terça-feira, outubro 29, 2019

Olhar da Rússia para o mundo - 9

Continuação da publicação do texto da minha palestra no EMGFA

Na sequência de uma nova questão é abordada a ambição do senhor Putin, em particular, no desenvolvimento económico-social incapaz de sustentar a evolução pretendida... Aquilo que vemos da Rússia hoje, não será o que já aconteceu com a União Soviética. 
Esta intervenção será sustentável a médio prazo? 
Não. Os políticos geralmente não estudam história, eles recebem dos conselheiros normalmente a história que os conselheiros lhes querem contar porque a Rússia está a cometer precisamente os mesmos erros que cometeu a União Soviética que é ter uma política externa que não se coaduna com o poderio económico. Este, representa apenas 1% da produção mundial, o orçamento militar é 10% do orçamento militar americano, o PIB é equivalente ao de Espanha, a questão da demografia é problemática em comparação com a China… 
Aliás, num artigo que já escrevi sobre este tema, e estou perfeitamente convencido que Putin vai ser “o coveiro da Rússia”, se ele não a levar ao mesmo tempo que ele, não vai demorar muito tempo a que a Rússia siga o mesmo destino, porque apesar de eu não ser Deus, tenho a certeza de que a morte existe, e o reino de Putin algum dia vai acabar, é inevitável! 
E considero que quando esse dia chegar, ele vai deixar uma Rússia Instável e uma Rússia onde existe uma possibilidade real de desintegração. Neste momento o país já se está a partir aos pedaços. A Sibéria e o Extremo Oriente olham para o lado, os russos dessas regiões vão estudar para Tóquio e para Pequim, e esquecem Moscovo, porque Moscovo também se esqueceu deles. 
Daí que receio muito que a Rússia não consiga aguentar este tipo de política que está a realizar em termos internacionais. 
Para mim o período mais interessante para se estudar sobre a Rússia e se compreender a forma da Rússia poder sair deste buraco em que se colocou, é estudar a guerra da Crimeia, em meados do século XIX e ver a politica feita pelo Czar Alexandre II, depois da derrota na guerra da Crimeia, que meteu de lado as aspirações imperialistas e decidiu reorganizar e reformar a Rússia nomeadamente acabando com a servidão da gleba, o que em Portugal desapareceu no século XII/XIII e na Rússia só desapareceu em 1861, para além de reformas jurídicas importantíssimas, que veio abrir fortes perspetivas à Rússia e que só terminaram como terminaram devido à incompetência do último imperador russo e da gente que o cercava.
Continua...

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