domingo, fevereiro 06, 2011

Líder terroristas checheno promete um “ano de sangue e lágrimas”


Доку Умаров взял на себя ответственность за теракт в "Домодедово" и обещал России "год крови и слез

Doku Umarov, líder do chamado “Emirado do Cáucaso”, organização terrorista que atua no Cáucaso do Norte russo, prometeu à Rússia um “ano de sangue e lágrimas” e dá a atender que foi ele o organizador do atentado no Aeroporto Domodedovo.
Num vídeo publicado no sítio dos separatistas islâmicos Kavkazcenter, Doku Umarov ameaça realizar, no território da Rússia, um ato terrorista por semana ou por mês, dependendo a regularidade da “vontade de Alá”.
O comandante terrorista sublinha que o objetivo dos atentados são aqueles que “não gostam do Islão” e “insultam os caucasianos”.
Segundo o filme colocado na Internet, o líder da guerrilha separatista visitou a base “Riiaduz Salihiin”, onde são treinados terroristas suicidas. O vídeo não está datado, mas parece ter sido gravado antes do atentado no Aeroporto de Domodedovo, realizado a 24 de Janeiro e que provocou 36 mortos e mais de cem feridos.
Umarov aparece rodeado do emir Hamsat, comandante do batalhão de suicidas, e de um jovem parecido com Mahomed Evloev, a quem as autoridades russas atribuem a autoria do atentado terrorista.
O jornal Novaya Gazeta escreve que Evloev tinha 20 anos e saiu de casa em Setembro de 2010. No passado domingo, agentes do Serviço Federal de Segurança da Rússia realizaram uma busca na casa da família e recolheram amostras biológicas para a realização de testes de ADN.
Nos últimos dias, Moscovo tem assistido a uma verdadeira praga de falsos alarmes telefónicos sobre atentados terroristas.
Hoje, a polícia da capital russa foi obrigada a evacuar três das oito estações de caminho de ferro, bem como uma das estações do metropolitano.

sábado, fevereiro 05, 2011

Guerra Colonial: Levantamento de Luanda levou URSS a intensificar contactos com MPLA


Texto escrito por mim para a Agência Lusa: 

"A União Soviética intensificou os contactos com o Movimento Popular pela Libertação de Angola depois do levantamento de 04 de fevereiro de 1961 em Luanda, escreve o ex-agente secreto soviético Oleg Najestkin nas suas memórias “No cerco ardente do bloqueio”.
“No início de 1961 foi elaborado [no seio do KGB soviético] um plano de trabalho de espionagem em torno de Angola, comunicado ao Comité Central (do Partido Comunista da União Soviética, PCUS ) e aprovado”, recorda no livro publicado na capital russa.
É este agente, do Comité de Defesa do Estado (KGB) da ex-URSS, que se encontra com o dirigente do MPLA, Agostinho Neto, com vista a estabelecer ligações regulares com Moscovo.
Segundo Najestkin, “em meados de 1961, os agentes em Leopoldville receberam a séria tarefa do Comité Central do PCUS e da sua direção de estabelecer contacto com o presidente honorário do MPLA, Agostinho Neto, e começar a trabalhar com ele, garantindo a ligação conspirativa regular”.
O agente soviético sublinha que esse encontro ocorreu depois da fuga clandestina de Agostinho Neto, que se encontrava em Lisboa, graças a uma operação realizada com a ajuda de comunistas portugueses e com o conhecimento dos serviços secretos soviéticos.
“A sua fuga foi planeada pela direção do MPLA, mas foi realizada com a ajuda dos comunistas portugueses. Recorreram a um 'caminho-de-ferro clandestino' de antifascistas portugueses bem organizado e várias vezes experimentado, com a ajuda do qual foram retirados de Portugal para Marrocos dezenas de originários das colónias portuguesas alvos de repressão. Os nossos serviços secretos não tiveram qualquer tipo de participação nessa ação, embora soubessem que a operação estava a ser preparada”, recorda.
As primeiras notícias sobre o levantamento de Luanda chegaram à URSS no próprio dia 4 de fevereiro, através da sua agência de informação TASS.
O correspondente em Londres considera que uma das causas da revolta foi a tomada do navio “Santa Maria” pelo capitão Henrique Galvão.
“O feito corajoso do capitão Galvão e dos seus camaradas fez explodir com nova força o movimento de libertação nacional numa colónia africana de Portugal: em Angola. Na madrugada de 4 de fevereiro, nas ruas da cidade principal de Angola: Luanda, ouviram-se tiros de espingarda. Um grupo de pessoas armadas, entre os quais se encontravam tanto africanos como brancos, lançou um ataque contra as prisões militar e civil de Luanda, onde estão detidos centenas de patriotas angolanos”, escreveu o correspondente soviético".

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Aventuras de um jornalista brasileiro na Rússia





