terça-feira, Setembro 02, 2014

Putin não pretende só dominar o sudeste, mas toda a Ucrânia



Escreve a imprensa europeia que Vladimir Putin, Presidente da Rússia, teria dito a José Manuel Durão Barroso, que “o problema consiste em que se eu quiser tomar Kiev, farei isso em duas semanas”.
Tendo em conta a situação nas forças armadas ucranianas e o poder de mobilização russa, essa declaração não deverá estar muito longe da verdade, mas a táctica de Moscovo parece ser mais “elaborada” e “fina”, ou seja, chegar a Kiev mas através dos próprios ucranianos.
As conversações de Minsk estão a ser uma fracasso devido às contradições entre os separatistas pró-russos (chamar-lhes-ia mais precisamente agentes russos) e os representantes do governo de Kiev.
Os separatistas prometem fazer “o máximo de esforços para a manutenção da paz, para a conservação do espaço económico, cultural e político único e de todo o espaço da civilização russo-ucraniana”, mas impõem numerosas condições. Além da manutenção da língua russa (condição que pode e dever ser discutida), os líderes separatistas querem um estatuto especial para as suas forças armadas, o poder de nomear procuradores e juízes e (atenção!!) exigem também “uma forma especial de actividade económica externa tendo em conta a integração com a Rússia e a União Alfandegária”.
Isto é, os separatistas querem garantir que, no futuro, querem ter uma palavra decisiva a dizer caso Kiev ouse, por exemplo, se aproximar da União Europeia os da NATO.
Por isso, Vladimir Putin apoia o diálogo entre o separatistas e Kiev e até contribui, com a intervenção militar na Ucrânia, para reforçar as suas posições nas conversações de Minsk. Nos últimos dias, os separatistas lançaram uma forte contra ofensiva com apoio de armamentos e militares russos. Claro que Moscovo desmente que militares seus estão a ser enviados para combater na Ucrânia, assim como desmentiu que tinham sido enviadas tropas russas para a Crimeia. Mas os mortos e feridos, que já se contam com centenas, vão regressando aos cemitérios e hospitais russos.
A União Europeia, ou alguns dos seus membros, parece ainda não ter entendido que o principal objectivo da agressão da Rússia contra a Ucrânia não é apenas confirmar a anexação da Crimeia e afirmar-se no sudeste desse país, mas submetê-lo todo à sua política. O Kremlin deposita esperanças na agudização da guerra para destruir completamente a economia ucraniana, afundar o país numa gravíssima crise social que leve os cidadãos ucranianos a renderem-se às evidências, a derrubarem o “a junta fascista” em Kiev e a optarem por um regime fiel a Moscovo.

Por isso, chegar a Kiev em duas semanas poderá ser muito difícil, mas não é utópico chegar um dia à capital ucraniana, por exemplo, lá para o Outono e Inverno.

sexta-feira, Agosto 29, 2014

Guerra na Ucrânia e Putin menos populares na Rússia



Devagar, mas o apoio dos russos à política Presidente Putin face à Ucrânia vai diminuindo, refletindo-se também no nível de popularidade do dirigente russo.
Segundo uma sondagem do Levada-Tzentr, uma maioria relativa dos russos está contra um conflito militar aberto entre a Rússia e a Ucrânia e contra a ingerência de Moscovo nos assuntos do país vizinho em geral: 43% não apoiarão o Kremlin, enquanto 41% têm opinião contrária.
Em março, depois da anexação da Crimeia pela Rússia, 74% apoiavam um possível conflito militar aberto com a Ucrânia. Esse número, em maio, desceu para 69%.
Esta sondagem revela também uma pequena quebra na popularidade do Presidente Putin. Se, no início de agosto, ele era apoiado por 87% dos inquiridos, no fim do mês, esse indicador desceu para 84%.
Segundo alguns sociólogos, a redução do apoio da população russa a um envolvimento militar directo no país vizinho prende-se com o receio do aumento do número de militares russos que poderão morrer nos combates.
Porém, Lev Gudov, diretor do Levava-Tzentr sublinha que o Kremlin não se preocupa com a opinião dos cidadãos.
A direcção está-se absolutamente nas tintas para a opinião pública... As autoridades acreditam na eficácia dos seus instrumentos de manipulação. As baixas morais simplesmente estão ausentes: esta política agressiva e cínica visa, antes de tudo, conservar o próprio poder, porque a crise ucraniana constitui uma enorme ameaça para o regime putinista”, explicou o sociólogo.
No terreno, os combates aumentam de intensidade. Não obstante todos os desmentidos do Kremlin, o envolvimento militar russo no terreno é cada vez maior e, a julgar pelas palavras de Putin ontem pronunciadas, o objectivo é obrigar Kiev a sentar-se à mesa das conversações com os separatistas e aceitar as suas exigências. No seu apelo aos separatistas para criarem “corredores humanitárias” para as tropas ucranianas cercadas, o dirigente russo utilizou pela primeira vez a palavra “Novorrossya”, designação que os separatistas dão aos territórios que pretendem tornar “independentes”.
Para bom entendedor...
Esta ofensiva separatista com o apoio do exército russo visa também criar um corredor terrestre que ligue a Crimeia à Rússia. Não faz isto lembrar o “corredor de Danzing” que ligava a Prússia Oriental à Alemanha através do norte da Polónia?

