quinta-feira, dezembro 16, 2010

Blog do leitor (O Ocaso às Três da Tarde)

O nosso leitor António Campos acaba de regresssar da Bielorrússia, onde no domingo Alexandre Lukachenko, o último ditador da Europa, irá ser eleito para n vezes Presidente da República. Aqui fica o seu diário:

"Chegámos a Minsk, como habitualmente, à hora do jantar. O aeroporto, tradicionalmente deserto, é um agradável desvio do que estamos habituados na Europa ocidental: pequeno, limpo e sepulcralmente silencioso. Na secção de vistos, ficámos a saber que existe uma misteriosa discriminação no que toca aos preços dos vistos para os cidadãos do Reino Unido e dos EUA: quase o triplo do que desembolsa um viajante da restante União Europeia. O infeliz americano que, por pressa ou esquecimento, não peça um visto no consulado no seu país, terá que desembolsar, no aeroporto, a módica quantia de 450 dólares para ter o privilégio de visitar a última república soviética. Perto da secção de vistos, uma menina pós-adolescente com uma voz doce e jeans apertados deambula pelo átrio, relembrando os passageiros mais descuidados, do alto dos seus stilettos sobredimensionados, da obrigatoriedade da contratação do seguro de saúde nacional. A minha insistência de que os milhentos cartões de crédito afundados na minha carteira têm seguros para todos os gostos não a demove. E lá tenho, após preencher mais uma resma de papeladas, que desembolsar os meus últimos 3 euros para poder entrar.
Os 40 quilómetros entre o aeroporto e a capital estão mais iluminados do que nunca. A uma semana das eleições, a campanha presidencial corre a todo o vapor, com outdoors temáticos a mostrar sorridentes representantes das classes trabalhadoras do país. À noite, Minsk parece mais uma Las Vegas pós-soviética do que as sinistras cidades russas e ucranianas quase desprovidas de iluminação que era habitual ver há cinco anos atrás. E não são só os monumentos nacionais e os edifícios governamentais (e claro, a famosa “nave-espacial-biblioteca-nacional” com os seus jogos multicolores de néon) que brilham no escuro. Aparentemente, todos os empreendimentos habitacionais recentes, construídos ao estilo novo-russo moscovita, beneficiam de uma iluminação indirecta feérica e simultaneamente berrante. Quando se trata de causar impacto, o município não olha a gastos.
O nosso simpático condutor de serviço, um jovem economista despreocupado que encontrou emprego na fábrica do seu avô, um antigo director vermelho e apparatchik militante, está confuso. Depois de inúmeras hesitações e repetidos percursos nas intermináveis circulares que contornam a cidade, que me fazem parecer andarmos em círculos na mesma área, fico a saber que estamos em busca de uma tal avenida Dzerzhinsky, o que me faz sempre soltar uma pequena gargalhada desdenhosa, por mais vezes que ouça coisas destas. Perante a indiferença geral, os criminosos bolcheviques continuam a beneficiar de um lugar no mundo onde lhes é oferecido um pedestal de honra.
A nossa anfitriã, Irina, espera-nos para um jantar previsivelmente regado com vodka bielorrussa e línguas soltas. Mãe de dois filhos em idade universitária, mora numa casa modesta mas agradável e, com uma expressão triste, responde aos meus comentários sobre a iluminação urbana com um toque sarcástico: por fora é tudo muito bonito. Mas por dentro está podre. O seu marido, director numa empresa de construção estatal, está na prisão a cumprir uma pena de 7 anos por “corrupção”. O facto de Irina viver no pequeno apartamento que habita há décadas e nunca ter tido carro na vida não combina com os argumentos que colocaram Dima na cadeia, o que foi suficiente para aguçar a minha curiosidade. A história de Dima é a de alguém que nunca quis entrar no sistema. Irina relata, com um visível escárnio na face, que “ele nunca quis aceitar subornos para podermos todos dormir descansados; e vejam como acabámos. Mais valia termos entrado no jogo”. Tramado por colegas corruptos e julgado por um juiz comprado, foi afastado da engrenagem dos concursos viciados por ser um entrave ao seu “bom funcionamento”. Mas, na casa de Irina, a vida tem que continuar. O quarto da filha, agora a estudar em Vitebsk, foi alugado a uma estudante na capital. “As pessoas sentem-se tristes e sem esperança”, diz a minha interlocutora. “Mas ninguém protesta porque o medo é mais forte. E se todos ficam em casa com medo, de que serve ir para a rua?”
Sem estar totalmente convencido, e ainda com a memória fresca da “revolução” de 2006, no dia seguinte à tarde, um sábado, fomos para o centro procurar activismo nas ruas. A uma semana das eleições presidenciais tinha que haver qualquer coisa. Ao sair do apartamento, a visão de um pequeno cartaz do oposicionista Andrei Sannikov pendurado alto num poste ao lado de uma multidão de anúncios de detergentes e telemóveis, foi um sinal encorajador. Mas as ilusões desfizeram-se rapidamente ao chegarmos à praça Oktyabrskaya: apenas transeuntes e famílias aproveitando o gelo sólido no terreiro em frente ao palácio dos concertos, cujo centro está ocupado por uma gigantesca árvore de natal cónica iluminada, para conceder uma curta diversão invernal a crianças pré-pubescentes. Qualquer observador europeu duvidaria que a eleição presidencial está à distância de uma semana. A nossa visita à praça onde se encontra o parlamento foi ainda mais desoladora. Sob um vento cortante e praticamente deserto, o local tinha para nos oferecer apenas duas presenças importantes: a estátua de bronze de Lenine em frente ao edifício verde militar ocupado pelo órgão legislativo do país e dois enormes posters do papa João Paulo II no átrio da principal igreja católica da cidade. Pequenos magotes de jovens aqui e ali, concentrados nas suas garrafas de cerveja e em conversas sobre as virtudes dos carros importados da Lituânia. E o ruído do vento com breves ameaços de sol no ocaso que se avizinha às três da tarde.
Fomos comer. Acabámos por entrar num buffet superlotado chamado “Lido”, pertença de um alto funcionário da administração presidencial, que acumula as suas funções oficiais com as de empresário de sucesso. Um dos nossos acompanhantes diz-nos em voz baixa: “o restaurante foi renovado há pouco tempo. Metade do pessoal de um hospital próximo foi requisitada para as obras e as limpezas”. De facto, um número muito significativo de negócios prósperos tem ligações à entourage de Lukashenka. O enorme stand da Porsche, algo deslocado no contexto urbano de Minsk, muitos restaurantes, hotéis e um cada vez maior número de casinos são invariavelmente propriedade de alguém próximo do presidente ou de quem presta uma generosa vassalagem financeira aos plutocratas que governam o país.
A caminho de casa, depois de passarmos por um edifício oferecendo uma exibição temática inteiramente dedicada ao Irão, reparo numa banca de jornais com uma publicação diária mostrando um par de sorrisos presidenciais estampados nas faces de Aleksandr e Dmitry, e adivinho mais um volte-face nas pitorescas relações entre as duas autocracias vizinhas. “Então voltaram a ser amigos?”, pensei. A resposta foi-me dada horas depois, numa conferência de imprensa do presidente bielorrusso transmitida pela televisão desde Moscovo. “Todas as questões foram sanadas entre os dois estados irmãos e o abastecimento de gás está assegurado”, afirma com pompa o antigo gerente de unidades colectivas. “Bye-bye Europa”, responde sorrindo Andrei, ao meu lado. Mas terá passado alguma vez pela cabeça de Andrei que Lukashenka e Europa são conceitos possíveis de conciliar, com ou sem Rússia no baralho?
Nessa mesma noite, foi-me possível assistir, também pela televisão, a única coisa aparentada a campanha eleitoral: uma peça com a chefe da comissão eleitoral Lidia Yermoshina, afirmando em tom desdenhoso que “a oposição está totalmente de costas viradas para os eleitores”, seguida de uma série de “entrevistas” ao acaso a transeuntes, que explicam todos, sem excepção, porque vão votar em Lukashenka e porque a oposição não é credível, uma vez que está a soldo do imperialismo ocidental. O boletim noticioso acaba com imagens de um confronto violento entre hooligans e a polícia no Reino Unido, para compor a mensagem. Ao mesmo tempo, a versão sanitizada para a Bielorrússia da estação de televisão NTV transmitia em diferido a gala para crianças com cancro que contou, entre outros, com a vedeta internacional da canção Vladimir Putin. O machado foi enterrado. A guerra da informação entre os dois países terminou. Porquê, ninguém sabe ao certo e já não há quem se dê ao trabalho de especular.
No dia seguinte, procuramos saber a localização dos campos de morte de Kurapaty, onde estimativas apontam que estejam enterradas, em valas comuns, entre 100 e 200 mil vítimas da violência do NKVD entre 1937 e 1941. “Kurapaty? O que é isso? Um restaurante novo? Uma discoteca?” são as respostas que invariavelmente recebemos. Nunca ninguém ouviu falar. A nossa referência a violência política leva os nossos interlocutores a insistirem apenas num nome: Khatyn, aldeia a cerca de 50 km de Minsk e palco de um massacre de 180 aldeões pelos alemães em 1943. Sou levado a pensar na razão pela qual, num país onde, de acordo com os números oficiais, 627 aldeias foram totalmente destruídas pelas SS durante a operação Barbarossa, foi precisamente Khatyn, cujo nome é foneticamente semelhante ao da floresta de Katyn (local do massacre de 4000 oficiais polacos pelo NKVD), que teve honras de receber o maior memorial do país às vítimas da repressão e, pelos vistos, o único que as pessoas conhecem. Nada é deixado ao acaso. A versão cor-de-rosa do legado estalinista está a ser eficazmente defendida pelo estado e a psicologia da linguagem é uma arma nesta batalha. Sobre o memorial de Khatyn, o sol estava frio e radioso, e as centenas de rosas secas deitadas no granito sublinhavam a justiça sobre uns face à indiferença sobre atrocidades muito mais graves. Estou certo de que Kurapaty não teve um único visitante nesse dia.
Vitebsk. Nesta cidade semi-adormecida que vive ao ritmo a que os flocos de neve teimam em pairar no ar, um manto branco parece purificar a culpa e a resignação da população silenciosa que já não espera nada de quem a governa. Pouquíssima gente assistiu aqui ao debate entre candidatos presidenciais, na noite em que o seu presidente, que não se considera ele próprio um candidato, se divertia, nesta mesma cidade, com um jogo de hóquei da sua equipa, transmitido pela televisão noutro canal. Irina já tinha colocado o dedo na ferida quando afirmou: “neste país só há dois caminhos: a aceitação ou a prisão”. O segredo da sobrevivência (e para a maioria, não mais do que isto) é aceitar as regras do jogo.
Viramo-nos para a internet e os posts sucedem-se. O website tut.by anuncia que realizou uma sondagem de intenções de voto online no dia 13. Estando proibido pela legislação de divulgar os resultados da mesma, multiplica-se em comentários criptográficos para veicular o máximo de informação. Num debate onde estavam presentes em estúdio os candidatos Nikolai Statkyevich, Yaroslav Romanchuk e Vitaly Rimashevsky, afirmam que o candidato maioritário está entre eles e que, no total, os convidados contam com 60% dos votos. Os restantes seis candidatos votados (incluindo Lukashenka) contentam-se em partilhar os 40% remanescentes. Em casa, ouvem-se comentários prudentemente esperançosos, que lembram a meia-hora que precede o sorteio semanal do euromilhões. Entre fatias de pão com peixe fumado e manteiga e tragos de vodka, aposta-se em Statkyevich e sonha-se com a mudança que tarda. Sonha-se com a Europa. É só uma sondagem, mas o desejo de mudança é tal que todos os indícios, por mais ténues que sejam, servem para deixar escapar pequenas expressões faciais de entusiasmo. Mas a votação antecipada já se iniciou e os oposicionistas começam imediatamente a gritar “batota”. Numa eleição na qual dos mais de dois mil observadores designados, apenas nove estão afectos a forças da oposição, não será difícil manipular os resultados. O site tut.by não pára de reportar casos de coacção sobre estudantes e operários de várias fábricas para que recorram ao voto antecipado, bem como situações em que os observadores independentes foram impedidos de desempenhar as suas funções. Foram também relatados casos de desaparecimento de urnas dos locais de voto.
E não deixa de ser revelador que o presidente em funções, além de estar efusivamente optimista com a sua misteriosa reconciliação com o Kremlin, revela-se descaradamente desinteressado do processo eleitoral, não traindo qualquer preocupação face ao risco de uma eventual perda do poleiro. Risco esse que, em qualquer caso, ninguém tem a ousadia de pensar que decorreria de um sufrágio popular justo. Quem se entusiasmou e encarou a birra de há uns meses entre a Bielorrússia e o seu “irmão sénior” como uma oportunidade de mudança deixou de ter razões para optimismo.
No caminho para o aeroporto esta manhã, não consigo ficar insensível ao brilho puro dos mantos brancos que cobrem as terras aráveis que orlam a auto-estrada. É bonito. Tanto no verão como no inverno, a Bielorrússia mostra-se aprazível à sua maneira da Europa setentrional. Um dos países mais massacrados pela guerra, vê agora também a sua população jovem a abandonar o país em busca da viragem na sorte e sua meia-idade morrer prematuramente. O êxodo em massa só é travado pelas dificuldades de linguagem, uma vez que a esmagadora maioria dos cidadãos fala apenas russo. No reinado de Lukashenka, a população encolheu 500 mil habitantes e a Bielorrússia continua a ser a campeã mundial do suicídio. O brilho da alma branca do território levará ainda muitos anos a encontrar reflexo no espírito dos seus habitantes.
Para os bielorrussos, o próximo domingo não será certamente o aguardado primeiro dia do resto das suas vidas".

