve ter a possibilidade de abater mísseis balísticos intercontinentais. E por último, deve limitar o número de mísseis de interceção”, acrescentou.
Rogozin diz que Moscovo esbarra com a posição dos americanos que dizem não aos três pontos citados.
O diplomata russo considera que a nova doutrina da NATO irá conciliar duas vertentes: a garantia de segurança aos novos países da NATO, mas sem citar a Rússia como ameaça, e a presença em toda a parte para neutralizar as ameaças ao Ocidente a longa distância.
“Mas há uma condição clara que iremos defender: A NATO deve acordar com a ONU e ter um mandato do Conselho de Segurança dessa organização antes de empregar a força física dura”, considera ele.
Rogozin não exclui a possibilidade de em Lisboa se assinarem acordos sobre o fornecimento de helicópteros russos ao Afeganistão e sobre o trânsito de mercadorias desse país para a Europa através do território russo na altura da retirada das tropas da NATO, mas frisa que a conclusão do segundo só terá lugar se “o trânsito não for utilizado para aumentar a entrada de heroína na Rússia”.
Por isso, defendeu a necessidade de controlo pelas autoridades policiais e alfandegárias russas dos comboios que saírem do Afeganistão rumo à Europa.
Quanto à proposta russa feita à Aliança sobre a redução de tropas estrangeiras nos países que fizeram parte da última onda de alargamento da NATO, Rogozin prevê dificuldades, pois os americanos, como compensação, exigem a retirada das tropas russas da Ossétia do Sul e da Abkházia, territórios seperatistas da Geórgia.
“Se conseguirmos explicar aos nossos parceiros que não podemos aceitar isso e compreenderem que esse é o “traço vermelho” que não podemos pisar, então começarão conversações sobre a redução de tropas”, concluiu.

Centenário da morte de Leão Tostoi no CCB

(1828-1910)

DIAS TOLSTOI

20 e 21 Nov 2010

PEQUENO AUDITÓRIO - SALA EDUARDO PRADO COELHO

ENTRADA LIVRE


No dia 20 de Novembro de 1910, o conde Lev Nikolaievich Tolstoi morre na estação ferroviária de Astapovo, prostrado por uma pneumonia. Tinha 82 anos e era uma das figuras mais célebres da Rússia e da literatura mundial. Autor de obras tão marcantes como Anna Karenina, Sonata a Kreutzer, A Morte de Ivan Illich e Ressurreição, foi sobretudo através do monumental romance Guerra e Paz que Tolstoi passou à posteridade. Cristão, pacifista, anarquista, Tolstoi foi isto tudo e nenhuma destas coisas em estado puro. Uma figura única da literatura universal evocada durante um fim-de-semana - aquele em que passam cem anos sobre a sua morte.



PROGRAMA

Fotografias documentais da vida do escritor

Corredor do Pequeno Auditório – Sala Eduardo Prado Coelho


Dia 20 de Novembro
Sábado

15:00 JOÃO LOPES apresenta o filme Guerra e Paz
do realizador Sergei Bondarchuk (1965-1967)

15:20 Filme Guerra e Paz (1.ª parte 140 min.)*

17:40 às 18:00 Intervalo

18:00 ANTÓNIO MEGA FERREIRA
lê excerto da 2.ª parte de Guerra e Paz

18:20 Filme Guerra e Paz (2.ª parte 93 min.)*


Dia 21 de Novembro
Domingo

15:00 Conferência de JOSÉ MILHAZES
Tolstoi, um profeta de utopias

 
15:30 ANTÓNIO PESCADA
Traduzir Tolstoi


JOÃO PAULO COTRIM
lê A Morte de Ivan Illich


FILIPE PINTO-RIBEIRO
A Música na vida de Tolstoi

PEDRO LAMARES
lê excertos de Anna Karenine

17:00 às 17:15 Intervalo

17:15 Filme Guerra e Paz (3.ª e 4.ª parte 77min. + 92 min.)*


*A projecção do filme Guerra e Paz do realizador Sergei Bondarchuk é em DVD num ecrã 4x3 metros



terça-feira, novembro 09, 2010

Empresários com dívidas à Segurança Social não poderão viajar para o estrangeiro

Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre:

