quarta-feira, janeiro 07, 2009

Será possível saber quem fala verdade na guerra do gás?

A Rússia e a Ucrânia multiplicam as acusações e desmentidos na guerra do gás, mas nenhuma das partes apresenta documentos que possam provar a veracidade das suas palavras. Por isso, se a União Europeia quer realmente normalizar a situação e deixar de ser vítima no jogo político entre Moscovo e Kiev, deve exigir a apresentação da documentação necessária para determinar as verdadeiras origens deste conflito.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ordenou hoje aos dirigentes da Gazprom que apresentem à União Europeia o “contrato sobre o trânsito assinado com a Gazprom” para que Bruxelas receba provas de que é Moscovo e não Kiev que tem razões de queixa.
Segundo esse documento, assinado em finais de 2005 e válido até 2010, a Ucrânia compromete-se a transportar o gás russo pelo seu território contra o pagamento de 1,7 dólares por mil metros cúbicos de gás a cada cem quilómetros.
Porém, o chefe do Governo russo deveria também apresentar o memrorando assinado com o Executivo de Kiev sobre os preços do combustível russo para a Ucrânia. Segundo as autoridades ucranianas, esse documento prevê uma transição gradual dos preços e Moscovo viola-o ao aumentar o custo do seu gás de 179,5 dólares por mil metros cúbicos para 250 dólares ou até mais de 400 dólares. A Naftogaz da Ucrânia, pelo seu lado, afirma-se disposta a apresentar a documentação necessária, mas “só com o consentimento da Gazprom”.
Este jogo vem confirmar uma vez mais que o negócio do gás entre a Rússia e a Ucrânia não é nada transparente, tanto mais quando é sabido que entre as empresas públicas russa Gazprom e ucraniana Naftogaz existe um intermediário, a RusUkrenergo, cujas funções se resumem a ganhar comissões na transferência de dinheiro entre elas.
Andrei Ilarionov, antigo conselheiro económico de Putin, não duvida de que se trata de uma guerra política entre as elites russa e ucraniana.
“Olhem para o exemplo de uma qualquer petrolífera russa: Lukoil, Surguneftegaz, de empresas da indústria transformadora, metalúrgica, não há discussões desse tipop. Isso mostra que não estamos perante um litígio económico, mas perante um problema de carácter político”, declarou Ilarionov numa entrevista à Eco de Moscovo.
Segundo ele, “o facto de na solução desses problemas participarem primeiros-ministros e presidentes sublinha que se trata de um problema político”.
Não constitui segredo para ninguém que o Kremlin não perdoa a Victor Iuschenko, Presidente da Ucrânia, o desejo de se afastar da órbitra russa e aproximar-se da NATO e que está a utilizar a “guerra do gás” para enfraquecer ainda mais as posições do dirigente ucraniano no interior do país, que se encontra à beira da falência económica e financeira.
Porém, num ano em que a Ucrânia terá de eleger novo presidente e, muito provavelmente, novo parlamento, este conflito trouxe uma surpressa desagradável para Moscovo. Perante a ameaça, Victor Iuschenko e a primeira-ministra Iúlia Timochenko esqueceram-se das fortes divergências que os separam e, a 01 de Janeiro, assinaram um comunicado conjunto onde defendem que a Naftogaz deve pagar à Gazprom 201 dólares por mil metros cúbicos.
Não há dúvida de que se trata de uma aliança temporária, originada também pelo facto de Vladimir Litvin, presidente da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia, se ter deslocado a Moscovo em finais de Dezembro para resolver o litígio do gás e ganhar assim alguns pontos na corrida presidencial, mas constitui também um sinal de que a melhor aposta não é a divisão dos ucranianos.
Para não ficar refém da luta entre a Rússia e a Ucrânia e da crise política em Kiev, a União Europeia deverá exigir o máximo de transparência nos negócios do gás, para que se saibam de quem

20 comentários:

Gilberto Mucio disse...

Eu acho que a questão não é "quem fala a verdade", mas sim "quem mente menos".

Essa briga é feia...hehe

Wandard disse...