"Jornalista brasileiro é humilhado e perseguido na Rússia
Carta Capital


Preso na cidade de Sochi, no Mar Negro, dia 28 passado, o repórter free lancer brasileiro Solly Boussidan, foi mais uma vítima da truculência do governo da Rússia contra jornalistas. Seu crime: ter enviado para o portal Terra Magazine artigos nos quais contava como a televisão russa cobriu o atentado no Aeroporto de Moscou no dia 24 de janeiro.
Boussidan estava de passagem pela Rússia, a caminho da Armênia, quando postou seus artigos. Embora identificado como jornalista, tinha apenas visto de turista, o que serviu de pretexto para a sua prisão. A ação do Itamaraty e do governo alemão (ele tem dupla cidadania) possibilitou que saísse do cárcere antes de completar os dez dias determinados por um juiz para que sua deportação fosse realizada. Daí Boussidan foi encaminhado para a cidade de Adler, na fronteira com a Geórgia. Em um centro de detenção para estrangeiros, o brasileiro passou 48 horas sem comida e recebeu pressão para assinar documentos em russo sem tradução e abrir mão da proteção consular brasileira. Depois, passou a receber alimentação uma vez por dia, sem direito a banho e acesso aos seus remédios, confinado numa cela minúscula com outros quatro presos. Ele conseguiu contar sua saga ao repórter Roberto Simon, do Estado de S.Paulo, que ajudou a divulgar a notícia pelo Brasil.
Passados cinco dias, Boussidan foi deportado, dia 1º de fevereiro, para a Abkházia, república separatista da Geórgia. De lá, conseguiu chegar a Tbilisi, capital e maior cidade da Georgia, onde o localizamos. Ele respondeu à CartaCapital assim que chegou. A história que nos contou é inacreditável e conclama à ação dos que lutam pela liberdade de informação, hoje colocada em questão em várias partes do mundo, sobretudo no Egito.
Nos próximos dias Boussidan retomará seu roteiro original. Depois de descansar, vai para a Armênia e só depois de completar seu plano de voo, retornará ao Brasil. Vida de repórter é assim.
O depoimento de Solly Boussidan, à CartaCapital, de Tbilisi, na Geórgia:
Caros, obrigado pelo apoio. Essas situações nunca são fáceis – sabemos que não somos bem quistos em muitas partes, mas quando você recebe “tratamento especial” por ser jornalista é que fica ainda mais patente a importância de nosso trabalho.
Eu estava na Rússia passando dez dias antes de tomar um voo para a Armênia. Não tinha intenção de trabalhar nem reportar do país. Mesmo assim, para evitar problemas mencionei à Polícia de Fronteira que era jornalista e inclusive mostrei a eles alguns de meus artigos.
Em Sochi, procurei a prefeitura para me apresentar e pedir que me enviassem contatos com quem pudesse obter informações de turismo e sobre a preparação para as Olimpíadas de Inverno de 2014. Obviamente fui bem recebido pela prefeitura, pois interessa a eles divulgar a cidade como destino turístico.
No entanto, eles preencheram um formulário padrão de “contato com a mídia” que acabou alertando a polícia de imigração, a qual passou a me monitorar. Isso foi no dia do atentado no aeroporto em Moscou.
Terra me contatou pedindo informações sobre o que a mídia russa estava reportando. Não era nenhum grande furo jornalístico. Muito pelo contrário, essas informações provavelmente estavam disponíveis no próprio site das emissoras e jornais russos para o mundo todo e serviram em grande parte para complementar matérias de agências.
Esses artigos foram no entanto a “prova do crime”, que resultaram na minha prisão.
Dois dias depois fui interrogado por cerca de 12 horas por 5 policiais e levado a uma corte. Os policiais esperavam que eu fosse apenas multado, mas o juiz decidiu me deportar e que até a deportação eu ficasse retido em um centro de detenção.
O juiz optou por ignorar o fato de que a Embaixada Brasileira em Moscou já havia assegurado meu credenciamento junto ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Ignorou também o fato de eu ter me identificado como jornalista na fronteira e desconsiderou o meu argumento de que eu não tinha como prever um ataque terrorista no país, sendo que as informações que eu transmiti foram circunstanciais e em função de um evento repentino e inesperado.
Durante os dois primeiros dias não me deram comida – depois disseram que “esqueceram” de me avisar que a comida ficava disponível em uma sala do centro de detenção na hora do almoço. Mesmo assim, recebíamos comida somente uma vez ao dia. O banheiro era uma várzea e era impossível tomar banho, pois apesar de haver chuveiro, não tínhamos toalhas e fazia frio. Passei cerca de uma semana sem tomar banho. Dividia um quarto pequeno com mais quatro pessoas – todos sem tomar banho há dias – uma situação bastante desagradável. Contudo, não fui maltratado por nenhuma autoridade.
A Embaixada em Moscou ficou incansavelmente em cima do meu caso e em contato com o Ministério das Relações Exteriores russo e a corte para tentarem reverter a decisão judicial ou pelo menos acelerar minha deportação, que havia inicialmente sido marcada para o dia sete de fevereiro. O principal problema foi que o ministério russo assumiu muito mais uma postura defensiva do que de cooperação com o Itamaraty
A embaixada alemã em Moscou também tentou interceder e cooperar com o Itamaraty e a priori haviam conseguido que minha deportação fosse para Berlim, ao invés do Rio como os russos queriam inicialmente.
A sentença e o tratamento que eu recebi deixaram inclusive alguns policiais da imigração um pouco perplexos e os funcionários da prefeitura de Sochi preocupados com as repercussões, afinal de contas, caso o episódio não tivesse ocorrido eu provavelmente estaria escrevendo matérias em algumas semanas que promoveriam o turismo na Rússia.
Esses policiais acabaram conseguindo acelerar minha deportação caso eu conseguisse acesso ao território da Abkházia, por onde entrei na Rússia. Entrei em contato com as autoridades abkházias, que gentilmente se prontificaram em me receber e dar assistência.
No dia 1 de fevereiro fui entregue as autoridades abkházias e segui para Sukhumi. Estava exausto, me sentindo péssimo após uma semana me alimentando mal e sem tomar banho. Passei uma noite lá e segui para a fronteira com a Geórgia, onde potencialmente enfrentaria um novo problema. Como a Abkházia declarou-se independente da Geórgia, os georgianos consideram a entrada em território abkházio a partir da Rússia como uma entrada ilegal na Geórgia. Como consequência, podem lhe prender e deportar. Novamente o Itamaraty através da Embaixada em Ancara intercedeu a meu favor e consegui chegar a Tbilisi hoje ( 4 de fevereiro), após dois dias de viagem.
Agora estou bem alimentado, de banho tomado e mais relaxado. O incidente todo foi bastante traumático, pois realmente nunca fiz ou tive a intenção de fazer nada errado. Meu relato ao Terra poderia facilmente ter sido também descrito em sites de mídia social – não acho que se qualifica como “trabalho jornalístico ilegal”.
A decisão e o modo como fui tratado pela Rússia foram completamente desproporcionais, principalmente levando-se em conta que ocorreram em função de um atentado terrorista na capital do país que pegou a todos – inclusive às próprias autoridades russas – de surpresa. Continuo exausto pelo estresse acumulado nos últimos dias – além da situação desagradável, da falta de condições de higiene e alimentação, da multa que paguei, me senti naturalmente humilhado e injustiçado (a advogada apontada pelo tribunal para me representar nem sequer leu o processo ou falou comigo antes do julgamento, saiu antes da leitura da sentença e não voltou para falar comigo!). Ademais, a tensão de não saber se o processo ia ser revertido, se algo ia mudar a cada momento, se iam me permitir contato com a embaixada e minha família e para onde ou quando eu ia ser deportado era constante e não me permitiam relaxar em momento algum.
Enfim, o pior passou. Tecnicamente estou impedido de retornar à Rússia por cinco anos, mas há modos de tentar reverter essa proibição.
 

