terça-feira, novembro 11, 2008

Nem o complexo militar escapa à crise


As empresas do Complexo Militar-Industrial (CMI) da Rússia estão a sentir dificuldades devido à situação criada no mercado financeiro mundial, reconheceu hoje Serguei Ivanov, vice-primeiro ministro do Governo russo.
“Toda uma série de empresas do Complexo de Defesa sentem falta de meios para garantir o fabrico da produção, para a entregar aos clientes. Os problemas financeiros mundiais estão a afectar seriamente o funcionamento de algumas empresas do Complexo”, declarou Ivanov, numa reunião da Comissão de Apoio ao CMI da Rússia.
“A situação criada poderá ser dolorosa para todo este ramo da indústria”, sublinhou.
O Governo russo recomenda os grandes bancos russos a financiarem as empresas que realizam contratos para o Ministério da Defesa da Rússia.
“A explicação das dificuldades que sente o CMI apenas através da crise financeira mundial é uma tentativa de justificar-se e esconder as verdadeiras causas do problema”, considera Leonid Ivachov, general na reserva e vice-presidente da Academia dos Problemas Geopolíticos.
Em declarações à rádio Eco de Moscovo, ele acrescentou que “o problema consiste em que o complexo militar-industrial foi destruído nos últimos 15 anos. Trabalhavam apenas as empresas viradas para a exportação de armamentos”.
“Visto que praticamente não havia encomendas, as empresas simplesmente faliram. Já não podemos fornecer em massa armamentos às nossas Forças Armadas”, sublinhou.
Ivachov assinalou também que a crise no CMI tem uma carácter sistemático: “há falta de engenheiros, de especialistas do nível médio, de tecnologia em geral, de base científico-produtiva”.
Peritos russos consideram que a avaria no submarino Nepa, que provocou 20 mortos e 22 feridos, é mais um sinal dos graves problemas existentes no CMI russo e poderá reflectir-se negativamente no campo das exportações de armamentos.
A imprensa indiana escreveu que a Rússia pretendia alugar o submarino Nepa à Índia por um período de dez anos, mas as antoridades de Moscovo desmentem essa notícia.
“Nós não fornecemos submarinos atómicos”, declarou Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia.
“As autoridades russas tentam conservar a reputação de fornecedor de tecnologia militar de qualidade, não querem reconhecer que tencionavam alugar um submarino que não corresponde aos padrões de segurança”, considera o analista militar Alexandre Pikaev.

32 comentários:

Nuno Bento disse...

Faltam rublos é? Não me admira, pois tb já se ouve dizer que faltam dólares (e euros) para segurar o rublo!!

MSantos disse...

Mais uma tragédia com mortos e feridos. Pelos vistos e infelizmente, a tradição na Armada Russa ainda é o que era.

Efectivamente a indústria militar russa está a carecer de pessoal qualificado, dado se ter perdido muito know-how aquando da queda da União Soviética. Há sectores que praticamente terão de recomeçar do zero.

Um exemplo tem sido a problemática conversão do antigo porta-aviões soviético "Baku" (classe Kiev modificada) no novo "Vikramadita" a ser entregue á marinha indiana.

Além disso esta mesma conversão está a ser feita nos estaleiros de Severomorsk, sem nenhuma tradição na construção/conversão de porta-aviões.

Mas também poderá haver uma jogada para forçar a India a declinar e absorver o navio para a Armada Russa, sem ter de pagar penalidades por incumprimento de contrato.

Gilberto Mucio disse...

A grande verdade é que as autoridades russas, principalmente militares, sempre gostaram(herança cultural do stalinismo) de "arrotar" uma grandeza que nao possuem.

Quando se ve algo a respeito de "renascimento", "resurgimento" de seja lá o que for, em relação a Rússia, principalmente do ponto de vista militar, podem estar certos de que, no mínimo, uns 40% é balela, blefe...

Nesse ponto(e em outros como política externa) eu admiro a política chinesa. Ficam, quietinhos, no canto deles. Se fazendo de bobos.

Pippo disse...

Houve uma enorme contracção desde o final dos anos 80 e sobretudo durante os anos do caos. À Rússia faltam dinheiro e know-how, parte do qual migrou para outras paragens.
Terão de ser feitas grandes políticas de investimento, sobretudo no factor humano.

Pippo disse...

Já agora, o JM não investigou o artigo do NYTimes sobre as conclusões a que a OSCE chegou quanto às responsabilidades georgianas no conflito da Ossétia.
Seria interessante isso ser abordado no blog, penso eu (de que).

