terça-feira, janeiro 18, 2011

Álvaro Pereira, o violinista que não queria tocar violino



Texto escrito por mim para a Agência Lusa:

Álvaro Pereira, 24 anos, estuda violino no 2.º ano do Conservatório Rimski-Korsakov de São Petersburgo e prepara-se para uma carreira de solista. Para isso, deixou Guimarães e partiu para a Rússia, onde paga o seu curso.


Magro, cabelo negro comprido, Álvaro já se habituou aos fortes frios da Rússia e não se arrepende de ter optado por uma cidade longínqua, mas com qualidades surpreendentes.


“Nunca vi uma coisa assim: pessoas estarem horas e horas em filas ou comprarem bilhetes na candonga para assistir a concertos de música clássica. Só em São Petersburgo vi uma coisa assim”, declara o jovem violionista à Lusa.


Álvaro Pereira começou a estudar música na Escola Profissional e Artística do Vale do Ave e revela o que o levou a optar pelo violino.


“Não havia nessa escola vagas para piano e guitarra. Eu queria tocar num instrumento e esses eram os únicos que eu conhecia. Nunca imaginaria pegar num violino para tocar”, recorda ele com um grande sorriso nos lábios.


“Fizeram-me uma avaliação musical, disseram que, por uma série de parâmetros e por ter bom ouvido, deveria experimentar o violino. E gostei”, acrescentou. 
O jovem começou a aprender a tocar violino numa idade bastante tardia para aceder a uma carreira profissional, mas o muito trabalho permitiu-o ingressar na Escola Profissional de Música e Artes do Espetáculo do Porto.


“Estudei aí apenas três anos, não terminei. Quando já tocava na Orquestra do Porto, os muitos músicos russos e de outros países do Leste que aí tocam incitaram-me a vir estudar para a Rússia”, continua.


“Eles diziam-me: é um desperdício tocar tão cedo numa orquestra, podes ir bem mais longe, mas tens de aprender mais”, recorda Álvaro, sublinhando que o seu ídolo é Jascha Heifetz, um dos expoentes máximos da escola violionista russa.


Não obstante ainda estudar no conservatório, o jovem português já tem no seu currículo a participação em numerosos concertos na Rússia. Em dezembro passado, Álvaro Pereira, acompanhado pela Orquestra Sinfónica Cappela de São Petersburgo, sob a direção do maestro português João Tiago, interpretou o “Concerto para violino e orquestra do compositor latino-americano Lucas Jaramillo (1986)'.


Mas o violinista quer tocar no seu país, especialmente na sua terra natal em 2012, quando Guimarães for a capital europeia da cultura.

Rússia desmente perigo de vírus nos computadores da central nuclear de Busher

A Corporação Estatal de Energia Atómica da Rússia (Rosatom) desmentiu hoje informações difundidas no Ocidente sobre as consequências destruidoras da infeção dos computadores da Central Nuclear de Busher, no Irão, e sobre a possibilidade de uma “nova Tchernobil”.

“Nos sistemas informáticos da central não há quaisquer vírus, muito menos naqueles que respondem pela segurança da central, porque o sistema informático é completamente local, isolado de fontes externas”, declarou Serguei Novikov, porta-voz da Rosatom.

Em Outubro de 2010, foram publicadas notícias sobre a infiltração do vírus informático Stuxnet, mas a Rosatom, empresa que construiu a Central de Busher, desmentiu essas informações, sublinhando que “o vírus não entrou no sistema automatizado do funcionamento dos processos tecnológicos”.

No sábado passado, o “New York Times”, que citou peritos militares e dos serviços secretos, noticiou que os serviços de informação israelitas e norte-americanos colaboraram no desenvolvimento do vírus informático Stuxnet destinado a sabotar o programa nuclear iraniano.

Segundo o jornal norte-americano, Israel testou a eficácia do vírus no complexo nuclear de Dimona, situado no deserto de Neguev, que alberga o programa de armamentos nucleares israelita. A criação deste vírus destrutivo é um projecto americano-israelita, com a ajuda, voluntária ou não, da Grã-Bretanha e da Alemanha, segundo as fontes do diário.

Hoje, o jornal britânico acrescentou que o vírus provocou “graves danos” no reator da central, sublinhando que especialistas russos teriam prevenido da possibilidade de uma nova catástrofe nuclear como a que ocorreu na Central Nuclear de Tchernobil, em Agosto de 1986. Peritos já tinham suspeitado várias vezes de que Israel estava na origem do vírus Stuxnet, que afectou as centrifugadoras iranianas que produzem urânio enriquecido. O ministro israelita dos assuntos estratégicos Moshé Yaalon afirmou no fim de Dezembro que recentes "dificuldades" encontradas pelo programa nuclear iraniano atrasaram vários anos o eventual acesso de Teerão à bomba atómica. Os Estados Unidos e uma parte da comunidade internacional acusa o Irão procurar dotar-se da arma atómica ao abrigo de um programa nuclear civil, situação que Teerão continua a desmentir.

Detectado há alguns meses, o Stuxnet infecta um software Siemens de controlo de autómatos industriais muito utilizados nos sectores da água, nas plataformas petroleiras e nas centrais eléctricas. A sua função seria alterar a gestão de certas actividades para provocar a destruição física das instalações afectadas, segundo os peritos. O Stuxnet terá principalmente atingido o Irão, o que deixou pensar que tinha sido concebido para sabotar as suas instalações nucleares, mas parece também ter afectado a Índia, a Indonésia ou o Paquistão.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Ciclo Sofia Gubaidulina no CCB - a não perder!

A Hora da Alma

Ciclo Sofia Gubaidulina

Direcção artística: Filipe Pinto-Ribeiro

5 a 12 de Fevereiro 2011

O objectivo mais importante de uma obra de arte é, na minha perspectiva, transformar o tempo. Os seres humanos têm em si próprios este outro tempo, o tempo da alma.

