Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Blog dos leitores (A Perestroika de Medvedev)


O leitor António Campos enviou-nos este seu artigo que publicamos de bom grado e sem qualquer comentário ou emenda:


"Putin não tem muitas razões para celebrar a queda do muro de Berlim. Quando a vaga da história se desenrolava para lá da janela do seu escritório do KGB em Dresden, o actual primeiro-ministro russo percebeu que o sistema perfeito e rígido do qual era cliente se estava a desmoronar subitamente perante os seus olhos, no que, segundo as suas próprias palavras, foi a “maior catástrofe geopolítica do século”.

Por seu lado, Medvedev, herdeiro de Sobchak, legalista e alheio ao clã dos siloviki, tenta, face às circunstâncias, desempenhar o papel de reformista, apadrinhando a modernização como tema central da sua presidência e definindo estratégias ambiciosas de desenvolvimento para pescar o país do abismo. Mas uma análise cuidada ao orçamento para 2010 revela que a prioridade são os gastos militares e o aumento das pensões, sendo que apenas 1,4% dos financiamentos são destinados à inovação. O presidente, que não se atreve a murmurar uma palavra crítica contra o primeiro-ministro, faz umas afirmações tímidas sobre a criação de equipas de “modernizadores” que possa fazer com que pelo menos alguns desenvolvimentos se materializem e, mais importante, tenta fazer passar a mensagem de que o niilismo legal é coisa do passado e que a história estalinista não deverá, afinal, ser reescrita.

Estes factos, uma espécie de cocktail de “quase-liberalismo” presidencial e tendências nacionalistas e populistas promovidas pelo primeiro-ministro, têm dois efeitos: dão credo à percepção popular de que se vive num período de mudança, e ao mesmo tempo, passam a ideia de que existe uma clivagem quanto ao caminho a seguir para sair da crise. Tal parece estar a gerar uma onda de pânico nas elites do poder. Quererá Medvedev seguir os passos de Gorbachov de remodelar o sistema, mantendo a sua essência inalterada? É esse o grande ponto de interrogação a pairar nas cabeças dos siloviki.

Estes sabem que o ímpeto reformista de Gorbachov, que (tal como Medvedev pretende) quis reduzir a dependência energética e modernizar a decrépita indústria soviética sem mudar o regime, deu origem a um colapso revolucionário que arrasou com o seu poder e privilégios. A promoção do empreendedorismo cria centros de poder que ameaçam a hegemonia estatal e o seu parasitismo sobre as rendas da venda de matérias-primas.

Assim, os poderes vigentes não querem correr o risco de uma nova Perestroika e muito dificilmente Medvedev conseguirá o apoio de cima para os seus devaneios reformistas. Enquanto a conversa não passar de conversa, Medvedev será tolerado.

Mas conseguirão o “duo dinâmico” e os seus clientes manter o status-quo à frente de uma economia cujos problemas vão muito para além da simples dependência energética, tal como demonstra a anémica recuperação da economia, mau grado o aumento dos preços dos hidrocarbonetos, e a incapacidade crónica de resolver os problemas da população em geral? E não será a “abertura liberal” de Medvedev um catalisador de um colapso do sistema vindo não de cima, mas de baixo?