Energia, extremismo e Jerusalém Oriental: influência da expansão da Rússia no Médio Oriente


Texto traduzido e enviado pelo leitor Pippo: 

"O que é que os desenvolvimentos recentes na política externa russa para o Grande Médio Oriente nos informam sobre os planos de longo prazo para o envolvimento de Moscovo na região?

por Closson Stacy para RUSI.org

Nas últimas semanas, os líderes russos têm mantido "pela primeira vez em muito tempo" reuniões com líderes do Afeganistão e do Paquistão, e reiterou o apoio da Rússia a uma Palestina independente. 
Quais são os objectivos de Moscovo? Será este um jogo a curto ou longo prazo no Grande Médio Oriente?Visarão estas recentes manobras atender a necessidades imediatas, ou serão ela um meio para restaurar o papel moscovita na política das grandes potências?

O renascimento das ambições de Grande Potência da Rússia, estimulado pela sua expansão económica na década de 2000, foi marcada pela sua oposição à guerra dos EUA no Iraque e, talvez tenha visto o seu ponto mais baixo com a recente crise financeira. Na sequência de uma recessão sem precedentes entre os G-20, a Rússia aceitou os apelos da nova Administração dos EUA para uma redefinição das relações mútuas. Isso levou a cooperação russa nas sanções contra o Irão por causa do seu programa nuclear, a disponibilização de um corredor para o equipamento da NATO para o Afeganistão, e o reavivar das negociações de paz no Médio Oriente.
 
Isso não significa, contudo, que o governo russo tenha abandonado as suas ambições de grande potência, como o indica a Estratégia de Segurança Nacional de 2010, ou que tenha trocado uma abordagem em que todos ganham (“win-win approach”, no original) por um jogo realista que dê soma “zero”. Também não sugere que a Rússia esteja a regressar ao Grande Médio Oriente para tirar proveito de uma América fraca, pois isso seria dizer que a Rússia tinha estado ausente deste região, e a posição dos Estados Unidos no Médio Oriente no pós-Guerra Fria nunca foi assim tão forte.

Pelo contrário, concordo com aqueles que, como Mark Katz, da Universidade George Mason, sugerem que a reaproximação da Rússia ao Grande Médio Oriente é uma aposta realista a médio prazo destinada a auxiliar uma economia em dificuldade e conter a insurgência muçulmana dentro das suas fronteiras, no Norte do Cáucaso.

Emendando uma economia
A economia da Rússia foi atingida de forma excepcionalmente dura pela crise financeira, e o fundo de estabilização está actualmente esgotado. Por agora, o preço do petróleo recuperou, mas a Rússia precisa de uma injecção de capital no sistema, a fim de diversificar a sua economia.

Os líderes da Rússia têm uma oferta tripartida de venda de armamentos, tecnologia nuclear para fins civis, e petróleo e gás, e o Irão, Síria, Argélia continuam a comprar armas russas. A Rússia quer construir centrais nucleares civis do Norte de África e no Levante e tem significativos investimentos na área da energia na Argélia, Líbia, Irão, Iraque e Arábia Saudita.

Um dos seus melhores clientes na região é o Irão, a quem a Rússia vende armas e centrais nucleares, e onde investe em campos de hidrocarbonetos. Por outro lado, é cada vez mais reconhecido entre os funcionários em Moscovo que o desejo do Irão de desenvolver um programa de armas nucleares e mísseis de longo alcance também representam uma ameaça. Enquanto a Rússia continua a opor-se fervorosamente a um ataque militar contra o Irão, também parou o processo de venda dos mísseis S-300, o que prejudicou as suas relações com o regime iraniano.

Teoricamente, a instabilidade no Iraque e no Irão, e as contínuas tensões com os Estados Unidos, permitem às empresas russas cimentar acordos energéticos com estes dois países e promover esforços para evitar a entrada de energia no mercado europeu. Relativamente a este último ponto, no entanto, a Rússia tem de lutar com o objectivo da Turquia, com o apoio ocidental, de servir como corredor energético do Irão e do Iraque para a Europa.

Os recursos energéticos da Ásia Central poderiam servir como fonte para a Península Arábica. A Gazprom está interessada em participar na construção de um gasoduto que ligará o Turquemenistão à Índia, passando através do Afeganistão e do Paquistão. A Rússia poderá encarar este projecto como uma forma de reinserir-se na Ásia Central, algo já testado recentemente com a abertura de novas rotas para o gás com o Irão e China. Como o gás natural, em particular de GNL [Gás Natural Liquefeito], entrou para o mercado como sendo uma mercadoria comercializada globalmente, a Rússia tentou criar um cartel do gás com, entre outros, o Qatar e o Irão.

