domingo, setembro 12, 2010

Guerras informativas voltam à luta política na Rússia


As guerras informativas, muito frequentes nos anos 90 do séc. XX, regressaram à luta política na Rússia, sendo Iúri Lujkov, presidente da Câmara de Moscovo, o principal “alvo a abater”.
O dirigente da capital russa é acusado de corrupção e de favorecimento das empresas da sua esposa, Iúlia Baturina, a mulher mais rica da Rússia e uma das mais ricas do mundo.
Tudo começou em Agosto, quando Moscovo se viu envolta por uma densa nuvem de fumo proveniente dos incêndios florestais nos arredores da cidade. Nessa altura, segundo algumas fontes, Lujkov estava a passar férias nos Alpes austríacos.
Quando regressou à capital russa, o primeiro-ministro Vladimir Putin elogiou a sua decisão de ter suspenso as férias, mas o Presidente Dmitri Medvedev criticou-o pelo atraso na reação aos acontecimentos.
Iúri Lujkov reagiu publicamente e declarou que o Kremlin lhe deu um “pontapé”.
Uma fonte anónima do Kremlin, citada pelas três principais agências de informação russas, acusou o dirigente moscovita de “tentar dividir” o dueto Putin-Medvedev e, na passada sexta-feira, o Presidente russo aconselhou-o a “passar para a oposição”.
Nesse mesmo dia, a Televisão Independente (NTV), controlada pela gasífera russa Gazprom, apresentou o documentário “O segredo está no boné” (os bonés são das peças de vestuário preferidas do dirigente de Moscovo), onde se acusa Lujkov de estar rodeado de corruptos e de dar preferência à esposa, cuja empresa Inteko tem fortes interesses na construção civil na capital.
No sábado, o mesmo canal mostrou uma reportagem sobre a restauração do monumento “Operário e Camponesa”, um dos símbolos da cidade. Segundo o jornalista, os trabalhos, realizados por uma das empresas de Iúlia Baturina, custaram quase quatro mil milhões de rublos (cem milhões de euros).
Hoje, o canal público “Vesti 24” acusou a Câmara de Moscovo de estar por detrás da demolição de edifícios históricos ligados a personalidades como os escritores Mikhail Bulgakov e Alexandre Pushkin, ou o compositor Rimski-Korsakov.
Outro canal público “Rossia” promete mostrar, no principal serviço de notícias, um documentário “O bolo repartido”, também sobre a corrupção em Moscovo.
O canal TVTs, controlado por Iúri Lujkov, reagiu aos ataques considerando que tem lugar “uma campanha cada vez mais semelhante às campanhas do período das guerras informativas dos anos 90” e revelando que o dirigente moscovita, mesmo durante as férias, acompanhava a situação na cidade.
Boris Grizlov, que, tal como Lujkov, dirige o Partido Rússia Unida, comentou que as acusações devem ser “atentamente analisadas”.
Porém, Liubov Sliska, vice-presidente da Duma Estatal (câmara baixa do Parlamento) da Rússia e também dirigente do Partido Rússia Unida, considera que “Lujkov deixou passar o momento oportuno para se demitir”.
Os analistas consideram que estes ataques a Lujkov são mais um episódio da luta entre Medvedev e Putin pelo cargo de Presidente da Rússia nas eleições de 2012.
“Aqui decide-se qual será o candidato. Se Medvedev conseguir afastar Lujkov, reforçará as suas posições. Caso contrário, se os homens de Putin vencerem nesta contenda, Putin será o candidato nas presidenciais”, defende a politólogo Maria Litvinovitch, em declarações à rádio Eco de Moscovo. 

sábado, setembro 11, 2010

Contributo para a História (O Rei das Guerras de Espionagem)


Recentemente, foi publicado o livro do jornalista russo “O Rei das Guerras de Espionagem” sobre Victor Louis, uma das personagena mais enigmáticas da História Soviética.
Nascido a 05 de Fevereiro de 1928 em Moscovo, Victor Louis tem uma infância igual a muitas das crianças e jovens soviéticas da sua geração. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ele  trabalhou na Embaixada dos Estados Unidos e Grã-Bretanha em Moscovo, de onde foi rapidamente despedido.
Aguentou-se mais tempo na Embaixada do Brasil, mas foi detido pela polícia política soviética (NKVD) quando, em 1947, tentou fugir para esse país através de Leninegrado e condenado a 25 anos de prisão num dos campos de concentração do GULAG.
Em Agosto de 1956, foi amnistiado e emprega-se como tradutor de Edmund Stevens, correspondente anglo-americano na capital soviética.
Entre 1951 e 1980, foi correspondente dos jornais The Evening News e do The Sunday Express, tornando-se o único soviético a poder exercer essas funções na URSS.
Não existem provas de que ele tivesse sido agente da polícia política soviética KGB, mas as suas actividades apontam para isso.
Em Outubro de 1964, é o primeiro jornalista a noticiar no estrangeiro a destituição de Nikita Khrutchov do cargo de dirigente do Partido Comunista da União Soviética.
Em 1967, Louis vendeu no Ocidente, sem a autorização da autora, o manuscrito “20 Cartas a um Amigo”, escrito por Svetlana Allilueva, filha do ditador comunista José Estaline. A versão por ele vendida estava deturpada e foi a primeira a sair para as livrarias com vista a neutralizar o sensacionalismo da publicação do original nos Estados Unidos.
Em 1968, ele vende também no Ocidente o manuscrito “O Pavilhão dos Cancerosos” de Alexandre Soljenitsin. Segundo a esposa do escritor, isso foi feito para impedir a publicação dessa obra na URSS.
Victor Louis realizou várias operações diplomáticas secretas entre a URSS e países com quem ela não tinha relações diplomáticas: Taiwan, Israel, Espanha, Portugal.
Esta misteriosa figura da história soviética ficou também conhecida por ter conseguido a autorização de saída da URSS para numerosos judeus.
Faleceu num dos hospitais de Londres em 1992, tendo ainda assistido à queda do país que serviu durante muitos anos.