P.S. Putin comparou a luta dos militares ucranianos pela integridade do seu país à invasão da URSS pelos nazis. É preciso não ter mesmo vergonha nenhuma na cara e mentir. Funciona mesmo o princípio: "apanha que é ladrão!"

quarta-feira, Agosto 27, 2014

Cimeira de Minsk: muita parra, pouca uva



As expectativas face à Cimeira de Minsk, ou melhor, face ao encontro entre os Presidentes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Petro Poroshenko, eram muito poucas e as longas horas de conversação não foram suficientes para sequer dar início a um sério processo negocial com vista a pôr fim a um conflito que já matou quase 2 500 pessoas.
É de salientar que o Presidente Putin pouco tempo prestou ao conflito armado no leste da Ucrânia, preferindo concentrar-se nas perdas económicas da Rússia se Kiev avançar com o cumprimento do Acordo de Parceria com a União Europeia.
Mais, ele voltou a insistir na tese de que Moscovo nada tem a ver com a guerra civil no país vizinho: “A Rússia não pode falar de condições do cessar de fogo entre Kiev, Donetsk e Lugansk. Isso é um assunto da própria Ucrânia”.
É sabido que milícias pró-russas apenas aceitam dialogar com Kiev na base do reconhecimento da independência da chamada Novorrosyia, enquanto que as autoridades ucranianas consideram os separatistas terroristas e não querem ouvir em federalização do país. Nesta situação, Putin diz-se disposto a apoiar o processo de paz, “se ele começar”.
A julgar pelas declarações dos líderes dos dois países, o único acordo possível foi o de criar uma comissão para estudar a possibilidade do encerramento da fronteira russo-ucraniana de forma a que não entrem armamentos e homens do país vizinho no território ucraniano. Ora é sabido que se Moscovo realmente quisesse resolver esse problema, ele talvez nem sequer teria surgido, pois os separatistas fazem o que o Kremlin manda.
Catherine Aston, que representava a UE nas conversações, tal como qualquer pessoa minimamente informada, compreende que Putin está a fugir à verdade quando diz que nada tem a ver com a situação no leste do país vizinho e que os 10 militares russos (paraquedistas profissionais bem treinados) capturados na véspera em território ucraniano “apenas se enganaram” quando patrulhavam a fronteira. A imprensa da oposição russa está repleta de artigos sobre dezenas de soldados russos mortos e feridos nos combates na Ucrânia.
Neste caso, não se trata da opção entre “uma má paz e uma boa guerra”, mas do alastramento de um sério conflito armado no seio da Europa. Mas a posição da UE continua a não ser consolidada, ouvindo-se vozes como a da chanceler alemã, Angela Merkel: “Claro que o povo ucraniano deve ter a possibilidade de escolher o seu caminho, mas isso (as acções ucranianas) não deve prejudicar a Rússia”. Em Bruxelas parece continuar a existir dúvidas de quem é o agressor e a vítima neste conflito, que se deverá arrastar por muito tempo e não permitir a realização de eleições parlamentares, marcadas para 26 de Outubro.

Então, Moscovo terá mais um argumento para apoiar o separatismo e manter a instabilidade da Ucrânia até que ela se afunde na falência económica.

domingo, Agosto 24, 2014

E, agora, quantas mais colunas humanitárias se vão seguir?



Os idiotas são muito perigosos, e não tanto porque são obrigatoriamente maus, mas porque é-lhes estranho qualquer tipo de considerações e entram de chancas, como se lhes pertencesse o caminho onde se encontram”. Mikhail Saltykov-Schedrin