"O Serviço de Executores Judiciais da Rússia tenciona, através do tribunal, limitar as deslocações ao estrangeiro de empresários e outros trabalhadores independentes que não tenham pago as contribuições para a Segurança Social (Fundo de Pensões, Fundos de Seguro Médico), até 31 de Dezembro de 2010.
Este ano, os empresários em nome individual já pagaram ao Fundo de Pensões da Rússia (FPR) 12,4 mil milhões de rublos em forma de contribuições, referentes a dez meses de 2010, o que equivale a 28% do total de contribuições anuais devidas, informou ontem, segunda-feira (08/11) o serviço de imprensa do FPR.
Este grupo de profissionais engloba os empresários em nome individual, agricultores (dirigentes de explorações agrícolas privadas), advogados e notários.
No país estão registados 4,3 milhões de contribuintes que pagam as suas contribuições para a Segurança Social com base no valor contributivo anual. Em 2010, esse valor é estabelecido com base no salário mínimo e nas taxas contributivas para os vários fundos sociais (Fundo de Pensões - 20%; Fundo Federal de Seguro Médico Obrigatório – 1,1%; Fundo Territorial de Seguro Médico Obrigatório – 2%) . Assim, este ano o valor da contribuição para o Fundo de Pensões constitui 10.392 rublos.
O pagamento é efectuado separadamente para cada fundo e, no caso do Fundo de Pensões, para os seus dois componentes (componente de acumulação e de capitalização), se o contribuinte tiver nascido depois de 1967. O pagamento pode ser feito de uma só vez ou em várias prestações ao longo do ano. As contribuições para o Fundo de Pensões têm grande importância para o pagamento das pensões actuais e capitalização dos descontos da população activa.
Um representante do Fundo de Pensões sublinhou que o Serviço de Executores Judiciais tem o direito de exigir ao tribunal o pagamento dos valores das contribuições em dívida.
Em 2011, o Serviço de Executores Judiciais tenciona utilizar este direito de forma activa caso o pagamento das contribuições por parte dos empresários e outros trabalhadores independentes não seja feito nos prazos devidos ou na totalidade.
“A pedido do Fundo de Pensões e por decisão do tribunal, pode ser decretada uma medida de coacção como seja a proibição de viajar para fora do país. Infelizmente, a utilização de tais medidas faz aumentar de forma significativa o nível de pagamento das contribuições”, sublinha o Serviço de Executores Judiciais.
Artigo original na agência Ria-Novosti: http://www.rian.ru/pension/20101108/293772786.html



N.T. Por muito “eficaz” que tal medida pareça, a verdade é que esta limita um direito e liberdade consagrados na Constituição do país: a liberdade de deslocação de todos os cidadãos.

Tendo em conta a enorme burocracia que existe nos serviços do Estado, haverá milhares de pessoas com férias marcadas e pagas que se arriscam a ficar barradas nos aeroportos, porque só nessa altura descobrirão que lhes falta pagar qualquer contribuição ou que, já a tendo pago, ainda constem no sistema como devedores. Não será fácil convencer o funcionário do Serviço de Fronteiras russo que se trata de um cidadão cumpridor…

Qual será a proibição que se segue? Os que têm dívidas na farmácia? Quem se esqueceu de pagar o telefone?"

segunda-feira, novembro 08, 2010

Dmitri Medvedev considera que jornalistas devem ser melhor protegidos pelo Estado

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, defendeu hoje que os jornalistas devem ser melhor protegidos pelo Estado do que os representantes de outras profissões.
“O Estado deve seguir muito atentamente o trabalho dos jornalistas e tomar as decisões necessárias quando é atingida a sua integridade física, a sua saúde e a sua vida, isto em maior medida do que noutros casos, tendo em conta a importância social do trabalho dos jornalistas”, declarou, numa conversa com a redação do diário Rossiiskaia gazeta.
“O nível de criminalidade no nosso país ainda é muito alto e existem forças que consideram que podem calar a voz de qualquer pessoa, jornalista, político, com semelhantes métodos”, sublinhou.
O jornalista, observador político e «blogger» do diário russo Kommersant Oleg Kachin foi violentemente espancado no sábado à noite por dois indivíduos perto da sua residência. Está internado em estado grave.
Os colegas consideraram que a agressão está ligada às reportagens e investigações do jornalista.
No domingo à noite, outro jornalista, Anatoli Adamtchuk, foi também agredido por desconhecidos.
Recentemente, escrevera um artigo sobre a prisão de alunos da escola que se tinham manifestado contra o corte de uma floresta em Jukovski, nos arredores de Moscovo.