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Serviços secretos russos devem aproveitar ao máximo as revelações no Wilileaks

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O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, exigiu hoje do Serviço de Reconhecimento Externo (SVR, ex-KGB) que tire o máximo proveito da fuga de informação publicada no sítio Wikileaks.

“A corrente informativa global em que se viu mergulhado o nosso Globo Terrestre mudou consideravelmente o sistema de tomada de decisões, criou novos problemas. Alguns deles, como se costuma dizer, estão à vista nos últimos meses”, declarou ele numa reunião dedicada ao 90º aniversário do SVR.

Medvedev expôs os aspetos negativos e positivos desse processo.

“Isso é bom em parte, pelo menos isso concede aos serviços de inteligência possibilidades analíticas suplementares, ver como os potenciais concorrentes olham para ti”, explicou.

“Por outro lado, isso cria complicações, porque, por razões compreensíveis, ninguém está protegido disso e esse factor é preciso ter em conta no trabalho diário”, concluiu.

Leitura de sentença no julgamento de Khodorkovski adiada sem explicações

Мать экс-главы ЮКОСа Марина Ходорковская читает объявление о переносе заседания суда

O Tribunal de Khomovnik de Moscovo adiou para o dia 27 de dezembro a leitura da sentença no segundo processo contra o ex-dono da petrolífera russa YUKOS, Mikhail Khodorkovski, e o presidente do grupo Menatep, Platon Lebedev.

Várias centenas de jornalistas e pessoas que pretendiam assistir à leitura da sentença chegaram ao tribunal e depararam com um aviso na porta do edifício sobre o adiamento da leitura da sentença.

Tatiana Vassilieva, porta-voz do tribunal, recusou-se a revelar aos jornalistas as causas do adiamento, sublinhando apenas que “o juiz Viktor Danilkin informou a prisão onde se encontram os réus”.

“Não foram dadas explicações sobre o adiamento, mas, se vierem a aparecer, talvez dirão que o juiz não teve tempo de escrever o veredito”, considerou Vladimir Krasnov, advogado da defesa.

Iúri Shmit, outro advogado de defesa do antigo patrão da YUKOS, admitiu que o adiamento da leitura se pode ter devido ao fato de as autoridades desejarem “retirar impacto ao acontecimento”.

Numerosos diplomatas, deputados, políticos e jornalistas estrangeiros vieram especialmente à capital russa para assistir à leitura da sentença.

Iúri Shmit recordou que o mesmo aconteceu durante o primeiro processo, quando Khodorkovski e Lebedev foram condenados a oito anos de prisão em 2005 por fraude e evasão fiscal.

O segundo processo foi aberto pelas autoridades em 2006: Khodorkovski e Lebedev foram acusados de terem roubado mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e legalizar o dinheiro procedente de actividades ilegais.

Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, acusou Khodorkovski de ter os braços afundados em sangue até aos cotovelos.

A acusação pede 14 anos de prisão e a defesa pede uma “sentença absolutória”.

Organizações russas e internacionais de defesa dos direitos humanos consideram este julgamento um processo político.

Estudante angolano agredido no Metropolitano de Moscovo


 Fong Vladnei Nunes, estudante angolano da Universidade de Aviação Civil de Moscovo, foi violentemente espancado numa das estações do metropolitano da capital russa, revelou o próprio à Agência Lusa.

