quinta-feira, maio 21, 2015

Será que uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade?



A discussão sobre a presença de militares russos no Leste da Ucrânia voltou a acender-se depois das tropas ucranianas terem capturado dois cidadãos russos armados na região de Lugansk a 17 de Maio.
Kiev difundiu vídeos onde eles reconhecem ser oficiais de uma brigada de tropas especiais russas, aquartelada na cidade de Togliati, que combatem ao lado dos separatistas pró-Moscovo.
O serviço russo da BBC encontrou soldados que confirmaram que os dois capturados são dois oficiais russos no activo.
Desta vez, o Ministério da Defesa da Rússia volta a repetir o habitual desmentido: reconhece que esses combatentes pertenceram às suas forças armadas, mas que, actualmente, já não fazem parte delas.
O Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, declarou que, nos últimos meses, as tropas ucranianas aprisionaram 80 militares russos em Donetsk e considera que o conflito que tem lugar no Leste do seu país é uma guerra entre a Ucrânia e a Rússia, e não contra separatistas. Segundo ele, a guerra provocou a morte de 1800 soldados ucranianos e mais de 7000 civis.
Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, apressou-se a desmentir as palavras do presidente ucraniano num tom “lírico-dramático”: “Kiev conduz uma guerra contra os seus próprios cidadãos, estes é que são alvos dos tiros, morrem; talvez se deva falar disso em primeiro lugar”.
Na quarta-feira, activistas de um movimento anti-bélico russo publicaram fotos de campas de três militares das tropas especiais russas que morreram em combate no passado dia 5 de Maio no Leste da Ucrânia.
Pelos vistos, estes três “também já foram militares” e, como comentou o Ministério da Defesa da Rússia em casos anteriores, eles tiraram férias para irem combater no país vizinho.
Para cúmulo do cinismo, o Presidente Vladimir Putin frisa que se trata de “voluntários” e não de mercenários, pois não combatem por dinheiro, mas sim por ideias.
Perante uma Europa incapaz de resolver o que quer que seja, alguns analistas consideram que o encontro do secretário de Estado norte americano John Kerry com Vladimir Putin podia ter dado um novo impulso ao processo de normalização na Ucrânia, levando Moscovo a recuar. Por exemplo, na quarta-feira, foi congelado o projecto de criação da “Novorrosia”, Estado que deveria juntar todas as regiões da Ucrânia que alegadamente se querem separar desse país. Os seus organizadores explicaram esse passo com o facto de ele não “se enquadrar nos Acordos de Minsk-2”.
Porém, no mínimo, é do interesse do Kremlin manter o conflito congelado. Fica com uma alavanca de pressão sobre Kiev sempre que os dirigentes ucranianos tencionem aderir à NATO e à UE. Além disso, o estado actual do conflito não permite à Ucrânia concentrar-se na solução dos seus problemas internos.
Quanto à adesão à NATO e à UE, é curioso analisar as recentes declarações de Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Segundo ele, “os próprios países europeus falam disso com bastante pouca vontade. Recentemente, na cimeira da Ucrânia-UE em Kiev, foram aprovados documentos finais onde não há sequer uma palavras sobre a perspectiva de adesão da Ucrânia à UE”.
Além disso, Lavrov frisou que “nós não temos o monopólio da actividade no espaço pós-soviético. Reconhecemos o direito dos nossos vizinhos, antigas repúblicas soviéticas, mas hoje Estados soberanos, a uma política externa multissectorial”.
Se assim é, pergunta-se: então porque é que o Kremlin ocupou a Crimeia e parte do Leste da Ucrânia?


P.S. O chefe da Polícia de Trânsito da Ucrânia demitiu-se depois de terem sido divulgadas fotografias sobre a vida de luxo da sua esposa e filhas. Será que desta vez irão sanear uma das instituições mais corruptas do país?

sábado, maio 09, 2015

Mas será que a guerra já terminou na Europa?



Assisti a muitas paradas militares na Praça Vermelha na era soviética. A deste ano em Moscovo não foi diferente. O meu comentário no Observador.

http://observador.pt/opiniao/mas-sera-que-a-guerra-ja-terminou-na-europa/

sexta-feira, maio 01, 2015

Provocação sobre rodas




Um grupo de motoqueiros russos decidiu realizar um desfile 

patriótico entre Moscovo e Berlim para celebrar o 

70º aniversário da vitória sobre o nazismo. Um acto 

de verdadeiro respeito pelos milhões que morreram 

ou mais uma provocação contra a UNião Europeia? A 

minha opinião no Observador.


http://observador.pt/opiniao/provocacao-sobre-rodas/

segunda-feira, abril 27, 2015

Mercenário brasileiro gravemente ferido no Leste da Ucrânia



Lembram-se de Rafael Lusvarghi, aquele brasileiro nacional-comunista que foi combater para o Leste da Ucrânia ao lado dos separatistas pró-russos? Escrevi sobre ele no Observador: http://observador.pt/…/quem-combate-ao-lado-dos-separatist…/. Segundo informações difundidas por outro brasileiro que também combate no Leste da Ucrânia, Rafael Lusvarghi foi gravemente ferido em escaramuças com as tropas ucranianas no Aeroporto de Donetsk e encontra-se internado em risco de vida. Não nos iludamos: a guerra na Ucrânia continua.

sábado, abril 25, 2015

Afinal quem fala hoje do extermínio dos arménios?


Artigo que dedico especialmente aos meus alunos e amigos arménios, povo por quem tenho grande estima e respeito. Tenho vergonha de ver Portugal entre os que não reconhecem o genocídio do povo arménio em 1915. A minha opinião no Observador. http://observador.pt/…/afinal-quem-fala-hoje-do-exterminio…/

quarta-feira, abril 22, 2015

Greve da TAP e turismo russo

Entre greves suicidas e má gestão, lá vão matando a TAP. A minha opinião sobre o reflexo das greves da TAP no mercado turístico russo no OBSERVADOR.

http://observador.pt/opiniao/greve-da-tap-e-turismo-russo/

sexta-feira, abril 17, 2015

Falar tanto para dizer tão pouco



O que disse Putin em quase 4 horas de "diálogo" com o povo russo através da televisão? A minha opinião no Observador.

http://observador.pt/opiniao/falar-tanto-para-dizer-tao-pouco/