Domingo, Novembro 22, 2009

Presidente azeri ameaça iniciar nova guerra por Nagorno-Karabakh

O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, ameaçou recorrer à força para reaver o território de Nagorno-Karabakh caso não chegue a um acordo com o seu homólogo arménio num encontro marcado para Domingo.
“Se esse encontro terminar sem resultados, as nossas esperanças nas conversações esgotar-se-ão e, nesse caso, não nos resta outra via. E nós devemos estar prontos para isso”, declarou Aliev, citado pela agência Interfax.
“Claro que o trabalho feito no campo militar, nos últimos anos, tem o seu objectivo. Gastamos milhares de milhões, compramos novos armamentos, reforçamos as nossas posições na linha de contacto. Fazemos isso porque nunca excluímos essa possibilidade. Temos todo o direito de libertar o território por via militar. As leis internacionais dão-nos esse direito”, acrescentou.
O Presidente azeri assinalou que as conversações sobre Nagorno-Karabakh não deram resultado e, por isso, a cimeira de amanhã, que se irá realizar em Munique, deverá ser decisiva.
O conflito em torno de Nagorno-Karabakh, enclave em território azeri onde a maioria população é arménia, começou em 1998, quando os seus dirigentes declararam a saída da República Socialista Soviética do Azerbaijão e a adesão à Arménia. Essa decisão provocou uma guerra entre essas duas repúblicas da União Soviética.
A 10 de Dezembro de 1991, 99,89 por cento da população de Nagorno-Karabakh votou, num referendo especialmente preparado para o efeito, a favor da separação do Azerbaijão. Esse passo atiçou ainda mais o conflito, que terminou com a derrota das tropas azeris: os arménios de Nagorno-Karabakh passaram não só a controlar esse território, mas conquistaram um corredor que o liga à Arménia.
O conflito entre arménios e azeris, que foi congelado com a assinatura de um armistício em 1994, provocou mais de 15 mil mortos e cerca de um milhão de refugiados.
Este é um dos mais antigos conflitos provocados pela desintegração da URSS. Desde 1992 que o chamado Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, constituído pelos Estados Unidos, Rússia e França, tem tentado conseguir um acordo entre o Azerbaijão e Arménia, mas sem êxito.
Baku insiste na libertação dos territórios ocupados pelos arménios e o regresso dos refugiados, deixando para depois disso a definição do estatuto de Nagorno-Karabakh. A Arménia, pelo seu lado, apoia as pretensões separatistas dos dirigentes dessa região.

