segunda-feira, agosto 31, 2009

Vladimir Putin condena pacto Molotov-Ribbentrop, mas...


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considera que a Rússia e a Polónia devem desenvolver relações partindo do facto de terem sido aliados na Segunda Guerra Mundial.
“Os vestígios do passado não devem ensombrar o presente e muito menos o futuro da cooperação entre a Rússia e a Polónia”, escreve Putin no artigo “Páginas da história, motivo para exigências recíprocas ou base para a conciliação e cooperação?”, publicado pelo diário polaco Gazeta Wyborcza.
Neste artigo, publicado na véspera da sua visita oficial à Polónia, onde irá participar nas cerimónias oficiais dedicadas ao 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, Putin aborda vários temas polémicos das relações bilaterais como a guerra soviético-polaca de 1920, o pacto Molotov-Ribbentrop e o caso Katyn.
O primeiro-ministro diz ter aceitado sem vacilação o convite do seu homólogo polaco, Donald Tusk, para assistir às cerimónias do 70º aniversário do começo da Segunda Guerra Mundial “porque nela perderam a vida 27 milhões de compatriotas meus... e porque a Rússia e a Polónia foram aliadas naquela contenda justa”.
Depois de sublinhar que os acontecimentos do séc. XX “são nossa história comum” e não existir um juiz capaz de ditar um veredicto imparcial face ao passado, Putin escreve que “é de extrema irresponsabilidade... deturpar a história, procurando motivos para exigências e ofensas mútuas”.
O primeiro-ministro russo acusa alguns países de terem chegado ao extremo de “glorificar os sequazes dos nazis, pôr em pé de igualdade vítimas e verdugos, libertadores e ocupantes”.
Putin considera incorrecto retirar do contexto histórico comum certos episódios e concentrar unilateralmente as atenções na situação que existia na Europa nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.
“Hoje, sugerem-nos o reconhecimento, enquanto o único detonador da Segunda Guerra Mundial, do pacto de não-agressão, assinado pela URSS e a Alemanha a 29 de Agosto de 1939 (pacto Ribbentrop-Molotov)”, escreve o primeiro-ministro.
Putin recorda que, no dia em que foram assinados os acordos de Munique, a Polínia apresentou um ultimato à Checoslováquia e, ao mesmo tempo que as tropas alemãs, invadiu duas regiões do país vizinho.
Segundo o dirigente russo, foi precisamente após o pacto de Munique que Hitler decidiu que “tudo era permitido” e que a França e a Grã-Bretanha “não mexeriam um dedo” para defender os seus aliados.
“...Há razões para condenar o pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em Agosto de 1939. Mas, um ano antes, França e Grã-Bretanha assinaram com Hitler os acordos de Munique que dissiparam todas as esperanças em criar uma frente única de luta contra o nazismo”, frisa Putin.
Para ele, os acordos de Munique provocaram a divisão entre os aliados potenciais na luta contra o nazismo, suscitando receios recíprocos.
Vladimir Putin recordou que o Parlamento russo “fez uma avaliação inequívoca do carácter imoral do pacto Molotov-Ribbentrop”, ao contrário de alguns países que também tomaram decisões que “se prestam a várias interpretações” nos anos 30.
“O povo da Rússia, vítima do regime totalitário, faz seus os sentimentos dos polacos relacionados com Katyn, onde jazem os restos mortais de milhares de militares polacos. Os monumentos em Katyn e Mechoe, bem como o destino trágico dos soldados russos feitos prisioneiros pelos polacos durante a guerra de 1920, devem passar a ser símbolos da dor comum e do perdão recíproco”, concluiu.
Quando fala de Katyn e Mechoe, o dirigente russo tem em vista os milhares de oficiais e soldados polacos assassinados pela polícia estalinista. No que respeita aos soldados russos, trata-se de militares do Exército Vermelho que entraram na Polónia, mas foram derrotados, tendo muitos deles sido feitos prisioneiros e morrido na Polónia.
Se as declarações de Putin sobre o pacto Molotov-Ribbentrop não são para "consumo externo", constitui um passo em frente em comparação com o que se tem dito na imprensa russa controlada pelo Kremlin ou o que foi dito pelo próprio Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.

77 comentários:

Anónimo disse...

Pois é. É preciso começar a ver que Putin é muito, muito, muito melhor do que Medvedev.
Excelente artigo completo em
http://premier.gov.ru/eng

Anónimo disse...

В Эстонии уволен врач, бросивший в урну паспорт русского пациента
Администрация больницы в городе Кохтла-Ярве на северо-востоке Эстонии, где проживают преимущественно русскоговорящие жители страны, в понедельник расторгла договор с врачом, швырнувшим в урну паспорт русского пациента, поскольку он не владел эстонским языком, сообщил главврач больницы Кальйо Митт.
По словам Митта, чье заявление распространила пресс-служба больницы, врач Эйки Страусс в своем объяснительном письме сослался на Закон о языке и этим объяснил свое поведение. Пациент, по словам врача, не смог изъясниться на государственном языке. «Пациент был русскоязычный, как и большинство людей в уезде Ида-Вирумаа», - сказал главврач.
По свидетельству матери 14-летнего подростка Дмитрия, который в воскресенье обратился в травмопункт больницы к ортопеду Страуссу в связи с травмой ноги, врач по-эстонски поинтересовался, что с ним случилось. Получив ответ на русском языке, Страусс взял его паспорт гражданина Эстонии и швырнул его в урну, сказав, что такой паспорт не нужен подростку, если он не владеет эстонским языком.
«Мы просим извинения несовершеннолетнему пациенту, его родителям и всем другим, кого коснулось непозволительное поведение доктора Страусса», - сказал Кальйо Митт. РИА «Новости»

Anónimo disse...

Não se percebe qual é a admiração. Os actuais governantes russos sempre condenaram Estaline e o comunismo apesar de o não apagarem da história.

E o FSB? Continua a prender indescriminadamente e a torturar pessoas? Já há gulags na Sibéria?
Os russos estão impedidos de sair do seu país? Já não se pode falar mal do governo sob pena de ser preso?

Sr Jornalista seja honesto e mude o nome do blog:

"Abaixo a Rússia".

Anónimo disse...

quem não tem vida própria anda nisto...

Yelsim esteve em katin e pediu desculpa, algo que até me parece excessivo, porque esse crime foi cometido pelo tirano Estaline(não era rússo) ditador de um país(URSS) que já não existia.

Sr milhazes, sejá honesto e não contribua para a propagação da mentira, diga aqui aos leitores se era ou não verdade que os rússos estavam sub-representados na hierarquia de poder nos primeiros anos da U.soviética.

Diga qual foi a data da eleição em que Estaline foi eleito pelo povo rússo.

Anónimo disse...

"E o FSB? Continua a prender indescriminadamente e a torturar pessoas? Já há gulags na Sibéria?
Os russos estão impedidos de sair do seu país? Já não se pode falar mal do governo sob pena de ser preso?"


SIM! SIM, SIM, SIM, E SIM!!!!!!!!!