O actual clima social na Rússia, tal como descreve (genialmente, pelo que transcrevo o comentário na íntegra) um comentador anónimo russo de um blog semelhante a este, tem contornos de “pré-revolucionário”. Diz ele: “Nós, que vivemos na Rússia, sentimos a mesma espécie de histeria oficial ocorrida nos anos 80. Assistimos a uma espécie de frenético apertar do cerco com contornos cada vez mais absurdos. Um historiador a estudar o tratamento dos prisioneiros alemães nas décadas de 40 e 50 é preso por violar leis de privacidade. A agência contra os narcóticos publica uma lista de obras clássicas a retirar das bibliotecas por “propagandearem o uso de estupefacientes”. Os deputados querem retirar a cidadania russa ao ministro dos negócios estrangeiros georgiano, ainda que a constituição não o permita. Funcionários governamentais acusam um polícia que usou a internet para condenar a corrupção de estar a soldo da USAID. Uma agência noticiosa escreve que a Ucrânia pediu ajuda à Rússia para combater a gripe suína, citando um comunicado à imprensa do presidente ucraniano (só que esse comunicado não diz uma palavra acerca da Rússia). Famílias de acolhimento devem apresentar recibos de todos os gastos dos subsídios estatais. Os estrangeiros contratados ao abrigo de vistos de trabalho têm agora que apresentar diplomas apostilhados. Uma universidade em São Petersburgo está a obrigar os seus professores a submeter os seus artigos a escrutínio antes de serem enviados para jornais internacionais. Outra universidade tem uma lista de estudantes “extremistas”, que inclui apoiantes do Yabloko.

Vemos acções destas por todo o lado, mas não me parece que obedeçam estritamente a uma ordem de cima. Ficamos com a impressão de que os tipos no poder (a todos os níveis) sentem que o jogo está no fim, que o grandioso contrato social está a desfazer-se e que eles estão a espernear com tentativas de controlar o incontrolável. O resultado é um conjunto surreal de realidades sobrepostas. Uma realidade é a dos grandes desígnios de Medvedev escritos no seu blog e discursos. Há a realidade da TV, encalhada no modelo de Putin de culpar o Ocidente (especialmente os EUA) por tudo e mais alguma coisa, ao mesmo tempo que pinta um quadro que descreve uns poucos problemas locais mas um sistema basicamente sólido, embora as suas acusações sobre a intervenção maligna ocidental comecem a ficar verdadeiramente cómicas. Há a terceira realidade da vida real, na qual a corrupção está totalmente fora de controlo e algumas regiões e cidades estão mergulhadas na mais abjecta pobreza.

Os poderes vigentes não querem mexer no sistema, pois compreendem que a situação mais perigosa para um regime corrupto é tentar repará-lo superficialmente. Mas não me parece que o modelo de Putin venha a funcionar por muito mais tempo. Tal como todos os governos corruptos, este não soube quando parar, e a paciência da população está a esgotar-se. Por enquanto, assistimos a pequenas repressões aqui e acolá. Mas não vai resultar por muito tempo, pelo que eles terão ou que reprimir em grande ou sofrer mudanças profundas. Seja qual for o caso, será o seu fim. Daí que não admira que lá em cima reine o pânico.”

Aconteça o que acontecer, o futuro imediato da Rússia promete ser interessante."

Remédio para a Gripe A H1N1

Um dos restaurantes da capital ucraniana propõe aos seus clientes o cocktail “Tamifliu, que foi buscar o nome ao medicamento mais conhecido no combate à gripe A/H1N1, informa o diário Gazeta pro-kievski.
Os criadores do cocktail não fazem segredo da sua receita: sumo de limão, xarope de romã e açúcar, licor “Jagumeister”, bebida alemã feita com 56 ervas, raízes e frutos, e tequila.
Segundo o jornal, o preço da bebida fica aquém do preço do medicamento, custando um cocktail cerca de 3 euros.
Porém, ainda nada foi revelado sobre os “efeitos curativos” da nova bebida.
Entretanto, em vésperas de eleições presidenciais, os dirigentes ucranianos discutem quem faz mais para travar a epidemia de gripe e outras doenças respiratórias que assola o país.
Iúlia Timochenko, primeira-ministra da Ucrânia, acusou o Presidente do país, Victor Iuschenko, de impedir conscientemente “a luta eficaz contra a epidemia”.
O estado de epidemia no país foi anunciado nos finais de Outubro. Segundo dados hoje revelados pelo Ministério da Saúde, mais de 1.122 mil pessoas adoeceram com gripe, tendo falecido 189.
Segundo a primeira-ministra ucraniana, a epidemia avança a “ritmos assustadores”, mas as medidas para a combater estão paradas.
“Os trabalhos estão parados devido a uma causa banal, o Presidente não assinou a lei que liberta mil milhões de grivnas (cerca de 120 milhões de euros) para a luta contra a epidemia”, declarou Timochenko ao iniciar uma reunião do Governo.
“Enquanto o Presidente não assinar a lei e o Governo não receber os meios financeiros necessários, não podemos assinar nem um contrato, não podemos lutar contra a gripe. Consideramos que a actividade do Presidente... constitui hoje uma actividade contra a Ucrânia”, frisou.
Timochenko acusa Iuschenko de deixar agravar a situação para impôr o “estado de emergência”, que levará ao adiamento das eleições presidenciais de 17 de Janeiro para 20 de Maio de 2010.
Na véspera, o Presidente declarou que não tenciona fazer isso, sublinhando que o escrutínio irá realizar-se na “data marcada”.
P.S. Não recomendamos a preparação do cocktail em condições caseiras!