Trecho do livro:

“Em Janeiro de 1974, Louis viajou a Portugal, com o qual Moscovo não tinha relações diplomáticas: o regime de Salazar (já falecido nessa altura) era um dos mais longos regimes fascistas na Europa. Mas o principal residia noutro campo: Portugal era uma das maiores potências coloniais, o regime agonizava e as feras já começavam a dividir a “herança africana” do tio português.
Louis esteve em Portugal pela primeira vez em Lisboa em 1971 para “cheirar” e “apalpar” terreno, bem como visitar o país com as suas praias fantásticas, comer marisco e beber o famoso Vinho Verde, ou seja, como um turista. Agora, ele procura encontros com o general português caído em desgraça Spínola, em quem Moscovo via um futuro líder “cómodo do país”, e, paralelamente, foi ao Ministério do Interior pedir um visto de turismo para as colónias ultramarinas. Ele foi concedido e, ao fim da tarde, Victor já estava no escritório da companhia aérea portuguesa para encomendar o bilhete para a Luanda, a principal cidade de Angola. Daí, após um longo voo, foi ao Norte “visitar” as minas de diamantes, o que irá interessar a URSS depois da “revolução dos cravos” em Portugal e da independência das suas colónias. “Nós também exploramos diamantes, mas não concorremos com os vossos” – declarou profeticamente Louis, porque, pouco tempo depois, o governo pró-soviético de Neto da Angola independente irá apoderar-se das minas...
Depois de se encontrar com o dirigente angolano Agostinho Neto, Louis voou para outra colónia portuguesa, Moçambique, onde também era preciso estudar o terreno e marcar com bandeiras para facilitar a “entrada soviética””.
P.S. Seria interessante verificar nos arquivos da PIDE se existem rastos da passagem de Victor Louis por Portugal, embora seja possível que esse dossier tenha desaparecido com os outros documentos desses arquivos que foram trazidos para Moscovo com a ajuda do Partido Comunista Português.
Mas uma coisa posso afirmar com certeza: Victor Louis esteve em Angola pouco antes do 25 de Abril, o que me foi confirmado pelo piloto português que o transportou pelos ares dessa antiga colónia portuguesa.

Blog dos leitores (Os Novos Pobres)


Texto traduzido e enviado por António Campos e Cristina Mestre

"A pressão sobre o Kremlin continua a aumentar. Os factores que impulsionaram a economia russa no início da década (elevados preços dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais, mão de obra barata e capacidade produtiva por utilizar) estão esgotados. As reformas económicas iniciadas nessa altura foram virtualmente interrompidas e todos os outros factores necessários ao crescimento económico estão iguais ou piores do que há dez anos, uma vez que a manutenção do status quo é condição essencial para a preservação da actual plutocracia no poder. Porém, o economista Mikhail Delyagin, numa entrevista para o jornal online Novii Region, argumenta que as recentes transformações na sociedade russa deram origem a uma volumosa força social a que chamou os "novos pobres" (um trocadilho com o conceito de "novos ricos" em voga nos caóticos anos 90, classe que se tornou dominante na sociedade de então), cuja consciência cívica e percepção de que o estado não tem o menor interesse na população poderão tornar-se, no médio prazo, numa pedra no sapato do regime.

Deixo aqui os meus agradecimentos à Cristina Mestre, cujo precioso apoio na tradução do artigo original em russo foi mais do que essencial.

Na Rússia, pela primeira vez em 20 anos, surgiu uma classe social disposta a confrontar o poder

Os últimos anos na Rússia têm sido palco de enormes transformações sociais. Pela primeira vez em 90 anos, formou-se na sociedade uma "nova maioria" (os "novos pobres"), afirmou numa entrevista ao Novii Region o economista e director do Instituto para os Problemas da Globalização Mikhail Delyagin.

"Nos anos 90, éramos todos indigentes ou muito pobres; agora formámos um grupo que se pode designar por pobres da "classe alta", disse Delyagin. Trata-se de pessoas com rendimentos para comprar alimentos e vestuário, mas sem dinheiro para adquirir bens duráveis. Continuam a ser pobres, uma vez que se o frigorífico se avariar, não têm dinheiro para comprar outro. Este estrato, que constitui 48% da população, já não se enquadra na definição de "pobre".

Este é um resultado muito bom, e a primeira vez que quase metade da população pertence a uma classe social em termos de bem-estar. Por outro lado, faz com que as suas exigências em relação ao estado aumentem, exactamente numa altura em que este decidiu que pode fazer o que quiser com a "escumalha".

De acordo com especialistas, este novo grupo social começou já a manifestar-se em situações críticas e a aperceber-se de que os seus interesses e os do estado não coincidem.

"Assistimos ao primeiro choque destas posições no caso dos incêndios. As pessoas defendiam-se a si próprias e, nas informações dadas aos voluntários, repetiam: "lembrem-se que para o estado vocês não são nada e ninguém vos irá prestar atenção". Entre outros temas, apercebemo-nos deste fenómeno através do interesse suscitado pelo projecto de lei sobre a polícia. Trata-se do despertar de uma situação em que a população começa a tomar consciência dos seus direitos e a defendê-los", prediz o director do Instituto para os Problemas da Globalização.

A situação é agravada pela insatisfação que existe na sociedade russa quanto à justiça, no seu sentido mais lato.

"Um exemplo do aumento da desigualdade é a humilhação pública dos pensionistas militares, que foram preteridos quando do aumento das prestações de todos os outros reformados. O caso teve um grande impacto na sociedade russa. O estado não precisa das pessoas que o defendem. Quando se mostra tão abertamente que não se precisa das Forças Armadas do país, surge uma questão: Porquê? E, consequentemente, ficamos com a impressão que eles julgam que serão defendidos não pelo exército russo mas sim por outro qualquer – americano, inglês, israelita, suíço – ao que parece, no seu próprio país”, diz  Mikhail Delyagin.

Começam a surgir motivos para o conflito entre o poder e o povo na sociedade russa

“O Outono será palco de um brusco aumento dos preços de alguns produtos alimentares. Em termos gerais, podemos ter a certeza de que os números oficiais para a inflação não ultrapassarão os 10%, já que este constitui um limite politicamente importante”, refere o economista. “Mas as estatísticas oficiais têm tanto a ver com a realidade como as promessas do partido Rússia Unida relativamente às suas acções. Por conseguinte, a vida tornar-se-á mais difícil”. 

