terça-feira, janeiro 27, 2009

Kirill eleito novo Patriarca Ortodoxo Russo


O metropolita de Smolenski e Kalininegrado, Kirill, foi eleito 16º Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia da Igreja Ortodoxa, tendo recebido 508 votos dos 701 delegados do Concílio Local.
O outro concorrente ao cargo, o metrolopolita de Kalujski e Kolomenski, Kliment, conseguiu 169 votos. 23 votos foram considerados nulos.
A votação foi secreta e, para evitar falsificações, os eleitores utilizaram boletins de votos impressos na Casa da Moeda da Rússia e no escrutínio foram utilizadas urnas cedidas pela Comissão Eleitoral Central do país.
Kirill sucede a Alexis II, que foi eleito Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa em 1990 e dirigiu a maior confissão religiosa do país até à sua morte, no passado dia 05 de Dezembro.
Kirill, cujo nome laico é Vladimir Gundiaev, dirige há cerca de 20 anos a Secção Internacional do Patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), cargo que lhe deu grande visibilidade pública não só na Rússia, mas também no mundo, e foi nomeado Patriarca interino a 06 de Dezembro, por decisão do Santo Sínodo, que o nomeou para esse cargo depois da morte do Patriarca Alexis II.
Ordenado sacerdote em 1969, Kirill foi, no ano seguinte, nomeado primeiro-secretário do metropolita da então cidade de Leningrado - hoje São Petersburgo – e, em 1971, representante do patriarcado de Moscovo no Conselho Mundial de Igrejas.Desde então, Kirill esteve empenhado pessoalmente nas relações exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, e mais especialmente nas relações ecuménicas com outras comunidades ortodoxas e cristãs.Após ter sido bispo de Viborg, foi nomeado, em 1984, arcebispo de Smolensk e, em 1991, de Kaliningrado até chegar a metropolita nesse mesmo ano. Há mais de dez anos é também um dos mais conhecidos clérigos da ortodoxia russa, pela sua participação no programa televisivo semanal "Palavra do Pastor".Devido aos seus contatos com as demais igrejas cristãs, Kirill tem sido alvo de inúmeros ataques por parte da ala mais conservadora e nacionalista da IOR, que chegou até a acusá-lo de abuso de privilégios, concedidos à igreja Ortodoxa nos anos 1990, nomeadamente de importar cigarros sem pagar impostos.
Conotado com os sectores liberais da Igreja Ortodoxa Russa, o novo Patriarca tentou, na sua campanha eleitoral, apresentar-se como um adversário de reformas, fazendo assim uma vénia aos sectores mais conservadores dessa confissão cristã.
No final do ano passado, o metropolita Kirill manifestou a sua “oposição categórica a qualquer reforma” na IOR, ao observar que nenhum dos candidatos ao cargo de Patriarca não tem o “vírus reformista” e que “uma reforma que destrói valores chama-se heresia”.
O novo Patriarca tencionava visitar Portugal entre 08 e 14 de Dezembro do ano passado, mas a morte de Alexis II, seu antecessor à frente da IOR, obrigou-o a mudar de planos.
A agenda de Kirill em Portugal previa a visita às cidades de Porto, Faro e Lisboa, bem como encontros com autoridades portuguesas.

3 comentários:

Andre Zeferino disse...

Caro José Milhazes, com o espectro da "heresia" no ar, é então expectável que o sentimento reformista de Kirill não surta qualquer efeito na agenda de relações entre o Patriarcado Ortodoxo Russo e a Igreja Católica.

Jose Milhazes disse...

Caro André, considero que a aproximação entre as duas igrejas se possa dar na base do conservadorismo, da defesa de princípios tradicionais, na luta contra aborto, casamentos homossexuais, etc.
Vamos ver, pois o novo Patriarca é um homem que tem sabido conviver com todos.

Kaique Barreto' disse...

A Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica desejam profundamente caminhar em unidade mas uma vez, afinal o cristianismo não pode ser dividido como pregam os protestantes.