PROPORCIONALMENTE EM MENOR GRAU, OBVIAMENTE, MAS:

SIM!!!!! O país ainda é uma ditadura.

Ítalo

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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Anónimo disse...

"Putin considera incorrecto retirar do contexto histórico comum certos episódios e concentrar unilateralmente as atenções na situação que existia na Europa nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.
“Hoje, sugerem-nos o reconhecimento, enquanto o único detonador da Segunda Guerra Mundial, do pacto de não-agressão, assinado pela URSS e a Alemanha a 29 de Agosto de 1939 (pacto Ribbentrop-Molotov)”, escreve o primeiro-ministro."

Esta declaração do Primeiro Ministro, é mais do que concernente à realidade, concentraram o foco do estopim da segunda guerra no pacto, será que as outrora potências ocidentais querem se eximir da sua responsabilidade, e principalmente de assumirem que estavam mais preocupadas com suas colônias e interêsses próprios, além de sua impotência que preferiram ceder a todas as chantagens de Hitler, que propriamente jogou em blefar para testar seus adversários e acertou, e agora vemos um novo capítulo que querem implantar na História, como a União Soviética, culpada pelo início da segunda guerra.

Jose Milhazes disse...

Leitor Anónimo, a Rússia é a herdeira da URSS no Direito Internacional, mas nem isso significa que os russos têm de pedir perdão pelo que fez Estaline. O problema está é que é preciso reconhecer publicamente determinadas acções de Estaline e do Governo Soviético como crimes e condená-los. Na actual Rússia, pelo contrário, assiste-se a uma reabilitação de Estaline e à justificação da sua política.

Anónimo disse...

Por acaso gostaria que Saakashvili reconheca publicamente determinadas acções de Estaline e como crimes e condená-los. Ao contrario que algem pode crer nem sempre que acontece e isto e realidade. Tambem podem crer uma praça do Salazar em Moscovo, mas nunca vai acontecer ao contrario do Portugal...

Pippo disse...

Putin fez uma excelente declaração. Condena (ou melhor, lamenta, o que é mais correcto) os crimes cometidos pela URSS mas recusa qualquer responsabilização da Rússia por esse feitos, ao contrário do que pretendem certos elementos na arena internacional (e certos participantes bem conhecidos neste blog).

Da História não se deve pedir desculpa. Devemos pedir perdão pelas nossas acções, nunca pelas dos nossos avós.
Os acontecimentos do passado têm base nos critérios e mentalidade da época, e disso não se deve pedir absolvição. Apenas devemos aprender com os erros e evitar cometê-los novamente.

Olegário disse...

Os polacos são gente muito complicada...

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Os polacos tambem tiveram um acordo secreto com Alemanha nazi, só que ningem quer investigar estes documentos porque ficao mau para imagem da Polónia...

Anónimo disse...

Ítalo, fica sabendo que defender democracia e falar barato não e mesma coisa... LOL

MSantos disse...

Temos de analizar o foco destes problemas e o que eles envolvem:

- Dum um lado a Rússia

- Do outro, Polónia, Rep. Checa, Ucrânia, Bálticos, Geórgia

Já todos nós sabemos que estes países estão em rota de colisão não interessa porquê.

A questão histórica não é mais que uma das muitas frentes que opõem estes países. Qualquer argumento ou facto serve para alimentar o confronto.

No entanto dado o convite a Putin e as suas consequentes declarações são sinal que estes países estão condenados a entenderem-se.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

No entanto dado o convite a Putin e as suas consequentes declarações são sinal que estes países estão condenados a entenderem-se.

Fez agora um ano que a Polónia assinou com os EUA o acordo para colocar o sistema antí-míssil.

Pipelines estão a ser construidos para fazer um "bypass" a países "problemáticos".

A não ser que haja algum recuo em relação ao sistema anti-míssil, as relações entre estes dois só vai piorar.

Se as relações presentes estão nestas condições, o que esperar numa análise do passado? os países estão de costas voltadas, há muita animosidade, não haverá muitos sorrisos, apenas o necessário para cumprir protocolos.

A não ser que exista algo de verdade sobre as notícias que indicam que Obama vai recuar com o sistema nesta zona. Aí talvez vejamos algo, talvez.

Wandard disse...

PM,

Até o momento o Obama faz o jogo do bom moço bem intencionado, mas ao contrário do que parece spo intensificou as ações que tanto condenou no seu antecessor, aumentou o quantitativo de tropas dos outros países no Iraque e Afeganistão e a intensidade da repressão e dos ataques, além de constantemente solicitar aos seus "aliados" que enviem mais jovens para morrer pelos Estados Unidos. Se o sistema for instalado na Polônia, a rota de colisão será inevitável e a Rússia vai retaliar com tudo que ela já advertiu e muito mais, pode presenciar um novo período da Guerra Fria, só que muito mais quente.

Anónimo disse...

"Anónimo disse...
Os polacos tambem tiveram um acordo secreto com Alemanha nazi, só que ningem quer investigar estes documentos porque ficao mau para imagem da Polónia...

17:56"

sim, não esquece que os americanos tinham um acordo secreto com os marcianos tb

Sérgio disse...

enquanto isso, apesar da crise, a Polónia irá crescer 1% e a Rússia vai cair 10%

oppel disse...

Acho que esses países não devem esquecer que geneticamente e etnicamente são o mesmo povo. Há 1000 anos falavam a mesma língua!
Os dois mais importantes países eslavos devem estar unidos e esquecer as suas desavenças.

Anónimo disse...

dúvido que o Putin seja sincero nas suas palavvras...essa é maior raposa do mundo

Raul disse...

"os poderosos preferem esquecer a história e aguardar. Para os fracos, esta não é uma escolha sábia"
Noam Chomsky

Anónimo disse...

Putin é um homem que só pensa no poder e nada mais.

Agora ele e silovikis estão a manipular a história, acham que trazerão a Polónia aos braços da 'mãe' armada. Agora a dizer que eram aliados... Ignoram outras histórias do passado e muitos outros factos que jamais aliarão os dois países. Putin é um grande tolo.
Ainda bem que a Polónia não está a cair na treta russa.

Putin no fundo quer tirar vantagens sobre um passado doloroso da Europa. O desespero imperial que os políticos poem na Rússia só está a prejudicar ainda mais as relações pelo Leste Europeu. Depois tudo virará culpa dos E.u.a, como sempre.

Putin vai à Polónia, concerteza transbordará arrogancia e inveja sobre aquele país que está melhor desenvolvido que a velha Rússia de crisis e mais crisis.

MSantos disse...

Wandard

Lamento mas estou em total desacordo.

Inicialmente tive muitas dúvidas sobre o carácter verdadeiramente pró-democrata de Barack Obama e pensava dado a sua côr política e côr de pele (que nos EUA é um factor muito relevante) este teria feito muitos compromissos que tornariam a sua política uma condição forçada do seguimento dos ventos até então.

Pensava que se existisse algum idealismo, este seria reservado para um eventual segundo mandato e já na segunda parte do mesmo.