Sofia Gubaidulina



O Ciclo Sofia Gubaidulina, A Hora da Alma, celebra a arte irresistível de um dos maiores compositores do mundo. O conjunto de actividades deste Ciclo, que assinala o 80.º aniversário de Gubaidulina, inclui quatro concertos com obras suas orquestrais, corais e de câmara, várias das quais em estreia em Portugal, e ainda um encontro com a própria compositora que estará presente no Centro Cultural de Belém.
Reconhecida como uma criadora essencial neste começo do século XXI, Sofia Gubaidulina é talvez a primeira mulher compositora a alcançar um estatuto ao nível dos seus homólogos masculinos. A demonstrar a dimensão e o reconhecimento alcançado pela obra de Sofia Gubaidulina é a impressionante lista de intérpretes que lhe solicitaram composições e que as difundiram internacionalmente, entre os quais se encontram maestros como Simon Rattle, Gennadi Rozhdestvensky, Kurt Masur ou Valery Gergiev e solistas como Mstislav Rostropovich, Anne-Sophie Mutter ou Gidon Kremer.
Precisamente neste Ciclo vamos ter o privilégio de ouvir alguns intérpretes predilectos de Sofia Gubaidulina, como o violoncelista David Geringas, o maestro Mikhail Agrest ou o acordeonista Geir Draugsvoll, destinatário do Concerto para bayan e orquestra, Fachwerk, uma das suas mais recentes obras. Marcarão ainda presença o Coro da Rádio da Letónia, a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Orquestra Sinfónica Metropolitana e o DSCH - Schostakovich Ensemble, ao qual se juntará a compositora, na obra À beira do abismo, vestindo a pele de intérprete e encarregando-se do aquafone – um instrumento de sonoridades muito peculiares.
Entre as partituras que se interpretarão em Lisboa, estão algumas das composições-chave de Sofia Gubaidulina e ainda obras de compositores pelos quais a compositora confessa uma ilimitada admiração e dívida como J. S. Bach, L. v. Beethoven, A. Webern ou D. Schostakovich.
Misturando influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas, a música de Sofia Gubaidulina capta imediatamente o ouvinte. A beleza e variedade de sons, os ritmos selvagens, as descrições musicais apocalípticas e paradisíacas são parte do universo de Gubaidulina que poderemos testemunhar no CCB, nesta que será uma oportunidade imperdível de chegar à alma da música poderosa desta fascinante compositora.

Filipe Pinto-Ribeiro



Cântico do Sol

Concerto de Abertura do Ciclo Sofia Gubaidulina

5 de Fevereiro de 2011
Sábado
21h00

Pequeno Auditório


Coro da Rádio da Letónia

Sigvards Klava, direcção musical

David Geringas, violoncelo

Ivo Kruskops, percussão

Ivars Kalnins, percussão

Programa:

Johann Sebastian Bach: Komm, Jesu, Komm!, BWV 229 [8’]

Sofia Gubaidulina: Hommage à Marina Tsvetayeva, suite
para coro a capella sobre poemas de Marina Tsvetayeva * [15’]

I. Tief unter die Wellen

II. Das Ross

III. Alle herrlichen Trompeten

IV. Interludium

V. Der Garten

intervalo

Sofia Gubaidulina: Sonnengesang (Cântico do Sol de S. Francisco de Assis), para violoncelo, coro de câmara e percussão * [38’]

* Estreia em Portugal


***


Geir Draugsvoll e OCP

6 de Fevereiro de 2011
Domingo
17h00

Grande Auditório


Orquestra de Câmara Portuguesa

Pedro Carneiro, direcção musical

Geir Draugsvoll, bayan (acordeão)

Programa:

Johann Sebastian Bach: Concerto Brandeburguês n.º 3, em Sol maior, BWV 1048 [12’]

I. [Allegro]

II. Andante

III. Allegro

Sofia Gubaidulina: Fachwerk, concerto para bayan e orquestra * [32’]

intervalo

Ludwig van Beethoven: Sinfonia n.º 5, em Dó menor, op. 67 [33’]

I. Allegro con brio

II. Andante con moto

III. Scherzo: Allegro

IV. Allegro

*Primeira apresentação da nova versão

***

… para Gubaidulina

9 de Fevereiro de 2011
Quarta-feira
21h00

Pequeno Auditório

DSCH – Schostakovich Ensemble com  
Sofia Gubaidulina, aquafone

Filipe Pinto-Ribeiro, piano e aquafone

Tatiana Samouil, violino

Jolente de Maeyer, violino

Natalia Tchitch, viola

Nicolas Altstaedt, violoncelo

Varoujan Bartikian, Levon Mouradian, Raquel Reis, Jeremy Lake, Teresa Valente Pereira, Michal Kiska, violoncelos (músicos convidados)

Programa:

Anton Webern: 6 Bagatelas, para quarteto de cordas, op. 9 [5’]

I. Mäßig

II. Leicht bewegt

III. Ziemlich fließend

IV. Sehr langsam

V. Äußerst langsam

VI. Fließend



Dmitri Schostakovich: Quinteto com piano, em Sol menor, op. 57 [32’]

I. Prelude

II. Fugue

III. Scherzo

IV. Intermezzo

V. Finale


intervalo


Sofia Gubaidulina: Reflections on the theme B-A-C-H, para quarteto de cordas [5’]

 
Sofia Gubaidulina: Dancer on a tightrope, para violino e piano * [12’]

Sofia Gubaidulina: Am Rande des Abgrunds (À beira do abismo), para 7 violoncelos e 2 aquafones * [15’]

* Estreia em Portugal


***

Concerto de Encerramento

12 de Fevereiro de 2011
Sábado
21h00

Grande Auditório


Orquestra Sinfónica Metropolitana

Mikhail Agrest, direcção musical

Filipe Pinto-Ribeiro, piano



Programa:

Ludwig van Beethoven: Sinfonia n.º 2, em Ré maior, op. 36 [35’]

I. Adagio molto. Allegro con brio

II. Larghetto

III. Scherzo: Allegro

IV. Allegro molto


Sofia Gubaidulina: Introitus, concerto para piano e orquestra de câmara * [24’]

intervalo

Sofia Gubaidulina: Stimmen… Verstummen… (Vozes… emudecem…), sinfonia em doze andamentos * [42’]

* Estreia em Portugal



Outras actividades:


Sophia – Biography of a Violin Concerto

Documentário de Jan Schmidt-Garre (2008)



Quinta-feira 10 de Fevereiro

Sala Almada Negreiros

18h00

Entrada livre (sujeita à capacidade da sala)


Realizado por Jan Schmidt-Garre em 2008, este documentário mostra-nos o percurso de uma obra de Sofia Gubaidulina, o Concerto para Violino e Orquestra In Tempus Praesens, desde a sua composição à estreia pela mão da reconhecida violinista Anne-Sophie Mutter, dedicatária da obra. Uma viagem pela intimidade criativa de duas figuras maiores da música actual e um olhar fascinante sobre o universo criativo da compositora russa e sobre o estudo e interpretação de uma obra contemporânea, onde abundam imagens e diálogos inéditos.