Cristo também era judeu


Uma leitora, que assinou com o nome de Leda, enviou comentários com uma lista de judeus que dirigiram movimentos e partidos comunistas, bem como a tese de que eles são os autores de todos os males na terra, incluindo as revoluções comunistas.

É inegável que um grande número de judeus participou e, nalguns casos, dirigiu movimentos socialistas e comunistas e isto tem uma explicação. Estes movimentos eram, para eles, a única forma de porem fim às perseguições a que eram sujeitos. Mas concluir daí que eles foram os organizadores e realizadores de revoluções, acho de todo exagerado.

Aos marxistas anti-semitas, e há muitos, nomeadamente no Partido Comunista da Federação da Rússia, devo dizer que isso vai contra a tese marxista-leninista sobre o papel das massas e dos dirigentes nas revoluções e movimentos sociais. Além disso, é de recordar que Marx era judeu, Lénine tinha sangue judeu, etc.

Aos restantes anti-semitas, quero lembrar que é passar um atestado aos respectivos povos e suas élites de incompetência quando afirmam que povos inteiros, mesmo tão numerosos como o russo, podem ser levados, tal como rebanhos de carneiros, por meia dúzia ou até uma dúzia de judeus.

E, por fim, gostaria de lembrar que a Bíblia, um dos fundamentos da civilização europeia (isto não obstante as observações do escritor Saramago), foi escrita por judeus e, segundo sei, Jesus Cristo e sua mãe também pertenciam a esse povo, bem como os 12 apóstolos, etc., etc.

O pai de Cristo é Deus, mas, no judaísmo, a linha materna é a principal.

É pena que as pessoas - ao que compreendi, a leitora Leda é brasileira - não entendam o prejuízo que foi causado a Portugal e ao Brasil pela expulsão dos judeus. Não há povos bons e maus, mas sim boas e más pessoas.
Se retirarmos os judeus da civilização ocidental, constataremos que ela ficará muito pobre em todos os campos.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Parlamento moldavo não consegue eleger Presidente do país

