quinta-feira, maio 23, 2019

Presidente Zelenski não irá ter vida nada fácil

O Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, dissolveu o Parlamento (Rada Suprema) e marcou eleições parlamentares antecipadas para 21 de Julho, mas os deputados não parecem dispostos a dispersar.
Não obstante Zelenski ter chegado a acordo com os dirigentes dos grupos parlamentares sobre alterações à lei eleitoral, a maioria dos deputados votou contra. O Presidente propunha o fim dos círculos uninomimais (em que são eleitos 50% dos candidatos) e a eleição apenas em círculos proporcionais. Além disso, baixava de 5 para 3% dos votos a barreira para que os partidos pudessem eleger deputados. 
À primeira vista, pode parecer anti-democrático acabar com os círculos uninominais, mas, na Ucrânia, não é assim, pois essa é uma forma dos oligarcas comprarem votos no Parlamento. Além disso, essa prática dificulta a criação de maiorias capazes de formar governo. Como as sondagens dão uma forte vitória ao novo partido do Presidente "Servos do Povo", os opositores de Zelenski tentam dificultar-lhe a vida.
Alguns grupos parlamentares recorreram também para o Tribunal Constitucional para que este se pronuncie sobre a legalidade do decreto presidencial e a Comissão Eleitoral já se queixa de não conseguir organizar eleições atempadamente.
Vladimir Zelenski hesita sobre a realização de um referendo sobre as relações entre a Ucrânia e a Rússia, tentando encontrar o formato que mais lhe convém.
Entretanto, Zelenski vai formando a sua equipa, promete mudanças e reformas. Vamos aguardar. 

sexta-feira, maio 17, 2019

Busca em casa de alto funcionário do Serviço Federal da Russia bate recorde na apreensão de dinheiro vivo



Kirill Tchekalin, coronel do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, que dirigiu a direcção desse serviço que controla o Baco Central e os bancos privados,  foi detido por receber luvas que, feitas as contas, batem o recorde de dinheiro vivo apreendido durante uma busca: cerca de 12 000 000 000 mil milhões (ou biliões) de rublos, ou seja, em contas aproximadas (um euro vale entre 70 e 75 rublos), cerca de 18 000 000 (milhões de euros).  Até agora, a maior apreensão de dinheiro tinha sido feita a um alto oficial do Ministério do Interior: 3 000 000 000 de rublos menos.
As luvas eram recebidas pela "protecção" que o dito coronel prestava a algumas empresas e bancos.
Números impressionantes!!! 
O território de Portugal é cerca de pouco menos de 200 vezes do que a Rússia, mas com isto não quero dizer que os ladrões nacionais roubam pouco. Quero dizer sim que a corrupção corrói cada vez mais as sociedades modernas, sendo uma das principais causas do seu empobrecimento.

P.S. Caros leitores, se encontraram algum erro de cálculo, previnem-me, pois já não sou muito forte em matemática.



Подробнее: https://www.newsru.com/russia/17may2019/cherkalin.html

quarta-feira, maio 01, 2019

Um olhar sobre o impasse na Venezuela


Ainda não será desta 

A conversa telefónica de Pompeo e Lavrov a nada levou. As posições da Rússia e dos Estados Unidos continuam a ser completamente divergentes. Se os últimos querem que a Rússia saia da Venezuela e leve consigo Maduro, Moscovo exige o fim das ingerências internacionais. Por detrás de Putin está a China que, como sempre, faz o seu próprio jogo.

Uma situação muito semelhante àquela que se formou quando a Rússia interveio militarmente na Síria para salvar o regime de Assad. Embora, desta vez, a operação seja feita "nas barbas" dos Estados Unidos, estes já não são o que eram e, por isso, uma intervenção militar é improvável e perigosa. 
No terreno, é evidente que os apoiantes de Gaidó não conseguiram mais uma vez trazer para seu lado as Forças Armadas venezuelanas, mas Maduro parece também não controlar os militares de forma a ordenar-lhes esmagar a oposição.
Esta situação poderia ser a ideal para que os militares venezuelanos façam um "25 de Abril". Tomam o poder, distanciam-se das forças políticas e transformam-se em garante da transição para a democracia na Venezuela, mas as chefias militares parecem estar mergulhadas na corrupção, no tráfico de droga, o que torna difícil este cenário.
Desse modo, o povo venezuelano vai continuar a sofrer por tempo indeterminado, pois a segunda tentativa de Gaidó fracassou: erros de cálculo.
A política da União Europeia neste campo tem sido vergonhosa, pois a diplomacia espanhola não se farta de fazer asneiras e a levar os restantes europeus atrás de si. Os Estados Unidos, no campo da política externa, têm receio dos resultados das suas possíveis acções e Trump já mostrou ser um Presidente que não quer ou não sabe como resolver os graves problemas internacionais.
Do outro lado, a Rússia e a China esfregam as mãos de contentes. A primeira, porque está convencida que os seus interesses estão protegidos e a segunda, porque a Rússia adora fazer a política da "retirada das brasas do fogo". 
Realmente, o mundo deixou de ser o que era e estamos perante uma guerra fria estranha e complexa.

