domingo, março 20, 2011

Afinal de que lado está a Rússia na questão em torno da Líbia?

A situação em torno da Líbia deteriora-se de hora para hora, não sendo, neste momento, possível avaliar quais as consequências deste conflito. Isto, em grande parte, porque as Nações Unidas ou potências capazes de influirem no rumo dos acontecimentos demoraram demasiado tempo a tomar medidas adequadas.
Se a decisão de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia fosse tomada nas primeiras semanas do conflito, quando a oposição ao coronel Khadafi controlava parte significativa do país, talvez o ditador já estivesse nas mãos do Tribunal Penal Internacional, no outro mundo ou, no melhor dos casos para ele e a família, algures na Bielorrússia ou na Venezuela.
A fim de encontrar um consenso, a decisão de sanções militares contra Khadafi foi tomada quase um mês depois do início do conflito, quando o coronel já teve muito tempo para reagrupar as suas forças.
Agora, este atraso talvez vá custar mais uns milhares de vítimas humanas.
Neste conflito, tal como já vem acontecendo há muito, Moscovo tenta agradar a gregos e troianos, arriscando-se a perder posições em regiões onde tinha fortes interesses económicos.
Como é sabido, a Rússia absteve-se na votação do segundo pacote de sanções contra o regime de Khadafi, posição também tomada por Pequim e que abriu caminho à intervenção militar internacional.
Quando esta começou, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia veio lamentar isso, sublinhando que a resolução do Conselho de Segurança da ONU tinha sido mal preparada.
Será que a diplomacia russa já não sabia, quando se absteve, que a resolução estava mal preparada ou que a resposta de alguns países ocidentais e árabes seria uma intervenção militar?
Hoje, Domingo, veio exigir a suspensão da ofensiva , apelando às forças estrangeiras para que suspensam o “uso indiscriminado” da força que, afirma Moscovo, já matou civis.
Numa declaração do porta-voz da diplomacia russa, Alexander Lukachevitch, os ataques aéreos excedem o mandato dado pelo Conselho de Segurança, que aprovou a criação de uma zona de exclusão aérea e autorizou todas as medidas necessárias para proteger a população civil.
O porta-voz afirmou que os ataques aéreos atingiram alvos não-militares na capital líbia, Tripoli, e noutras cidades. Em consequência, disse, 48 civis morreram e mais de 150 foram feridos, além de um centro médico ter sido parcialmente destruído.
Será que o Kremlin não entendia, quando se absteve, que as bombas, por enquanto, ainda não reagem às roupas civis ou às fardas militares?
Esta falta de clareza nas posições de Moscovo (e penso que também de Pequim) deve-se ao facto de a diplomacia russa tentar jogar em vários tabuleiros, esperando colher sempre alguns frutos, independentemente do resultado da contenda. Será que o Kremlin acredita que Khadafi ainda pode ganhar esta guerra?
Normalmente, este tipo de política "maleável" acaba por não dar grandes resultados.
O Kremlin tem-se manifestado claramente contra a chamada "intervenção militar humanitária" e, por isso, fiquei "surpreendido" ao ver que Moscovo se absteve no Conselho de Segurança da ONU. Ou será que não quis fazer a figura de defensor de um regime criminioso e mentecapto como é o de Kahdafi? Pelos vistos, não sabe bem o que fazer e opta por decisões que supostamente permitem estar sentado em dois bancos ao mesmo tempo.
Neste contexto, é também curioso assinalar a posição de uma certa esquerda face ao conflito na Líbia.
Segundo a Agência Lusa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, manifestou hoje a solidariedade do seu partido para com o povo líbio, defendendo uma “solução política” que ponha “fim à agressão imperialista” naquele país.
“Perante a agressão imperialista à Líbia e ao seu povo, queremos dizer que somos solidários com o povo líbio”, afirmou o líder comunista.
Jerónimo de Sousa abordou a questão da Líbia durante o discurso que proferiu num almoço comemorativo dos 90 anos do PCP, realizado em Mora, distrito de Évora, e que juntou cerca de 1 500 militantes e simpatizantes do partido no Alentejo.
Mas que "povo líbio"? Aquele que estava a ser massacrado e oprimido pelo coronel ou a família de Khadafi e o seu regime.
Voltamos à velha história, o imperialismo agride Khadafi, enquanto os tanques soviéticos libertaram Praga. Na cabeça de certos senhores nada muda, tudo parece conservado e congelado.









sexta-feira, março 18, 2011

Presidente russo disposto a receber e dar emprego a japoneses

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, declarou que o seu país está disposto a prestar ajuda humanitária ao Japão e, se for necessário, a receber e criar postos de trabalho para eles na Sibéria e no Extremo-Oriente.
Estamos prontos para prestar aos nossos vizinhos japoneses ajuda humanitária, enviar alimentos, água, medicamentos e outros meios necessários”, afirmou ele numa reunião do Conselho de Segurança da Rússia.
Ele acrescentou que se deve pensar também na “possível receção de crianças japoneses e de pessoas vítimas do sismo em casas de saúde russas para reabilitação médica e psicológica”.
Em geral, podemos pensar na utilização, em caso de necessidade, de parte do potencial laboral dos nossos vizinhos, principalmente nas regiões pouco habitadas da Sibéria e do Extremo Oriente”, frisou.
Medvedev exigiu do Ministério para Situações de Emergência da Rússia que “monotorize permanentemente a situação criada no Extremo Oriente, principalmente no que respeito ao nível da radioatividade”.
O dirigente russo mostrou-se também disponível para enviar ecólogos, médicos e outros especialistas para o Japão, se Tóquio considerar necessário, bem como ajudar a elaborar recomendações sobre as medidas de proteção do pessoal contra a radiação.
Dmitri Medvedev anunciou que os sismos no Japão já provocaram mais de 16 mil mortos e desaparecidos no Japão, mas reconheceu que esse número irá crescer.