O Parlamento da Moldávia não conseguiu, pela terceira vez neste ano, eleger o Presidente da República. Caso não o faça dentro de um mês, será dissolvido.
Marian Lupu foi o único candidato apresentado ao cargo pela coligação liberal-democrática pró-europeia que governa a Moldávia, mas acabou derrotado devido à oposição dos deputados do Partido dos Comunistas da Moldávia.
Para ser eleito, Marian Lupu precisava de conseguir o apoio de 61 dos 101 deputados do Parlamento, mas a coligação democrática, constituída pelos partidos Liberal, Liberal-Democrático, Democrático e pela aliança Nossa Moldávia, conquistou, nas últimas eleições, 53 mandatos.
O Partido dos Comunistas da Moldávia, que possuem 48 deputados na Câmara Legislativa, abandonou o escrutínio ainda antes do seu início, inviabilizando a eleição de Lupu.
“Não vamos participar nesta farsa política!”, afirmaram os deputados comunistas, sublinhando: “não vamos votar num trairdor!”.
Lupu entrou na política moldava através do Partido dos Comunistas da Moldávia, mas abandonou essa força depois de os comunistas não terem apoiado a sua candidatura ao cargo de Presidente do país, no verão passado. A coligação pró-europeia convidou-o para seu líder, o que foi imediatamente aceite.
Nas duas tentativas anteriores de eleger o Presidente, a 20 de Maio e 03 de Junho, os comunistas não conseguiram eleger o seu candidato, pois possuiam 60 mandatos, o que levou à dissolução do Parlamento e à convocação de eleições antecipadas.
O novo Parlamento falhou a primeira tentativa e irá fazer a segunda dentro de 30 dias. Se esta falhar, Mihai Gimpu, Presidente interino do país, deverá convocar eleições parlamentares antecipadas, que só poderão realizar-se no Outono de 2010.
Segundo a lei moldava, o Parlamento só pode ser dissolvido uma vez por ano, tendo a última dissolução ocorrida em 16 de Junho de 2009.
A Moldávia, antiga república soviética, é o país mais pobre da Europa, não só mergulhado numa profunda crise política, económica e social, mas afectado também pelo separatismo na Transdnistria.

Saramago em língua estónia


Os amantes da Literatura na Estónia já podem ler José Saramago na língua natal. Tudo graças a Mare Vega Salamanca, que hoje é tradutora de autores portugueses para estónio, depois de ter ocupado o cargo de cônsul da Estónia em Portugal entre 2005 e 2008.
Numa entrevista concedida à Lusa via e-mail, Mare escreve que o «Ensaio sobre a Cegueira» de José Saramago foi a primeira obra que traduziu do português para a sua língua natal.
«A iniciativa de tradução e publicação desse livro para estónio partiu da editora Eesti Raamat, tendo-a inserido na colecção Livro Nobel, onde se publicam obras de autores que receberam o mais importante prémio literário internacional», refere Mare Salamanca.
A ex-diplomata refere ainda que agora está a traduzir o «Memorial do Convento» e, «depois, não tenho qualquer plano concreto, mas obviamente Saramago tem muitas outras obras que merecem ser traduzidas para a língua estónia».
Mare Salamanca admite que a literatura portuguesa é «uma paixão nova» e que «ainda tenho muito a descobrir». «Gostaria de traduzir António Lobo Antunes, pois acho um escritor muito interessante», revela.
A ex-diplomata diz ainda que também sonha traduzir «Os Maias» de Eça de Queirós, mas reconhece que a literatura portuguesa é muito pouco conhecida na Estónia. Um facto que Mare Salamanca atribui «ao reduzido número de pessoas que falam português e que têm formação académica para traduzir».
Mas esta é uma situação que a tradutora julga poder vir a alterar-se. Optimista, Mare Salamanca afirma que «há uns cinco ou seis anos não existia o ensino da língua portuguesa na Estónia». «Felizmente, agora a situação tem melhorado e já há cursos nas universidades de Tartu e Tallinn», sublinha.

D. Sebastião "desembarca" em Moscovo


Transcrevo em russo, mas antes traduzo para português, uma notícia que pode ter interesse para os lusófonos residentes em Moscovo.

"No dia 12 de Novembro de 2009 realiza-se a estreia do espectáculo "Moloch do Amor". O espectáculo realiza-se no Instituto de Literatura Gorki, que se encontra em Moscovo, Tverskoi bulvar, d.25, auditório Nº3 (entrada pela ul. Bronnaia). Início às 16 horas e 30 minutos.

A peça em verso "Moloch do Amor" foi escrita pela poetisa russa Irina Makarova em 2009 e aborda acontecimentos da História de Portugal do séc. XVI. Ela é dedicada ao Rei Sebastião I, herói de Portugal, e baseia-se em factos históricos.

A peça é levada ao palco por amadores e estudantes do Instituto Literário.