Comunistas assinalaram 93º aniversário de revolução comunista de 1917

Milhares de comunistas assinalaram, na véspera, em várias cidades da Rússia, o 93º aniversário da revolução comunista, ocorrida a 07 de Novembro de 1917 (25 de Outubro segundo antigo calendário russo), tendo a polícia feito numerosas detenções.
Na capital russa, o Partido Comunista da Federação da Rússia afirma ter trazido para as ruas cerca de 50 mil pessoas, enquanto que a polícia fala em cerca de 2 500 manifestantes.
Entre numerosas bandeiras vermelhas com a foice e o martelo e retratos do ditador comunista José Estaline viam-se cartazes com a reivindicação de “devolver ao povo as riquezas naturais”, “Fábricas aos operários”.
Discursando perante uma multidão constituída por pessoas idosas, Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, afirmou que “o nosso partido torna-se cada vez mais jovem. Nos últimos tempos, aderiram mais de 25 mil jovens”.
O líder comunista prometeu que o seu partido “irá chegar ao poder”.
Depois, vieram as duras críticas ao Governo russo. Ziuganov exigiu o fim da reforma militar nas Forças Armadas, manifestou-se contra a adesão do seu país à Organização Mundial do Comércio, porque “irá destruir a nossa agricultura”, e exigiu que o Kremlin ponha ao fim ao conflito com o Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko.
Grupos de extrema-esquerda tentaram juntar-se à manifestação do Partido Comunista, mas a polícia de choque impediu isso, tendo detido numerosos manifestantes.
“Puseram-me a deitar sangue do nariz, agora estou sentado numa camioneta gradeada,comigo estão várias pessoas”, declarou Serguei Udaltsov, líder da Frente de Esquerda.
A polícia russa deteve mais de cem manifestantes de grupos da extrema-esquerda em São Petersburgo, “berço da revolução de 1917”.

Quase mil atos extremistas e terroristas em nove meses

Entre Janeiro e Setembro de 2010, na Rússia registaram-se quase mil atos extremistas e terroristas, informou Rachid Nurgaliev, ministro russo do Interior.
“Em nove meses, registámos 454 atos terroristas e 510 crimes de caráter extremista”, assinalou ele na cerimónia de condecoração dos melhores funcionários do seu ministério.
O ministro sublinhou que tem lugar a intensificação da atividade de grupos terroristas internacionais, que colocam como objetivo sememear nas pessoas a desconfiança face às autoridades.
Segundo Nurgaliev, obnservam-se tendências muito perigrosas no Cáucaso do Norte, mas, ao mesmo tempo, disse que a polícia cumpre, com honra e valentia, o seu dever nessa região.
Os danos materiais provocados por esses atos são calculados em cerca de 4 mil milhões de euros.
Rachid Nurgaliev constatou igualmente o aumento das proporções do tráfico de drogas no planeta.
Segundo peritos da ONU, os lucros com esse negócio ilegal rondam os 500 mil milhões de dólares e são comparáveis aos obtidos no mercado negro de armas.



domingo, novembro 07, 2010

Nova estrela no firmamento da Fórmula 1

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, prepara-se para dirigir carro de corrida, em São Petesburgo. Foto: Reuters


De capacete com as cores nacionais e decorado com o escudo da Rússia, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, atingiu 240 km/h ao volante de um carro de Fórmula 1 numa pista dos arredores de São Petersburgo neste domingo.
A sessão de alta velocidade foi a última de uma série de desportos radicais amplamente divulgados no país. Os canais russos de televisão mostraram Putin de fato especial de corrida amarelo a sentar-se ao volante de um bólide.
"O meu Zaporojets velho tinha mais espaço", brincou o primeiro-ministro, ao entrar na cabine, referindo-se a um carro soviético conhecido por não proporcionar conforto aos ocupantes.