Há indícios preocupantes vindos no sector metalúrgico, o qual costuma, com um desfasamento de seis meses, produzir sinais de alarme sobre problemas na economia em geral. Problemas relacionados quer com a procura limitada nos mercados mundiais devido à recessão económica, quer com questões internas ligadas à situação sofrível das dívidas, à  excessivamente rígida política financeira do governo, à concorrência por parte dos artigos importados, etc.”.   

A situação na economia russa irá agravar-se, prediz o economista. Os preços vão aumentar, levando a uma deterioração do nível de vida. No entanto, não ocorrerá uma catástrofe. 

“É um exagero dizer que, a seguir ao trigo mourisco, tudo o resto irá quintuplicar de preço. O estado irá usar formas de travar estes aumentos. Naturalmente que tal é pouco eficaz, mas desviará o cenário de catástrofe.  Ocorrerão problemas, que se agravarão a 1 de Janeiro com o aumento tradicional das tarifas dos serviços habitacionais, com a maior agressividade dos funcionários do estado, que se lançam às pessoas como cães, e pelo facto de muitos serviços estatais passarem a ser pagos. Tudo isto prejudica o bem-estar das pessoas”.

“Não nos espera nada de catastrófico, mas sim uma lenta e progressiva deterioração da situação”, resume Mikhail Delyagin. “Tal poderá precipitar a consolidação do emergente grupo social dos “novos pobres””.  

Medvedev deu à Rússia mais democracia do que Putin


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considera que a democracia é a única possibilidade para o desenvolvimento da Rússia e que, apesar da sua história controversa, deve evoluir como instituto político.
“Na democracia está o desenvolvimento da Rússia, tanto do seu sistema político, como do económico, e é normal que evolua, visto que se trata de uma instituição política”, declarou Medvedev numa reunião com politólogos russos e estrangeiros durante o forum político internacional de Iaroslavl.
Medvedev frisou que, no seu país, actualmente há mais democracia do que "há cinco anos atrás". 
Nessa altura, a Rússia era dirigida por Vladimir Putin, hoje primeiro-ministro russo. 
O Presidente russo assinalou, por outro lado, que não vê nenhuma alternativa à modernização que está a ser realizada na Rússia e que já se transformou num fenómeno interiorizado pela sociedade russa.
“Não existe nenhuma alternativa constitucional à modernização da economia e do sistema político”, sublinhou Medvedev, acrescentando que o que se debate são “as formas de levá-la a cabo”.
Porém, ele reconheceu que a modernização não avança com a rapidez desejada, embora já tenha dado alguns resultados.
Além disso, frisou que os funcionários e o mundo dos negócios ainda não deram conta de que se trata de um processo a longo prazo.
“O problema não reside em que alguns estejam contra a modernização, mas em que a maioria dos funcionários e empresários vêem-na como algo passageiro”, lamentou.
Quanto às relações com os Estados Unidos, o dirigente russo aconselhou a Casa Branca a “ultrapassar os ciúmes” e a avançar para um novo sistema de segurança na Europa.
“O mundo não poderá sobreviver sem ele”, frisou.
Medvedev recordou que as estruturas de segurança existentes na Europa, incluindo a OSCE, não funcionaram quando a Geórgia usou da força para recuperar o controlo da Ossétia do Sul.
“É necessário criar instituições operativas que integrem os países da NATO e os não membros..., unir todos os Estados, as estruturas sociais e as alianças militares numa plataforma onde a segurança não seja fragmentada, mas seja debatida nos mais diversos aspetos”, concluiu.   

sexta-feira, setembro 10, 2010

33 anos na Rússia


Há dias inesquecíveis para qualquer um de nós além dos inevitáveis dias de aniversário do nascimento. Para mim, um deles é 10 de Setembro de 1977, dia em que aterrei em Moscovo vindo de Lisboa num avião Tupolev 154.
Tratou-se de uma viragem radical na vida vida, mas não estou arrependido. Tive a oportunidade de conhecer novos mundos, embora isso significasse também a perda de muitas ilusões.
Foi um processo doloroso e longo, mas mais curto do que o exigido pelo dirigente cubano Fidel Castro para reconhecer que o sistema comunista não funciona.
(Escrevo isto baseando-me numa entrevista recentemente dada por Fidel Castro de que tenho sérias dúvidas de que seja verdadeira, parcial ou totalmente).
Como todas as mudanças radicais, também a minha teve momentos bons e maus, mas não estou arrependido. A minha vinda para a URSS/Rússia permitiu-me fazer coisas que nunca sonhei fazer, por exemplo, dedicar-me ao jornalismo.
Sonhei ser missionário, advogado ou historiador, mas jornalista, nunca! Mera ocasionalidade! Mas “seria pecado” não ser jornalista quando se vive num país onde a História dá voltas de 360 graus. Foi-me feito o desafio e aceitei-o imediatamente.
Vivo na Rússia há mais tempo do que em Portugal, mas o meu país continua (e isto é dito sem patriotismo balofo) a ser Portugal, as minhas raízes da Póvoa de Varzim, Caxinas continuam bem vivas e fortes.
No entanto, a Rússia foi para mim a casa que me acolheu, foi aqui que frequentei a Universade, que me casei e nasceram os meus filhos. Não, não lhe quero chamar “segunda pátria”, porque não gosto do adjectivo “segunda”, prefiro dizer que é a minha “outra pátria”, também querida.
Alegro-me com os russos nos bons momentos e fico triste, choro mesmo com eles nas horas mais trágicas e difíceis. É minha opinião pessoal, mas acho que os povos russo e português têm muitos traços comuns, para o bem e para o mal.
No entanto, não confundo o povo e o poder na Rússia, pois acho que os russos merecem melhor, muito melhor...
Mas isso é outra conversa... e, além do mais, vivendo há 33 anos na Rússia, não tenho direito a voto, sou apenas um observador, imparcial quanto possível. 