Duração: 60 minutos

Legendado em Português

***


Encontro com

Sofia Gubaidulina



Quinta-feira 10 de Fevereiro

Sala Almada Negreiros

19h00 (logo após a projecção do documentário Sophia, Biography of a Violin Concerto)

Entrada livre (sujeita à capacidade da sala)

Pela primeira vez em Portugal, para acompanhar o Ciclo que lhe é dedicado no CCB, Sofia Gubaidulina estará presente num encontro com o público e com a comunidade musical. Uma oportunidade única de partilhar a experiência de uma das mais importantes compositoras da actualidade.

Aberto a todos os interessados, o encontro é de entrada livre e será antecedido da projecção (às 18h) de um documentário sobre a compositora, Sophia, Biography of a Violin Concerto, da autoria de Jan Schmidt-Garre.

Duração aproximada: 75-90 minutos

Encontro com tradução simultânea


Master-Class de acordeão orientada por Geir Draugsvoll

Dias 7 e 8 de Fevereiro 2011

http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/Programacao/Ciclos/Pages/CICLOSOFIAGUBAIDULINA.aspx





domingo, janeiro 16, 2011

Polícia detém 19 manifestantes nacionalistas em Moscovo


Ontem, sábado, Moscovo parecia uma cidade em estado de sítio. Milhares de polícias e soldados cercaram a Praça Manejnaia e a Praça Vermelha para impedir manifestações de nacionalistas. Um amigo meu português que trabalha há uns anos na capital russa telefonou-me para dizer: "Nunca vi uma coisa assim, são tantos veículos, polícias equipados de capacetes e cacetetes!"
Antes de deixar aqui o relato dos acontecimentos na véspera, apenas quero sublinhar que, num país como a Rússia, onde vivem cerca de 160 povos, o vírus do nacionalismo e do chauvinismo pode ser fatal para a sua integridade territorial.

A polícia da capital russa deteve, ontem, 19 pessoas que participaram numa manifestação de homenagem a um adepto do futebol assassinado há 40 dias por um grupo de jovens do Cáucaso.

“Apenas 19 pessoas foram detidas e conduzidas a uma esquadra com objetivos profiláticos, para verificar os documentos e ver se estiveram ligadas aos acontecimentos de 11 de dezembro na Praça Manejnaia”, declarou Victor Biriukov, porta-voz da polícia de Moscovo.

Segundo ele, quatro dos detidos portavam armas traumáticas e dois tinham armas brancas.

Iegor Sviridov, adepto do Spartak de Moscovo, foi assassinado no dia 06 de dezembro por um grupo de jovens originários do Cáucaso do Norte russo.

Segundo revelou hoje a Procuradoria-Geral da Rússia, os caucasianos provocaram conscientemente os confrontos que provocaram um morto e quatro feridos.

“Os atacantes espaçaram as vítimas e um dos atacantes desferiu um golpe na cabeça de uma das vítimas”, lê-se num comunicado publicado.

Este assassinato provocou uma onda de indignação nos adeptos de futebol, que foi aproveitada pelas forças nacionalistas para lançar ataques contra pessoas provenientes das regiões caucasianas da Rússia, bem como contra estrangeiros.

Ontem, quatro mil polícias e soldados das tropas do ministério do Interior da Rússia foram colocados nos locais de Moscovo onde as autoridades esperavam incidentes.

As autoridades reforçaram também a segurança na Manejnaia Plochad, praça próxima do Kremlin onde a 11 de dezembro ocorreram confrontos entre a polícia e nacionalistas, depois de terem surgido vários apelos na Internet para que os nacionalistas se reunissem aí.
Em São Petersburgo, a polícia deteve 22 militantes nacionalistas em manifestações semelhantes.

sábado, janeiro 15, 2011

Rosneft e BP vão explorar jazigos de petróleo e gás no Ártico russo

As empresas russa Rosneft e a britânica BP planeiam começar a exploração de jazigos de petróleo e gás na plataforma ártica russa dentro de 5 a 10 anos, revelou hoje o presidente British Petroleum, Robert Dudley, numa entrevista ao canal russo Russia Today.

“Trata-se de um programa calculado para 50 anos e os primeiros resultados serão obtidos dentro de cinco ou dez anos”, sublinhou.

Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo e dirigente do Conselho dos Diretores da Rosneft, assinalou, pelo seu lado, assinalou que o projeto em questão é um dos elementos que permitirão converter a companhia russa num holding energético internacional.

Na véspera, Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, revelou que a Rosneft e a British Petroleum acordaram extrair jazigos de hidrocarbonetos no Ártico russo com reservas de petróleo da ordem dos cinco mil milhões de toneladas e de 10 biliões de metros cúbicos de gás natural.

Numa reunião com o presidente da BP, Putin prometeu um “regime fiscal e administrativo favorável” para a realização desse projeto e frisou que ele exigirá investimentos de dezenas de milhões de euros e o emprego das mais avançadas mais avançadas.



sexta-feira, janeiro 14, 2011

Parlamento retifica Tratado START-3 em segunda leitura, mas com emenda

A Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento da Rússia retificou hoje, em segunda leitura, o Tratado com os Estados Unidos sobre a redução dos armamentos estratégicos (START-3).

O tratado recebeu o apoio de 349 deputados, 57 votaram contra e dois abstiveram-se.

Antes, os deputados aprovaram uma emenda que prevê a introdução de seis novos artigos no documento retificativo.

Na emenda descrevem-se as condições impostas pela Rússia para se manter no quadro do tratado ou para sair dele.

Os deputados fixaram no papel a ligação entre o START-3 e o sistema de defesa antimíssil. Se os Estados Unidos realizarem unilateralmente a instalação de sistemas de defesa antimíssil que ameacem a segurança da Rússia, Moscovo abandonará o START-3.

O Congresso norte-americano, no processo de retificação do tratado, aprovou uma emenda onde se fixa não existir ligação entre a redução de armamentos estratégicos e a instalação de sistemas de defesa antimíssil.

“As conversações sobre a redução de armas nucleares táticas só poderão realizar-se tendo em conta a realização do Tratado START, bem como outros parâmetros que influem na estabilidade estratégica no mundo”, declarou Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, ao discursar perante os deputados.

Além disso, a emenda prevê, em conformidade com o nível das necessidades das forças nucleares estratégicas da Rússia, o financiamento de trabalhos com vista à manutenção da base de investigação e produção, à segurança durante a liquidação de armamentos estratégicos ofensivos e ao cumprimento do Tratado START.

A Duma Estatal encarrega o Presidente da Rússia de, após a entrada em vigor do tratado, elaborar um programa de desenvolvimento das forças nucleares estratégicas do país e o Governo de informar anualmente sobre o estado do complexo nuclear russo.

O Governo deverá também informar a Duma sobre a instalação de sistemas de defesa antimíssil por outros países, a sua influência no potencial das armas nucleares estratégicas da Rússia e as possíveis ameaças à segurança nacional da Rússia no caso de aparecimento de novos tipos de armas ofensivas de alcance estratégico, bem como da instalação de armas no Espaço.