Durante a corrida que durou algumas horas, o automóvel fez um pião, mas o primeiro-ministro conseguiu endireitá-lo. Ao terminar o percurso, Putin soube que atingiu a velocidade de 240 km/h.
"Nada mau para a primeira vez", afirmou ele.
Antes, o primeiro-ministro voou num jato militar até à Chechénia, emergiu num submarino, conduziu uma moto Harisson Davis de quatro rodas, pilotou um avião pesado de combate a incêndios Beriev-200, marcou baleias numa expedição científica na Península da Kamchatka, observou ursos polares numa ilha do Oceano Ártico, passou férias a pescar e cavalgar na Sibéria e até atirou sobre um tigre para salvar um jornalista na reserva florestal de Ussuriiski.
Alguns analistas políticos consideram que se trata de operações de propaganda com vista às eleições presidenciais de 2012, em que ele poderá tentar regressar ao Kremlin.
Além disso, a empresa francesa Renault passou a ter mais uma imagem publicitária. Como a Rússia terá uma das etapas da F-1 a partir de 2014, em Sochi, será que iremos assistir ao nascvimento de uma nova estrela do volante?

sábado, novembro 06, 2010

Acordo entre Pentágono e empresa com características pouco claras faz perigar relação estratégica com o Quirguistão

Texto traduzido e enviado pelo leitor Filipe Martins:

"Tomando uma atitude que poderá enfurecer um aliado vital na Guerra do Afeganistão, o Pentágono adjudicou um grande contrato de venda de combustível para aviões à Mina Corp., uma empresa com laivos de secretismo e que se recusa a revelar quem são os seus donos, mas que ainda assim tornou-se uma parceira fiável junto das forças armadas norte-americanas.
O contracto, que poderá valer algo na ordem dos 600 milhões de dólares, diz respeito ao abastecimento da base aérea da U.S. Air Force no Quirguistão, uma empobrecida república ex-soviética onde a agitação popular relativa à alegada corrupção nos contratos de venda de combustível para aviões já ajudou a servir de mote para a deposição de dois Presidentes nos últimos cinco anos. Todas as tropas norte-americanas que vão ou vêm do Afeganistão passam por essa base, nos arredores da capital quirguize, Bishkek. Nessa base também estão estacionados os aviões-tanque que reabastecem os aviões norte-americanos que operam sobre o espaço aéreo afegão.
O acordo estabelecido entre o Pentágono, a Mina Corp. e uma empresa associada, Red Star Enterprises, tem estado sob investigação pelo Subcomité de Segurança Nacional e Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes nos últimos seis meses. Desde a Guerra no Afeganistão que estas empresas ascenderam do nada para contratos no valor de 3 biliões de dólares.
Os investigadores do Congresso, próximos ao caso, afirmam não ter encontrado provas ou infracções, mas num relatório que deverá ser entregue no final do mês, criticarão o processo de contratação efectuado pelo Pentágono, dado este ter prestado pouca atenção às negativas consequências diplomáticas e estratégicas destes contratos assinados sob o véu do secretismo.
O anúncio, na Quarta-Feira, de um novo contracto com a Mina Corp., a qual está regitada em Gibraltar, vem no seguimento de um conflito entre a Casa Branca e o Comando Central norte-americano sobre que quantidade de informações deverão ser reveladas sobre estes contratos de fornecimento de combustível. Quando, no ano passado, o Pentágono adjudicou um contrato à Mina, citou “razões de segurança nacional” não especificadas para não efectuar o mais competitivo concurso público. O contracto anunciado Quarta-Feira, ao invés, seguiu-se à revisão de várias outras propostas por parte de outras empresas.
"Nós entendemos a imagem que isto dá. Estamos a tentar mudar o aspecto disto… Não estamos a ocultar nada de extraordinário”, afirmou um alto funcionário do Departamento da Defesa que falou sob condição de anonimato. O objective, afirmou ele, é a "máxima transparência."
Numa declaração pública, o Pentágono afirmou que a Agência de Defesa e Logística seleccionou a Mina Corp. de entre outras nove companhias concorrentes ao contracto, cuja duração inicial é de um ano e tem o valor de 315 milhões de dólares mas que inclui a possibilidade de ser prorrogados por mais um ano. Contractos anuais anteriores com a Mina e a Red Star foram habitualmente prorrogados.
O Representante John F. Tierney, do Massachussets, que lidera o Subcomité que investiga os contractos, disse numa conferência na Quarta-Feira que os concursos públicos representavam um “importante passo em frente”. Ele solicitou ao Pentágono e às autoridades quirguizes que “trabalhassem em conjunto de forma a garantir a transparência” e “maximizar a confiança mútua… na integridade das contratações”.
Segundo os regulamentos contratuais, as empresas não carecem de esclarecer quam são os seus sócios, ainda que as leis norte-americanas estuam que é illegal realizar negócios com empresas que sejam propriedade de determinados indivíduos ou países.
A recusa da Mina Corp. e da Red Star em revelar quem são os seus proprietários segundo o funcionário do Pentágono, “origina fumo. Coloca questões. O que é que eles estão a tentar esconder? Nós reconhecemos este problema”. Mas ele prontamente acrescentou que não há quaisquer provas de haver um “fogo” que desqualificaria as duas empresas.
Segundo pessoal familiarizadas com a questão, a Mina Corp. e a Red Star são controladas por Douglas Edelman, um esquivo empresário californiano que geria um bar e hamburgeria em Bishkek, e um jovem sócio quirguize, Erkin Bekbolotov. Bekbolotov, numa recente entrevista ao Washington Post, disse que a sua empresa tinha cerca de 450 empregados. Contudo, recusou-se dizer onde estes estavam, alegando razões de segurança.
O secretismo destas empresas ajudou a alimentar alegações de corrupção, nomeadamente de funcionários no Quirguistão. Representantes das duas companhias têm repetidamente negado essas alegações, afirmando que o seu “low profile” é essencial para empresas que operam em países onde há hostilidade relativamente aos interesses norte-americanos.
A Presidente quirguize Roza Otunbayeva, ex-embaixadora em Washington que subiu ao actual cargo após violentos protestos em Abril, denunciou a Mina e a Red Star e exigiu que essas empresas fossem banidas, devendo ser substituídas em favor de um consórcio estatal russo-quirguize. Ela levantou esta questão numa reunião em Setembro com o Presidente Obama em Nova Iorque.
Um alto funcionário do Departamento da Defesa afirmou, em, Washington, que “não desconsidera essas preocupações” e ainda poderia realizar contratos com esse proposto consórcio estatal russo-quirguize. No entanto, segundo ele afirmou, “para nós, a questão essencial é que tenhamos um fornecimento seguro e ininterrupto de formaa que possamos continuar o nosso esforço de guerra.”
O anúncio de um novo contracto com a Mina Corp. chega numa altura sensível no Quirguistão, pois o país está a braços com o problema de formar um novo governo após as eleições parlamentares no mês passado.
O resultado final, anunciado Segunda-Feira após semanas de atraso, aumentou o número de políticos que se opõe aos acordos com a Mina e a Red Star. Entre estes está incluído Omurbek Babanov, que detém uma companhia abastecedora rival.

O prometido é devido?

Estas duas fotos foram retiradas do sítio oficial da organização juvenil pró-Kremlin "Jovem Guarda". Elas são ilustração de um artigo sobre os "jornalistas traidores". Numa delas, Oleg Kachin, o jornalista espancado (ver texto abaixo), aparece com o carimbo "Será castigado". E foi mesmo "castigado" de forma cruel, cobardemente espancado.

