quarta-feira, setembro 30, 2009

Rússia e Geórgia divergem em relatório da UE sobre conflito


As autoridades russas e georgianas interpretam de forma diferente as conclusões contidas no relatório elaborado pela Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia) sobre a guerra na Ossétia do Sul, travada em agosto do ano passado.Em comunicado divulgado em Moscou, o ministério russo das Relações Exteriores considera que o relatório da Comissão Europeia deixa claro que a Geórgia foi responsável pelo conflito, ao agredir a Ossétia do Sul. A Rússia afirma ainda que o documento evidencia a completa ilegitimidade das ações georgianas.“Os esforços da Comissão da União Europeia não foram em vão: qualquer pessoa pensante tirará do relatório publicado a 30 de setembro a conclusão fulcral de que a agressão contra a Ossétia do Sul na madrugada de 8 de agosto de 2008 foi desencadeada pela atual direção da Geórgia”, acusa a nota.A diplomacia russa considera também que é de extrema importância o fato de o relatório relacionar os países que armaram e treinaram o exército georgiano.O ministério russo chama atenção para o fato de o documento conter “uma série de ambiguidades”, entre elas “o emprego desproporcionado da força pela parte russa em resposta à agressão georgiana contra a Ossétia do Sul”.“Grandes interrogações provoca o parágrafo do relatório sobre o suposto emprego desproporcionado da força pela parte russa. Porém, no mesmo relatório é fácil encontrar argumentos que mostram o caráter artificial de semelhantes raciocínios”, defende a diplomacia russa.Já o governo georgiano disse estar, “em geral, satisfeito” com as conclusões da Comissão Europeia.“Nas conclusões, que ainda não estudamos até o fim, assinala-se que a guerra em Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul) não começou a 7 de agosto, mas antes. Nessa conclusão em parte alguma se diz que a Geórgia começou a guerra”, explicou o ministro para Questões da Reintegração da Geórgia, Temur Iakobachvili, citado pela agência Interfax.O ministro disse que a parte georgiana discorda da missão da UE quando afirma que não houve entrada em massa de tropas russas na Geórgia.“Também não concordamos que a parte georgiana empregou força exagerada no início do conflito armado”, acrescentou.“Consideramos as ações da Rússia uma agressão, porque foram precisamente as suas tropas que invadiram a região de Tskhinvali”, ressaltou.A guerra terminou com vitória da Rússia, que decidiu reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, duas regiões separatistas georgianas.

40 comentários:

MSantos disse...

O famigerado relatório...finalmente!

A culpar a Georgia pelo desencadear do conflito.

A culpar a Rússia por ter abusado para lá da intervenção de defesa dos seus "pacekeepers" e dos povos da Ossétia e Abcázia.

Estas duas conclusões ao demonstrarem que só há culpados fazem com que este relatório possa ser "engolido" por todos.

No entanto a Rússia na sua própria estratégia viu-se obrigada a efectuar o 2º ponto para:

- Tentar fazer cair o regime de Schakashvilli (sem sucesso)

- Demonstrar à comunidade internacional, em particular à NATO e EUA que o urso acordou e não tolerará mais humilhações além de estar pronto a perservar a sua "zona de influência".

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

o relatorio pode ser lido atraves da BBC, que o disponibiliza para download em formato PDF.

link: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8281990.stm

Anónimo disse...

esta gravura é o quê? dois padres tolinhos no manicómio?

anónimo russo disse...

MSantos disse...


"No entanto a Rússia na sua própria estratégia viu-se obrigada a efectuar o 2º ponto para:

- Tentar fazer cair o regime de Schakashvilli (sem sucesso)"

Se a Rússia quisesse matar Saakashvili, facilmente fa-lo-ia, eu acho. Tambem podia facilmente ocupar a capital (Tbilissi), mas não o fez. Na minha opinião, a Rússia ocupou temporáriamente parte do território georgiano com dois objetivos:

1. Desorganizar completamente o exercito georgiano.
2. Mostrar que é capaz de fazer o que quiser com a Geórgia, mas NÃO PRETENDE FAZER NADA.

PortugueseMan disse...

Finalmente saiu o relatório.

O relatório é interessante. Eu tinha muita curiosidade sobre o que seria dito e como seria dito.