quinta-feira, abril 25, 2019

Para que serve o Direito Internacional?

Prenda de Kim a Putin (Ria.Novosti)

Para que serve o Direito Internacional? Deveria servir para estabelecer as regras de convivência entre os Estados, mas essa função torna-se cada vez mais uma ficção. O "direito da força" é uma realidade, provocando novas guerras e conflitos. 
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou uma lei que permite a concessão de passaporte (cidadania) russo aos habitantes das duas regiões separatistas da Ucrânia: Donetsk e Lugansk. Isto é mais um passo para a anexação desses territórios por parte da Rússia. 
Esta experiência já foi testada na Abkházia e na Ossétia do Sul e o resultado é conhecido: a Geórgia perdeu parte significativa do seu território. 
Depois do encontro com o ditador norte-coreano, Putin declarou que não tenciona provocar Kiev (!) e justificou a sua decisão com o facto de alguns europeus passarem passaportes aos seus concidadãos no estrangeiro (!). Não sei se o Presidente Putin tinha em mente o caso da anexação da Áustria e de parte da Checoslováquia por Hitler nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.
"Que levem a questão da concessão de passaportes para para o Conselho de Segurança da ONU, discutiremos" - terminou Putin, deixando claro que se está nas tintas para esse órgão das Nações Unidas, onde a Rússia tem direito de veto.
Volodimir Zelensky, Presidente eleito da Ucrânia, deu uma resposta à primeira vista humorística, mas, se bem analisada, tem muita razão de ser. Ele propôs a Angela Merkel que conceda passaportes alemães aos cidades de Kalininegrado, enclave russo que foi território alemão até à Segunda Guerra Mundial. 
Continuando esta linha de pensamento, talvez não fosse má ideia o governo finlandês conceder passaporte aos habitantes das regiões da Finlândia ocupadas por Estaline.
Gostaria de ver a reacção de Putin e as justificações que ele daria para condenar essa política.
O dirigente russo levou o seu país para uma via muito perigosa. Uma crise interna na Rússia poderá ter como final a desintegração do país. Veja-se o que aconteceu à URSS.

Quando ao encontro de Vladimir Putin com o ditador norte-coreano Kim Joung-un, terminou como previsto e não fez avançar a solução para a crise em torno do programa nuclear da Coreia do Norte. Putin não vai além de Trump, pois os interesses das partes envolvidas são muito diferentes.
Ninguém conseguirá dar garantias de segurança ao paranóico ditador norte-coreano de que não será fuzilado, esquartejado ou entalado depois de renunciar às armas nucleares. Actualmente, quaisquer garantias têm uma validade muito curta.
Além disso, nem a Rússia, nem a China e nem o Japão, por diferentes razões, estão interessados na reunificação da Coreia, pois isso levará ao aparecimento de uma nova grande potência regional. 

quarta-feira, abril 10, 2019

História: O que une Portugal à Estónia?