Ucrânia festeja dia da liberdade em plena campanha eleitoral


A Ucrânia comemora no Domingo o “Dia da Liberdade” e o 5º aniversário da “revolução laranja”. Em plena campanha eleitoral para as presidenciais, marcadas para 17 de Janeiro, os festejos serão mais um pretexto para ataques políticos entre os candidatos.
No dia 22 de Novembro de 2004, depois da Comissão Eleitoral Central da Ucrânia ter anunciado a vitória do candidato pró-russo, Victor Ianukovitch, nas eleições presidenciais, centenas de milhares de pessoas saíram para as ruas de Kiev e de outras cidades do país contestando os resultados e defendendo a vitória do candidato pró-ocidental, Victor Iuschenko.
A Praça da Independência em Kiev foi o principal centro dos protestos que obrigaram à anulação dos resultados do escrutínio e à realização de uma terceira volta a 26 de Dezembro, que deu a vitória a Victor Iuschenko.
Iuschenko já anunciou que participará na comemoração do “Dia da Liberdade”, durante a qual irá discursar e condecorar conhecidas personalidades .
“Nesse dia, o Presidente da Ucrânia estará no epicentro dos festejos”, anunciou o centro de imprensa da Presidência, acrescentando que “o discurso será seguido de um concerto de conhecidos artistas ucranianos”.
“Este acontecimento é o mais marcante para o povo ucraniano nas últimas décadas... O Dia da Liberdade é o símbolo do amor próprio do povo ucraniano, do seu desejo de afirmar um Estado livre e democrático”, frisou Iuschenko.
Este ano, os festejos da “revolução laranja” coincidem com a campanha eleitoral, onde participam dezoito candidatos na luta pelo cargo de Presidente da Ucrânia. Em 2004, esse número foi de 24.
O facto de Victor Iuschenko não estar entre os favoritos (as sondagens dão-lhe cerca de 03 por cento nas intenções de voto) é visto como uma prova da desilusão dos ucranianos face às expectativas depositadas no líder da “revolução laranja”.
Um dos candidatos, o funcionário alfandegário Vassili Gumeniuk, poderia passar despercebido na longa lista, mas tal não deverá acontecer depois de ter mudado de apelido para “Protivsikh” (Contra Todos, em ucraniano).
Os estudos da opinião pública apontam para a necessidade de realização de uma segunda volta, onde deverão defrontar-se Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões, e Iúlia Timochenko, actual primeira-ministra do país.
A campanha eleitoral tem ficado marcada por uma série de escandalos. Vários deputados do Bloco de Iúlia Timochenko foram acusados de pedofilia pelo Partido das Regiões, enquanto o Presidente Iuschenko acusou a primeira-ministra de “estar na origem da epidemia de gripe” na Ucrânia.
Não obstante todos os desmentidos, Moscovo é um dos participantes activos da corrida eleitoral, não escondendo o seu apoio a Iúlia Timochenko.
“Sentimo-nos confortáveis ao trabalhar com o Governo de Timochenko. Considero que a nossa cooperação tornou mais estáveis e reforçou as relações entre a Rússia e a Ucrânia”, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, depois de um encontro com a sua homóloga ucraniana na sexta-feira.

Sábado, Novembro 21, 2009

Oposição russa exige investigação da actuação da selecção no jogo contra a Eslovénia


Deputados da oposição parlamentar russa exigem a realização de uma investigação séria às causas da derrota da selecção russa de futebol nos jogos de apuramento com a equipa da Eslovénia para o Campeonato do Mundo de 2010.
A selecção russa venceu em casa 2-1, mas perdeu 1-0 na Esovénia.
Anton Beliakov, membro do grupo parlamentar “Rússia Justa” insinuou, numa sessão plenária da Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento russo, que a derrota da selecção russa se pode dever ao interesse dos jogadores em ganhar dinheiro com apostas desportivas.
“Segundo a classificação da FIFA, a nossa selecção encontra-se no sexto lugar, enquanto que a Eslovénia está no 49º. Antes do jogo, partindo dessa classificação, apostou-se muito dinheiro nos jogadores de ambas as equipas e a causa da derrota podia ter sido o interesse em ganhar nas apostas”, declarou Beliakov, citado pela agência Interfax.
O deputado pediu à Duma que intervenha junto da Procuradoria-Geral da Rúsia para que “analise esse aspecto da questão”.
Beliakov sublinhou que as acções de alguns jogadores da selecção russa levaram os adeptos e os especialistas a colocarem “questões sérias”.
Depois de sublinhar que nas apostas desportivas se podem ganhar “dezenas e até centena de milhões de dólares”, o deputado concluiu que “os erros imperdoáveis e o jogo pouco expressivo de alguns dos nossos futebolistas no segundo jogo poderiam não ser obra do acaso”.
O deputado comunista Nikolai Razvorotnev atribuiu a derrota ao mau trabalho realizado pelo Ministério do Desporto e Turismo.
“Aos nossos jogadores faltou patriotismo, amor à Pátria, o que o adversário tinha em excesso”, sublinhou.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, proibiu os ministros do país, durante uma reunião, de falar sobre a derrota da selecção russa frente à Eslovénia.
"Sobre futebol, nem uma palavra", afirmou Putin, que assistiu pela televisão ao jogo realizado na cidade de Maribor (Eslovénia).
No fim da reunião, o vice-primeiro-ministro russo, Victor Zubkov, foi o único a falar com a imprensa sobre a partida.
"A actuação da equipa foi lamentável. Todos ficamos decepcionados ontem, e hoje esse sentimento ainda não passou", disse.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Nova doutrina militar visa defender recursos energéticos, proteger país da NATO e terrorismo