No entanto parece que Obama não está a conseguir conter o chamamento desse mesmo idealismo e os caminhos "fracturantes" que está a seguir demonstram-no claramente como é o caso da acérrima batalha pelo Sistema Nacional de Saúde, retirar os interrogatórios à CIA estando esta já esta sob investigação que está a subir nas hierarquias todas as semanas. Em paralelo, Dick Chenney anda constantemente a lançar justificações para o que foi feito sem estas terem sido solicitadas.

Entretanto têm vindo a lume casos tão escandalosos e gritantes como a tenebrosa BLACKWATER e a sua cruzada contra os árabes com um pequeno part-time de desempenhar a função para que os contribuintes americanos realmente pagavam.

Provavelmente mais casos e de maior gravidade vão se tornar de conhecimento público.

Espero apenas que as ditas teorias da conspiração sejam só isso mesmo e os Estados Unidos ainda consigam ser uma nação verdadeiramente democrática e assente nos valores dos seus fundadores.
Caso suceda alguma coisa a Obama não será só um presidente, pois desta vez a própria América corre risco de colapso pois a revolta será impossível de conter. Esperemos que os falcões saibam disso e tomem em conta o superior interesse da sua nação.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Relativamente ao Iraque, o mal já foi feito que foi a invasão sem alternativa política. Deixar o Iraque agora era abandoná-lo aos extremisttas islâmicos pelo que agora o único caminho é seguir em frente dure o que durar custe o que custar caso contrário custará e durará mais ainda.

Sempre fui apologista de que a única intervenção justificada foi no Afeganistão pois trata-se do velho conflito civilizacional em que temos o sec. XII a tentar prevalecer sobre o tempo actual. É a mesma guerra que os russos combatem na Chechénia e no resto do Cáucaso. A campanha afegã falhou por não ter sido tomado em conta o factor paquistanês ou seja, desde o início ou talvez até antes da incursão no Afganistão, a fronteira paquistanesa e circundante zona montanhosa devia ter sido controlada.

Mas isto é apenas a minha opinião.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Africans 'under siege' in Moscow

Nearly 60% of black and African people living in Russia's capital Moscow have been physically assaulted in racially motivated attacks, says a new study.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8230158.stm

Italo disse...

"Acho que esses países não devem esquecer que geneticamente e etnicamente são o mesmo povo. "


TODOS OS POVOS SÃO GENETICAMENTE E ETNICAMENTE O MESMO POVO.

OPPEL disse...

Italo disse...

TODOS OS POVOS SÃO GENETICAMENTE E ETNICAMENTE O MESMO POVO.


Não totalmente. Polacos, russos e ucranianos apresentam a maior proporção do "Haplogroup R1a (Y-DNA)" no mundo

Wandard disse...

Amigo Manuel,

Se o Obama quiser se manter no poder até o fim do seu mandato ele terá que seguir o jogo, tentar ir contra terá o destino de JFK. As questões que envolvem a CIA, Guantanamo, BlackWater etc...farão algumas cabeças rolarem, sacudirão alguns esqueletos para fora do armário, muitos jornais serão vendidos e as mídias vão ganhar muito dinheiro com a veiculação por fim vai terminar no esquecimento pois novas questões irão surgir.

Quanto a "Democracia" americana esta conseguirá sendo bem vendida pelo marketing da "Terra da Liberdade e das Oportunidades" ou que suas FA's continuarão pelo mundo "Mantendo a Paz e a Liberdade dos Povos" e "Salvando o Mundo" rssssss

Infelizmente a "Teoria", não é teoria e a "Conspiração" é realidade.


Quanto ao Afeganistão sou contra pois o motivo da invasão não é o combate ao terrorismo, o que se passa hoje no Afeganistão é o efeito colateral do que os Impérios Coloniais e os Estados Unidos plantaram, e a respectiva invasão e ocupação tem caráter meramente estratégico.

Estou avaliando isto mais até sob o caráter militar do que propriamente geopolítico.


Grande abraço,

Italo disse...

"Não totalmente. Polacos, russos e ucranianos apresentam a maior proporção do "Haplogroup R1a (Y-DNA)" no mundo"

E daí? 99,99999% dos genes dos seres humanos são os mesmos entre todos os povos.

Apenas 30 genes definem as características físicas. E fenótipo varia de acordo com a região geográfica. E continua a mudar com o tempo...

Se eu fosse seguir seu argumento,é fato que os portugueses seriam colocados mais próximos geneticamente dos judeus, árabes e berberes do que dos suecos.

Tanto fisicamente como geneticamente estão entre os povos do mundo com mais compartilhamento genético com os povos semitas.

João Anjos disse...

No parágrafo : «Segundo o dirigente russo, foi precisamente após o pacto de Munique que Hitler decidiu que “tudo era permitido” e que a França e a Alemanha “não mexeriam um dedo” para defender os seus aliados.» Deve ler-se..."a França e a Inglaterra não mexeriam um dedo".

Jose Milhazes disse...

Leitor João Anjos, obrigado pela observação. Vou emendar.

Anónimo disse...
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PortugueseMan disse...

Caro JM,

Dê uma olhadela a este artigo sobre a Rússia e Alemanha.

Russia strengthens ties with Germany

Germany's September elections have focussed attention on the country's strategic energy partnership with Russia, but as international affairs writer William Horsley discusses, other countries are nervous about those unpredictable ties with Moscow...

...after Russia's conflict with neighbouring Georgia, the "strategic partnership" between Germany and Russia was back on track and getting stronger...

...both major German political parties - Mrs Merkel's Christian Democrats and the Social Democrats led by Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier - make clear there is no turning back from a close embrace of Russia...

...Germany is Russia's largest foreign investor and trade partner.

Russia values Germany as the biggest customer for its gas, and now sees it as an influential advocate for its interests in the West.

In Sochi the German chancellor and Russian president unveiled plans for closer collaboration.

They include a joint venture to create a world leader in building nuclear power plants, and state-backed export credits to lift German industry out of its downturn and help struggling Russian firms through the credit crunch.

Russia was invited to step in to rescue ailing German shipyards, a memory chip plant and the Opel car firm.

The two leaders will also set up a joint energy agency with wide powers to improve security of supplies and energy efficiency.

It confirmed, Russia's policy of favouring Germany, exemplified by the controversial Nord Stream pipeline ...

...senior Russian officials have thanked Germany for helping them achieve some of their key foreign policy goals, such as blocking Georgia and Ukraine's prospects of early membership of the Nato alliance, and averting serious damage to Russia's relations with the EU as a result of last summer's Georgian conflict...

...last year, when British Foreign Secretary David Miliband called for "the widest possible coalition" against Russian aggression in Georgia, his call fell mostly on deaf ears...

...For now, Europe seems bound to follow where Germany leads.


http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8229150.stm

Eu concordo com o que se sugere no artigo, independentemente de quem ganhe as eleições, a relação com a Rússia, prossegue ao mesmo nível. O que é um grande trunfo para a Rússia.

Cristina disse...

