segunda-feira, dezembro 03, 2018

Navegadores Russos e Império Colonial Português - 6

Ivan Gontcharov

...Notícias sobre a passagem de navios russos por territórios portugueses voltam a aparecer nas notas da segunda viagem de circum-navegação de Vassili Golovnin, realizada no veleiro «Kamtchatka» entre 1817 e 1819, mas, desta vez, além do Brasil, o veleiro entrou no porto do Faial, nos Açores.
Durante os 17 dias que passou no Faial, onde o navio se abasteceu de água e alimentos frescos, Golovnin teve a oportunidade de visitar os lugares mais pitorescos da ilha, tendo-lhe chamado a atenção a Caldeira.
Na hora da partida, escreve: «Partimos satisfeitos com a amável recepção dos nossos conhecidos do Faial, e eles ficaram com o mesmo sentimento. O governador e os seus habitantes não se cansavam de repetir-me que gostariam de ter ali em permanência barcos russos. Ao contrário, quando chega um navio militar inglês, os habitantes querem que ele saia o mais rápido possível, pois os marinheiros embebedam-se em terra e provocam conflitos. Nenhuma das nossas pessoas que autorizei a ir a terra, doze ou mais por dia, andou à pancada ou ficou bêbado»29.
As viagens de circum-navegação russas continuaram durante todo o século XIX, mas há duas delas que merecem uma análise mais atenta. A primeira realizou-se entre 1852 e 1855, sob o comando do capitão Ivan Unkovski (1822-1866), e tinha dois objecti- vos: inspeccionar os territórios russos na América do Norte (Alasca) e estabelecer rela- ções políticas e comerciais com o Japão.
Porém, para nós é importante o facto de nesta expedição marítima ter participado Ivan Gontcharov, um dos maiores vultos da literatura russa, autor do romance «Oblomov», que nos deixou descrições da viagem, nomeadamente da sua passagem pela Madeira e Cabo Verde.
O primeiro contacto com o vinho da Madeira ficou longe de ter sido o melhor. Gontcharov escreve: «De súbito, os guias pararam junto de uma casinha, gritaram alguma coisa e trouxeram-nos três canecas de vinho. Ofereceram-me a minha e eu não podia recusar: tratava-se de vinho da Madeira, directamente da fonte! Madeira! Mas que por- caria, talvez seja vinho novo. Eu devolvi a caneca. Os guias fizeram uma vénia e esvazia- ram num instante as canecas».
O escritor russo mudou de opinião ao almoçar na casa do cônsul russo no Funchal: «O ponto alto do almoço foram o vinho e a sobremesa. Claro que o vinho era da Madeira, tinto e branco. Tanto um como outro eram de uma qualidade suprema, principalmente o tinto, cor de ruby».
Mas o ar da Madeira foi o que mais cativou Gontcharov: «Quando respirava o ar da margem montanhosa do Volga, pensava que não podia haver nada de melhor noutro lugar. De manhã, num dia de Verão, abres a janela e no rosto sopra uma frescura tão pura, saudável. Na Madeira, eu senti a frescura do ar do Volga, que bebes como a água mais pura da fonte, mas como que diluída... em Madeira...».
«Ao olhar para trás, para a ilha, desejei que ela ficasse para sempre na minha memória», conclui Gontcharov30.

29 GOLOVNIN, V. M. – Obras. M-L. Editora Glavmorputi, 1949, p. 430.
30 Гончаров, Иван Александрович. «Фрегат Паллада». Л., 1986, T.1, c. 83-96 (GONTCHAROV, Ivan – Fragata Pallada. Leninegrado, 1986. Vol. 1, p. 83-96).