A nova doutrina militar russa visa responder a novos perigos militares como a luta pelos recursos energéticos e outros com o emprego das Forças Armadas, contra o alargamento da NATO, a difusão de armas de extermínio em massa e o terrorismo internacional, declarou Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.
Numa entrevista hoje publicada no diário Rossiskaia Gazeta, Patruchev revelou o novo documento é constituído por um prefácio, onde são definidos os termos utilizados no documento e três capítulos, sublinhando que se trata de um “documento de carácter defensivo”.
Porém, a nova doutrina militar prevê a possibilidade de emprego, por parte da Rússia, de armas nucleares para responder a uma agressão com o emprego de armas convencionais, bem como para desferir ataques preventivos.
Segundo Patruchev, uma das primeiras tarefas do Estado é “a preparação de Forças Armadas móveis, compactas, equipadas com armamentos modernos e capazes de reagir eficazmente às ameaças”.
O documento dedica particular atenção aos “novos desafios geopolíticos”, entre os quais estão a luta pelos recursos energéticos, pretensões territoriais, alargamento da NATO, difusão de armas de destruição massiva e terrorismo internacional.
Esta doutrina militar é a terceira na história contemporânea da Rússia. A primeira, elaborada em 1993, partia do princípio que “os conflitos militares estão excluídos”. A segunda tinha um “carácter defensivo”.
“Mas a vida não parou. O posterior desenvolvimento da situação no mundo mostrou que os conflitos militares são possíveis, nomeadamente de grandes dimensões”, concluiu Patruchev.

Disputas religiosas poderão estar na origem de assassinato de sacerdote ortodoxo


O assasinato a tiro do sacerdote moscovita Daniil Sissoev pode dever-se a motivos religiosos, sendo conhecidas as suas disputas com “defensores do Islão” e seitas, considera o Comité de Investigação da Rússia (CIR).
Cerca das 23 horas (20 horas em Lisboa) de quinta-feira, um homem, de máscara médica no rosto, entrou num templo ortodoxo da capital russa, chamou o pároco e assassinou-o a tiro, tendo ferido também o regente do coro.
“O mais provável é que o crime tenha sido cometido por motivos religiosos, embora, por enquanto, se analisam todas versões posssíveis”, declarou Anatoli Bagmet, chefe do Departamento de Moscovo do CIR.
Daniil Sissoev, de 35 anos de idade, dedicava grande parte do seu tempo à actividade missionária, tendo criado uma escola para preparar “sacerdotes de rua”.
O sacerdote participava activamente em disputas com muçulmanos, tendo publicado um livro em que condenava os casamentos entre cristãos e muçulmanos.
Há quatro anos atrás, o padre recebeu ameaças de morte, alegadamente de “islamitas radicais” que juravam “cortar-lhe a cabeça” e “pôr as tripas à mostra”. O sacerdote viu-se obrigado a pedir protecção ao Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia.
Além das disputas com os muçulmanos, o sacerdote lutava contra seitas religiosas, colaborando com o Centro de Reabilitação das Vítimas dos Cultos Totalitários.
Daniil Sissoev era também um forte adversário da “teoria da evolução””, considerando “o evolucionismo não uma ciência, mas uma ideologia muito suja (para não dizer falsa), incompatível com o cristianismo sob qualquer forma”.
O último livro por ele publicado tem por título “Instrução para os imortais: o que fazer se você morreu”.
“Estou convencido que se trata de um disparo religiosamente motivado. Se assim é, claro que o padre Daniil faz aumentar o número dos mártires russos”, considerou o teólogo ortodoxo Andrei Kuraev.
Damir Guizatulin, vice-chefe da Direcção Espiritual dos Muçulmanos da Parte Europeia da Rússia, aponta o dedo para os “sectários”.
“Esse crime não pode ter sido cometido por uma pessoa crente, independentemente da religião a que pertence. A religião, nomeadamente o Islão, proíbem o assassinato de pessoas”, frisou.
O sacerdote deixou esposa e três filhos.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Rússia dá passo civilizacional importante