Este incidente, que ocorreu no sábado à tarde, está ligado aos confrontos entre a polícia e nacionalistas russos ocorridos à mesma hora e num local próximo.

Quando os agentes começaram a dispersar os manifestantes da Praça Manejnaia, estes começaram a entrar nas estações de metropolitano perto do local e a espancar pessoas que não tinham “ar eslavo”.

“Eu estava na estação Lubianka (situada a algumas centenas de metros da Manejnaia) e regressava a casa da universidade. Comecei a ser agredido, com tacos de baseball, por um grupo de cerca de 20 pessoas. Deram-me várias pancadas”, relata o estudante.

Segundo ele, os agressores gritavam: “Isto é a Rússia!, Isto é a Rússia!”.

“Não havia polícia no local, alguns dos agressores traziam facas na mão e só escapei com vida porque consegui entrar num comboio que fechou logo as portas atrás de mim e nenhum deles conseguiu seguir-me”, continua.

Fong Vladnei Nunes queixa-se de dores nas costas, mas receia sair à rua com medo de ser alvo de novos ataques de jovens nacionalistas.

“Não sei que fazer, deixei de ir à universidade, tenho receio”, concluiu ele.

Os confrontos entre adeptos do Spartak de Moscovo, militantes nacionalistas e a polícia russa, que tiveram lugar a poucos metros do Kremlin, provocaram cerca de 30 feridos.

A Praça Manejnaia da capital russa, a poucos metros do Kremlin, transformou-se no palco de uma verdadeira batalha campal entre manifestantes e polícias.

Cerca de seis mil adeptos de futebol e militantes nacionalistas, que se reuniram no local para protestar contra a falta de eficácia da polícia na detenção do assassino de um adepto do clube Spartak de Moscovo, envolveram-se em confrontos com a polícia de choque russa (OMON).

Os incidentes começaram quando os manifestantes espancaram três pessoas originárias do Cáucaso do Norte russo, região de onde é originário o alegado assassino do adepto do Spartak.

Iegor Sviridov foi assassinado a tiro durante confrontos entre um grupo de adeptos do Spartak e originários do Cáucaso do Norte, no passado dia 06 de Dezembro.

A polícia não deteve logo os autores dos desacatos e, na passada terça-feira, mais de mil apoiantes do Spartak manifestaram-se no centro da capital russa a fim de exigir a detenção do autor dos tiros que vitimou Sviridov.

Durante a manifestação, apoiada por grupos nacionalistas russos, foram gritadas palavras de ordem como “Rússia para os russos”, “Moscovo para os moscovitas”.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Presidente Medvedev dá luz verde a auto-estrada entre Moscovo e São Petersburgo

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, espera que as medidas de compensação tomadas no quadro da decisão de retomar a construção da auto-estrada entre Moscovo e São Petersburgo minimizem os prejuízos ambientais.

“O diálogo ativo com a sociedade permitiram aumentar consideravelmente as medidas compensatórias e o Presidente espera que elas minimizem os prejuízos”, revelou Natália Timakova, porta-voz do Kremlin.

Segundo ela, “o Presidente considera que os grandes projetos que afetam os interesses dos cidadãos, a ecologia, devem ser objeto de diálogo entre o poder, os homens de negócios e a sociedade civil. O exemplo da floresta de Khimkin deve ser um exemplo para todos”.

Medvedev acusou Iúri Lujkov, ex-presidente da Câmara de Moscovo, de, no início, não ter aceite projetos alternativos devido aos interesses de “estruturas próximas do governo de Moscovo”.

Hoje, uma comissão governamental considerou que a auto-estrada entre Moscovo e São Petersburgo deverá passar pela floresta de Khimki (arredores de Moscovo), anunciou hoje Serguei Ivanov, vice-primeiro-ministro russo.

O projeto de construção de uma auto-estrada entre as duas maiores cidades russas através da floresta Khimki provocou fortes protestos dos habitantes da vizinhança, que foram apoiados pelos ecologistas e pela oposição política.

Segundo os adversários do projeto, a nova construção vai levar ao abate de 144 hectares de floresta.

Os protestos contra essa proposta levaram o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, a suspender, em Agosto passado, a realização da obra e a submetê-la a um exame suplementar.

Desta vez, a proposta hoje revelada é acompanhada de medidas para compensar os prejuízos ambientais que poderão ser provocados pelas obras.

Serguei Ivanov anunciou que os organismos competentes irão plantar 500 hectares de floresta para compensar os 100 hectares abatidos.

Além disso, ele garantiu que junto do troço da auto-estrada que vai passar através da floresta de Khimki “não será construída qualquer infraestrutura”.

As organizações ambientais russas não excluem a possibilidade de contestarem essa decisão nos tribunais.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Moscovo pretende gastar 500 mil milhões de euros na modernização de armamentos até 2020

Около 5 трлн из них пойдет на комплексное переоснащение ВМФ страны, сообщил глава правительства на совещании по вопросу формирования проекта госпрограммы вооружения на 2011-2020 годы в Северодвинске в понедельник

A Rússia planeia investir 20 biliões de rublos (500 mil milhões de euros) até 2020 na modernização de armamentos, anunciou hoje o primeiro- ministro russo.
“Até me sinto mal ao pronunciar esta quantia”, declarou Vladimir Putin, acrescentando que “ela foi calculada e fundamentada pelo Ministério da Defesa e pelo Estado Maior General das Forças Armadas da Rússia”.
Numa reunião realizada na base naval de Severodvinsk, no norte da Rússia, o dirigente russo revelou que o programa de rearmamento do país até 2010 prevê a aquisição de 1300 novos tipos de armamento.
“Para o fabrico de 220 deles é necessário abrir ou alargar novas fábricas”, acrescentou.
“Para modernizar a Armada russa planeia-se investir 150 mil milhões de euros até 2020. Um terço dessa quantia será investido nos próximos cinco anos”, precisou Putin numa reunião dedicada ao projeto do programa estatal de armamento para 2011-2020.
Segundo ele, “como se trata da modernização da Marinha, necessitamos de renovar a sua base material e técnica, criar as forças nucleares estratégicas com base nos submarinos atómicos de quarta geração e equipar a Marinha de navios modernos”.
Na reunião participaram o vice-primeiro-ministro, Serguei Ivanov; o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov; o diretor da Agência Espacial da Rússia, Anatoli Perminov; o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Nikolai Mararov, bem como dirigentes de outros ministérios.
Recentemente, uma amiga russa dizia-me com uma grande dose de ironia: "a corrida aos armamentos conduziu à derrocada da União Soviética, enquanto que o fim da Rússia poderá ser provocado pela corrida às finais desportivas". Neste caso, Vladimir Putin envolve o seu país em duas corridas, mas resta saber se o petróleo e o gás darão para pagar tudo isso e o resto.  

Confrontos étnicos com resultados imprevisíveis

Os confrontos entre manifestantes e polícia de choque, ocorridos a poucos metros do Kremlin no passado Sábado, são um sinal preocupante, pois podem ter continuação com resultados imprevisíveis.
O motivo da convocação da manifestação foi o assassinato de um adepto do clube de futebol Spartak de Moscovo por um jovem originário do Cáucaso do Norte. Ou mais precisamente, a manifestação pretendia ser um protesto contra a actuação tardia da polícia em relação ao alegado assassino.
Mas quem esteve na Praça Manejnaia teve oportunidade de observar que os adeptos de futebol estavam em clara minoria entre os manifestantes. Bandeiras nacionalistas e palavras de ordem do tipo: "Rússia para os russos e Moscovo para os moscovitas" não deixavam dúvida quanto às verdadeiras intenções dos participantes nessa iniciativa.
Já não é tão clara, bem pelo contrário, a posição das autoridades russas face a estes acontecimentos. Na terça-feira, a polícia não actuou quando os adeptos de futebol e os nacionalistas cortaram uma das principais artérias rodoviárias de Moscovo.
Quando algumas centenas de opositores democráticos se tentam manifestar em Moscovo, as autoridades não poupam meios, destacam milhares de polícias para "manter a ordem" e os manifestantes são espancados e detidos. Mas, quando se manifestam nacionalistas e xenófobos, a polícia russa é muito meiga, tenta dispersar com "a força das palavras".
A História mostrou como acabam os jogos do poder com as forças nacionalistas e xenófobas: deixam escapar a epidemia, mas depois não a podem controlar.
Hoje, segunda-feira, os órgãos de informação russos noticiam vários ataques contra originários do Cáucaso e da Ásia Central, bem como noticiam o assassinato de mais um adepto do clube Spartak.
A situação agudiza-se gravemente e na Internet grupos de nacionalistas e de originários do Cáucaso desafiam-se para encontros no centro da capital russa.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considerou os incidentes de Sábado um crime e prometeu castigar os provocadores. Vamos ver se assim será.
Numa coisa Medvedev tem toda a razão: "o atiçamento do ódio entre nações ameaça o Estado". Isto é muito mais verdade num país tão multinacional como é a Federação da Russia. 

domingo, dezembro 12, 2010

Rússia a caminho de um Estado criminoso

Valeri Zorkin, presidente do Tribunal Constitucional da Rússia, considera que a criminalização da sociedade e a fusão do poder e do mundo do crime atingiram envergaduras que ameaçam a ordem constitucional no país.