Caros leitores, gostaria de compartilhar convosco a tradução de parte do artigo de Putin
VLADIMIR PUTIN: “É MUITO NOCIVO E IRRESPONSÁVEL ESPECULAR SOBRE AS QUESTÕES DO PASSADO”

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, considera que as relações entre a Rússia e Polónia devem ser construídas partindo do facto de os dois países terem sido aliados na Segunda Guerra Mundial. Na opinião do primeiro-ministro, é muito nocivo e irresponsável especular sobre as questões do passado, procurando motivos para críticas e ofensas recíprocas.
“As sombras do passado não podem toldar mais a cooperação de hoje e muito menos a de amanhã entre a Rússia e Polónia”, escreve Putin.
O artigo do primeiro-ministro, intitulado “As páginas da história são motivos para reclamações recíprocas ou argumentos para a reconciliação e parceria?”, foi publicado pelo jornal polaco Gazeta Wyborcza na véspera da visita de Putin a Gdansk, cidade onde hoje terão lugar as solenidades dedicadas ao 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial.
O artigo aborda, em particular, o Pacto de Molotov – Ribbentrop, os acontecimentos em Katyn e a guerra soviético-polaca de 1920.
Putin escreve que aceitou o convite do primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, de participar nas actividades dedicadas ao início da Segunda Guerra Mundial, porque “simplesmente não podia proceder de outro modo”.
/Aceitei/“porque esta guerra levou a vida de 27 milhões dos meus compatriotas e em cada família russa vive uma dor de perdas e porque o orgulho pela Grande Vitória, pelas façanhas de avós e pais que percorreram caminhos da guerra se transmite de geração em geração. O nosso dever moral comum é inclinar a cabeça perante aqueles que tombaram, perante a valentia e a firmeza dos soldados de diferentes países que combateram e derrotaram o nazismo”, diz-se no artigo.
Putin escreve que os acontecimentos do século XX fazem parte da nossa história comum e que não há um juiz que possa apresentar ao passado um veredicto absolutamente imparcial.
“Não há um país que não tivesse conhecido páginas trágicas, reviravoltas duras e decisões estatais que estiveram longe dos altos princípios morais. Temos a obrigação de tirar lições da História, se queremos um futuro feliz e pacífico. No entanto, é muito nocivo e irresponsável especular sobre a memória, dissecar a História, tentar encontrar nela motivos para críticas e ofensas mútuas. O tratamento inadequado dos acontecimentos históricos empurra os países e os povos uns contra os outros”.
Segundo o líder russo, “as tragédias do passado – as que não chegaram a ser compreendidas ou as que foram compreendidas de forma falsa e hipócrita – levarão inevitavelmente ao surgimento de novas fobias histórico-políticas, que fazem entrar em choque países e povos, influenciam a consciência da sociedade, distorcendo-a para agradar a políticos sem consciência”.
(Continua)

Cristina disse...

(continuação)
Como sublinhou Vladimir Putin, “a tela da História não é uma reprodução que pode ser retocada de forma descuidada, retirando o que não se gosta de acordo com os desejos de quem faz a encomenda, ou mudando o tom, acrescentando cores claras ou escuras”.
“Alguns países vão ainda mais longe ao considerar heróis os cúmplices dos nazis e igualando vítimas e verdugos, libertadores e ocupantes”, diz-se no artigo.
Putin considera errado retirar alguns episódios do contexto histórico geral e avaliar de forma fragmentada a situação antes da guerra na Europa.
“Hoje propõe-se reconhecer indiscutivelmente que o pacto soviético-alemão (de Molotov – Ribbentrop) sobre a não agressão de 23 de Agosto de 1939 foi o único ´gatilho´ que provocou a Segunda Guerra Mundial”, diz-se no artigo.
Putin lembrou o Tratado de Versailles, que humilhou a Alemanha, a questão das fronteiras na Europa, que começaram a ser destruídas muito antes de 1 de Setembro de 1939, e que em 1938 não apenas a Alemanha, mas também a Hungria e a Polónia “participaram de facto na partilha territorial da Europa”.
“Exactamente no dia da conclusão do Tratado de Munique, a Polónia apresentou um ultimato à Checoslováquia e, em conjunto com as tropas alemãs, introduziu o seu exército nas regiões de Teschin e Friestadt”, faz recordar Putin.
Na sua opinião, foi após o Tratado de Munique que Hitler decidiu definitivamente que “tudo era permitido” e que a França e Grã-Bretanha não iriam fazer nada para proteger os seus aliados.
“Sem dúvida, há todas as razões para censurar o Pacto de Molotov-Ribbentrop concluído em Agosto de 1939. Mas um ano antes, a França e Grã-Bretanha assinaram o conhecido tratado com Hitler, destruindo todas as esperanças de criar uma frente unida de luta contra o fascismo”, diz-se no artigo.
Putin destaca que, naquela altura, a União Soviética não apenas ficou sozinha face à agressão da Alemanha, porque os Estados ocidentais renunciaram ao sistema de segurança colectiva, mas também enfrentou a ameaça de combater em duas frentes ao mesmo tempo – “em Agosto de 1939 o conflito com japoneses no rio de Kalkin Gol atingiu o auge”.
“Naquele tempo, a diplomacia russa considerou irracional renunciar à proposta da Alemanha de assinar um pacto sobre a não agressão numa altura em que os potenciais aliados da URSS no Ocidente já haviam concluído acordos análogos com Hitler, não tencionavam cooperar com a União Soviética e havia o perigo de o país enfrentar sozinho a potente máquina militar do nazismo”, escreve Putin.
Putin escreve sobre mais uma lição histórica - é impossível criar um sistema eficaz de segurança colectiva sem a participação de todos os países do continente, inclusive da Rússia.
Putin tem a certeza de que as relações russo-polacas mais cedo ou mais tarde alcançarão um alto nível, um nível realmente de parceria, como as relações entre a Rússia e Alemanha. “Tal corresponde aos interesses dos nossos povos, aos interesses de todo o continente europeu”, diz-se no artigo.
O primeiro-ministro da Federação Russa apelou a que seja iniciada uma nova página nas relações entre os dois países.
“Hoje, recordando o primeiro dia da Segunda Guerra Mundial, os nossos pensamentos voltam-se para último dia, o dia da Grande Vitória. Estivemos juntos naquela batalha pelo futuro da humanidade e só de nós depende que, no século XXI, se multiplique tudo o que de melhor liga os povos da Rússia e da Polónia”, considera Putin.

Cristina Mestre

Pippo disse...

Temos a obrigação de tirar lições da História, se queremos um futuro feliz e pacífico. [...] é muito nocivo e irresponsável especular sobre a memória, dissecar a História, tentar encontrar nela motivos para críticas e ofensas mútuas. O tratamento inadequado dos acontecimentos históricos empurra os países e os povos uns contra os outros”.

Num discurso incisivo mas conciliador, Putin disse tudo o que havia a dizer sobre como devemos olhar a História (como lição e não como espada política) e apontou o caminho para as futuras relações entre os Estados, Polónia e Rússia incluídos.