quinta-feira, setembro 09, 2010

Guerra civil no Cáucaso continua


As autoridades da Ossétia do Norte ordenaram a evacuação de todas as escolas e infantários de Vladikavkaz, capital dessa república do Cáucaso do Norte russo, receando novas explosões.
“Para o Ministério da Educação telefonou um desconhecido que afirmou que iria ocorrer uma explosão numa das escolas de Vladikavkaz”, anunciou o Ministério do Interior da Rússia.
Antes, a explosão de um automóvel no mercado central de Vladikavkaz, capital da república da Ossétia do Norte, no Cáucaso do Norte russo, fez subir o número de mortos para quinze e o de feridos para cerca de oitenta, entre as quais quatro crianças informam as autoridades policiais.
O Presidente da Ossétia do Norte, Taimuraz Mamsurov, declarou que o automóvel explodiu ao passar perto da entrada do mercado, sublinhando que o carro era conduzido por um suicida.
As autoridades policiais informam que o condutor do automóvel já foi identificado, tratando-se de um habitante da Inguchétia, república vizinha do Daguestão.
Segundo testemunhas citadas pelas agências russas, a explosão, que ocorreu às 11. 30 horas (08.30 horas em Lisboa) foi tão forte que partiu os vidros em numerosos edifícios das redondezas e destruiu quase totalmente o edifício do mercado.
As autoridades policiais calculam que a potência do explosivo equivale a trinta quilogramas de trotil.
A polícia isolou o mercado e começou investigações, apontando o terrorismo como causa única do incidente.
O Comité Nacional Antiterrorista da Rússia não exclui a possibilidade de os terroristas terem instalados explosivos noutros bairros de Vladikavkaz.
Este incidente é mais um episódio dos confrontos entre as forças de segurança e guerrilheiros islâmicos que lutam opela separação do Cáucaso do Norte da Rússia.
A onda separatista começou na Tchetchénia nos anos 90 do séc. XX e alargou-se a outras repúblicas do Cáucaso do Norte: Daguestão, Inguchétia, Ossétia do Norte e Cabardino-Balkária.
Trata-se de uma guerra civil que parece não ter fim.

Blog dos Leitores (O Novo Cibervigilante)

Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre: 

"Há umas semanas, a blogosfera russa ficou chocada com uma história passada em Vladivostok, envolvendo uma mãe solteira a quem tinham diagnosticado cancro na mama. A lista de espera para uma operação era tão longa que a mãe decidiu tomar o destino nas suas mãos. Tendo tido quatro anos de formação médica, administrou a si própria um anestésico, pegou num bisturi e extraiu o tumor. A operação foi realizada na sua sala de estar, com as duas filhas fechadas na cozinha.
Por mais bárbaro que o caso seja, ele reflecte uma notável mudança na mentalidade russa. Os russos estão a abandonar a crença errada, com raízes no paternalismo soviético, de que o governo é responsável pela resolução dos seus problemas. Agora, estão a resolver os assuntos por si próprios.
 Por exemplo, na sequência dos incêndios deste Verão, apareceu no LiveJournal a comunidade online pozar_ru. Com o auxílio deste site, voluntários continuam, até hoje, a organizar grupos que se deslocam para apagar os fogos e a coordenar a recolha e a distribuição de assistência às vítimas.
 Na semana passada, a Internet ajudou outras vítimas de forma diferente. Um site local em Riazan relatou que dois camiões com ajuda humanitária enviados de Novossibirsk, tendo chegado à cidade de Chatsk foram imediatamente enviados para a lixeira por burocratas locais. Quando os meios de comunicação souberam da notícia, as autoridades foram forçadas a tomar medidas, incluindo o despedimento do funcionário público responsável pelo auxílio às vítimas dos incêndios.
Hoje em dia, na Rússia, a Internet tornou-se num vigilante colectivo que está a forçar os burocratas a mexerem-se mais depressa do que estavam habituados. E não é só nos burocratas que o impacto se faz sentir, é também na Polícia.
No dia 1 de Setembro, na estrada entre Iekaterinburg e Tiumen, um grupo de indivíduos saiu dos seus carros e atacou outra viatura. Os suspeitos partiram os vidros com tacos de baseball e dispararam balas de borracha contra o pára-brisas. A Polícia não conseguia encontrar os suspeitos. De acordo com a versão oficial, as viaturas dos atacantes não tinham chapas de matrícula, e uma busca nas aldeias circundantes não deu resultados.
 "Leste a versão da Polícia?", perguntou o utilizador do LiveJournal pilgrim_67. "Três rapazes de uma aldeia ostentando correntes de ouro estavam cansados de acarretar estrume. Então, correram para os seus "humildes carros de aldeia" (um Audi, um Volkswagen e um Opel) e fizeram-se à estrada. Depois, foram contra um transeunte e voltaram à aldeia, para carregar estrume outra vez".
O blogger ficou furioso com a incapacidade (ou falta de desejo) da Polícia de encontrar os suspeitos. Então, pilgrim_67 decidiu ele próprio investigar.
Uns quantos cliques no Google deram algumas pistas. Nesse dia, dois condutores tinham avistado carros que pareciam corresponder à descrição das viaturas dos atacantes. Estes carros tinham violado inúmeras regras de trânsito. Alguém chegou mesmo  a fotografar os carros, tendo publicado a fotografia na Internet. Nessa foto, era possível ver claramente a chapa de matrícula de um dos carros, a mesma que, na versão do inspector de trânsito, não existia.
Com a matrícula, não foi difícil descobrir a identidade de pelo menos um dos condutores. Ao fim do segundo dia de trabalho como detective privado, pilgrim_67 tinha já publicado as suas fotografias. Acabou por se saber que o indivíduo era o filho de um oligarca menor, deputado local e membro do partido Rússia Unida.
 Talvez isto explique a razão pela qual a Polícia, que teve o seu trabalho feito pelo blogger, não fez nada. No entanto, por esta altura, o blog de pilgrim_67 tinha sido lido na cidade de Bogdanovichi, nos Urais, onde a vítima vivia. Os homens nos Urais são muito diferentes dos seus indulgentes compatriotas das grandes cidades. Um grupo reuniu-se e deslocou-se (com tacos de baseball na mão) à morada do suspeito. A Polícia teve dificuldade em convencê-los a voltarem para casa. Para evitar um bando de linchamento, a Polícia teve que deter um dos suspeitos, que mandou em liberdade sob fiança no dia seguinte.
Tal foi provavelmente um erro. Para manter os suspeitos vivos e de boa saúde, a Polícia deveria tê-los prendido. Na era da informação, estas pessoas podem fugir mas não se podem esconder. O Big Brother do século XXI, mais conhecido por Internet, está atento.