Este relatório cai muito mal para a Geórgia, principalmente para o seu presidente. O conflito foi desencadeado pela Geórgia e isso está claramente indicado no relatório.

O relatório pareceu-me bom. Baseou-se em factos e muito tacto foi usado na escrita.

De realçar que o relatório aponta culpas a todos os envolvidos e que esses envolvidos vão além dos intervenientes directos. A UE também não escapa.

O principal deste relatório (e a ser aceite como o melhor estudo feito sobre o que aconteceu ali), é reconhecer a ofensiva por parte da Geórgia e nenhuma justificação por parte da Geórgia sobre essa ofensiva é aceitável. E partindo deste princípio quais serão as linhas de actuação da Comunidade Internacional e qual será o impacto político que isto terá na Geórgia. Aquele presidente tem culpas no cartório e o mínimo exigível seria que ele se demitisse.

O que irá acontecer? possivelmente nada. A situação está instável e não se sabe qual a melhor maneira de a resolver. O que se sabe é que pela força o desfecho é conhecido.

Este relatório acaba por ser favorável à Rússia no ponto mais importante a que este relatório se dedica, o início das hostilidades. A Rússia tem uma posição oficial indicada por uma entidade independente a confirmar a actuação por parte da Geórgia.

Interrogo-me se teremos um estudo semelhante de modo a perceber se o gás destinado à Europa foi cortado ou desviado. Mesmo a haver, não poderá ser agora, pois ao contrário da "guerra dos 5 dias", a guerra energética ainda está em curso, obrigando a Europa a dispender grandes somas de dinheiro de modo a evitar um estrago maior.

Pippo disse...

Porque é que o texto está escrito em "brasilês"? Não entendo...

Quanto ao relatório, vou lê-lo antes de me pronunciar, mas pelo que li na imprensa parece que O culpado foi claramente identificado. Alguns dos blogueiros que por aqui andam - nomeadamente aqueles que dizem que foi a Rússia a dar o primeiro tiro - devem pedidos de desculpas.

Curiosamente, a OSCE, cujos inspectores já tinham transpirado conclusões aparentemente semelhantes no início deste ano, como noticiei na altura, ainda não produziu qualquer relatório. Será que não instalaram o Office XP?

PortugueseMan disse...

Pippo,

"Quanto ao relatório, vou lê-lo antes de me pronunciar"

Mas leia só o volume I, que são 44 páginas.

Porque o report por inteiro parece que são 900 páginas...

Eu li o volume I, e pretendo ir lendo o resto com calma, porque há partes que tenho muito interesse em ver o que foi dito.

Pippo disse...

O site da Missão Independente de Inquérito
http://www.ceiig.ch/

e o relatório:

http://www.ceiig.ch/pdf/IIFFMCG_Volume_II.pdf

Agora vou ver se arranjo tempo para ler o documento.

Pippo disse...

O site da Missão Independente de Inquérito
http://www.ceiig.ch/

e o relatório:

http://www.ceiig.ch/pdf/IIFFMCG_Volume_II.pdf

Agora vou ver se arranjo tempo para ler o documento.

anónimo russo disse...

Pippo disse...

" Alguns dos blogueiros que por aqui andam - nomeadamente aqueles que dizem que foi a Rússia a dar o primeiro tiro - devem pedidos de desculpas."


Realmente. A começar pelo blogueiro mais importante. Quanto ao gás, será que alguns não compreendem aínda que uma empresa que vive da venda do gás nunca o vai cortar de boa vontade?

Mas uma das coisas mais importantes em toda esta história foi a confiança totalmente perdida dos russos em relação à objetividade dos meios de comunicação social ocidentais. Porque o facto de os media ocidentais terem escondido o início da guerra e o facto de eles só começarem a transmitir algumas imagens do conflito quando o exército russo já estava no território georgiano, não escapou a ninguem aqui. Foi uma vergonha que as tentativas de procurar a verdade só começaram nos meios de comunicação "democraticos" depois da ex-administração norte-americana se ir embora. Realmente, senhores jornalistas, voces mostraram uma grande "independéncia". Parabens.

Oblonsky disse...

Nada de novo no relatório para quem acompanhou desde o início, desde antes da abertura dos jogos olímpicos de Pequim, toda essa querela. E só demorou um ano porque a Rússia tinha evidente razão; do contrário, este relatória sairia em menos de um mês, execrando a Rússia, a malvada Rússia...

