
É muito raro abrir os jornais russos e encontrar uma posição unânime, mas em relação à liquidação física de Chamil Bassaev, comandante da guerrilha separatista tchetchena, a posição generalizada está contida nesta frase do diário Novie Izvestia: "É raro quando tantas pessoas ficam contentes ao mesmo tempo pela morte de alguém."
Este jornal recorda que a morte de Bassaev coincidiu com o dia de luto nacional no país, em memória das vítimas da catástrofe aérea em Irkutsk, "mas, como vemos, para muitos foi um dia de festa", sublinha.
O jornal Krasnaia Zveda (Estrela Vermelha), órgão oficial dos militares russos, não poupa adjectivos: "Foi morto como um chacal cobarde, que não ofereceu resistência digna. Desta vez, nem mesmo os fiéis cães de guarda o salvaram. Finalmente, a fera com aspecto humano, que derramou tanto sangue inocente, recebeu o que merecia: a morte."
O diário Gazeta escreve que foi possível matar Bassaev "depois de lhe vender um camião previamente preparado, carregado de munições prontas a explodir". Versão posta em causa pelo Kommersant, que não exclui a possibilidade de Bassaev ter sido vítima de uma explosão involuntária da carga que transportava.
Parafraseando uma das célebres tiradas de Vladimir Putin, o tablóide Moskovskii Komsomolets escreve: "Limparam-lhe o sebo. Mas não foi na retrete."
"A liquidação do principal terrorista caucasiano constitui uma excelente nova para o Presidente na véspera da Cimeira do G-8", considera o diário Nezavissimaia Gazeta.
"Putin provou ser um Presidente com sorte. Este acontecimento fará parte dos seus principais êxitos", escreve Dmitri Badovski, do Instituto de Sistemas Sociais, no jornal Vedomosti. Este jornal previne, no editorial Cabeça e raízes, que "a liquidação do terrorista "número um" não elimina as principais causas do terrorismo no Cáucaso: o grande número de desempregados e o baixo nível de salários... Se a situação não mudar, os serviços secretos terão de anunciar novos êxitos na luta contra o terrorismo". "Cortaram a cabeça ao terrorismo, mas não liquidaram as raízes", conclui

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