[Журналисты-предатели должны быть наказаны!]
Oleg Kachin, jornalista do conceituado diário russo Kommersant foi espancado por desconhecidos junto da sua residência na madrugada de sexta para sábado, anunciou o redator-chefe do jornal.
“Oleg Kachin foi espancado perto da sua residência. Os médicos constataram fraturas sérias e foi internado em estado grave num hospital”, precisou Mikhail Mikhailin.
Segundo ele, o jornalista foi atacado por razões ligadas à sua atividade profissional. Oleg Kachin escrevia artigos sobre temas políticos, sobre a atividade de organizações juvenis, bem como sobre a oposição.
Há dois meses atrás, a organização juvenil pró-Kremilin Molodaia Gvardia (Jovem Guarda) ameaçou que “os jornalistas traidores devem ser castigados”. Na lista dos profissionais da informação estava o nome e a fotografia de Oleg Kachin.
A Procuradoria-Geral da Rússia deu início às investigações, considerando que se tratou de “uma tentativa de assassinato”.
Em 2010, oito jornalistas russos foram alvos de agressões e espancamentos.
O Presidente Medvedev já ordenou encontrar os dois canalhas que, segundo testemunhas do ataque, espacaram o jornalista. Se isso não acontecer, como é costume na Rússia, as dúvidas sobre os encomendadores e executores do crime ficarão a pairar no ar.

sexta-feira, novembro 05, 2010

A Rússia poderá vir a fazer parte da NATO?

Durante a sua visita a Moscovo, o secretário-geral da NATO, Anders Forgh Rasmussen, disse que não vale a pena teorizar sobre a possível adesão da Rússia à Aliança Atlântica. Hoje, o deputado socialista português, João Soares, defendeu que “a Rússia deveria fazer parte da NATO”, alegando que essa seria “uma opção fundamental” na resposta aos desafios da organização e uma decisão “de grande audácia estratégica”.
Estou plenamente de acordo com o deputado socialista por várias razões.
Primeiro, a NATO não tem futuro sem uma política clara em relação à Rússia e a intervenção militar no Afeganistão é uma prova disso. Sem uma estreita cooperação entre Moscovo e Bruxelas, será impossível conseguir atingir o que quer que seja na Ásia Central. Por isso, é necessário começar a delinear uma política comum em relação ao Afeganistão e à Ásia Central em geral depois das tropas da NATO abandonarem o território desse país.
Segundo, a segurança europeia passa sempre pela participação da Rússia nos assuntos do Velho Continente como país aí situado. Por conseguinte, também aqui é necessário uma cooperação mais profunda, tanto mais se realmente existirem as ameaças de mísseis e de difusão de armas nucleares de que tanto se fala.
A terceira razão, a que chamaria "cínica", consiste em que o convite da NATO à Rússia colocaria o Kremlin numa situação muito melindrosa. Obrigaria os dirigentes russos a manifestarem as suas verdadeiras intenções face à Aliança Atlântica e eles perderiam um forte espantalho utilizado para assustar grande parte da população do país.
Estou convencido de que seria o pior que se poderia fazer ao Kremlin, pois considero que ele não ousaria dar uma resposta inequívoca.
Não porque a maioria da população seja contra a adesão do país à NATO, porque os dirigentes russos não se preocupam com a opinião, mas por outras razões.
O Kremlin ficaria com muito menos poder de manobra no campo internacional. Os generais russos não gostariam muito da ideia, pois gostam de ser eles a mandar e a gerir as grandes somas atribuídas à reforma militar e à modernização das Forças Armadas russas. Além do mais, a aproximação dos sistemas de fabrico de armamento seria uma longa dor de cabeça.
A minha posição pode parecer paradoxal, mas é fruto da realidade. A NATO pode fazer o convite sem esperar uma resposta imediatamente, mas, ao mesmo tempo, ir ao encontro da Rússia em campos importantes para ambas as partes.
E apenas mais uma nota para terminar. Não posso deixar de apoiar aqui as palavras do deputado social-democrata José Pacheco Pereira, quando afirma que em Portugal se discute muito pouco em termos de Defesa e Segurança. 
Sei que atravessamos uma profunda crise económica, política e social interna, mas, mesmo assim, temos de prestar atenção a outros problemas importantes. 