Convidamos a assistyir a este espectáculo que merece, sem dúvida, tornar-se um acontecimento na vida cultural e no intyercâmbio cultural entre a Rússia e Portugal".


"12 ноября 2009г состоится премьера спектакля «Молох любви». Спектакль состоится в помещении Литературного Института имени Горького по адресу: г. Москва, Тверской бульвар д.25, аудитория №3(вход со стороны ул. Бронная). Начало в 16.30.

Пьеса в стихах «Молох любви» написана российской поэтессой Ириной Макаровой в 2009г. и затрагивает события Португальской истории XVI века. Она посвящена национальному герою Португалии королю Себастьяну I и базируется на достоверном историческом материале.
Пьеса поставлена любительскими силами и силами студентов Литературного института.
Приглашаем Вас посетить данное мероприятие, которое, несомненно, заслуживает того, чтобы стать событием в культурной жизни и творческой взаимосвязи между Россией и Португалией".

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Moscovo propõe acordo de pré-alerta à UE no campo da energia

O Ministério russo da Energia elaborou e apresentou à Comissão Europeia um memorando sobre o mecanismo de pré-alerta em matérie de energia no quadro do diálogo energético Rússia-União Europeia, escreve hoje o diário Kommersant.
O documento contém os passos conjuntos a dar em caso de interrupção dos fornecimentos de hidrocarbonetos à Europa, nomeadamente provocada por terceiros países.
Segundo Anatoli Ianovski, vice-minitro russo da Energia, a parte russa espera uma resposta à sua iniciativa da parte da União Europeia.
“Estou pronto a iniciar negociações a todo o momento para que os coordenadores do diálogo energético russo-europeu possam assinar um, documento na cimeira Rússia-UE, que terá lugar em Estocolmo, do dia 18 de Novembro”, sublinhou.
O memorando é constituído por 13 capítulos que definem noções tão importantes como “situação de urgência” e “mecanismo de pré-alerta”, determinam os passos que as partes devem empreender em caso de interrupção dos fornecimentos de hidrocarbonetos russos à Europa.
O documento dedica particular atenção ao pré-aviso e à reacção das partes em caso de emergência, de situações de urgência e de circunstâncias susceptíveis de os provocar.
Entre essas situações, o Ministério de Energia cita os acidentes nos gasodutos e a extracção não autorizada do gás encaminhado pelos pipelines de trânsito ou do injectado nas reservas subterrâneas. Estes são precisamente os incidentes que, ano após ano, provocam “guerras de gás” entre a Rússia e a Ucrânia desde 2000.
Segundo o Kommersant, mesmo que Bruxelas rejeite a iniciativa de Moscovo, o aparecimento do memorando favorece a Rússia, que poderá justificar a sua posição dura face a Kiev com o facto de ter convidado a Europa a encontrar conjuntamente uma solução para eventuais conflitos energéticos.
Normalmente, as “guerras de gás” entre a Rússia e a Ucrânia têm lugar no fim do ano devido a divergências sobre preços e volumes de fornecimento de gás russo ao país vizinho e à Eupropa através dele.
Este ano, semelhante conflito coincidirá com a campanha eleitoral para as presidenciais na Ucrânia, o que poderá levar os candidatos, nomeadamente o actual Presidente Victor Iuschenko e a primeira-ministra Iúlia Timochenko, a utilizarem o gás como arma política.

Domingo, Novembro 08, 2009

Construir armas para defender, não para matar - Kalashnikov


Mikhail Kalashnikov, que completa terça-feira 90 anos de idade, é o mais conhecido dos construtores de armas e a sua metralhadora equipa mais de 50 exércitos e decorou ou ainda decora bandeiras e escudos de alguns países.Alguns consideram-no o 'senhor da morte', mas Kalashnikov responde que as suas armas 'são para defender, não para atacar'.

Mikhail Timofeevitch Kalashnikov nasceu a 10 de Novembro de 1919, numa família camponesa das Montanhas Altai, que, durante a colectivização comunista na URSS, foi considerada 'kulaks' (camponeses abastados) e desterrada para a Sibéria em 1930.