Anónimo disse...

Cristina Mestre:
tanto esforço para nada; o link para o artigo traduzido já cá estava.
JM et al.
Quero protestar contra o artigo do Publico de hoje com chamada à capa, onde se diz que Putin pediu desculpa pelo pacto. Cambada de incompetentes jornalistas da treta.Não sabem ou não querem saber da realidade ou têm agenda de manipular o pessoal. Como este é blog convidado do Público, acho que o JM devia protestar também.

Wandard disse...

"Num discurso incisivo mas conciliador, Putin disse tudo o que havia a dizer sobre como devemos olhar a História (como lição e não como espada política) e apontou o caminho para as futuras relações entre os Estados, Polónia e Rússia incluídos."

Pippo,

Como Historiador só posso dizer que é um total absurdo o que estão tentando implantar, por falta de tempo, até o momento só acompanhei esta invenção através de alguns jornais e das postagens que aqui surgiram. Assim que possível vou pesquisar e descobrir de quais "cérebros privilegiados" saiu esta idéia, que ao meu entender só pretende excluir a responsabilidade da Inglaterra e França que jogaram com os territórios e as vidas dos povos de outras nações para preservar seus interêsses, como sempre foi e continua sendo.

Cristina

O Jornal Público infelizmente é parcial, não produz o jornalismo informativo e sim tendencioso.

Jest nas Wielu disse...

Não sabia, mas entre a Polónia e a URSS existiu o acordo de não agressão assinado em 25 de Junho de 1932 e prorrogado até 31 de Dezembro de 1945 (assinado em 5 de Maio de 1934), por isso a agressão soviética contra a Polónia sempre será o crime, com ou sem o Pacto Molotov – Ribbentrop.

Anónimo disse...

Essa informação de um pacto de 1932 foi invenção da Julinha das tranças ou dos gémeos do mal polacos? Aldra! Arregaça que vai a maré cheia!

MSantos disse...

Quando queremos a paz e a sã convivência vamos buscar o que nos aproxima. Quando queremos o contrário vamos buscar tudo o que nos afasta e nos faz entrar em conflito.

Salutares e conciliadores os discurosos do PM polaco e de Putin.

Lamentável a posição obstinadamente revanchista do presidente polaco.

Cumpts
Manuel Santos

Wandard disse...

"Não sabia, mas entre a Polónia e a URSS existiu o acordo de não agressão assinado em 25 de Junho de 1932 e prorrogado até 31 de Dezembro de 1945 (assinado em 5 de Maio de 1934), por isso a agressão soviética contra a Polónia sempre será o crime, com ou sem o Pacto Molotov – Ribbentrop."

Jest,

Realmente existia um acordo entre os dois países, mas a Polonia no dia 20 de agosto de 1939 rejeitou a possibilidade de cooperação com a União Soviética no caso de guerra com a Alemanha, como já falei outras vezes não existem santos, a Polonia manteve uma posição radical até o último minuto, com esta recusa acendeu o estopim para o pacto. Políticamente falando e claro não deixou de ser um oportunismo da União Soviética, o governo da Polonia deixou de existir e consequentemente os acordos que existiam também. O acordo que você citou era de não agressão e não de assistência mútua, houve oportunismo da União Soviética, mas a russofobia polonesa e também sua conhecida arrogância contribuiram para o desastre. De resto fica o principal que foi a inércia das orgulhosas potências européias Inglaterra e França.

Jest nas Wielu disse...

2 Wandard

1. Como historiador, decerto sabes, que em 1920 a URSS invadiu a Polónia (a marcha à Varsóvia do marechal Tuhaczewski), procurando derrubar o governo nacional polaco, substituindo o por governo comunista. Como tal, a Polónia tinha TODOS os motivos para desconfiar das boas intenções do Kremlin em 1939.

2. O facto, do que no dia 1.09.1939 a Polónia for invadida pela Alemanha nazi não significa de maneira nenhuma que “governo da Polonia deixou de existir e consequentemente os acordos que existiam também”. Existiu o governo polaco em exílio (em Londres), do mesmo modo que existiu o governo da “França Livre” no exílio, etc.

3. O receio polaco (que teimas de classificar de russofóbia) não pode ser evocado como um argumento válido para a invasão militar do país, destruição das suas infra-estruturas, aprisionamento e o tratamento desumano dos seus militares, etc.

4. França & GB de facto tem as suas culpas, mas apenas traíram e não invadiram militarmente. Não esqueces, que a URSS fuzilou cerca de 20.000 soldados e oficiais polacos em Katyn, sem nenhuma culpa formada, nem real, nem imaginária (exactamente por isso, a URSS negava durante 40 anos o massacre de Katyn, tentando culpar nele os nazis).

Oh Well, Okay. disse...

"“...Há razões para condenar o pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em Agosto de 1939. Mas, um ano antes, França e Grã-Bretanha assinaram com Hitler os acordos de Munique que dissiparam todas as esperanças em criar uma frente única de luta contra o nazismo”, frisa Putin.
Para ele, os acordos de Munique provocaram a divisão entre os aliados potenciais na luta contra o nazismo, suscitando receios recíprocos."

"Para ele" ? Não, para toda a gente. Foi isto que aconteceu, ponto final. Abram os olhos e deixem de usar a URSS como bode expiatório para tudo e mais alguma coisa. Se a URSS foi culpada pela II GM, então o que se pode dizer da Inglaterra e da pobre França! Que tal criarem uma reunião, e todas as potencias envolvidas pedirem desculpas, não pela Guerra, mas sim pela política de manipulação que fazem desde essa altura, no que toca ao acontecimento? Parece-me bem mais justo.

Jest:

"2. O facto, do que no dia 1.09.1939 a Polónia for invadida pela Alemanha nazi não significa de maneira nenhuma que “governo da Polonia deixou de existir e consequentemente os acordos que existiam também”. Existiu o governo polaco em exílio (em Londres), do mesmo modo que existiu o governo da “França Livre” no exílio, etc."

O mesmo governo que tinha conhecimento do que acontecia no ghetto de Varsóvia e não fez nada para impedir? Por favor. O governo polaco deixou de existir a partir do momento em que a Polónia foi invadida por Hitler.

Jose Milhazes disse...

Caros leitores, apenas mais uma ideia para meditar. Na questão do pacto Ribentrop-Molotov, uma das suas piores consequências foi a seguinte: quando as tropas polacas se retiravam da parte ocidental do país e podiam organizar a resistência ao exército nazi, Estaline retirou-lhes essa oportunidade ao invadir a Polónia e ocupar metade do país. Ou seja, Estaline desferiu uma facada nas costas da Polónia.
Quanto ao que escrevem os jornais, são eles que devem responder pelo que fazem.Eu apenas concordo com a opinião de que Putin não pediu desculpa.

Anónimo disse...