Artigo original: http://www.themoscowtimes.com/opinion/article/the-new-cyber-watchdog/414784.html "

quarta-feira, setembro 08, 2010

Incêndios florestais destroem mais de 400 casas no Altai


As chamas de incêndios florestais devoraram completamente a aldeia Nikolaevka, região de Altai, tendo consumido 433 casas, anunciou Irina Andrianova, porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
“1 166 habitantes da aldeia foram evacuados”, acrescentou.
Na região, situada na fronteira com o Cazaquistão, grassam vários incêndios que obrigaram à evacuação de mais de 1 200 pessoas.
“A área dos incêndios é de cerca de mil hectares”, anunciou o Ministério para Situações de Emergência.
Esta é a terceira onda de incêndios a atingir o teritório da Rússia.
A primeira, que ocorreu no início de Agosto e atingiu a região central da parte europeia da Rússia, provocou 53 mortos, destruiu mais de 800 habitações e desalojou mais de mil pessoas.
No início de Setembro, os incêndios florestais, na região meridional da parte europeia do país, mataram sete pessoas, feriram 33 e devoraram 530 construções, 400 das quais habitações.


segunda-feira, setembro 06, 2010

Presidente interino da Moldávia anuncia intenção de marcar eleições parlamentares antecipadas

Mihai Ghimpu, Presidente interino e dirigente do Parlamento da Moldávia, anunciou que irá dissolver o Parlamento quando a Comissão Eleitoral anunciar oficialmente a invalidade do referendo constitucional ontem realizado.
“Lamento que os cidadãos da Moldávia  não tenham entendido a importância deste plebiscito para a superação da crise constitucional e política no país”, declarou ele à televisão moldava depois de terem sido anunciados os dados prévios sobre a aflûência às urnas.
Ghimpu considerou também que parte da culpa pelo fracasso do referendo é da “Aliança pela Integração Europeia”, porque os partidos-membros não criaram uma sede de campanha única e não coordenaram acções. 
O referendo constitucional na Moldávia, destinado a pôr fim a uma longa crise política, foi invalidado por não ter sido atingida a taxa de participação eleitoral mínima (33 por cento), segundo os resultados oficiais praticamente totais.
“A taxa de participação provisória de 29,67 por cento é representativa e quase definitiva”, declarou o secretário da comissão eleitoral central, Iuri Cocan, numa conferência de imprensa.
“Era necessário que um terço dos eleitores participasse no referendo para que este fosse considerado válido”, acrescentou.
O referendo constitucional, organizado pela coligação pró-europeia que venceu as últimas eleições legislativas, tinha por objetivo pôr fim à crise política que se arrasta desde os tumultos da primavera de 2009 e que levaram ao afastamento dos comunistas do poder.
A coligação liberal-democrata não conseguiu, até agora, fazer eleger o seu candidato a Presidente da República através do Parlamento. O referendo visava precisamente alterar a forma de eleição presidencial para uma eleição por sufrágio direto.
O Partido dos Comunistas da Moldávia (PCM), que dirigiu durante oito anos consecutivos este país de mais de quatro milhões de habitantes, situado entre a Ucrânia e a Roménia, apelou ao boicote do referendo. Os comunistas consideram que o plebiscito é um pretexto para evitar eleições antecipadas.
A convocação de eleições parlamentares antecipadas, que, segundo o Presidente moldavo, poderão realizar-se em Novembro próximo, é a única forma constitucional de sair da profunda crise política em que mergulha o país mais pobre da Europa.

domingo, setembro 05, 2010

Blog dos leitores (Falsos Diplomas = Falsa Modernização)


Texto traduzido e enviado pelo leitor António Campos:

"O jornalista Michael Bohm, editor da coluna de opinião do Moscow Times, acaba de publicar uma peça extremamente interessante sobre a corrupção no sistema educacional russo, o seu impacto no processo de modernização do país e, sobretudo, sobre a vontade das autoridades para resolver o problema. Aqui vai:

Falsos Diplomas = Falsa Modernização

Há três semanas, a cadeia de televisão NTV relatou que mais de 70 engenheiros  a exercer actividade numa fábrica de aeronaves em Komsomolsk-no-Amur, na região de Khabarovsk, tinham obtido falsas licenciaturas em engenharia de uma universidade técnica local. Esta fábrica militar de alta segurança, pertencente ao grupo Sukhoi, detido pelo estado, realiza a montagem dos caças Su-27, Su-30 e Su-35, bem como do aguardado avião comercial Superjet 100. É claro que o comércio de diplomas falsos não é novidade nenhuma.  No entanto, o número de funcionários envolvidos neste caso é desconcertante.

Os gestores da Sukhoi mostraram uma atitude desinteressada em relação ao escândalo e recusaram-se a despedir os funcionários, referindo-se a uma regra da empresa que indica que os mesmos só podem ser despedidos caso tenham cometido "crimes graves" (de acordo com o Código Criminal, a compra de um diploma falso está sujeita a uma sentença máxima de 80.000 rublos e dois anos de "trabalhos correccionais"). A mesma equipa de gestão explicou também que os diplomas constituíam uma mera formalidade, uma vez que os engenheiros eram funcionários da empresa há vários anos, tendo garantido que nenhum dos visados estava envolvido na produção de aeronaves.

Este é um caso clássico de negação da realidade. A Shukhoi fingiu ter "aumentado as qualificações dos trabalhadores", transformando instantaneamente dezenas de empregados com curso secundário em engenheiros com graus universitários. Até terem sido apanhados, todos parecem ter ganho com o esquema. A fábrica reportou à sede da Sukhoi em Moscovo que cumpriu o plano relativamente ao número de engenheiros universitários no seu pessoal, os trabalhadores receberam um pequeno bónus pelo seu novo nível de competências e todos fingiram que estavam a fabricar aviões melhores.

