quinta-feira, janeiro 20, 2011

Assessor de PR russo responsabiliza Putin por problemas nos investimentos



Arkadii Dvorkovitch, assessor do Presidente Medvedev para assuntos económicos, considera que o Governo de Vladimir Putin tem responsabilidades no mau clima de investimentos existente na Rússia, embora considere o trabalho do primeiro-ministro “eficaz”.

Segundo ele, no país existem “problemas com o clima de investimentos”.

“E claro que parte da responsabilidade por isso, e o próprio primeiro-ministro falou muitas vezes disso, é do Governo. Penso que nem ele diria que o trabalho é absolutamente eficaz”, acrescentou ele, numa conferência on-line com leitores do jornal gazeta.ru.

Porém, ele avaliou a atividade do primeiro-ministro como “eficaz”.

Dvorkovitch considera que a condenação de Mikhail Khodorkovski, ex-patrão da petrolífera YUKOS, a mais uma pena de 14 anos de prisão levará à reavaliação dos riscos por parte dos investidores estrangeiros.

“No que respeita à perda na imagem e à atitude dos investidores, penso que nós, dentro em breve, dentro de uma semana, veremos e ouviremos tudo em Davos, o maior forum de investimentos, veremos que essas perguntas irão ser feitas a todos os membros da delegação russa e ficará clara a atitude dos investidores. Penso que parte significativa da comunidade internacional fará perguntas sérias e aumentará a avaliação dos riscos de atividade na Rússia”, precisou.

O assessor económico do Kremlin recordou as palavras de Dmitri Medvedev de que “nós temos um clima de investimentos muito mau”.

“Muitos realmente não vêem perspetivas de fazer negócios e investir no interior da Rússia. Isso é confirmado pelos números do crescimento do investimento, que estão muito longe dos registados no período antes da crise”, frisou.

Dvorkovitch considera que a “indefinição eleitoral” e “a corrupção que não diminui” estão entre as causas do deterioramente do clima económico do país.

Em Dezembro de 2011 realizar-se-ão eleições para a Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento Russo e, um ano depois, terão lugar eleições presidenciais, desconhecendo-se ainda quem será o candidato do Kremlin: Putin ou Medvedev.

Entretanto, os investimentos estrangeiros na Rússia desceram de 56,9 mil milhões de dólares em 2009 para 38,3 mil milhões em 2010.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

ACIDENTE DE MBUZINI QUE VITIMOU SAMORA


















Estados Unidos mantiveram comunicações entre Tupolev e Maputo sob escuta



– revela biografia de Pik Botha



Pretoria (Canalmoz) - As comunicações via rádio entre o Tupolev presidencial e a Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo estiveram sob escuta dos Estados Unidos na noite do acidente de Mbuzini em que perdeu a vida o então chefe de Estado moçambicano, Samora Moisés Machel. A revelação vem contida na biografia do antigo ministro sul-africano dos negócios estrangeiros, Pik Botha, publicada em Dezembro último na África do Sul.

Segundo a autora da obra biográfica «Pik Botha and His Times», pouco depois do despenhamento do Tu-134A em Mbuzini, os investigadores da parte sul-africana receberam de entidades americanas a transcrição das referidas comunicações. A autora cita o investigador-chefe do acidente, pela parte sul-africana, como tendo dito que “os americanos mantinham a frequência sob escuta”. A frequência em causa era a do sistema de comunicações rádio de alta frequência utilizado pela Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo para comunicar com aeronaves. O livro não fornece pormenores sobre a forma e o local onde foi efectuada a escuta, mas esta função cabe, em princípio, à NSA (National Security Agency), organismo norte-americano responsável pela recolha e análise de comunicações e transmissões em territórios estrangeiros.

Para além dessa transcrição, acrescenta a autora do livro, os investigadores sul-africanos também dispunham de outra, idêntica, obtida pela Base Aérea de Hoedspruit, situada junto à fronteira com Moçambique.

A transcrição permitiu aos investigadores de imediato detectarem falhas da tripulação do Tupolev presidencial. Efectivamente, no primeiro contacto com a Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo, após ter entrado no espaço aéreo moçambicano, o Tupolev forneceu a hora prevista de chegada, o número de passageiros a bordo, o aeroporto de origem, e a autonomia da aeronave desde o momento de descolagem de Mbala, na Zambia. Nessa primeira comunicação, o operador de rádio do Tupolev pedia à Torre de Controlo para informar a quem de direito que “levava a bordo o No. 1”, numa referência ao Presidente Samora Machel.

Todos estes dados constam do plano de voo, que por norma deve ser efectuado antes da partida de uma aeronave. Tratando-se de um voo VIP, o plano de voo do avião transportando o presidente Samora Machel deveria ter sido efectuado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros moçambicano, com pelo menos 24 horas de antecedência. O fornecimento desses dados a cerca de 30 minutos da hora prevista de aterragem em Maputo era uma indicação clara de que a tripulação do Tu-134A não havia cumprido com um requisito elementar da navegação aérea, pondo em perigo a aeronave e a vida dos passageiros.

Posteriormente, em Moscovo, foi possível proceder à transcrição (e tradução do russo para o inglês) dos registos do gravador de cabine (CVR) do Tupolev que depois foi sincronizada com a transcrição da gravação da Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo, ficando os investigadores com uma ideia mais clara do sucedido nos últimos 30 minutos do fatídico voo, em particular a acumulação de erros e falhas por parte da tripulação, o que viria a causar a colisão do aparelho contra os montes dos Libombos em Mbuzini. (ver transcrição integral de ambas as gravações em www.samoramachel.com/transcricaoo_CVR_ATC.pdf)


Moscovo publica transcrição de todas as conversas dos controladores aéreos do aeródromo de Smolensk

омиссия проанализировала записи, зарегистрированные диспетчерским магнитофоном, а также записи переговоров группы руководства полетами с экипажем самолета Ту-154


O Comité de Aviação Interestal publicou hoje, no seu sítio na Internet, a transcrição de todas as conversações e conversas registadas pelos gravadores do aeródromo de Smolensk, perto do qual se despenhou o avião que transportava o Presidente da Polónia, Lech Kaczynski.