Limitar a uma insurgência
Os muçulmanos da Rússia são, pelo menos, um sétimo da população do país, e os seus números continuam a crescer. O aumento da violência no Cáucaso do Norte e o ataque ao aeroporto de Domodedovo são lembretes para o governo russo de que deve promover melhores relações com o mundo muçulmano a fim de evitar alienar os muçulmano e fazer da Rússia um alvo dos sunitas radicais.

Para este efeito, o apoio da Rússia à criação de um Estado palestino pode ser visto como uma continuidade histórica e uma oportunidade para enviar uma mensagem ao mundo muçulmano de que a Rússia nutre simpatia para com a sua causa.

envolvimento da Rússia com a liderança do Irão, da Síria, com o Hamas na Palestina e o Hezbollah no Líbano, continuará, para consternação dos norte-americanos e dos outros governos ocidentais.Simultaneamente, Moscovo terá o cuidado de manter os seus laços comerciais com Israel.

Em relação ao Afeganistão e Paquistão, a Rússia está a antecipar um dia em que uma retirada dos EUA poderá deixar um vácuo de insegurança na Ásia Central, e sugeriu que a OTSC deverá ser a organização líder a nível da segurança regional. Como a Estratégia de Segurança Nacional de 2010 sugere, a Rússia tem preocupações reais sobre as ameaças provenientes da Ásia Central, incluindo as ameaças associadas à “migração incontrolada e ilegal, drogas e tráfico de seres humanos, e outras formas de crime organizado transnacional.

Para a Rússia, a presença dos EUA no Afeganistão desafia a sua reivindicação de ter um papel especial em relação aos Estados da Ásia Central. Enquanto inicialmente a Rússia lutou, juntamente com a China, contra o prolongamento das bases militares americanas na região, agora enfrenta ameaças muito reais do Afeganistão caso os EUA abandonem a região. Além disso, a China está mais assertiva na Ásia Central, o que traz seus próprios problemas, algo que a presença americana na região actualmente contrapõe.

De acordo com especialistas no Centro Carnegie de Moscovo, a Rússia apoia, na sua essência, os objectivos da coligação liderada pelos EUA de impedir que uma vitória do Taliban. Durante a era do domínio talibã no Afeganistão (1996-2001), o Quirguistão, o Tadjiquistão e o Uzbequistão estavam sob constante pressão por parte de extremistas locais com ligações com o Afeganistão. Naquele tempo, Moscovo tinha poucas opções para oferecer ajuda ao seu "estrangeiro próximo".

Consequentemente, a Rússia tem procurado formas de melhorar os níveis de segurança no Afeganistão.Além de enviar helicópteros de transporte para o governo de Karzai, também se tem envolvido, para desgosto da liderança afegã, em operações anti-narcóticos. As últimas negociações também parecem ter resultado no reavivar dos projectos de desenvolvimento da era soviética.

Rússia suspeita que os extremistas muçulmanos nos santuários no Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, tenham ligações com os militantes do Norte do Cáucaso e do Movimento Islâmico do Uzbequistão na Ásia Central. As actuais conversações de segurança entre a Rússia e o Paquistão são um desenvolvimento interessante, mas ainda não se registaram os avanços desejados dado que a intensa rivalidade, que remonta à guerra soviética no Afeganistão, tem provado ser um obstáculo considerável à aproximação entre os dois países.

Conclusão 
Todas as tentativas da Rússia em participar construtivamente nos esforços multilaterais no Grande Médio Oriente são susceptíveis de ser saudados por todos os lados, mas com múltiplas parcerias corre-se o risco de se alienarem alguns parceiros (o Paquistão e a Índia, o Hamas e a Fatah, o Irão e Israel, o Hezbollah e o Líbano).

Da mesma forma, o relacionamento da Rússia com o Irão parece complicado. A Rússia poderia restabelecer a venda de mísseis S-300 ao Irão, e poderá fazê-lo a fim de proteger seus investimentos em energia ou assegurar-se que o Irão permanece fora do seu "estrangeiro próximo", particularmente o Azerbaijão e Tajiquistão.

Algo que a Rússia não apoiará é a promoção da democracia no mundo árabe por parte do Ocidente: o silêncio das autoridades russas sobre o desenrolar dos acontecimentos na Tunísia e no Egipto é disso exemplo. As revoluções seguem padrões semelhantes aos dos estados pós-soviética da Geórgia e da Ucrânia. O governo russo não quer dar qualquer legitimidade a revoltas populares que expulsaram líderes autoritários que manipulam as eleições em seu favor.

No fim das contas, Moscovo está a jogar um jogo realista a curto prazo para fortalecer sua economia e conter uma insurgência islâmica crescente. No seu estado actual, a Rússia simplesmente não dispõe de meios para angariar influência suficiente para se envolver em política de Grande Potência no Grande Médio Oriente. No futuro, os esforços da Rússia poderão originar um diálogo mais amplo com vista à contenção da ameaça de uma insurgência islâmica. A Rússia poderá também desempenhar um papel de intermediário entre o Ocidente e o Irão, e projectos de energia na região deverão ter um efeito positivo no mercado. Dito isto, é provável que nem a América nem a Rússia alguma vez venham a recuperar o grau de influência que tiveram na região durante a Guerra Fria.

Stacy Closson atualmente leciona política externa e de segurança russas na Escola Patterson de Diplomacia e Comércio Internacional. Anteriormente leccionou no Woodrow Wilson Center for International Scholars, em Washington, DC, e do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, em Berlim.

