domingo, novembro 26, 2017

Recordar 25de Novembro de 1975


Há forças políticas que tudo fazem para que os portugueses se esqueçam do 25 de Novembro de 1975, porque pretendiam impor uma ditadura comunista em Portugal e foram travados por militares e políticos responsáveis. Mas não nos devemos esquecer que os ideais do 25 de Abril morreriam se a extrema-esquerda tomasse o poder.
Por isso deixo aqui um fragmento do livro: "Brejnev, Cunhal e 25 de Abril", por mim publicado em 2013 na D. Quixote:
"Ainda antes da viagem de Francisco Costa Gomes à URSS, o CC do PCUS enviou a Lisboa, em setembro de 1975, Vadim Zagladin, um alto funcionário da Secção Internacional desse partido, a fim de aconselhar Álvaro Cunhal a não radicalizar a situação, ou seja, a renunciar à tomada do poder através da «revolução socialista».
Anatoli Tchernaiev [quadro responsável do PCUS], assinala, no seu diário, a 11 de setembro de 1975: «Estou a trabalhar há uma semana. Leio muito sobre a social-democracia e sobre Portugal. Zagladin foi enviado para esse país com uma missão especial, enviou três telegramas. A sua tarefa (directivas do CC) consistia em “sugerir” a Cunhal “não esquerdizar”, parar, talvez mesmo recuar, para reunir forças. A política para chegar ao poder através dos militares falhou. Pelos vistos, faltou à táctica leninista alguns elementos substanciais».
Esta visita foi confirmada mais tarde pelo próprio Vadim Zagladin, funcionário da secção Internacional do CC do PCUS, quando o entrevistei para o jornal Público: «Em 1975, havia muitos indícios de que nalguns círculos, nomeadamente militares pró-comunistas, amadurecia a ideia de uma segunda revolução, mas, segundo a nossa embaixada e os nossos analistas, não havia condições para esse desenvolvimento. Nesse período, nós e os nossos camaradas comunistas portugueses não tínhamos ideias muito correctas sobre os socialistas. Considerávamo-los como uma espécie de papão. Mas tínhamos a noção de que, se a segunda revolução começasse, ninguém sabia como as coisas iriam terminar. Não se tratava de saber se a União Soviética apoiaria ou não. Tratava-se da democracia portuguesa e receávamos que, se essa tentativa se concretizasse, as forças do passado pudessem de novo regressar.
Em Portugal, encontrei-me não só com comunistas mas com socialistas, sindicalistas, militares, porque a minha tarefa era estudar a situação. As instruções que tinha da direcção soviética, no caso de se levantar a hipótese da segunda revolução, eram de defesa da ideia do desenvolvimento democrático assente na cooperação com todas as forças de esquerda. Foi o que fiz.» O funcionário da Secção Internacional do CC do PCUS relata um caso curioso que demonstra que, nalguns sectores da esquerda, a intenção era repetir a revolução comunista soviética: «Em Lisboa, tive um encontro informal com um militar, cujo nome não recordo, que me pôs uma questão que, confesso, me deixou assustado: “Poderemos fazer a segunda revolução se a esquadra soviética do Mediterrâneo bloquear o litoral português?” […] sei que não era um militar de alta patente, mas compreendi que estava ligado à direcção do MFA, e penso que a iniciativa não partiu dele. Respondi-lhe: “Imagina o que isso significa?” Em Lisboa havia uma base da NATO, no Tejo estavam ancorados navios de guerra ocidentais. “Quer que combatamos contra eles? Depois de um confronto desses nada restará da vossa revolução».
É igualmente importante assinalar a forma como, segundo o funcionário soviético, a direcção do PCP reagiu às posições soviéticas: «Tive conversas pormenorizadas com Álvaro Cunhal e outros camaradas, que me ouviram com muita atenção. Cunhal fez-me muitas perguntas, a fim de precisar a nossa posição. É sabido que não aconteceu nada […]. sei mesmo que, no fim da minha estadia, houve uma reunião e que, depois, durante um jantar, Cunhal ou [Octávio] Pato – já não me recordo exactamente – disse-me: “Transmita a Moscovo as suas observações e opiniões. Pensamos que a posição do vosso CC é muito ponderada e continuaremos a estudar o assunto».

terça-feira, outubro 24, 2017

"É muito bom ir às fontes russas"



Dois livros que pretendem contribuir para a melhor compreensão das relações entre a Rússia e o mundo. O primeiro é um curto ensaio onde se aborda as etapas mais importantes dessas relações, numa linguagem simples e acessível.
O segundo pretende dar ao leitor ferramentas originais, mais profundas, mas numa linguagem também acessível, à maioria dos leitores, para que eles mesmos tirem conclusões. Reunimos textos de 32 pensadores russos, traduzimo-los do original, enquadramos o...s textos nas épocas em que foram escritos e, por fim, publicamos vários mapas e uma cronologia.
" Acho muito oportuno o aparecimento deste livro… É muito bom ir às fontes russas…", considerou o Embaixador José Cutileiro a propósito da Antologia do Pensamento Geopolítico e Filosófico Russo.
Para grande contentamento do autor, a primeira obra editada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, já vendeu milhares de exemplares e continua a estar presente nas livrarias. Quanto à segunda, estamos (com o João Domingues) à espera da opinião dos leitores sobre este estudo único em língua portuguesa.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Incêndios e diplomas manhosos


A nova vaga de incêndios, com consequências trágicas para os portugueses, continuam a lavrar. Por isso, lembrei-me deste texto meu escrito há algum tempo e que encontrei na gaveta. Será que os diplomas manhosos não são uma das causas dos incêndios?
Os meus pensamentos estão concentrados nas numerosas notícias da comunicação social sobre os diplomas manhosos conseguidos por várias dezenas de dirigentes e funcionários da Protecção Civil. Pelos vistos, foi um fartar vilanagem e, como é tradição na nossa terra, ninguém presta atenção ao fumo até que a casa começa a arder.