Essa decisão foi tomada depois da parte polaca ter publicado excertos das conversas dos controladores aéreos.

O governo da Rússia deu hoje por terminado o trabalho da Comissão de Estado sobre o acidente do avião polaco Tupolev-154, no qual morreu em abril de 2010 o Presidente da Polónia Lech Kaczysnki.

“Devido ao termo do trabalho da comissão técnica do Comité de Aviação Interestatal, considera-se terminado o trabalho da Comissão de Estado para o esclarecimento das causas da catástrofe do aparelho Tupolev-154, ocorrido a 10 de abril de 2010 em Smolensk, que provocou a morte do Presidente Lech Kaczysnki, a mulher e outros acompanhantes”, de acordo com um documento publicado hoje.

As autoridades russas concluíram que o avião que matou Lech Kaczynski caiu em abril porque a tripulação foi pressionada a aterrar em condições adversas por um oficial da Força Aérea polaca que estaria alcoolizado.

Kaczynski e outras 95 pessoas, incluindo a mulher do chefe de Estado polaco e altos responsáveis polacos, morreram quando o avião se despenhou ao tentar aterrar em Smolensk, no oeste da Rússia. Não houve sobreviventes.

As autoridades russas também concluíram que a preparação insuficiente da tripulação e a decisão de aterrar, apesar das advertências para as más condições meteorológicas, também contribuíram para o acidente.

Porém, a parte polaca que investigou a queda declaro também hoje que os controladores aéreos russos encontravam-se sob pressão, não informaram a tripulação do Tupolev 154 sobre o desvio da rota.

Toda esta discussão leva-me a voltar ao tema da morte do antigo Presidente moçambicano, Samora Machel, sobre a qual escrevi um livro. Esta seria uma boa altura para as autoridades do Maputo publicarem todos os documentos de que dispõem sobre a tragédia para que não restem dúvidas.
Se elas encobrem alguma coisa, fogem à publicação dos documentos, então eu não tenho dúvidas de que o Tupolev caiu não devido a um atentado organizado pelos serviços secretos da África do Sul, mas devido a erros crassos da tripulação.
Como se diz na minha terra: "Quem não deve, não teme".

terça-feira, janeiro 18, 2011

Igreja Ortodoxa Russa quer mais roupa nas mulheres

Vselovod Tchaplin, dirigente da Secção de Interação entre a Igreja Ortodoxa e a sociedade, considerou hoje que é preciso “impor ordem” nas formas como as mulheres russas se vestem.
“Não está mau o fato de empresas, universidades e escolas terem um código de conduta. Seria bom criar um código nacional (que pode não abranger os bares de strip-teas e os prostíbulos”, considera o sacerdote citado pela agência Interfax-religuia.
Segundo ele, “em todas as épocas, entre todos os povos, o aspeto externo do homem não era considerado prerrogativa absoluta dele”.
“Não é uma questão pessoal a forma como as mulheres se comportam nos locais públicos, no instituto, no trabalho”, considera Tchaplin..
Nos mês passado, o sacerdote declarou: “Se (a mulher) anda de mini-saia, ela pode provocar não só um caucasiano, mas também um russo. Se, além disso, ela está bêbada, ele provoca ainda mais. E se ela tenta ativamente entrar em contato com as pessoas, depois não se pode admirar se esse contato terminar numa violação, e ela não tem mesmo razão”.
“Uma mulher vestida ou pintada como um palhaço, que, desse modo, quer estabelecer contato com alguém na rua, no metropolitano ou no bar, arrisca-se a encontrar um idiota borracho, mas não encontrará certamente um companheiro de vida com o mínimo de juízo e de respeito mútuo. Poderá encontrar um idiota sóbrio, mas será que ela procurava isso?”, pergunta Tchaplin.
Estas declarações já provocaram respostas indignadas de organizações de direitos humanos.
Que estupidez. A pessoa deve vestir-se como quiser. Depois eles (ortodoxos) proibirão as mulheres de pintar os lábios”, reagiu Liudmila Alekseevna, dirigente da organização Grupo de Helsínquia de Moscovo.
Segundo ela, “na era soviética, inicialmente, prendiam pelas calças apertadas, depois pelas calças largas, depois proibiram as mulheres de andar de ombros descobertos”.
“Eles (ortodoxos) poderiam ao menos uma vez inventar algo que liberte as pessoas, e não as limite”, concluiu.

Álvaro Pereira, o violinista que não queria tocar violino



Texto escrito por mim para a Agência Lusa:

Álvaro Pereira, 24 anos, estuda violino no 2.º ano do Conservatório Rimski-Korsakov de São Petersburgo e prepara-se para uma carreira de solista. Para isso, deixou Guimarães e partiu para a Rússia, onde paga o seu curso.


Magro, cabelo negro comprido, Álvaro já se habituou aos fortes frios da Rússia e não se arrepende de ter optado por uma cidade longínqua, mas com qualidades surpreendentes.


“Nunca vi uma coisa assim: pessoas estarem horas e horas em filas ou comprarem bilhetes na candonga para assistir a concertos de música clássica. Só em São Petersburgo vi uma coisa assim”, declara o jovem violionista à Lusa.


Álvaro Pereira começou a estudar música na Escola Profissional e Artística do Vale do Ave e revela o que o levou a optar pelo violino.


