segunda-feira, agosto 23, 2010

Polícia moscovita faz tudo para impedir concerto de ecologistas, mas sem êxito


A polícia da capital russa tomou fortes medidas para impedir, no domingo, um concerto de protesto contra a passagem de um troço da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo pela Floresta de Khimki.
Porém, isso não impediu a concentração de milhares de pessoas no centro de Moscovo, transformando essa iniciativa numa das maiores ações da oposição extra-parlamentar russa.
Antes do início da iniciativa, agentes da polícia detiveram dois dos organizadores, acusando-os de “desobediência à autoridade”.
Lev Ponomariov, dirigente da organização “Pelos Direitos Humanos”, foi detido quando chegava à Praça Pushkin, onde devia ter lugar o concerto. Ele tentou explicar à polícia que a reunião tinha sido permitida pelas autoridades municipais, mas acabou por ser conduzido para uma das esquadras de Moscovo.
Na véspera, a polícia deteve cerca de 70 pessoas por alegadamente terem participado no ataque contra o edifício da Câmara de Khimki, cidade dos arredores de Moscovo.
No dia 28 de Julho, cerca de 500 pessoas manifestaram-se em frente do edifício tendo atirado pedras e pintado paredes em sinal de protesto contra a construção de um dos troços da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo.
Além disso, os mais de 400 agentes e de dezenas de autocarros e camiões da polícia que cercavam a Praça Pushkin impediram a entrada de um camião com uma aparelhagem sonora para que os cantores presentes não pudessem atuar.
“Um tal major Iudin, baseando-se numa decisão dos seus chefes, declarou que não permitirá a entrada na praça de qualquer aparelhagem sonora além do megafone”, declarou aos jornalistas Mikhail Kriguer, dirigente do Comité de Acções Anti-bélicas.
A polícia não deixou entrar os músicos do grupo de rock “Recusa Gentil”, pois traziam instrumentos musicais para atuarem. 
Os manifestantes podiam entrar nas Praça apenas através de quatro entradas equipadas com aparelhos de controlo de armas, semelhantes aos existentes no aeroporto, e depois de uma revista cuidada de sacos e malas.
O megafone foi o único aparelho de som cedido pela polícia, mas mesmo esse não funcionava. No entanto, isso não impediu que Iúri Chevtchuk, uma espécie de Bob Dylan russo, pegasse na sua guitarra e interpretasse conhecidas canções suas, sendo acompanhado por numerosas centenas de vozes.
A construção do primeiro troço da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo, com um comprimento de 58 quilómetros, irá ter início no próximo mês de Outubro, mas os trabalhos de derrube de árvores da Foresta de Khimki, numa faixa de cem metros, já começaram.
As autoridades afirmam que tudo está ser realizado segundo a lei, enquanto que as organizações ecologistas falam de “crime ambiental”. 

19 comentários:

Cristina disse...

Como escreve no seu editorial a Gazeta.ru, "a falta de vontade do Governo de levar em conta as posições da opinião pública transforma qualquer projecto, seja a construção da auto-estrada através da floresta de Khimki, seja o oleoduto através do lago Baikal, de um problema ambiental num foco de tensão política".
......
Eis algumas palavras dos intervenientes no concerto de protesto, que, como relata o JM, foi realizado com os manifestantes cercados pela Polícia.
“É preciso que o nosso povo acorde desta anestesia: Lada Priora, televisão e férias no Egipto” – dizia Artiom Troitski, jornalista e crítico musical. “Não nos deixam respirar normalmente. O que é que afinal precisamos de fazer para que nos ouçam?” – gritava Evguenia Tchirikov, activista do movimento de defesa da floresta de Khimki.
Na quinta-feira, Evguenia Tchirikova fora detida.

A Polícia foi no passado dia 5 à noite a casa do jornalista Grigory Tumanov, da Gazeta.ru, cerca das 00.30. Os polícias, sem se apresentarem, disseram à mãe que o queriam interrogar no quadro do processo do ataque de um grupo de manifestantes ao edifício da Administração (Câmara Municipal) de Khimki.
Nos primeiros dias de Agosto, a Polícia começou a apreender nas redacções de diversos meios de comunicação social todas as fotografias referentes ao ataque ao edifício da Administração de Khimki. As autoridades apreenderam materiais no jornal Kommersant e na Svobodnaya Pressa.
No Kommersant, os agentes estiveram lá durante três horas, tendo apreendido diversos materiais fotográficos, gravações vídeo e materiais impressos “ligados aos referidos acontecimentos”. “Uma vez que os vídeos foram retirados da Internet e os materiais escritos há muito que foram publicados, eles pediram-nos que fizéssemos cópias das fotografias. Nós demos-lhes um disco com 117 fotos”, disse o redactor-geral do Kommersant, Mikhail Mikhailin. Os agentes deixaram ainda uma notificação para interrogar, na qualidade de testemunha, um dos jornalistas que fizeram a reportagem sobre os acontecimentos.
Ontem, domingo, feriado oficial (Dia da Bandeira Nacional), o movimento “Solidariedade” tentou transportar uma bandeira russa gigante pela rua Novyi Arbat. Cerca de 150 manifestantes juntaram-se ao pé da estação de metro Krassnopresnenkaya. No entanto, os manifestantes foram barrados pelo OMON (Polícia de choque).
Boris Nemtsov, político da oposição e dirigente do movimento “Solidariedade” foi detido, juntamente com Lev Ponomariov e Mikhail Chneider, activistas dos direitos humanos. O político e os activistas foram acusados de desobediência às autoridades. Estes por, sua vez, afirmam que apenas passeavam pela rua empunhando a bandeira nacional.
Nemtsov ficou durante parte da tarde na esquadra e foi levado à noite para o edifício do tribunal. Na noite de domingo para segunda-feira, o tribunal adiou o julgamento para amanhã, 24 de Agosto, tendo os políticos sido libertados.
Fontes: Gazeta.ru e Ekho Moskvy

Anónimo disse...