O Tribunal Constitucional da Rússia decidiu hoje que “a pena de morte não pode ser empregue até que o Parlamento russo ratifique o Protocolo Nº 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proibe o emprego da pena de morte em tempo de paz2.
Moscovo assinou esse documento, mas ainda não o ratificou.
Segundo o porta-voz do Tribunal Constitucional da Rússia, esta decisão significa o fim da pena de morte no país.
Ao anunciar a decisão, Valeri Zorkin, Presidente do Tribunal Constitucional da Rússia, com sede em São Petersburgo, fundamentou-a com o facto de o país ter assinado “uma série de normas internacionais que proíbem ou recomendam a proibição do emprego da pena de morte”.
O juiz recordou que a Rússia foi aceite como membro do Conselho da Europa precisamente por se ter comprometido a não empregar a pena de morte.
A decisão de banir a pena de morte do Código Penal da Rússia não é pacífica na sociedade russa, o que levou o Parlamento da Rússia a não ter tomado ainda uma posição clara face à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Os críticos da pena de morte chamam a atenção para o facto de a Rússia vir a ser expulsa do Conselho da Europa caso opte por empregar esse tipo de pena.
Os defensores da pena de morte dizem que o país ainda não está pronto para a sua abolição e apontam os exemplos de países como Japão e os Estados Unidos, onde esse tipo de pena continua a existir.
O Tribunal Constitucional pôs fim à discussão e obrigou o Parlamento a ratificar a lei que proíbe a pena de morte.

Rússia aboliu a pena de morte!!!!!!!!!!!!!!!!!

Trata-se de uma grande notícia que deve ser recebida com toda a alegria: o Tribunal Constitucional da Rússia aboliu, de facto, a pena de morte no país.
Reservo para mais tarde pormenores, mas não podia deixar de sublinhar este facto histórico na História da Rússia. O sonho de muitos humanistas russos tornou-se, finalmente, uma realidade.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Polícias russos recorrem ao Youtube para denunciar injustiças e corrupção


É cada vez maior o número de agentes da polícia que recorrem às novas tecnologias, neste caso ao Youtube, para fazerem chegar as suas queixas às mais altas esferas do poder político.
A onda foi desencadeada pelo major da polícia Aleksei Dimovski, quando, no passado dia 07 de Novembro, gravou uma mensagem no Youtube onde acusa os seus superior de exigirem a descoberta de crimes inexistentes e de atirarem inocentes para a prisão. Convencido de que o comando da polícia de Novorrossisk, cidade do Sul da Rússia onde vive o major, não dava ouvidos às suas queixas, pediu uma audição ao primeiro-ministro, Vladimir Putin, através da Internet.
A resposta do comando foi rápida, acusando o major de estar ao serviço de forças estrangeiras, nomeadamente de receber o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional” (USAID).
“O modo, a forma e o tempo escolhidos para publicar o seu vídeo-apelo mostram que Dimovski goza do apoio de terceiras forças”, declarou uma fonte do Ministério do Interior da Rússia à agência Interfax.
O major teve de fugir de Novorrossisk para Moscovo, declarando que estava a receber ameaças, mas estas não travaram a avalanche de mensagens dirigidas por colegas seus às autoridades através da Internet.
No dia 11 de Novembro, um antigo agente da polícia de trânsito de Moscovo recorreu ao Youtube para acusar os seus chefes de o terem despedido por ter aderido ao sindicato independente da polícia.
No dia seguinte, Mikhail Evseev, antigo oficial da polícia judiciária da cidade de Ukhta, foi também ao Youtube para lançar ao Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, uma apelo onde acusa seus chefes de terem acusado sem fundamento duas pessoas de terem incendiado um centro comercial em 2005. Elas cumprem actualmente uma pena de prisão perpétua.
A 13 de Novembro, Tatiana Domratcheva, oficial da polícia da região de Sverdlovsk, nos Urais, acusou os seus chefes de “abuso de poder”, recebendo como resposta a acusação de “difamação”.
“Esta cidadã tenta, deste modo, utilizando a confusão criada pelo major Dimovski, tenta denegrir as acções dos agentes da polícia de Sverdlovsk, mas não conseguirá isso”, comentou Valeri Grolikh, porta-voz da polícia.
Onteontem, foi a vez de Igor Koninguin, antigo colega da major Domratcheva, recorrer ao Youtube não só para apoiar a colega, mas revelar novos dados sobre a corrupção no comando.
Ontem, a “epidemia do Youtube” levou Alexandre Popov, funcionário da Procuradoria Militar da cidade de Sotchi, no sul da Rússia, a solidarizar-se com os colegas perseguidos e a apontar uma das principais causas da corrupção na polícia.
“Gostaria de confirmar as palavras sobre a situação material humilhante e vergonhosa da maioria dos funcionários da polícia. Por isso, eles são obrigados a procurar quaisquer fontes de rendimento, principalmente ilegais. Todos sabem disso e nada é preciso provar”, declarou Popov na sua vídeo-mensagem.
Hoje, registou-se mais um caso. Por este andar, o Youtube pode transformar-se numa dor de cabeça para as autoridades russas. E se este exemplo for copiado noutros lugares?