“Não havia nessa escola vagas para piano e guitarra. Eu queria tocar num instrumento e esses eram os únicos que eu conhecia. Nunca imaginaria pegar num violino para tocar”, recorda ele com um grande sorriso nos lábios.


“Fizeram-me uma avaliação musical, disseram que, por uma série de parâmetros e por ter bom ouvido, deveria experimentar o violino. E gostei”, acrescentou. 
O jovem começou a aprender a tocar violino numa idade bastante tardia para aceder a uma carreira profissional, mas o muito trabalho permitiu-o ingressar na Escola Profissional de Música e Artes do Espetáculo do Porto.


“Estudei aí apenas três anos, não terminei. Quando já tocava na Orquestra do Porto, os muitos músicos russos e de outros países do Leste que aí tocam incitaram-me a vir estudar para a Rússia”, continua.


“Eles diziam-me: é um desperdício tocar tão cedo numa orquestra, podes ir bem mais longe, mas tens de aprender mais”, recorda Álvaro, sublinhando que o seu ídolo é Jascha Heifetz, um dos expoentes máximos da escola violionista russa.


Não obstante ainda estudar no conservatório, o jovem português já tem no seu currículo a participação em numerosos concertos na Rússia. Em dezembro passado, Álvaro Pereira, acompanhado pela Orquestra Sinfónica Cappela de São Petersburgo, sob a direção do maestro português João Tiago, interpretou o “Concerto para violino e orquestra do compositor latino-americano Lucas Jaramillo (1986)'.


Mas o violinista quer tocar no seu país, especialmente na sua terra natal em 2012, quando Guimarães for a capital europeia da cultura.

Rússia desmente perigo de vírus nos computadores da central nuclear de Busher

A Corporação Estatal de Energia Atómica da Rússia (Rosatom) desmentiu hoje informações difundidas no Ocidente sobre as consequências destruidoras da infeção dos computadores da Central Nuclear de Busher, no Irão, e sobre a possibilidade de uma “nova Tchernobil”.

“Nos sistemas informáticos da central não há quaisquer vírus, muito menos naqueles que respondem pela segurança da central, porque o sistema informático é completamente local, isolado de fontes externas”, declarou Serguei Novikov, porta-voz da Rosatom.

Em Outubro de 2010, foram publicadas notícias sobre a infiltração do vírus informático Stuxnet, mas a Rosatom, empresa que construiu a Central de Busher, desmentiu essas informações, sublinhando que “o vírus não entrou no sistema automatizado do funcionamento dos processos tecnológicos”.

No sábado passado, o “New York Times”, que citou peritos militares e dos serviços secretos, noticiou que os serviços de informação israelitas e norte-americanos colaboraram no desenvolvimento do vírus informático Stuxnet destinado a sabotar o programa nuclear iraniano.

Segundo o jornal norte-americano, Israel testou a eficácia do vírus no complexo nuclear de Dimona, situado no deserto de Neguev, que alberga o programa de armamentos nucleares israelita. A criação deste vírus destrutivo é um projecto americano-israelita, com a ajuda, voluntária ou não, da Grã-Bretanha e da Alemanha, segundo as fontes do diário.

Hoje, o jornal britânico acrescentou que o vírus provocou “graves danos” no reator da central, sublinhando que especialistas russos teriam prevenido da possibilidade de uma nova catástrofe nuclear como a que ocorreu na Central Nuclear de Tchernobil, em Agosto de 1986. Peritos já tinham suspeitado várias vezes de que Israel estava na origem do vírus Stuxnet, que afectou as centrifugadoras iranianas que produzem urânio enriquecido. O ministro israelita dos assuntos estratégicos Moshé Yaalon afirmou no fim de Dezembro que recentes "dificuldades" encontradas pelo programa nuclear iraniano atrasaram vários anos o eventual acesso de Teerão à bomba atómica. Os Estados Unidos e uma parte da comunidade internacional acusa o Irão procurar dotar-se da arma atómica ao abrigo de um programa nuclear civil, situação que Teerão continua a desmentir.

Detectado há alguns meses, o Stuxnet infecta um software Siemens de controlo de autómatos industriais muito utilizados nos sectores da água, nas plataformas petroleiras e nas centrais eléctricas. A sua função seria alterar a gestão de certas actividades para provocar a destruição física das instalações afectadas, segundo os peritos. O Stuxnet terá principalmente atingido o Irão, o que deixou pensar que tinha sido concebido para sabotar as suas instalações nucleares, mas parece também ter afectado a Índia, a Indonésia ou o Paquistão.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Ciclo Sofia Gubaidulina no CCB - a não perder!

A Hora da Alma

Ciclo Sofia Gubaidulina

Direcção artística: Filipe Pinto-Ribeiro

5 a 12 de Fevereiro 2011

O objectivo mais importante de uma obra de arte é, na minha perspectiva, transformar o tempo. Os seres humanos têm em si próprios este outro tempo, o tempo da alma.