Com certeza se trata de um jogo de política externa, e claro, a questão da pretensão da Ucrania em fazer parte da Otan, provavelmente seja um dos fatores mais relevantes nesta quebra de braço, porém a Rússia e a Ucrania não são os únicos atores desta novela, são os protagonistas, já que os demais que tiveram participação especial, se retiraram das gravações desde a Guerra da Geórgia, restando à Ucrania ficar com a batata quente nas mãos. Na questão dos acordos internacionais, os países envolvidos e atingidos pela disputa, devem cobrar seus direitos sim, desde que os direitos dos russos e ucranianos também estejam sendo salvaguardados de forma legal.

Anónimo disse...

Creio que a UE foi muito branda com o Kremlin na crise da Geórgia.
E agora tenta esmagar a Ucrânia para a transformar num país subserviente a Moscovo.
Razão tinha W. Bush (e alguns países UE) quando preconizava o ingresso da Geórgia e Ucrânia na NATO, como era vontade destes.
Então a Rússia não pode aceitar a vontade dos seus vizinhos de serem independentes???
Esta agora...

Francisco

Anónimo disse...

Estimado JM:
Encontrei um artigo no JN em Portugal sobre a situação económica Russa que postei no meu blog.
Aqui deixo o link:

http://mentesdespertas.blogspot.com/2008/10/putin-e-potncia-rssia.html

Não consigo assinar como blogger, não sei qual é o problema.

o Sátiro

Clayton disse...

Tó vendo que é melhor pegar um Pipoca! Alias essa Novela dá muito mais audiência que a "novela das 8"!!

O importante é que termine em "final feliz" ,mas acho que isso ainda vai passar no vale-a-pena-ver-de-novo!!

Jest nas Wielu disse...

Uma pequena reflexão sobre a questão do gás e afins...

Ucrânia tem o gás para mais 70 dias

A crise actual do gás, provocada pela política de chantagem e coerção russa, é vista de maneira diferente à partir dos capitais europeias e da Ucrânia. Em quanto a campanha das RP russa, pretende fazer crer que os ucranianos roubam o gás, na Ucrânia as pessoas entendem perfeitamente que o aumento do preço do gás durante o inverno rigoroso de 210 para 450 dólares não é uma “prática normal do negócio”. Enfim, se o nosso vizinho nortenho compra o gás no Turcomenistão aos 400 USD ao metro³, só para que a Ucrânia não o poder comprar por 100 USD / metro³, ninguém pode esperar que a Ucrânia vai gostar desta situação e não vai retaliar como todos os meios possíveis, para defender a sua segurança nacional.

Ucrânia tem o gás para mais 70 dias

O blogger ucraniano Galimsky cita as palavras do director do Holding estatal Naftogaz Ucrânia, Sr. Oleh Dubina, assegurando que no dia 6 de Janeiro, a sua empresa tinha nos armazéns subterrâneos cerca de 16 – 16,5 bilhões de metros³ de gás natural. Desde o ano de 2008, a Ucrânia armazenou cerca de 30,03 bilhões de metros³ de gás natural, destes 17,07 bilhões pertencem ao “Naftogaz”. A empresa levanta cerca de 200 milhões de metros³ de gás por dia.

Além disso, a Ucrânia possui 13 armazéns subterrâneos, com a capacidade activa de armazenamento superior à 31 bilhões de metros³. 12 destes armazéns e o sistema de gasodutos é gerida pela empresa “Ukrtransgaz”, companhia que faz parte do Holding – mãe “Naftogaz Ucrânia”, escreve a agência noticiosa "Interfax - Ucrânia" .

Uma símiles conta aritmética mostra que com este padrão do consumo, mesmo na situação da blocada total, a Ucrânia conseguirá sobreviver nos próximos 70 – 75 dias. O gás se esgotará nos meados do Março – o final da época do aquecimento central na Ucrânia (temperatura média em Kyiv em Março é +0,7°С, em Abril +8,7°С ). Contando com a queda progressiva da produção industrial, este período poderá aumentar em 1,5 vezes. Ao mesmo tempo, o gás extraído na Ucrânia, chega perfeitamente para as necessidades do aquecimento central da população. A Europa Central e Ocidental (amiga preferida da Rússia, a Transnístria já ficou gelada, na vizinha Roménia as temperaturas baixaram até -36°C), vão pedir as contas ao Gazprom.

