
Putin já poderá legalmente "limpar o sebo aos terroristas até nas retretes" estrangeiras
O Conselho da Federação (Senado) da Rússia aprovou hoje uma lei que permite ao Presidente do país empregar as Forças Armadas e os serviços secretos fora do país na luta contra o terrorismo.
O documento, aprovado por unanimidade pelos senadores, autoriza o Chefe de Estado a utilizar as tropas ou unidades dos serviços secretos fora do território nacional "para combater actividades terroristas dirigidas contra a Federação da Rússia ou seus cidadãos". A Constituição russa determina que só o Conselho da Federação pode autorizar o emprego dessas forças no estrangeiro.
A nova lei, promovida pela maioria pró-Kremlin da Duma Estatal (Câmara baixa), mantém a norma de que o Presidente deve solicitar em cada caso concreto a autorização do Senado, mas permite-lhe não concretizar no seu pedido o lugar, os prazos e o número de forças mobilizadas para esta ou aquela operação.
Sem esperar a aprovação desta lei, Putin ordenou, na semana passada, aos serviços secretos do país "localizar e liquidar" os assassinos de quatro diplomatas russos sequestrados em Belgrado no início de Junho. O assassinato dos diplomatas foi reivindicado por um grupo radical "Conselho da Chura dos Mujahidin do Iraque", vinculado ao ramo iraque da rede terrorista internacional Al Qaeda e que também matou dois soldados norte-americanos.
No ano passado, os serviços secretos russos organizaram um atentado terrorista no Qatar, que vitimou o antigo Presidente da Tchetchénia separatista, Zelimkhan Iandarbiev. A operação foi mal preparada e os agentes russos foram detidos e condenados a pesadas penas de prisão naquele país, mas, mais tarde, o Kremlin conseguiu a sua libertação.
Durante a segunda guerra da Tchetchénia, em 2000, Putin prometeu "limpar o sebo aos terroristas até nas retretes". Se antes, a lei lhe permitia actuar em retretes nacionais, agora, pode alargar o raio de acções a novos alvos no estrangeiro.

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