segunda-feira, junho 25, 2007

Contributo para História de Portugal


"Estado Novo do Doutor Salazar"

Texto de Nikolai Skirdenko, um dos ideólogos da "Unidade Nacional Russa", grupo de extrema-direita:

"Hoje, a Nação Russa e a Rússia encontram-se numa encruzilhada na sua história. Qualquer pessoa sensata compreende claramente que a derrapagem continuada do país para o precipício das “civilizações” e dos pseudo-valores universais é incompatível com a existência do nosso povo. Muito mais importante é a questão do modelo de sociedade e de Estado que devemos escolher e realizar como base para o desenvolvimento futuro do país. A maioria dos ideólogos patriotas não se decidem a propor nada que vá um pouco além do normal Estado conservador-democrático, onde, segundo eles, todos se devem sentir bem... Na qualidade de ideal para copiar apresenta-se, regra geral, uma variante melhorada ou, pelo contrário, piorada do Império Russo. A experiência da história e o bom senso fazem prever que nesse Estado, dentro de alguns anos, tudo se irá inevitavelmente repetir: dissidentes, revolucionários, nacional-separatistas, reestruturação, etc. Valerá a pena tentar? Antes de empurrar o povo para essa experiência, talvez valha a pena analisar a experiência de outros países que já passaram por fenómenos semelhantes. Portugal da primeira metade do séc. XX pode dar-nos um dos exemplos mais interessantes.

Claro que não se pode absolutizar a experiência alheia. Devemos partir, antes de tudo, do nosso passado histórico, do carácter nacional e das tradições estatais do nosso povo. A Rússia e Portugal são grandezas incomparáveis. As nossas nações nasceram em princípios completamente diferentes. Mas houve muitos momentos análogos no desenvolvimento histórico da Rússia e dos países ibéricos. A luta multisecular permanente contra povos orientais, a colonização camponesa de novos territórios, como um dos factores fundamentais da história, o desejo de formação de grandes potências condicionaram a semelhança dos destinos históricos e de alguns traços nacionais dos nossos povos. Tal como no nosso país, para lá dos Pirenéus foram sempre fortes as tradições da cultura popular, camponesa, o patriarcalismo, a inclinação do povo para o absolutismo no Estado, o que se expressou no poder absoluto do monarca ou do chefe, a consciência religiosa e a Igreja desempenharam sempre um grande papel. A resistência que a parte saudável dos povos espanhol e português ofereceu à pressão das forças anti-nacionais, condicionou a longa e difícil luta entre eles. Tal como na Rússia, essa luta tornou-se o conteúdo fundamental da política nacional nos séc. XIX-XX. Tendo em conta estes factores, a experiência de desenvolvimento destes países é incomparavelmente mais aceitável para nós do que, por exemplo, a experiência da Inglaterra ou Itália.

Além disso, para uma pessoa crente, a ligação dos nossos países é abençoada pelos céus com a aparição da Mãe de Deus na aldeia portuguesa de Fátima em 1917. A revelação onde se fala da importância decisiva da Rússia para os destinos do mundo foi feita precisamente em Portugal (e não na Roménia ortodoxa), o que sublinha a proximidade dos dois países e a semelhança de seus destinos.

Analisemos, de forma breve, o conteúdo fundamental da história portuguesa na Idade Moderna. A partir dos finais do séc. XVIII, o desenvolvimento histórico do país decorreu sob o signo da decomposição artificialmente provocada da cultura nacional. A partir dessa altura, no país começaram a entrar muitas ideias alheias, trazidas de Inglaterra, França e Vaticano. Elas foram recebidas com entusiasmo pelos intelectuais pró-ocidentais, muito semelhantes aos nossos intelectuais nos seus anseios anti-nacionais".

(continuação)

P.S. Chegou ao meu conhecimento que alguns grupos da extrema-direita portuguesa utilizam os textos sobre Salazar por mim traduzidos e aqui publicados para propaganda política. As publicações neste blogue têm um objectivo exclusivamente informativo e não se destinam a fazer propaganda de ideias partidárias. Por isso, agradeço que não voltem a repetir aexperiência. Não me oponho a que os textos deste blogue sejam utilizados para fins educativos e informativos. Mas, se os partidos ou grupos de extrema-direita precisam de textos para publicidade das suas ideias, que os procurem e traduzam. O mesmo diz respeito à extrema-esquerda.



6 comentários:

xatoo disse...

ai os malvados da extrema esquerda andam por aqui?
ou a filosofia do blogue trebunda a anti-comunismo primata?

Hermengarda disse...

Mas pelos vistos a carapuça serviu a alguns...para ficarem tão irritadinhos...
E já agora, quem se referiu extrema esquerda de malvada foi o sr. xatoo

Jose Milhazes disse...

Caro Xatoo, este blog é uma tribuna aberta, onde se respira livremente. Se tiver tempo, explique-nos o que significa "anti-comunismo primata" e se existem outros tipos de anti-comunismo. Se a verdade é anti-comunista, o mal não estará certamente na verdade.

o-salgadordapátria disse...

Obrigado pela partilha destes textos José.
Não te preocupes com quem não percebe onde querias chegar - deixa-os revolverem-se na própria confusão mental.
O texto é incrível e a comparação da história dos dois países é de delirar! Quase todos os países europeus atravessaram as fases descritas. Mas a melhor é quando chega a Fátima! Aterrador!

Martini Bianco disse...

Creio q nao existe parcialismo nenhum, apenas uma verdade que muitos nao querem crer. Agora gostaria de saber mais sobre a mafia russa mais moderna (KGB), espero por um post desses brevemente. Bom trabalho Jose!

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Martini, trata-se apenas de arranjar tempo livre. Mas tentarei responder ao seu pedido