Anónimo disse...

Muito estranho. Ultimamente temos assistido a um lambe-botismo (expressão inventada agora) do ocidente para com a Rússia. Primeiro foi a retirada do sistema anti-missil Americano, agora este relatório.
Como a EU e os USA não são de confiança, isto deixa antever que algo por baixo da mesa se esteja a passar...
IRÃO ????? Será isso. uma troca.
A Russia deixa que rebentem com o Irão em troca destes favorzecos?
Espero que não.

anónimo russo disse...

Pippo disse...

"Alguns dos blogueiros que por aqui andam - nomeadamente aqueles que dizem que foi a Rússia a dar o primeiro tiro - devem pedidos de desculpas."

Realmente. A começar pelo blogueiro mais importante. Quanto ao gás, será que alguns não compreendem aínda que uma empresa que vive da venda do gás nunca o vai cortar de boa vontade?

Mas uma das coisas mais importantes em toda esta história foi a confiança totalmente perdida dos russos em relação à objetividade dos meios de comunicação social ocidentais. Porque o facto de os media ocidentais terem escondido o início da guerra e o facto de eles só começarem a transmitir algumas imagens do conflito quando o exército russo já estava no território georgiano, não escapou a ninguem aqui. Foi uma vergonha que as tentativas de procurar a verdade só começaram nos meios de comunicação "democraticos" depois da ex-administração norte-americana se ir embora. Realmente, senhores jornalistas, voces mostraram uma grande "independéncia". Parabens.

Jest nas Wielu disse...

Relatório diz muitas coisas, mas uma coisa é certa:

O relatório alega que primeiros tiros foram feitos pela Geórgia (no dia 7 de Agosto) após anos de provocações russas. Já foi dito antes, que a Geórgia usou a força no seu próprio território (reconhecido como tal pelo ONU), ou seja, a mesma coisa que a Rússia fez na Chechénia. Mas estranhamente, as mesmas pessoas de exortam as virtudes do grande (lili)putin pela “pacificação” do Cáucaso, criticam sobremaneira presidente Mikael Saakashvili por tentar sanar o mesmíssimo problema do separatismo doméstico. Enfim, coisas…

Relatório completo:
http://91.121.127.28/ceiig/Report.html

http://91.121.127.28/ceiig/pdf/IIFFMCG_Volume_I.pdf (Volume I, 43 páginas, 3,7 Mb)
http://91.121.127.28/ceiig/pdf/IIFFMCG_Volume_II.pdf (Volume II, 441 páginas, 31,2 Mb)
http://91.121.127.28/ceiig/pdf/IIFFMCG_Volume_III.pdf (Volume III, 638 páginas, 24,8 Mb)

++
Genocídio patrocinado pelo Moscovo

No dia 27 de Setembro de 2009 assinalou-se em toda a Geórgia o 16º aniversário do ataque dos separatistas da Abecásia contra a capital regional. Apoiados pelos “irmãos” russos e mercenários de todo o Cáucaso, separatistas tomaram a cidade de Sukhumi, capital da república autónoma georgiana.

Pelo censo populacional de 1989 na Abecásia viviam 17,8 dos abecases, 45,7% georgianos, 14,6% arménios, 14,4% russos, alem de gregos, ucranianos, estónios. Nenhum referendo ou as eleições livres poderiam dar a vitória aos separatistas, por isso foi tomada a decisão estratégica em exterminar os georgianos. Pois se “não há o povo, não há o problema”. Quem conseguiu, refugiou-se… A guerra foi terrível, pois os vizinhos e familiares lutavam com garra. Mas mesmo agora, os abecases estão em minoria, eles são menos numerosos do que os georgianos de gália (гальських грузин) ou do que os arménios. E se não fosse o apoio moscovita ao regime nazista do Bagapsh, mesmo agora não se poderia falar sobre a “independência” desta parcelinha da Geórgia.

Eu acredito que os georgianos voltarão um dia a Abecásia, porque é a casa deles. E ao contrário dos invasores russos, eles vão entrar nas suas próprias moradias.