quarta-feira, março 16, 2011

Antigos legionários das SS e seus apoiantes desfilaram em Riga


Mais de duas mil pessoas manifestaram-se na capital da Letónia a fim de assinalar o Dia do Legionário das SS nazis, tendo esse acontecimento decorrido sem incidentes, informa a polícia local.
“Cerca de 2 500 pessoas participaram na manifestação e na deposição de flores no Monumento à Liberdade. Os protestos contra ela não foram muito ativos. O número de polícias foi suficiente para manter a ordem em toda a cidade. Não se registaram incidentes”, declarou aos jornalistas Silgita Pildava, porta-voz da polícia.
Na manifestação participaram seis deputados do Parlamento da Letónia, bem como dirigentes de várias organizações nacionalistas desse país e da Estónia.
Cerca de 70 militantes antifascistas protestaram contra a realização dessa manifestação ao som da Sétima Sinfonia de Chostakovitch, também conhecida por Sinfonia de Leninegrado, dedicada à resistência ao fascismo.
A legião letã das SS foi criada pelo comando alemão durante a Segunda Guerra Mundial no território da Letónia, Estado que fora ocupado pela União Soviética em 1939 e invadido pela Alemanha nazi em 1941.
Esta legião foi acusada de participar em operações de extermínio de judeus na Letónia.
Por esta legião passaram cerca de 150 mil letãos. Após a reocupação desse país pela URSS em 1944, numerosos soldados dessa legião foram julgados e condenados a pesadas penas nos campos de concentração da Sibéria.
Depois da proclamação da independência da Letónia em 1991, os soldados sobreviventes dessa legião criaram uma organização que se manifesta anualmente em Riga a 16 de março.

Moscovo concede crédito a Minsk para construção de central nuclear



A Rússia vai conceder à Bielorrúsia um crédito de 6 mil milhões de dólares para a construção da primeira central atómica nessa república, - informou o primeiro-ministro da Rússia Vladimir Putin. 

Segundo ele, o respectivo acordo poderá ser assinado dentro de um mês. 

A construção da central atómica neste país estará a cargo da companhia russa “Atomstroiproekt”. 

Putin considera que as tecnologias modernas podem garantir o desenvolvimento seguro da energia atómica. 

Numa conferência de imprensa na capital bielorrussa, Putin chamou a atenção para o fato de as centrais nucleares nipónicas terem sido construídas há 40 anos, frisando que, hoje, os reatores são bem mais perfeitos e seguros. 

“A energia atómica só pode desenvolver-se , quero sublinhar, só pode, se ela for absolutamente segura. Isso será possível? Nas condições atuais, sim”, acrescentou. 

Segundo ele, “os sistemas, os reatores e as centrais nucleares modernas estão equipados com meios de segurança que excluem cenários como o aquele que ocorre no Japão”. 

A Rússia possui em funcionamento 11 centrais nucleares, com 32 reatores.



A Turquia não tenciona desistir do projeto de construção da primeira central nuclear, que será realizado com a participação da Rússia, declarou hoje Tyip Erdogan, primeiro-ministro turco. 

A primeira central nuclear turca deverá ser construída na província de Mersin e custará cerca de 20 mil milhões de dólares. 

Várias organizações sociais e ecológicas turcas apelaram às autoridades para abandonarem a ideia da construção da central nuclear em Mersin devido aos acontecimentos trágicos nom Japão. 

Segundo elas, a central vai ser construída numa região onde podem ocorrer fortes sismos. 

Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, apoiou a posição do primeiro-ministro turco, que se encontra de visita a Moscovo, sublinhando que os russos irão aplicar esquemas de controlo completamente novos. 

“Acordámos com os nossos amigos turcos que na central nuclear em Mersin será utilizado um esquema completamente novo que encerra em si três possibilidades: a própria construção, o seu controlo e gestão. Claro que isso faz aumentar ainda mais a nossa responsabilidade e os nossos parceiros turcos estão muito interessados nisso”, declarou. 

Segundo Medvedev, a construção de novas centrais atómicas é, hoje, alvo de especial atenção devido à situação extraordinária nas centrais nipónicas.

terça-feira, março 15, 2011

"Factor russo" na eleição do presidente do Sporting Clube de Portugal

Como adepto do Varzim Sport Club, estou à vontade para falar do famoso "factor russo" na eleição do presidente do Sporting Clube de Portugal, pois não estou preocupado em saber qual dos candidatos irá vencer.
Decidi colocar aqui uma postagem sobre o tema, pois acompanhei intensamente a passagem de um dos candidatos, no caso Bruno Carvalho, por Moscovo, onde veio apresentar o grupo de investidores russos.
Além disso, recebi alguns mails de sócios do Sporting a tentarem saber mais pormenores.
Eram muitos aqueles que esperavam que se tratava de um forte "bluff" na luta pela presidência do Sporting. 
Mesmo depois de eu ter enviado vários serviços para a Lusa, para a SIC e para a RDP após a apresentação do fundo russo por Bruno Carvalho, um camarada jornalista de um órgão de informação português telefonou-me para confirmar se realmente eu tinha visto em pessoa Leonid Tiagatchov, Alexandre Nazarov e Iúri Passetchnik. Respondi que "não só vi, mas cumprimentei e conversei com eles". Sublinhei que "eles realmente existem".
Tendo em conta o curriculum vitae dos potenciais investidores no Sporting caso Bruno Carvalho, não duvido da capacidade deles conseguirem arranjar 50 milhões de euros.
Numa conversa com um homem que trabalhou durante muitos anos com Tiagatchov no Comité Olímpico da Rússia, ele disse-me: "Tiagatchov pode não ter no bolso 50 milhões para investir no Sporting, mas tem tantas ligações a nível de ministros, oligarcas e políticos, que não terá dificuldade em arranjar essa quantia".
"Num país onde há mais de 100 bilionários, 50 milhões de euros são trocos", acrescentou.
E não posso deixar de concordar com ele. Quero recordar que a transferência do médio português Danny do Dínamo de Moscovo para o Zenith de São Petersburgo custou "apenas" 30 milhões de euros.
Sinceramente falando, pareceu-me que o fundo russo não avança com mais dinheiro, pois espera para ver como irão correr as coisas.
Claro que os mais curiosos gostariam de saber se a proveninência é limpa ou não e não querem que eu repita o ditado latino: "o dinheiro não cheira!", mas apenas posso dizer que isso é tarefa que deve ser resolvida pelas autoridades portuguesas competentes.
A nós, jornalistas, cabe a tarefa de informar o mais pormenorizadamente possível os leitores sobre as pessoas ou empresas envolvidas em operações deste tipo, o que eu tentei fazer, o resto caberá aos órgãos sociais do Sporting que deverão controlar as contas, bem como à polícia, se for caso disso.
Os investidores russos sublinharam várias vezes que os contactos foram estabelecidos e acompanhados pela Embaixada da Rússia em Lisboa, acrescentando que decidiram avançar depois de receberem informações dos diplomatas russos sobre Bruno Carvalho.
Segundo eles, os contactos entre Bruno Carvalho e os russos já tem mais de dez anos.
Resumindo, independentemente do candidato que vença, desejo votos de muitos êxitos ao clube, espero que esteja representado nas competições europeias e venha jogar muitas vezes à Rússia.