Presidente Moçambicano continua a entreter com a "canção do ceguinho"


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"Samora Machel foi barbaramente assassinado pelo Apartheid"

Sexta, 04 Fevereiro 2011 08:55 Redacção

Presidente da República não tem dúvidas
Samora foi o líder que foi porque respondeu ao chamamento da pátria, valorizando-se a si próprio e procurando, na auto-estima, a fonte de inspiração, de força, e a construção dum mundo melhor para si e para o seu povo
Intervindo no comício popular que ontem orientou em Xai-Xai, o Presidente da República, Armando Guebuza, afirmou numa passagem do seu discurso que “Samora Machel foi barbaramente assassinado pelo regime do Apartheid, nas colinas de Mbuzini, em território sul-africano”. Na verdade, não se trata de uma tese nova. No entanto, não deixa de ser curioso o Presidente da República continuar a reiterar e tomar esta tese como uma verdade acabada, na medida em que o mesmo encarregou o procurador-geral da República, Augusto Paulino, de dar continuidade às investigações sobre as reais causas que ditaram a morte de Machel, a 19 de Outubro de 1986. Ou seja, se é um facto que Samora foi morto pelo Apartheid, não faz sentido mandar investigar, sendo, sim, necessário que o Estado moçambicano desencadeie mecanismos legais e diplomáticos junto do governo sul-africano ou das Nações Unidas com vista a prender, julgar e punir severamente os responsáveis por este acto hediondo.
Refira-se que, logo após a morte de Samora Machel, Armando Guebuza foi a pessoa que chefiou a comissão de inquérito sobre as causas do despenhamento do Tupolev que acabou vitimando Machel e sua delegação. E os resultados desta comissão nunca foram de domínio público.
"Samora não seguiu o pré-destino"
No entanto, não deixa de ser verdade que o discurso lido por Armando Guebuza, ontem, tenha sido um dos mais bem elaborados e, por isso, mais emocionantes. Guebuza falou de um Machel que se recusou a que a sua biografia seguisse o curso que lhe fora pré-destinado, na medida em que, se tal tivesse acontecido, “ele teria nascido, vivido e morrido sem registo para posteridade, senão, talvez, na memória dos seus entes queridos, amigos (...) tudo estava traçado para frustrar o seu avanço. Todavia, Samora Machel contrariou, já naquela época, o roteiro que a implacabilidade da opressão e humilhação colonial impunham a todo o jovem africano com ambição. Pela sua tenacidade e sentido de propósito, desafiou não só o sistema de administração estrangeira, como também, e acima de tudo, o destino. Formando-se, ele, afirmou, da forma mais enfática possível, que ele não seria vítima do destino, mas, sim, dono da sua própria biografia, obreiro da sua trajectória de vida e narrador principal da sua história de vida”, disse Guebuza.
Numa nota de fecho, Guebuza disse que “Samora foi o líder que foi porque não deixou o seu talento e o seu potencial morrerem nas mãos da adversidade colonial; porque não deixou que as circunstâncias fossem donas do seu destino; porque respondeu ao chamamento da pátria, valorizando-se a si próprio e procurando, na auto-estima, a fonte de inspiração e de força, e a construção dum mundo melhor para si e para o seu povo”.
P.S. Como sou daqueles que já estou farto deste discurso infundado, defendo a abertura do processo aos investigadores. Se o Presidente moçambicano tem tanta certeza de que Samora Machel foi assassinado, que o prove. Ele dirigiu durante muitos anos as investigações, que publique os documentos. É mais cómodo ter um Presidente mártir, imaculado, mas a História não tem piedade, mais tarde ou mais cedo, a verdade vem ao de cima.

Comportamento de turistas russos espanta primeiro-ministro Putin


Não obstante todos os apelos das autoridades russas para que os turistas deixem de viajar para o Egito ou para que regressem à Rússia, eles não se apressam a dar ouvidos a esses apelos, o que deixa espantados os próprios dirigentes.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ao falar da ameaça terrorista na Rússia, considerou que o “relaxe” é uma das particularidades do seu povo, apresentando como exemplo os turistas russos que teimam em voar para o Egito.

“O povo russo tem algumas particularidades: nós relaxamo-nos muito rapidamente. Lá [no Ocidente], a sociedade está muito concentrada, é muito sensível a qualquer manifestação de ameaça. No nosso país, infelizmente, não é assim”,  declarou ele num encontro com jornalistas do primeiro canal de televisão russo.

Putin exemplifica: “os ecrãns mostram os acontecimentos no Egito: todos partem dali, mas os nossos turistas continuam nos aeroportos e a viajar para descansar aí. Embora os pilhadores lá já cheguem aos hotéis! Não, continuam a viajar!”.

Segundo dados oficiais, actualmente descansam no Egito mais de 25 mil turistas, mas, se se acrescentar os russos que trabalham e vivem nesse país, o número sobe para os 75 mil.

Anualmente, mais de dois milhões de russos escolhem o país das pirâmides como destino turístico.

Em média, uma viagem turística ao Egito custa aos russos cerca de 350 euros.

“Os tubarões são muito mais terríveis para os nossos turistas do que a crise política no Egito... Os russos vão para os países quentes no Inverno para tomar banho no mar. Isso é o principal para eles”, explica Oleg Moiseev, porta-voz do Ministério do Turismo da Rússia.

Segundo ele, “os turistas russos não se preocupam com coisas dessas. Trata-se de uma caraterística nacional”.

Entrevistados pelos órgãos de informação russos, os turistas ficam espantados com a preocupação revelada pelas autoridades, sublinhando que a situação é calma nas regiões balneares do Egito.

Na véspera, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia voltou a “recomendar insistentemente os cidadãos russos a renunciar a viagens ao Egito e a utilizar as possibilidades de regresso à Pátria”, mas os turistas continuam a sentar-se nos aviões rumo a esse país.