Vista de Talin

Texto publicado pela primeira vez a 17 de Setembro de 2006: 

Reza a lenda que foi graças às pressões da católica Berengária que o seu marido decidiu, em 1210, lançar uma cruzada contra os últimos povos pagãos do Báltico Pela primeira vez na sua História, Portugal inaugurou uma representação diplomática em Talin, capital da Estónia, tarefa realizada por uma mulher: a embaixadora Ana Paula Zacarias. Era necessário dar esse passo, pois os dois países fazem parte do mesmo espaço económico e político: a União Europeia. 
Porém, os primeiros contactos entre os dois povos ocorreram na Idade Média e o mar era o principal corredor de ligação entre eles. E, talvez coincidência ou sinal do destino, os primeiros contactos entre portugueses e estónios estão ligados a outra mulher: Berengária de Portugal (1194-1221), filha do Rei D. Sancho I e de Dulce de Barcelona e Aragão. 
A princesa portuguesa casou-se em segundas núpcias com Valdemar II, o rei da Dinamarca cognominado de "Conquistador" e "Vitorioso". Reza a lenda que foi graças às pressões da católica Berengária que o seu marido decidiu, em 1210, lançar uma cruzada contra os últimos povos pagãos do Báltico, entre os quais se encontravam os "eestis", a fim de os converter ao cristianismo. 
Uma outra lenda conta que a 15 de Junho de 1219, durante a batalha de Lyndanisse (local onde actualmente se situa Talin), do céu caiu milagrosamente nas mãos de Valdemar II um pedaço de tecido vermelho com uma cruz branca estampada no meio, que se veio a transformar na bandeira da Dinamarca. Segundo uma das versões existentes, a própria cidade de Talin deve o seu nome a esse Rei: Taani-linna (a cidade dos dinamarqueses). 
Desde os primórdios da nacionalidade portuguesa que existiam contactos directos entre Portugal e a Estónia, principalmente de cariz comercial. Talin, depois de conquistada pelos cruzados teutónicos, transformou-se num dos importantes portos marítimos hanseáticos onde chegavam o sal, as frutas secas e o vinho portugueses, que, em seguida, eram encaminhados para locais tão longínquos como a Rus (Rússia). Em troca, eram exportados para os portos portugueses produtos como peles, cânhamo, linho, madeiras, etc. 
No início do séc. XVIII, ao abrir "a janela para a Europa", o czar russo Pedro I anexa as terras estónias ao seu império, continuando os portos de Talin e Pärnu a manter o seu carácter estratégico. Entre 1721 e 1755, por exemplo, só a Reval (como então se chamava Talin) aportaram 70 navios de várias nacionalidades provenientes de portos portugueses. Por isso, o senhor das Rússias envia um dos seus mais fiéis colaboradores: António Vieira, judeu de origem portuguesa que chegou a ocupar o cargo de chefe da polícia de São Petersburgo, para reconstruir o porto de Talin.
A aldeia de Vääna, a algumas dezenas de quilómetros da capital estónia, viu nascer Otto-Magnus von Stackelberg, barão de origem alemã que desempenhou um papel relevante no estabelecimento das relações diplomáticas entre as cortes de Lisboa e São Petersburgo. Representante diplomático da Rússia em Madrid entre 1767 e 1711, segue com atenção a situação política em Portugal. 
Numa das suas cartas enviadas à imperatriz Catarina II, Stackelberg caracteriza da seguinte forma o Marquês de Pombal: "O seu génio penetra todos os ramos do Estado, ao mesmo tempo que dá ao comércio toda a prosperidade possível no contexto da situação pouco vantajosa que existe no comércio entre Portugal e a Inglaterra... Homem raro que conseguiu abalar parcialmente o jugo que Portugal sofria devido aos tratados com Carlos II de Inglaterra."
É precisamente no reinado da czarina Catarina II que a Rússia passa a ter interesses importantes no Mediterrâneo, vendo-se obrigada a enviar para lá armadas militares. Estas passam a ter em Lisboa um seguro porto de apoio para reabastecimento dos navios russos.
Situada nas costas do mar Báltico, a Estónia é também terra de grandes navegantes. Aí nasceu e faleceu Johann Kruzenstern (1770-1846), que empreendeu a primeira viagem russa de circum-navegação (1803-1806), durante a qual visitou o Brasil e Macau. 
Na Estónia teve igualmente o seu berço o poeta Guilherme Kiukhelberg (1797-1846), homem ligado à cultura portuguesa. Conhecido pela sua participação activa no Movimento Dezembrista na Rússia, que tentou derrubar o czar Nicolau I em 1825, Kiukhelberg, tal como outros dezembristas, foi beber as ideias liberais que nortearam o movimento às revoluções liberais em Espanha e Portugal. Kiukhelberg figura entre os intelectuais russos que sabiam falar português e espanhol, tendo visitado a Península Ibérica. "Agora, nas horas livres, releio os meus livros espanhóis e portugueses e dedico maior atenção, entre outros, a Camões e ao criador de "D. Quixote"" - escreve ele da cidade de Cádis em 1819. 