Blog dos leitores (A morte de Sergei Magnitsky e o niilismo legal)


O leitor António Campos enviou-nos o texto que abaixo publicamos:


De acordo com o Wall Street Journal, Sergei Magnitsky um advogado que trabalhava para a empresa Hermitage Capital Management, acaba de morrer numa prisão de Moscovo, após as autoridades lhe terem recusado tratamento médico adequado. De acordo com a publicação, Irina Dudukina, porta-voz da unidade de investigação do Ministério do Interior, afirmou que Magnitski faleceu de “falha cardíaca”, tendo adiantado que não existiam registos de problemas de saúde e que o mesmo, numa audiência na semana passada, não teria feito qualquer referência ao assunto. No entanto, documentos apresentados pelo seu advogado e antigos colegas, demonstram que Magnitsky apresentou numerosos pedidos e queixas relativas a falta de tratamento médico, incluindo na audiência referida, tendo todos sido rejeitados.

Sergei Magnitsky foi preso há cerca de um ano, acusado de evasão fiscal num caso envolvendo a Hermitage Capital Management. Como é do conhecimento geral, esta gestora de fundos está envolvida numa batalha legal contra as autoridades russas, após ter acusado uma série de altos funcionários de envolvimento num esquema criminoso de apropriação dos activos da empresa, seguido de um pedido fraudulento de reembolso fiscal, que foi prontamente aceite pelas autoridades.

As autoridades russas fizeram a assombrosa afirmação de que a complexa fraude fiscal, envolvendo o roubo centenas de milhões de dólares ao tesouro russo, terá sido perpetrada por um antigo trabalhador de uma serração.

Segundo o jornal, Magnitsky foi detido em Novembro de 2008 após ter prestado testemunho sobre as referidas fraudes. Foi-lhe negada fiança com base na alegação de que o mesmo tinha pedido um visto para a Grã-Bretanha. Tal foi posteriormente refutado pelas autoridades consulares britânicas.

O jornal adianta que Jamison Firestone, sócio da Firestone Duncan, antiga consultora jurídica da Hermitage Capital, afirmou : “Prenderam-no durante 11 meses, exigindo-lhe que fabricasse falsos testemunhos contra a Hermitage. Quanto mais ele recusava, mais as condições pioravam”.