Prognósticos

1. Todos os separatistas do espaço pós – soviético vão sentir que a Rússia não estará genuinamente preocupada com eles, são uma espécie do balastro que pode ser atirado à qualquer momento.
2. A Europa receberá uma lição: em vez de construir os gasodutos com a Rússia, é urgente repensar a segurança energética do velho continente.
3. O Gazprom poderá entrar na bancarrota, caso a Turcomenistão se recusar vender-lhe o gás à baixo dos 310 USD.
4. A Rússia poderá ter a sua segunda crise económica, já em Abril – Maio de 2009.

Outro blogger ucraniano, None-Smilodon escreve sobre a crise em termos mais duros, mas pragmáticos: “a Europa Ocidental está neste momento colher os frutos da sua política medrosa na questão da Geórgia. As elites ucranianas e russas consideram a UE como o burro de carga, por isso ignoram simplesmente as suas pretensões, não fazendo nenhum esforço para manter as aparências.

Único país que tem a capacidade de resolver as coisas, os EUA, estão no período de transição, por isso UE não conseguirá apanhar nada. Existe alguma justiça, no facto do que a disputa entre o Naftogaz e o Gazprom atingiu primeiramente a Bulgária e Itália. Dois países – amigos da Rússia, com os níveis da corrupção maiores do que os ucranianos.

Não quero dar nenhum conselho ao Oleh Dubina (ex-director de duas fábricas metalúrgicas na Ucrânia nos anos 90, no fim ele ficou vivo e rico, naqueles terríveis anos, a sua profissão era mais perigosa do que o do piloto da caça ou do duplo do cinema), mas apenas quero lembrar, que além do monopólio do fornecedor, existe o monopólio do consumidor. Isso significa que criando um qualquer “Consorcio dos Importadores dos Recursos Energéticos Vitais” e inscrevendo lá toda a Europa, é possível começar ditar as regras a Rússia. Sem esquecer que a Europa Ocidental é estúpida e preguiçosa, eles simplesmente não têm os miolos e tomates para uma acção deste género. Por isso, o gasoduto terá que ser fechado até que a UE concordar com a criação do cartel do consumidor, com a Ucrânia à frente. Todos estes gasodutos novos, do tipo “Northsteam” – só entrarão em funcionamento daqui à 10 anos, enquanto o frio já se sente hoje.

Porque razão a Ucrânia tem que se preocupar com as necessidades daqueles que no caso duma guerra real ucraniano – russa, são capazes no máximo é de mostrar o dedinho desaprovador a Rússia? Egoísmo é uma cena buê da fixe, mas é um jogo que pode ser jogado entre duas partes.

Acredito que todos os dias diminui a quantidade daqueles, que descordam com a renovação do estatuto atómico da Ucrânia...

Quem rouba o que?

O conceituado economista russo, Andrei Illarionov, chama atenção para a questão do trânsito do gás pelo território ucraniano: “uma parte do gás (russo) faz parte do gás tecnológico que é necessário para leva-lo a Europa. Além disso, para a transferência do gás até a Europa, é necessário usar o mesmo gás para pagar o uso do sistema dos gasodutos ucranianos. Em diferentes países, a porcentagem deste gás é diferente. No caso ucraniano, o país usa cerca do 15% do total gás em trânsito. Essa grandeza é menor em relação às quantidades usadas pelo Gazprom para as transferência do gás dos produtores independentes dentro do território russo. Nestes casos os valores chagam à 30 e até 33% do total”.
http://censor.net.ua/go/viewTopic--id--302252

Porque Gazprom fica calado? Pois o gás não é retido apenas na Ucrânia, mas também na Polónia, Eslováquia, Áustria, Roménia, Belarus, Bulgária, Alemanha, França, em todo o lado!

O mesmo Oleh Dubina explica que no acordo entre o Naftogaz e o Gazprom de Outubro do 2008, está mencionado o “gás tecnológico” de 6,4 bilhões de metros³, que será usado pela Ucrânia para “empurrar” o gás russo entre o ponto de recepção e o ponto da saída para a sua exportação.
http://financist.org.ua/news/3377

Anónimo disse...

Meus caros... desculpem a pergunta mas...

... Não é caso para dizer: "Quem não tem dinheiro não tem vícios???"...

... Fartam-se de humilhar a Rússia, extendem a NATO até às suas fronteiras e depois querem o quê???...

... batatinhas quentes?!...

Vão pedir o gás ao sr. Bush!