Sofia Gubaidulina



O Ciclo Sofia Gubaidulina, A Hora da Alma, celebra a arte irresistível de um dos maiores compositores do mundo. O conjunto de actividades deste Ciclo, que assinala o 80.º aniversário de Gubaidulina, inclui quatro concertos com obras suas orquestrais, corais e de câmara, várias das quais em estreia em Portugal, e ainda um encontro com a própria compositora que estará presente no Centro Cultural de Belém.
Reconhecida como uma criadora essencial neste começo do século XXI, Sofia Gubaidulina é talvez a primeira mulher compositora a alcançar um estatuto ao nível dos seus homólogos masculinos. A demonstrar a dimensão e o reconhecimento alcançado pela obra de Sofia Gubaidulina é a impressionante lista de intérpretes que lhe solicitaram composições e que as difundiram internacionalmente, entre os quais se encontram maestros como Simon Rattle, Gennadi Rozhdestvensky, Kurt Masur ou Valery Gergiev e solistas como Mstislav Rostropovich, Anne-Sophie Mutter ou Gidon Kremer.
Precisamente neste Ciclo vamos ter o privilégio de ouvir alguns intérpretes predilectos de Sofia Gubaidulina, como o violoncelista David Geringas, o maestro Mikhail Agrest ou o acordeonista Geir Draugsvoll, destinatário do Concerto para bayan e orquestra, Fachwerk, uma das suas mais recentes obras. Marcarão ainda presença o Coro da Rádio da Letónia, a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Orquestra Sinfónica Metropolitana e o DSCH - Schostakovich Ensemble, ao qual se juntará a compositora, na obra À beira do abismo, vestindo a pele de intérprete e encarregando-se do aquafone – um instrumento de sonoridades muito peculiares.
Entre as partituras que se interpretarão em Lisboa, estão algumas das composições-chave de Sofia Gubaidulina e ainda obras de compositores pelos quais a compositora confessa uma ilimitada admiração e dívida como J. S. Bach, L. v. Beethoven, A. Webern ou D. Schostakovich.
Misturando influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas, a música de Sofia Gubaidulina capta imediatamente o ouvinte. A beleza e variedade de sons, os ritmos selvagens, as descrições musicais apocalípticas e paradisíacas são parte do universo de Gubaidulina que poderemos testemunhar no CCB, nesta que será uma oportunidade imperdível de chegar à alma da música poderosa desta fascinante compositora.

Filipe Pinto-Ribeiro



Cântico do Sol

Concerto de Abertura do Ciclo Sofia Gubaidulina

5 de Fevereiro de 2011
Sábado
21h00

Pequeno Auditório


Coro da Rádio da Letónia

Sigvards Klava, direcção musical

David Geringas, violoncelo

Ivo Kruskops, percussão

Ivars Kalnins, percussão

Programa:

Johann Sebastian Bach: Komm, Jesu, Komm!, BWV 229 [8’]

Sofia Gubaidulina: Hommage à Marina Tsvetayeva, suite
para coro a capella sobre poemas de Marina Tsvetayeva * [15’]

I. Tief unter die Wellen

II. Das Ross

III. Alle herrlichen Trompeten

IV. Interludium

V. Der Garten

intervalo

Sofia Gubaidulina: Sonnengesang (Cântico do Sol de S. Francisco de Assis), para violoncelo, coro de câmara e percussão * [38’]

* Estreia em Portugal


***


Geir Draugsvoll e OCP

6 de Fevereiro de 2011
Domingo
17h00

Grande Auditório


Orquestra de Câmara Portuguesa

Pedro Carneiro, direcção musical

Geir Draugsvoll, bayan (acordeão)

Programa:

Johann Sebastian Bach: Concerto Brandeburguês n.º 3, em Sol maior, BWV 1048 [12’]

I. [Allegro]

II. Andante

III. Allegro

Sofia Gubaidulina: Fachwerk, concerto para bayan e orquestra * [32’]

intervalo

Ludwig van Beethoven: Sinfonia n.º 5, em Dó menor, op. 67 [33’]

I. Allegro con brio

II. Andante con moto

III. Scherzo: Allegro

IV. Allegro

*Primeira apresentação da nova versão

***

… para Gubaidulina

9 de Fevereiro de 2011
Quarta-feira
21h00

Pequeno Auditório

DSCH – Schostakovich Ensemble com  
Sofia Gubaidulina, aquafone

Filipe Pinto-Ribeiro, piano e aquafone

Tatiana Samouil, violino

Jolente de Maeyer, violino

Natalia Tchitch, viola

Nicolas Altstaedt, violoncelo

Varoujan Bartikian, Levon Mouradian, Raquel Reis, Jeremy Lake, Teresa Valente Pereira, Michal Kiska, violoncelos (músicos convidados)

Programa:

Anton Webern: 6 Bagatelas, para quarteto de cordas, op. 9 [5’]

I. Mäßig

II. Leicht bewegt

III. Ziemlich fließend

IV. Sehr langsam

V. Äußerst langsam

VI. Fließend



Dmitri Schostakovich: Quinteto com piano, em Sol menor, op. 57 [32’]

I. Prelude

II. Fugue

III. Scherzo

IV. Intermezzo

V. Finale


intervalo


Sofia Gubaidulina: Reflections on the theme B-A-C-H, para quarteto de cordas [5’]

 
Sofia Gubaidulina: Dancer on a tightrope, para violino e piano * [12’]

Sofia Gubaidulina: Am Rande des Abgrunds (À beira do abismo), para 7 violoncelos e 2 aquafones * [15’]

* Estreia em Portugal


***

Concerto de Encerramento

12 de Fevereiro de 2011
Sábado
21h00

Grande Auditório


Orquestra Sinfónica Metropolitana

Mikhail Agrest, direcção musical

Filipe Pinto-Ribeiro, piano



Programa:

Ludwig van Beethoven: Sinfonia n.º 2, em Ré maior, op. 36 [35’]

I. Adagio molto. Allegro con brio

II. Larghetto

III. Scherzo: Allegro

IV. Allegro molto


Sofia Gubaidulina: Introitus, concerto para piano e orquestra de câmara * [24’]

intervalo

Sofia Gubaidulina: Stimmen… Verstummen… (Vozes… emudecem…), sinfonia em doze andamentos * [42’]

* Estreia em Portugal



Outras actividades:


Sophia – Biography of a Violin Concerto

Documentário de Jan Schmidt-Garre (2008)



Quinta-feira 10 de Fevereiro

Sala Almada Negreiros

18h00

Entrada livre (sujeita à capacidade da sala)


Realizado por Jan Schmidt-Garre em 2008, este documentário mostra-nos o percurso de uma obra de Sofia Gubaidulina, o Concerto para Violino e Orquestra In Tempus Praesens, desde a sua composição à estreia pela mão da reconhecida violinista Anne-Sophie Mutter, dedicatária da obra. Uma viagem pela intimidade criativa de duas figuras maiores da música actual e um olhar fascinante sobre o universo criativo da compositora russa e sobre o estudo e interpretação de uma obra contemporânea, onde abundam imagens e diálogos inéditos.