Por isso, as autoridades russas tiveram de proibir as agências de turismo de venderem férias no Egito e ordenaram as companhias de aviação a transportarem passageiros desse país para a Rússia.

Alexandre Tkatchov, governador da região russa de Krasnordar, no Mar Negro, apressou-se a ganhar com a situação no Egito no Twitter: “Vi as notícias do Egito. É melhor escolher as praias de Krasnodar. Recomendo”.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Serviços secretos anunciam descoberta de autores de atentado terrorista, mas Presidente Medvedev revela insatisfação


Alexandre Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB) da Rússia, anunciou hoje que os serviços secretos determinaram o alegado organizador  do atentado terrorista no Aeroporto Domodedovo, ocorrido a 24 de Janeiro.
A explosão provocou a morte de 36 pessoas e feriu mais de uma centena.
“Supomos quem seja o organizador”, declarou ele ao informar o Presidente russo, Dmitri Medvedev, sobre o andamento das investigações.
Segundo ele, “foram detidas várias pessoas envolvidas na preparação do atentado terrorista”.
Bortnikov confirmou também que os serviços secretos determinaram a identificação do suicida que acionou a carga explosiva.
“Direi apenas a sua idade: 20 anos, ele é originário de uma das repúblicas do Cáucaso do Norte e, em agosto do ano passado, juntou-se a um bando”, acrescentou.
O diretor do FSB prometeu tomar todas as medidas para deter todos os envolvidos no atentado.
No mesmo encontro, Alexandre Bastrikin, chefe do Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia, revelou também que familiares do suicida participaram na preparação do ato terrorista.
“Durante buscas e investigação, recebemos as primeiras provas objetivas da participação dos membros da família do suicida na preparação do atentado terrorista e na concessão de apoio prático”, frisou.
Porém, estas revelações não satisfizeram Dmitri Medvedev que considerou “precipitadas” e “inadmissíveis” as declarações dos funcionários sobre a descoberta da autoria do atentado.
“Considero absolutamente inadmissível que se anuncie a descoberta da autoria do crime, principalmente de um crime tão grave, quando ainda não terminou a investigação, não foi preparada a acusação, não se realizou o julgamento, não foi ditada sentença e esta não entrou em vigor”, reagiu ele.
“Vocês informaram-me de que há avanços nas investigações, isso é bom, mas nem representantes da Procuradoria, nem do Comité de Investigação, nem outros funcionários têm o direito de anunciar a descoberta da autoria do crime. Este crime não está descoberto, mas, não obstante, há um avanço”, frisou.
“É preciso trabalhar, e não fazer publicidade”, concluiu.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciára na véspera que “o crime estava esclarecido”.


Texto que me foi enviado pelos amigos de Eduardo Guedes, correspondente do JN em Moscovo recentemente falecido. Perdi um amigo e camarada.


Adeus, Eduardo! Obrigado!

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O Eduardo é o segundo de seis irmãos, numa família cristã e muito unida do Estoril. Era um tipo que gostava muito de fazer desporto, de jogar ténis, e era também um aluno brilhante.
Em 1968, quando tinha 14 anos, conheceu o Movimento dos Focolares. Ficou logo muito tocado com aquela experiência de viver como os primeiros cristãos. A sua adesão foi imediata e inseriu-se no Movimento Gen que estava a nascer naquela altura e tornou-se o primeiro gen português. Desde logo se juntaram outros jovens a quem ele deu a conhecer esta vida e que acompanhava com muito zelo.
Aos 16 anos sentiu o chamamento de Deus para ser um focolarino e respondeu com decisão. Dois anos depois deixou tudo e foi para Loppiano, em Itália para a escola dos Focolarinos.
Em 1975 veio para Portugal e esteve durante 15 anos em vários focolares: Lisboa, Coimbra e Porto.  
Em 1991 foi para a Rússia com mais 4 focolarinos para abrir um focolar naquele país. Durante estes 20 anos semeou o Ideal da Unidade em muitos pontos daquele enorme território. Trabalhou sem tréguas, com uma grande abertura ao diálogo com os ortodoxos. A sua generosidade e humildade foram muito apreciadas pelo povo russo que se sentiu realmente amado por ele, como demonstram as muitas e significativas mensagens que lhe mandaram ultimamente.
Deu um testemunho fortíssimo com a sua transparência, equilíbrio, sobriedade e integridade. Nunca julgava ninguém e sabia ser paciente com todos. Embora fosse co-responsável por uma zona enorme, o seu amor era silencioso porque estava concentrado em Deus. Tinha um amor forte e radical por Jesus Abandonado por isso nada o perturbava.
Trabalhava como jornalista e escrevia artigos científicos e de actualidade para vários jornais, porque aprendeu o russo perfeitamente. Descrevia com coragem a verdade da realidade russa, mas com delicadeza de explicar um mundo muito desconhecido. Segundo o testemunho de um jornalista italiano, Michele Zanzuchi, as suas entrevistas eram mais de silêncio do que de palavras, na certeza que o mais importante era deixar o entrevistado exprimir-se livremente. Era um exemplo de seriedade profissional e humana.
Em Novembro foi-lhe diagnosticado um tumor maligno. O Eduardo aceitou com serenidade, embora consciente da gravidade. Entregou-se nas mãos de Deus num Sim total à Vontade de Deus. Quando veio para Portugal para fazer alguns tratamentos, despojou-se totalmente da Rússia e em 3 dias deixou tudo em ordem.
A Emaús, presidente do Movimento, escreveu-lhe a 15 de Dezembro: “Repetindo «por Ti Jesus» em cada momento presente, terás a graça de viver aquilo que Deus te pede, construindo a tua santidade e o «que todos sejam um»”. E o Eduardo respondeu-lhe: “A tua carta é como um farol que me ajuda a viver bem o momento presente”.
Todos nós podemos testemunhar que até nos momentos mais difíceis ele foi fiel, até ao fim.
Apesar da quimioterapia, a doença avançou com uma velocidade impressionante.
Este período que ele esteve aqui connosco foi uma luz para todos. Mesmo quando já estava muito mal, amava todos aqueles que o vinham visitar ou que enviavam mensagens, e não eram poucos, interessando-se por cada um. Estava sempre em doação.
Na manhã do último dia, enquanto rezavam o terço, que ele gostava tanto de rezar, respondia, mesmo se com dificuldade: “rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.
Todos nós, Movimento dos Focolares em Portugal, agradecemos a sua vida e unimo-nos a todos aqueles que o conheceram no mundo inteiro para lhe dizer um GRANDE OBRIGADO!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