Fonte:
http://vaxo.livejournal.com/360943.html

Dia 27 de Setembro de 1993 é uma data, cuja avaliação nunca conseguirá reunir o consenso entre os georgianos e abecases. Conversando sobre os temas abstractos muitas das vezes conseguimos encontrar a base comum, e até avaliando a guerra, podemos encontrar os pontos em comum, mas nesta questão tudo fica diferente. Para cada georgiano e cada morador da Geórgia, este dia é uma data trágica, dia quando dezenas de milhar de moradores de Sukhumi, salvando a si próprios e as crianças, foram correr fora da cidade, às montanhas, procurando o caminho até a Geórgia Central, os que ficaram, foram na sua grande maioria assassinados, apenas porque eram georgianos….

Fonte:
http://cyxymu.livejournal.com/576189.html

“1999, localidade de Kobuleti (Кобулети), na Adjária. Quase todo o tempo das minhas férias escolares, não conseguia entrar na água. Sabem porque? Assisto as crónicas dos acontecimentos na Abecásia, e na água estão os cadáveres, dezenas, centenas de cadáveres. Quem sabe quem eles são? Sejam georgianos, sejam abecases… isso é o luto de alguém, as lágrimas de alguém, a tragédia de alguém…

Minha amiga é refugiada (georgiana) de Abecásia. Ela até agora não visita o mar. Já mais de 15 anos. Nem consegue olhar para o mar. Receia que o coração não aguentará. Até o dia em que voltará à casa, não visitará o mar. Fez a promessa.

Vocês ainda querem ter as férias baratas na Abecásia?

Fonte:
http://ekser.livejournal.com/51639.html

PortugueseMan disse...

Porque o facto de os media ocidentais terem escondido o início da guerra e o facto de eles só começarem a transmitir algumas imagens do conflito quando o exército russo já estava no território georgiano, não escapou a ninguem aqui.

Não, isso está incorrecto. As primeiras imagens que eu vi foram na BBC e foi exactamente o bombardeamento. A situação andava muito tensa naqueles dias e eu estava sempre que podia a ver as notícias.

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...

"Pelo censo populacional de 1989 na Abecásia viviam 17,8 dos abecases, 45,7% georgianos, 14,6% arménios, 14,4% russos, alem de gregos, ucranianos, estónios. Nenhum referendo ou as eleições livres poderiam dar a vitória aos separatistas, por isso foi tomada a decisão estratégica em exterminar os georgianos. Pois se “não há o povo, não há o problema”. Quem conseguiu, refugiou-se… A guerra foi terrível, pois os vizinhos e familiares lutavam com garra. Mas mesmo agora, os abecases estão em minoria, eles são menos numerosos do que os georgianos de gália (гальських грузин) ou do que os arménios. E se não fosse o apoio moscovita ao regime nazista do Bagapsh, mesmo agora não se poderia falar sobre a “independência” desta parcelinha da Geórgia."

Os abkházos sabem muito bem os numeros, os numeros desde os anos 20 do sec XX, quando a república começou a ser povoada pelos georgianos. Sabem muito bem e lembrem muito bem que em 1900. por exemplo, quase não havia georgianos lá.

anónimo russo disse...

PortugueseMan disse...
Porque o facto de os media ocidentais terem escondido o início da guerra e o facto de eles só começarem a transmitir algumas imagens do conflito quando o exército russo já estava no território georgiano, não escapou a ninguem aqui.

"Não, isso está incorrecto. As primeiras imagens que eu vi foram na BBC e foi exactamente o bombardeamento. A situação andava muito tensa naqueles dias e eu estava sempre que podia a ver as notícias."

Na BBC talvez, mas na televisão portuguesa não vi.

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...

“1999, localidade de Kobuleti (Кобулети), na Adjária. Quase todo o tempo das minhas férias escolares, não conseguia entrar na água. Sabem porque? Assisto as crónicas dos acontecimentos na Abecásia, e na água estão os cadáveres, dezenas, centenas de cadáveres. Quem sabe quem eles são? Sejam georgianos, sejam abecases… isso é o luto de alguém, as lágrimas de alguém, a tragédia de alguém…

Minha amiga é refugiada (georgiana) de Abecásia. Ela até agora não visita o mar. Já mais de 15 anos. Nem consegue olhar para o mar. Receia que o coração não aguentará. Até o dia em que voltará à casa, não visitará o mar. Fez a promessa."

Claro. Já vi na internet inúmera propaganda georgiana que não corresponde à realidade.

anónimo russo disse...