No livro "As minhas aventuras no país dos sovietes", eu relato as dificuldades que eu e alguns colegas meus tivemos de superar para ver os nossos diplomas, tirados nos antigos "países socialistas", reconhecidos nas nossas universidades. Mas relembro para os que ainda não leram o livro, nomeadamente os que não o conseguem ler por ter sido escrito por um "traidor" ou por um “novo chico da cuf”.

A minha licenciatura em História da Rússia (cinco anos e a defesa de uma tese) foi reconhecida depois de ter realizado quatro exames sobre História de Portugal na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em cumprimento da legislação em vigor. Embora eu tivesse estudado História de Portugal em disciplinas como a História da Europa e noutras, fiz os exames e recebi como nota final a média das notas obtidas nas provas.

Fiquei muito surpreendido que as notas conseguidas na Faculdade de História da Universidade de Moscovo não tenham sido levadas em conta, mas a lei é para se cumprir. Foi como eu tivesse andado cinco anos a coçar calças nos auditórias dessa conhecida instituição soviética.

Tal como eu, dezenas ou centenas de estudantes em antigos “países socialistas” tiveram de passar por provas que, nalguns casos, demorou um ano e mais, ou viram-se obrigados a tirar outros cursos superiores. Não respondo por todos, mas sei, por exemplo, que os licenciados em Medicina, Farmácia tiveram que se esforçar bastante pois em causa “estava a saúde e a vida das pessoas”. Um forte argumento, sem dúvida…

Mas qual é a função da nossa Protecção Civil? Não é proteger a saúde e a vida das populações? E o que se viu no Verão passado? E que desgraças continuarão a acontecer se à frente desses e de outros serviços vitais se encontrarem pessoas com currículos académicos manhosos?

Veja-se os casos do já ex-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil Portugal ou do também já hoje ex-dirigente da Autoridade Nacional de Protecção Civil. Não são simples bombeiros voluntários (com todo o respeito por estes heróis), mas funcionários de topo. Estes casos são dignos de um país do Terceiro Mundo.

Após a desintegração da URSS, em 1991, o mesmo sistema de “reconhecimento de cursos” atirou para as obras (com isto não quero dizer que não tenha admiração pelos construtores) numerosos emigrantes do Leste da Europa com capacidades intelectuais e preparação universitária que permitiriam, caso tivessem sido aproveitadas, um maior desenvolvimento do nosso país. Mas o corporativismo do mundo académico português revelou-se mais uma vez com todo o seu esplendor.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, remeteu para a Inspecção-Geral de Educação as conclusões da auditoria pedida às licenciaturas na Protecção Civil e espera-se que ela nos revele como são possíveis coisas dessas em Portugal, quem os autores dos “reconhecimentos” das equivalências de dezenas de cadeiras e a troco de quê, como é que institutos académicos se deixam mergulhar nesta podridão?

É também preocupante que este problema tenha afectado, nos últimos anos, governos de diferentes famílias políticas. Um sinal de que o “chico espertismo” continua a vencer a meritocracia e um péssimo exemplo para os nossos jovens, que concluem que não vale a pena ser honesto em Portugal.

Convençam-nos do contrário…



P.S.1)  A título de curiosidade, gostaria de saber se os licenciados em Cambridge, Stanford, Sorbonne, Boston, Sevilha tiveram também de “passar pelo calvário” que passaram os licenciados em Moscovo, Kiev, Kharkov, Praga, etc., etc.?

 2) E quando os médicos cubanos vêm trabalhar para Portugal, alguém faz alguma prova?




quarta-feira, outubro 11, 2017

Caros amigos e leitores, este é convite é para todos vós.


Quinta-feira, 26 de Outubro às 18.30 h na Livraria Leya na Barata
Av. de Roma Nº 11 A - Lisboa
A apresentação estará a cargo do Dr. Guilherme d'Oliveira Martins

domingo, setembro 17, 2017

Antologia necessária em língua portuguesa


Antologia do Pensamento Geopolítico e Filosófico Russo, de José Milhazes e João Domingues. 

Dr. Jaime Gama in: "Prefácio":

“Esta antologia necessária em língua portuguesa tem o mérito de nos ensinar a ver a Rússia com mais nitidez... O que é a perspectiva dos que se enfrentaram com a Rússia num seu projecto de progressivo controle territorial está abundantemente testemunhado. O que é a súmula das posições russas sobre o seu próprio projecto encontra também abundantes elementos de prova, sejam eles de natureza militar, diplomática ou histórica. Alargar essa perspectiva às dimensões culturais, literárias e religiosas, numa antologia de síntese sobre o espírito e a ambição russas é o propósito desta colectânea crítica, e bem ilustrada, a que se abalançaram José Milhazes e João Domingues.”

domingo, setembro 10, 2017

ANTOLOGIA DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO E FILOSÓFICO RUSSO (séc. IX - séc. XXI)


Nós, José Milhazes e João Domingues, vimos comunicar, co enorme alegria e satisfação, que a obra: ANTOLOGIA DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO E FILOSÓFICO RUSSO (séc. IX - séc. XXI) irá chegar às livrarias no próximo mês de Outubro. Para todos os que pretendem compreender a Rússia. Os nossos amigos são os primeiros a saber.