quarta-feira, maio 20, 2009

Gulbenkian: Primeiro estrangeiro a trocar obras de arte dos museus soviéticos por dinheiro para a “ditadura do proletariado”


O coleccionandor arménio Calouste Gulbenkian foi o primeiro homem de negócios estrangeiro a adquirir, em quantidades consideráveis, obras de arte dos museus da União Soviética, cujo Governo necessitava de dinheiro para financiar a “ditadura do proletariado” e a “revolução mundial”.
A venda de ouro, prata, pedras preciosas e obras de arte começou quase logo após a revolução comunista de 1917 na Rússia, mas tomou envergadura gigantesca a partir dos anos 20.
Em 1919, foi criada a “Comissão Máximo Gorki”, dirigida pelo conhecido escritor russo e soviético, que tinha como um dos objectivos contactar na Europa clientes interessados em adquirir valores e obras de arte confiscados pelo poder comunista. No início do ano seguinte, o dirigente soviético Vladimir Lénine ordenou a aceleração do processo de venda, sublinhando: “estou de acordo em deixar-lhes (aos museus) apenas o mínimo estritamente necessário”.
É curioso assinalar a explicação dada para justificar a venda para o estrangeiro da riqueza nacional: “O valor de Rembrandt não diminuirá se estiver pendurado algures na Europa, mas semelhante passo permite-nos rapidamente construir o socialismo... Depois da revolução mundial, tudo o que é nosso para nós voltará”.
No Verão de 1928, chegou ao conhecimento do Museu Hermitage de Leninegrado a intenção da “Antikvariad”, entidade pública que monopolizava a venda de obras de arte para o estrangeiro, de obrigar esse museu a preparar para venda um grande número de obras de arte.
“O Sr. Gulbenkian... propôs-se adquirir quadros com o valor de 10 milhões de rublos e apresentou uma lista dos 18 melhores quadros do Hermitage, que valem, segundo os cálculos mais modestos, um mínimo de 25-30 milhões de rublos”, escrevia Serguei Troinitzki, director do Hermitage, ao ministro Anastássio Mikoain.
Entre as obras pretendidas pelo magnata encontravam-se a “Madona Alba” de Rafael, “Judite” de Giorgione e o “Filho Pródigo” de Rembrandt.
O magnata arménio não conseguiu adquirir essas obras mas trouxe outros quadros famosos como “Diana” de Jean Gudon ou “Atenas Pallada” de Rembrandt.
Além disso, Gulbenkian adquiria também obras de arte para vender a outros coleccionadores. Por exemplo, vendeu ao norte-americano George Wildenshtein o quadro “Mezzetin” de Antoine Wateau.
Segundo os documentos dos arquivos russos, Calouste Gulbenkian adquiriu quatro lotes de obras de arte, tendo a última sido o quadro de Rembrandt “Retrato do Velho”.
Não se conhece ainda a razão que levou o mecenas arménio a suspender os contactos com os comunistas soviéticos. Na obra “Os tesouros vendidos da Rússia”, os especialistas russos consideram que “a excessiva poupança do 'senhor cinco por cent'” obrigou-o a ceder o lugar a compradores mais generosos”.
“Se, não obstante as minhas críticas, vocês se decidirem continuar a vender os valores dos vossos museus (eu, insistentemente, aconselho-vos a não fazer isso), em vez de os vender a intermediários, ponham esses objectos em venda aberta no mercado, porque o jogo infantil das escondidas, praticado agora, apenas prejudica”, escrevia Gulbenkian a Gueorgui Piatakov, dirigente soviético, em 1930.
Mas os comunistas não tencionavam publicitar a venda dos valores artísticos da Rússia e continuaram a desbaratá-los às escondidas, mas para outros mercados.

11 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Como futebol também é cultura, ai temos:

FC Shakhtar ganhou a Taça UEFA!

FC Shakhtar ganhou a Taça UEFA da época 2008/2009, vencendo os alemães do Werder de Brema no estádio “Sükrü Saraçoglu” em Istambul.

Na sua caminhada vitoriosa a final da Taça UEFA, Shakhtar venceu o “Olimpique da Marselha”, “Tottenham” britânico e CSKA do Moscovo.