PortugueseMan disse...


"Não, isso está incorrecto. As primeiras imagens que eu vi foram na BBC e foi exactamente o bombardeamento. A situação andava muito tensa naqueles dias e eu estava sempre que podia a ver as notícias."

Então, porque "duvidavam" tanto tempo sobre quem foi o primeiro? E tambem essas "coincidéncias" com o início de investigações na imprensa e as eleições norte-americanos acho que ninguem pode negar.

PortugueseMan disse...

Então, porque "duvidavam" tanto tempo sobre quem foi o primeiro?

Vários motivos.

- Estamos a falar da Rússia, na imprensa ocidental por defeito desconfia-se dela

- A Geórgia teve/tem largo apoio Ocidental, é candidato à NATO, abraça os valores ocidentais é um pais pequeno e tenta libertar-se da influência do seu grande vizinho

- A Geórgia na altura (tal como agora) usou a imprensa fornecendo informações incorrectas de modo a justificar o bombardeamento.

- A maior parte da imprensa deu mais credibilidade ao que a Geórgia dizia do que dizia a Rússia.

O grande problema foi mesmo as imagens do bombardeamento, nunca deveriam ter chegado ao público e isso foi uma grande falha dos serviços georgianos.

Alguns sites começaram a questionar a veracidade das informações que iam sendo fornecidas em grandes quantidades pela Geórgia.

Não me lembro o que os canais portugueses transmitiram na altura, mas a Euronews também as transmitiu e este canal tem tradução para português. Eu acompanhei a situação principalmente pela BBC e Euronews.

MSantos disse...

"esta gravura é o quê? dois padres tolinhos no manicómio?"

E atrás até parece ser aquelas paredes almofadadas caractrísticas dessas instituições.

O que de certa forma revela a verdadeira natureza do mundo actual e me recorda um título de uma música de um dos meus grupos favoritos.

http://www.youtube.com/watch?v=9ZRib_aAQFQ

:o)

Cumpts
Manuel Santos

anónimo russo disse...

PortugueseMan disse...
"Então, porque "duvidavam" tanto tempo sobre quem foi o primeiro?

Vários motivos."

O que muitos não compreendem ou não querem compreender é que as promessas da Rússia de defender a Abkházia e a Ossétia e a questão de realiza-las eram muito importantes para a Rússia. Se a Rússia não tivesse reagido, isso podia levar às consequencias sérias no Caucaso do Norte, onde a confiança ao governo russo podia sofrer muito. E não só no Caucaso, porque todos sabiam dos compromissos existentes. Felizmente, a Rússia deixou finalmente de recuar.

MSantos disse...

"A Geórgia teve/tem largo apoio Ocidental, é candidato à NATO, abraça os valores ocidentais é um pais pequeno e tenta libertar-se da influência do seu grande vizinho"

Caro PM sobre a alegação de que a Georgia abraça os valores ocidentais isso já entendo como muito mais discutível.

Teríamos de voltar ao velho tema de em que é que os valores ocidentais se tornaram.

A maneira como Schakachvilli abafou os protestos opositores não tem nada a ver com os valores ocidentais que em tempos conheci.

A actual liderança georgiana quando muito defende a vigente facção neo-conservadora e neo-liberal (economia) que está muito em voga no Ocidente e que proclama a liderança norte-americana, poderio económico, mercados desregulados e totalmente abertos, exactamente os principais factores que nos conduziram à actual crise económica mundial que estamos a atravessar.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

Caro PM sobre a alegação de que a Georgia abraça os valores ocidentais isso já entendo como muito mais discutível.

Mas meu caro é ou não assim que a Geórgia sempre foi mostrada na imprensa? Um pais prestes a entrar na NATO, a revolução rosa, o apoio americano...

Depois é que começou a aparecer em alguma imprensa que a rosa aparentava tambem ter alguns espinhos...

anónimo russo disse...

Se a Geórgia fosse algum país báltico, o seu desejo de procurar alguma aliança contra a Rússia não surpreenderia ninguem, mas como foi aquela Geórgia que viveu durante séculos junto com a Rússia, como foi a Geórgia que, quer no Império Russo, quer na União Sovietica, viveu melhor que muitas províncias da própria Rússia, como foi a Geórgia que não sofria nenhuma discriminação (basta lembrar Stalin, Béria etc.), é lógico que muitos na Rússia não tenham em grande respeito a posição e a politica deste país nos últimos anos (isto é aínda mais válido para a Ucránia).