A Duma Estatal retificou o START-3, em primeira leitura, no dia 24 de dezembro de 2010. A votação da terceira e última leitura está marcada para 25 de janeiro.

O Tratado de Redução dos Armamentos Nucleares Estratégicos foi assinado em abril do ano passado pelos presidentes russo e norte-americano, Dmitri Medvedev e Barack Obama.

Este acordo prevê a redução da quantidade total de munições nucleares em um terço, até 1 550, em comparação com o Tratado de Moscovo de 2002, e diminui duas vezes o número máximo de portadores estratégicos.

Proibição de Gata Borralheira transforma espetáculo em êxito

 Фрагмент спектакля "Новогодний коктейль для Золушки"


A peça “Cocktail de Ano Novo para a Gata Borralheira”, levada ao palco pelo Teatro de Drama e Comédia da Kamtchatka, tornou-se um êxito depois de uma tentativa de proibição por parte das autoridades locais.
Os dirigentes da Kamtchatka, no Extremo Oriente russo, ficaram particularmente indignados com a crítica feita no espetáculo à alteração dos fusos horários: o rei ordena fazer recuar o ponteiro uma hora para que a Gata Borralheira fique mais tempo no baile.
Em novembro de 2009, o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, propôs a redução do número de fusos horários no país. No ano passado, a região da Kamtchatka deixou de passar para a hora de Verão, reduzindo assim de nove para oito horas a diferença em relação a Moscovo.
No dia 11 de dezembro, mais de três mil pessoas da região manifestaram-se contra essa decisão.
Mikhail Machkovets, antigo governador da Kamtchatka, acusou, no seu blogue, as autoridades locais de tentarem censurar o espetáculo, porque viram nele uma crítica ao Presidente Medvedev.
Segundo ele, a vice-governadora Irina Tretiakova assistiu à comédia no passado dia 07 de janeiro, ficou indignada com as “piadas” e abandonou a sala. No dia seguinte, foi dada ordem para suspender o espetáculo.
Arkadi Khoziatchev, ator que desempenha o papel de rei, declarou que foram feitas tentativas de “emendar o texto da peça” não só no que respeita aos fusos horários, mas também às críticas feitas em relação às obras no edifício do teatro que, na peça, aparecem como “obras no castelo real”.
“Foi feita chantagem aberta. Se não retirarem os relógios e a reconstrução, não receberão apartamentos, nem prémios. Mas, mesmo assim, nada receberemos! O teatro está numa situação miserável! Mas ninguém se acobardou! Os atores, mesmo sem falarem entre si, subiram ao palco e desempenharam os seus papéis sem cortes”, declarou à imprensa local Tatiana Artiomova, artista emérita da Rússia.
A pressão das autoridades locais provocou forte descontentamento na imprensa e opinião pública, o que obrigou o governador da Kamtchaka a abrir um inquérito para determinar responsabilidades.
Além disto, este incidente fez com que habitantes de outras regiões da Rússia queiram ver esse espetáculo.
“Ouvi falar desse espetáculo, iria vê-lo com agrado. Se ele vier a Ekaterimburgo, estarei lá”, escreve Iúri no sítio eletrónico do teatro.

Estamos de regresso à Rússia!


Caros leitores, peço desculpa por este intervalo, o mais longo da história deste blogue, mas a vida é feita de altos e baixos, há momentos em que apetece desistir de tudo. Fui a Portugal juntar forças para mais um ano de trabalho, mas a situação é deprimente, nunca vi o meu país numa situação assim.
Mas há sempre bons momentos: o encontro com a família e, desta vez, a festa do 10º aniversário da SIC, uma oportunidade para rever amigos jornalistas.
Chegado à Rússia, já pude constatar que este será um ano de muito trabalho para mim neste país. Além de ser um ano de eleições parlamentares, mais lá para o fim, este país continua a enfrentar graves problemas com consequências imprevisíveis.
A guerra civil no Cáucaso do Norte continua. Embora de "fraca intensidade", nessa região registam-se diariamente ataques da guerrilha separatista islâmica, assassinatos de polícias, políticos e dirigentes religiosos. Além disso, problemas como o desemprego e a corrupção continuam por resolver.
Em Moscovo, é extremamente preocupante a actividade de forças nacionalistas, sob a capa de adeptos de futebol. Os confrontos de 11 de Dezembro na Praça Manejnaia mostram que a capital russa se encontra sentada num barril de pólvora que poderá provocar uma explosão de confrontos entre etnias, neste caso, convencionalmente falando, entre os nacionalistas russos e todos os outros que eles considerem diferentes.
O jogo das autoridades com essas forças apenas faz aumentar o perigo da explosão, que, se ocorrer, Vladimir Putin, que ainda não se apresentou vestindo as fardas de sapador ou bombeiro, terá grande dificuldade em conter.
Não obstante as promessas de liberalização proclamadas pelo Presidente Dmitri Medvedev, Mikhail Khodorkovski apanhou mais 14 anos de prisão e, segundo alguns jornais russos, as autoridades judiciais preparam-se para lhe fazerem novas acusações, incluindo assassinatos, etc.
 Depois da tirada televisiva de Putin. "O ladrão deve continuar na prisão", a sentença transformou-se numa farsa e ridicularizou uma vez mais a justiça russa. Resta esperar agora pelas decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos em relação a tudo isso.
Uma coisa é certa, essa sentença voltou a provocar uma forte saída de capitais do país e não contribuiu para o melhoramento da imagem da Rússia.
Não se pode também deixar de sublinhar a onda de repressão contra a oposição liberal ao Kremlin. Um dos seus dirigentes, Boris Nemtsov, está a cumprir uma pena de 15 dias de prisão sem saber porquê. 
Pode-se simpatizar ou não com os dirigentes da oposição liberal, mas o facto é que irritam Vladimir Putin, sim, Putin, porque Dmitri Medvedev é cada vez mais transformado numa espécie de rainha de Inglaterra.
Quanto à corrupção, ela continua a ser total e omnipresente, facto que é reconhecido por todos, incluindo Dmitri Medvedev.
E, para terminar no que respeita ao campo interno, quero recordar que Vladimir Putin encontra-se no poder há 11 anos, tempo suficiente para esperar resultados.
No campo internacional, o reinício das relações entre a Rússia e os Estados Unidos continua a ser uma incógnita. A rectificação do START-3 corre sérios riscos. Se o Congresso dos Unidos considera não existir ligação entre a redução de armamentos estratégicos e a instalação de sistemas de defesa antimíssil, o Parlamento russo tem uma opinião contrária. 
Vamos ver também como irá continuar a aproximação entre a Rússia e a NATO, entre a Rússia e a União Europeia, bem como se irá desenvolver a situação em torno da Coreia do Norte, Irão e Médio Oriente.
Concluindo, vamos ter temas suficientes para discutir.






