
Os investigadores da Procuradoria-Geral (Ministério Público) da Rússia ainda não são capazes de determinar as causas da tragédia do Airbus 310 em Irkutsk, que provocou a morte a pelo menos 122 pessoas, mas apontam como mais provável o estado técnico do aparelho. A companhia aérea Sibir , a quem pertencia o aparelho, afirma que o avião estava em bom estado e que a última revisão total tinha sido feita em Julho de 2004. Porém, os especialistas chamam a atenção para o facto de o aparelho ter sido fabricado em 1987, ou seja, há quase 30 anos.
Esta tragédia veio chamar uma vez mais a atenção para a situação de crise estrutural profunda em que se encontra a aviação civil russa, provocada pelas hesitações do Governo russo, que não consegue encontrar o equilíbrio entre os interesses dos fabricantes nacionais de aeronaves, que estão atrasados em relação às necessidades do mercado, e os interesses dos transportadores, que pretendem modernizar o parque aeronáutico o mais rapidamente possível. Segundo dados do diário "Nezavissimaia Gazeta", em 2005, o transporte aéreo de passageiros na Rússia aumentou em quase 4%, enquanto que a presença de companhias estrangeiras nesse mercado cresceu 14%.
A razão de semelhante expansão reside no facto de os gastos de exploração dos aviões russos serem bem maiores do que os seus análogos estrangeiros. Por exemplo, uma hora de voo do Ilutchin-96 custa mais mil euros do que o seu análogo americano, o Boeing-767.
A solução poderia estar na aquisição de aviões estrangeiros modernos, mas o Governo russo impõem barreiras alfandegárias (40% do preço do aparelho) proibitivas, o que obriga os transportadores a recorrer a aviões estrangeiros em "segunda mão", porque, segundo os peritos russos, até eles consomem menos combustível que os análogos russos novos e a sua manutenção é significativamente mais barata.
(Actualmente, as companhias russas utilizam 79 aviões estrangeiros de passageiros de grande porte, a maior parte dos quais são Airbus e Boeing usados, cuja idade varia entre 5 e 10 anos. 72% do transporte de passageiros na Rússia continua a ser feito por aviões russos obsoletos, como, por exemplo, o Tupolev-154 (na foto)).
Em Novembro do ano passado, a Associação de Transporte Aéreo da Rússia pediu ao Governo que revesse as normas de importação de aviões, tendo recebido o apoio do Ministério da Indústria e Energia da Rússia, cujos funcionários propuseram a liquidação total de impostos de importação de naves tipo Boeing 787, Boeing 747, Airbus-380, Airbus-350, cujos análogos russos não poderão aparecer nos próximos anos. Quanto aos restantes, os impostos de importação de aviões construídos há menos de 7 anos diminuiriam para 5-7,5% do custo e, no caso dos mais velhos, o imposto subiria até 30%.
Porém, o Ministério do Desenvolvimento Económico da Rússia rejeitou essa proposta em nome da "defesa dos fabricantes nacionais de aviões". Em Fevereiro passado, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, assinou um decreto que criava a Cooperação Unida de Construção de Aviões, que deve desenvolver o potencial nacional no campo da aeronáutica. Depositam-se esperanças especiais no projecto RRJ (Russian Regional Jet), mas ele é insuficiente para satisfazer as necessidades do mercado interno e o fabrico em sério desses aviões começará apenas dentro de dois ou três anos.
Entretanto, a situação neste campo vai-se deteriorando perigosamente. Segundo o diário Rossiskaia gazeta, 40% dos aviões russos já esgotaram os seus "recursos de exploração", sendo esse número igual a 50% na aviação de carga.

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