quinta-feira, outubro 05, 2006

Rússia intensifica sanções à Geórgia



As autoridades russas decidiram ontem encerrar vários restaurantes e dois dos maiores casinos de Moscovo, alegando que pertencem a "grupos criminosos georgianos", deteriorando ainda mais as relações com Tbilissi. Segundo o diário Kommersant, a polícia de Moscovo elaborou uma lista de 40 empresas pertencentes a cidadãos da Geórgia que deverão ser também fechadas.
A Rússia já tinha cortado esta semana todas as comunicações - aéreas, navais, terrestres e até postais - com o país vizinho, como represália pela detenção de quatro oficiais russos acusados de espionagem. Os militares foram entretanto libertados e entregues à OSCE, mas Moscovo não perdoou o que considera uma "provocação" e ignorou os apelos da UE e dos EUA para normalizar os laços com a Geórgia.
Ludmila Alekseevna, activista de defesa dos direitos humanos, acusou a polícia moscovita de ter levado para a esquadra "membros de várias famílias georgianas que vivem na cidade". Foi uma acção directamente dirigida "contra georgianos", frisou.
As sanções russas estão a afectar várias áreas. O Bailado Nacional da Geórgia já anulou espectáculos marcados para o início de Novembro em Moscovo. Também o comando das tropas de Moscovo na Geórgia proibiu o acesso dos alunos georgianos às escolas que funcionam nas suas bases em Tbilissi, Batumi e Akhalkalaki.
"Não tencionamos reagir ao mais pequeno espirro de Saakachvili [o Presidente da Geórgia] e mudar os planos de realização das nossas manobras navais no mar Negro", declarou o ministro russo da Defesa, Serguei Ivanov. No Kremlin, Vladimir Putin acentuou: "Não aconselho ninguém, nem sequer a Geórgia, a falar com o nosso país usando a linguagem da chantagem."
Analistas em Moscovo notam uma contradição na política externa do Kremlin. Putin e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, não se cansam de classificar de "contraproducentes" eventuais sanções internacionais ao Irão e à Coreia do Norte, mas reclamam o direito de punir a Geórgia, país que, tal como a Rússia, integra a Comunidade de Estados Independentes.
Esta política poderá tornar-se num "pau de dois bicos", salientam os analistas. Ao apoiar as regiões separatistas da Geórgia (Ossétia do Sul e Abkházia), Moscovo arrisca-se a ver, no futuro, repúblicas e regiões suas a exigirem também a independência. O movimento separatista na Tchetchénia foi decapitado, mas não extinto e pode alastrar ao Cáucaso russo.

1 comentário:

CN disse...

Putin reage como um Czar. Tal como dizes no final, isto pode tornar-se num problema para a própria Rússia, embora, claro, seja sempre um problema maior para a Geórgia.
Abraços.