Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Que faz a CPLP no domínio da divulgação da língua portuguesa?

Nas últimas semanas, por várias razões, nomeadamente devido à realização de duas sessões do lançamento do meu livro "A Saga dos Portugueses na Rússia" em duas escolas de língua portuguesa de Moscovo, tive a oportunidade de constatar uma vez mais que continua a ser muito grande o interesse dos russos pela língua de Camões.
Não me pude queixar da falta de curiosos e interessados, bem pelo contrário, não esperava tanta gente. 
Esse interesse é ditado pelos mais diversos motivos: desde o simples facto de considerarem o português uma língua bonita até à intenção de ir trabalhar para Portugal ou para outro país de expressão portuguesa. 
São algumas centenas de alunos nas universidades e escolas  não só de Moscovo e São Petersburgo, mas também de Rostov no Don ou Piatigorsk, no Sul da Rússia. Ao certo, nunca ninguém se preocupou em calcular...
Esse número irá continuar a crescer visto que países como Angola, Brasil ou Moçambique estão em franco crescimento e, por diversas razões, tendem a aumentar as suas relações económicas, comerciais e políticas com a Rússia. O Brasil faz parte dos BRICS e Angola e Moçambique mantiveram estreitos laços de cooperação com Moscovo depois da proclamação da independência desses dois países africanos de expressão portuguesa.
Até agora, Portugal tem sido o país que maior apoio tem dado ao ensino do português na Rússia, mas sempre insuficiente, devido às limitações económicas do nosso país. Brasília deveria estar mais empenhada neste processo, porque os seus interesses são cada vez maiores na Rússia, mas os dirigentes brasileiros parece que ainda não tiveram tempo para olhar para este problema.
Quanto a Angola e Moçambique, a sua actividade neste campo, se existe, não é visível.
Tendo em conta a actual situação económica em Portugal, não se pode esperar que o Instituto Camões ou outras instituições lusas aumentem o seu apoio ao ensino do português na Rússia. Já seria bom se se mantivesse o nível de anos anteriores, o que não se regista.
Por isso, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deveria dar início à união de esforços dos seus membros com vista a divulgar a nossa língua comum. 
Não sei se se realizam programas conjuntos noutras áreas do mundo, mas esta deveria ser uma das áreas importantes de cooperação.  
Caso avançasse essa política comum, não seria também de esquecer as numerosas pessoas que já falam português na Rússia e nas antigas repúblicas soviéticas. São dezenas de milhares de pessoas, algumas delas ocupam cargos importantes nas estruturas estatais, empresariais e políticas dos seus países, mas este filão não tem sido seriamente aproveitado pelos países lusófonos.
A julgar por Moscovo, e penso que noutras cidades e países a situação é a mesma, não se vêem iniciativas lançadas por vários países da CPLP ou por essa organização como um todo. E é pena, pois é daquelas áreas onde os frutos poderão ser reais com maior rapidez. Para isso é preciso plantar e tratar das plantas e não ficar à espera que as árvores de fruto cresçam sozinhas ou sejam plantadas e tratadas pelo vizinho.
 
 

Domingo, Janeiro 29, 2012

Rússia/Eleições: Mais de três mil automóveis circularam em Moscovo para exigir “eleições limpas”