Anónimo disse...

pois é né...é uma humilhação para a Rússia essas suas "colônias" se libertarem...realmente é uma humilhação tentar não ser explorado mais pela "Mãe Rússia"...que humilhação!!!

Anónimo disse...

The alternative to natural gas piped in through Ukraine is not the over-priced Baltic Sea pipeline, which would just increase dependence on Russia. Europe will only have more energy security if it finds news suppliers -- in Central Asia, in the Caucasus, in Africa and, in the long-term, particularly in Iran

Anónimo disse...

Olá Jest,
Afinal confirmas o que todo o mundo ja sabia; Quanto a criseque falaste, antes que chegue a Russia, a Ucrania nessa altura, terá desaperecido como nação e estado; Como é que podem sobreviver com industrias obsoletas e metade da populaçao a depenar na Europa Ocidenta entre bares de alterne e na construção civil; A Ucrania não reune e nem reunira nos proximos anos para fazer parte do clube europeu; Os Srs juntamente com Albania são os "out-saiders" da Europa

Anónimo disse...

Sei não, hein? Quem fundou a Rússia foi a Ucrânia(Kiev Rus).

osátiro disse...

Jest: excelente análise e factos importantes para conhecermos a guerra do gás.

Como sempre afirmei- a começar pelo meu blog-, os ex-KGBs do Kremlin querem voltar ao imperialismo stalinista.

Mas têm um problema grave: não sabem governar os imensos recursos naturais da Rússia!!!

E concordo plenamente que a resposta da UE na guerra da Geórgia foi vergonhosamente tímida..

Para aqueles que dizem que a expansão da NATO é humilhar a Rússia:
mas humilhar em quê?
Os vizinhos da Rússia não podem escolher os amigos?
A Espanha pode proibir Portugal de pertencer à CPLP???
Era o que faltava!

Jest nas Wielu disse...

Aqui um anónimo comparou meu país com Albânia (caso não sabe, Albânia e Croácia vão entrar na NATO), mas o mais engraçado não é isso, nos comentários russos, eles já chamam os sérvios (que queimam a bandeira russa) de albaneses. Moral: para ser considerado albanês, tens que queimar a bandeira russa, enfim, não está mal!
http://drugoi.livejournal.com/2823093.html

2 osátiro

Sim, consoante a lógica não linear dos adoradores da Rússia, a Ucrânia “traiu” a Rússia pois ... escolheu ser independente. Se for assim, Portugal deveria cortar toda ajuda financeira / militar aos PALOPS pois ex – colónias fazem parte da CPLP, do CEDEAO, etc.

Jest nas Wielu disse...

Quem achar que o conflito é apenas ucraniano – russo e que UE pode ficar fora dele, pfr, ler o artigo do jornal alemão Die Welt “Wladimir Bismarck”:

“Das EU-Europa ist naiv, wenn es behauptet, hier handele es sich um einen Streit zwischen zwei Staaten, an dem man nicht beteiligt sei. Richtig ist vielmehr, dass es in der Gas-Krise vor allem um die EU und ihre Vorstellungen von der Ordnung Europas geht. Der Zusammenhalt, die Stärke, die Unabhängigkeit und Unangreifbarkeit der Union stehen auf dem Spiel”.

http://www.sueddeutsche.de/,tt5m1/politik/103/453791/text/

Jest nas Wielu disse...

Ucrânia e EU assinam o protocolo

Em Bruxelas acabou de ser assinado o protocolo entre a Comissão Européia e a Ucrânia sobre a presença dos observadores europeus nos locais do gasoduto, que asseguram o trânsito do gás através do território ucraniano. Sobre esse acontecimento comunicou o representante do Presidente da Ucrânia em questões internacionais de segurança energética Sr. Bohdan Sokolovsky, que está em Bruxelas.
O protocolo foi assinado para a implementação dos acordos alcançados pelo Presidente Viktor Yushchenko com a liderança da Comissão Européia e os dirigentes da República Checa, país que no dia 1 de Janeiro encabeçou a Presidência da UE.
Bohdan Sokolovskiy também disse que na reunião de hoje com a delegação ucraniana o Presidente da Comissão Européia José Manuel Durão Barroso destacou o papel exclusivamente importante do Presidente da Ucrânia, as suas sugestões construtivas e acções consistentes que Viktor Yushchenko tomou para lidar com a cooperação no domínio do gás entre a Ucrânia, a Rússia e a União Europeia.
Como comunicou Bohdan Sokolovsky, a delegação ucraniana com a base do acordo entre o Presidente da Ucrânia e o Presidente da Rússia, tem proposto também a parte europeia enviar os observadores à Rússia para a sua presença nas instalações russas que fornecem o gás à Ucrânia e, acima de tudo, para as estações de controlo de passagem de gás. A UE manifestou o seu interesse nesta questão e prometeu-lhe um rápido contacto com a Federação Russa.
O representante do Presidente da Ucrânia em questões internacionais de segurança energética também salientou que as conversações ucraniano – russas sobre a questão de gás continuam em Bruxelas. Neste contexto o presidente d Holding Estatal “Naftogaz Ucrânia” Oleh Dubyna relata permanentemente ao Presidente Viktor Yushchenko sobre o andamento das conversações.