Detenção de espiões russos é provocação para ensombrar Cimeira da NATO de Lisboa

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros acusou hoje a Geórgia de “provocação” e considerou a detenção de espiões russos um “truque propagandístico”.
“O regime de Mikhail Saakachvili sofre de espionite crónica com base anti-russa. Nos últimos anos, a direção georgiana recorreu várias vezes ao fabrico de escândalos semelhantes, tencionando cinicamente obter dividendos nas políticas interna e externa”, lê-se num comunicado da diplomacia russa.
O MNE da Rússia sublinha que “essa provocação não é ocasional, mas é feita na véspera de vários acontecimentos internacionais importantes: Cimeira da NATO em Lisboa e Cimeira da OSCE em Astana”.
Fonte das forças russas de segurança, citada pela agência Ria-Novosti, declara que “os detidos na Geórgia nada têm a ver com os serviços secretos russos”.
O Ministério do Interior da Geórgia anunciou hoje o desmantelamento de uma importante rede de espiões russos e a detenção de 13 suspeitos, entre os quais quatro cidadãos da Rússia.
Segundo as autoridades georgianas, eles são acusados de terem transmitido a Moscovo informações militares sensíveis.
“Graças a uma operação realizada por funcionários do departamento de contra-espionagem do Ministério do Interior da Geórgia, foram detetadas dezenas de pessoas que colaboram ou estão ligadas, de uma forma ou de outra, aos serviços secretos da Rússia, nomeadamente com a Direção Principal de Reconhecimento (GRU) das Forças Armadas da Rússia”, declarou Otar Ordjonikidzé, porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia.
“Entre eles foram detidas 13 pessoas que são acusadas de espionagem e de se terem juntado aos serviços secretos de um Estado estrangeiro. Quatro deles são cidadãos da Rússia”, acrescentou.
Ordjonikidzé sublinhou que se trata da primeira etapa da operação e que “todas essas pessoas foram detidas em Outubro”.
“Em nome do Ministério do Interior, apelo a todas as pessoas que colaboram com os serviços secretos do Estado estrangeiro que se dirijam voluntariamente ao ministério. Se colaborarem com as autoridades, poderão evitar ser condenadas”, concluiu.
P.S. Até acredito que as autoridades policiais georgianas tenham desmontado uma numerosa rede de espionagem russa, mas também considero que Tbilissi planeou bem o momento da "explosão" de mais um escândalo nas relações com a Rússia. 

quinta-feira, novembro 04, 2010

Milhares de fascistas marcham nas ruas de Moscovo

Нескольких националистов в Люблино задержали за драку



Segundo a polícia, mais de cinco mil militantes de organizações da extrema-direita nacionalista e xenófoba participaram hoje na "Marcha Russa" em Moscovo, mas os organizadores falam em mais de dez mil manifestantes.
A marcha foi autorizada pelas autoridades, mas, mesmo assim, muitos dos manifestantes apareceram de rosto coberto.
Os fascistas vieram para a rua assinalar o Dia da Unidade Popular, que foi instituído em 2005, quando Vladimir Putin era Presidente da Rússia, para celebrar a expulsão dos “ocupantes polacos de Moscovo pelos voluntários populares a 04 de Novembro de 1612”.
Na realidade, ele foi criado para “compensar” o antigo feriado de 07 de Novembro, dia em que se comemora a revolução comunista de 1917 na Rússia.
Organizações nacionalistas realizaram manifestações em várias cidades russas, tendo a mais numerosa ocorrido em Moscovo.
Mais de cinco mil militantes de organizações como Movimento Contra Imigração Ilegal, Força Eslava, Porta-Pendões Ortodoxos e Imagem Russa percorreram as ruas de um dos bairros de Moscovo gritando palavras de ordem nacionalistas e xenófobas.
“Devolvamos à Rússia o poder russo”, “Liberdade para os Presos Políticos”, “Não à Imigração Ilegal”, gritavam.
O movimento juvenil pró-Kremlin “Nossos” organizou outra “marcha russa” de apoio à política das novas autoridades da cidade de Moscovo, que juntou entre 20 a 30 mil manifestantes.
Os manifestantes transportavam retratos de heróis do país: veteranos da guerra, jovens que prestam serviço militar, seus pais, bem como daqueles que “envergonham a Rússia”: pessoas que vendem álcool a menores, produtos fora do prazo de validade e que estacionam mal os automóveis.
“Todos os manifestantes são russos no sentido supranacional, eles ligam o seu futuro ao futuro da Rússia e estão prontos a resolver os problemas que enfrenta o nosso país”, declarou Kristina Poputchik, porta-voz do “Nossos”.
Kirill I, Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, apelou à unidade dos russos, sublinhando que as divergências podem levar à desintegração do pais.
“O nosso país assinala a festa da unidade popular. Um acontecimento ligado à libertação de Moscovo e, depois, de toda a Rússia do jugo estrangeiro, uma enorme lição a todos nós, descendentes das gerações heróicas”, declarou.
“Em 1612, o país esteve no limiar da destruição e da morte”, frisou.
Uma sondagem realizada pelo Instituto Levada Tzentr mostra que apenas 36 por cento dos russos sabem o que se assinala hoje.
Talvez seja esta uma das razões pelas qual Moscovo, a capital do país que deu um dos maiores contributos para derrotar os nazis na segunda guerra mundial, seja palco de manifestações fascistas.
O povo que esquece a sua história, sujeita-se a grandes riscos.