“A questão da eficiência da atual luta contra o mundo do crime é a questão da sobrevivência da Rússia nos próximos dez anos”, escreve ele hoje no jornal Rossiskaia gazeta.

“Todos os planos grandiosos na esfera do desenvolvimento, ou seja, os planos de modernização da Rússia, desmoronar-se-ão se o Estado não poder defender os seus cidadãos da arbitrariedade criminosa”.

O juiz enumera toda uma série de regiões da Rússia onde “o mundo do crime substituiu as mais importantes funções do Estado e da sociedade civil” e acrescenta que “as consequências não são apenas preocupantes, mas horrorosas”.

“O Estado que não é capaz de defender os seus cidadãos da violência em massa da parte dos bandidos e corruptos, condena-se não à estagnação, como muitos dizem muitos, mas à degradação”, sublinha.

Valeri Zorkin apela a não se entrar em pânico, pois isso vai ao encontro dos defensores da “ditadura férrea”.

“Nas condições atuais, trata-se da ditadura do mesmo mundo do crime e semelhante cenário é bem provável, principalmente ao nível regional”, considera ele.

O presidente do Tribunal Constitucional da Rússia apela a seguir a experiência norte-americana no combate ao crime organizado.

Segundo ele, “o atraso no início da luta contra o crime organizado mina catastroficamente a principal base da existência da Rússia: as bases do seu sistema constitucional. O nosso dever consiste hoje em reconhecer a agudeza e a envergadura da ameaça que paira sobre a sociedade russa”.

“A descriminalização da vida social, económica e política é a principal tarefa na defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos, na afirmação da ordem constitucional”, concluiu.

Vladimir Putin canta e toca piano em serão de beneficência

"Я, как и подавляющее большинство людей, ни петь, ни играть не умею, но люблю это делать. Вам придется потерпеть", - сказал Путин.

O primeiro-russo, Vladimir Putin, cantou e tocou piano num serão de beneficência, realizado na véspera à noite, para angariar fundos para apoiar crianças com doenças oncológicas.
Segundo a imprensa russa, uma das apresentadoras do concerto dirigiu-se ao dirigente russo e pediu-lhe para interpretar algo para as crianças, para o tratamento das quais vão os meios conseguidos nessa iniciativa.
Putin recusou-se numerosas vezes, mas, após forte insistência da apresentadora e depois de ela lhe ter recordado que o primeiro-ministro cantou no encontro com espiões russos expulsos dos Estados Unidos, aceitou o desafio.
“Eu, tal como a esmagadora maioria das pessoas, não sei cantar, nem tocar, mas gosto de fazer isso. Terão de aguentar”, declarou.
Depois, sentou-se ao piano e tocou a melodia “Onde começa a Pátria”, canção de um conhecido filme de espionagem soviético que Putin cantou no encontro com os agentes russos expulsos recentemente dos Estados Unidos.
“Nesse encontro, alguns deles contaram-me uma história curiosa. Quando foram detidos, os seus vizinhos e amigos disseram-lhes: “Nós gostamos de vós. Somos vossos amigos. Não sabemos o que se passa entre os governos, mas nós continuaremos a ser vossos amigos”, recordou.
Segundo ele, “isso significa que as relações entre as pessoas são mais profundas, mais sólidas e importantes do que as relações entre os governos, e se os governos, no sentido amplo desta palavra, dessem mais vezes ouvidos às pessoas simples, talvez cumprissem melhor o nosso trabalho”, acrescentou.
O dirigente russo interpretou em inglês, acompanhado por uma orquestra de jazz, a canção “Blueberry Hill” de Louis Amstrong.
No serão de beneficência, que se realiza anualmente, participaram estrelas de cinema internacionais como Sharon Stone, Mónica Bellucci, Mickey Rourke, Kevin Costner, Ornella Mutti e muitos outros.
No fim do concerto, Putin cantou com todos os artistas que participaram no concerto a canção soviética “A relva do meu jardim”, a composição preferida dos cosmonautas soviéticos.

sábado, dezembro 11, 2010

Confrontos entre adeptos de futebol e polícia no centro de Moscovo

На Манежной площади начались массовые столкновения фанатов с ОМОНом

A polícia de choque russa conseguiu dispersar os milhares de manifestantes que se juntaram no centro da capital russa para protestar contra o assassinato de um adepto da equipa de futebol do Spartak de Moscovo.

Segundo fontes policiais citadas pelas agências russas, as autoridades detiveram 65 manifestantes.
“Foram identificados os que tentaram realizar provocações, nós iremos esclarecer o que aconteceu”, declarou aos jornalistas Vladimir Kolokoltsev, chefe da polícia de Moscovo.
“Depois de determinarmos o que se passou, os adeptos de futebol detidos serão libertados”, acrescentou.
A Praça Manejnaia da capital russa, a poucos metros do Kremlin, transformou-se, ao fim da tarde, no palco de uma verdadeira batalha campal entre manifestantes e polícias.
Cerca de seis mil adeptos de futebol, que se reuniram no local para protestar contra a falta de eficácia da polícia na detenção do assassino de um adepto do clube Spartak de Moscovo, envolveram-se em confrontos com a polícia de choque russa (OMON).
Os incidentes começaram quando os manifestantes espancaram três pessoas originárias do Cáucaso do Norte russo, região de onde é originário o alegado assassino do adepto do Spartak.
Iegor Sviridov foi assassinado a tiro durante confrontos entre um grupo de adeptos do Spartak e originários do Cáucaso do Norte, no passado dia 06 de Dezembro.
A polícia não deteve logo os autores dos desacatos e, na passada terça-feira, mais de mil apoiantes do Spartak manifestaram-se no centro da capital russa a fim de exigir a detenção do autor dos tiros que vitimou Sviridov.
Durante a manifestação, apoiada por grupos nacionalistas russos, foram gritadas palavras de ordem como “Rússia para os russos”, “Moscovo para os moscovitas”.
Na quarta-feira, distúrbios provocados pelos adeptos do Spartak em sinal de protesto contra a atuação da polícia obrigaram o árbitro a suspender temporariamente o jogo da Liga dos Campeões entre o clube de Moscovo e o Zilina da Eslováquia.
O autor dos disparos, bem como outro participante nos confrontos, foi detido pela polícia na quinta-feira. Aslan Tcherkessov, originário do Cáucaso do Norte russo, declarou ter atuado em “legitima defesa”.
Fontes da agência Ria-Novosti revelaram que os confrontos no centro de Moscovo provocaram pelo menos dez feridos, a maioria dos quais caucasianos.
Organizações de defesa dos direitos humanos acusam organizações nacionalistas russas de extrema-direita de estarem por detrás dos desacatos.
“Sem dúvida que a extrema-direita não desempenhou aí o último papel. Pelas declarações das organizações de fãs e pelas declarações de organizações de extrema-direita pode-se concluir que a extrema-direita desempenhou o principal papel na manifestação”, declarou Galina Kojevnikova, dirigente da organização “SOVA”, que luta contra a xenofobia.
Durante a manifestação soaram palavras de ordem como “Rússia para os russos”.
Depois de abandonarem a Praça Manejnaia, grupos de manifestantes entraram no Metropolitano de Moscovo e espancaram passageiros caucasianos.
Um barril de pólvora há muito existente e que as autoridades russas ignoraram. Os problemas nacionais existentes em várias regiões da Rússia e a onda de nacionalismo e xenofobia podem pôr em perigo a própria integridade do país. 

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Medvedev quer cumprir segundo mandato no Kremlin

Медведев назвал прошедший год для СНГ успешным

Arkadi Dvorkovitch, assessor de Dmitri Medvedev, declarou que ele “quer definitivamente” candidatar-se ao segundo mandato presidencial em 2012.

“Penso que qualquer pessoa que acompanha atentamente o que faz Dmitri Medvedev compreende claramente que ele quer ficar no segundo mandato e continuar a resolver as tarefas colocadas em 2008”, declarou ele à BBC.