O jovem Kalashnikov, após introduzir 'algumas emendas' nos seus documentos a fim de esconder o seu estatuto social, foi trabalhar para os caminhos-de-ferro no Cazaquistão em 1936.

Dois anos depois, foi mobilizado para o Exército Vermelho, no qual começou a revelar as suas capacidades no campo do fabrico de armamentos. A sua primeira invenção foi um contador de disparos para tanques.

Em Agosto de 1941, partiu para a frente de combate contra as tropas nazis que tinham invadido a União Soviética, mas foi gravemente ferido passados apenas dois meses.

Foi precisamente durante os seis meses de internamento num hospital que Kalashnikov criou a sua primeira arma automática, que não foi bem recebida pelo comando militar.

'A pistola-metralhadora de Kalashnikov é mais complicada e mais cara no fabrico do que a PPCh-41 e a PPC e exige aturados e difíceis trabalhos de torneiro. Por isso, não obstante os muitos aspectos positivos (pouco peso, curta, poder de disparar tiro a tiro, etc.), actualmente não tem interesse industrial', concluiu o Departamento de Armas do Exército Vermelho em 1941.As qualidades da nova pistola automática só foram reconhecidas em 1947, tendo os primeiros 1500 exemplares da famosa 'AK-47' sido entregues às forças armadas soviéticas em 1949.Depois, vieram outras metralhadoras mais perfeitas como a 'AKM', 'PDK', 'PKT' e 'AK-74'.

Estas armas ligeiras trouxeram ao seu criador fama nacional e internacional, colocando-o entre as personalidades mais importantes do século XX e não há praticamente nenhuma condecoração soviética e russa que Kalashnikov não tenha recebido: desde os prémios Estaline e Lenine, com que foi condecorado na era comunista, até à Ordem do Santo Príncipe Dmitri Donskoi, concedida pela Igreja Ortodoxa Russa em 2007.

Kalashnikov não se lamenta pelo facto de a invenção da 'AK' não lhe ter trazido riqueza: 'Eu não tinha a percentagem da produção da 'AK-47' que recebiam os construtores ocidentais pelas suas descobertas, porque não foi registada a patente da minha descoberta na URSS. Mas não pensem que sou um pobre, eu não vivia mal durante o poder soviético'.

A 'AK' esteve ou ainda está representada em bandeiras e escudos de vários Estados e de grupos militares, como Burkina-Faso, Moçambique, Timor-Leste, Zimbabué ou o Hezbollah.'

Em Moçambique, os combatentes pela liberdade conquistaram a independência com a minha metralhadora nas mãos. Agora, chamam aos seus filhos Kalash. Dizem que há lá em cada aldeia dezenas de crianças negras com o nome de Kalash. Isso não é agradável?', escreve Kalashnikov nas suas memórias, e acrescenta: 'Eu criei a minha arma para defender as fronteiras da Pátria, e não para atacar'.

Por isso, dói-lhe ao saber que as suas armas são empregues nos conflitos 'entre as repúblicas do Cáucaso, noutras regiões do país'.