Recordei-me das palavras deste clássico da literatura russa do séc. XIX a propósito da “coluna humanitária” russa que entrou no território da Ucrânia sem qualquer tipo de autorização. Vladimir Putin achou que a coluna de quase 200 camiões devia entrar no território do país vizinho sem a autorização dos poderes competentes e sem a coordenação com a Cruz Vermelha Internacional, e assim aconteceu não obstante os protestos internacionais.
Quando o Presidente russo, em Agosto de 2008, decidiu anexar a Ossétia do Sul e Abkhásia, repúblicas separatistas da Geórgia, o chamado Ocidente, depois de fracos protestos, engoliu essa violação do Direito Internacional. Seis anos depois, o mesmo Ocidente parecia estar disposto a esquecer a anexação da Crimeia pela Rússia na esperança de que o Kremlin se acalmasse. Mas a história repete-se e o apetite aumenta cada vez mais.
Andrey Lissenko, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, acusou a Rússia de utilizar os camiões vazios para trazer para território russo aparelhagem e maquinaria de uma fábrica que produz radares e de outra que fabrica munições para armas ligeiras.
Visto que importantes peças e equipamentos para o complexo militar-industrial russo são fabricados no sudeste da Ucrânia, é de esperar que os camiões semi-vazios russos continuem a atravessar cada vez mais frequentemente a fronteira com o país vizinho sob o pretexto da ajuda humanitária.
Ontem, 23 de Agosto, no dia em que se assinala o 50º aniversário do Pacto Molotov-Ribbentropp, a chanceler alemã foi a Kiev dizer que não permitirá uma nova divisão da Europa e propôs dois pontos para a solução do conflito no sudeste da Ucrânia: a iniciativa de cessar de fogo deve ser apoiada pela Rússia e a fronteira russo-ucraniana deverá ficar sob rigoroso controlo internacional. O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, deposita esperanças no encontro com o homólogo russo, marcado para 26 de Agosto em Minsk. Porém, não há motivos para optimismo, pois Moscovo diz não violar as fronteiras da Ucrânia, nem apoiar, com armas e homens, os separatistas do sudeste ucraniano. 

P.S. Os dirigentes separatistas da auto-proclamada República Popular de Donetsk apelam à Rússia o envio de ajuda humanitária, pois a que chegou, ficou emn Lugansk. Ou seja, a telenovela continua.  

quinta-feira, Agosto 21, 2014

Quem se lixa é a Mc'Donalds


Mais um comentário meu publicado no jornal eletrónico: www.observador.pt 

Na Rússia, a política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura. Até ao início das sanções decretadas contra a Rússia pelo Ocidente devido à intervenção militar de Moscovo na Ucrânia, a cadeia de restaurantes McDonald’s era um exemplo de higiene, organização do trabalho e por aí adiante A empresa crescia a bom ritmo, possuindo 435 restaurantes e mantendo cerca de 3000 postos de trabalho nas mais diferentes regiões da Rússia.
Porém, agora que o Kremlin necessita de responder ao Ocidente, as autoridades sanitárias russas, a Rospotrebnadzor, mandaram encerrar três dos mais conhecidos restaurantes dessa cadeia no centro de Moscovo e realizaram inspeções em dezenas de outros por todo o país.
“Durante a inspeção foram descobertas numerosas violações das exigências da legislação sanitária”, lê-se num comunicado publicado pela Rospotrebnadzor, um dos organismos estatais russos mais corruptos e “politizados”. No campo alimentar, nada entra ou se vende na Rússia se os funcionários desse organismo não receberem “a sua parte”. No campo político, ele entrou em acção quando foi preciso proibir a entrada de águas minerais da Geórgia, ou os vinhos da Moldávia. Ou seja, a Rospotrebnadzor funciona como uma espécie de cacete político contra os países que ousem dizer “não” ao Kremlin. Como não podia deixar de ser, os produtos agrícolas ucranianos têm sido das principais vítimas da “defesa da saúde do consumidor russo”.
Quem irá ganhar com o encerramento dos restaurantes da famosa cadeia? Para já, as numerosas barracas de rua que vendem frangos assados, shaurmas ou sandes em condições de higiene muito pouco adequadas, mas que a Rospotrebnadzor teima em não ver.
Em 1990, tive oportunidade de ver a abertura do primeiro restaurante dessa cadeia em Moscovo. Não consegui entrar, porque a fila de clientes dava a volta à enorme Praça Pushkin. Nesse dia, foram servidas 31 mil refeições e esse acontecimento foi visto por muitos como um sinal da abertura da então URSS ao mundo. O McDonald’s tornou-se um símbolo de como podia ser normalmente servido o consumidor, uma alternativa aos refeitórios públicos soviéticos que não primavam pela higiene ou pelo bom ambiente.
Certamente que serão muitos os que irão ficar radiantes com mais esta medida contra o “imperialismo norte-americano”, mas ela tem um alcance bem maior, não só puramente alimentar, mas também político. A política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura.
P.S. As autoridades russas já se deram conta que foram longe demais nas sanções contra os produtos alimentares europeus e norte-americanos e decidiram fazer marcha atrás, visto que há produtos proibidos que a Rússia não produz e são essenciais. Entre eles estão o leite e produtos lácteos sem lactose, sementes de batata e de grão.

quarta-feira, Agosto 13, 2014

Ajuda humanitária ou intervenção militar ?