Segundo Dvorkovitch, um presidente que tenciona abandonar o cargo dentro de um ano comporta-se de forma diferente, não faz planos a longo prazo e não realiza um trabalho tão sério para levar à prática as suas iniciativas.

Porém o assessor do Kremlin não excluiu a possibilidade de os papéis de Medvedev e de Vladimir Putin se inverterem, voltando Putin para o cargo de presidente e Medvedev passar a ocupar a pasta de primeiro-ministro.

Dvorkovitch, repetindo as declarações que têm sido feitos pelo dueto dirigente, sublinhou que Medvedev e Putin irão em conjunto tomar uma decisão, mas não irão concorrer um com o outro.

O assessor acrescenta que “a decisão ainda não foi tomada”.

Segundo sondagens realizadas pelo Instituto de Estudo da Opinião Pública, a popularidade de Medvedev tem vindo a subir nos últimos meses. Num estudo realizado em Novembro, 50 por cento dos inquiridos dizem-se dispostos a votar novamente no atual Presidente da Rússia.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Fim do mundo não ocorrerá em 2012 devido a erupção de vulcões

A ciência desmente rumores sobre o fim do mundo em 2012 provocados por erupções vulcânicas em diferentes partes do mundo, nomeadamente na Kamchatka, declarou à Ria-Novosti um investigador do Instituto de Vulcanologia do Extremo Oriente russo.

Este cientista responde assim às numerosas “profecias” que correm na Internet sobre a erupção de todos os vulcões simultaneamente nesse ano.

“A actividade bastante previsível e bem estudada dos vulcões mais ativos da Kamchatka , tais como o Chivelutch, o Kliuchevski, o Bezimiani ou outros, não é atualmente superior à actividade registada durante todo o período das observações”, considerou Alexei Ozerov.

Ele sublinhou que a natureza das últimas erupções no Kamchatka e no mundo inteiro não pressagia nada semelhante ao fim do mundo.

“Nos últimos anos, registaram-se numerosas erupções no Kamchatka, mas isso não é razão para dizer que o seu caráter mudou ou mudará no futuro”, acrescentou o cientista.

Segundo ele, as hipóteses de grandes massas magma acumuladas nos vulcões e suscetíveis de pôr fim à humanidade são fortemente exageradas.

“Os boatos que correm sobre o fim do mundo estão certamente longe de corresponder à realidade”, frisou o vulcanólogo.

Segundo a agência Ria-Novosti, “investigadores, nomeadamente que trabalham no Hawai e Sidney, declararam que em menos de dois anos deverá ocorrer a erupção simultânea de todos os vulcões da Terra. Semelhantes erupções, que ocorreram há 10, 22, 30, 40, 49 e 60 milhões de anos causaram destruições catastróficas no planeta”.

Esses investigadores, segundo a agência, consideram que o aumento da actividade sísmica registada nos últimos anos, nomeadamente do vulcão islandês que paralisou o tráfego aéreo na Europa, lhes dá razão.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Kremlin sugere Julian Assange para Prémio Nobel, agências russas

As organizações não-governamentais devem pensar em apresentar a candidatura do fundador do Wikileaks, Julian Assange, ao Prémio Nobel, declarou às agências russas uma fonte do Kremlin.
“As organizações sociais e não governamentais devem pensar como ajudar-lhe. Talvez apresentar a sua candidatura ao Prémio Nobel”, revelou um funcionário anónimo da Presidência da Rússia.
Como é sabido, se as três grandes agências russas de informação publicam simultaneamente as declarações acima citadas é porque não se trata de um boato, mas de uma forma de fazer chegar à opinião pública uma posição do Kremlin sobre este ou aquele problema, mas, neste caso, de forma a "não sujar" ninguém, ois trata-se de uma posição cínica ou até mesmo asquerosa. 
Seriam importante saber que Prémio Nobel propõe o Kremlin para o criador do Wikileaks? O Prémio Nobel da Química para que o mundo não se esqueça de como pode ser empregue o polónio? O que aconteceria a Julian Assange se ele fosse cidadão russo e fizesse o que fez em relação aos serviços diplomáticos ou militares do seu país?  
Várias organizações não-governamentais russas manifestaram "espanto" face à proposta do Kremlin, considerando-a de mau gosto.


terça-feira, dezembro 07, 2010

Moscovo dará apoio a alegada espiã se for cidadã russa

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia dará apoio a Ekaterina Zatuliveter, acusada de espionagem no Reino Unido, se se constatar que ela é cidadã russa, declarou Serguei Lavrov.
“Estamos a tentar saber se ela é nossa cidadã. Se realmente for nossa cidadã, garantiremos apoio consular e iremos conversar com ela”, declarou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.
A Embaixada da Rússia no Reino Unido já enviou um pedido de esclarecimento às autoridades britânicas nesse sentido.
“A secção consular da Embaixada está disposta a fazer todos os esforços para garantir o apoio consular indispensável à cidadã russa Ekaterina Zatuliveter, se o fato da sua detenção for oficialmente confirmado”, declarou um diplomata russo à agência Ria-Novosti.
Zatuliver, 25 anos, assistente do deputado liberal-democrático Mike Hancock, arrisca-se ser deportada do Reino Unido por alegadamente trabalhar para os serviços secretos russos.
P.S. Não vou discutir se a jovem trabalhou ou não para os serviços secretos russos, pois isso compete aos órgãos competentes britânicos.
Porém, pela experiência que tenho de vida na Rússia, é-me difícil compreender como é que uma estrangeira é assistente de um deputado que faz parte do Comité para a Defesa do Parlamento Inglês.
As autoridades russas, bem como alguns órgãos de informação tentam convencer-nos que a jovem apenas fazia trabalho legal, mas deixo apenas uma pergunta: será que alguém que conhece a Rússia pode imaginar um estrangeiro ou estrangeira a trabalhar na Duma Estatal da Rússia? Tanto mais assistente de um deputado membro de comités como o da Defesa ou da Segurança?

Vladimir Putin critica energia eólica

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fez sérias críticas à energia eólica, considerando que ela prejudica não só as aves, mas também as minhocas e as toupeiras.
“Os moinhos de vento, muito difundidos em numerosos países europeus, parecem ser um tipo ecologicamente limpo de todo, mas não é assim. Eles matam aves, provocam uma vibração que leva as minhocas a saírem à superfície, para já não falar de todo o tipo de toupeiras”, declarou ele, numa reunião do Partido Rússia Unida.
Putin, que se encontra de visita ao Extremo Oriente russo, apelou à diversificação das fontes de energia, defendendo o emprego do carvão.
“A passagem para o gás não deve pôr termo ao futuro da indústria carbonífera. Há projetos para utilizar minas promissoras no Extremo Oriente”, acrescentou.
Na mesma reunião, o vice-primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, comunicou que a caça ao tigre e leopardo, espécies em vias de extinção naquela região, deve ser castigada com prisão.
“Atirá-los (caçadores) aos tigres ou leopardos”, acrescentou Putin com um sorriso.

Mas será que existe mesmo um português, futebolista profissional e violador na Rússia?

Hoje, conversei por telefone com um alto funcionário do Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia que não confirma que o alegado violador de uma jovem moscovita seja cidadão português e futebolista profissional.
O funcionário disse-me: “Ele (o alegado violador) não tinha documentos, mas afirmou ser cidadão português e ter um contrato com um clube russo de futebol da primeira liga. O nome publicado foi o que ele nos deu (González Mario Riccardo Quaredma)”.
Ele revelou também que o alegado violador não ficou detido, não obstante não ter apresentado qualquer documento de identificação! E que o indivíduo “não se considera culpado”.
Na véspera, o Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia anunciou ter identificado o futebolista que alegadamente violou uma moscovita e afirmou tratar-se de um natural de Portugal.
“Durante as investigações foi determinado que o alegado violador é natural de Portugal e chama-se González Mario Riccardo Quaredma, nascido em 1987, que supostamente é futebolista profissional”, lê-se num comunicado publicado por esse comité.
Este esclarecimento foi publicado depois de ter sido noticiado que o futebolista chileno do CSKA de Moscovo Mark González era suspeito de ter violado uma jovem russa.
O Comité de Investigação (CI) da capital russa divulgara antes na sua página de Internet ter recebido “a 03 de dezembro, no departamento do bairro de Nikúlinski, uma denúncia de violação por parte de um futebolista do CSKA, apresentada por uma residente de Moscovo nascida em 1988”.
A Interfax referia que “uma fonte policial garantiu que se trata do famoso jogador chileno Mark González”.
O sítio oficial do CSKA desmentiu que se tratava do internacional chileno e escreveu que “na realidade, como nos informaram agentes das forças de segurança que investigam este caso trata-se de uma pessoa com o mesmo apelido do nosso jogador, o cidadão de Portugal Mario Gonzalez”.
Há muita coisa estranha em tudo isto...