Comunistas comemoram Revolução de Outubro com manifestações


Os comunistas russos celebraram o 92º aniversário da Revolução Socialista de 1917 com manifestações de rua em várias cidades da Rússia.
A Revolução Socialista de 1917 entrou na história como Revolução de Outubro, pois foi realizada a 25 de Outubro segundo o calendário em vigor na Rússia de então (07 de Novembro segundo o calendário ocidental).
Em Vladivostoque, no Extremo Oriente do país, a manifestação vermelha contou com a participação de três mil pessoas que gritavam: “Capitalismo para o lixo da história!”, “A URSS despertava orgulho!”, “O Socialismo é o futuro de toda a humanidade!”.
A capital russa foi o centro das comemorações, tendo a manifestação comunista reunido, segundo várias fontes, entre três e oito mil manifestantes.
Depois de terem desfilado pela Avenida Tverskaia, artéria central de Moscovo, os comunistas reuniram-se num comício junto da estátua de Karl Marx, um dos teorizadores da ideologia que foi oficial na Rússia entre 1917 e 1991.
Os discursos dos dirigentes comunistas ficaram marcados por fortes críticas à política do Governo russo, exigindo “a devolução das fábricas aos operários e a terra aos camponeses!”.
Os manifestantes transportavam bandeiras vermelhas e cartazes de históricos dirigentes comunistas, com especial destaque para José Estaline, ditador que governou a URSS entre 1924 e 1953.
“Não se pode esquecer o nome de Estaline, a quem a Rússia deve a vitória na Segunda Guerra Mundial”, declarou à Lusa um dos manifestantes.
As manifestações decorreram sem qualquer tipo de incidentes, tendo as autoridades colocado cerca de três mil polícias nas ruas da capital russa para manterem a ordem.

Sábado, Novembro 07, 2009

Novos blogs da Rússia em português

Caros leitores, é sempre com prazer e alegria que comunico o aparecimento de novos blogs "concorrentes".
O primeiro chama-se Estudantes de Moscovo (www.estudantesdemoscovo.blogspot.com), Blog de informação de estudantes de português de Moscovo sobre a Rússia e o mundo lusófono em geral; o segundo é S.Petersburgo em português (http://www.spetersburgoemportugues.blogspot.com/) .
Dois blogues criados pelos leitores do Instituto Camões em Moscovo e em São Petersburgo e dos seus alunos que merecem visita e apoio.
Para mim, trata-se de um complemento, de uma continuação do meu blog, pois espero que os autores da "concorrência" aceitem o desafio.

Eleições presidenciais na Ucrânia podem ser adiadas


As eleições do Presidente da Ucrânia poderão ser adiadas de Janeiro para Maio de 2001 se for declarado o estado de emergência no país devido à gripe, considera Igor Popov, vice-chefe do Secretariado da Presidência da Ucrânia.
Esta possibilidade foi expressa num artigo publicado hoje no diário “Ukrainskaia Pravda”.
No fim de Outubro, as autoridades ucranianas reconheceram que o país está a ser atingido por uma epidemia de gripe, tendo imposto quarentena em nove distritos da parte ocidental da Ucrânia.
Segundo as autoridades sanitárias, até hoje foram confirmados 32 casos de gripe A/H1N1, 14 dos quais provocaram a morte dos doentes. Quanto ao número de mortes publicadas por outros tipos de gripe, ele é de 109.
Popov não exclui a posibilidade de anúncio da situação de emergência no país se o Governo de Iúlia Timochenko não conseguir controlar a situação.
“Em caso de situação de emergência durante os próximos dois meses, a nova data das eleições poderá ser 30 de Maio, juntamente com as eleições locais, o que permitirá ao Estado poupar milhões.
As eleições presidenciais estão marcadas para 17 de Janeiro, tendo mais de 30 pessoas apresentado a sua candidatura ao cargo.
O assessor do Presidente Victor Iuschenko considera que a epidemia de gripe está mudar radicalmente a campanha eleitoral.
Iuschenko tem acusado a primeira-ministra Iúlia Timochenko de ser uma das “causadoras” da epidemia da gripe, por ter organizado uma concentração de massas em Kiev, capital do país, e por não tomar medidas para prevenir a epidemia.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Crimes descobertos e por descobrir


Um leitor russo anónimo apontou-me o dedo por não ter reagido tão operativamente quanto necessário à notícia de que as autoridades policiais russas detiveram os alegados assassinos do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastassia Baburina.

Não me vou justificar, pois, nos últimos tempos, por motivos profissionais, não tenho dado a devida atenção ao blog, pelo que peço desculpa aos meus leitores.