Mais de três mil automobilistas desfilaram hoje no centro da capital russa nos seus carros para exigir a realização de "eleições limpas".
O desfile de automóveis teve lugar no Sadovoe Koltzo (Circular dos Jardins), estrada que atravessa toda a cidade de Moscovo.
Os organizadores calculam que nesta iniciativa participaram mais de três mil veículos, pois a fila de automóveis estendeu-se por toda a estrada circular.
A polícia recusou-se a avançar cálculos, por considerar que "a manifestação foi feita sem autorização".
"Juntou-se uma enorme quantidade de automóveis, os condutores fizeram fila para receber autocolantes e fitas brancas. Vejo que no Sadovoe Koltzo, nos dois sentidos, passam automóveis com bandeiras, colantes e balões brancos", declarou Andrei Filin, dirigente da Federação de Automobilistas da Rússia, uma das organizadoras do protesto.
Alguns dos automobilistas que não sabiam desta manifestação juntaram-se aos protestos pendurando lençóis e sacos de plástico brancos. A "caravana branca" não poupa as buzinas quando passa por grupos de transeuntes que se juntam na berma da estrada para saudá-la.
A cor branca é a cor do protesto da oposição russa contra as fraudes nas eleições parlamentares de 04 de dezembro e pela transparência das presidenciais de 04 de março.
Um dos automóveis transportava um fantoche de Vladimir Putin.
"O poder não satisfez as exigências apresentadas pelos manifestantes a 10 e 24 de dezembro, nomeadamente a realização de eleições limpas, por isso saímos para a rua", explicou aos jornalistas Vladimir Rijkov, um dos líderes da oposição não representada no Parlamento.
"É claro que viemos recordar que a oposição se prepara para realizar mais uma manifestação massiva em Moscovo a 4 de fevereiro", acrescentou.
As eleições presidenciais na Rússia estão marcadas para 04 de março e a oposição exige a realização de um escrutínio transparente.
Nas eleições, além do primeiro-ministro, Vladimir Putin, participam o dirigente comunista Guennadi Ziuganov, o líder nacionalista Vladimir Jirinovski, o dirigente do Partido Rússia Justa, Serguei Mironov, e o magnata Mikhail Prokhorov.
As últimas sondagens publicadas apontam para a realização de uma segunda volta, onde poderão participar Putin e Ziuganov.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

Sondagens apontam para segunda volta nas presidenciais na Rússia

Todas as sondagens realizadas por centros de estudo da opinião pública na Rússia mostram que o actual primeiro-ministro, Vladimir Putin, terá de disputar uma segunda volta nas eleições presidenciais, marcadas para 04 de março.
Uma sondagem realizada pelo Levada-Tzentr mostra que 39 por cento dos inquiridos tencionam votar em Putin, o Fundo Opinião Pública dá ao primeiro-ministro russo 44 por cento dos votos e o Centro de Estudo da Opinião Pública 45 por cento dos votos.
Em conformidade com os resultados desses estudos, o líder comunista Guennadi Ziuganov ficará em segundo lugar com uma votação entre os 8 e 10 por cento, o dirigente nacionalista Vladimir Jirinovski poderá conquistar de 5 a 9 por cento dos votos, Serguei Mironov, líder do Partido Rússia Justa, conseguirá entre 4 e 5 por cento, e o magnata Mikhail Prokhorov aparece em último lugar com 4 por cento.
Todos os estudos constatam uma queda da popularidade de Vladimir Putin a cerca de uma semana do início da campanha eleitoral.
Stanislav Govorukhin, dirigente da campanha eleitoral de Putin, acusou hoje o Presidente russo Dmitri Medvedev de não apoiar o primeiro-ministro na luta pelo Kremlin.
“Tenho a sensação de que ele [Medvedev] está…calado. Penso que seria mais digno se ele se envolvesse na campanha do homem que ele próprio apresentou como candidato a Presidente. Não vejo o seu papel ativo e isso é estranho”, declarou Govorukhin, numa entrevista ao diário Izvestia.
Govorukhin não excluiu a possibilidade de se realizar uma segunda volta, mas considera mais provável a vitória de Putin na primeira volta.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Ora agora mandas tu, ora agora mando eu na Rússia