"Eu apenas concordo com a opinião de que Putin não pediu desculpa"

Os principais jornais referiram Putin a pedir desculpa por Katin e outros acontecimentos.
O que era preciso então? que o homem se tivesse posto de joelhos a chorar a implorar perdão?
Pagar chorudas indemenizações? Dar território? Reconhecer a Rússia como uma nação a por de lado e a sujeitar-se a tudo o que quiserem fazer dela?
Seria interessante que todas as pessoas que andam sempre a malhar na Rússia por isto por aquilo, disessem de vez o que pretendem.

Anónimo disse...

Só bandalhos hipocritas pedem desculpa pelo que não fizeram.
Arriba Putin!

Carlos Franco disse...

Caros Amigos

Andar a discutir se a URSS foi a culpada, ou se foram as potências ocidentais (França, Reino Unido), pela 2ª Guerra, é simultaneamente inglório, errado e criminoso.

Inglório, porque é sempre possível, com mais um floreado ou um facto qualquer, ir sacudindo água de um capote para outro.

Errado, porque quem realmente começou a guerra (na Europa), e a levou a cabo, contra diferentes países e em vários teatros de operações foi a Alemanha Nazi.

Criminoso, porque essa discussão disfarça a realidade que é a de que foram o Nazismo e o Fascismo que desencadearam um conjunto de guerras nesses anos. Foi-o com a Alemanha Nazi de Hitler na Áustria e Checoslováquia, com o fascismo de Franco em Espanha, com o fascismo de Mussolini na Etiópia, o Japão na China e Coreia. Disfarçar esta realidade é cometer o crime de desculpabilização do Nazismo-Fascismo.

A quem aproveitará tal linha de acção?...

Jest nas Wielu disse...

2 Oh Well, Okay

1. Molotov – Ribbentrop vs Munique:

O historiador russo Leonid Radzikhovsky explica porque o Pacto Molotov – Ribbentrop não pode ser equiparado ao Acordo do Munique:

Original em russo:
www.ej.ru/?a=note&id=9405

Tradução inglesa:
“Molotov-Ribbentrop and Munich Not Equivalent Then or Now, Radzikhovsky Says”
http://windowoneurasia.blogspot.com/2009/09/window-on-eurasia-molotov-ribbentrop.html

2. Se queremos ser minimalmente sérios e coerentes, não podemos ter a desonestidade intelectual de acusar o governo polaco no exílio em Londres de não impedir o Holocausto. Quer dizer, nem Stalin, nem aliados não conseguiram a tal façanha e um grupo de exilados era obrigado a tal? Podemos ter pontos de vista diferentes, mas não é preciso pedir coisas francamente impossíveis. Do tipo, porque Portugal não impediu a massacre de Santa Cruz? Não é correcto.

Anónimo disse...

"...passo em frente..." Grande analise do admistrador do blog! Uma opinhão que vale muito.

Oh Well, Okay. disse...

Jest:

"Se queremos ser minimalmente sérios e coerentes, não podemos ter a desonestidade intelectual de acusar o governo polaco no exílio em Londres de não impedir o Holocausto."

Quem é que disse isto? Santa paciência. Quando a Polónia foi ocupada, foi formado um governo "polaco" nazi, certo? Logo deixou de existir governo polaco a partir daqui. O que estava no exílio não fez nada, e se não fez nada, não foi um "governo" coisa nenhuma. E sim, podiam ter sido tomadas medidas em relação ao ghetto de Varsóvia, tanto que havia meios de tirar gente de lá, (crianças por exemplo, através da igreja cristã ou contactos entre as potencias para membros da sociedade importantes, ainda que judeus; exemplo disso foi o facto de "o governo no exílio em Londres recebeu do seu exercito clandestino polaco a lista de dezanove chefes da resistência judaica e deu o seu acordo para que esses homens fossem conduzidos para Londres", no caso de Ringelblum, que recusou ir para o exílio; se havia para uns, havia para os outros).
E com isto não significa que este ou aquele podia ter evitado o holocausto, obviamente!
Mas como governo no exílio, devia ter qualquer poder de acção, que neste caso não existia. Assim, não havia governo nenhum, porque o governo da Polónia oficial, era nazi.

Wandard disse...

A questão do governo polonês no exílio é que ele tinha o reconhecimento da Inglaterra, e do governo do exílio da França, não existia um reconhecimento formal pelos Estados Unidos, o próprio Roosevelt durante muito tempo evitou polarizar com a União Soviética por causa da Polônia, os documentos para comprovar isso existem, basta consultá-los. Quem defendia o governo polonês do exílio era Churchill que foi voto vencido em todas as reuniões entre os três líderes. Neste ponto, políticamente falando, os acordos entre a União Soviética e a Polônia deixaram de existir. Quanto a invasão em si a União Soviética não queria um corredor para seu território aberto para a Alemanha, militarmente falando a invasão era estratégica. Os outros fatores que são conhecidos por todos e relativos à ditadura de Stalin e seu objetivo de ampliar os domínios soviéticos não são nenhuma novidade, além disso todas as potências da época fizeram o seu jogo, cada um olhando para o próprio umbigo e para seus interêsses econômicos, estratégicos e militares. Os países mais fracos pagaram o pato e mesmo após o fim da guerra continuaram pagando, os derrotados como a Alemanha,japão e Itália foram, ocupados,desarmados, moldados e conduzidos pelo modelo americano, para se tornarem baluartes do sistema capitalista e satélites para a manutenção do seu poder na Europa e Ásia, . A Inglaterra e França terminaram a guerra como pseudo vencedores, relegados á condição de potências de segunda categoria, a primeira tornando-se o fiel mascote dos americanos e a segunda tentando esconder sua vergonha pela humilhação que sofreu por trás do seu orgulho exarcebado de potência do passado.

Os Estados Unidos até hoje não se desculparam por Hiroshima e Nagasaki, por Mi Lai, Nicarágua, Cuba, Panamá, Granada, Líbia, Líbano, Libéria, Indonésia........., o Japão até hoje não se desculpou pelas atrocidades na Mandchúria, Filipinas, A Inglaterra nunca se desculpou com a Índia, com a China, a França com a Argélia....................................

Jest nas Wielu disse...

2 Oh Well, Okay

Apelarei apenas aos factos, não quero falar da “santa paciência”, pois ela é precisa e muita lol

1. Desculpe, mas estas totalmente equivocada, nunca existiu nenhum governo polaco “nazi”, pois após a ocupação nazi / soviética, a parte polaca sob ocupação nazi foi desmembrada (retirada a Silézia) e o que restou recebeu o nome de: Generalgouvernement für die besetzten polnischen Gebiete, o seu Governador – Geral era o advogado nazi ALEMÂO Hans Frank, responsável pela criação do ghetto, etc.

Veja mais:
http://en.wikipedia.org/wiki/Administrative_division_of_Polish_territories_during_World_War_II

1. 2 Como sempre, peço o seguinte: se tens algumas provas históricas (links, livros, documentos, etc) da existência do governo polaco “nazi”, pfr, apresenta, poderemos discuti-los.