Em meados do século XIX, Ivan Velho, neto de José Celestino Velho - mercador portuense e primeiro cônsul luso em São Petersburgo que passou a servir os czares russos e recebeu o título de barão -, foi governador da cidade estónia de Narva. Ainda hoje, no centro da urbe, se encontra um edifício conhecido por "Palácio do Velho", onde residiu o neto do negociante portuense. 
O século XX foi talvez um dos mais atribulados da história da Estónia. Por um lado, foi o tempo que viu nascer o primeiro Estado estónio independente, reconhecido pelo Governo da República Portuguesa de facto em 1918 e, "de jure", a 6 de Fevereiro de 1921. Por outro lado, essa independência foi sol de pouca dura devido, entre outros factores, à traição das democracias da Europa Ocidental, que assistiram imóveis à divisão da Europa do Leste entre Hitler e Estaline em 1939. 
Entre as duas guerras mundiais, Portugal manteve relações diplomáticas com a Estónia, mas sem ter qualquer representante seu neste país. Em Lisboa, os interesses estónios eram defendidos por um consulado-geral honorário em Lisboa, na pessoa de M. K. Andersen, bem como por dois vice-cônsules residentes em Ponta Delgada (Açores) e no Porto. 
A Estónia foi, entre 1918 e 1939, um refúgio para todos aqueles que procuravam escapar da ditadura comunista. Entre aqueles a quem os estónios deram guarida está o jornalista e escritor Piotr Piilski (1875-1941), descendente, por linha materna, de António Vieira.
Depois da catástrofe que foi a Segunda Guerra Mundial, a Estónia foi anexada pela União Soviética, acto que o Estado Novo e os governos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 não reconheceram como legítimo. É verdade que, em 1987, uma delegação parlamentar portuguesa visitou a União Soviética e, quando se preparava para embarcar no avião em Moscovo rumo a Talin, as autoridades de Lisboa lembraram-se de que isso significaria o reconhecimento de facto da anexação soviética e suspenderam a viagem. 
Portugal esteve entre os primeiros países que reconheceram o restabelecimento da República da Estónia a 27 de Agosto de 1991, mas está entre os últimos países europeus a abrir uma representação diplomática em Talin. Por seu lado, os estónios foram bem mais céleres e inauguraram a sua embaixada em Lisboa em 1998. 
Gradualmente, as trocas comerciais e os fluxos humanos aumentam, embora não tão rapidamente como ambas as partes pretendem. Mas há sinais positivos. Neste ano, por exemplo, cerca de cinco mil cidadãos da Estónia visitaram Portugal, número significativo para um país que tem apenas um milhão de habitantes. 
Porém, no campo cultural, o intercâmbio poderia ser mais intenso. Os portugueses conhecem apenas o escritor estónio Jaan Kross, autor do romance "O Louco do Czar", enquanto os estónios, por seu turno, têm apenas acesso a algumas obras de Eça de Queirós e Fernando Pessoa. Depois da adesão da Estónia à União Europeia cresce substancialmente o interesse pela língua lusa, a que o Instituto Camões correspondeu com o envio de dois leitores de português para as universidades de Talin e Tartu. 
No campo político, Portugal e Estónia são dois países pequenos no seio da União Europeia, o que os leva a uma cooperação mais estreita, a fim de defender os seus interesses face aos Estados mais poderosos. As autoridades estónias revelam grande interesse pela experiência de Portugal na adesão à União Europeia e ao euro, tentando, assim, evitar os erros cometidos pelos portugueses. 
Para os portugueses poderia ser interessante a experiência estónia no campo da sua reestruturação económica. Quando da desintegração da União Soviética, em 1991, algumas vozes em Moscovo profetizaram a falência económica e social da Estónia independente, mas o facto é que este país foi, entre as antigas repúblicas soviéticas, o que teve mais êxito na transição do "socialismo para o capitalismo", revelando uma taxa de crescimento económico anual invejável: 9,8 por cento. Os estónios apostaram em domínios promissores, como o turismo e as altas tecnologias. A Estónia não deixa, contudo, de enfrentar problemas complicados, como sejam o futuro da sua agricultura no seio da União Europeia ou as dificuldades da integração na sociedade estónia da numerosa comunidade russófona.