 
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, não excluiu hoje a possibilidade de se recandidatar, no futuro, a esse cargo, sublinhando, porém, que não fará isso no atual ciclo eleitoral, que terá o seu corolário nas eleições presidenciais de 04 de março.
“Eu nunca disse que não me irei recandidatar mais. Recordo que tenho apenas 46 anos. Ainda não é uma idade tão grande para renunciar a futuras batalhas políticas”, declarou ele num encontro com estudantes da Universidade de Moscovo.
“Mas, desta vez, eu decidi realmente não me recandidatar partindo de considerações de caráter político, porque considerei que duas pessoas que representam a mesma força política não devem andar às cotoveladas e deve avançar a que, hoje, tem, talvez, mais possibilidades de vencer”, acrescentou.
“As eleições de março mostrarão se as coisas são assim ou não”, frisou.
“Não sei o que ocorrerá em maio, admito o mais diverso desenrolar dos acontecimentos. Digam o que disser, Vladimir Putin deve ser eleito mais uma vez. Se conseguir isso, o que é muito provável, eu serei primeiro-ministro. Caso contrário, eu continuarei a trabalhar calmamente para o bem da Pátria”, explicou.
“Mas posso dizer-vos abertamente: não vou abandonar a política e não excluo a possibilidade de, dentro de algum tempo, me recandidatar ao cargo de Presidente, porque sinto que tenho forças e conhecimentos para isso”, sublinhou.
O Presidente da Rússia Dmitri Medvedev considerou que as eleições parlamentares de 04 de dezembro foram as “mais limpas” da história do país, mas admitiu a existência de fraudes.
“Tenho experiência de acompanhar eleições desde 1991. Por muito que critiquem estas eleições para a Duma Estatal, mesmo reconhecendo que houve fraudes e, em alguns casos, gritantes, elas foram as mais limpas em toda a nossa história”, declarou ele num encontro com estudantes da Universidade de Moscovo.
“Eu claro que sigo muito atentamente a forma como estão a ser investigadas as irregularidades… Nesse sentido, não temos uma situação esterilizada, porque temos uma democracia, um sistema político em desenvolvimento”, acrescentou.
Medvedev excluiu a possibilidade de novas revoluções na Rússia.
“Não gostaria que os acontecimentos no nosso país se desenvolvessem segundo um guião revolucionário ou extremista, mas digo-vos que não vejo premissas para isso”, explicou.
Quando lhe perguntaram de se ele não tem medo de vir a ser condenado à morte em caso de revolução na Rússia, ele respondeu: “estou pronto a morrer pelos meus ideais”.
Medvedev não excluiu que entre os participantes nas manifestações da oposição de 10 e 24 de dezembro, realizadas para protestar contra fraudes nas eleições parlamentares, estivessem “também pessoas que queriam que eu me recandidatasse”.
O Presidente russo considerou que a oposição que não está representada no Parlamento pode criar o seu partido.
“Não tenho dúvida que algum deles poderá criar o seu partido nas novas condições políticas. Isso trará alegria e, se traz alegria, será bom para todos”, frisou.
Dmitri Medvedev reconheceu que na Rússia “é exercida uma certa pressão sobre os órgãos de comunicação”, mas defendo que no país “não existe uma censura desenfreada”.
A pedido de um dos estudantes, o Presidente russo abordou o tema das relações entre o seu país e os Estados Unidos.
“As nossas relações entre Estados e pessoais não se deterioram. Eu e o meu colega temos boas relações e isso ajudou a resolver toda uma série de problemas”, frisou.
Porém, o dirigente russo aconselhou o novo embaixador norte-americano em Moscovo, Michael McFaul, a não se esquecer que exerce as suas funções na Rússia e não nos Estados Unidos.
O diplomata norte-americano encontrou-se, no passado dia 17, com representantes da oposição russa, reunião que foi duramente criticada por políticos próximos do Kremlin, que a consideraram uma “tentativa de desestabilizar o país”.