Jose Milhazes disse...

Leitor anónimo russo, os georgianos, bem como ucranianos, etc., etc. são mesmo muito ingratos!
Eu, se me desse mal com praticamente todos os vizinhos, pensaria se a causa das más relações estaria só neles...

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
"Leitor anónimo russo, os georgianos, bem como ucranianos, etc., etc. são mesmo muito ingratos!
Eu, se me desse mal com praticamente todos os vizinhos, pensaria se a causa das más relações estaria só neles..."

1. Não sei se todos os ucranianos (não o seu governo) são, como o sr. diz, "ingratos". Eu ouvi das pessoas que estiveram recentemente na Ucrània, que há lá muitas pessoas normais, sem ódio estupido e invejoso à Rússia.
2. Há outros estados vizinhos da Rússia, por exemplo Kazaquistão ou Belarússia. Porque será que não gritam que são vitimas da Rússia? São tambem ex-republicas soviéticas. Com as relações entre o governo da Belarússia a da Rússia nem sempre corre tudo muito bem, mas há muito menos gritos histéricos e muito menos desejo de se vender mais caro a qualquer custo para alguma poténcia alheia aos nossos povos (do alem do oceano).

PortugueseMan disse...

Eu, se me desse mal com praticamente todos os vizinhos, pensaria se a causa das más relações estaria só neles...

Não está só neles meu caro, mas você terá que concordar que albergar ou tentar albergar uma organização militar hostil que tinha sido criada com um propósito, não pode fazer nada bem para a melhoria das relações entre eles...

Jose Milhazes disse...

Leitor anónimo russo, nem as relações da Rússia com na Bielorrússia são pacíficas. Onde está o tão prometido estado conjunto? À primeira oportunidade, o Presidente Lukachenko vira as costas a Moscovo.
Reswta apenas um país.
Caro Portuguese Man, cada país tem o direito de fazer as alianças com quem quiser e a NATO está longe de ser o que era. Você continua a pensar que existe mesmo a vontade dos países ocidentais de sufocarem a Rússia através da táctica da anaconda? Os tempos são outros. A teoria da "fortaleza cercada por todos os lados", elaborada por Estaline, continua, infelizmente a ter muitos adeptos na élite política russa, embora, na era da globalização, isso seja já uma paranóia. O mundo multipolar, que a Rússia defende, e bem, não é compatível com semelhantes teorias, mas só é possível com uma cooperação mais estreita dos Estados.

MSantos disse...

"Você continua a pensar que existe mesmo a vontade dos países ocidentais de sufocarem a Rússia através da táctica da anaconda?"

O problema não são os países ocidentais, José Milhazes mas sim quem advoga as teorias do neo-conservadorismo e neo-liberalismo econômico a par de querer trazer a NATO às suas fronteiras e não perdoa à Rússia não ser ter submetido a esse poderio e pretensa liderança (que com Barack Obama, pelo menos formalmente, deixou de existir).

A Rússia está a desenvolver excelentes (e lucrativas) relações com a Alemanha, França e Itália. Não tem problemas de maior com países como a Noruega (um país da NATO que curiosamente não permite a instalação de bases estarngeiras no seu território), Finlândia, Cazaquistão e outros mais.

Mesmo a própria actual presidência norte-americana está a começar a construir um ambiente de boas relações e parceria e a Rússia actual já revelou que quando isto acontece tem uma postura minimamente honesta e responsável na sua política externa.

Cumpts
Manuel Santos

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
1. "Leitor anónimo russo, nem as relações da Rússia com na Bielorrússia são pacíficas. Onde está o tão prometido estado conjunto? À primeira oportunidade, o Presidente Lukachenko vira as costas a Moscovo."

Eu disse o que disse. Mesmo assim, as relações com a Belorússia nem podem ser comparadas com as relações com a Ucrânia.

2. "Os tempos são outros. A teoria da "fortaleza cercada por todos os lados", elaborada por Estaline, continua, infelizmente a ter muitos adeptos na élite política russa, embora, na era da globalização, isso seja já uma paranóia. O mundo multipolar, que a Rússia defende, e bem, não é compatível com semelhantes teorias, mas só é possível com uma cooperação mais estreita dos Estados."