quarta-feira, janeiro 05, 2011

Presidente polaco visitará a Rússia depois de esclarecidas causas da queda de avião que vitimou seu antecessor


O Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski, gostaria de visitar a Rússia para prestar homenagem às vítimas da catástrofe aérea de Smolensk, mas antes deverão ficar esclarecidas as causas dessa tragédia, declarou hoje o conselheiro presidencial, Tomasz Nalecz.
“O Presidente Komorowski gostaria de ir a Smolensk no primeiro aniversário da catástrofe aérea, mas só depois de esclarecer as suas causas”, declarou Nalecz em declarações ao diário Gazeta Wyborcza.
Alguns meios de imprensa informaram que o Presidente polaco viajaria a Smolensk no próximo 10 de Abril de 2011.
“Por enquanto, não se pode dizer com toda a certeza que a vista se realizará porque dependerá muito do relatório conjunto sobre as causas do acidente aéreo”, assinalou o conselheiro de Komorowski.
Em Outubro passado, o Comité Interestatal de Aviação entregou o rascunho do relatório a Edmund Klich, representante da Polónia nesse organismo. Em Dezembro, a parte polaca comentou que tinha numerosas observações sobre o documento e não podia aceitá-lo tal como foi apresentado pela Rússia.
Na véspera, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, pôs em causa o trabalho dos controladores aéreos russos.
“Hoje podemos dizer que se a decisão de aterrar não tivesse sido tomada, a catástrofe não teria ocorrido”, declarou ele à cadeia de televisão TVN24, acrescentando que “seria errado atirar todas as culpas para cima da tripulação”.
Segundo o primeiro-ministro, o documento não põe em causa o comportamento dos controladores aéreos russos que autorizaram a aterragem do avião presidencial. Ele mostrou-se convicto de que a queda não teria ocorrido se essa autorização não tivesse sido dada.
“Este fator constitui uma das razões pelas quais o projeto de relatório apresentado pelo Comité Interestatal de Aviação não me parece 100 por cento objetivo”, frisou.
O avião Tupolev-154 do Presidente polaco Lech Kaczynski despenhou-se perto da cidade russa de Smolensk a 10 de Abril de 2010. Acompanhado de sua esposa e altos representantes da elite política e militar da Polónia, Kaczynski dirigia-se para Smolensk para prestar homenagem a cerca de 22 000 militares polacos executados pela polícia secreta soviética na floresta de Katin, em 1940. A bordo do avião viajavam 88 passageiros e 8 tripulantes. Não houve sobreviventes.


Blog do leitor (Colosso do Passado)

Texto enviado pelo leitor Pippo:


"Durante a Guerra Civil Russa, os Aliados, apostados em combater os bolcheviques e a sua ideologia, apoiaram militarmente as forças “Brancas”.
Para além das intervenções com forças militares, nomeadamente em Arkhangelsk, franceses e britânicos forneceram aos “Brancos” equipamento militar diverso, de entre o qual de destacavam os novos tanques pesados Mk V, de último modelo, que foram postos ao serviço na zona Norte e sobretudo, na zona Sul, a apoiar os exércitos sob o comando de Denikin e Wrangel

O exemplar agora recuperado é um dos poucos exemplares sobreviventes dos tanques britânicos Mk-V que actuaram durante aquele período.
Este tanque troféu foi capturado pelas tropas soviéticas na frente Sul durante a Guerra Civil. Em 1940 ele foi colocado no pátio de um museu, na Pavlin Vinogradov Prospekt, em Arkhangelsk. No entanto, no início dos anos 70 o edifício do museu foi demolido e o troféu lendário permaneceu no mesmo lugar.

Em Dezembro de 2006
o Mk V foi retirado de Arkhangelsk para trabalhos de restauração na empresa de reparações navais “Star”, em Severodvinsk.
Pelas características do veículo (MK-V com canhões de 57mm e metralhadoras Hotchkiss), poderemos presumir que este exemplar poderá ter feito parte do 3º destacamento de tanques do exército de Wrangel, do qual faziam parte os seguintes veículos:

·         «Marechal de Campo Kutuzov»
·         «Generalíssimo Suvoroff»
·         «General Skobelev»
·         « Marechal de Campo Potemkin»
·         «Za Rus Sviatuu» (Pela Santa Rússia)
·         «Za Veru i Rodinu» (Peta Fé e pela Pátria)

Após um cuidadoso trabalho de restauração que incluiu a desmontagem do veículo, peça por peça, e sua limpeza de ferrugem e terra, acumuladas durante anos, o Mk V ficou finalmente pronto.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Pico montanhoso vai receber o nome de Vladimir Putin

O Governo do Quirguistão decidiu batizar um dos picos da cordilheira montanhosa de Tien-Shan com o nome do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou hoje Farid Niiazov, conselheiro do chefe do Executivo quirguize.
“O primeiro-ministro Almazbek Atambaev assinou um projeto-lei que dá o nome de Pico Vladimir Putin a um dos picos sem nome, com 4500 metros de altitude, da Cordilheira situada no Quirguistão, na bacia do rio Ak-Suu”, declarou à agência noticiosa russa Ria-Novosti.
As autoridades da região onde se encontra o pico “já aprovaram a decisão” e o projeto foi entregue ao parlamento para ratificação.
Antes, um dos picos stuados na região de Issik-Kull recebeu o nome do primeiro Presidente da Rússia Boris Ieltsin.
O Quirguistão é um dos países mais pobres do mundo que sobrevive, em parte, graças à ajuda económica e financeira da Rússia, que tem interesses estratégicos nesse país da Ásia Central, muito próximo do Afeganistão.

domingo, janeiro 02, 2011

O que esperar das relações entre a Rússia e a NATO?