08.01.2009 17:46
Serviço de imprensa do Presidente Viktor Yushchenko

Anónimo disse...

On October 25, 2008, 100 delegates to the Congress Of Carpathian Ruthenians declared the formation of the Republic of Carpathian Ruthenia. The Svoboda Party released the following statement: "Zakarpattian separatists led by Moscow Patriarchate priest Sidor are issuing an ultimatum to the Ukrainian authorities today. Tomorrow, armed with Russian passports and money from the Kremlin, they will implement the ‘Georgian scenario’ in Ukraine." The party called on President Viktor Yuschenko and Prime Minister Yulia Tymoshenko to issue a political assessment of the actions in Zakarpattia and Crimea, called on the National Security and Defense Council to draft a plan to restrict separatist actions, and called on the Foreign Affairs Ministry to declare all the citizens that participated in the October 25 congress as persona non grata in Ukraine. The prosecutor’s office of Zakarpattia region has filed a case against priest Dmytro Sidor and Yevhen Zhupan, an Our Ukraine deputy of the Zakarpattia regional council and chairman of the People’s Council of Ruthenians, on charges of encroaching on the territorial integrity and inviolability of Ukraine.

stanislav

Ricardo disse...

Questão é simples â Rússia não é obrigada a sunsidia um gás para a Ucrânia, aunda mais de um governo anti-R[ussia, então que paguem o mesmo que a europa ocidental paga!

Francisco disse...

A guerra do gás; Yushenko baralha e volta a dar, ao impor regras nos acordos já aceites.

Estas intrigas têm implicações mais profundas do que se possa supor, abrangem interesses mais intricados que aqueles que estão à vista. Os jogos são bastante obscuros, envolvendo personagens que aparentemente parecem estar de fora, mas que na verdade são eles mesmos os responsáveis por tudo. E a Europa quer se goste, quer não, na verdade, continua a ser um continente tutelado (salvo poucas excepções) e nos últimos anos essee «protectorados» alargaram-se para leste.
Acusa-se a Rússia de pretensões expansionistas e de representar um perigo para os seus vizinhos (Ucrânia e Geórgia em particular). Isso é muito fácil de desmistificar. E porque razão não o é para os demais vizinhos? A Finlândia por exemplo! Ainda existe um antigo contencioso territorial (Carélia)! No entanto a Finlândia é um grande parceiro comercial da Rússia. O gasoduto que abastece a Alemanha a partir dos campos Russos de Iamal atravessa a Polónia, também não se conhecem problemas.
O cerne da questão está em que existem duas Uniões Europeias, uma Velha que está mais ou menos unida quando se trata de defender os interesses comuns. A outra a Nova que quer usufruir dos benefícios, só que faz o jogo de forças externas, ajudando a complicar as coisas. Quando estão em apuros ao serem os mais prejudicados com a situação que ajudaram a criar vêem pedir à outra (velha) mão dura contra a «prepotência» da Rússia.