È exatamente assim que nós pensamos. Mas, ao mesmo tempo vemos o caso da Geórgia, os navíos norte-americanos no Mar Negro (o que esqueceram aqui?). Será que tudo é uma paranoia? Essa onda de ataques informativos contra a Rússia. Será que tudo isso é mesmo uma paranoia? Eu, como cidadão russo comum, avaliando toda a informação que tenho, não acho.

anónimo russo disse...

P.S. Porque o sr. diz "países ocidentais"? Eu mencionaria só um país (não sei como vai ser agora, oxalá que esse país comece a comportar de uma maneira diferente). È que o que me admira é porque é que muitos países da Europa devem seguir segamente o que esse país define? Será que não têm os seus próprios interesses? A Rússia já há muito que não é comunista, não ameaça ninguem.

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
"O mundo multipolar, que a Rússia defende, e bem, não é compatível com semelhantes teorias, mas só é possível com uma cooperação mais estreita dos Estados."

Espero que nesta frase não haja um erro e o Sr. não qeuira dizer primeiro "Estados Unidos".

Pippo disse...

"Você continua a pensar que existe mesmo a vontade dos países ocidentais de sufocarem a Rússia através da táctica da anaconda? Os tempos são outros."

Claro que são, JM, claro que são.
Vejamos:
os EUA vão para a Ásia Central dizendo que vão ficar por lá uns tempos e depois decidem ficar por lá uns anos; financiam "revoluções coloridas" que lhes sejam favoráveis (se fosse a Rússia isso chamar-se-ia ingerência, mas neste caso chama-se democracia); no Cáucaso, os "países ocidentais" estabelecem alianças com o Azerbeijão e com a Geórgia, a quem tentam incluir na NATO; à Ucrânia amparam-lhe todos os golpes, pagam-lhe as despesas e, mais uma vez, tentam integrar na NATO...

Pois, a táctica da anaconda realmente está ultrapassada pois os tempos são realmente outros... como os factos o comprovam.

António Campos disse...

Illarionov poderá ou não ter uma opinião relativa ao que levou os autores do relatório a escreverem o que escreveram, mas os pontos sobre os quais apela à atenção, além de graves, são tudo menos opiniões. Não se é “da opinião” de que foram ignoradas evidências públicas contrárias às conclusões. Tal afirmação ou é verdadeira ou falsa. Tão pouco está aberto ao debate o facto de o direito internacional ter sido violado quando o território de uma nação soberana foi invadido por um país vizinho, coisa que o relatório ignora.

O que não deixa de ser extremamente curioso a respeito de toda esta história é o facto de a Geórgia ser tratada como se tivesse iniciado uma agressão contra a Rússia num território que o direito internacional reconhece como seu. Passe o surrealismo da presunção, e se adicionarmos o facto de a Abkházia ter sido invadida sem que tenha havido qualquer “agressão” prévia georgiana, ficam poucas dúvidas quanto ao que se está a passar na região e quanto à eficácia da alavancagem energética na manipulação das políticas europeias.

António Campos

PortugueseMan disse...

Caro Portuguese Man, cada país tem o direito de fazer as alianças com quem quiser e a NATO está longe de ser o que era. Você continua a pensar que existe mesmo a vontade dos países ocidentais de sufocarem a Rússia através da táctica da anaconda? Os tempos são outros.

Cada país tem o direito de fazer as alianças que quer e a prova disso é a quantidade de novos membros que a NATO tem.

A NATO está realmente longe do que era, passou de uma estrutura defensiva, para algo que permite actuar no Afeganistão e por pouco não entrava no Iraque, não fosse a capacidade de alguns países europeus de se negarem a arrastar a organização para um conflito para o qual a NATO nada tem a ver.

Portanto com estes novos comportamentos da NATO é natural que a Rússia ainda sinta uma maior desconfiança.

Meu caro, se a Rússia não tivesse actuado de modo a proteger as suas riquezas energéticas, a Rússia já teria o seu território redefinido. Porque sem dinheiro nada se faz,e a Rússia chegou ao que chegou hoje foi com o dinheiro vindo dessas riquezas eenrgéticas e são as mesmas que estão a permitir atravessar este periodo negro, com grande capacidade de reacção.