Jest nas Wielu disse...

Isso se chama “a nova Rússia se levantar de joelhos”....

Anónimo disse...

fiz um estudo a uns anos sobre o tema, no entanto os dados sobre a ex-URSS devem sempre ser analisados com cautela, os dados mais provaveis sobre o complexo industrial militar russo são;

A recessão servera economica no espaço ex-soviético começou em 199.

A F.russa era cerca de 55% da economia soviética e o PIB russo "encolheu" cerca de 45%(entre 1990e 1998) significa que a russia em 1998 tinha cerca de 30% da capacidade economica da URSS em 1989.

em 1989 a URSS gastava cerca de 15-20% do PIB no sector industrial-militar

em 1998 a russia gastava 2-3% no maximo nesse sector..

concluimos facilemnete que em 1998 o complexo industrial-militar russo estava reduzido a cerca de 3% a 6% da sua capacidade maxima (1988/1989).

é evidente que o complexo militar industrial soviético/russo foi desmantelado significativamente nos anos 90' na russia e destuido completamente nas restantes republicas soviétiicas.

Apesar do progresso actual da economia russa, no máximo o complexo militar/industrial russo está a funcionar a 1/6 do que era..

luis s. porto.

Pippo disse...

Luis, o seu estudo está publicado (na net, por exemplo)? Teria curiosidade em lê-lo, mesmo já estando desactualizado.
Obrigado,

Anónimo disse...

esse estudo foi realizado em 2001-2002 e foi entregue em relatório na faculdade para uma cadeira de politica-economica, se tivesse disponivel entregava-lho com todo o prazer.

um factor muito importante que no meu entender vai tornar muito dificil a recuperação desse sector é que a russia perdeu todo o mercado da europa de leste para a NATO, o que significa que, a russia não pode exportar para países com economias avançadas, o que limita e em muito o potêncial industrial do CIM russo.
A nato é sobretudo um mercado comum de armas fundamental para a economia americana.

este site indica os dados num quadro, com idices muito semelhantes aos que eu indiquei;

http://www.globalsecurity.org/military/world/russia/mo-budget.htm.

nota:É muito complexo o tema e confuso, existem fontes muito variadas com valores incoerentes
mas esta fonte parace-me a mais credivel.

luis s. porto.

Wandard disse...

Luis,

O site realmente possui várias informações confiáveis, principalmente no quesito técnico. Ele sofreu uma reformulação e retirou alguns dados que antes estavam fora da realidade, porém no contexto geral é bom. Só uma coisa interessante, não possui informações dos Estados Unidos.

Pippo disse...

Já fui várias vezes a este site, mas parece que tenho de o explorar um pouco mais... :o)

Obrigado,

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, estou atento ao que se escreve sobre a guerra de Agosto e continuo a defender a realização de uma investigação internacional séria. Ao que sei, há apenas elementos de um lado e de outro que não são conclusivos.

Anónimo disse...

sr. Jose Milhazes por mais estudos/investigações que sejam feitas NUNCA iremos saber o que de facto aconteceu.
O melhor caminho é sermos rasoaveis e tirarmos cada um as próprias conclusões.
O russos foram acusados pelos governos europeus e os EUA de serem os atacantes quando ao mesmo tempo a opinião publica europeia considerou muito grave a afronta que foi feita pela minuscula geórgia á russia, a conclusão deste acontecimento é que os governos europeus já não representam verdadeiramente os europeus e os interesses europeus.

Eu acho inaceitavel que o presidente da georgia venha incitar o ódio contra a russia, o maior, mais forte país europeu e unico verdadeiramente livre, quando a geórgia NÃO é um país europeu, seria bom mentalizarem-se que é na asia e com os asiaticos que devem lidar, a europa não precisa da geórgia para nada.

bruno.

Pippo disse...

Bruno, a Geórgia É um país europeu, ainda que geograficamente localizado na Ásia. Ao convencionar-se acabar a Europa no Cáucaso e no Bósforo, a Geórgia e a Arménia ficaram na Ásia enquanto que a Turquia ficou na Europa...

Anónimo disse...

A turquia não é Europa.

Anónimo disse...

A turquia não é Europa.

Anónimo disse...

A turquia não é Europa.

Anónimo disse...

A turquia não é Europa.