quinta-feira, novembro 22, 2018

Revisionismo Histórico chega ao Afeganistão



A pedido do Presidente Putin, a Duma Estatal da Rússia, câmara baixa do Parlamento, decidiu considerar a invasão soviética do Afeganistão, ocorrida nos finais de 1979, legítima e em conformidade com o Direito Internacional. Para tal, a maioria dos deputados anulou uma decisão do Soviete Supremo da URSS, de Dezembro de 1989, que considerou essa operação militar ilegítima e contrária ao Direito Internacional. Os actuais parlamentares consideram que a sua decisão é um acto de "justiça histórica"!
As justificações para tal acto de revisão histórica são várias: desde a gasta "ajuda ao povo do Afeganistão" até ao início do combate ao terrorismo islâmico e aos que viriam, mais tarde, a ser os talibãs.
Se a invasão foi justa, então a retirada das tropas soviéticas foi injusta?
A ideia da revisão histórica partiu da organização "Veteranos do Afeganistão", dirigida actualmente pelo general Gromov. Como foi este senhor que comandou a retirada das tropas soviéticas, penso que, "no mínimo", ele traiu a pátria ao realizar essa operação. Não deu uma prova de cobardia?
Claro que na decisão dos deputados russos não se fala dos cerca de 13 mil soldados e oficiais que morreram no Afeganistão, nem das dezenas de milhares de feridos. Isso estraga o quadro bonito criado pelo revisionismo histórico.
Se esta onda continuar, não se pode excluir que os deputados russos poderão vir a rever decisões face à invasão da República Democrática Alemã em 1953, da Hungria em 1956 e da Checoslováquia em 1958.
Além disso, serão capazes de reabilitar o pacto de Molotov-
Ribbentrop de 1939, assinado entre Hitler e Estaline.
Por muito que os deputados russos se esforcem não conseguirão esconder que a invasão da Crimeia foi também um crime contra o Direito Internacional.
A Rússia continua a dirigir-se para o abismo, sob o comando de políticos cleptocratas e vigaristas. Um deles, Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, estará em Lisboa a 24 de Novembro.

domingo, novembro 11, 2018

Estaline é que é fixe!

Hoje celebra-se o centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, mas talvez se deva pensar também no mau fim deste conflito: o Tratado de Versalhes, que foi uma das causas da Segunda Guerra Mundial. Hoje também, assiste-se ao resultado de um termo incompleto e apressado da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética (1945-1991), o que provoca a sua continuação (considero que não estamos numa segunda Guerra Fria, mas continuamos na primeira) com consequências imprevisíveis. Putin e Trump trocam cumprimentos em Paris e até poderão falar alguns minutos sobre a saída dos Estados Unidos do Tratado sobre Mísseis de Médio e Curto Alcance, uma das traves mestras do desarmamento, mas os resultados irão ser nenhuns. 
Talvez o primeiro resultado venha do encontro, que terá lugar à margem da Cimeira do G-20 a realizar ela Argentina mais para o fim de Novembro. O melhor resultado será o reinício das conversações sobre a elaboração de um novo tratado, processo que levará uns bons anos e permitirá, a quem meios tiver para isso, modernizar o seu arsenal nuclear.
Ou seja, continuaremos a assistir a uma forte corrida aos armamentos. Recordo que foi uma corrida dessas que contribuiu, em grande parte, para a exaustão económica da União Soviética e para o seu fim. Vamos ver como irá terminar a segunda grande corrida aos armamentos.
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Enquanto Putin, Trump e outros dirigentes europeus assistiam à parada militar em Paris, os homens de Putin iam fabricando ideias cada vez mais "originais" para resolver os problemas da modernização da Rússia. Dmitri Rogozin, presidente da Roskosmos, propôs que os criadores de sistemas de salvamento dos cosmonautas/astronautas participassem directamente nos testes de preparação. Segundo ele, quando os sistemas forem testados, os seus criadores deverão estar obrigatoriamente sentados dentro da nave espacial.
E ele próprio revela de onde lhe veio tal ideia: "Quando mostraram ao camarada Estaline o carro blindado que o devia transportar e lhe disseram que o automóvel não seria furado pelas balas da pistola automática de Chpaguin, ele ordenou ao construtor desse veículo que se sentasse nele e começaram a disparar rajadas contra ele".
Ele concluiu sublinhando que o engenheiro sobreviveu porque o automóvel era de boa qualidade.
Se a ideia pega...