Segundo as autoridades policiais, o advogado e a jornalista foram assassinados, a 29 de Janeiro de 2009, por pessoas ligadas a "grupos nacionalistas".

Gostaria de dizer a este leitor que eu não acusei as autoridades russas de estarem por detrás deste ou de outros assassinatos, mas continuo a defender que têm responsabilidade moral por não esclarecerem até ao fim as autorias dos crimes ou não encontrarem mesmos os autores dos assassinatos.

As autoridades policiais russas também anunciaram que tinham detido os autores do assassinato da jornalista Anna Politkovskaia, mas não conseguiram provar isso em tribunal. Ou seja, além de deter alegados assassinos, é ainda necessário provar que eles realmente cometeram este ou aquele crime.

Se foram detidos os verdadeiros assassinos do advogado e da jornalista, as autoridades policiais estão de parabéns pelo seu trabalho. Mas espero que continuem a investigar os crimes cometidos por grupos fascistas e nazis na Rússia e tomem medidas para acabar com esse tipo de organizações terroristas.

Num país multinacional como a Rússia, a existência de grupos nacionalistas é uma forte ameaça à segurança do Estado e é perigoso fazer de conta de que eles não passam de grupelhos insignificantes.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Governo russo surpreendido com decisão da General Motors de cancelar venda


O Governo russo ficou “surpreendido” com a decisão do grupo General Motors (GM) de cancelar a venda da sua filial europeia Opel ao consórcio Magna/Sberbank, declarou hoje Dmitri Peskov, porta-voz do primeiro-ministro russo.
“A GM passou a gestão da Opel para o consórcio que, de facto, já tinha aprovado a transacção, e o consórcio já decidira os próximos passos a dar. Por isso, surpreende-nos a decisão de cancelar a venda”, explicou.
Dmitri Peskov acrescentou que a Magna/Sberbank planeia realizar consultas com a GM e fazer uma profunda análise jurídica da situação, mas o Governo russo não participará nesses trabalhos.
Ele recordou que o Governo russo apoiou a compra da Opel pelo consórcio canadiano-russo Magna/Sberbank.
“O Governo estava disposto a assumir os riscos para diminuir a carga sobre o Governo alemão e, tendo em conta os planos da Magna/Sberbank, investir no desenvolvimento da indústria automobilística russa”, frisou o porta-voz de Vladimir Putin.
Ao comentar a transição em si, Peskov considerou-a “realista e fundamentada do ponto de vista económico e social”.
“É o resultado de um amplo trabalho levado a cabo pela Magna/Sberbank e pela General Motors. A venda da Opel foi acordada com a GM e com os governos dos países onde a Opel tem empresas”, concluiu Dmitri Peskov.
As autoridades russas desdramatizam a decisão da GM, mas prometem problemas ao avanço da Opel na Rússia.
Uma fonte do Governo russo citada pela agência Ria-Novosti assinalou que a empresa canadiana Magns e o banco russo Sberbank tencionavam investir no alargamento da produção e no aumento das vendas da Opel no mercado russo.
Porém, conhecida a decisão da GM, a fonte governamental “neste caso, não irá receber nada. Há outras grandes empresas automobilísticas a concorrer com a Opel no mercado russo. Por isso, o optimismo exagerado da GM no que respeita ao melhoramento da conjuntura, neste contexto, pode ser infundado”.

Parece-me que os conservadores norte-americanos conseguiram uma vitória, considerando ter assim impedido a cedência de alta tecnologia à Rússia. Se assim foi com a Qimonda e é com a Opel, estas decisões podem agudizar as relações não só entre a Rússia e os Estados Unidos, mas entre estes e alguns países da Europa. O facto de a decisão ter sido tomada quando Angela Merkel, chanceler alemã, se encontra de visita aos EUA, é uma humilhação dupla para a Alemanha.

Uma coisa parece ser certa: a Opel vai ter sérios problemas no mercado russo, bem como a GM em geral. Esta medida foi também uma bofetada para o Kremlin, que considerava o negócio já encerrado.