Blog dos Leitores ( A Grande Guerra dos Continentes)

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Texto enviado pelo leitor Manuel Santos:

"A Grande Guerra dos Continentes – Parte I

Alexander Dugin é um dos mais proeminentes politólogos russos e catedrático. É o fundador do Movimento Eurásico e desde 2008 é o ideólogo oficioso do “Rússia Unida”, o partido do governo presidido por Vladimir Putin. Dugin é autor de numerosas obras e as suas posições são conhecidas pela controvérsia envolvendo simpatias que passam desde os movimentos bolcheviques aos partidos nacionalistas-fascistas. De qualquer das formas o pensamento de Dugin é incontornável quando se tenta compreender a essência do ser russo e quais os desígnios que este povo almeja. Na sua primeira obra traduzida para português e talvez a mais relevante da sua carreira literária, Dugin expõe a tese geopolítica de que há uma imensa conspiração planetária que envolve as duas maiores forças supranacionais: a abordagem terrestre ou continental e a abordagem marítima ou insular.

A história deste confronto começa logo nos relatos de Platão em que a oceânica Atlântida investe contra a continental Atenas. Já no plano histórico o grande combate começa com a marítima Cartago a disputar o domínio com Roma, potência terrestre.

As potência marítimas utilizam como modelo de domínio o comércio, o establecimento de colónias e numa fase mais posterior o “mercado-capitalista-mercantil” como é o caso do Império Britânico e de outras nações europeias que se aventuraram além-mar. Nas civilizações marítimas vingam os interesses materiais e o liberalismo económico aliados ao individualismo. Concretiza-se o primado do económico sobre o político.

Os países anlgo-saxónicos, em particular os EUA e Reino Unido são o actual expoente máximo deste paradigma e são os classificados por MacKinder, atlantistas.

As potências terrestres já assentam sob uma estrutura autoritária, com um Estado mais forte e presente, mais guerreiro que comercial em que o interesse individual cede ao desígnio do todo. Aqui o político impera sobre o económico. Temos como exemplos Roma, o Império Austro-Húngaro, Alemanha e claro, o Império Russo.

Na época moderna temos o confronto antagonista entre o atlantismo, em concreto EUA, Inglaterra com o primado do indivíduo, do liberalismo económico e da democracia protestante e o eurasianismo (Евразийцы no russo original) com o autoritarismo , a hierarquia, o Estado acima do indivíduo do qual a Rússia e a Alemanha são exemplo.

Temos então a conspiração dos atlantistas, levantando o estandarte da “nova Cartago” através da defesa do individualismo, a livre empresa, o liberalismo democrático face aos eurásicos.

Tudo isto resulta no conflito global e milenar em que temos permanentemente o mundo continental com a sua filosofia imperial terrestre assente no idealismo autoritário, na ideia heróico-comunitária que nas palavras do autor é “a Ordem da Eurásia contra a Ordem do Atlântico (da Atlântida); a Roma eterna contra a eterna Cartago” ou seja uma constante guerra púnica que se verifica desde a antiguidade.

A dualidade “sangue e solo” é também dissecada, em paticular a importância da prevalência do solo sobre o sangue que deverá ser o desígnio do euroasianismo.

Na revolução bolchevique o grande confronto verificou-se entre Lenin, continentalista preocupado em perservar o grande espaço imperial russo e Trotski, o revolucionário mundialista, exportador da revolução considerando a URSS apenas algo efémero para vir a atingir outros objectivos.

Um factor comum entre os partidários russos do euroasianismo foi a sua germanofilia quase obrigatória em contraponto a uma anglofobia omnipresente.

Em contrapartida na Alemanha os eurásicos eram russófilos.

A relação dos eurásicos germanicos e russos aprofunda-se entre as duas guerras, tendo o seu ápice com o pacto Ribentropp-Molotov.

Assim que a narrativa descritiva e histórica se vai desenrolando com distanciamento e objectividade, o tom conspirologista vai crescendo há medida em que penetramos cada vez mais na história comtemporânea.





A Grande Guerra dos Continentes – Parte II





Uma das mais surpreendentes teses da conspirologia eurásica baseia-se no pressuposto que teria sempre existido uma espécie de sociedade secreta de cariz quasi-esotérico, a grande Ordem dos eurásicos, mesmo no seio dos mais secretos serviços de informação soviéticos: o GRU (Glavnoye Razvedyvatel'noye Upravleniye - Serviços de Informações Militares) pois enquanto o KGB defendia a efemeridade do Partido, o GRU seria a última linha de defesa do estado. O verdadeiro oponente da CIA era o GRU e não o KGB cujo atlantismo compartilhava com a sua congénere americana.

Em contrapartida houve sempre alegações da existência de uma organização secreta atlantista com enfoque em estudos paranormais e esotéricos inicialmente na Tcheka e depois no KGB, a sociedade de Viy.

É narrada a longa batalha eurásicos-atlantistas travada no seio dos serviços secretos e forças armadas soviéticas desde a fundação da URSS até ao seu colapso com base no trabalho de pesquisa do escritor e jornalista francês Jean Parvulesco. Os atlantistas mais proeminentes, alguns classificados como “atlantistas vermelhos”, teriam sido Djersinski, Koruchev, o “sr. Perestroika, Alexander Yakovlev. Do lado eurásico as figuras de destaque teriam sido Aralov, Toukatchevski, Chtemenko e o “soldado formidável” mentor da Ordem Polar, o marechal Nikolai Ogarkov. Já no descalabro da URSS, Dugin apresenta o golpe de Agosto como uma última e frontal confrontação entre os “filhos da Eurásia” contra os “soldados da Atlântida”. No final exprime o seu ponto de vista escatológico e apocalíptico em que haverá uma batalha final ou endkampf entre a Ordem da Eurásia e a Ordem do Atlântico, em contornos esotéricos e metafísicos de carácter messiânico. Já nos apêndices do livro, o autor faz menção a um pequeno país europeu, não rico nem influente e com nada para se orgulhar, mas que vive o sonho secreto do advir de um quinto império e com toda a sua alma impressa numa palavra intraduzível para as outras línguas: saudade. O motivo esotérico luso é usado como analogia e explicação para algo que não se pode pôr em palavras no que liga a alma russa aos desígnios eurásicos. No final há uma entrevista dada por Dugin ao Los angeles Times um mês após o conflito da Georgia em que este refere a Rússia a ter um papel relevante num mundo multipolar, sendo a eventual entrada na NATO de nações como a Georgia ou Ucrânia uma declaração de guerra. Realça ainda que o Irão poderia ser um aliado da Rússia sendo um patamar de influência desta no Médio Oriente. No final quando questionado se a Rússia poderá enveredar pelo isolamento e se esse será viável, Dugin responde numa frase que contém toda a essência do livro e do seu próprio pensamento:

“ A Rússia não ficará isolada – nem da Europa nem da Ásia.

Dos Estados Unidos talvez, mas isso não nos importa.” "

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Presidente polaco considera possível sistema de defesa antimíssil conjunto Nato-Rússia

O Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski, não exclui a possibilidade do aparecimento, no futuro, de um sistema de defesa antimíssil conjunto da NATO e da Rússia.

“Por enquanto, é difícil prever como se irão desenvolver as relações entre a NATO e a Rússia, mas é possível que, no futuro, apareçam um sistema ou sistemas que trabalhem em conjunto”, declarou ele, hoje, numa conferência de imprensa com o homólogo russo, Dmitri Medvedev.

Segundo ele, “presentemente, devemos defender a posição que a NATO deve tomar decisões que, antes de tudo, correspondam aos interesses da segurança dos países da NATO, incluindo a Polónia, mas também devemos pensar nas ameaças que possam vir a ser dirigidas a outros países, nomeadamente à Rússia”.

Komarowski espera que a visita de Medvedev conduza a um melhoramento radical das relações bilaterais e mostrou interesse em participar na modernização da economia russa.

“Isso é consideravelmente importante não só do ponto de vista das relações bilaterais, mas também no quadro da União Europeia”, acrescentou.

Os dois presidentes comprometeram-se a controlar a investigação do desastre aéreo em Smolensk, no qual perdeu a vida o antigo Presidente polaco Lech Kaczynski e numerosos dirigentes da Polónia.