domingo, novembro 04, 2018

Navegadores Russos e Império Colonial Português - 5

... virar as costas, enquanto o rei, que se afastava de nós, virava-se de todas as vezes para receber a vénia»23.
É importante assinalar que nesta expedição participaram os oficiais Konstantin Torson e Dmitri Zavalichin, dois futuros participantes da Revolução Dezembrista de 25 de Dezembro de 1826, assim é conhecido na Rússia o movimento liberal que tentou derrubar o czar Nicolau I.
A passagem desses dois oficiais pelo Brasil influi fortemente na sua formação ideológica. No interrogatório a que foi sujeito depois da derrota da revolta, Konstantin Torson concretiza as razões que o levaram a aderir ao levantamento: «Vendo diferentes abusos e o desinteresse do governo em emendá-los por via legal, agindo individualmente, convenci-me da necessidade de agir em sociedade para conseguir esse objectivo; então Bestujev informou-me de que existe uma sociedade secreta, cujo objectivo consiste em, após reunir pormenores de abusos e baseando-se na defesa do direito de propriedade e de cada pessoa, elaborar um plano para emendá-los e esperar a morte natural do defunto imperador, informar de tudo o sucessor quando da coroação e convencê-lo a tomar as medidas propostas; considerando o objectivo da sociedade em conformidade com os meus desejos e tendo visto no Brasil um exemplo..., eu perguntei a Bestujev sobre as principais pessoas que dirigiam a sociedade»24.
Dmitri Zavalichin, um dos poucos dezembristas que sobreviveu ao desterro na Sibéria, deixou um diário com numerosas impressões sobre a sua passagem pelo Brasil. Ele escreve: «No Brasil, tinha muitas tarefas para realizar, mas eu queria, obrigatoria- mente, conhecer de mais perto a natureza tropical, que surpreendia mesmo as pessoas simples. Aprofundei-me nas florestas virgens, visitei frequentemente o imperador Dom Pedro, no Corcovado e na Serra de Estrela e, por fim, a nova plantação do nosso cônsul- geral Lamsdorf, e só eu de todos os oficiais podia acompanhá-lo nas excursões botânicas, porque aguentava tão bem o frio forte como o calor intenso»25.
Zavalichin conta um facto curioso que poderia ter consequências negativas na sua carreira militar: «Durante a nossa estadia no Brasil, deu-se um acontecimento que assustou fortemente os meus parentes com boatos infundados. É preciso dizer que, quando chegámos ao Brasil, nós encontrámos aí, no lugar de uma colónia portuguesa, um Império recentemente criado. Porém, o novo imperador não era ainda reconhecido por nenhum governo e, por conseguinte, não podíamos ter com ele contactos oficiais. Isso, todavia, não incomodava a prestação de serviços mútuos e, como realizávamos alguns trabalhos no estaleiro brasileiro, nós, pelo nosso lado, tínhamos de fornecer os nossos mestres. Nessa altura, Dom Pedro tinha pressa em armar a frota para rechaçar o presumível ataque dos portugueses e, diariamente, encontrava-se e conversava comigo no estaleiro. Ele tinha falta de bons oficiais navais e, pouco tempo antes, o tenente da armada inglesa Taylor passara ao seu serviço como comandante de corveta. Vendo o destaque de que eu gozava na fragata, Dom Pedro decidiu propor-me o mesmo posto de Taylor na frota brasileira. Claro que eu recusei, mas o caso tornou-se conhecido e, tendo chegado de forma distorcida à Rússia, preocupou os meus parentes, enquanto as cartas enviadas por mim não lhes esclareceu o que realmente deu origem ao boato, como se eu tivesse deixado a frota russa»26.
Mas não era só a paisagem exótica tropical que interessava ao oficial da marinha russa. Dmitri Zavalichin estudou também com atenção a situação política e social naquele território que pouco antes se tornara independente da Coroa de Portugal: «a nossa per- manência no Brasil tinha interesse vivo não só do ponto de vista do conhecimento de uma natureza completamente nova para nós, mas também no sentido político. Todas as questões políticas, internacionais e internas, bem como as sociais eram candentes e a situação do Brasil apresentava muitos factos evidentes para esclarecer essas questões, e a presença de um grande número de estrangeiros, bem como de navios militares de diferentes nações, permitia ouvir a discussão multilateral de qualquer fenómeno. Por muito que estivesse ocupado no meu serviço, não só com a carga e os fornecimentos para a fragata, mas também com as viagens às plantações para fazer compras, eu não perdia, porém, a oportunidade de conhecer pormenorizadamente a natureza e diferentes produ- ções, principalmente as próprias do Brasil, e seguir o movimento político e social. E se o conhecimento com o cônsul-geral e a excursão com ele eram para mim úteis do ponto de vista científico, para o estudo da natureza tropical, as visitas ao nosso vice-cônsul, casado com uma brasileira e que vivia de forma muito aberta, constituíram uma oportunidade suprema de observar os problemas políticos e sociais no seu movimento vivo. Todos os dias, quando o calor era forte, entre as 10 e as 4 horas, quando toda a actividade parava e todas as coisas paravam, todos dormem, eu refugiava-me nos limoeiros e laranjeiras no Corcovado e dedicava-me aí à leitura de jornais de todo o tipo, e, a falar verdade, era difícil aos outros compreender quando eu dormia, porque às seis ou tínhamos o jantar ou éramos convidados para os jantares que nos davam ou na cidade, ou em navios estrangeiros, e, ao jantar, até bem depois da meia noite, havia algum baile ou passeio. Não obstante, na manhã seguinte, às sete horas, eu já recebia em terra ou no escritório do cônsul ou no estaleiro todos os que tinham algum assunto ligado à expedição»27.
No interrogatório que se seguiu à derrota da revolta dezembrista, Dmitri Zavalichin declarou que a viagem ao Brasil lhe serviu também para ver as diferenças insuperáveis entre a situação nessa ex-colónia portuguesa e no seu país: «Frequentemente, por baixo do Sol claro do Brasil, eu descansava à sombra de limoeiros e laranjeiras, enquanto que os meus olhos gozavam com a paisagem dos campos cobertos de ananases. Mas poderia ser eu considerado uma pessoa inteligente se quisesse ver obrigatoriamente o mesmo nos países com meio ano de noite? No mundo da moral, tal como no mundo físico, há obstáculos insuperáveis»28.
23 Ibidem.
24 Вопросы Комитета и Ответы К. Торсона. Апрель 1926 года. Востания Декабристов. Т. XIV. М. 1976, c. 201 (Perguntas do Comité e Respostas de K. Torson. Abril de 1926. Revolta dos Dezembristas. T. XIV. Moscovo, 1976, p. 201).25 Завалишин, Дмитрий. «Воспоминания». M. 2009, c. 85 (ZAVALICHIN, Dmitri – Memórias. Moscovo, 2009, p. 85).
26 Ibidem, p. 85-86.27 Ibidem, p. 86-87.28 «Дело Завалишинa, Д. И. Востания Декабристов». T. 3. M-Л. 1927, c. 239 (Dossier D. I. Zavalichin. Revolta dos Dezembristas. T. 3. M.-L. 1927, p. 239).