Em declarações submetidas ao tribunal, Magnitsky alegou que lhe tinha sido recusado tratamento de problemas no estômago e no pâncreas, diagnosticados na prisão onde anteriormente esteve detido. Nestas declarações, Magnitsky protesta contra as condições da prisão de Butyrskaya, afirmando que uma das celas onde esteve encarcerado não tinha sequer vidros nas janelas. Funcionários da prisão recusaram-se a comentar as alegações. Na semana passada, ocorreu uma audiência num corredor da prisão, onde os investigadores apresentaram a Magnitsky documentos para ler, no contexto de uma moção destinada a alargar o seu período de pré-detenção. Nessa “audiência” no corredor, Magnitsky permaneceu algemado a um radiador. O juiz recusou-lhe tempo adicional para estudar os materiais que lhe foram apresentados.

Os médicos prisionais afirmaram ao advogado de Magnitsky que a causa da morte foi “choque tóxico e necrose pancreática”. Está planeada uma investigação sobre a ocorrência.

Esta trágica notícia escreve volumes acerca do combate presidencial ao niilismo legal, constituindo mais uma evidência sinistra de que a retórica da administração muito dificilmente passará a factos concretos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Contributo para História de Portugal (parte 2)

"Durante esta parte da conversa, sentiam-se as fortes simpatias de Salazar para com a Inglaterra. Salazar afirma que, por enquanto, não há quaisquer atritos entre a Alemanha e Itália, por um lado, e a França, por outro. A Inglaterra e França, segundo Salazar, tentam fazer com que ambas as partes combatentes sintam a “fome de armas”, esperando desse modo obrigá-los a reconciliar-se. Franco aceitaria o controlo internacional, visto que para ele seria importante, antes de tudo, fechar a fronteira franco-espanhola, que lhe provoca a maior das preocupações; porém esse controlo pode mostrar-se perigoso para ele caso a situação se prolongue.
Depois, passámos às nossas relações com a Alemanha. Eu expliquei a Salazar as fontes do pacto de não-agressão e assinalei que ele influiu na tranquilização da atmosfera, por exemplo, na questão do chamado “corredor”, que era constantemente apresentado como o principal perigo de conflito armado na Europa. Eu sublinhei que o nosso acordo com a Alemanha não prejudica em nada a nossa união militar com França. Da parte da nossa conversa dedicada à Alemanha, era evidente que Salazar, até ao presente, estava unilateralmente informado pelos alemães no sentido de que o “corridor”dividide o Estado alemão em duas partes que não têm possibilidade de manter livremente ligações uma com a outra. Ele nada sabia sobre as facilidades aduaneiras e sobre as convenções que praticamente dão aos alemãos possibilidades ilimitadas de comunicação, não excluindo o transporte de tropas.
Depois passámos ao tema de França. Segundo Salazar, a França irá pagar caro pelo seu “flirt” com a União Soviética. Ele afirma que as reformas sociais podem ser realizadas a um preço mais baixo e o pior é que os círculos comunistas não perderam a oportunidade de utilizar o momento para convencer as massas de que elas devem os melhoramentes subjectivos da sua situação (porque, objectivamente, não) não ao governo francês, mas à influência da URSS na França. Salazar constatou que Paris constitui o centro da Comintern, que realiza o seu trabalho na Europa Ocidental, e o foco de epidemia e de acção subversiva, realizada a partir de Paris noutros Estados. Ele sublinhou que a propaganda comunista toma dimensões cada mais ameaçadoras nas colónias, particularmente na África do Norte. Aí, é verdade, é difícil distinguir a actividade provocadora dos órgãos de segurança e da administração, mas a situação, além disso, é bastante séria, visto que uma manobra policialmuito bem pensada dá, por vezes, resultados inesperados. Os franceses esperam que as suas massas sejam pouco permeáveis à propaganda comunista, porque são fundamentalmente constituídas por pequenos proprietários. O primeiro-ministro exprimiu a opinião de que essa convicção pode ser falsa, quando os instintos se tornam desenfreados e quando os contrastes dsempenham um papel fundamental. Além disso, ele é da opinião que se em França ocorrerem acontecimentos apenas análogos aos que vemos em Espanha, a Alemanha irá reagir activamente a isso sob a forma de envio de tropas para França, motivando as suas acções com o receio perante o alastramento da epidemia comunista.
Para concluir, Salazar, por iniciativa própria, repetiu-me que ele recorrerá com agrado à ajuda da Polónia, enquanto Estado que pretende à conservação da paz e da ordem em todo o mundo, na luta contra os agentes da Cominyern no território de Portugal.
Ele caracterizou resumidamente a situação política no seu Estado e, vendo uma certa analogia entre a Polónia e Portugal, constatou com um sorriso que, com base na experiência e no estudo, nós, não obstante a distância que nos separa e outras condições locais, chegamos a conclusões e métodos semelhantes de direcção do Estado. Trata-se de que a ditadura em Portugal é caracterizada como a luta contra o comunismo, a exclusão dos partidos políticos como um momento da vida estatal e o desejo de evitar os métodos empregues nos Estados com um regime “total”, onde tudo se submete ao Estado, não excluindo a ética.
Como se pode ver das questões abordadas, a nossa conversa, do ponto de vista político, foi muito interessante e espero que me dê possibilidade de realizar posteriormente com Salazar conversas de trabalho”.
Fim