Eleições regionais dão vitória ao Partido Rússia Unida


O Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, venceu nas 12 regiões da Rússia onde ontem se realizaram eleições regionais.
A Federação da Rússia é constituída por 85 repúblicas e regiões e, no domingo, realizaram-se eleições nas regiões de Nijegorod, Kaliningrado, Tver, Kirov, Kurski, Orenburg, Tambov, Repúblicas dos Komi, Daguestão, Adigueia, Círculo Autónomo de Khanta-Mansiisk e Tchukotka.
Segundo dados preliminares, essa força política venceu os escrutínios com percentagens situadas entre os 40 e 70 porcento.
“Nas eleições da véspera, a afluência às urnas foi bem maior do que em anos anteriores. Isso é prova da estabilidade política no país. Os eleitores confiam neste sistema, sentem-se num Estado com um sistema político estável”, comentou Boris Grizlov, um dos dirigentes da Rússia Unida.
Porém, a oposição chama a atenção para o fato de, não obstante as numerosas violações da lei eleitoral, o Partido Rússia Unida ter conseguido maioria absoluta em 7 das 12 regiões onde se realizaram as eleições.
“Nós tivemos de enfrentar nestas eleições uma situação em que a Rússia Unida e os seus candidatos utilizaram todas as tecnologias sujas nos últimos 20 anos”, declarou Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia.
Porém, Vladimir Tchurov, presidente da Comissão Eleitoral da Rússia, respondeu que “as eleições decorreram com uma grande atividade da parte dos eleitores e foi acompanhada de uma aguda luta política que, no fundamental, teve lugar no âmbito da lei”.
Nos parlamentos regionais estão também representados o Partido Comunista da Federação da Rússia, que ficou em segundo lugar na maioria das regiões, o Partido Rússia Justa, o Partido Liberal-Democrático e o Partido Partriotas da Rússia.
Os líderes da Rússia Unida viram neste escrutínio um “ensaio” das eleições parlamentares de dezembro de 2011.

Novo compêndio de português para russos publicado na Rússia e Portugal



A Editora russa Filomatis acaba de lançar um manual “Português para Principiantes” que pretende colmatar algumas falhas no ensino da língua portuguesa na Rússia.
O manual, com uma tiragem de 3 000 exemplares, foi escrito por Galina Petrovna, professora de português no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO), e João Mendonça João, leitor do Instituto Camões na Rússia.
“Trata-se de um manual elaborado em conformidade com os padrões europeus, tem um novo formato, mais atrativo, que contrasta com a austeridade dos manuais semelhantes anteriores publicados na Rússia”, declarou à Lusa João Mendonça João.
O leitor do Instituto Camões sublinha também que “o manual não contém textos ideológicos e políticos”, numa alusão ao fato de os manuais soviéticos de português estarem cheios de textos sobre “os êxitos da União Soviética” e “a luta do Partido Comunista Português pelos interesses dos trabalhadores”.
“Além disso -, continua João Mendonça João, - o manual é acompanhado de dois CD’s com diálogos e exercícios. Os diálogos foram gravados por portadores da língua”.
“Penso que se trata do primeiro manual elaborado na Rússia com o contributo de um nativo da língua”, concluiu.
O manual, que foi publicado com o apoio do Instituto Camões, da Fundação Gulbenkian e da empresa russa Rino Terra, irá custar cerca de 20 euros na Rússia.
Os autores disseram à Lusa que o manual também entrará no círculo livreiro português, desconhecendo-se a data do aparecimento nas livrarias.

sábado, março 12, 2011

Partido Rússia Unida pretende obter maioria absoluta em todas as eleições regionais


Os eleitores russos irão escolher, no próximo domingo, 12 parlamentos regionais e os presidentes da câmara de nove capitais regionais, podendo esse ato eleitoral ser visto como um ensaio das parlamentares previstas para dezembro próximo.
A Federação da Rússia é constituída por 85 repúblicas e regiões.
O Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, pretende conquistar mais de 50 por cento em todas as regiões.
“Tal como anteriormente, nós lideramos com grande vantagem em todas as regiões. Hoje, a nossa liderança é indiscutível”, considera Andre Vorobiov, um dos dirigentes dessa força política que controla o Parlamento da Rússia.
Porém, as restantes forças políticas que se encontram representadas no Parlamento da Rússia, queixam-se da pressão sobre os seus candidatos e de violação da lei eleitoral.
“Irrita-nos o fato de a campanha eleitoral ter ficado marcada por uma enorme pressão sobre os nossos candidatos, mas, mesmo nessas condições, fizemos um grande trabalho”, afirmou Ivan Melnikov, membro do Comité Central do Partido Comunista da Federação da Rússia.
Este dirigente comunista sublinha, por exemplo, o fato da oposição ser discriminada nos canais de televisão pública em comparação com a Rússia Unida.
Nikolai Levitchev, dirigente do grupo parlamentar do Partido Rússia Justa, receia “provocações e violações no dia do escrutínio”, mas promete “lutar pela confiança dos eleitores  em quaisquer circunstâncias”.
Boris Nemtsov, dirigente da oposição liberal extra-parlamentar na Rússia, considera que só poderá haver eleições justas no país se “os partidos e candidatos da oposição não forem afastados das eleições por motivos politicos”, “se deixar de haver censura total nas televisões, incluindo “listas negras” de políticos”, “se não se registarem falsicações durante a eleição antecipada e no dia do escrutínio”.
Alguns analistas políticos consideram que o escrutínio de domingo poderá ser uma repetição das eleições parlamentares marcadas para dezembro próximo.
“Devido à proximidade cronológica, esta campanha eleitoral regional pode ser considerada um ensaio da campanha parlamentar, considera o politólogo Vitali Ivanov.

