quinta-feira, maio 21, 2009

Representantes europeus "vão sentir a grandeza da Rússia"


A realização da Cimeira Rússia/UE em Khabarovski permitirá aos parceiros europeus “sentir a grandeza da Rùssia”, declarou hoje o presidente russo, Dmitri Medvedev, ao discursar perante estudantes dessa cidade russa do Extremo Oriente.
Medvedev recordou que a última Cimeira Rússia/UE se realizou em Khanti-Manssiisk, no estremo norte do país, e que os participantes no encontro já então sentiram que essa terra ficava muito longe da Europa.
“Por força das circunstâncias, a Grande Europa estende-se do Atlântico até ao Extremo Oriente. E agora eles terão de realizar uma viagem significativa, por nove fusos horários, ou seja, deverão sentir a grandeza da Rússia”, acrescentou.
A Cimeira Rússia/UE começa hoje à noite com um almoço informal, em que participarão, além de Dmitri Medvedev, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, e Vaclav Klaus, Presidente da República Checa, país que preside à UE.
No mesmo encontro, o dirigente russo defendeu a necessidade de continuar a desenvolver projectos estratégicos no campo dos transportes e da energia, não obstante a crise económica
Segundo ele, o êxito do desenvolvimento do Extremo Oriente russo depende das infraestruturas de transporte e energia, acrescentando que é necessário criar novas capacidades de transformação de recursos (petróleo, gás, madeira, metal).
Dmitri Medvedev sublinhou que a Rússia está determinada a realizar conjuntamente com a China projectos conjuntos na esfera energética no território do Extremo Oriente e do Transbaikal.
“É necessário atrair investimentos chineses para a construção de refinarias e petroquímicas, para a extracção de carvão, transporte marítimo e criação de novas capacidades nestas regiões”, declarou.
Instado pelos estudantes a responder à pergunta sobre o que irá fazer quando abandonar o cargo de Presidente da Rússia, Medvedev revelou que pretende voltar a ensinar Direito na universidade, mas não disse quando é que tenciona abandonar o Kremlin.

14 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Deveria fazer o encontro numa das quatro ilhas, que pensam entregar ao Japão, seria um refinado e humor actual russo: país esta na bancarrota, mas é uma bancarrota mais avançada e tecnológica do mundo!!!

Anónimo disse...

A Globalização, tal como foi concebida, passará o ocidente para segundo plano, que será ultrapassado pelos países do extremo oriente: a China e a Índia serão as novas superpotências. Quanto à Russia, tem agora também condições para um renascimento. O Ocidente caiu na armadilha que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente, onde o custo da mão de obra é insignificante para o estabelecimento do preço dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Porque esses bens se destinavam principalmente à exportação para o ocidente; e como o ocidente tem vindo a perder poder de compra, a crise ocidental acaba por tocar também as novas potências orientais. Porém, a crise é aí apenas um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos ao ano e agora deverá ficar-se por 6 ou 7% e isso é muito diferente da recessão ocidental que não tem fim à vista.
Ao aderirem a esta globalização que - nos dizem - seria inevitável (como se o mundo não existisse antes), os países ocidentais prometeram que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como?) e não condicionaram a abertura dos seus mercados ao cumprimento de regras ambientais e à criação de leis laborais justas: melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. Não, o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem condições, criando com isso uma concorrência desleal e “selvagem” da qual sairá a perder. A única alternativa seria a de nivelar os salários e regalias sociais dos ocidentais pelos do oriente. É a esse reajustamento que os ocidentais assistem agora.
O ocidente ditou a sua própria “sentença de morte”: enquanto algumas empresas não resistem e fecham as portas para sempre, outras deslocam-se para o extremo oriente para assegurar aí a sua sobrevivência.
Quanto aos trabalhadores, será que depois de terem atingido um razoável nível económico e social vão aceitar trabalhar 10 ou mais horas por dia a troco de um ou dois quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. A Segurança Social não poderá suportar o esforço nem minimizar os problemas que irão crescer sempre, até porque as receitas serão cada vez mais reduzidas, devido a menores contribuições por parte das empresas pelos incentivos (inúteis) que lhes estão a ser oferecidos e também menores contribuições dos trabalhadores devido a mais desemprego. A época áurea do ocidente é já coisa do passado, que em breve se encherá de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque.
Regressaremos a nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A sociedade passará a ser formada por uns (poucos) muito ricos - alguns por via do crime - que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão à rua rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada, de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida quando em grupos, pois as ruas serão cada vez mais dominadas por marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir
Os dois maiores partidos portugueses (PS e PSD) estão amplamente comprometidos com este tipo de políticas neo-liberais e os Governos deles saídos trocaram sectores essenciais da economia portuguesa por alguns milhões de euros (que já se gastaram) e pelo megaprojecto da Autoeuropa, cuja deslocalização já se coloca como hipótese.