A Cimeira NATO-Rússia, realizada em novembro em Lisboa, foi apresentada como um ponto de viragem nas relações bilaterais, falou-se do “fim da guerra fria”, mas as perspetivas para 2011 permanecem envoltas em dúvidas.
O embaixador russo junto da Aliança Atlântica, Dmitri Rogozin, considera que “o fundamento das relações foi lançado em finais de 2009. No ano seguinte, essa base reforçou-se. A Rússia tenciona manter com a NATO relações estáveis e previsíveis”.
Para Rogozin, “a Cimeira de Lisboa teve um resultado positivo. Foi aprovada uma declaração única onde se apontam as vias de interação mesmo sobre questões tão complicadas como a criação do escudo antimíssil europeu”, mas, ressalva o embaixador junto da NATO, "o ano que vem (2011) irá mostrar o que se irá conseguir”.
A Rússia receia que no seio da Aliança não exista unanimidade face às relações com Moscovo.
Recentemente, a divulgação pelo site Wikileaks de documentos secretos sobre a criação pela NATO de um plano de defesa da Polónia e dos países do Báltico em relação à Rússia levou Moscovo a pedir explicações a Bruxelas.
O Kremlin continua a ver em qualquer bloco militar junto da sua fronteira um perigo potencial e um risco de uso da força militar contra os interesses russos, mas Rogozin defendeu, em declarações a jornalistas, que “quanto maiores forem as relações com a NATO e o Ocidente em geral, melhor será para a Federação da Rússia, porque o capital da cooperação é um obstáculo para os russófobos”.
A questão do escudo de defesa antimíssil europeu poderá criar sérios problemas ao processo de aproximação. O Kremlin espera propostas da NATO que enquadrem a Rússia na criação desse sistema em pé de igualdade.
A ratificação do tratado de redução de arsenais estratégicos (START) ainda não chegou ao fim e Moscovo receia que a aprovação norte-americana venha acompanhada de condições inaceitáveis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou em finais de dezembro que “a resolução do Senado (dos Estados Unidos) sobre o START não tem força jurídica”.
“Um dos problemas fundamentais dessa resolução é a tese de que a ligação entre os armamentos estratégicos e defensivos, contida no START, não é juridicamente obrigatória para os Estados Unidos e a Rússia”, declarou Lavrov, frisando que “essa ligação está fixada no preâmbulo do tratado”.
O campo de cooperação NATO-Rússia mais frutífero parece ser o combate ao terrorismo no Afeganistão, tendo sido conseguidos avanços significativos nesta área, mas as dúvidas persistem e o desenvolvimento da situação política interna na Rússia e a desconfiança existente entre as partes poderá destruir muito do que foi até agora conseguido.

Pelos vistos, alguns têm direito à propriedade privada


Como se costuma dizer o que é teu é nosso e o que é nosso é nosso. Não à propriedade privada com cadeiras e grilhões!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Khordorkovski e Lebedev condenados a 14 anos de prisão, mas recusam-se a pedir perdão

Mikhail Khodorkovski, antigo dono da petrolífera russa YUKOS, e Platon Lebedev, seu sócio, recusam-se a pedir perdão ao Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou um dos advogados de defesa, Vadim Kliuvgant.
“Não”, declarou o advogado de forma breve e firme à agência Ria-Novosti.


O ex-magnata russo do petróleo Mikhail Khodorkovski e o seu sócio Platon Lebedev foram hoje condenados a 14 anos de prisão, anunciou hoje o Tribunal Khomovnik de Moscovo .


Mikhail Khodorkovski e Planton Lebedev estão detidos desde 2003 e foram condenados a oito anos de prisão em 2005 por “fraude” e “evasão fiscal”.


Um segundo processo foi aberto pelas autoridades em 2006. Khodorkovski e Lebedev foram acusados de roubo mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e de legalizar dinheiro procedente de atividades ilegais, bem como de drime organizado..


Depois deste segundo julgamento, ficarão na prisão até 2017, dado que o tribunal teve em conta a pena cumprida desde 2003, revelou o site dos defensores do antigo magnata.


Segundo uma declaração de Khodorkorvski , ele e Lebedev consideram que o seu exemplo mostrou o fracasso do sistema judicial russo.


“Eu e Platon Leonidovitch (Lebedev) provámos com o nosso exemplo que, na Rússia, é impossível a defesa judicial em relação aos burocratas do Estado”, frisou.


terça-feira, dezembro 28, 2010

Diplomacia russa condena pressão ocidental no caso Khodorkovski

Михаил Ходоркрвский, 28 декабря 2010 года


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condenou, hoje, as declarações dos Estados Unidos e de alguns países da União Europeia a propósito da sentença do “caso Khodorkovski”, que começou a ser lida na véspera.
“A propósito das declarações feitas em Washington e nalgumas capitais da União Europeia sobre o julgamento de Mikhail Khodorkovski e Platon Lebedev, gostaríamos de sublinhar que se trata de uma questão da competência do sistema judicial da Rússia”, lê-se num comunicado publicado pela diplomacia russa.
Segundo ela, “as tentativas de exercer pressão sobre o tribunal são inaceitáveis”.
“O Presidente da Rússia sublinhou, numa entrevista recentemente dada aos maiores canais de televisão russos, que ninguém tem o direito de interferir com as prerrogativas dos órgãos judiciais”, sublinha-se.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia esqueceu-se de assinalar que o primeiro-ministro russo foi o primeiro a desrespeitar a opinião do Presidente Medvedev ao declarar que "o ladrão deve continuar na prisão" antes de ser lida a sentença.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia recorda que Khodorkovski e Lebedev são acusados de crimes graves como “fuga ao fisco” e “branqueamento de capitais conseguidos por via criminosa”.
“A propósito, nos Estados Unidos, esses crimes são punidos com penas de prisão perpétua. As opiniões sobre a justiça tendenciosa na Rússia não têm fundamento, os tribunais russos analisam milhares de processos que dizem respeito à responsabilidade de empresários face à lei”, acrescenta-se no comunicado.
A diplomacia russa conclui: “esperamos que cada um se dedique aos seus assuntos, tanto em casa, como no campo internacional”.
Na véspera, o Tribunal Khomovnik de Moscovo considerou provadas as acusações de “roubo de petróleo”, “branqueamento de capitais” e “crime organizado” por parte do antigo patrão da petrolífera russa YUKOS, Mikhail Khodorkovski, e do seu sócio, Platon Lebedev.
A leitura da sentença continua e os arguidos podem incorrer em penas de prisão até 14 anos.
Organizações russas e internacionais de direitos humanos consideram este julgamento “uma farsa” e uma “vingança” do primeiro-ministro Vladimir Putin em relação a um adversário político.
Espero enganar-me, mas começo a suspeitar que o fim da leitura da sentença ocorrerá no dia 31 de Dezembro para ter menos impacto na opinião pública.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Blog do leitor (Back in the USSR?)