O escândalo dos diplomas falsos na fábrica da Sukhoi foi também único na medida em que foi dado início a uma investigação. Estes esquemas quase sempre passam despercebidos (com a excepção de casos deliberadamente mediáticos, tal como quando as autoridades quiseram desacreditar o então presidente da câmara de Archangelsk, Alexander Donskoi em 2006, revelando que este tinha comprado o seu diploma). Existem também muitos casos ridículos que obtêm notoriedade pública; por exemplo, em Outubro, quando um grupo de falsificadores tentou vender diplomas de Harvard a russos por 40.000 dólares cada, ou quando foi tornado público que Marina Petrova, vencedora do prémio de "Melhor Professora na Rússia - 2007", tinha comprado um diploma universitário falso.

De acordo com uma peça do Izvestia de 20 de Julho, os diplomas falsos mais populares são em direito, seguindo-se-lhes os de medicina.
Embora o problema seja enorme, as entidades empregadoras raramente verificam a validade dos diplomas dos seus candidatos. O FSB, o Ministério do Interior e outras organizações governamentais na área da segurança e da defesa, têm  o dever de verificar todos os diplomas, sendo porém negligentes na matéria, tal como o escândalo da Sukhoi demonstra. Sensivelmente um em três polícias tem um diploma falso, diz Alexander Yudin, antigo director de pessoal do Ministério do interior, nessa mesma peça do Izvestia.

No sector privado, a maioria das empresas russas não se dá ao trabalho de verificar os diplomas dos candidatos, e as poucas que o fazem dão com o nariz na porta das universidades, que alegam que a informação é "confidencial" (é interessante notar que são aplicadas regras totalmente diferentes aos estrangeiros candidatos a autorizações de trabalho russas. Estes devem apresentar às autoridades apostilhas provando a validade dos seus diplomas estrangeiros).

Durante anos, o governo prometeu criar uma base de dados centralizada para que as entidades empregadoras possam verificar os diplomas apenas com um clique do rato. Contudo, tem vindo a haver falta de vontade política para iniciar o projecto. No entanto, mesmo que essa base de dados fosse criada, seria inútil contra os que pagam para que os seus diplomas falsos sejam registados oficialmente numa universidade, com a aprovação do reitor.

Os estudantes que se esforçam honestamente levam por tabela. Independentemente dos seus esforços, os seus diplomas serão inevitavelmente desvalorizados pela corrupção generalizada no sistema de educação superior do país. No meio desta desvalorização a nível nacional, demasiadas pessoas  passam a encarar um grau académico como uma mera formalidade, tal como o caso Sukhoi demonstra.

Para os que se arrepiam um pouco face à pura e simples compra de um canudo, existe uma forma mais "respeitável" de conseguir essencialmente a mesma coisa: pagar a alguém para escrever a tese de doutoramento ou de candidato (que é um grau entre um mestrado e um doutoramento).

O número de pós-graduações disparou desde o colapso da União Soviética. Mikhail Kirpichnikov, director do Comité de Certificação Superior, órgão governamental que regula a concessão de pós-graduações, relatou ao News.ru em 2006 que cerca de 30% dos seus detentores compraram as teses. Em 2008, Oleg Kutafin, antigo reitor da Academia Estatal de Direito de Moscovo, colocou a fasquia nos 50%.
Os graus académicos avançados obtidos através de teses compradas são especialmente populares entre os gestores de topo e o exército inchado da burocracia intermédia e superior. São também populares entre os presidentes da câmara, governadores e seus auxiliares, bem como entre os deputados da Duma, para quem um novo grau académico é um símbolo de status respeitável que combina bem com a dacha, o Mercedes, o chauffeur e a luzinha azul na capota do carro.

Para este segmento, aparência barata conta tanto como substância. No início da década de 90, a elite considerava prestigioso comprar certificados falsos demonstrando ascendência nobre. Agora tornou-se fino poder escrever nos cartões de visita "Candidato em Ciências" ou "Doutor em Ciências".

De acordo com a edição russa da Newsweek, cerca de metade dos deputados da Duma possui pós-graduações. Os restantes são activamente perseguidos por produtores de teses com espírito empreendedor, que tentam vender os seus serviços por 25.000 dólares o canudo.

Entre os deputados com pós-graduações, temos o líder do partido liberal democrático, Vladimir Zhirinovsky. Em 1998, aos 52 anos, recebeu o seu grau de doutor em filosofia pela Universidade de Moscovo, com a tese "O Passado, o Presente e o Futuro da nação Russa", curiosamente enquanto servia como deputado, e passando totalmente por cima do grau de candidato. O líder do partido comunista, Gennady Zyuganov, obteve o seu grau de doutor em filosofia em 1995, com 51 anos, ao mesmo tempo que exercia as funções de deputado. De entre os ministros do governo, poderá constituir uma surpresa saber que Sergei Shoigu tem um grau de candidato em economia, atribuído em 1996, aos 41 anos, obtido enquanto exercia as funções de ministro para as situações de emergência.

Têm surgido questões sobre o grau de candidato em ciências de Vladimir Putin, atribuído em Junho de 1997 pelo Instituto das Minas de São Petersburgo, enquanto o mesmo exercia em Moscovo as funções de adjunto do chefe da administração presidencial durante o mandato de Yeltsin. Em 2006, Clifford Gaddy, membro sénior da Brookings Institution, comparou a tese de Putin com um estudo de gestão publicado por dois professores da Universidade de Pittsburgh, tendo chegado à conclusão de que 16 páginas do trabalho daquele, incluindo tabelas, eram exactamente idênticas às desse mesmo estudo, apenas com uma ou outra pequena modificação. Putin nunca comentou as descobertas de Gaddy.

Infelizmente, o Kremlin não se parece preocupar muito com a forma com o plágio académico tem vindo a corroer o sistema educacional. Durante a reunião de quarta-feira do conselho de estado, o presidente Medvedev e o ministro da educação Andrei Fursenko produziram relatórios detalhados sobre os problemas mais graves que afectam o sistema, e como os mesmos bloqueiam a modernização do país. Curiosamente, nem uma palavra foi pronunciada sobre diplomas falsos ou plágio académico.

É óbvio que não existem soluções fáceis. A fraude académica, da mesma forma que a corrupção em geral, é um problema sistémico na Rússia. No entanto um bom ponto de partida seria forçar as universidades mais prestigiadas a adoptarem um código de honra que todos os estudantes (e também os docentes) deverão cumprir, sob o risco de expulsão.