quinta-feira, março 10, 2011

Vice-presidente norte-americano apela à democratização da política russa


Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, manifestou-se hoje pelo reforço dos princípios democráticos na Rússia, bem como pela realização de eleições abertas e justas.
“A história mostra que, nos países industrializados, economicamente desenvolvidos, a modernização política e a modernização económica avançam lado a lado. Uma é impossível sem outra”, declarou Biden num encontro com estudantes na Universidade Estatal de Moscovo.
Segundo Biden, os russos querem que “o seu país reforce as instituições democráticos para que as instituições estatais funcionem segundo as normas, para que os membros da oposição não sejam rotulados como traidores, mas como patriotas”.
Biden considerou também que o clima para o investimento e o estado do sistema judicial são obstáculos para a entrada na Rússia de um maior número de empresas americanas.
“Não obstante a liberalização das nossas relações comerciais, o clima para o investimento e outras condições na Rússia devem melhorar, porque tudo isso ainda é um enorme obstáculo para uma enorme quantidade de empresas norte-americanas”, sublinhou no mesmo encontro.
O vice-presidente assinalou que empresários estrangeiros têm interesse na garantia dos seus investimentos e num sistema judicial justo.
Biden apresentou, como exemplos, o julgamento de Mikhail Khodorkovski, antigo patrão da petrolífera Yukos que cumpre uma pena de oito anos, o advogado Serguei Magnitski, que faleceu numa prisão de Moscovo por falta de assistência médica, e a perseguição de militantes da oposição russa.

Diplomacia russa considera inadmissível ingerência militar na Líbia


Serguei Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, declarou hoje que é inadmissível a ingerência militar nos assuntos internos tanto dos países africanos, como dos Estados de outros continentes.

“Na Carta da ONU e noutros documentos do Direito Internacional está claramente escrito que cada povo tem o direito de definir o seu destino, não sendo admissível a ingerência nos seus assuntos internos, tanto mais militar”, precisou ele, numa conferência de imprensa em Moscovo.

Segundo ele, a Rússia espera receber uma análise da situação na Líbia depois do relatório do representante especial do secretário-geral da ONU para esse país.

“Há alguns dias atrás, o secretário-geral da ONU nomeou o seu representante especial para a Líbia e nós esperamos que ele vá, urgentemente, à região e estude a situação humanitária na Líbia. Vamos esperar o relatório desse enviado para fazer um quadro mais claro do que ocorre nesse país, do que se passa com os refugiados que fugiram para os Estados vizinhos, um quadro geral”, acrescentou Lavrov.

Lavrov revelou que a reunião do “Quarteto para o Médio Oriente” (Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU), marcada para março, foi adiada a pedido de Washington.

Porém, ele frisou que a Rússia está contra pausas no processo de paz no Médio Oriente, principalmente tendo em conta os acontecimentos nessa região e no Norte de África.

“Não aceitamos os argumentos de que, tendo em conta os acontecimentos no Médio Oriente, no Norte de África, na Líbia, Egito, Tunísia e noutros países, é necessário fazer uma pausa no processo de conversações entre Israel e a Palestina. Acho exatamente o contrário. É necessário triplicar, decuplicar os esforços para, na situação atual, voltar à mesa das conversações”, frisou.

No início de setembro de 2010, os Estados Unidos conseguir organizar conversações diretas entre israelitas e palestinianos, mas elas foram rapidamente interrompidas, quando terminou a moratória sobre a construção de aldeias hebraicas na margem ocidental do Jordão.

AS tentativas de reatamento dessas conversações não deram até agora resultado.

Business as usual


Texto enviado pelo leitor Pippo: 
"Na cena internacional, as nações e os fazedores de opinião frequentemente adoptam uma linguagem dúplice e maniqueísta, através da qual demonizam certos povos, países e líderes enquanto louvam outros que, na sua essência, são iguais aos primeiros. O observador atento cedo se apercebe que os falsos moralismos normalmente invocados não são mais do que a capa de interesses materiais, normalmente associados à economia e ao lucro, mais do que ao bem estar das populações.
No caso dos países ex-soviéticos, é notória a preocupação com os países da UE condenam o regime bielorrusso e o seu presidente, taxado de Ditador e anti-democrata (e poucas dúvidas parece haver de que assim seja), ao mesmo tempo que cortejam ditaduras, pelo menos, iguais à bielorrussa, muito mais militaristas e potencialmente agressivas, mas também com mais recursos energéticos e mais abertas ao investimento estrangeiro. É o caso do Azerbaijão.
Apesar da crescente preocupação britânica com o estabelecimento de laços económicos com ditaduras estrangeiras no Médio Oriente e na Ásia Central, nesta segunda-feira o duque de York pressionou um deputado Tory para ajudar a impulsionar as relações das empresas britânicas com o Azerbaijão, uma autocracia acusada ​​de torturar manifestantes e opositores políticos (no ano passado, uma coligação de grupos de direitos humanos disse que Aliyev tinha conseguido a estabilidade do país apenas através de uma ofensiva total contra a oposição política, sufocando os meios de comunicação independentes e de oposição, e a redução das liberdades fundamentais).
De acordo com Mark Field, deputado Tory pelas cidades de Londres e Westminster e presidente do grupo de todos os partidos parlamentares sobre o Azerbaijão, o Palácio de Buckingham pediu o apoio no parlamento e em Whitehall (sede do MNE) para os investimentos britânicos no Azerbaijão, país que o príncipe André pressentia ser "um país de Cinderela que tem grandes oportunidades".  Field acrescentou, dizendo que "uma das coisas que André disse sobre esse seu sentimento foi de que o Azerbaijão era uma grande oportunidade, e que quanto mais os políticos e as empresas britânicas se comprometem com as suas congéneres do Azerbaijão, maiores serão os seus benefícios materiais".

O duque de York, que atua como representante especial do Reino Unido para o comércio internacional e investimento, Pretende realizar a sua oitava visita ao Azerbaijão em Junho. A sua última visita, em Novembro de 2010, ocorreu apenas algumas semanas após as críticas internacionais contra a realização de eleições parlamentares do país. 
André viajou para aquela ex-república soviética três vezes desde 2008 a título privado. Das restantes vezes, ele viajou para lá em nome da UK Trade and Investment. 
De acordo com declarações do porta-voz do Príncipe André, o trabalho do Duque funciona de duas maneiras:"Ele tenta identificar oportunidades de negócios britânicos em mercados estrangeiros. Igualmente, é, por vezes, atrair investimento estrangeiro para o Reino Unido. 