Anónimo disse...

pippo se considerarmos que a georgia é um país europeu não podemos negar que a nova zelandia, austrália, canadá, argentina são tambem países europeus. São países com povoamento, cultura, lingua, costumes, religião europeia. A Austrália nesse snetido é muito mais europeia que a georgia e não faz parte da europa.

A sociedade georgiana é europeia, porem, com muitas caracteristicas não europeias.
Quanto a turquia, apénas uma fração muito reduzida do território turco faz parte da europa e a nivel cultural e religioso e até civilizacional não éum país europeu, é um país oriental.
A questão aqui é muito simples pippo, a europa ao aceitar a entrada dos países de leste ficou mais fraca imagine então o que vai acontecer com esses novos alargamentos.
A europa a 15 era forte porque era um nucleo coeso, deixou de o ser.

abraço.

bruno

Pippo disse...

A EU-ropa a 15 era coesa porque tinha uma certa unidade geográfica e cultural (o "Ocidente"). Poderia ter-se expandido até ao Báltico, Escandinávia e Eslováquia sem problemas pois são países que estão culturalmente ligadas à Europa Ocidental.
No caso da Europa de Leste e Caucasiana (Geórgia e Arménia), é um outro mundo, outra cultura, mas que também têm elementos fundacionais comuns tais como a herança clássic (grega, neste caso)e o Cristianismo, sem muitas influências árabes (ao contrário dos Cristianismos Orientais, tais como o sírio, nestoriano, são tomense, copta). Assim, também a Europa de Leste, Geórgia e Arménia serão Europa.

E não tenha dúvidas de que os países que referiu (Austrália, etc.) pertencem á nossa Civilização. E por isso, de certo modo, também são Europa, não na geografia mas na sua cultura.

Quanto à Turquia, os turcos são porreiríssimos, o país é lindíssimo e a sua História, até ao séc. XI, é a nossa História. Mas depois disso tudo mudou e eu posso dizer com conhecimento de causa que a Turquia NÃO É Europa. Pode ter instituições "europeias", pode estar na NATO, pode ter população branca, ruiva de olhos azuis (tenho um amigo turco que é mesmo assim), mas não é Europa.

Pippo disse...

E já que falamos em marinha russa, a Neustrashimy estreou-se anteontem na sua luta contra a pirataria somali, salvando um navio dinamarquês e a sua tripulação russa de serem capturados.
Ruskii Voyeniflot, Slava! (está mal escrito, eu sei, mas para o que me lembro do russo, está bem bom :o) )

Anónimo disse...

se a arménia entrar ou a geórgia torna-se legitimo que o irão tambem faça parte da união, são indo-europeus, ou até a india.
É uma loucura, a U.E está a diversificar-se de mais, já se fala de desunião europeia.
O tratado de lisboa não foi aprovado e TUDO foi feito para o fazer passar com facilidade, na maioria dos países aonde foi refrendado foi chumbado, a polónia criticou o facto de ter menos votos que a alemanhã!! alegou que foram as perdas da II guerra mundial que fizeram o país perder "peso" demogafico, alguns países de leste criam conflitos contra a russia, criando um conflito de interesses entre a russia e a europa.Na verdade a russia tem execelentes relações com a europa ocidental(tirando o R.Unido) o problema é da relação dos europeus de leste com a russia. A polonia criou uma aliança contra os EUA e tal está a minar o peso europeu internacional , o escudo anti-missil etc etc, tudo problemas relacionados com o alargamento.
(apesar disso sou a favor do alargamento dos 10 estados em 2004, mas já chega!)

seria bom a russia ser um dos estados mas isso é sonhar alto
cumprimentos.

bruno.

Sérgio disse...

Bruno não assuste as pessoas, o Irão, a India, também poderão entrar na UE, os Iranianos são os Persas que desde tempos imemoriais fizeram frente e se opuseram aos Povos Europeus. O único momento em que estiveram ligados com a Civilização Europeia foi aquando da conquista de Alexandre e mesmo nessa altura a sua civilização era bem distinta dos conquistadores Macedonios. A India foi uma colonia Europeia, podemos partilhar muitas coisas, mas não esse sentimento de pertencermos a uma mesma unidade cultural.

Anónimo disse...

erro
queria dizer a polónia criou uma aliança pessoal com os EUA de contra-peso com a russia.

sergio, não quero assustar ninguem, so quero lertar os europeus para as consequências do alargamento das fronteiras da U.E.

bruno

Sérgio disse...

Bruno as fronteiras Europeias nunca irão tão longe. Mas que vai haver mais alargamentos, vai, conte com isso.