Texto enviado por António Campos:

"Dei a esta peça o título de uma conhecida canção dos Beatles, composta em 1968 em plena guerra fria, a qual me parece constituir um pano de fundo adequado para ilustrar, quase vinte anos volvidos sobre a queda do muro de Berlim, o rumo da história dessa região do mundo.
Nas últimas semanas, três acontecimentos importantes (e sem trazerem grandes surpresas para muitos dos observadores obcecados pela região, tais como eu próprio) tornaram-se num símbolo claro do que a antiga URSS acabou por se tornar: uma amálgama de estados autoritários governados por pequenas elites corruptas cada vez mais ricas que emperram o desenvolvimento social e económico dos seus países, a orbitar em torno do maior e mais corrupto estado de todos. Tal como nos tempos da União Soviética, a Rússia é o epicentro deste terremoto social que dura há já quase vinte anos.
No início do mês de Dezembro, uma peça no Vedomosti confirmava o que já todos sabíamos: que, mau grado a aparente preocupação, de Medvedev relativamente às múltiplas queixas da incipiente “sociedade civil” russa no que respeita às violações ambientais na floresta de Khimki, nos arredores de Moscovo, a construção da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo vai mesmo para a frente, respeitando o traçado original. Que se lixe a floresta. A tal não é certamente alheia a maquinação entre o governo francês (país de origem do consórcio construtor) e o Kremlin, que através de uma obscura personagem chamada Sergei Chemezov, antigo agente do KGB em Dresden e actual director da Russia Technologies e da Rosoboronexport - o monopólio estatal russo da exportação de equipamento militar - (e galardoado, sabe-se lá porquê, com a Légion d’Honneur francesa), negoceiam contratos bilionários de venda de material bélico. E não nos esqueçamos também de Arkady Rotenberg, amigalhaço de longa data de Vladimir Putin e instrutor de judo convertido em banqueiro milionário e um dos principais fornecedores de tubagens para a Gazprom, que terá sido nomeado para dirigir a construção da dita auto-estrada. Mais do que óbvio, a “moratória” decretada pelo presidente Medvedev sobre a construção da auto-estrada, para permitir a “consulta” às organizações ambientais e ao público, foi apenas um ardil para esvaziar a pressão pública e fazer a história cair no esquecimento. Kremlin e seus esbirros 1, sociedade civil, zero.
Depois, surgem os acontecimentos do dia 19 de Dezembro na Bielorrússia. Ainda está fresca na nossa memória a campanha do Kremlin contra o presidente bielorrusso em exercício, com longos documentários nas televisões oficiais a retratá-lo como autocrata corrupto e brutamontes, vilificações online de parte a parte e rumores de que o Kremlin estaria a financiar candidatos da oposição. Mas subitamente, numa semelhança assustadora com o pacto Molotov-Ribbentrop entre a Alemanha e a União Soviética em 1939, uma jogada de bastidores entre os aparentes inimigos viscerais Lukashenka e Medvedev coloca a Bielorrússia mais uma vez sob a protecção financeira do Kremlin, conferindo carta branca ao presidente bielorrusso para mostrar ao mundo (e especialmente ao seu próprio povo) de que o degelo pré-eleitoral, que tantas esperanças deu a democratas do lado de cá e de lá, não era mais do que papas e bolos para enganar tolos (especialmente os de Bruxelas). O Kremlin colocou mais uma vez a pata sobre um seu vizinho, agora oficialmente dependente da Rússia, a incipiente sociedade civil bielorrussa dissolveu-se no lamaçal dos cárceres do KGB em Minsk perante a impotência e indiferença do ocidente, bem como a hipocrisia de Medvedev, que após ter feito votos de que “as eleições fossem um passo em frente na democratização da Bielorrússia”, descartou as violações dos direitos humanos como um “assunto interno de outro país”. Putin esfregou as mãos de contente com mais uma expansão territorial. Kremlin 2, sociedade civil zero.
Hoje foi dado a público o veredicto do segundo julgamento de Mikhail Khodorkovsky. Num processo que faria envergonhar qualquer pessoa no mundo que entende a necessidade de um sistema judicial justo e independente dos outros poderes, o antigo oligarca e principal accionista da petrolífera Yukos foi considerado culpado de desvio de fundos e recursos da sua antiga empresa. Os que seguiram o julgamento sabem que as acusações eram absurdas e as motivações políticas. Como refere o Economist, “o verdadeiro crime de Khodorkovsky foi ter-se tornado numa ameaça a Vladimir Putin (que se tornou presidente no ano 2000), agindo como proprietário independente em vez de gestor servil dos recursos naturais da Rússia, e usando a sua influência para contrariar o objectivo de Putin de construir um petro-regime autoritário. O seu encarceramento, e o desmantelamento da Yukos foram essenciais para Putin e para o sistema violento e corrupto que estava a construir.” Com as suas declarações descaradas nos media sobre a “culpabilidade” de Khodorkovsky, o primeiro-ministro russo deitou definitivamente por terra toda a retórica do presidente sobre o alegado combate ao niilismo legal que corrói o país. Kremlin 3; sociedade civil zero.
Com todos estes aparentes sucessos, Vladimir Putin sentir-se-á certamente indestrutível como virtual ditador inquestionável de um território que se vai diariamente aproximando dos limites do que foi a União Soviética, e que insiste em estender os seus tentáculos energéticos até para bem dentro da União Europeia e outros países (http://darussia.blogspot.com/2010/09/blog-do-leitor-nova-horda-mundial.html). Sob os seus auspícios, constrói-se um império em que os antigos oligarcas foram substituídos pelo que o sociólogo Alexander Oslon chamou “empresários-burocratas”, que “privatizaram um activo fraco e sub-capitalizado: o estado russo”. Apagada definitivamente a noção incómoda de conflitos de interesses e com as forças de segurança ao seu serviço, estes novos empresários dividem entre si os lucros da venda das matérias-primas e prestam vassalagem ao imperador a troco de uns biliões enterrados em offshores, villas na Côte D’Azur, Bugattis Veyron e internatos para os rebentos no Eton College.
Mas pouco sobra para a resolução dos graves problemas que continuam a afectar a população. E, mais importante ainda, para a modernização das infra-estruturas e da indústria. Desde o colapso da União Soviética, foi construída uma fábrica de cimento e não foi construída sequer uma única nova refinaria petrolífera na Rússia. As empresas russas preferem investir no estrangeiro e não no seu país (http://darussia.blogspot.com/2010/12/blog-do-leitor-o-dilema-da-nao.html). E o investimento estrangeiro, a encolher cada dia que passa, acabou de levar mais um rude golpe com a condenação de Khodorkovsky. Tal como nos últimos dias da União Soviética, assistimos a uma estagnação de uma economia mantida à tona apenas pela venda de matérias-primas e pelo aumento da despesa pública destinada a manter a popularidade dos governantes. E pela ilusão de uma modernização que não sai do papel.
Na sua obsessão pela grandeza soviética, Putin continua a fazer tudo para reverter a história e restabelecer o império. Mantendo bem nutrida a sua corte de empresários-burocratas, usa a corrupção como base para o seu poder, compra os líderes nacionais dos antigos satelites imperiais e procura estender da mesma forma o tentáculo energético além-fronteiras. Mas o período de estabilização e ressurgimento que muitos lhe dão crédito está a chegar ao fim. E a verdade é que os mitos de grandeza soviética, expansão territorial e grunhidos bélicos anti-ocidentais não resistem à estagnação económica, ao subdesenvolvimento industrial, à decrepitude das infra-estruturas, à abertura para o exterior que o país goza, bem como às tecnologias como a internet, que dificilmente são controladas pela propaganda. Em onda lenta, mas crescente, a população está a passar de indiferente para farta do sistema vigente, dividido entre “nós”, a população, e “eles”, os das luzinhas azuis em cima dos carros. E quando uma parte da elite perceber que o sistema é insustentável tal como Putin o imaginou, poderá perder a vontade de o defender, tal como aconteceu nos no período dos esgares finais da URSS.
E talvez quando chegarmos a esse ponto, a História poderá repetir-se."