"É inteiramente apropriado que o duque de York deve tentar identificar oportunidades de negócios para as empresas britânicas no Azerbaijão, um país no qual o governo britânico opera"".

quarta-feira, março 09, 2011

Bruno Alves revela faceta poveira em entrevista ao sítio do Zenith



Bruno Alves é um dos "três mosqueteiros" portugueses do Zenith de São Petersburgo e já deu provas que está bem integrado nessa equipa. Com Danny e Fernando Meira, já venceu o Campeonato russo de Futebol e a Supertaça.
Hoje, o sítio electrónico do Zenith de São Petersburgo publica uma longa entrevista com o defesa português, onde deste futebolista luso-brasileiro revela as suas origens poveiras, evidentes mesmo sem ter pronunciado o nome da Póvoa de Varzim.
Bruno Alves gosta de jogar futebol de praia e o seu prato preferido é o bacalhau à "Gomes de Sá". Mas a costela poveira revela-se noutra declaração:
"P. Já alguma vez participou no Carnaval (do Brasil)?
R. Não, nunca participei.
P. Qual é a sua festa preferida?
R. É o dia de São Pedro. Trata-se de uma festa tradicional na minha cidade natal. Todas as pessoas juntam-se e saiem para as ruas centrais. Ela tem lugar no Verão. Bom tempo, a cidade é muito bem enfeitada. E é bom quando estamos todos juntos. A disposição melhora imediatamente". "
No Domingo passado, telefonei-lhe, por razões profissionais, depois do jogo em que o Zenith venceu a Supertaça da Rússia. Bruno Alves ficou surpreendido ao saber que a Póvoa também é a minha terra natal, mas recordei o tempo em que o pai dele, Washington, jogou na equipa do meu coração: o Varzim Sport Clube.
Se a memória não me atraiçoa, Bruno e o seu irmão começaram também no Varzim e sinto pena ao ver que, há já uns tempos, o meu clube anda pelas ruas da amargura.
Mas o principal são as Festas de São Pedro, das quais também tenho enormes saudades. Fogueiras, danças , vinho e muita folia com as rusgas. 





Contributo para a História de Portugal


Texto escrito para a Agência Lusa:

"PCP: Fracasso do comunismo em Portugal deveu-se ao mau exemplo soviético
                       
A derrota do Partido Comunista Português no verão quente de 1975 deveu-se a uma tendência anticomunista universal devido à não aceitação do exemplo do Partido Comunita da União Soviética, considera Anatoli Tchernaiev, antigo funcionário da Seção Internacional do PCUS.
Tchernaiev, que também foi assessor do Presidente soviético Mikhail Gorbatchov, escreve no seu diário “Êxodo Conjunto” a 23 de Agosto de 1975: “As coisas estão más em Portugal. Boris Ponomariov [dirigente da Seção Internacional do PCUS] considera que o caso acabará com a vitória de Soares, que não há forças para voltar a um regime fascista. Não sei! Não sei! Oxalá!”
 “Os comunistas exageraram, embora talvez não sejam eles a causa principal. Mas que evolução tenebrosa decorreu desde a receção de Cunhal à imagem do “regresso de Lénine a Petrogrado” até aos atuais cercos das salas onde ele discursa, destruição e incêndio de sedes do PCP!”, exclama ele.
“Parece tratar-se de uma tendência anticomunista que se entranha em toda a parte, com base no afastamento do PCUS enquanto factor da paz e da não aceitação dele como exemplo”, conclui Tchernaiev.
Quanto à imagem do dirigente comunista português a subir ao blindado (imitando o líder soviético Vladimir Lénine), o historiador Mikhail Massaev considera que os portugueses, em Abril de 1974, não compreenderam essa ato, pois não tinham ainda visto filmes soviéticos.
“Boris Ieltsin subiu para cima de um tanque e passou a ser respeitado. Na URSS, gerações tinham visto em filmes Vladimir Lénine em cima de um blindado (e não era importante o fato de Lénine não ter subido para cima de um blindado). No Portugal fascista não exibiam filmes sobre Lénine e não compreenderam o fato de Álvaro Cunhal, dirigente dos comunistas portugueses, ter subido para cima de um blindado”, escreve ele no artigo: “Símbolo como categoria da Filosofia  da História nos períodos Moderno e Contemporâneo.

terça-feira, março 08, 2011

Rússia é contra ingerência externa na Líbia



A Rússia é contra a ingerência militar na situação da Líbia, declarou hoje aos jornalistas Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros.
“Não consideramos a ingerência externa, tanto mais militar, um meio de resolver a crise na Líbia. Devem ser os próprios líbios a resolverem os seus problemas”, disse ele.
Segundo o ministro, a posição russa face à Líbia continua a ser a mesma anunciada pela direção da Rússia.
“Ela consiste na necessidade de travar imediatamente a violência, antes de tudo a violência contra a população local, e fazer a situação enveredar pela via política. É indispensável que a crise seja resolvida por via política e para isso é necessário parar o derramamento de sangue”, acrescentou.
Lavrov frisa que os crimes contra a população civil na Líbia não devem ficar impunes.
“Apoiamos os esforços da comunidade mundial com vista a prestar ajuda humanitária às pessoas que se viram em dificuldades devido aos acontecimentos na Líbia. Enviamos ajuda humanitária em aviões para o Ministério para Situações de Emergência. Apoiamos a iniciativa do secretário-geral da ONU no sentido de nomear um representante especial seu para questões humanitárias na Líbia”, concluiu.
A admistração norte-americana examina “todas as opções”, incluindo militares, na rise líbia e repete os seus apelos à demissão do coronel Khadafi.
O influente senador republicano John McCain e o senador democrático John Kerry pronunciaram-se pela criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia para reduzir a margem de manobra do regime de Khadafi.
A Líbia mergulha cada vez mais num mar de sangue da guerra civil, sem fim à vista. Enquanto a comunidade internacional estuda a forma ou formas de travar o conflito, este alarga-se e faz aumentar rapidamente o número de vítimas.
As tradicionais sanções da ONU parecem não obrigar Khadafi a abandonar o poder em Tripoli, o que faz aumentar a tentação de intervenção externa no conflito. Mas tendo em conta as posições diferentes dos membros do Conselho de Segurança da ONU face ao conflito, é difícil dislumbrar uma forma de intervenção aceite por todos.
A posição de Moscovo de deixar aos próprios líbios a solução do conflito na Líbia é pouco convincente, visto que ela apenas provocará o alargamento da guerra civil e o aumento do perigo de desintegração territorial da Líbia. 
Uma intervenção militar direta no conflito poderá ter também efeitos catastróficos, por isso talvez não seja tão má a ideia da criação de zona de exlusão aérea sobre a Líbia, apoiada por todos os membros do Conselho de Segurança. Mas para isso é necessário que as grandes potências não ponham em primeiro lugar os seus interesses mesquinhos na região.