Antes da entrada do Presidente no auditório universitário, os organizadores do evento deram instruções aos estudantes sobre a forma como se comportarem.
“Desliguem os telefones, nada de provocar efeitos sonoros. Os apoiantes não devem aplaudir durante muito tempo, isso não está na moda”, precisou Vladimir Kulikov, um dos organizadores.
Kulikov apelou às jovens estudantes a “abotoarem as blusas” e a todos os presentes “não fazerem caretas, pois podem ser captados pelas câmaras a qualquer momento”.
“Avaliem as vossas possibilidades. Quem tem necessidade de ir à casa de banho que vá agora. Se alguém tiver doenças crónicas e precisar de ajuda, está aqui uma ambulância”, concluiu.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Putin considera que querem destruir Rússia da mesma forma que destruíram URSS

O primeiro-ministro e candidato a Presidente da Rússia, Vladimir Putin, considerou hoje que existem forças que querem destruir o seu país através dos mesmos processos utilizados para provocar a queda da União Soviética.
Putin sublinha que o povo e a cultura russas constituem o eixo que une a civilização russa única.
“E é justamente esse eixo que toda a espécie de provocadores e nossos adversários tentam destruir na Rússia, essas tentativas são acompanhadas de afirmações completamente falsas sobre o direitos dos russos à autodeterminação, sobre a “pureza da raça russa”, bem como sobre a necessidade de destruir completamente o império que é suportado pelo povo russo”, escreve ele, num artigo publicado no diário Nezavissimaia Gazeta.
“E tudo isso tem por objetivo obrigar as pessoas a destruir a sua própria pátria”, frisou.
Segundo ele, as tentativas de pregar ideias sobre a construção de um Estado russo monoétnico entram em contradição com a história milenar do país.
“Diria mais, isso constitui a via mais curta para a destruição do povo e do Estado russos”, sublinhou.
No mesmo artigo, Vladimir Putin critica o multiculturalismo numa época em que as correntes migratórias podem mudar o aspeto de continentes inteiros.
“O cadinho da assimilação funciona mal e com falhas, não é capaz de “digerir” a corrente migratória crescente. Um reflexo disso na política é o “multiculturalismo”, que nega a integração através da assimilação”, considera ele.
“O multiculturalismo absolutiza o “direito da minoria à diferença”, ao mesmo tempo que não nivela convenientemente esse direito: os deveres cívicos, comportamentais e culturais em relação à população autóctone e à sociedade em geral”, acrescenta.
O primeiro-ministro russo constata que “em numerosos países formam-se comunidades nacional-religiosas fechadas que não só se recusam a deixar assimilar, como também a adaptar-se”.
Segundo ele, isso provoca o aumento da xenofobia e das forças que “propõem a assimilação forçada, ao mesmo tempo que se agrava bruscamente o regime de imigração”.
Porém, Putin defende que, na Rússia, a situação é diferente.
“Os nossos problemas nacionais e migratórios estão diretamente ligados à destruição da URSS”, afirma.
“Quando o país [URSS] ruiu, vimo-nos, em algumas regiões, para lá da fronteira da guerra civil, e precisamente numa base étnica. Conseguimos apagar esses focos com uma enorme tensão de forças, com grande número de vítimas. Mas isso não significa que o problema não esteja na ordem do dia”, constata ele.
Vladimir Putin termina o seu artigo com as palavras do filósofo russo Ivan Ilitch: “Todos devem poder orar à sua maneira, trabalhar à sua maneira e é preciso envolver os melhores na construção estatal e cultural”.