Os dirigentes Ucranianos por outro lado, querem jogar em três tabuleiros ao mesmo tempo. Alinham ao lado dos Americanos em detrimento da Europa quando lhes convém (Balcãs, Iraque, Geórgia e adesão à OTAN). Por outro lado quando se trata de obter benefícios económicos correm à Europa a pedir ajuda. Hostilizam a Rússia ostensivamente, para de seguida impor parcerias económicas vantajosas. Há quem costume fazer isso com canhoeiras!
Yushenko acusa Putin de querer colonizar a Ucrânia. Então e Yushenko tem o direito de colonizar a Rússia? Afinal quem deve estabelecer o preço do produto?
Se o preço internacional do gás está estabelecido em 450 dólares m. m3, a Ucrânia nem metade quer pagar. Não é estranho que lhe cortem o abastecimento no contexto das leis de um mercado concorrencial duro. Se além disso os Ucranianos aproveitam a passagem do gás pelo seu território com destino á U.E. para o roubar. É muito fácil saber de que lado está a razão!
O Senhor Dobina presidente da Naftogaz veio dizer que a Ucrânia não seria afectada na medida em que dispunha de reservas para muito tempo, mais uma prova evidente da desonestidade das autoridades Ucranianas como têm estado a lidar com a situação há muito tempo. Portanto os actuais dirigentes Ucranianos somente têm que aceitar as regras do mercado em igualdade com os demais consumidores. Ou pretendem fazer chantagem com a passagem dos gasodutos por o seu território? Mas esse serviço já lhe está a ser pago!
O jogo da guerra do gás tem outros objectivos escondidos e está sendo manobrado por outros protagonistas. Yuschenko é o robot que deve fazer despoletar o engenho . Só que as coisas estão bastante sérias para o seu lado. Primeiro; a situação politica em que a Ucrânia está mergulhada ao lado da dramática crise económica. O país não tem dinheiro nem credito, está profundamente endividado, portanto carece de meios para pagar o gás à Rússia. Num ano de grandes enfrentamentos eleitorais entre os principais lideres políticos, não existe interesse da parte de nenhum deles em piorar a situação económica criando mais descontentamento popular. Por isso nada melhor que arranjar um bode expiatório, os Russos neste caso.
O gás é um pretexto para criar um conflito, em falta deste arranjava-se outro. Repare-se que Yushenko há muito tempo tem vindo a abrir as hostilidades contra a Rússia. Já tentou revogar os acordos sobre a base de Sebastopol. Tem privado a comunidade Russófona de todos os direitos. Proibiu os meios de informação em língua Russa, eliminou o ensino do Russo nas escolas, não permite o direito à dupla nacionalidade. No entanto agrada-lhe que os cidadãos do seu país obtenham dupla nacionalidade nos países onde residem, embora com poucos laços afectivos a esses mesmos países (caso de Portugal).
Com este problema «criado» pela Ucrânia que melhor pretexto têm os EUA e a Inglaterra, na sua investida pelo controle das jazidas de hidrocarbonetos do Cáspio, para lançarem de novo os projectos dos pipelines trans Caucasianos afim de contornarem o território Russo?
A Alemanha pretende um abastecimento de energia sem sobressaltos, por isso tomou as suas próprias iniciativas.
A ENI Italiana em parceria com a Gazprom vão construir o gasoduto Corrente Sul para alimentar a Europa por sudeste, portanto vai entrar em concorrência com o Nabuco (capitais Franceses) que deve abastece a Europa a partir do Irão, mas por falta de financiamento está paralisado. Dentro de poucos anos (2013) o gás Russo entrará em concorrência com a GDF-Suez no mercado da Europa.
As causas da maioria dos conflitos da actualidade, estão na origem da disputa pelo controle das fontes energéticas. É nessa vertente que as coisas devem ser analisadas. Não tentar resumi-las à simples disputa entre uma Ucrânia falida e uma Rússia sonhando recuperar o estatuto de grande potência, que dificilmente jamais voltará a alcançar.
Em 1950 as petrolíferas Americanas controlavam mais de 90% do mercado mundial dos combustíveis hoje têm menos de 20% das cotas do mercado. Portanto a luta está mais renhida que nunca
É preciso não esquecer também que a França para ter o seu abastecimento de energia assegurado, não se importou de apoiar uma tragédia na Argélia que custou mais de 150 000 mortos.
Cin.naroda

Anónimo disse...

esta história da ucrania estar roubando gás é do mesmo livro de lorotas em que o Bush disse que o Iraque estaria construindo armas de destruiçao em massa

Francisco disse...

A Yulia Timoshenko afirmou que a Ucrânia tem reservas de gás para um ano.
Cristo fez o milagre dos pães. Ela fez o milagre do gás?
cin.naroda