segunda-feira, março 07, 2011

Queda de avião pode ter sido devida a problemas técnicos ou falha humana




 A queda do avião Antonov 148, que ocorreu no sábado de manhã no sudoeste da Rússia, pode ter sido causada por problemas técnicos ou falhas humanas, informa a agência Interfax citando fontes policiais.
“A catástrofe foi provocada por problemas técnicos, não se pode falar em quaisquer ações conscientes”, sublinhou uma das fontes da agência.
Porém, outra fonte não exclui a possibilidade de o avião ter caído devido a erros humanos. No interior do avião estavam dois pilotos birmaneses que não tinham treinado a pilotagem deste tipo de aparelho, mas poderiam ter sido autorizados a dirigir o avião.
Uma das testemunhas do acidente declarou à Interfax que “o avião começou a arder alguns segundos antes de cair”, acrescentando que “o avião sobrevoou a escola, começou a arder e caiu nas hortas dos habitantes locais”.
Segundo a mesma agência, a queda do avião provocou a morte de cinco membros da tripulação e de dois pilotos birmaneses.
As autoridades ordenaram o início de investigações com base no artigo 351 do Código Penal da Rússia “sobre a violação das normas de voo e da sua preparação”.
O avião Antonov 148 começou a ser explorado por empresas de aviação russas e ucranianas em 2010, mas aparelhos deste tipo já tiveram problemas técnicos, nomeadamente com avarias no piloto automático.
A companhia Rússia, que explora este tipo de aparelhos, considerou, então, que “a fiabilidade de exploração do Antonov 148 não pode garantir um nível suficiente de segurança e de regularidade de voos”.
O aparelho que se despenhou era um dos dois que deviam ser fornecidos às Forças Armadas da Birmânia, tendo sido este o primeiro país a adquirir aviões deste tipo.

sexta-feira, março 04, 2011

Vladimir Putin não pretende ir dirigir o Comité Olímpico Internacional


Dmitri Peskov, porta-voz do primeiro ministro-russo, diz ter ficado perplexo com a notícia de que Vladimir Putin poderia vir a dirigir o Comité Olímpico Internacional e propôs considerar isso “uma brincadeira de mau gosto”.
“Essa informação é muito estranha. Parece que hoje não é o 1 de Abril. Nisso parece não haver assunto para comentário”, declarou Peskov à agência Interfax.
Dmitri Peskov reagiu assim a uma notícia do diário russo “Nezavissimaia Gazeta” de que Putin receberia a proposta de dirigir o Comité Olímpico Internacional ou a Organização das Nações Unidas se não se candidatasse ao cargo de Presidente da Rússia nas eleições presidenciais de 2012.
Segundo uma fonte do jornal na Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo, esse será um dos temas das conversações entre o Presidente russo, Dmitri Medvedev, e o vice-Presidente dos Estados Unidos, Joseph Baiden, que terá lugar no próximo dia 09 em Moscovo.
A fonte do “Nezavissimaia Gazeta” sublinha que Washington apoia a candidatura de Medvedev ao segundo mandato presidencial, sendo por isso necessário encontrar um cargo para Vladimir Putin para que este não pretenda regressar ao Kremlin.
Na véspera, Medvedev declarou que o objetivo do desenvolvimento do país é a liberdade para todos e não a redução de liberdades.
“Não se pode adiar a liberdade para depois e não se deve recear o homem livre, que supostamente pode utilizar a sua liberdade de forma não adequada. Essa via é um beco sem saída”, disse ele na conferência “Grandes reformas e modernização da Rússia”, dedicada ao 150º aniversário do fim da servidão da gleba na Rússia.
Segundo ele, “reais mostraram ser não as fantasias sobre a via especial de desenvolvimento do nosso país, nem a experiência soviética, mas o projeto de um regime normal e humano arquitetado por Alexandre II. No fim de contas, do ponto de vista histórico. Foi precisamente ele que teve razão, e não Alexandre III, nem Estaline”.
Alguns analistas viram nestas palavras de Medvedev uma espécide de “manifesto eleitoral” e uma “discussão indireta” com Putin.
Nos finais de 2009, o primeiro-ministro russo considerava que “não se deve fazer uma avaliação unilateral da personalidade de Estaline”, enquanto que, então, Medvedev afirmou publicamente que o regime estalinista foi “criminoso”.

quinta-feira, março 03, 2011

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Revoluções “infiltraram-se” nos países de África através dos canais de tráfico de droga



A enorme concentração de tráfico de droga no Norte de África não só ameaça a União Europeia, mas desestabiliza também a situação em todo o continente africano, o que já provocou golpes de Estado numa série de países, declarou hoje Victor Ivanov, diretor do Serviço Federal de Controlo de Drogas da Rússia (SFCDR).

“E devo dizer que a situação que se cria não é nada simples. Nas últimas décadas, no “baixo-ventre  mediterrânico” dos países da União Europeia formou-se um grande potencial destrutivo devido às drogas, que constitui uma enorme ameaça aos habitantes da UE”, disse Ivanov durante uma visita a Roma.

Segundo ele, em África, principalmente na região do Saara, confluem várias correntes potentes de tráfico de drogas.

“Primeira, trata-se do tráfico cada vez mais poderoso de cocaína da América Latina através dos Estados da África Ocidental e Setentrional para a Europa. A segunda corrente é de heroína e entra na Europa também através do Norte de África”, frisou.

Além disso, Ivanov fala de um terceiro fluxo, de haxixe, que é produzido em Marrocos e também entra na UE através do Norte de África.

“Em grande parte, a enorme concentração desses tráficos no Norte de África, por um lado, ameaça os cidadãos da UE, e, por outro lado, destabiliza a situação em toda a África”, acrescentou.