Blog dos leitores

Caro José Milhazes,
Sou um artista visual a desenvolver um novo projecto artístico acercado fenómeno dos "dacha" em Murmansk Oblast. O trabalho está a serdesenvolvido em cooperação com cientistas sociais que trabalham nestaregião. Vamos ter uma primeira exposição já no dia 11 de Dezembro noespaço Carpe Diem - Arte e pesquisa em Lisboa. Gostávamos muito quepudesse visitar o web site do projecto e se possível que o divulgasseno seu blogue "Da Russia". http://dacha.webnode.com/
Um abraço,João Serra

União Europeia continua à deriva na política energética


Ontem, sem esperar pela realização da cimeira UE-Rússia, que se realiza a 18 de Novembro em Estocolmo, o ministro da Economia da Rússia, Serguei Chmatko, e o Comissário para a Energia da União Europeia, Andris Piebalgs, assinaram, em Moscovo, um memorando sobre um mecanismo de pré-alerta no domínio energético.
Este documento prevê acções comuns a tomar em caso de interrupções dos fornecimentos de recursos energéticos russos à Europa, provocadas, entre outras causas, pelos países de trânsito. Além disso, ele define conceitos como “situação de emergência” e “mecanismo de pré-alerta”.
À primeira vista, trata-se de um documento de extrema importância tendo em conta os problemas que têm surgido no fornecimento de gás russo à Europa desde 2000.
Porém, é surpreendente o facto deste memorando ter sido assinado entre a Rússia e a União Europeia, sem que os países de trânsito tenham participado na elaboração e assinatura deste documento.
Isto é tanto mais estranho se tivermos em conta que nunca existiram problemas entre a Rússia e a União Europeia, mas sim entre a Rússia e a Ucrânia.
Ora, se a Ucrânia, tal como aconteceu o ano passado, deixar de fornecer gás à Europa, alegando que o não recebia da Rússia, o que poderão fazer Bruxelas e Moscovo?
Moscovo poderá repetir a experiência do ano passado e fechar a torneira, acusando Kiev de não cumprir os seus compromissos. E o que poderá fazer Bruxelas? Exercer pressão sobre a Ucrânia em plena campanha eleitoral para as presidenciais, que se realizam a 17 de Janeiro, para que regularize as contas com o país vizinho ou pagar as dívidas ucranianas?
Alguns analistas defendem que , este ano, os dirigentes ucranianos não ousarão provocar uma crise nos fornecimentos do gás, porque tanto o Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, como a primeira-ministra, Iúlia Timochenko participam na corrida eleitoral e quebras de fornecimento de gás podem custar votos.
Mas, por outro lado, os participantes na corrida eleitoral, que deverão ser mais de vinte, poderão utilizar métodos tais de luta política para desacreditar os adversários, que tudo é possível. Alguns deputados do Bloco de Iúlia Timochenko foram acusados de pedofilia; o Presidente já acusou a primeira-ministra de provocar a gripe A H1N1. Até Janeiro, tudo é possível, basta recordar as presidenciais de 2004 com envenamentos, assassinatos, fraudes, etc.
O problema do fornecimento do gás russo à Europa mostra uma vez mais a incapacidade de a União Europeia ter uma política energética sensata e coordenada.
Apenas mais um exemplo, quando a Rússia lançou o projecto de construção do gasoduto “North Stream”, que deverá transportar combustível azul russo para a Alemanha através do Mar Báltico, países como a Estónia, Finlândia e Suécia levantaram sérias reservas à passagem do pipeline pelas suas águas territoriais, alegando preocupações ecológicas.
Os governantes suecos prometeram “consultar cada peixe do Báltico” antes de aceitarem a proposta russa, mas acabaram por ceder depois de a Rússia aceitar suspender os trabalhos durante “a desova do bacalhau”. Pelo menos, os portugueses podem ficar descansados quanto ao futuro do “fiel amigo”.
A Finlândia recebeu mais um ano de facilidades alfandegárias na importação de troncos de madeira da Rússia, que Vladimir Putin admitiu prolongar por mais um ano.
A Estónia não cedeu e ficou fora do negócio.
Ter uma política energética comum não significa isolar a Rússia, mas faz aumentar o peso da União Europeia no diálogo bilateral. Por enquanto, cada um dos membros da UE puxa “a brasa para a sua sardinha”.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Rússia adia entrada em funcionamento de central nuclear no Irão