TAP vai aumentar número de voos entre Lisboa e Moscovo


 A TAP vai aumentar de cinco para nove o número de voos semanais entre Lisboa e Moscovo para responder ao aumento da procura na época alta do turismo em Portugal, disse hoje fonte da empresa na capital russa.
Entre junho e setembro, a TAP operará nove voos entre Lisboa e Moscovo, depois de ter registado uma taxa de ocupação entre 60 e 70 por cento em 2010.
A TAP transportou de Moscovo para Lisboa cerca de 10 mil passageiros em 2009 e o dobro em 2010, segundo dados da empresa portuguesa.
No ano passado, 9 por cento dos passageiros da TAP na Rússia utilizaram Lisboa como ponto de passagem para o Brasil e cerca de 3 por cento para países africanos.
A TAP realiza apenas voos da capital russa para Lisboa, recorrendo os turistas russos a outras companhias aéreas para ligações com cidades como São Petersburgo, Ekaterimburgo, Samara, Saratov ou Krasnodar.
Segundo dados oficiais, o número total de turistas russos em Portugal foi superior a 52 mil em 2010.
Agências de turismo russas contatadas pela Lusa assinalam que, em 2011, deverá voltar a registar-se um aumento substancial do número de turistas russos que procuram Portugal para descansar.
“O aumento do número de voos semanais pela TAP e a facilitação na conceção de vistos pelo consulado português em Moscovo poderão contribuir para que a corrente turística para Portugal continue a aumentar”, declarou a gerente de uma das agências à Lusa.
Contatada pela Lusa, a Embaixada de Portugal informou, por escrito, que “está a fazer uso das facilidades de emissão de vistos autorizadas há uns meses pelo competente departamento do MNE".
"Começámos assim, a título de exemplo, a facultar vistos Schengen de maior duração a requerentes que comprovem o motivo das suas deslocações frequentes a Portugal; requerentes que detenham propriedades e negócios legítimos relevantes em Portugal”, segundo a informação da embaixada.
Na nota, a embaixada portuguesa refere também que é dada igualmente "atenção a empresários e representantes de empresas, a trabalhadores altamente qualificados, a docentes e investigadores, e bem assim a jornalistas”.
Trata-se de "fazer um uso ativo das possibilidades oferecidas pelo Acordo de Facilitação de Vistos (AFV) UE/Rússia e pelo Código Comunitário de Vistos, na perspetiva nomeadamente de contribuir para uma maior captação de turismo, investimento e negócios”, acrescenta.
Em 2009, o consulado de Portugal em Moscovo concedeu 18.510 vistos, número que subiu para 22.808 em 2010.
Porém, numerosos turistas russos entram em Portugal com vistos de outros países de Schengen. Por exemplo, há já agências de turismo que vendem Espanha e Portugal num só pacote.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Das semelhanças e diferenças entre a situação no Egipto e na Tunísia, por um lado, e na Rússia, por outro

Publiquei abaixo uma entrevista que fiz ao general russo na reserva Leonid Ivachov e gostaria de tecer algumas considerações.
Alguns analistas encontram semelhanças entre a situação de agitação criada na Tunísia e no Egipto, por um lado, e a situação existente na Rússia, e elas realmente existem. Em todos os lados a corrupção é quase total, os regimes tentam travar os movimentos sociais, congelar as situações ou a fazer "pequenas obras de fachada" para se manterem no poder. As oligarquias sufocam o desenvolvimento e modernização das sociedades.
O facto de o Kremlin, ontem, segunda-feira, ter mandado para as ruas de Moscovo mais de dois mil polícias e soldados é um sinal demais evidente de que os dirigentes russos temem que o descontentamento social e político salte para as ruas e se torne incontrolável.
Porém, há diferenças substanciais entre os citados países da África do Norte e a Rússia que devem ser tidos em conta. Na Rússia não existe uma oposição, tanto do lado liberal, como do lado nacionalista, suficientemente estruturada e com líderes capazes de mobilizarem o descontentamento na luta contra o actual sistema.
O Kremlin tem feito política de "terra queimada" no campo partidário, não permitindo a organização de forças que sejam uma verdadeira oposição. Mais, fez tudo para anular a acção da sociedade civil que começou a formar-se nos anos 80 e 90 do séc. XX, acabando por não a deixar criar raízes.
A "liberalização" iniciada por Dmitri Medvedev não conduz à modernização do sistema, pois é muito limitada, visto que o Kremlin sofre daquilo a que chamaria "síndroma de Gorbatchov", ou seja, os actuais dirigentes russos receiam que se permitem mudanças sociais, políticas a sério, lhes aconteça o mesmo que aconteceu com o reformador soviético: abriu uma brecha no regime totalitário e foi arrastado pela corrente das liberdades sociais, políticas e económicas.  
Além disso, há toda uma classe média e abastada, com poucos anos, de formação bastante recente, que não quer perder o bem-estar alcançado. Em comparação com o nível de vida que tinham na era comunista, essas camadas sociais temem perder muito, não querem arriscar.
No entanto, há factores que poderão complicar as contas do poder. Além de chagas como a corrupção, o não funcionamento da justiça, existem problemas como o terrorismo e a tensa situação étnica em algumas regiões do país. 
Não se pode também perder de vista o papel da sociedade da informação na Rússia. A Internet é um canal cada vez mais importante de transmissão da informação, ocupando, mais e mais, o território ocupado pelos órgãos de informação controlados pelo poder.
A juventude já não é tão facilmente manipulável como foram seus pais e avós, está mais informada.
Estes e outros factores tornam a situação na Rússia muito imprevisível. Não duvido que são necessárias mudanças sérias, resta saber quando chegarão e sob que forma.