Segundo o SFCDR, foram precisamente esses tráficos e a luta pelo seu controlo que “provocaram golpes de Estado numa série de países de África”.

“Basta recordar os acontecimentos na Guiné, o golpe de Estado na Guiné-Bissau, que terminou com o assassinato do presidente, o golpe no Níger e na Mauritânia”, precisou.

“Segundo os nossos dados, foram precisamente os tráficos e o movimento gigante de drogas, que originaram criminalidade organizada, cartelização, que conduziram à destabilização da situação na Nigéria, Costa do Marfim, provocaram convulsões na Argélia, Tunísia, Líbia e Egito”, acrescentou.

O chefe SFCDR explicou que as drogas têm duas consequências conhecidas: influência negativa na saúde e na ordem pública.

“Mas há uma terceira consequência que está ligada ao movimento global de grandes quantidades de drogas: problemas ligados à desestabilização das situações políticas, dos regimes, que têm sérias consequências políticas”, sublinhou.

“Figuralmente falando, pode-se dizer que a revolução nesses países infiltraram-se pelos canais de tráfico de drogas”, concluiu Ivanov.

P.S. Os dirigentes russos já apresentaram quatro justificações para as "revoluções" no Norte de África e no Médio Oriente. O Presidente Medvedev atribuiu a "eles", sem exemplicar; o vice-primeiro-ministro russo; Iúri Setchin, acusou o "Google"; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, atribui os levantamentos à pobreza e outros problemas sociais; Victor Ivanov fala do narcotráfrico. 
Em que ficamos?

quarta-feira, março 02, 2011

Planos de rearmamento das Forças Armadas russas falharam


Os planos ambiciosos de rearmamento das Forças Armadas da Rússia falharam na primeira etapa, escreve hoje o diário Nezavissimaia Gazeta, citando documentos do Ministério da Defesa.
Segundo um relatório recentemente apresentado por Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa, a Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, foram realizados apenas 30 por cento das encomendas de armamentos feitas pelo Estado ao complexo militar-industrial.
Boris Nakonetchni, vice-chefe da Direção de Encomendas do Departamento de Armamentos do Ministério da Defesa, reconheceu que as Forças Armadas não receberam: “uma corveta, dois submarinos 955 e um 885. Dos nove aviões de treino Iak-130, foram entregues apenas seis, 78 dos 151 veículos blindados BMP-3.
Além disso, o jornal recorda a perda, em dezembro passado, de três satélites que caíram no oceano logo após terem sido lançados, o que provocou prejuízos da ordem dos 600 milhões de euros.
O Ministério da Defesa acusa o complexo militar-industrial de não cumprir os contratos assinados e estes acusam o primeiro de pagamentos em atraso.
Peritos militares consideram que um terço das empresas do complexo militar-industrial estão falidas, que a Rússia investe dez vezes menos nesse complexo do que os países desenvolvidos e cinco vezes menos na renovação dos fundos e na preparação de quadros.
“Mais de 70 por cento das tecnologias que garantem as necessidades da produção estão física e moralmente ultrapassadas, mais de metade das máquinas gostou 100 por cento da sua capacidade de produção, a idade média dos operários no complexo militar-industrial é superior a 50 anos e, nos institutos de investigação militar, ronda os 60”, declarou Vladimir Dvorkin, general na reserva que antes respondia pela elaboração de programas de modernização das forças nucleares.
O “Nezavissimaia Gazeta” sublinha que, depois do fim da URSS, em 1991, na Rússia não foi cumprido até ao fim nenhum dos programas de rearmamento e que não se vê a restruturação global da produção militar.

Morreu a milícia, viva a polícia!



A  Lei da Polícia, que entrou em vigor a 01 de Março na Rússia, pôs fim à “milícia”, forças de segurança criadas pela revolução comunista de 1917, e criou a “polícia”, com fortes semelhanças a instituições ocidentais do género.
A iniciativa do Presidente russo, Dmitri Medvedev, tem como objetivo uma profunda reestruturação do Ministério do Interior da Rússia com vista a reduzir o número de efetivos e a aumentar a sua eficácia.
A reforma prevê o despedimento de todos os agentes da milícia, que atualmente, são cerca de 1,3 milhões de pessoas, mas eles continuarão em funções e voltarão a ser contratados depois de um processo de seleção que deverá terminar a 01 de Janeiro de 2012.
Segundo anunciou hoje Dmitri Medvedev, serão despedidos, nesse período, mais de 170 mil milícias.
A nova lei obriga os polícias a explicarem ao detido o seu direito a assistência jurídica, aos serviços de um tradutor e a recusar-se a prestar declarações, bem como deverão informar os familiares do detido.
A lei proíbe expressamente a tortura,sublinhando que “o agente tem a obrigação de impedir qualquer ação premeditada que cause dor física ou moral ao cidadão”.
Além disso, os polícias que prestem seviço em lugares públicos deverão ter uma placa ao peito com seu nome e apelido, bem como o número da esquadra a que pertencem.
Porém, a lei não prevê a forma como os cidadãos se devem dirigir aos agentes da ordem, o que poderá provocar equívocos.
Na era comunista, o tratamento comum era “camarada milícia”, enquanto que o termo “politseiski” (polícia) tinha a conotação de “esbirro do Estado burguês”.
Esta lei provocou sérias críticas de vários quadrantes políticos, pois é considerada insuficiente para sanar uma das instituições mais corruptas da Rússia.
“As coisas vão continuar na mesma e o mais grave é que, de fato, ninguém controla a atividade das forças da ordem”, considera Ilia Iachin, um dos dirigentes do movimento liberal “Solidariedade”.
“Em vez de impôr a ordem, decidiram simplesmente mudar o nome da milícia. A nova lei é um erro porque não resolve o principal problema de que falam os comunistas: a superação da corrupção nas forças da ordem”, considera o deputado comunista Vladimir Kachin.