Pippo disse...

Bruno, não confuda os indo-europeus com os europeus. Os indo-europeus são povos ligados por uma génese e que, acima de tudo, partilham uma origem linguística comum, mas nada os liga em termos de cultura.
Assim de repente vem-me à ideia um bom livro, disponível na net, do Alain de Benoist sobre o tema dos indo-europeus (ou indo-arianos), mas mujitas vezes, em certos círculos, tende-se a confundir arianos com europeus o que obrigaria a incluir, como disse, os persas e indianos do norte (e já agora, pashtunes, baluches e tadjiques, que também são persas).

Enfim, o que interessa no meio disto tudo não é a origem racial mas sim o presente e a cultura vigente, e neste caso os indianos e persas, com ou sem origem arianas, não são europeus pois não pertencem, nem de longe, ao nosso meio cultural.

Anónimo disse...

Pippo eu acho que se exagera muito nas diferenças entre civilizações.
Um cidadão moderno do irão e um cidadão português têm vidas muito parecidas, não me parece que a nivel cultural(com a exepção da religião) um cidadão do irão seja assim tão diferente de um cidadão ocidental.
Conheci um grupo de jovens Iranianos numas ferias em frança e viviam exactamente como nós os ocidentais.
As diferenças culturais na era da globalização desapareceram, eu acredito que no futuro todos vamos ter habitos parecidos e viver da mesma forma. Ver tv(interactiva), internet, telemovel, casas modernas, cinema, Macdonsalds etc, pelos menos os jovens do mundo já vivem da mesma forma, ambicionam pelo mesmo que é prosperidade.
Sou um jovem e posso garantir que a maioria esta-se a marimbar para o país e a sociedade, só querem viver a vida e mais nada.
As diferenças culturais que o pippo refere tinham sentido entre os nosso avós ocidentais e os iranianos dessa altura, essas diferenças desapareceram.
os iranianos que conheçi nem sequer gostavam de falar de politica, notei porem que têm muito orgulho na hiostória e nação iraniana e têm respeito pelso antepassados, coisa que os ocidentais vergonhosamente não têm.

por isso o que sobra defacto são as diferenças fisicas entre os povos, lingua, religião e pouco mais

bruno

Pippo disse...

Pois, Bruno, mas o "problema" é que as diferenças entre os povos, nomeadamente a sua lingua e religião, constituem o substracto no qual as culturas se baseiam.
Eu também já tive a experiência engraçada de encontrar turcos que em tudo eram iguais a mim, comiam fiambre, bebiam, tinham o meu modo de vida, mas o seu substracto cultural, a sua noção de pertença a um povo, era indibitavelmente turca.
Claro que não há dúvidas que na Europa vivemos sob uma ditadura de pensamento único políticamente correcto, mediante o qual tudo o que cheire a preservação da identidade cultural europeia é imediatamente catalogado de nazi-fascista. O exemplo dado dos iranianos é interessante, mas temos de ter em mente que no resto do Mundo as pessoas, mau grado terem modos de vida relativamente parecidos, vivem em meios onde a cultura, no seu mais íntimo, é diversa. E no fundo, isso é o que conta, pelo menos por enquanto.

Jest nas Wielu disse...

Já que estamos a falar do complexo militar, eis o novo tanque ucraniano, “Oplot”:
http://www.morozov.com.ua/eng/body/t84.php

p.s. quem quiser criticar, peço para dar os melhores exemplos do seu próprio país, tipo, no meu país ... são fabricados ... e estes .... acredito que são muito melhores que o tanque ucraniano. Não vale dizer: é pá, os ursos...

Wandard disse...

Jest,

Este tigre foi muito bem desenvolvido com base no T-80. Excelente carro de combate (MBT) com dimensões mais compactas na altura e comprimento e boa melhoria do sistema de blindagem com uma adequada combinação de placas blindadas e cerâmica

Anónimo disse...

Jest como é que um país como a ucrania que tem um orçamento militar inferior ao da geórgia pode desenvolver tanques de qualidade??
nem mencione isso que parece mal...

bruno.

Pippo disse...

Parece uma boa máquina, baseada no T-80 russ... perdão, soviético.
Já agora, a fábrica onde foi desenvolvida... será que também foi criada pelos russ... perdão, pelos soviéticos? Ah, não deve ter sido, os russos só trouxeram más coisas para a Ucrânia... :o)

Mas no geral parece ser, como disse, uma boa máquina. Parabéns, e boas vendas!