terça-feira, março 26, 2019

Delírio sobre a família



(Relato de um pesadelo)

Numa sociedade pequena e fechada como a portuguesa, onde reinam as capelinhas, corporações, etc., é difícil que familiares não se cruzem em empregos ou cargos no Governo ou noutras instituições. A endogamia é uma característica das sociedades pequenas, que visam proteger os seus membros.
Os que defendem que a família é a célula básica da sociedade deveriam estar calados quanto à presença de muitos familiares num governo ou num partido político, pois a família deve estar à frente de tudo. Ou será que não é assim? 
Isto é um sinal de que o Partido Socialista se converteu aos valores mais conservadores.
O mesmo gostaria de poder pensar a direita em relação ao “fenómeno familiar” no Bloco de Esquerda e penso que é para ter esperança nisso, pois esse partido de extrema-esquerda é mais “português” do que “marxista”, doutrina cujos fundadores afirmam que a família não passa de uma invenção da sociedade de classes. 
Karl Marx escrevia: "Sobre quais fundamentos se assenta a família actual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família tradicional é uma instituição burguesa e existe somente na burguesia”, e acrescenta que seria relativamente fácil abolir a família depois da abolição da propriedade da burguesia. 
"A família burguesa será naturalmente eliminada com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital", escreveu um dos mestres da extrema-esquerda.
Por isso, pensarão talvez os dirigentes do BE, enquanto não se consegue derrubar a burguesia e abolir a família, o melhor é proteger esta última.  
Não ficarei espantado se nos outros partidos tradicionais (de esquerda e de direita) a “protecção da família” for semelhante. Um dos sinais de que assim pode ser é o conflito laborar entre o Partido Comunista Português e um dos membros da dinastia comunista dos Casanova.
E se é proibido e feio discriminar pelo sexo, religião, opção política, etc., porque é que a família tem de ser motivo para se discriminar os familiares? Afinal são parentes, não são estranhos nenhuns... 
E também existe outro forte argumento. Se há empresas familiares privadas, porque é que não pode haver públicas? Se estas últimas forem bem geridas, isso apenas contribuirá para o bem comum. Imaginem que o governo fosse uma grande família e nós vivêssemos felizes e contentes. Alguém viria para as ruas protestar ou fazer greve? Por enquanto ainda há protestos e indignação porque a família ainda é pequena, mas, por este andar, a felicidade está ao cruzar da esquina...
Por isso, fixei perplexo, para não dizer indignado, quando o dirigente do PSD veio tentar difamar uma das mais bonitas festas em família: a consoada. Afirma ele: “omal é achar normal que o Governo, e depois tudo o que anda à volta do Governo, ande à volta, também, de laços familiares. Um primo aqui, um irmão e a mulher acolá. Mesmo o Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal”. Não compreendo como é que ousou criticar a ceia de Natal, ofendendo não só as famílias portuguesas, mas também o bacalhau com batatas, as rabanadas à poveira, etc.
E se continuarem os investigadores a cavar e a chegar ao nível das autarquias, receio que não haja salas, nem mesas tão grandes para acolher as ceias de Natal de que Rui Rio fala, ou melhor, as reuniões de câmara, etc. 
Por isso, pode-se concluir que este ataque contra o governo socialista não passa de mais uma vil campanha contra a família tradicional. E o que leva o Bloco de Esquerda a não lutar contra esta instituição obsoleta no seu interior? A resposta foi acima dada por Marx e, nesse partido ainda se conservam pais e filhos, irmãos e irmãs, primos e primas.
E quem não põe a família em primeiro lugar que atire a primeira pedra!
Afinal, nem tudo está perdido, direi eu aos defensores de um dos fundamentos tradicionais da sociedade portuguesa: a FAMÍLIA. Nem sequer o Bloco de Esquerda com todo o seu vanguardismo bolorento. 
E isto diz muito respeito também aos monárquicos, pois sem pais e filhos, ou seja, sem família e boas relações familiares, não há herdeiros da coroa. Por isso, devem elogiar o actual governo

P.S. Esta reflexão foi fruto de um pesadelo, não a levem muito a sério. Qual semelhança com o real é apenas fruto da má disposição do autor. 

domingo, março 24, 2019