Duração: 60 minutos

Legendado em Português

***


Encontro com

Sofia Gubaidulina



Quinta-feira 10 de Fevereiro

Sala Almada Negreiros

19h00 (logo após a projecção do documentário Sophia, Biography of a Violin Concerto)

Entrada livre (sujeita à capacidade da sala)

Pela primeira vez em Portugal, para acompanhar o Ciclo que lhe é dedicado no CCB, Sofia Gubaidulina estará presente num encontro com o público e com a comunidade musical. Uma oportunidade única de partilhar a experiência de uma das mais importantes compositoras da actualidade.

Aberto a todos os interessados, o encontro é de entrada livre e será antecedido da projecção (às 18h) de um documentário sobre a compositora, Sophia, Biography of a Violin Concerto, da autoria de Jan Schmidt-Garre.

Duração aproximada: 75-90 minutos

Encontro com tradução simultânea


Master-Class de acordeão orientada por Geir Draugsvoll

Dias 7 e 8 de Fevereiro 2011

http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/Programacao/Ciclos/Pages/CICLOSOFIAGUBAIDULINA.aspx





domingo, janeiro 16, 2011

Polícia detém 19 manifestantes nacionalistas em Moscovo


Ontem, sábado, Moscovo parecia uma cidade em estado de sítio. Milhares de polícias e soldados cercaram a Praça Manejnaia e a Praça Vermelha para impedir manifestações de nacionalistas. Um amigo meu português que trabalha há uns anos na capital russa telefonou-me para dizer: "Nunca vi uma coisa assim, são tantos veículos, polícias equipados de capacetes e cacetetes!"
Antes de deixar aqui o relato dos acontecimentos na véspera, apenas quero sublinhar que, num país como a Rússia, onde vivem cerca de 160 povos, o vírus do nacionalismo e do chauvinismo pode ser fatal para a sua integridade territorial.

A polícia da capital russa deteve, ontem, 19 pessoas que participaram numa manifestação de homenagem a um adepto do futebol assassinado há 40 dias por um grupo de jovens do Cáucaso.

“Apenas 19 pessoas foram detidas e conduzidas a uma esquadra com objetivos profiláticos, para verificar os documentos e ver se estiveram ligadas aos acontecimentos de 11 de dezembro na Praça Manejnaia”, declarou Victor Biriukov, porta-voz da polícia de Moscovo.

Segundo ele, quatro dos detidos portavam armas traumáticas e dois tinham armas brancas.

Iegor Sviridov, adepto do Spartak de Moscovo, foi assassinado no dia 06 de dezembro por um grupo de jovens originários do Cáucaso do Norte russo.

Segundo revelou hoje a Procuradoria-Geral da Rússia, os caucasianos provocaram conscientemente os confrontos que provocaram um morto e quatro feridos.

“Os atacantes espaçaram as vítimas e um dos atacantes desferiu um golpe na cabeça de uma das vítimas”, lê-se num comunicado publicado.

Este assassinato provocou uma onda de indignação nos adeptos de futebol, que foi aproveitada pelas forças nacionalistas para lançar ataques contra pessoas provenientes das regiões caucasianas da Rússia, bem como contra estrangeiros.

Ontem, quatro mil polícias e soldados das tropas do ministério do Interior da Rússia foram colocados nos locais de Moscovo onde as autoridades esperavam incidentes.

As autoridades reforçaram também a segurança na Manejnaia Plochad, praça próxima do Kremlin onde a 11 de dezembro ocorreram confrontos entre a polícia e nacionalistas, depois de terem surgido vários apelos na Internet para que os nacionalistas se reunissem aí.
Em São Petersburgo, a polícia deteve 22 militantes nacionalistas em manifestações semelhantes.

sábado, janeiro 15, 2011

Rosneft e BP vão explorar jazigos de petróleo e gás no Ártico russo

As empresas russa Rosneft e a britânica BP planeiam começar a exploração de jazigos de petróleo e gás na plataforma ártica russa dentro de 5 a 10 anos, revelou hoje o presidente British Petroleum, Robert Dudley, numa entrevista ao canal russo Russia Today.

“Trata-se de um programa calculado para 50 anos e os primeiros resultados serão obtidos dentro de cinco ou dez anos”, sublinhou.

Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo e dirigente do Conselho dos Diretores da Rosneft, assinalou, pelo seu lado, assinalou que o projeto em questão é um dos elementos que permitirão converter a companhia russa num holding energético internacional.

Na véspera, Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, revelou que a Rosneft e a British Petroleum acordaram extrair jazigos de hidrocarbonetos no Ártico russo com reservas de petróleo da ordem dos cinco mil milhões de toneladas e de 10 biliões de metros cúbicos de gás natural.

Numa reunião com o presidente da BP, Putin prometeu um “regime fiscal e administrativo favorável” para a realização desse projeto e frisou que ele exigirá investimentos de dezenas de milhões de euros e o emprego das mais avançadas mais avançadas.



sexta-feira, janeiro 14, 2011

Parlamento retifica Tratado START-3 em segunda leitura, mas com emenda

A Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento da Rússia retificou hoje, em segunda leitura, o Tratado com os Estados Unidos sobre a redução dos armamentos estratégicos (START-3).

O tratado recebeu o apoio de 349 deputados, 57 votaram contra e dois abstiveram-se.

