quinta-feira, abril 24, 2008

Festa da Língua Portuguesa em Moscovo

Deviam ser cerca de 70 alunos e professores de língua portuguesa de várias escolas superiores da capital russa que se reuniram no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo para celebrar o dia da língua de Camões. Os estudantes deste instituto e da Universidade Estatal de Moscovo Lomonossov organizaram um espectáculo onde mostraram os seus êxitos e falhas no estudo da língua portuguesa.




Na véspera do 25 de Abril, a festa da língua de Camões começou com a invocação da Revolução dos Cravos e a canção Grandola, Vila Morena, interpretada por um grupo de alunos e alunas do primeiro ano do Instituto de Relações Internacionais.




Depois, em curtos skatches humorísticos, os futuros diplomatas e tradutores, que irão manter as relações diplomáticas, políticas e culturais entre a Rússia e os Países de Língua Portuguesa, satirizaram “As aventuras de um brasileiro em Portugal”, onde abordaram os desentendimentos linguísticos entre portugueses e brasileiros.
Numa discussão de café, alunas de português do Instituto de Relações Internacionais de Moscovo revelam as suas experiências da estadia em Portugal e discutem o boato da “transferência de Quaresma do F.C.do Porto para o Benfica”.



Nem os professores escaparam à sátira, sempre em língua lusa, dos seus próprios alunos. O professor João Mendonça, leitor do Instituto Camões na Rússia, foi um dos alvos do humor cáustico, mas saudável e correcto do ponto de vista linguístico. O aluno russo que o imitou foi fortemente aplaudido devido ao excelente trabalho na cópia de gestos, expressões.




Catarina Mikhalevitch, aluna do 4º ano de Relações Internacionais interpretou a “Banda” de Chico Buarque e “Não há estrelas no céu”, de Rui Veloso, revelando uma boa dicção e pronúncia, tanto na vertente brasileira como na portuguesa.



Um dos pontos altos do programa foi o skatche “Fonseca”, onde dois estudantes do 4º ano de Relações Internacionais contribuíram para a boa disposição da numerosa plateia, não ficando muito atrás do “Gato Fedorento”. Funcionários russos da Embaixada do Brasil em Moscovo também quiseram participar na festa com alegres canções tropicais, animando ainda mais a plateia.


Para terminar, alunos do primeiro ano de Língua Portuguesa da Universidade Estatal de Moscovo interpretaram a canção de Zeca Afonso “Somos filhos da madrugada”.
Porém, houve ainda uma surpresa. Zé Maria Boyoth, poeta e cantor angolano, é 3º secretário da Embaixada de Angola na capital russa e não se recusou a pegar na guitarra e a interpretar algumas das suas canções. Além de alunos e professores de português, na festa estiveram também presentes representantes diplomáticos de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.



Actualmente, mais de duzentos alunos estudam a língua de Camões em vários institutos e universidades de Moscovo e São Petersburgo.

8 comentários:

antonio disse...

Artigo objectivo, interessante, culto… demonstrativo da grande educação/cultura do povo russo, provavelmente, ainda influência do glorioso período soviético.
O resto são cantigas… para entreter o «pobinho».

Fomá_Fomitch disse...

Sem duvida... Nem todas as heranças são pesadas!

Jose Milhazes disse...

Eu não esqueceria de sublinhar o excelente trabalho dos professores russos e dos leitores português e brasileiro. O seu contributo é significativo para o bom nível a que é leccionada a língua portuguesa.

Anónimo disse...

mas que moças giras ...

Jose Milhazes disse...

Caro leitor anónimo, tem toda a razão. Isso é um facto incontestável.

Anónimo disse...

E você, caro Milhazes! Não subistes ao palco para abrilhantar o espetáculo?

Jose Milhazes disse...

Caro, eu estive sentado na primeira fila e há muito que não me ria tanto com os sketchs dos estudantes. Foi um bom momento, tanto mais que nestas ocasiões encontramos sempre velhos amigos.

Mafalda Chambel disse...

Achei super interessante e fiquei feliz por tal evento, que desconhecia totalmente existir em Moscovo.
Fazia algumas buscas na internet pois uma amiga minha russa, que vive em Moscovo, gostaria de saber onde poderia aprender português lá. Se o caro senhor se disponibilizar para enviar-me um e-mail com alguns locais e contactos para que tal pudesse acontecer ficaria eternamente grata.

Os melhores cumprimentos,
M.