Nazarbaiev vai convocar eleições presidenciais antecipadas para prolongar o seu poder


O Presidente do Cazaquistão, Nussultan Nazarbaiev, aceitou a decisão do Conselho Constitucional e não vai convocar um referendo com vista ao prolongamento do seu mandato, mas anunciou que pode realizar eleições antecipadas.
“Proponho analisar esta situação como uma lição histórica de democracia e de fidelidade à Constituição. Tendo em conta os supremos interesses do país, eu decidi não realizar o referendo. Proponho a realização de eleições presidenciais antecipadas, não obstante eu reduzir desse modo o meu mandato em dois anos”, declarou ele numa comunicação ao país.
Porém, Nazarbaiev não revelou para quando irá convocar as eleições.
Na sexta-feira passada, o Presidente Nazarbaiev, numa comunicação à nação, declarou que rejeitava a proposta do Parlamento de realizar o referendo sobre o prolongamento do mandato presidencial, porque tenciona participar nas eleições marcadas para 2012, mas deixou a última decisão para depois da decisão do Conselho Constitucional hoje revelada..
O Conselho Constitucional do Cazaquistão anunciou que se opõe à realização de um referendo para prolongar até 2020 o mandato presidencial Nursultan Nazarbaiev, mas notou que será o Presidente a tomar a decisão final sobre a consulta.
“A lei aprovada pelo Parlamento não está em conformidade com a Constituição”, declarou Igor Rogov, juiz-chefe do Conselho Constitucional.
A lei faz referência a uma decisão do Parlamento de 14 de janeiro, que introduz emendas à Constituição para permitir a organização de um plebiscito à continuação de Nazarbaiev no cargo de Presidente até 2020, e também para lhe atribuir o título de “Pai da Nação”.
“O principal é que eu compreendi agora o sinal do povo: não abandonar o cargo, continuar a trabalhar. Independentemente do veredito do Conselho Constitucional, prometo, se as forças e a saúde o permitirem, se existir unanimidade e apoio do povo, irei trabalhar até quando puder”, frisou.
Se o Presidente se recandidatar e vencer, o que é altamente provável, ele continará no cargo pelo menos mais sete anos. 
Nazarbaiev, no poder desde a era soviética nesta antiga república da URSS, pediu a 17 de janeiro ao Conselho Constitucional uma opinião sobre a legalidade da decisão do Parlamento.
O Parlamento do Cazaquistão é completamente controlado pelo Partido “Nur Otan”, dirigido por Nazarbaiev.
A realização do referendo foi apoiada por uma petição de mais de cinco milhões de cidadãos do país.

Acontecimentos semelhantes aos que acontecem no Egito e Tunísia serão inevitáveis na Rússia


Acontecimentos semelhantes aos que acontecem no Egito e Tunísia serão inevitáveis na Rússia, restando saber a forma que irão adquirir neste país, declarou à Lusa o general na reserva Leonid Ivachov, diretor da Academia de Problemas Estratégicos.
“A repetição dos acontecimentos no Egito e na Tunísia é inevitável na Rússia, mas poderá ter outro caráter. Quando o poder e o povo são adversários, são inevitáveis mudanças radicais”, considera Leonid Ivachov, que já respondeu pelas relações com a NATO no Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia.
“Resta saber se irá dar-se sob a forma de uma revolta violenta ou se o poder encontrará coragem para evoluir no sentido de reformas radicais. Por enquanto, o poder nada de bom trouxe a ninguém, faz tudo para bloquear o desenvolvimento dos partidos e movimentos sociais, representa uma pequena maioria”, sublinha.
O general Ivachov chama atenção para o fato de as autoridades russas estarem a fazer buscas não só nas sedes de partidos da oposição liberal, mas também nas sedes de forças nacionalistas.
“Militantes nacionalistas russos, sensatos, construtivos, são também detidos e condenados a penas de prisão. Trata-se de um sinal de medo do poder. Este quer a todo o custo esmagar a consciência nacional do povo russo e de outros povos do país”, acrescentou.
Quanto aos acontecimentos no Egito e Tunísia, este especialista em geopolítica considera que eles têm origem na insatisfação de parte significativa da população, principalmente da juventude, com a situação social e económica nesses países.
“Mas o principal consiste em que avança o nacionalismo árabe, os árabes começam a ter consciência de que podem ser uma força importante ao nível mundial, querem reformas para não se atrasarem em relação ao Ocidente e Oriente. Por isso, tentam alterar regimes caducos que tentam conservar esse atraso”, considera Leonid Ivachov.
No que respeita ao papel do “fundamentalismo islâmico” nas movimentações sociais, o general russo chama a atenção para a sua “natureza dupla”.
“Por um lado, é um reflexo saudável do nacionalismo árabe; mas, por outro lado, em muitos casos, trata-se de organizações radicais islâmicas criadas pelos Estados Unidos, Israel e Europa como espantalhos, para travarem o desenvolvimento do mundo árabe”, considera ele.
“No Egito e Tunísia, trata-se de movimentos de revoluções económicas, sociais e políticas com vista a uma mudança de época no mundo árabe”, concluiu o general na reserva.