Sobre o Cerco a Leninegrado


Recebi de um amigo russo que vive em Portugal a seguinte missiva: "O 70º aniversário de carreira – é, de facto, um acontecimento notável e feliz, ainda por cima quando se chega a ele de boa saúde, cheio de energia. E é de felicitar a grande actriz Eunice Muñoz, que aparece no cartaz do espectáculo no Centro Dramático de Oeiras, junto com a Maria José Pascoal.
O que não encaixa neste ambiente festivo, é o nome da peça. Ainda por cima, comédia (!!!???) de José Sanchis Sinisterra, como eu soube há pouco  O Cerco a Leningrado.  Não discuto a qualidade da peça, nem da encenação, não é minimamente de meu interesse. Talvez até seja um espectáculo maravilhoso!
O autor é livre a escolher o nome para a sua peça, e o teatro é livre de levar à cena seja o que entender. Mas o título de ser tão insensível, carregado de tanto cinismo, acompanhado de duas caras sorridentes e felizes no cartaz!..
Admito que pouco se sabe em Portugal sobre este desastre humanitário de escala nunca antes vista na História da Humanidade, o cerco mais longo (872 dias), que custou a vida a cerca de um milhão e quinhentos mil habitantes, 3 vezes mais do que a população actual da cidade de Lisboa! É desnecessário descrever os pormenores desta catástrofe, quem quiser, pode informar-se sobre este episódio infeliz da histórica.
Para o Centro Dramático de Oeiras, bem como para o Sr. Sinisterra, deixo aqui as minhas sugestões para as futuras encenações cómicas, com os respectivos cartazes a produzir: Os Fornos de Auschwitz, Queda das Torres Gémeas, ou mesmo, O Crucifixo, ¿Y porque no?"
P.S. Da última vez que estive em Portugal, e como resido em Oeiras, dei conta desse cartaz e fiquei muito surpreendido com o contraste entre o rosto feliz das actrizes e o nome da peça "O Cerco a Leninegrado".
Como não vi a peça, pedia a algum dos meus leitores que a tenha visto de me resumir o conteúdo, pois não quero acreditar que se possa colocar uma comédia no Cerco de Leninegrado.  

Domingo, Janeiro 22, 2012

Delegação da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa defende escrutínios com “árbitro imparcial” na Rússia

A delegação da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que se encontra na Rússia para analisar a forma como decorrem as eleições no país, defendeu a reforma das comissão eleitorais de forma a realizar escrutínios sob o controlo de “árbitro  imparcial”.

“A garantia da confiança da sociedade para com o sistema eleitoral exige uma reforma substancial dos órgãos que respondem pela realização das eleições”, lê-se num comunicado distribuído pela delegação.

“Reconhecendo que os órgãos eleitorais conseguiram resolver uma série de problemas técnicos complexos, ligados à organização de eleições num país enorme, a delegação assinala a necessidade premente de que as votações na Rússia sejam feitas sob o controlo de um árbitro imparcial”, sublinha-se no documento.

A delegação parlamentar lançou um apelo aos políticos russos para que garantam eleições limpas.

“A delegação assinalou que os eleitores russos, independentemente dos seus ideais políticos, demonstram de forma cada vez mais evidente o desejo de eleições limpas. A delegação apelou aos políticos a reagir, em primeiro lugar, a essa exigência. As recentes manifestações de massa em toda a Rússia devem ser um sinal claro nesse sentido”, consideram os deputados europeus.

A delegação da APCE saudou o aparecimento da possibilidade de diálogo entre as autoridades e a sociedade civil.

“Um importante desafio para todos os políticos russos é a necessidade da realização de uma discussão verdadeiramente democrática, real sobre o futuro do país, onde se devem refletir diferentes pontos de vida”, frisam os deputados.

Tiny Cox, dirigente da delegação, disse aos jornalista que não tencionam ingerir-se no trabalho dos tribunais russos, mas sublinhou que todas as fraudes devem ser investigadas.

“Ninguém nega que, durante as eleições, realmente tiveram lugar fraudes”, concluiu.

Os membros da delegação parlamentar encontraram-se com representantes das autoridades russas, bem como com dirigentes da oposição.

As eleições presidenciais estão marcadas para 04 de março.

Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

Putin quer fazer das eleições presidenciais um referendo à sua política

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, está pronto a participar numas eleições presidenciais maximamente transparentes e quer compreender qual o apoio real que tem entre a população.
“Se os cidadãos confiarem o país, a Rússia, a sua segurança, o desenvolvimento da economia a outra pessoa, assim seja. Que trabalhe”, declarou hoje Putin num encontro com os dirigentes dos principais órgãos de informação do país.
Putin sublinhou que é adepto da máxima abertura e transparência das eleições presidenciais, marcadas para 04 de março.
“Estou pronto para a máxima transparência. A este nível só se pode trabalhar quando se tem a confiança e apoio real da população. Então pode-se fazer o que se planeia. Se não existir, é melhor não começar. Para mim, é importante compreender esse apoio real. Quero que, no nosso país, as eleições sejam maximamente transparentes e honestas”, acrescentou.
“Para mim, é importante a possibilidade de resolver os problemas que enfrenta o país”, frisou.
O primeiro-ministro russo considera importante ter respeito pela opinião dos oponentes, mas exige que eles tenham em conta a vontade da maioria.
“Irão aparecer opositores que dirão que as eleições não foram limpas. Respeitaremos a sua opinião, mas eles devem também ter em conta a opinião da maioria”, defendeu.
O dirigente russo disse estar aberto a dialogar com a oposição que não está representada no Parlamento, mas acusou alguns dos seus dirigentes de não terem aceitado o convite para esse diálogo.
“Estamos prontos a discutir com todos, nomeadamente com a oposição extraparlamentar”, disse.
Quando confrontado com a pergunta de se está disposto a dialogar com dirigentes da nova organização da oposição Liga dos Eleitores como os escritores Boris Akunin e Dmitri Bikov, Putin respondeu: “Eu e os meus colegas estamos prontos a encontrarmo-nos com eles e a conversar. Eles foram convidados mais de uma vez, mas nunca vieram”.
Putin criticou a estação de rádio Eco de Moscovo, mas frisou que não fica zangado com as críticas da sua política feitas nesse órgão de informação.
“Em quem vota você?” – dirigiu-se Putin ao redator-chefe da Eco, Alexei Venediktov.
“Desde 1996 que não voto, Vladimir  Vladimirovitch, e explico porquê…”, começou Venediktov.
“Você está zangado comigo”, interrompeu Putin.
“Estou, estou…”, retorquiu Venediktov.
“Em vão, eu não me zango consigo quando Você me atira diarreia de manhã à noite”, acrescentou o primeiro-ministro russo.