Medvedev prometeu que o seu país continuará a investigar o crime de Katin “para encerrar definitivamente as mais complexas questões existentes entre os dois países”.

Em 1941, cerca de 20 mil oficiais e soldados polacos foram assassinados perto de Katin. As autoridades soviéticas acusaram as tropas nazis desse crime, mas os documentos revelados mostram que a ordem do assassinato foi dada por Estaline e outros dirigentes comunistas.



As conversações entre Komorowski e Medvedev terminaram com a assinatura de seis documentos, incluindo uma declaração sobre a cooperação no domínio da modernização económica.

Livro de Samora Machel com selo comemorativo



Agradeço a iniciativa da loja on-line http://www.cornucopia.com.pt%20/ por ter colocado à venda o meu livro sobre o desastre que vitimou Samora Machel, acompanhado de um selo soviético editado em 1986.

Chegou o teu último dia, burguês!

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A Organização Comunistas de São Petersburgo e da Região de Leninegrado decidiu condecorar Eric Cantona com um Estandarte Vermelho “pela ideia de destruir o poder absoluto do capital mundial financeiro-especulativo”.

“O camarada Cantona, depois de tomar consciência de que errou quando jogou pelo Manchester United e dançou a mando da batuta sanguinária da FIFA, passou claramente para as posições do marxismo criativo”, escreve esta organização estalinista no seu sítio na Net.

“Os membros da Comissão Ideológica do CC do PC consideram que a nova forma de luta de classes, inventada por Cantona, entrará nos anais do movimento revolucionário mundial. Dezenas de milhares de europeus e muitas centenas de habitantes da antiga URSS preparam-se para a hora “X” e atirar a sua pedra virtual”, sublinha-se no comunicado.

Os comunistas decidiram “condecorar Cantona com um estandarte vermelho pelo contributo para o processo revolucionário”.

O comunicado termina com uma célebre frase do poeta revolucionário soviético Vladimir Maiakovski: “Chegou o teu último dia, burguês!”.

No entanto, os analistas russos não prevêem cenários apocalípticos na Europa, e muito menos na Rússia, a 07 de Dezembro, quando Cantona apelou aos cidadãos a levantarem o seu dinheiro dos bancos.

“Cantona é uma personalidade lendária em França e Inglaterra. No passado, foi um futebolista de talento e, hoje, é um homem de artes com reputação de holligan simpático, ele tem séria influência nos cérebros das pessoas. Mas falamos de teoria, porque, na prática, o efeito irá ser insignificante”, considera Igor Kissilov, analista do fundo de investimentos “Piligrim Asset Management”.

Iaroslav Lissovolik, economista do Deutsche Bank na Rússia, é da mesma opinião: “não espero que semelhante campanha tenha consequências sérias”.

domingo, dezembro 05, 2010

Foguetão russo cai com três satélites no Oceano Pacífico

O foguetão russo “Proton-M”, que transportava três satélites do sistema de navegação GLONASS, desviou-se da rota e foi cair no Oceano Pacífico, perto das ilhas Hawai, informam as agências russas.
“Os lançadores verificaram tudo: o bloco de lançamento DM-3 com os aparelhos espaciais não se encontra em nenhuma das órbitas: nem na principal, nem na intermédia, nem naquela para casos de avaria. Os cálculos mostram que o mais provável é que o foguetão com os satélites tenha caído no Oceano Pacífico na região das ilhas Hawai”, declarou uma fonte da Ria-Novosti.
Os três satélites russos deveriam juntar-se aos 21 que já se encontram no Espaço.
O sistema de navegação russo GLONASS, criado em 1993, é um análogo do sistema norte-americano GPS.

sábado, dezembro 04, 2010

Dois mortos e 83 feridos em aterragem de emergência em Moscovo

По предварительной версии, самолет в 14 часов вылетел из аэропорта "Внуково". Во время набора высоты у него отказал один из двигателей

Uma aterragem de emergência do avião Tupolev 154 num dos aeroportos da capital russa provocou pelo menos dois mortos e oitenta e três feridos, informa o Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
Segundo este ministério, há feridos em estado grave.
O aparelho, pertencente à empresa “Daguistanskie Avialinii” (Linhas Aéreas Daguestanesas), levantou voo do aeroporto de Vnukovo em Moscovo rumo a Makhatckala, capital do Daguestão, mas foi obrigado a aterrar de emergência noutro aeroporto da capital russa: Domodedovo, quando três motores deixaram de funcionar.
O avião saiu da pista de aterragem e desfez-se em três partes.
A empresa Daguintaiskie Avialinii excluiu a possibilidade de o desastre se dever a um atentado terrorista.
“Não ouvimos explosões. Fiquei com a impressão de que começámos a cair logo que levantamos voo. Conseguimos aterrar e, durante a aterragem de emergência, sentimos o choque e o avião desfez-se”, revelou um passageiro à agência Interfax.
Uma fonte da agência Ria-Novosti considera que esta catástrofe se deve ao parque antiquado de aviões dessa companhia.
“A maioria dos aviões, principalmente os Tupolev 154, são explorados há demasiado tempo, devem ser substituídos”, frisou.

Revelações do Wikileaks são demonstração de cinismo da diplomacia norte-americana

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considerou que as revelações do Wikileaks demonstram plenamente o cinismo dos raciocínios reinantes na política externa norte-americana.
“Não somos paranóicos e não ligamos as relações russo-americanas a quaisquer fugas, embora elas sejam sintomáticas: elas mostram todo o cinismo de avaliações que prevalecem na política externa de diferentes Estados, neste caso, dos Estados Unidos”, declarou numa conferência de imprensa com Silvio Berlusconi.
Porém, sublinhou que as revelações não são críticas para as relações da Rússia e dos Estados Unidos, acrescentando “há diferentes opiniões”.
O presidente Medvedev frisou que os Estados Unidos também teriam “um monte de prazeres” se houvesse fuga de documentos russos.
“Considero que se, Deus nos livre, aos órgãos de informação chegarem avaliações feitas pelos diplomatas e serviços secretos russos, nomeadamente sobre os nossos colegas americanos, estes terão um monte prazeres”, frisou.
“Mas será que isso é necessário? No meu entender, a diplomacia deve ser silenciosa como os negócios bancários e deve ser realizada com base nos respetivos princípios”, concluiu.
O primeiro-ministro italiano aproveitou a conferência de imprensa para negar qualquer interesse pessoal na cooperação com a Rússia.
Diplomatas norte-americanos consideram que o Presidente russo, Dmitri Medvedev, continua na sombra do seu antecessor no Kremlin e atual primeiro-ministro Vladimir Putin, revela a correspondência publicada pelo sítio Wikileaks.
Nas suas mensagens, funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos comparam a situação de Medvedev com a de “Robin em relação a Batman-Putin”, em alusão ao herói da banda desenhada e do cinema que, depois de longas aventuras sozinho, faz-se acompanhar de um ajudante mais jovem e menos experiente.
Outros documentos descrevem Medvedev como “fraco” e “indeciso”, enquanto que Putin é considerado o “macho alfa”.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Wiki Leaks começa a irritar Vladimir Putin

O Governo russo considera “delírio total” as acusações publicadas no sítio Wikileaks, pondo em dúvida a autenticidade dos documentos ou a qualidade dos diplomatas, declarou ontem o porta-voz.
“Não sabemos se se trata de despachos, telegramas verdadeiros ou falsificações. Mas tudo parece um delírio total”, disse Dmitri Peskov, instado a comentar os documentos relativos à Rússia.
A Federação Russa é “um virtual Estado mafioso”, onde o primeiro-ministro, Vladimir Putin, “governa nos bastidores” acima do Presidente, Dimitri Medvedev, revelam novos documentos diplomáticos divulgados pelo Wikileaks.
Apesar do seu cargo, Medvedev não toma “nenhuma decisão importante” sem perguntar a Putin, assinala-se numa mensagem diplomática.
A relação entre Putin e Medvedev, que já foi descrita em outra mensagem revelada como equivalente à dos personagens da banda desenhada Batman e Robin, mostra que o Presidente se aconselha “de forma quase sempre obscura para o mundo exterior” com o primeiro-ministro Putin.
O embaixador norte-americano em Moscovo, John Beyrle, descreveu assim as relações entre os dois principais líderes russos, num relatório enviado em novembro de 2009 ao diretor da polícia federal [FBI], Robert Mueller, na preparação de uma visita deste à Federação Russa.
As notas da embaixada norte-americana em Moscovo alertam também para a implicação da máfia e do crime organizado nos diferentes níveis do Governo russo.
“Se supusermos hipoteticamente que esses telegramas foram escritos por diplomatas verdadeiros, gostaria de desejar que esse país tenha melhores diplomatas”, acrescentou Peskov.
Segundo o porta-voz, “se os telegramas são realmente verdadeiros, então trata-se do problema do país onde assim são tornados públicos documentos secretos”.
Interrogado sobre se a publicação desses documentos não mina a confiança entre os países, Peskov respondeu: “espero que as pessoas a quem são destinados os despachos tenham vistas mais largas, sejam pessoas mais sérias”.
As autoridades russas tinham desdramatizado e minimizado a importância dos documentos relativos à Rússia  até à declaração de ontem do porta-vos de Putin.



quinta-feira, dezembro 02, 2010

Parabéns, Rússia!