2. Sim, o governo polaco em Londres, não consegui salvar 100% dos judeus do Holocausto nazi. Mas como tu própria reconheces, salvou alguns (exemplo: o pai – fundador do Israel, Menachem Begin (http://en.wikipedia.org/wiki/Menachem_Begin), salvou-se dos nazis / NKVD juntando-se ao exército do Wladislav Anders: (http://en.wikipedia.org/wiki/Army_of_Anders).

4. O governo polaco em exílio foi reconhecido pela URSS em 1941, após a invasão da URSS pela Alemanha nazi (facto é largamente conhecido, mas na mesma, dou link, que prova as minhas palavras): http://en.wikipedia.org/wiki/Polish_government-in-exile

5. Por isso não consigo entender, como uma pessoa séria e bem intencionada, pode afirmar “Assim, não havia governo nenhum”. Então Stalin reconheceu a quem? Os que não existiram? Francamente…

Jest nas Wielu disse...

2 Oh Well, Okay

Generalgouvernement für die besetzten polnischen Gebiete, o seu Governador – Geral era o advogado nazi ALEMÂO Hans Frank, responsável pela criação do ghetto, etc.

Veja mais:
(http://en.wikipedia.org/wiki/
Administrative_division_of_Polish_territories_during_World_War_II

Jest nas Wielu disse...

Sorry:

Veja mais:
http://en.wikipedia.org/wiki/
Administrative_division_of_Polish_
territories_during_World_War_II

Pippo disse...

Concordo com o JM, Putin não pediu desculpas.

E concordo com Putin: ele não tem nada que pedir desculpas.

Oh Well, Okay. disse...

Jest:

Desculpa, mas tem dificuldades em ler?

Eu sei quem foi Hans Frank. E por saber é que disse que não existia governo "polaco". Porque quem ficou com o controlo do poder da zona foi um representante nazi. Independentemente de existir um governo no exílio, que não tinha influência nenhuma. Logo, sim! Sim, não existia governo polaco, mas sim um governo nazi e uma pseudo-organização no estrangeiro que não fazia nada, por não ter poder de acção (e não só). É preciso um desenho? É que acaba por ser um circulo de fácil compreensão.

Sabe a definição de governo, não sabe(se não souber, consulte a wiki; já percebi que gosta bastante)? Então, também sabe que existiu sim um governo nazi a controlar a Polónia* durante a ocupação e nada mais.

* Isto tendo em conta que a política nazi era o desmembramento total do país, quando digo "Polónia", tenho conhecimento da parte que foi directamente anexada ao Reich, através do prolongamento das fronteiras orientais (como Reichsgau Westpreussen e Posen, Kattowitz, Zichenau); e da parte que ficou controlada pelas tropas soviéticas.

Volto a concluir da mesma forma: "Mas como governo no exílio, devia ter qualquer poder de acção, que neste caso não existia. Assim, não havia governo nenhum, porque o governo da Polónia oficial, era nazi."

PS: Lamento e peço desculpa, mas tudo o que sei sobre o assunto vem directamente de Livros, não tenho paciência nem tempo para andar a pesquisar na Wikipédia ou no Google.

Wandard disse...

"http://en.wikipedia.org/wiki/Polish_government-in-exile"

Amigo Jest,

Não gosto de artigos da internet, mas li em respeito a você, apenas para ver se havia alguma informação diferente das que tenho em minhas pesquisas. Note que o texto deste artigo não indica qualquer reconhecimento por parte da URSS do governo em exílio, Stalin libertou os soldados poloneses após a invasão para se juntarem às forças combatentes contra a Alemanha, em nenhum momento ele reconheceu o governo do exílio e isto pode ser verificado também em todas as correspondências trocadas com Churchill e Roosevelt.

Como já disse jamais concordei ou defendi qualquer das atitudes e atrocidades de Stalin ou de quaisquer dos líderes soviéticos, estou fazendo apenas a análise dentro do contexto histórico.


Grande abraço,

António Campos disse...

Sinceramente, se eu fosse polaco já tinha passado para a fase do insulto, porque esta discussão começa a ter contornos de Amadeo de Souza-Cardoso.

É claro que o governo polaco no exílio não fez nada! À excepção, claro, de:

Gerir e organizar a migração do exército polaco para os países aliados, através do PSZ. A quase totalidade da marinha polaca escapou para o Reino Unido e foram organizados 2 corpos de infantaria mais 2 formações em França, e um exército com ex-prisioneiros de campos soviéticos (o exército de Anders); a força aérea polaca integrou-se na RAF e os esquadrões polacos tiveram uma importância decisiva na Baralha de Inglaterra (quem já não ouviu falar, por exemplo, do esquadrão 303?)

Gerir os esforços de segurança social do estado polaco, através do RGO (Conselho de Segurança Social)

Gerir a assistência aos judeus migrantes e dos que ficaram em território ocupado, através do RPZ (Conselho para o auxílio aos judeus)

Gerir o sistema educacional dos exilados polacos e das redes de clandestinas de escolas primárias, secundárias e mesmo universidades em território polaco (Organização Educacional Secreta - TON)

Gerir todo o esforço de resistência no território polaco através do AK (Armia Krajowa), com secções de espionagem, manobras de diversão, formações paramilitares e batalhões de camponeses. O governo coordenou a inserção de Witold Pilecki, um dos maiores heróis esquecidos da segunda guerra mundial, no campo de Auschwitz, o que deu origem ao primeiro relatório detalhado sobre os campos de extermínio nazis. Não deixa de ser interessante que Pilecki foi executado como “espião” pelo governo polaco pró-soviético em 1948.

Interagir e negociar como todas as potências com as quais o estado polaco mantinha relações diplomáticas (até com a URSS, que estabeleceu relações com estes mandriões após o início da operação Barbarossa e cortou-as a 25 de Abril de 1943 quando as sepulturas de Katyn foram descobertas pelos alemães).

Importa também referir que o governo polaco no exílio teve um papel fundamental na rebelião de Varsóvia em 1944. Sim, aquela na qual os resistentes de Varsóvia foram incitados à rebelião pelos soviéticos e depois quando os insurgentes tomaram quase toda a cidade, Estaline cortou todas as possibilidades de assistência logística aos sitiados por parte dos aliados e o exército de Rokossovsky ficou a ver a matança do outro lado do Vistula, em Praga sem fazer absolutamente nada.

E depois admiram-se que os polacos querem que lhes peçam desculpa.

Para aqueles que não têm paciência para consultar a wikipedia e mesmo assim queiram aprender alguma coisa sobre a história da Polónia, recomendo a leitura da obra fundamental de Norman Davies, “God’s Playground”, considerada a mais importante obra histórica do país, sendo mesmo usada como material de estudo nas suas escolas.

António Campos

Jest nas Wielu disse...

2 Oh Well, Okay

Vejamos o que você disse ANTES e AGORA:

Antes: “Quando a Polónia foi ocupada, foi formado um governo "polaco" nazi, certo?”
Agora: “E por saber é que disse que não existia governo "polaco". /…/Assim, não havia governo nenhum, porque o governo da Polónia oficial, era nazi."

Perdoa a mina torpeza ucraniana, mas achei que existe a diferença entre “um governo polaco” e “Governo da Polónia”.