Antes, os deputados aprovaram uma emenda que prevê a introdução de seis novos artigos no documento retificativo.

Na emenda descrevem-se as condições impostas pela Rússia para se manter no quadro do tratado ou para sair dele.

Os deputados fixaram no papel a ligação entre o START-3 e o sistema de defesa antimíssil. Se os Estados Unidos realizarem unilateralmente a instalação de sistemas de defesa antimíssil que ameacem a segurança da Rússia, Moscovo abandonará o START-3.

O Congresso norte-americano, no processo de retificação do tratado, aprovou uma emenda onde se fixa não existir ligação entre a redução de armamentos estratégicos e a instalação de sistemas de defesa antimíssil.

“As conversações sobre a redução de armas nucleares táticas só poderão realizar-se tendo em conta a realização do Tratado START, bem como outros parâmetros que influem na estabilidade estratégica no mundo”, declarou Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, ao discursar perante os deputados.

Além disso, a emenda prevê, em conformidade com o nível das necessidades das forças nucleares estratégicas da Rússia, o financiamento de trabalhos com vista à manutenção da base de investigação e produção, à segurança durante a liquidação de armamentos estratégicos ofensivos e ao cumprimento do Tratado START.

A Duma Estatal encarrega o Presidente da Rússia de, após a entrada em vigor do tratado, elaborar um programa de desenvolvimento das forças nucleares estratégicas do país e o Governo de informar anualmente sobre o estado do complexo nuclear russo.

O Governo deverá também informar a Duma sobre a instalação de sistemas de defesa antimíssil por outros países, a sua influência no potencial das armas nucleares estratégicas da Rússia e as possíveis ameaças à segurança nacional da Rússia no caso de aparecimento de novos tipos de armas ofensivas de alcance estratégico, bem como da instalação de armas no Espaço.

A Duma Estatal retificou o START-3, em primeira leitura, no dia 24 de dezembro de 2010. A votação da terceira e última leitura está marcada para 25 de janeiro.

O Tratado de Redução dos Armamentos Nucleares Estratégicos foi assinado em abril do ano passado pelos presidentes russo e norte-americano, Dmitri Medvedev e Barack Obama.

Este acordo prevê a redução da quantidade total de munições nucleares em um terço, até 1 550, em comparação com o Tratado de Moscovo de 2002, e diminui duas vezes o número máximo de portadores estratégicos.

Proibição de Gata Borralheira transforma espetáculo em êxito

 Фрагмент спектакля "Новогодний коктейль для Золушки"


A peça “Cocktail de Ano Novo para a Gata Borralheira”, levada ao palco pelo Teatro de Drama e Comédia da Kamtchatka, tornou-se um êxito depois de uma tentativa de proibição por parte das autoridades locais.
Os dirigentes da Kamtchatka, no Extremo Oriente russo, ficaram particularmente indignados com a crítica feita no espetáculo à alteração dos fusos horários: o rei ordena fazer recuar o ponteiro uma hora para que a Gata Borralheira fique mais tempo no baile.
Em novembro de 2009, o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, propôs a redução do número de fusos horários no país. No ano passado, a região da Kamtchatka deixou de passar para a hora de Verão, reduzindo assim de nove para oito horas a diferença em relação a Moscovo.
No dia 11 de dezembro, mais de três mil pessoas da região manifestaram-se contra essa decisão.
Mikhail Machkovets, antigo governador da Kamtchatka, acusou, no seu blogue, as autoridades locais de tentarem censurar o espetáculo, porque viram nele uma crítica ao Presidente Medvedev.
Segundo ele, a vice-governadora Irina Tretiakova assistiu à comédia no passado dia 07 de janeiro, ficou indignada com as “piadas” e abandonou a sala. No dia seguinte, foi dada ordem para suspender o espetáculo.
Arkadi Khoziatchev, ator que desempenha o papel de rei, declarou que foram feitas tentativas de “emendar o texto da peça” não só no que respeita aos fusos horários, mas também às críticas feitas em relação às obras no edifício do teatro que, na peça, aparecem como “obras no castelo real”.
“Foi feita chantagem aberta. Se não retirarem os relógios e a reconstrução, não receberão apartamentos, nem prémios. Mas, mesmo assim, nada receberemos! O teatro está numa situação miserável! Mas ninguém se acobardou! Os atores, mesmo sem falarem entre si, subiram ao palco e desempenharam os seus papéis sem cortes”, declarou à imprensa local Tatiana Artiomova, artista emérita da Rússia.
A pressão das autoridades locais provocou forte descontentamento na imprensa e opinião pública, o que obrigou o governador da Kamtchaka a abrir um inquérito para determinar responsabilidades.
Além disto, este incidente fez com que habitantes de outras regiões da Rússia queiram ver esse espetáculo.
“Ouvi falar desse espetáculo, iria vê-lo com agrado. Se ele vier a Ekaterimburgo, estarei lá”, escreve Iúri no sítio eletrónico do teatro.

Estamos de regresso à Rússia!


