segunda-feira, novembro 10, 2008

Será finalmente desta vez?


O primeiro encontro entre Alexei II, Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia, e Bento XVI, chefe da Igreja Católica, poderá realizar-se no próximo ano, em Baku, capital do Azerbaijão.
O encontro poderá decorrer no âmbito da Cimeira dos Dirigentes das Religiões Mundiais, que deverá realizar-se em Baku, entre 30 de Outubro e 02 de Novembro de 2009.
“Tem lugar a abordagem de questões importantes para que o Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia, Alexei II, e Bento XVI, Papa de Roma, seja um acontecimento epocal”, declarou Alexandre, bispo ortodoxo de Baku e do Cáspio.
Jan Capla, representante da Igreja Católica no Azerbaijão, acrescentou que é preciso um grande trabalho para preparar esse encontro, mas sublinhou que “esperamos que esse encontro se realize em Baku”.
Se este encontro se realizar, será o primeiro encontro, em toda a história do Cristianismo dos dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa e da Igreja Católica Romana.
Não obstante todos os esforços desenvolvidos pelo Papa João Paulo II para visitar a Rússia e se encontrar com Alexei II, a Igreja Ortodoxa Russa nunca aceitou esse encontro, considerando-o impossível antes de os católicos aceitarem várias condições.
Moscovo exige que os católicos não façam “proselitismo”, “missionização”, nem na Rússia, nem nos antigos países da antiga União Soviética, que a Igreja Ortodoxa considera seu “território canónico”.
Além disso, os ortodoxos russos exigem que Roma trave a expansão dos greco-católicos, ou uniatas, na Ucrânia.
Os uniatas são cristãos que seguem o rito ortodoxo, mas obedecem ao Sumo Pontífice de Roma. Proibidos durante a era comunista, começaram a expandir-se fortemente no Ocidente e Centro da Ucrânia e a reaver, por vezes à força, os templos que as autoridades comunistas lhes tinham retirado para entregar à Igreja Orotoxa Russa.


12 comentários:

Diogo disse...
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Afonso Henriques disse...

Eu duvido que esse encontro venha tomar corpo. Em Baku???

Enfim.

"Além disso, os ortodoxos russos exigem que Roma trave a expansão dos greco-católicos, ou uniatas, na Ucrânia."

Caro Milhazes, como têm os uniatas se expandido? Fizeram novas conversões ou existe também um movimento de Polacos, perdão, de Ucrânianos Ocidentais para outras regiões da Ucrânia.

Estou bastante curioso. Gostaria de obter uma resposta, obrigado.

Jose Milhazes disse...

Leitor Afonso Henriques, leia um artigo que publiquei no blog recentemente sobre a situação religiosa na Ucrânia.

Afonso Henriques disse...

Vou então relê-lo, obrigado.

Sérgio disse...

Caros amigos este é o meu novo perfil, para evitar de futuro confusões ao Afonsinho. Abraço.

Afonso Henriques disse...

Sérgio, quão atencioso...
Não era necessário ter-se dado a todo esse trabalho só por causa da minha pessoa (virtual).

Porto? Gostei disso... bela cidade.
Mas eu por acaso sempre pensei que fosse aqui de Lisboa, principalmente do Barreiro ou assim, algures na margem Sul do Tejo, talvez!?

Cumprimentos.

Sérgio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Eu que esse encontro seria interessante, mas também duvido que isso realmente aconteça.
A Igreja Romana não deve acatar as decisões do patriarca; perder o caráter missionário vai contra o que a Igreja sempre fez. O patriarca que envie os seus missionários para cá!

Rodrigo

Pippo disse...

Uma das coisas que me doi na alma é a divisão cretina que existe no seio da Cristandade.
E tudo por causa do "Poder"...

Anónimo disse...

Realmente o Poder é muito ruim para uma cristianismo real; mas se ele existe é porque veio de herança de séculos atras... Mas, no futuro quem sabe...
Rodrigo

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, estou plenamente de acordo consigo... O poder é o diabo...

Aliocha disse...

O poder é uma coisa complicadíssima, como aprofundou Tolstoi nas suas reflexões em "Guerra e Paz".

Em relação ao encontro entre o Papa e o Patriarca, neste momento, penso que é algo bem possível.

Em 2003, durante um ano que passei em Roma numa escola de formação para missionários leigos, tive a oportunidade de assistir à visita do Patriarca Ortodoxo Teoctist, da Roménia. Foi a primeira visita de um patriarca ortodoxo a Roma desde o cisma.

A aproximação entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas é algo que a Igreja Católica tem como grande prioridade, de forma consistente e continuada, pelo menos desde o pontificado de João XXIII e do Concílio Vaticano II.

Penso que a maior causa de lentidão no avanço das relações está relacionado com o facto de ser necessário dialogar com cada uma das igrejas ortodoxas, pois estas têm sensibilidades muito diferentes em relação à relação com Roma. Neste momento a Igreja Ortodoxa Russa é uma das que estão mais distantes da Igreja Católica, por motivos vários.

Nestes cinco anos houve vários desenvolvimentos. Um passo recente e importantíssimo foi a participação do Patriarca de Constantinopla no Sínodo dos Bispos, no passado mês de Outubro. Junto alguns links com notícias recentes relevantes, caso alguém queira aprofundar o assunto.


http://www.zenit.org/article-19903?l=portuguese

http://www.zenit.org/article-20228?l=portuguese

http://www.zenit.org/article-19729?l=portuguese

Em relação ao poder, há duas vertentes diferentes que é importante analisar: por um lado a relação entre a autoridade religiosa e a autoridade civil, por outro lado a questão da autoridade do Papa e da autoridade dos bispos.

No que diz respeito à relação entre a autoridade religiosa e a autoridade civil, o que aconteceu no último milénio (simplificando demasiado, por necessidade de espaço), foi a Igreja Católica caiu na tentação de colocar a autoridade religiosa acima da autoridade temporal, como é vem visível na Idade Média e no Renascimento. Isso causou, entre outras coisas, uma corrupção enorme ao mais alto nível da Igreja e algumas das páginas mais vergonhosas da história da Igreja. A igreja Ortodoxa adoptou o caminho contrário e submeteu-se à autoridade civil. O que também foi um desvio monumental, que teve consequências dramáticas, quer na Turquia, quando a Igreja ficou sob domínio muçulmano, quer na Russia, quando a igreja ficou sob domínio ateu. A separação saudável das autoridades civil e temporal é algo a que tentamos regressar hoje, depois de séculos a aprender "batendo com a cabeça na parede", como é próprio de nós humanos. Nesse contexto é providencial a existência do Vaticano: o Papa não precisa de ser, como em outros tempos uma força política, o líder duma nação com um território a defender, um exército, etc... mas precisa de não estar sujeito a nenhuma autoridade civil, para poder dedicar-se ao seu ministério sem ter preocupações de natureza política. Pensem nas relações entre Alexis II e Putin/Medvedev e percebem o que eu estou a dizer.

Quanto ao segundo aspecto, fica para outro comentário (amanhã), neste momento não tenho tempo.