quinta-feira, julho 13, 2006

São Petersburgo em "estado de sítio"


Autoridades russas desmentem uma vez mais Karl Marx

Amanhã, começa a cimeira do G-8 em São Petersburgo e as autoridades russas tomam todas as medidas para que este acontecimento se transforme num êxito interno e externo do Presidente Putin. A capital setentrional da Rússia foi transformada numa enorme “aldeia de Potiomkin”.
Dirigentes da Inglaterra, Alemanha, Itália, Canadá, Estados Unidos, Japão, Rússia, bem como da União Europeia e da China, analisarão, entre 15 e 17 de Julho, importantes questões internacionais como “segurança energética”, “saúde” e “ensino”, bem como a situação em torno da Coreia do Norte, Irão e Médio Oriente, sob as mais fortes medidas de segurança
Serguei Ivanov, Ministro da Defesa da Rússia, revelou que os céus de Petersburgo serão permanentemente vigiados por 21 caças da Força Aérea russa, enquanto que cerca de cinco mil soldados, bem como um número secreto de polícias, agentes de segurança e mergulhadores tratarão da segurança dos convidados em terra e no mar.
Além disso, as autoridades encerraram o aeroporto Pulkovo, que liga Petersburgo ao mundo, o porto marítimo da cidade e controlam todas as entradas para que os antiglobalistas não consigam estragar a festa.
Durante a cimeira, foi decidido encerrar o maior cemitério da cidade, por ficar situado junto à estrada que liga o aeroporto onde aterrarão os participantes da cimeira ao Palácio de Constantino (na foto), onde terão lugar as reuniões oficiais. As ruas por onde passarão os convidados foram arranjadas, as casas pintadas, os milhares de sem-abrigo e prostitutas “foram convidados” a abandonar a cidade durante a cimeira.
É impossível não recordar, a este propósito, alguns paralelos históricos.
Quando a imperatriz Catarina II (1726-1796) decidiu ir visitar a Crimeia, Gregori Potiomkin, um dos altos funcionários públicos e amante da czarina, decidiu construir “aldeias novas” para impressionar a sua soberana, que não passavam de fachadas de casas edificadas à pressa.
Mas há paralelos mais recentes. Nas vésperas dos Jogos Olímpicos de 1980, realizados em Moscovo, as autoridades comunistas obrigaram a sair da capital soviético os estudantes estrangeiros, obrigando-os a férias prolongadas no seu país ou no Sul da União Soviética, bem como “elementos indesejáveis”, ou seja, as prostitutas.
Nos finais dos anos 80 do século passado, o dramaturgo soviético, Alexandre Galine, escreveu sobre este tema a peça de teatro Estrelas da Manhã, representada em numerosos palcos do mundo. Vale a pena ler essa obra, publicada em Portugal pelas Edições “Cotovia”.
Karl Marx dizia que a história repete-se primeiro como tragédia e logo a seguir como farsa. Desta vez, a história repete-se, mas apenas como farsa.

1 comentário:

CN disse...

pois eu acho um erro afastarem as prostitutas... se bem me lembro delas, as mulheres russas são das mais bonitas do Mundo... embelezam qualquer local onde estejam. as ruas da cidade ficarão menos interessantes.