Grupo de intelectuais cria Liga dos Eleitores para controlar eleições na Rússia

 
Um grupo de intelectuais russos anunciou hoje a criação da organização social Liga dos Eleitores, que terá como objetivo controlar a transparência das eleições na Rússia.
Leonid Parfionov, conhecido apresentador de televisão russa, declarou: “Amadureceu uma nova disposição social, votar em consciência, compreender para onde vai o nosso voto”.
Segundo ele, " Eleições livres consistem não só em quem e como deposita o boletim de voto, mas também na existência de órgãos de informação e tribunais independentes, de possibilidades iguais para os eleitores. Por isso, formámos a Liga”, declarou hoje aos jornalista,
Parfionov anunciou que esta liga foi criada por 16 cidadãos da Rússia, entre os quais se encontram  conhecidos escritores como Boris Akunin e Liudmila Ulitzkaia, a apresentadora de televisão Tatiana Lazareva, o sociólogo Dmitri Orechkin, o músico Iúri Chevtchuk e vários jornalistas de renome.
Leonid Parfionov lançou um apelo às filhas de Vladimir Putin para que contem ao pai as posições dos 52 milhões de russos que usam Internet, pois o primeiro-ministro russo, ao contrário do actual Presidente, Dmitri Medvedev, é conhecido por não utilizar novos meios de comunicação.
Estes intelectuais estiveram entre os organizadores das manifestações de protesto contra as eleições parlamentares, realizadas em 10 e 24 de dezembro e que reuniram dezenas de milhares de pessoas em Moscovo.
“O nosso trabalho consiste em garantir eleições transparentes, em acompanhar o processo de votação, em denunciar fraudes, bem como manter a atividade dos cidadãos depois de 04 de Março”, afirmou a jornalista Olga Romanova, uma das criadoras desta nova organização.
Segundo ela, “podem aderir à Liga cidadãos, movimentos, organizações, quem quiser”.
Rustem Adagamov, outro dos organizadores, frisou que “a Liga dos Eleitores não tenciona transformar-se num partido político, nem tem políticos nas suas fileiras”.
Entretanto, políticos participantes das manifestações de 10 e 24 de dezembro criaram outra organização: o Movimento Civil.
Boris Nemtsov, um dos dirigentes da oposição não representada no Parlamento, esclareceu que “não se trata de cisões no seio da oposição, mas da divisão de tarefas”.
Estas duas organizações, bem como outras forças políticas, tencionam realizar mais uma numerosa manifestação em Moscovo no dia 04 de fevereiro, a um mês das eleições presidenciais.
A Comissão Eleitoral Central da Rússia já registou as candidaturas à presidência do país de Vladimir Putin, primeiro-ministro, Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista, Vladimir Jirinovski, líder do Partido Liberal-Democrático, e Serguei Mironov, dirigente do Partido Causa Justa.
O magnata russo Mikhail Prokhorov, o líder do partido liberal Gregori Iavlinski e Dmitri Mezentzev, governador da região siberiana de Irkust, devem apresentar até ao fim da tarde de hoje na Comissão Central um mínimo de dois milhões de assinaturas de eleitores.
Esta Comissão deverá verificar a legalidade dessas assinaturas até 29 de janeiro e registar ou não essas candidaturas.

Futebol na Chechénia: Tapa na cara de jogador, fuzil na concentração e presidente mandão espantam Ewerthon da Chechénia


Reproduzo aqui uma parte do artigo publicado no jornal eletrónico brasileiro RZ Esportes: 
"Seduzido por uma proposta tentadora do ponto de vista financeiro, no meio de 2011 o atacante Ewerthon (ex-Corinthians e Palmeiras), aceitou a proposta para atuar no modesto Terek Grozny, da Chechênia, que disputa o Campeonato Russo. Agora, ele acaba de rescindir o contrato por motivos que vão muito além do esporte. O jogador disse ao R7  que situações bizarras como agressão de treinador, imposições presidenciais e clima de guerra civil nas ruas espantaram o atleta de 30 anos.

- O problema lá foi fora de campo. A vida é muito difícil. Você está em um lugar que a qualquer momento pode acontecer um atentado. Vi coisas que nunca tinha visto. Ter que concentrar em um hotel com barreira na esquerda e na direita, gente com fuzil no meio da rua para não entrar homem-bomba.


A questão do terrorismo na região se estende por anos devido a uma briga devido a líderes chechenos exigem a independência em relação à Rússia. Porém, o clima de terror não se restringe apenas aos militantes, mas também está presente nos vestiários e nas decisões políticas de alguns clubes com interesses.


- Vi treinador bater na cara de jogador, vi presidente descer no vestiário e dizer tal e tal estavam fora e entrar dois caras da Chechênia para jogar. A gente estava treinando, dois jogadores estrangeiros discutiram, e o treinador entrou e deu um tapa na cara de um, um tapa na cara de outro e seguiu o treino normal. Isso não pode acontecer. Ainda tenho 6 anos pra jogar em alto nível. Não posso ver isso e concordar. Por não concordar, resolvi sair.


O clube que o atacante defendeu conta com o apoio do presidente da Chechênia, o polêmico Ramzan Kadyrov, que está no poder desde 2007 e é acusado pelas ONGs de não respeitar os direitos humanos.


Para suportar melhor a situação, Ewerthon escolheu como moradia uma cidade que ficava a cinco horas de Grozny, mais afastada das complicações territoriais. O atleta viajava dois dias antes dos jogos para a Chechênia, para concentrar e jogar."