E não deixe de estudar a história da Ucrânia nem que na sua versão curta.
http://www.conflicts.rem33.com/UKRAINE.htm

Gilberto Mucio disse...

Depois de uma guerra mundial, uma revolução, 3 anos de guerra civil sagrenta, comunismo de guerra... o país estava em frangalhos.

Não podemos enxergar tais atos sob o prisma de hoje, mas entender o contexto.

Acho compreensível.

Gilberto Mucio disse...

*quatro anos de guerra civil.

Jose Milhazes disse...

Caro Jest, PARABÉNS!
Caro Gilberto, o episódio com Gulbenkian foi apenas um dos muitos. Além disso, muito do dinheiro não foi empregue no interior do país, mas foi enviado para provocar revoluções na Alemanha, Hungria, etc., etc.
O problema não foi tanto em vender obras de arte, mas em que muitas, principalmente religiosas, foram destruídas, tudo o que tinha metais preciosos era fundido.

Anónimo disse...

esse episódio da venda dos quadros é mais um exemplo da completa falta de sentido de estado e respeito pelo povo que têm os comunistas. Vender obras de arte do povo russo ao desbarato foi um crime contra o povo russo, no entanto os comunas foram coerentes nessa politica de destruição da nação russa, actos como atribuir nomes de cidades a cães comunistas, destruir mosteiros e monumentos porque chocavam contra "ideal comunista" são bem o exemplo disso.

um assassino, ladrão ou violador é estrume, um comunista tambem se pode enquadrar a este nivel.

Francisco disse...

Informações deste tipo nem a ETAR mais eficiente consegue retirar a carga poluente que carrega. É puro veneno!
Seria cómico se não abordasse um tema tão trágico.
Conclusão: Tudo o que foi feito por a URSS é criminoso. Pelo contrario os actos e as acções dos nossos queridos amiguinhos são virtudes.
Nem Goebbels tinha tanta mestria.
Senhores Milhazes, volto a repetir o repto. Publique o que foi encontrado nos arquivos Soviéticos sobre as vitimas de Estaline. Mas dá assim tanto trabalho retirar os zeros que meteram a mais?

Wandard disse...

Sr. Milhazes,

A era soviética certamente tem um incontável número de mazelas e erros irremediáveis desde a revolução de 1917, até a extinção da União Soviética. O que sempre me intrigou é que uma das propagandas que realmente eram verdadeiras e por repetidas vezes alardeadas pelos Estados Unidos eram os expurgos, os gulags, em suma a morte de pessoas sob tortura, trabalhos forçados e a falta de liberdade. Mesmo assim a União Soviética fomentou os grupos revolucionários no Brasil, levou estudantes a pegarem em armas e atraiu jovens como o senhor o era na época, pela ideologia comunista. Nunca consegui entender porque a juventude dos anos 60 e 70 não conseguia enxergar a verdade.

Anónimo disse...

O anónimo das 14.35 deve ser um grande democrata.

Jest nas Wielu disse...

2 Wandard

A juventude dos anos 60 / 70 simplesmente estava decidida a não ver a verdade, sob o pretexto que os americanos são maus. Como tal se recusavam a ver os crimes da URSS, assim como hoje se recusam ver os crimes da Rússia.

Não se trata de não ver, mas de não querer ver, isso é muito mais grave. Procure o livro que recomendei ontem, de Christo Saprjanov, “Fome de Cão”, uma interessante leitura e explica muita coisa sobre a Rússia.

E já que falamos da cultura, queria vós apresentar vários músicos do rock alternativo da Ucrânia:

Artista: Yurcash, composição: Oj
http://www.youtube.com/watch?v=0CHbXwkZ4Es
Artista: Yurcash, composição: Mundial
http://www.youtube.com/watch?v=ZAKdCNBAuHM&NR=1
Artista: Stan, composição: Ostanne
http://www.youtube.com/watch?v=PRynnnpBipw
Artista: Proroki
http://www.youtube.com/watch?v=N2ZcVNEwhrc

Depois mandarei mais...

Wandard disse...

Jest,

Tem como me enviar clips direto para o meu e-mail ou mp3, com qualidade melhor que o youtube. estou sempre em deslocamento e o tempo é complicado para fazer downloads.

Agradecido.

Anónimo disse...

Que quadro é o da foto? Está no museu de Lisboa?