terça-feira, março 01, 2011

Rússia opõe-se a intervenção militar estrangeira na Líbia


As autoridades russas consideram indispensável a saída do dirigente líbio Muammar Khadafi do palco político, declarou uma fonte do Kremlin, citada pelas agências russas.
“Partimos do princípio que mesmo que Khadafi consiga controlar a situação, ele é um cadáver político vivo que não tem lugar no mundo moderno civilizado”, declarou a fonte, sublinhando que “é inaceitável o emprego da força arma contra o seu povo”.
Segundo ela, “o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, olhou de forma negativa para as ações das atuais autoridades da Líbia desde o início”.
A fonte sublinhou que a “posição inicialmente contida” de Moscovo no início dos acontecimentos na Líbia é explicada pelo “receio pelo destino dos  cidadãos russos que se encontravam nesse país”.
“Seria falta de cuidado fazer declarações duras antes da retirada dos cidadãos russos”, frisou.
Porém, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, mostrou-se hoje contra a ideia da criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia como forma de acabar com a repressão do regime contra a população civil.
Numa conferência de imprensa, o chefe da diplomacia russa considerou que qualquer nova medida que se adote contra o regime líbio de Muammar Khadafi deve passar pelo Conselho de Segurança da ONU.
“Na reunião que tive ontem com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não se abordou de forma alguma a questão da zona de exclusão aérea”, disse Lavrov aos jornalistas.
O ministro russo disse que a comunidade internacional se deve centrar na aplicação das sanões que foram aprovadas no sábado passado, como a congelação dos bens de Khadafi e o embargo de armas à Libia.
Diversos países europeus e os Estados Unidos admitiram a possibilidade de criação da zona de exclusão para evitar que o líder líbio bombardeie os revoltosos e para impedir a entrada de mercenários no país.
Lavrov recusou-se a responder à pergunta de se a Rússia apoiaria a iniciativa de criação da zona de exclusão aérea se ela fosse apresentada ao Conselho de Segurança da ONU.
Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da NATO, considera que os Estados Unidos cometerão um sério erro ao tentar realizar uma “guerra-relâmpago” na Líbia, sublinhando que a intervenção da NATO fora da zona da sua responsabilidade constituirá uma “violação do Direito Internacional”.
“Trata-se de um conflito puramente interno, de uma guerra civil. Ingerir-se nela significa criar um longo problema não só para o Direito Internacional, mas também para a região. E isso poderá, nomeadamente, colocar a questão da própria sobrevivência da NATO”, acrescentou.
“Mas que organização é essa que se ingere numa guerra sem ter em conta a opinião dos restantes Estados?”, pergunta ele.
Esperemos que os Estados Unidos e a NATO não tenham a infeliz ideia de intervirem militarmente na Líbia, pois isso poderá ter consequências funestas.
Primeiro, será insensato criar mais uma frente de combate além do Iraque e do Afeganistão, tanto mais que estes dois conflitos estão muito longe de uma solução aceitável.
Segundo, é difícil de acreditar que os líbios aceitem unanimanente essa intervenção, o que poderá complicar ainda mais a situação.
Terceiro, será ainda mais grave se a intervenção militar for feita sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU. Este órgão das Nações Unidas já não goza de grande prestígio no mundo e a intervenção estrangeira poderá desferir nele um golpe mortal.
E até a decisão de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia deve passar pelo Conselho de Segurança da ONU.

O homem que mudou o mundo faz 80 anos



O 80º aniversário de Mikhail Gorbatchov, primeiro e último Presidente da União Soviética, que se celebra no dia 02 de Março, é mais uma vez motivo para a discussão do papel desse político na história russa e mundial.
A principal cerimónia: “Mikhail Gorbatchov, o homem que mudou o mundo”, terá lugar no Royal Albert Hall Londres no dia 30 de Março, com a participação de Isabel II, raínha de Inglaterra, bem como conhecidas figuras do mundo artístico e musical ocidental. O preço do bilhete de entrada na festa varia entre 50 e 100 mil euros.
O próprio Gorbatchov anunciou que essa cerimónia visa juntar meios financeiros para ajudar crianças doentes com leucemia, doença que ceifou a vida de sua esposa, Raísa Gorbatchova.
Porém, os seus adversários na Rússia consideram que isso é feito para fugir do país que destruiu: a URSS.
“Essa iniciativa recorda uma vez mais que tudo o que ocorre de mal no país acontece quando as forças armadas e os serviços secretos ficam mais fracos. É pena que não haja nenhum patriota como Lugovoi, que lhe prepare um chãzinho”, declarou Serguei Abeltsev, deputado ultranacionalista do Partido Liberal-Democrático da Rússia.
Segundo a polícia britânica, Andrei Lugovoi, agente dos serviços secretor russos, envenenou com polónio dissolvido em chã outro antigo espião russo, Alexandre Litvinenko.
Os comunistas não lhe perdoam fatos como a “destruição da União Soviética”, a “dissolução do Tratado de Varsóvia”, o “fim do socialismo”.
Anatoli Lokot, um dos dirigentes do Partido Comunista da Federação da Rússia, afirma: “Ele, inicialmente, levou a uma crise económica e, depois, ao caos político. Não é por acaso que ele comemora o seu aniversário não em Moscovo, ou em Stavropol [terra natal], mas em Londres. Ele não faz falta a ninguém aqui”.
E nem sequer os liberais russos lhe poupam críticas, embora reconheçam que sem ele não existiria liberdade na Rússia.
Vladimir Milov, um dos dirigentes da organização liberal “Solidariedade”, recorda que foi Gorbatchov que “organizou as primeiras eleições livres, cuja maioria dos deputados foi imposta pelo Partido Comunista”,  que “não tinha vontade de realizar reformas económicas reais”.
“Porém -, acrescenta ele -, as mudanças de Gorbatchov ensinaram-nos a pensar e agir livremente. Isso vale muito e nenhum Putin conseguirá tirar-nos”. 
Mikhail Gorbatchov foi eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética em Abril de 1985 e deu início a toda uma série de reformas, que entraram na história com os nomes de “perestroika” (reestruturação) e “glasnost” (transparência), no plano interno, e “novo pensamento” no plano externo.
“Gorbatchov veio trazer-nos a liberdade e melhorar a nossa vida. Não é um fato que ele sabia o que fazia, mas o resultado não foi mau. Ele realizou um salto colossal, renovou o país sem sangue e violência”, considera Piotr Aven, antigo ministro e hoje presidente do Alfa-Bank.
Nos últimos tempos, o antigo dirigente soviético não tem poupado críticas do dueto Vladimir Putin/Dmitri Medvedev, acusando-os de tentarem eternizar o seu poder.