Ao final do dia, a verdadeira questão é saber como a Rússia vai resolver os seus problemas mais prementes, com tantos falsos gestores, engenheiros, economistas, médicos, advogados, burocratas e políticos.

sábado, setembro 04, 2010

Bielorrússia: Jornalista da oposição encontrado na forca




Oleg Bebenin, jornalista bielorrusso, fundador do mais influente sítio da oposição, foi encontrado, na sexta-feira, enforcado na sua casa de campo. As autoridades falam em suicídio, mas os seus colegas não acreditam nessa versão.
Oleg Bebenin, 36 anos, fundador e dirigente do sítio eletrónico Carta97, que foi várias vezes alvo de pressão das autoridades, foi encontrado morto às 17 30 horas locais (15 30 horas em Lisboa) de sexta-feira na sua casa de campo, arredores de Minsk, informa o sítio na Internet.
A Procuradoria da Bielorrússia já anunciou hoje que a autopsia confirmou a versão do enforcamento, sublinhando que “além de marcas no pescoço, não há quaisquer outros ferimentos no corpo”.
Porém, as autoridades sublinham que irão investigar todas as versões.
“Estão a ser escrupulosamente estudados todos os pormenores do incidente, os funcionários da Procuradoria interrogam os parentes e conhecidos do falecido”, precisou Piotr Kissilov, porta-voz da Procuradoria.
Os colegas do jornalista põem de lado a versão do suicídio.
“Não acredito na versão da polícia, nem acredito que Bebenin se tenha suicidado. Ele tinha grandes planos, era o principal membro da equipa do candidato a Presidente da Bielorrússia, Andrei Sannikova”, declarou à rádio Eco de Moscovo Natália Radina, jornalista do sítio Carta 97.
“Era muito alegre, seguro, um grande profissional”, sublinhou.
O sítio Carta 97 foi alvo, em Março passado, de perseguições, durante o qual a polícia confiscou computadores.
No mês passado, os dirigentes da oposição ao regime do Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, pediram ao Conselho de Segurança da ONU para realizar uma investigação internacional do desaparecimento de políticos e jornalistas conhecidos.


sexta-feira, setembro 03, 2010

Blogue dos leitores (Será que percebi mal?)

Texto enviado por António Campos:

"No passado dia 2, a agência France Presse citou o ministro das finanças Russo, Alexei Kudrin, o qual apelava aos seus constituintes que fumassem e bebessem mais, com a justificação de que o aumento do consumo destes produtos ajudaria a aumentar as receitas fiscais aplicáveis a programas sociais.

De acordo com a noticia, Kudrin afirmou: "se fumar um maço de cigarros, estará a contribuir mais para ajudar a solucionar problemas sociais, nomeadamente, resolvendo o problema demográfico, desenvolvendo outros serviços sociais e sustentando as taxas de natalidade[…] As pessoas deveriam entender que os que bebem e os que fumam estão a fazer mais para ajudar o estado".

Não sei a que estado de desespero o ministro das finanças terá chegado que o tenha levado a incentivar comportamentos que, ainda que possam ter um valor fiscal imediato, têm custos gigantescos no médio e longo prazo sobre toda a população, tanto a nível de gastos acrescidos de assistência médica como da elevação da taxa de mortalidade e consequente perda de produtividade e de receitas fiscais. Para não falar nos custos sociais transversais. Na prática, o que Kudrin está a propor é que a população cometa suicídio colectivo para que alguns possam receber subsídios de natalidade agora.

Pelos vistos, o futuro não tem o menor interesse para Kudrin.

Será que alguém é capaz de explicar se existe alguma lógica neste apelo? Ou simplesmente os níveis de absurdo da máquina estatal russa estão a atingir patamares Orwellianos?


Os dirigentes passam, mas as tradições ficam

  
Querendo agradar a Imperatriz e Czarina Catarina II, o favorito e marechal Gueorgui Potiomkin fez edificar fachadas de casas pintadas ao longo do caminho da visita da soberana para apresentar povos idílicos na recém conquistada Crimeia. Na realidade, ele pretendia encobrir a verdadeira situação catastrófica da região.
Os czares foram substituídos pelos secretários-gerais do Partido Comunista da União Soviética e, estes, pelos Presidentes da Rússia, mas a tradição continua. Mas com uma “pequena” diferença: na era de Catarina II não existiam câmaras de filmar e Internet e, por isso, há historiadores que afirmam que o episódio acima relatado não passa de uma lenda.
Os episódios abaixo relatados ficaram documentados e ocorreram recentemente. Como foi amplamente anunciado, Vladimir Putin fez uma viagem de vários milhares de quilómetros pelo Extremo Oriente russo num automóvel de fabrico russo Lada-Kalina. O objectivo parecia ser mostrar que se trata de um automóvel que pode concorrer no mercado internacional.
Mas um grupo de russos espertos, que conhecem as tradições do seu país, colocaram-se à margem da estrada e filmaram o cortejo do primeiro-ministro russo, onde havia não um, mas três automóveis cor de laranja russos, um deles transportado por um reboque. Escusado será dizer que todos os restantes automóveis da longa coluna eram de fabrico estrangeiro.
Os autores do filme (em russo) colocado no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=y7T1b7z25Ww&feature=player_embedded consideram que Vladimir Putin não utilizou um, mas três automóveis e o que era transportado no reboque tinha avariado.
Dmitri Peskov, porta-voz do primeiro-ministro russo, veio dizer que Putin utilizou apenas um, para desmentir os boatos de que os automóveis cor de laranja não são tão bons como dizem.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, também parece ter sido vítima das “aldeias de Potiomkin” durante a recente e breve visita à região de Saratov.
 Segundo o jornal Novaya Gazeta, que cita testemunhas na região, na cidade de Marx (não fique surpreendido o leitor por na região de Saratov existirem cidades com os nomes de Marx e Engels. Trata-se de restos da Região Socialista Soviética Autónoma dos Alemães no Volga, que existiu até à Segunda Guerra Mundial), as autoridades mandaram arrancar 250 rosas que se encontravam no jardim de um dos tribunais e plantá-las à entrada da cidade.
Mais, “plantaram também uma palmeira artificial” no mesmo lugar, afirma outra testemunha.
Durante a viagem, Medvedev visitou um moderna vacaria. Quando o Presidente perguntou: “As vacas estão felizes?”, uma das funcionárias respondeu com toda a seriedade: “Claro, sorriem”. 