segunda-feira, outubro 29, 2018

Cursos IDL "RUSSIA - Os Romanov, a URSS, A Europa e Vladimir Putin"

Cursos IDL "RUSSIA - Os Romanov, a URSS, A Europa e Vladimir Putin": O IDL Instituto Amaro da Costa vai organizar, inserido no ciclo cursos IDL, a partir de 19 de Novembro, um curso executivo em 4 sessões, ao final da tarde, sob o tema RUSSIA - Os Romanov, a URSS...

quarta-feira, outubro 24, 2018

Navegadores Russos e Império Colonial Português - 4




Passadas as guerras napoleónicas, a Rússia volta novamente às viagens de circum- navegação. Entre 1819 e 1821, Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen comanda uma expedição que, entre outros objectivos, descobre a Antártida.
Bellingshausen deixou-nos um diário de bordo com algumas notas sobre a vida no Rio de Janeiro: «A cidade está situada de forma bastante correcta, mas as ruas, na sua maioria, são estreitas; há algumas praças boas e casas de dois andares; no andar de baixo estão lojas ou oficinas, tais como: merceneiros, sapateiros, alfaiates, polidores de pedras, ourives de prata e ouro, etc. Nos andares estão as habitações. O lixo e todas as porcarias são atirados directamente para as ruas; ao fim da tarde, quando escurece, é impossível andar perto das casas sem correr o risco de ser molhado do andar de cima; na cidade, em geral, é evidente uma sujidade horrível»21.
O oficial russo fica impressionado com o peso da religião na vida do Rio de Janeiro: «Todas as colinas estão ocupadas por mosteiros, que enfeitam o aspecto externo da cidade. Pode dizer-se que só quase os monges gozam aqui de ar saudável e das agradáveis vistas das alturas. Durante a nossa permanência, quase diariamente víamos nas ruas e templos procissões; a julgar por isso, um estrangeiro desprevenido concluiria do gosto dos habitantes locais para festas».
O tráfico de escravos não passou despercebido ao oficial russo: «Aqui encontram-se várias tendas onde se vendem negros: homens, mulheres e crianças. Quando se entra nessas tendas asquerosas, vê-se várias filas de negros sentados, cobertos de tanga, os pequenos à frente e os grandes atrás. Em cada tenda encontra-se permanentemente um dos portugueses ou dos negros anteriormente trazidos; é dever desse guarda tentar apresentar esses infelizes da melhor e mais alegre forma quando chegam os compradores. Ele tem na mão um chicote ou uma vara; quando faz um sinal, eles levantam-se, depois saltam entoando canções de dança; se algum deles, segundo o vendedor, olha, salta ou canta de forma insuficientemente alegre, ele incute-lhe vivacidade com a vara. O com- prador, depois de escolher o seu escravo, tira-o da fila, vê-lhe a boca, apalpa-lhe todo o corpo, bate-lhe com as mãos em diferentes partes e, depois desses exames, ficando convencido da resistência e saúde do negro, compra-o. Na nossa presença foi vendido um por 200 taleres espanhóis. Na tenda feminina está tudo disposto da mesma ordem, mas com a diferença de que as negras estão cobertas à frente por um pequeno pedaço de tecido azul e algumas têm também os peitos cobertos. Na tenda entraram connosco uma velha e uma jovem menina; eram portuguesas. Depois de combinarem o preço de uma jovem negra, viram-lhe a boca, levantaram-lhe as mãos e afastaram o pedaço de tecido do peito; finalmente, a velha apalpou a barriga com ambas as mãos; parece que o preço pedido pelo dono era demasiadamente grande e elas não compraram essa negra e foram para outra tenda. A revista, a venda, a sujidade, o cheiro nauseabundo exalado pelos numerosos escravos e, finalmente, a vigilância bárbara com chicote ou vara, tudo isso provoca nojo em relação ao dono desumano da tenda»22.
Os comandantes dos navios russos, que chegaram a 2 de Novembro de 1921, foram recebidos pelo rei D. João VI a 9 do mesmo mês: «o rei honrou-me com algumas per- guntas sobre o Rio de Janeiro, sobre o porto, sobre o objectivo da nossa viagem, e, depois das saudações normais, fez uma vénia e nós curvámo-nos até à cintura e recuámos sem... (continua)