Blog do leitor (Vou ou fico?)

Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre:

 
"Coluna semanal de Svetlana Kolchik* (RIA Novosti)

“Já é hora de fazer as malas”. Esta é a ideia que ouço de muitos amigos após os recentes distúrbios em Moscovo.

“Está na hora de mudar de país”, dizia um amigo jornalista na sua página no Facebook. A sua mensagem não insinuava mudanças na Rússia mas sim que o melhor era procurar outro país para viver. Começou um debate virtual e muitos participantes concordaram com ele. Quando a situação na Rússia se torna mais dura e sobretudo imprevisível, inevitavelmente surge a questão de fazer as malas e ir embora.

Talvez valha a pena pelo menos pensar nisso?

Para dizer a verdade, ao longo de muitos anos fiz a mim própria esta pergunta. Desde que me recordo de mim mesma, os meus pais e, especialmente, a minha mãe, artista dissidente nascida no Gulag, incitavam-me a “fazer os possíveis por abandonar este país sem futuro”.

A dada altura vi-me a viver no outro lado do Atlântico, americanizando-me rapidamente e planeando transformar a América na minha nova pátria. Mas as circunstâncias, a minha vida pessoal, as minhas opções profissionais e essa força misteriosa chamada destino, levaram-me a regressar por casualidade. Foi há uns oito anos e, ao longo de todo este período, perguntei-me muitas vezes se teria feito bem em não abandonar a Rússia, especialmente tendo tantas oportunidades para o fazer.

Estou agora precisamente a fazer as malas, não para ir embora de vez mas sim para voltar, após uma viagem de negócios e umas férias de uma semana. Ainda que sempre me tenha sentido afortunada por poder viajar regularmente, antes gostava de deixar Moscovo (era uma pausa para descansar do metro apinhado nas horas de ponta, dos engarrafamentos, dos rostos depressivos dos meus compatriotas) mas ultimamente volto ao meu país com muito mais gosto.

Talvez isso signifique que me sinto mais velha e mais consciente das raízes e das prioridades ou então é esta milagrosa sensação inspiradora de ser cidadã do mundo, que surge quando viajamos frequentemente.

Mas nem todos sentem o mesmo. “Já me teria ido embora se soubesse que encontrava um bom trabalho no estrangeiro”, confessou-me uma amiga, editora-chefe de uma famosa revista feminina e mãe de um menino de dois anos. Depois perguntou-me se eu podia contar com algo no caso de abandonar a Rússia. Com uma voz desesperadamente áspera e alarmada, disse que “as coisas não melhoram na Rússia, até pioram, aproximamo-nos de uma guerra civil”.

“Não quero envelhecer neste país, já que conheço a situação por dentro e isso não me inspira optimismo”, disse-me outra jovem, que trabalha como consultora do Banco Mundial para a reforma governamental da Rússia.

“Está tudo bem se ganhas bom dinheiro e tens bons amigos, assim durante certo tempo esqueces-te que vives aqui. Mas este país recorda-te constantemente que as coisas estão a ir por um caminho infeliz”, disse outra amiga, que está bem na vida, é produtora de televisão e teve a oportunidade de obter um passaporte norte-americano. Acrescentou que, para ela, já está fora de questão criar os filhos na Rússia e que, juntamente com o marido, tenciona mudar-se para os EUA nos finais do próximo ano.

Chamem-me superficial, desinformada ou irresponsável mas, ainda que às vezes o que se passa na Rússia me envergonhe, não me sinto pessimista. Simplesmente não me quero sentir. Na realidade, sinto-me ligada ao meu país através de uma rara relação de amor e ódio. Tal como em qualquer relação de dependência, sou um pouco viciada nas coisas que me deixam louca aqui.

Sinto a adrenalina de não saber o que irá acontecer no futuro próximo e o repousante sentimento de que tens que tirar partido da vida hoje, porque amanhã poderás já não ter essa oportunidade; a satisfação infinita que te dá o facto de solucionar problemas, ainda que tão ridículos como encontrar um desvio para evitar um engarrafamento e chegar ao trabalho a tempo; o clima desafiante que te faz apreciar o dia quando ocasionalmente faz bom tempo.

Os sinais esporádicos de “normalidade”, as coisas que preenchem o teu dia na Rússia: o vizinho que te cumprimenta ou te sorri inesperadamente no elevador, um desconhecido que te estende a mão quando cais no passeio, o rapaz ao volante que te cede a passagem, a nova padaria acolhedora ao estilo parisiense com uma boa selecção de baguettes frescas e um bom café a preço moderado….

Após viver em vários países e ver os seus problemas (a erva parece sempre mais verde do outro lado da estrada, no sítio onde não viveste e aquele aonde nunca foste), comecei a tratar o meu país como um familiar com os seus defeitos, que de certa forma toleras e até aprendes a gostar apesar de tudo.

Contra a perspectiva deprimente, gostaria de acreditar que o destino da Rússia não é um livro fechado. Que o bem-estar do país, pelo menos no mínimo, depende da nossa esperança, da nossa decisão de ficar e da nossa capacidade de dedicação.



* Jornalista russa, directora adjunta da revista Marie Claire. Formou-se na Universidade Estatal de Moscovo (faculdade de jornalismo) e na Universidade de Columbia (Escola de Estudos Avançados em Jornalismo) colaborou com o jornal Argumenti i Fakti, USA Today em Washington, com o RussiaProfile.org, edições russas da Vogue, Forbes e outras".