quinta-feira, setembro 02, 2010

Cosmonautas russos deixam de ser heróis


O Ministério da Defesa da Rússia não apoiou a proposta do Centro de Preparação de Cosmonautas de condecorar com a ordem de Herói da Rússia o cosmonauta Maksim Suraev, informam as agências russas citando outro cosmonauta Oleg Kotov.
“As altas patentes do Ministério da Defesa da Rússia não consideraram útil e necessário condecorar os cosmonautas, talvez tenham mudado a posição face aos voos espaciais”, declarou Kotov.
Entre todos os cosmonautas soviéticos e russos que voaram depois de Iúri Gagarin, primeiro astronauta na História da Humanidade, apenas um, Boris Morukov, que realizou um voo à Estação Espacial Internacional no vaivém americano Atlantis, não recebeu a medalha de Herói da Rússia.
Suraev passou 169 dias na estação, entre  30 de Setembro de 2009 e 18 de Março de 2010, e saiu uma vez para o Espaço. Este cosmonauta é também conhecido por ser o primeiro a ter um blog na Internet.
O título de Herói da Rússia concede uma série de privilégios. Por exemplo, não pagam serviços comunais, estão isentos do pagamento de impostos e taxas, têm direito a algumas viagem pagas. Além disso, recebem pouco menos de mil euros por mês além do salário.
Esta decisão do Ministério da Defesa da Rússia pode dificultar ainda mais o recrutamento de cosmonautas.
Serguei Krikaliov, chefe do Centro de Preparação de Cosmonautas, afirmou que, neste momento, há cerca de 40 homens no centro, mas reconheceu que “o número de candidatos é menor do que as necessidades”.

Imprensa russa revela pormenores desconhecidos da Segunda Guerra Mundial




Texto enviado pela leitora Cristina Mestre

"A Segunda Guerra Mundial começou em 1937 com o ataque do Japão contra a China; a União Soviética envolveu-se no conflito antes da invasão alemã em 1941, afirmam Vladimir Miasnikov, Natalia Narochnitskaya e outros historiadores russos que se reuniram na redacção da Rossiyskaya Gazeta para apresentar o seu novo livro “A Partitura da Segunda Guerra Mundial: Uma tempestade a Oriente”. 
Pela primeira vez em 65 anos, a Rússia comemora a 2 de Setembro o dia do fim da Segunda Guerra Mundial. A denominação anterior, Dia da Vitória sobre o Japão, desafiava as normas modernas de correcção diplomática, para além da data ser tradicionalmente eclipsada pelas comemorações do 9 de Maio, quando os russos celebram a vitória sobre a Alemanha nazi.  
Os autores do livro dizem que é hora de "renunciar ao eurocentrismo" e reconhecer que a Segunda Guerra Mundial não começou a 1 de Setembro de 1939 mas a 7 de Julho de 1937, quando o Japão atacou a China. Este país perdeu cerca de 35 milhões de pessoas nos anos da resistência aos invasores mas os europeus sabem muito pouco a este respeito. 
Antes do ataque nazi contra a URSS, em 1941, Moscovo levou a cabo duas operações secretas, recordam os historiadores. A operação X consistia na ajuda à Espanha republicana e a Operação Y tinha como objectivo proteger os céus chineses contra a aviação japonesa.
Vladimir Miasnikov contou, em particular, que pilotos soviéticos “se aproximaram em segredo de Taiwan, sem aparelhos de oxigénio, embora voassem a uma altitude de 5.000 metros, e destruíram uma base que a aviação japonesa usava para bombardear a China. Graças a isso cessaram os bombardeamentos contra a população civil.
Outro jornal russo, a Komsomolskaya Pravda, também revela hoje detalhes pouco conhecidos da Segunda Guerra Mundial. O historiador Yuri Jukov revelou em entrevista a este diário que, depois de terminada a guerra, a União Soviética desmantelou e retirou da Alemanha 3.500 fábricas e “um total de quatro milhões de equipamentos industriais”.
“Obtivemos 339.000 máquinas que, certamente, ainda funcionam hoje em algumas fábricas”, disse. O programa de compensações incluiu também meio milhão de cavalos, outro tanto de vacas, 250.000 ovelhas e 6.000 porcos para restabelecer a agricultura. 
(02.09.2010)"

quarta-feira, setembro 01, 2010

A guerra pode voltar a Nagorno-Karabakh


O Ministério da Defesa do Azerbaijão acusou hoje a Arménia de ter atacado as suas posições na fronteira de Nagorno-Karabakh, território separatista apoiado por Erevan, confronto que custou a vida de três soldados arménios e dois azeris.
“As forças arménias tentaram atacar (as posições azeris) junto da aldeia de Tchaily, na região de Terter, no dia 31 de Agosto”, lê-se num comunicado desse ministério.
“Os militares azeris responderam ao ataque. Três soldados arménios e dois soldados azeris morreram”, acrescenta.
Porém, o centro de imprensa do Ministério da Defesa de Nagorno-Karabakh dá uma versão diferente do sucedido, comunicando que “um soldado do Exército de Nagorno-Karabakh foi ferido durante um ataque das Forças Armadas do Azerbaijão contra as nossas posições”.
Os confrontos entre arménios e azeris têm lugar periodicamente nas fronteiras de Nagorno Karabakh, região azeri onde a maioria da população é arménia.
Enclave no Azerbaijão durante a era soviética, este território proclamou a independência depois de uma guerra que causou 30 mil mortos e centenas de milhares de refugiados. Só a Arménia reconheceu essa proclamação.
Em 1994, tendo como intermediário o Grupo de Minsk da OSCE (Estados Unidos, Rússia e França), foi assinado um cesssar de fogo, mas Baku e Erevan não conseguem chegar a um acordo sobre o estatuto da região, que continua a ser uma fonte de tensão na Transcaucásia, zona estratégica para o Irão, Rússia e Turquia.
O Azerbaijão, que acusa a Arménia de bloquear as negociações, ameaça recorrer à força para reaver o controlo da região separatista.