Zé da Burra o Alentejano

PortugueseMan disse...

A UE e Rússia precisam de se entenderem. Mas são muitos países com diferentes orientações, vai ser muito difícil.

É curioso o encontro ser às portas da China, para ter bem presente as alternativas que o Kremlin está a implementar para escoar a energia.

Não vejo aqui nada que possa sair acerca da Ucrânia a não ser que a UE participe com mais dinheiro para subsidiar o gás ucraniano.

Não vejo nada a sair relativo à Geórgia.

Fico apenas a esperar que algo saia acerca do Nord/South Stream e Nabucco.

Anónimo disse...

Grandeza da Rússia? Quantos centímetros terá? Sabe-se lá se ainda sai capão (risos)

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
MSantos disse...

Caro alentejano Zé da Burra

A sua análise foi das mais lúcidas das que já vi aqui.

O Ocidente preocupou-se em globalizar a economia mas já não se preocupou em globalizar os direitos dos trabalhadores tal como existiam antes do início da globalização.

Quanto á sua afirmação

"Quanto aos trabalhadores, será que depois de terem atingido um razoável nível económico e social vão aceitar trabalhar 10 ou mais horas por dia a troco de um ou dois quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc..."

É exactamente o dilema que os trabalhadores da Autoeuropa estão a atravessar.

Lembra-me uma frase que ouvi há uns tempos atrás que dizia que se tentarmos competir com escravos vamos nós próprios tornar-mo-nos escravos.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Poderia haver uma alternativa, que seria um boicote aos produtos provenientes desses países até que estes colocassem os direitos e salários dos trabalhadores a um nível minimamente razoável (ao português, por exemplo!). De contrário, o que estes países fazem é, basicamente, dumping.

MSantos disse...

Pippo

Bastaria exigirem que para um produto produzido na China, independentemente do preço, a fábrica de proveniência pagasse salários minimamente condignos em relação ao custo de vida nacional, os trabalhadores tivessem férias pagas, fins-de-semana, segurança social, etc.

Quem não cumprisse estes condicionalismos não podia vender.

Isso sim era a real competitividade.

Isto não é mais do que ladroagem e escravização dos povos.

Cumpts
Manuel Santos

Raffo disse...

Medvedev em tempos de crise está a fazer discursos para o público interno da Rússia. A dita grandeza da Rússia pode estar em risco com a crise que se abate ao pais.

Francisco disse...

Isso é irreal, na medida em que o grosso dos lucros dessas empresas a operarem na Ásia vai directamente para as contas bancárias nos Offshors, dos empresários que as detém, ou seja consórcios Ocidentais. Não entendo quem deve ser penalizado?
Este mês o Le Monde Diplomatico tem um artigo muito interessante sobre esse tema.
Não estejam esses senhores descansados dentro das sua fortalezas. Porque o povo vai ser capaz de tomar quantas Bastilhas existam e assaltar todas as Tulherias.
Utópico não é? Mas quem não vive de utopias?
Cumprimentos

Jest nas Wielu disse...

Sobre a grandeza da Rússia

Certos circuitos ocidentais, gostam de contar as histórias sobre os ursos que andam nas ruas do Moscovo (e outras cidades russas), mas esta foto comprova que tudo não passa de yma mentira mal intencionada e anti – russa. Fiquem atentos camaradas – arianos – medvedistas, os agentes da CIA estão em todo o lado....
http://community.livejournal.com/phophudia/387775.html

Jest nas Wielu disse...

http://community.livejournal.com/
phophudia/387775.html

Anónimo disse...

essa merda de UE deveria respeitar os russos...isso sim que é povo...não essas merdas de europeus água-com-açúcar

Ziriguidum, hei! disse...

Caro MSantos, você mostra o podre da globalizaçäo e em poucas palavras dá a soluçäo!
Aposto que também lhe chamam de "comuna" quando diz que "Lembra-me uma frase que ouvi há uns tempos atrás que dizia que se tentarmos competir com escravos vamos nós próprios tornar-mo-nos escravos" e "Isto não é mais do que ladroagem e escravização dos povos."
Deixe lá. Nós é que estamos certos!

A questäo é mesmo essa: gerou-se tanta "riqueza" globalmente nos últimos 20 anos, mas cada vez mais os trabalhadores têm menos direitos. Mas como säo os próprios trabalhadores a a apoiar essas perdas (amedrontados com o desemprego, que por acaso até chega por mais que se agachem), näo se podem queixar.
Como no tempo do fascismo se cantava...
"Lá vamos, cantando e rindo
Levados, levados sim."
Pois, quando acordarem, já será tarde!