Caros leitores, peço desculpa por este intervalo, o mais longo da história deste blogue, mas a vida é feita de altos e baixos, há momentos em que apetece desistir de tudo. Fui a Portugal juntar forças para mais um ano de trabalho, mas a situação é deprimente, nunca vi o meu país numa situação assim.
Mas há sempre bons momentos: o encontro com a família e, desta vez, a festa do 10º aniversário da SIC, uma oportunidade para rever amigos jornalistas.
Chegado à Rússia, já pude constatar que este será um ano de muito trabalho para mim neste país. Além de ser um ano de eleições parlamentares, mais lá para o fim, este país continua a enfrentar graves problemas com consequências imprevisíveis.
A guerra civil no Cáucaso do Norte continua. Embora de "fraca intensidade", nessa região registam-se diariamente ataques da guerrilha separatista islâmica, assassinatos de polícias, políticos e dirigentes religiosos. Além disso, problemas como o desemprego e a corrupção continuam por resolver.
Em Moscovo, é extremamente preocupante a actividade de forças nacionalistas, sob a capa de adeptos de futebol. Os confrontos de 11 de Dezembro na Praça Manejnaia mostram que a capital russa se encontra sentada num barril de pólvora que poderá provocar uma explosão de confrontos entre etnias, neste caso, convencionalmente falando, entre os nacionalistas russos e todos os outros que eles considerem diferentes.
O jogo das autoridades com essas forças apenas faz aumentar o perigo da explosão, que, se ocorrer, Vladimir Putin, que ainda não se apresentou vestindo as fardas de sapador ou bombeiro, terá grande dificuldade em conter.
Não obstante as promessas de liberalização proclamadas pelo Presidente Dmitri Medvedev, Mikhail Khodorkovski apanhou mais 14 anos de prisão e, segundo alguns jornais russos, as autoridades judiciais preparam-se para lhe fazerem novas acusações, incluindo assassinatos, etc.
 Depois da tirada televisiva de Putin. "O ladrão deve continuar na prisão", a sentença transformou-se numa farsa e ridicularizou uma vez mais a justiça russa. Resta esperar agora pelas decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos em relação a tudo isso.
Uma coisa é certa, essa sentença voltou a provocar uma forte saída de capitais do país e não contribuiu para o melhoramento da imagem da Rússia.
Não se pode também deixar de sublinhar a onda de repressão contra a oposição liberal ao Kremlin. Um dos seus dirigentes, Boris Nemtsov, está a cumprir uma pena de 15 dias de prisão sem saber porquê. 
Pode-se simpatizar ou não com os dirigentes da oposição liberal, mas o facto é que irritam Vladimir Putin, sim, Putin, porque Dmitri Medvedev é cada vez mais transformado numa espécie de rainha de Inglaterra.
Quanto à corrupção, ela continua a ser total e omnipresente, facto que é reconhecido por todos, incluindo Dmitri Medvedev.
E, para terminar no que respeita ao campo interno, quero recordar que Vladimir Putin encontra-se no poder há 11 anos, tempo suficiente para esperar resultados.
No campo internacional, o reinício das relações entre a Rússia e os Estados Unidos continua a ser uma incógnita. A rectificação do START-3 corre sérios riscos. Se o Congresso dos Unidos considera não existir ligação entre a redução de armamentos estratégicos e a instalação de sistemas de defesa antimíssil, o Parlamento russo tem uma opinião contrária. 
Vamos ver também como irá continuar a aproximação entre a Rússia e a NATO, entre a Rússia e a União Europeia, bem como se irá desenvolver a situação em torno da Coreia do Norte, Irão e Médio Oriente.
Concluindo, vamos ter temas suficientes para discutir.






quarta-feira, janeiro 05, 2011

Presidente polaco visitará a Rússia depois de esclarecidas causas da queda de avião que vitimou seu antecessor


O Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski, gostaria de visitar a Rússia para prestar homenagem às vítimas da catástrofe aérea de Smolensk, mas antes deverão ficar esclarecidas as causas dessa tragédia, declarou hoje o conselheiro presidencial, Tomasz Nalecz.
“O Presidente Komorowski gostaria de ir a Smolensk no primeiro aniversário da catástrofe aérea, mas só depois de esclarecer as suas causas”, declarou Nalecz em declarações ao diário Gazeta Wyborcza.
Alguns meios de imprensa informaram que o Presidente polaco viajaria a Smolensk no próximo 10 de Abril de 2011.
“Por enquanto, não se pode dizer com toda a certeza que a vista se realizará porque dependerá muito do relatório conjunto sobre as causas do acidente aéreo”, assinalou o conselheiro de Komorowski.
Em Outubro passado, o Comité Interestatal de Aviação entregou o rascunho do relatório a Edmund Klich, representante da Polónia nesse organismo. Em Dezembro, a parte polaca comentou que tinha numerosas observações sobre o documento e não podia aceitá-lo tal como foi apresentado pela Rússia.
Na véspera, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, pôs em causa o trabalho dos controladores aéreos russos.
“Hoje podemos dizer que se a decisão de aterrar não tivesse sido tomada, a catástrofe não teria ocorrido”, declarou ele à cadeia de televisão TVN24, acrescentando que “seria errado atirar todas as culpas para cima da tripulação”.
Segundo o primeiro-ministro, o documento não põe em causa o comportamento dos controladores aéreos russos que autorizaram a aterragem do avião presidencial. Ele mostrou-se convicto de que a queda não teria ocorrido se essa autorização não tivesse sido dada.
“Este fator constitui uma das razões pelas quais o projeto de relatório apresentado pelo Comité Interestatal de Aviação não me parece 100 por cento objetivo”, frisou.
O avião Tupolev-154 do Presidente polaco Lech Kaczynski despenhou-se perto da cidade russa de Smolensk a 10 de Abril de 2010. Acompanhado de sua esposa e altos representantes da elite política e militar da Polónia, Kaczynski dirigia-se para Smolensk para prestar homenagem a cerca de 22 000 militares polacos executados pela polícia secreta soviética na floresta de Katin, em 1940. A bordo do avião viajavam 88 passageiros e 8 tripulantes. Não houve sobreviventes.