Именно он открыл конверт с именем страны-победительницы, которой оказалась Россия. Напомним, что конкурентами российской заявки были Англия, Испания и Португалия, Бельгия и Нидерланды

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que a vitória do seu país no sorteio da FIFA significa que essa organização tem confiança nela.
“Isso mostra que confiam na Rússia, confiam nas suas possibilidades, na preparação da sua economia, das esferas social e política para a organização de competições desse nível”, declarou ele antes da partida para Zurique.
“Eu falo da estabilidade política, porque ela é também importante para fazer planos a longo prazo”, acrescentou.
O Presidente russo, Dmitri Medvede, declarou pelo seu lado que é preciso não só preparar as infraestruturas, mas também uma boa selecção russa.
Segundo ele, a Rússia não se pode gabar de grandes êxitos em campeonatos do mundo e, por isso, se o país ganhou a sua organização, a selecção deve fazer o mais possível para conseguir um brilhante resultado em Moscovo.

Conferência sobre Portugal em Moscovo

Informa-se que no dia 5 de dezembro, pelas 15 horas (próximo domingo) no clube "Tsvet Nochi" (Cor da Noite) irá decorrer um encontro com o Professor Dr. Heitor Romana, Prof. Dr. em Ciências Sociais na especializacao de Ciências Políticas, pelo ISCSP- UTL (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Tecnica de Lisboa).
A iniciativa é do Centro de Língua Portuguesa PORTUGUES.RU.
O tema da comunicação é "A Identidade Externa de Portugal"
Após a comunicaçãoo, os presentes terão a possibilidade, num ambiente acolhedor e informal, de colocar as suas perguntas ao Professor Dr. Heitor Romana.
Para os que ainda não dominam a língua portuguesa, está prevista a tradução das perguntas e respostas do debate.
Endereco do clube "tsvet Nochi": Bolchoi Kozikhinski pereulok, 12/2 (Metro Tverskaia- Pushkinskaia).
Para mais informação e localização do clube: http://portugues.ru//forum//showthread.php?p=1091#post1091.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Putin queima "últimos cartuchos" para conquistar Campeonato do Mundo de Futebol em 2018

Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia, declarou hoje que o seu país tem vontade e possibilidades para organizar o Mundial 2018.
“A Rússia tem vontade e possibilidades, nomeadamente financeiras, para organizar essa grande competição. Faremos tudo de forma digna se nos for dada essa honra”, declarou ele numa reunião do Governo russo.
Estas palavras estão a ser interpretadas como um sinal à FIFA de que entre os candidatos há países que atravessam sérias dificuldades financeiras, como é o caso de Portugal e Espanha.
Além disso, Putin chama a atenção para o fato de uma final do Campeonato do Mundo de Futebol “nunca ter sido realizada na Europa Oriental”.
Vladimir Putin, anunciou que estará ausente de Zurique, quinta feira, “para evitar pressões sobre a Federação Internacional de Futebol” (FIFA), no dia em que serão conhecidos os organizadores dos mundiais de futebol de 2018 e 2022.
Ao Mundial de 2018 concorrem as candidaturas conjuntas de Espanha e Portugal e da Bélgica e da Holanda, além da Inglaterra e da Rússia. À edição de 2022 apresentam-se Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Qatar.
“Gostaria de apresentar pessoalmente a candidatura da Rússia, mas nas condições atuais penso que é melhor abster-me, para dar assim a possibilidade de os membros da FIFA tomarem a decisão tranquilamente, sem pressões exteriores”, afirmou Putin, numa reunião do Governo russo.
O antigo presidente russo e atual primeiro-ministro apelou “aos colegas estrangeiros” para seguirem o seu exemplo.
Os primeiros-ministros de Portugal, Espanha e Inglaterra confirmaram já a presença em Zurique.
Porém, Putin acrescentou que se irá encontrar imediatamente com o presidente da FIFa e os membros da Comissão Executiva para analisar os planos de organização do evento caso o seu país seja o escolhido.
O dirigente russo condenou a campanha realizada contra a Comissão Executiva da FIFA, considerando-a “concorrência desleal”.
“Seguimos com tristeza a campanha contra os membros da Comissão Executivo da FIFA. São cobertos de sujidade, comprometidos. Considero isso concorrência desleal na véspera da escolha do país organizador do Campeonato do Mundo”, frisou.
“A FIFA é uma grande estrutura internacional que desempenha um papel social muito importante: não só organiza competições desportivas, mas faz um importante trabalho social. Não é segredo para ninguém que o futebol é um dos mais populares desportos, que desvia a juventude da rua, das drogas e do álcool”, concluiu.
A Comissão Executiva da FIFA anuncia quinta-feira às 15:00 de Lisboa, em Zurique, a atribuição da organização dos Mundiais de 2018 e de 2022, depois de as várias candidaturas fazerem a última apresentação na véspera e na manhã do dia decisivo. A candidatura Ibérica faz a sua apresentação às 09:00.

Blog do Leitor (O Dilema da Não-Modernização)

Texto enviado pelo leitor António Campos:

No contexto actual, não se podem censurar os responsáveis pela política monetária russa quando tentam manter as taxas de juro de referência em níveis relativamente baixos. É a sua contribuição para o rejuvenescimento de uma economia debilitada, baseada numa indústria obsoleta e uma dependência crónica da exportação de matérias-primas. Os bancos centrais de outras economias andam a fazer o mesmo, mantendo o custo de capital em níveis reduzidos para estimular o investimento e facilitar a saída da crise. A Euribor a 6 meses anda pelos 1,6%.
No entanto, segundo informações veiculadas pela agência Bloomberg no passado dia 21, as empresas russas estão a usar o baixo custo do crédito em rublos não para se expandirem dentro do país, mas para realizarem aquisições no estrangeiro, o que está a dar origem a uma maciça fuga de capitais. Tal levou a que o Bank Rosii tenha triplicado as suas projecções de outflows de capital, dos iniciais 8,7 mil milhões de dólares para 22 mil milhões em 2010.
Enquanto neste trimestre as empresas russas anunciavam aquisições estrangeiras avaliadas em cerca de 27 mil milhões de dólares, as aquisições no país totalizavam apenas 1,6 mil milhões. Por outro lado, é sintomático que os fundos de investimento tradicionalmente virados para os BRIC invistam muito menos na Rússia do que nos restantes países do quarteto, preferindo ainda assim, apesar de todas as manobras de charme do Kremlin, acções mais caras em economias com crescimento mais rápido. Ao mesmo tempo, o investimento directo estrangeiro caía quase 18% em base anualizada. Não é de surpreender, uma vez que são conhecidas as dificuldades impostas aos investidores na economia russa, já amplamente debatidas neste blog.
Trocando por miúdos: mesmo com o rublo mais barato de sempre (não nos esqueçamos de que, ainda que as taxas nominais sejam mais elevadas do que noutras economias, a inflação coloca as taxas dos empréstimos em valores reais negativos), até as empresas russas preferem expandir-se no estrangeiro e não no seu país.
Daí que se fale já numa reacção oficial a este desequilíbrio abrupto na balança de pagamentos, que passará inevitavelmente pelo aumento das taxas de juro. E aqui vem o dilema: a economia russa está estagnada. O PIB cresceu apenas 2,7% em base anual, depois de ter crescido 5,2% até Junho, mesmo com o barril de petróleo a flutuar na casa dos 84-88 dólares. Sem margem de manobra na política fiscal, será muito mais difícil para o banco central contrariar a desaceleração da débil economia (real, deduzida a exportação directa de matérias primas) do seu país.
Moral da história: enquanto o nosso amigo Robin não se convencer de que tanto os empresários russos como os estrangeiros entendem muito bem a diferença entre palavras e actos, o país continuará o seu passo de caracol a caminho do que já é: uma bomba de gasolina gigante, cujo pobre funcionário não espera viver para lá dos 60 anos.