Existe uma tentativa de construir uma barreira entre a Europa e a Rússia e esta está a contrariar isso. isto é inegável.

PortugueseMan disse...

António Campos,

...O que não deixa de ser extremamente curioso a respeito de toda esta história é o facto de a Geórgia ser tratada como se tivesse iniciado uma agressão contra a Rússia num território que o direito internacional reconhece como seu. Passe o surrealismo da presunção, e se adicionarmos o facto de a Abkházia ter sido invadida sem que tenha havido qualquer “agressão” prévia georgiana, ficam poucas dúvidas quanto ao que se está a passar na região e quanto à eficácia da alavancagem energética na manipulação das políticas europeias...

Vamos lá a ver, relatório indica isto:

19.) There is the question of whether the use of force by Georgia in South Ossetia,
beginning with the shelling of Tskhinvali during the night of 7/8 August 2008, was
justifiable under international law. It was not. Georgia had acknowledged that the
prohibition of the use of force was applicable to its conflict in South Ossetia in specific
legally binding international documents, such as the Sochi Agreement of 1992 or the 1996
Memorandum on Measures to Provide Security and Strengthen Mutual Trust between the
Sides in the Georgian-South Ossetian Conflict. Even if it were assumed that Georgia was
repelling an attack, e.g. in response to South Ossetian attacks against Georgian populated
23
villages in the region, according to international law, its armed response would have to be
both necessary and proportional. It is not possible to accept that the shelling of Tskhinvali
during much of the night with GRAD multiple rocket launchers (MRLS) and heavy
artillery would satisfy the requirements of having been necessary and proportionate in
order to defend those villages. It follows from the illegal character of the Georgian military
assault that South Ossetian defensive action in response did conform to international law in
terms of legitimate self-defence...

Pag. 22 Vol I



20.) At least as far as the initial phase of the conflict is concerned, an additional legal
question is whether the Georgian use of force against Russian peacekeeping forces on
Georgian territory, i.e. in South Ossetia, might have been justified. Again the answer is in
the negative. There was no ongoing armed attack by Russia before the start of the
Georgian operation.

There is also no evidence to support any claims that Russian peacekeeping units in South
Ossetia were in flagrant breach of their obligations under relevant international agreements
such as the Sochi Agreement and thus may have forfeited their international legal status.
Consequently, the use of force by Georgia against Russian peacekeeping forces in
Tskhinvali in the night of 7/8 August 2008 was contrary to international law.

PortugueseMan disse...

Em relação à entrada da Rússia na Geórgia, o relatório também é claro. Divide a situação entre a fase de entrada na Ossétia do Sul onde a considera legal e a entrada na Geórgia propriemante dito e que está em violação do Direito Internacional.


21.) When considering the legality of Russian military force against Georgia, the
answer needs to be differentiated. The Russian reaction to the Georgian attack can be
divided into two phases: first, the immediate reaction in order to defend Russian
peacekeepers, and second, the invasion of Georgia by Russian armed forces reaching far
beyond the administrative boundary of South Ossetia. In the first instance, there seems to
be little doubt that if the Russian peacekeepers were attacked, Russia had the right to
defend them using military means proportionate to the attack. Hence the Russian use of
force for defensive purposes during the first phase of the conflict would be legal. On the
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second item, it must be ascertained whether the subsequent Russian military campaign
deeper into Georgia was necessary and proportionate in terms of defensive action against
the initial Georgian attack. Although it should be admitted that it is not easy to decide
where the line must be drawn, it seems, however, that much of the Russian military action
went far beyond the reasonable limits of defence.


Agora eu não consigo perceber como é que se consegue dizer que o relatório ignora o "facto do direito internacional ter sido violado", quando ele está referenciado por todo o lado.

Mas fico a aguardar por uma explicação sua.

Anónimo disse...

"O que não deixa de ser extremamente curioso a respeito de toda esta história é o facto de a Geórgia ser tratada como se tivesse iniciado uma agressão contra a Rússia num território que o direito internacional reconhece como seu."

Por esta lógica e dado ser em território iraquiano, Sadam Hussein teve toda a legitimidade de gasear os kurdos com armas quimicas.

Anónimo disse...

Desistam!

Não interessa como mas para algumas pessoas a Rússia terá de ser sempre a culpada.

Mesmo que outros sejam 30 vezes piores.