Serguei Chmatko, ministro da Energia da Rússia, anunciou que a central nuclear de Busher, no Irão, não irá entrar em funcionamento até ao fim do ano, sublinhando que tal se deve a razões tecnológicas.
“Esperamos resultados sérios até ao fim do ano, mas a central não entrará em funcionamento”, anunciou hoje o ministro russo, frisando que “a Rússia continua a cumprir os seus compromissos perante o Irão”.
Segundo Chmatko, os prazos de construção da central nuclear de Busher são determinados pelas condições tecnológicas e a entrada em funcionamento deve ser ligada à garantia de segurança.
“Os iranianos vêem como a construção avança e não nos fazem perguntas”, sublinhou o ministro.
Em finais de Outubro foi anunciado que a central de Busher poderia entrar em funcionamento até ao fim do ano corrente. A agência iraniana IRNA, citando Ali Akbar Salehi, vice-presidente do Irão, noticiou que 96 por cento da central estava pronta e de que os testes de funcionamento iriam começar nos próximos tempos.
A central nuclear de Busher começou a ser construída em 1975 por empresas alemãs, que suspenderam os trabalhos devido às sanções impostas ao Irão pelos Estados Unidos depois da sua embaixada em Teerão ter sido tomada por manifestantes iranianos.
A empresa russa Atomstroieksport retomou os trabalhos e a central deveria entrar em funcionamento a 08 de Julho de 1999, mas a inauguração foi várias vezes adiada.
Em Janeiro passado, a Rússia anunciou ter fornecido o combustível para a central, o que, normalmente, é feito meio anos antes da entrada em funcionamento. No início de Outubro informou-se que estavam perto do fim os últimos testes.
Analistas russos consideram que estes adiamentos têm origem política, são provocados pelo facto de as autoridades iranianas não pretenderem colaborar com a comunidade internacional no que respeita ao seu programa nuclear.
No encontro do Presidente russo, Dmitri Medvedev, com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, realizado em Singapura, o primeiro sublinhou que Moscovo e Washington não estavam satisfeitos com os ritmos das conversações com Teerão.
As autoridades iranianas responderam com a ameaça de criarem o seu próprio sistema de defesa anti-aéreo se a Rússia não fornecer ao Irão os mísseis S-300, que já deviam ter sido entregues há meio ano.
P.S. Afinal a paciência da Rússia também tem limites e Teerão parece não dar conta disso.