Depois de aturadas e difíceis conversações, as autoridades de Kiev deram luz verde a Moscovo para enviar ajuda humanitária para o leste da Ucrânia. Não obstante os acordos alcançados, fica sempre o receio de que Vladimir Putin envie “capacetes azuis” para a região e acabe por dividir o país vizinho.
Os analistas políticos russos são da opinião de que o envio de ajuda humanitária não irá contribuir para o fim da guerra entre as tropas ucranianas e os separatistas pró-russos.
Depois da ajuda humanitária russa, antes de tudo para o Donbass, chegarão observadores estrangeiros e verão o que aí realmente acontece”, declara Oleg Kudinov, presidente do Centro de Consulta Política, ao diário “Moskovskii Komsomolets”.
Segundo ele, a criação de corredores humanitários será seguida do envio de “capacetes azuis”: “se até ao outono Kiev não esmagar Donbass, terá lugar a divisão do país e a presença de capacetes azuis, e isso será por muito tempo”.
Na véspera, ao anunciar o envio de ajuda humanitária para o leste da Ucrânia, Vladimir Putin declarou que ela seria acompanhada de “escolta”, o que criou receios em Kiev.
Muito depende do que será mais importante: o “humanitário” ou a “escolta”. Se se tratar simplesmente de ajuda humanitária, não deverão surgir problemas. Se ela for acompanhada de homens russos armados, principalmente militares, o conflito aumentará de dimensões”.
O Kremlin, pela voz do seu porta-voz Dmitry Peskov, tenta acalmar os receios: “Ela será organizada pela Cruz Vermelha Internacional, mas será constituída por uma coluna russa que entrará no território ucraniano no lugar acordado com a parte ucraniana”.
Porém, os receios são grandes. Oleg Soskin, director do Instituto de Transformação da Sociedade de Kiev, sublinha: “Ele [Putin] não pode manifestar apoio aberto aos guerrilheiros, mas eles recebem armas russas, ele não pode continuar a fazer desse modo os fornecimentos”, por isso recorre à via humanitária.
Além disso, ele não exclui a possibilidade de que a coluna russa seja atacada e isso possa servir de pretexto para a intervenção militar directa do Kremlin.
Durante muito tempo, Kiev recusou essa proposta de Moscovo e só a aceitou depois de intensas consultas com os líderes da UE e dos EUA, fazendo destes garantes da sua integridade territorial.

Segundo as notícias publicadas, tudo ficou definido entre Putin e os dirigentes ocidentais, mas os receios continuam no ar. Depois de amanhã, o dirigente russo vai discursar na Crimeia perante os deputados do Parlamento russo: para anunciar novas conquistas ou para “apenas” reafirmar que “A Crimeia é nossa!”?

sábado, Agosto 09, 2014

A espiral de sanções sem fim



Foto tirada na sexta-feira em Moscovo pelo meu amigo André Nóbrega

A guerra de sanções entre o mundo ocidental e a Rússia aumenta de intensidade e se o primeiro chama as coisas pelos nomes, a segunda prefere falar em “medidas económicas para defender a sua segurança”.
No passado 28 de Julho, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, declarou a propósito das sanções ocidentais: “Não tencionamos agir segundo o princípio do “olho por olho”. Nós temos políticos que apelam a isso. Nós queremos olhar para isso com a cabeça fria. O presidente já disse que não podemos deixar de ter isso em conta, mas não vamos cair em histerias, isso é indigno de um grande país”.
O Kremlin, a fim de evitar dissabores na Organização Mundial do Comércio, já veio dizer que não se trata de sanções económicas, mas de “medidas a que fomos obrigados”. No entanto, essa explicação parece pouco convincente.
A última dose de “medidas económicas para defender a segurança da Rússia”: que proíbe a importação de numerosos produtos alimentares da UE, Estados Unidos, Canadá e Austrália, só não corresponde ao princípio do “olho por olho”, porque a Rússia não tem capacidade de responder exactamente com a mesma moeda. Este país importa mais de 40% dos alimentos que consome e não será fácil substituí-los por produtos nacionais ou importados de outras regiões. Por exemplo, a lista das proibições não inclui “alimentos infantis”, campo em que a UE tem fortes posições no mercado russo, porque isso iria criar graves problemas às famílias russas, nem azeite, pois a indústria conserveira precisa dele.
Ao que tudo indica, a espiral das sanções irá continuar, sem fim à vista. Ninguém quer fazer figura de fraco, os combates na Ucrânia continuam e a ameaça de Moscovo enviar tropas para o país vizinho continua a ser real, a pretexto de “fins humanitários”.