2. Repito, se o governo polaco no exílio não existiu, se era apenas uma “pseudo-organização no estrangeiro que não fazia nada”, como foi possível que essa pseudo – organização estabeleceu as relações diplomáticas com a URSS?

2 Wandard

Não quero acreditar, que Wandard omite os factos conscientemente, pois é impossível ler o artigo e não reparar na frase sobre o reconhecimento do governo polaco em Londres pela URSS. Já para não dizer, que o historiador sério deveria saber disso. Mas vejamos o que realmente diz o artigo: http://en.wikipedia.org/wiki/Polish_government-in-exile

“When Germany attacked the Soviet Union in 1941, the Polish Government in Exile established diplomatic relations with the Soviet Union[16][17].
16. Stanislaw Mikolajczyk The Pattern of Soviet Domination Sampson Low, Marston & Co 1948 Page 17
17. Wojciech Roszkowski The Shadow of Yalta ISBN 83-60142-00-9 Page 27
Alguma coisa a comentar? Espero uma nota sua a reconhecer o erro.

2 António Campo

Mais uma vez obrigado, o pessoal que para a vitória dos aliados não fez realmente nada, quer cobrar “inoperância” às pessoas que combatiam e morriam diariamente.

Apenas uma coisa, como esta gente não sabe que Praga é o nome de um dos subúrbios da Varsóvia, vão o acusar do “desconhecimento básico” da geografia. Lol lol

António Campos disse...

Caro jest seu maroto! Você estragou-me o truque!

Anónimo disse...

Tão superiores que eles são

Jest nas Wielu disse...

Tão superiores que nos somos!

Wandard disse...

"Não quero acreditar, que Wandard omite os factos conscientemente, pois é impossível ler o artigo e não reparar na frase sobre o reconhecimento do governo polaco em Londres pela URSS. Já para não dizer, que o historiador sério deveria saber disso. Mas vejamos o que realmente diz o artigo: http://en.wikipedia.org/wiki/Polish_government-in-exile"

O que diz o Aqruivo:

"Quando a Alemanha atacou a União Soviética, em 1941, o governo polonês no exílio estabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética


Jest,

Não existe omissão dos fatos, houve o restabelecimento das relações diplomáticas por iniciativa do governo no exílio, tendo é claro o esforço e envolvimento de Sikorski, só que isso ocorreu após a invasão da União Soviética pela Alemanha ou , portanto Stalin não reconheceu existência do governo do exílio em 1939 e em 1943, as relações estabelecidas foram novamente cortadas. Na prática Stalin nunca reconheceu o governo do exílio como legítimo, pois jamais concordaria com um governo democrático, tanto que apoiou o comitê de Lublin.

Wandard disse...

Só complementando, os esquadrões 302 e 303 eram esquadrões de caça e os pilotos poloneses também combateram nos esquadrões 300 e 301de bombardeiros.

António Campos disse...

Correcto!

O 303 (esquadrão Kosciuszko), no entanto, foi o mais famoso, por ser o esquadrão com mais abates de aviões inimigos em toda a RAF.

É interessante (e triste) referir que, depois do que fizeram pela causa aliada, os pilotos sobreviventes não foram convidados a assistir às celebrações do dia VE em Londres.

António Campos

Wandard disse...

Lembrou bem Antonio, foram literalmente esquecidos. Tenho um tio polonês e o pai dele foi combatente na França e todos os anos ele comenta ressentido. Quando a guerra terminou ele tinha 8 anos o pai dele morreu combatendo.

Anónimo disse...

Pelos vistos nem só os malvados russos são ingratos

António Campos disse...

Claro que não! O comportamento dos aliandos relativamente à Polónia após a guerra foi absolutamente revoltante!

De qualquer forma, Churchill era um dos poucos que, do lado dos aliados, não andava a dormir descansado relativamente ao que acabou por acontecer a este país...

Aos interessados, experimentem procurar no Google "Operation Unthinkable"

António Campos

António Campos disse...

Caro Wandard, se tem familiares polacos, tenho a certeza de que entenderá a mágoa do meu grande amigo Sr. Przybylowicz, agora reformado e dono de um quiosque de fabrico de chaves num centro comercial em Varsóvia, que passou 3 anos na prisão aos 18 anos por ter cometido o crime de falar francês na Polónia "libertada" pelo Exército Vermelho.

António Campos

Wandard disse...

"De qualquer forma, Churchill era um dos poucos que, do lado dos aliados, não andava a dormir descansado relativamente ao que acabou por acontecer a este país..."

Está correto, realmente Churchill tentou, apesar de sem chances brigar pela liberdade da Polônia.

Como comentei antes não concordo com o direcionamento do "Pacto" como o desencadeador da segunda-guerra, pois para mim isto foi desencadeado muitos anos antes com o Tratado de Versalhes e a inércia das potências ocidentais a tudo que ocorreu, até que seus abençoados territórios acordaram chacoalhados por 136 divisões alemãs.

Caro Antonio,

Possuo duas descendências diretas e parentescos (agregados) como este tio por exemplo,que é casado como uma de minhas tias por parte de mãe, e mais alguns de países europeus e dos Estados Unidos.

Apesar das discordâncias, agradeço por ter postado o assunto, me fez retornar a atenção para este ponto da 2ª guerra, apesar da minha falta de tempo neste últimos meses.

Grande abraço,

Wandard disse...

Sim, com toda a certeza.

Só quem viveu e sobreviveu às atrocidades da 2ª guerra sabe.

Foi um capítulo lamentável ha história, que não pode ser jamais esquecido.

Pena, que o ser humano não aprende a lição e isto itá se repetir.

António Campos disse...

Caro Wandard, obrigado.

Já agora, aproveito para lhe enviar um link de um artigo de opinião muito equilibrado, da autoria de Anatol Lievin, que saiu na edição de anteontem do New York Times.

http://www.nytimes.com/2009/09/05/opinion/05iht-edlieven.html?hpw

Abraço
António Campos

Oh Well, Okay. disse...

Jest:

Outra vez: quem governou após a ocupação nazi foi um governo nazi, logo não existia governo polaco.
Esta discussão não faz mais sentido.

Antonio Campos:

Comentário construtivo, há ali coisas que eu não sabia. :)
Mesmo assim, mantenho o que disse no inicio.

Wandard disse...

"Já agora, aproveito para lhe enviar um link de um artigo de opinião muito equilibrado, da autoria de Anatol Lievin, que saiu na edição de anteontem do New York Times."

Caro Antonio,


Plenamente de acordo, o texto é extremamente equilibrado, segue a linha de pensamento que eu comungo, e que deveria ser a linha do pensamento histórico.

Não se pode corrigir erros do passado, devemos aprender com estes erros para que não sejam cometidos, assim como um povo não pode carrgar para sempre a culpa dos seus antepassados, principalmente porque cada época possui o seu momento histórico e ele é relativo às tendências do período.

Agradecido pelo link e foi bom conhecer o nome deste professor.

Grande abraço,