segunda-feira, agosto 20, 2007

Que pensam os russos do 19 de Agosto de 91

Mais de um terço dos russos consideram a tentativa de golpe de estado comunista de 19 de Agosto de 1991 um episódio da luta pelo poder nas mais altas estâncias do Estado e mostram-se convencidos de que nenhuma parte da contenda tinha razão. A 19 de Agosto de 1991, um grupo de dirigentes do Partido Comunista da União Soviética e dos serviços secretos (KGB) deteve o Presidente Soviético, Mikhail Gorbatchov, que se encontrava de férias na Crimeia (actualmente, na Ucrânia), a fim de travar as reformas democráticas no país. Porém, milhares de moscovitas saíram para a rua e, sob a direcção do Presidente russo, Boris Ieltsin, fizeram gorar essa intenção e puseram fim ao regime soviético. Segundo dados de uma sondagem do Centro Analítico Iúri Levada, 48% dos russos consideram os acontecimentos de 19-22 de Agosto de 1991 simplesmente um episódio da luta pelo poder nas mais altas esferas da direcção do Estado, 24% vêem neles um acontecimento com consequências funestas para o país e o povo, 10% acreditam que se tratou da vitória da revolução democrática que pôs fim ao domínio do Partido Comunista e 18% tiveram dificuldade em dar uma resposta clara. À pergunta: “De que lado estavam as suas simpatias então?”, 33% dos russos responderam que não tiveram tempo para compreender o que se passava, 21% apoiaram Boris Ieltsin e os democratas e 20% disseram que, nessa altura, “ainda eram crianças”. Apenas 8% dos respondentes declaram ter apoiado abertamente os golpistas. 18% não quiseram ou não souberam responder. Em conformidade com dados da mesma sondagem, 46% dos russos consideram que, nessa altura, nenhuma das partes do confronto tinha razão, enquanto que 17% dão a razão a Ieltsin e aos democratas e 8% aos golpistas comunistas. 28% dos russos interrogados consideram que, após a derrota do golpe de Agosto de 1991, o país segue “na direcção certa”, enquanto que 37% têm uma opinião contrária e 35% dos respondentes não têm posição definida. Entre os que consideram que a Rússia não avançou na “direcção certa”, 14% defendem que isso se deveu à incompetência e erros de Ieltsin e da sua corte, 8% atribuiem isso à “política míope de Mikhail Gorbatchov e à avareza da nomenclatura soviética que tentava apoderar-se das riquezas da Rússia”, enquanto que 2% culpam os “70 anos de regime comunista” e “intrigas dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente”. A sondagem foi realizada entre 13 e 16 de Agosto corrente e nela participaram 1600 respondentes.

4 comentários:

António disse...

Parece-me que a sondagem reflecte fielmente o actual desencanto dos russos pela política, que consideram ser não mais do que um trampolim para enriquecimentos pessoais. Também na Ucrânia ninguém liga muito ao facto de o parlamento ter sido privatizado...
Para os russos, o contragolpe de Yeltsin acabou por ser, face ao miserável desempenho posterior do presidente, o golpe da misericórdia da democracia. Na Rússia, já poucos acreditam nela, e ninguém liga ao facto de a Duma ser uma palhaçada, preferindo um czar forte, criador de estabilidade e percebido como um baluarte contra a corrupção e o clientelismo, a um sistema democrático realmente funcional. Não supreende então que Putin, que governa muitas vezes de forma que nos arreipa a nós cá deste lado, seja tão popular. E esta, hein?

António Campos

Camarada Choco disse...

Divulgação

Mais um Blog que se tornou um Livro!

Filme da apresentação disponível no YouTube em “Camarada Choco”

www.camaradachoco.blogspot.com

Diogo disse...

Russia, China, Iran Warn U.S. at Summit

By LEILA SARALAYEVA
The Associated Press
Thursday, August 16, 2007; 2:56 PM

BISHKEK, Kyrgyzstan -- The leaders of Russia, China and Iran said Thursday that Central Asia should be left alone to manage its stability and security _ an apparent warning to the United States to avoid interfering in the strategic, resource-rich region.

The veiled warning came at a meeting of the Shanghai Cooperation Organization and on the eve of major war games between Russia and China.


Que pensa o Milhazes disto?

Jose Milhazes disse...

Caro Diogo, tendo em conta a história dos citados países, não acredito que seja uma aliança longa e estável. Apenas uma pergunta: já leu ou ouviu dizer que a China fez alianças com alguém contra alguém? Penso que não têm grande futuro ideias como a da criação do eixo Moscovo-Deli- Pequim ou outros com a participação de Pequim.
Os chineses sempre tiveram uma política muito cuidadosa, extremamente pragmática face a alianças e eixos. A não ser que Pequim passe a comandar as operações. Neste caso, talvez a posição da China possa vir a mudar.