Blog do leitor (Colosso do Passado)

Texto enviado pelo leitor Pippo:


"Durante a Guerra Civil Russa, os Aliados, apostados em combater os bolcheviques e a sua ideologia, apoiaram militarmente as forças “Brancas”.
Para além das intervenções com forças militares, nomeadamente em Arkhangelsk, franceses e britânicos forneceram aos “Brancos” equipamento militar diverso, de entre o qual de destacavam os novos tanques pesados Mk V, de último modelo, que foram postos ao serviço na zona Norte e sobretudo, na zona Sul, a apoiar os exércitos sob o comando de Denikin e Wrangel

O exemplar agora recuperado é um dos poucos exemplares sobreviventes dos tanques britânicos Mk-V que actuaram durante aquele período.
Este tanque troféu foi capturado pelas tropas soviéticas na frente Sul durante a Guerra Civil. Em 1940 ele foi colocado no pátio de um museu, na Pavlin Vinogradov Prospekt, em Arkhangelsk. No entanto, no início dos anos 70 o edifício do museu foi demolido e o troféu lendário permaneceu no mesmo lugar.

Em Dezembro de 2006
o Mk V foi retirado de Arkhangelsk para trabalhos de restauração na empresa de reparações navais “Star”, em Severodvinsk.
Pelas características do veículo (MK-V com canhões de 57mm e metralhadoras Hotchkiss), poderemos presumir que este exemplar poderá ter feito parte do 3º destacamento de tanques do exército de Wrangel, do qual faziam parte os seguintes veículos:

·         «Marechal de Campo Kutuzov»
·         «Generalíssimo Suvoroff»
·         «General Skobelev»
·         « Marechal de Campo Potemkin»
·         «Za Rus Sviatuu» (Pela Santa Rússia)
·         «Za Veru i Rodinu» (Peta Fé e pela Pátria)

Após um cuidadoso trabalho de restauração que incluiu a desmontagem do veículo, peça por peça, e sua limpeza de ferrugem e terra, acumuladas durante anos, o Mk V ficou finalmente pronto.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Pico montanhoso vai receber o nome de Vladimir Putin

O Governo do Quirguistão decidiu batizar um dos picos da cordilheira montanhosa de Tien-Shan com o nome do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou hoje Farid Niiazov, conselheiro do chefe do Executivo quirguize.
“O primeiro-ministro Almazbek Atambaev assinou um projeto-lei que dá o nome de Pico Vladimir Putin a um dos picos sem nome, com 4500 metros de altitude, da Cordilheira situada no Quirguistão, na bacia do rio Ak-Suu”, declarou à agência noticiosa russa Ria-Novosti.
As autoridades da região onde se encontra o pico “já aprovaram a decisão” e o projeto foi entregue ao parlamento para ratificação.
Antes, um dos picos stuados na região de Issik-Kull recebeu o nome do primeiro Presidente da Rússia Boris Ieltsin.
O Quirguistão é um dos países mais pobres do mundo que sobrevive, em parte, graças à ajuda económica e financeira da Rússia, que tem interesses estratégicos nesse país da Ásia Central, muito próximo do Afeganistão.

domingo, janeiro 02, 2011

O que esperar das relações entre a Rússia e a NATO?

A Cimeira NATO-Rússia, realizada em novembro em Lisboa, foi apresentada como um ponto de viragem nas relações bilaterais, falou-se do “fim da guerra fria”, mas as perspetivas para 2011 permanecem envoltas em dúvidas.
O embaixador russo junto da Aliança Atlântica, Dmitri Rogozin, considera que “o fundamento das relações foi lançado em finais de 2009. No ano seguinte, essa base reforçou-se. A Rússia tenciona manter com a NATO relações estáveis e previsíveis”.
Para Rogozin, “a Cimeira de Lisboa teve um resultado positivo. Foi aprovada uma declaração única onde se apontam as vias de interação mesmo sobre questões tão complicadas como a criação do escudo antimíssil europeu”, mas, ressalva o embaixador junto da NATO, "o ano que vem (2011) irá mostrar o que se irá conseguir”.
A Rússia receia que no seio da Aliança não exista unanimidade face às relações com Moscovo.
Recentemente, a divulgação pelo site Wikileaks de documentos secretos sobre a criação pela NATO de um plano de defesa da Polónia e dos países do Báltico em relação à Rússia levou Moscovo a pedir explicações a Bruxelas.
O Kremlin continua a ver em qualquer bloco militar junto da sua fronteira um perigo potencial e um risco de uso da força militar contra os interesses russos, mas Rogozin defendeu, em declarações a jornalistas, que “quanto maiores forem as relações com a NATO e o Ocidente em geral, melhor será para a Federação da Rússia, porque o capital da cooperação é um obstáculo para os russófobos”.
A questão do escudo de defesa antimíssil europeu poderá criar sérios problemas ao processo de aproximação. O Kremlin espera propostas da NATO que enquadrem a Rússia na criação desse sistema em pé de igualdade.
A ratificação do tratado de redução de arsenais estratégicos (START) ainda não chegou ao fim e Moscovo receia que a aprovação norte-americana venha acompanhada de condições inaceitáveis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou em finais de dezembro que “a resolução do Senado (dos Estados Unidos) sobre o START não tem força jurídica”.
“Um dos problemas fundamentais dessa resolução é a tese de que a ligação entre os armamentos estratégicos e defensivos, contida no START, não é juridicamente obrigatória para os Estados Unidos e a Rússia”, declarou Lavrov, frisando que “essa ligação está fixada no preâmbulo do tratado”.
O campo de cooperação NATO-Rússia mais frutífero parece ser o combate ao terrorismo no Afeganistão, tendo sido conseguidos avanços significativos nesta área, mas as dúvidas persistem e o desenvolvimento da situação política interna na Rússia e a desconfiança existente entre as partes poderá destruir muito do que foi até agora conseguido.

Pelos vistos, alguns têm direito à propriedade privada


Como se costuma dizer o que é teu é nosso e o que é nosso é nosso. Não à propriedade privada com cadeiras e grilhões!