21 Беллинсгáузен, Фаддéй Фаддéевич «Двукратные изыскания в Южном Ледовитом океанеи плавание вокруг света в продолжение 1819, 1820 и 1821 годов», M., 1949, c. 52-59 (BELLINGSHAUSEN, F. F. – Duas buscas no Oceano Glaciar Antárctico e viagem de circum-navegação durante 1829, 20 e 21, realizadas nos navios «Vostok» e «Mirni» sob o comando do capitão Bellingshausen, comandante do navio «Vostok»... Moscovo, 1949, p. 52-59).
22 Ibidem.

sábado, outubro 20, 2018

Só depois do senhor!


Numa conferência internacional realizada na Rússia: "Mundo em que iremos viver: estabilidade e desenvolvimento no séc. XXI", o Presidente Vladimir Putin prometeu que o seu país não será o primeiro a utilizar armas atómicas, mas, se for atacado com elas, o povo russo morrerá como mártir e irá para o paraíso, enquanto os agressores "simplesmente morrerão".
Falando em nome de todo um povo, ele afirmou: "Nós nada tememos. Um país com um território destes, pronto a dar a vida pela Pátria". Em caso de ataque nuclear, "o agressor deve saber que a vingança será inevitável, que será esmagado. Nós, como vítimas da agressão, seremos mártires e entraremos no paraíso, enquanto que eles simplesmente morrerão, porque não terão tempo de se arrepender". 
"Excelente" forma de ganhar a vida eterna! Se calhar, nem Deus teria pensado em semelhante coisa!
Se eu fosse cidadão russo e como só um pouco mais jovem do que Putin, diria: "não tenho pressa em ir para o paraíso, muito menos dessa forma, e, como respeito os mais adultos, dar-lhe-ia prioridade: "Senhor Presidente, passe para a frente!".
Nos discursos de Vladimir Putin são cada vez mais frequentes ideias religiosas, até escatológicas. Não sei se tal se deve à confusão reinante no seio das igrejas ortodoxas, ou ao facto de ele se sentir cada vez mais o senhor dos destinos do seu povo e da humanidade.  
Alguns dos comentadores até admitiram a possibilidade de Putin ter entrado em campos tão teológicos depois de alguns cálices de vodka. 
Deixo aqui alguns comentários de leitores sobre este "princípio" na política externa:
"Ainda recentemente, Putin, prometia à nação ultrapassar a Europa e agora garante a entrada no paraíso só depois de um ataque aéreo".  
"A partir de agora, as anedotas começarão assim: um russo entra no paraíso e encontra o Presidente Putin".
"Só falta prometer as 72 virgens".
Ainda há dúvidas no que respeita à rápida degradação da elite política a nível mundial?