Rússia e Aliança Atlântica prontas para relações iguais

A Rússia e a NATO confirmaram estar prontas para o desenvolvimento de relações iguais e mutuamente vantajosas e esta é a principal conclusão a tirar depois do encontro com Anders Fogh Rassmussen, declarou, na terça-feira, o dirigente da diplomacia russa.

“A principal conclusão… consiste em que ambas as partes confirmaram a sua prontidão e vontade de desenvolvimento de relações normais, iguais, mutuamente vantajosas entre a Rússia e a NATO, de empregar da forma mais eficaz o potencial do Conselho Rússia-NATO”, afirmou Serguei Lavrov.

Segundo ele, Moscovo considera muito importante que a Cimeira Rússia- NATO, marcada para 20 de Novembro, dê um forte impulso político ao reforço das bases da cooperação e parceria mutuamente vantajosas.

“Estamos interessados em que na cimeira sejam tomadas decisões responsáveis, inteligentes, e em que, em Lisboa, possamos fixar a transição da etapa da superação das consequências da guerra fria para a criação de uma parceria verdadeiramente estratégica a fim de resolver as tarefas comuns na esfera da segurança e, antes de tudo, da realização prática do princípio da indivisibilidade da segurança”, acrescentou.

Lavrov sublinhou que os encontros de Rasmussen em Moscovo mostraram o interesse comum em elevar as relações a “um nível qualitativamente novo”.

Ao falar dos desafios que ambas as partes enfrentam, Lavrov citou o terrorismo, o tráfico de drogas, a difusão de armas de destruição em massa e dos meios de seu porte, a pirataria, as diversas catástrofes naturais e tecnogénicas.

“E claro que a isso se acrescenta o grupo de problemas ligados à situação no Afeganistão”, concluiu.

Além das conversações com Lavrov, Anders Fogh Rasmussen reuniu-se com o Presidente russo, Dmitri Medvedev.

Não vale a pena teorizar sobre ingresso da Rússia na Aliança Atlântica

O secretário-geral da NATO, Anders Forgh Rasmussen, declarou hoje que a Aliança e a Rússia se devem concentrar na solução dos problemas práticos e não teorizar sobre a possibilidade da adesão da Rússia à NATO.

“Em conformidade com o Tratado do Atlântico do Norte, nomeadamente com o artigo 10, a NATO pode convidar qualquer país europeu que queira garantir uma segurança euro-atlântica maior e realizar os princípios em que se baseia a NATO”, declarou ele numa conferência de imprensa com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

“Claro que, penso eu, isso inclui a Rússia”, sublinhou, acrescentando que “devemos olhar de forma realista e pragmática para essa questão”.

“Sinceramente falando”, continuou Rasmussen, eu não vi, por enquanto, o pedido da Rússia. Em vez de debates teóricos sobre a futura adesão à organização, parece-me ser correto elaborar uma parceria verdadeiramente estratégica entre a Rússia e a NATO, bem como concentrar-se nos problemas de segurança que enfrentamo”, acrescentou.

“Aconselho a manter a abordagem pragmática da elaboração de uma parceria verdadeiramente estratégica”, concluiu.