Com os chás alucinogéneos do Medvedev, isso passa tudo num instante.

Jest nas Wielu disse...

Khimki:
http://tapirr.livejournal.com/2557164.html

p.s.
Brevemente será a Lada Grant(a), e mesmo assim, poderia ser pior, imaginem a Lada PRIora + KALINA = Prikalina lol lol

José da Crimeia disse...

Ecologistas da treta a soldo da CIA e da Mossad!

Anónimo disse...

Sr. José da Crimeia

Sabe, nós aqui no blogue não temos muita consideração por "brigadeiros" de serviço.As brigadas russas da guerra informativa são facilmente detectáveis por meterem comentários do mesmo estilo em todos os posts e por arranjarem periodicamente uns "comentadores" com nomes sugestivos como o seu. Como não têm argumentos e não sabem pensar, limitam-se a lançar slogans na esperança de alguém ser influenciado.
Que esperança vã!
José L.

António disse...

Caro José L.,

Santa paciência é preciso ter para continuar a dar troco a este lixo... Este espaço destina-se a estimular debates construtivos e entulho como este deveria ser pura e simplesmente ignorado. Responder é dar-lhes demasiada importância.

António Campos

Cristina disse...

Em Murmansk foi apreendido um lote do livro do conhecido político russo Boris Nemtsov, intitulado “Putin: Balanço dos 10 anos”, informou Olga Chorina, secretária de imprensa do movimento oposicionista Solidariedade, do qual Nemtsov é co-presidente.
Segundo ela, os livros foram despachados para Murmask por comboio. Mas, quando no local estavam a ser descarregados para uma viatura, Olga Chorina foi detida e os livros foram confiscados. O motivo apresentado pelos agentes da Polícia de Murmansk foi o livro ser alegadamente “literatura extremista”. Duas pessoas que faziam o transporte dos livros para Murmansk foram detidas e conduzidas à esquadra local.
Recorde-se que um incidente semelhante com o livro de Nemtsov sobre Putin acontecera nos princípios de Junho em São Petersburgo. A 16 de Junho, a Polícia desta cidade apreendeu a tiragem desta obra, da autoria de Boris Nemtsov e do economista Vladimir Milov, por alegada mente apresentar irregularidades na documentação da carga.
....
O líder do movimento “Pelos Direitos Humanos”, Lev Ponomariov, foi condenado quarta-feira por um tribunal de Moscovo a três dias de prisão.
Ponomariov foi detido no domingo passado. O activista foi um dos organizadores de um comício alusivo ao Dia da Bandeira Nacional, autorizado pelas autoridades. A Polícia não gostou de, após o comício, uma parte dos oposicionistas ter decidido passar pela rua Novy Arbat com uma bandeira russa gigante.
Boris Nemtsov, que foi detido e juntamente com Ponomariov e julgado na passada terça-feira, deverá aguardar a repetição do julgamento, após o juiz ter devolvido o seu processo aos órgãos da Polícia, por falta de provas.
Nemtsov tem ainda pela frente outro processo intentado pelas autoridades pela sua participação numa manifestação não autorizada no dia 31 de Julho, na praça Triunfalnaya, cujo julgamento deverá ter lugar no próximo dia 2 de Setembro.
Tudo isto é lamentável!

Cristina disse...

Já agora, quem quiser ler o livro de Nemtsov, para formar uma opinião mais objectiva sobre o conflito entre o actual poder russo e a oposição liberal, aqui vão os links (em russo e inglês):

http://www.putin-itogi.ru/doklad/

http://www.putin-itogi.ru/putin-what-10-years-of-putin-have-brought/

Cristina disse...

Só espero não vir eu própria a sofrer consequências como divulgadora de "literatura extremista".

Jose Milhazes disse...

Cara Cristina, boa malha. Obrigado. Só não sabe quem não quer saber.

Jose Milhazes disse...

Cara Cristina, espero que aí estejas calma e sossegada.

ZÉ PORTO disse...

Não sou conhecedor da realidade russa como a maioria doa ilustres visitantes,nomeadamente o nosso caro anfitrão.
Inicialmente,surpreendia-me a quantidade de manifs que ocorrem em Moscovo,aqui abundantemente relatadas,quer fossem grandes ou pequenas,legais ou ilegais,legítimas ou ilegítimas.
Ao fim de algum tempo comecei a sentir uma enorme similitude com as tácticas das revoluções coloridas,nomeadamente a partir dos famosos OTPOR da Juguslávia.
Alguém quer reflectir sobre isso?...

Jest nas Wielu disse...

E será que Zé Porto estará disponível para reflector sobre a similaridade entre a 25 de Abril e as revoluções coloridas?

Jest nas Wielu disse...

Veterano russo da guerra chehcena defende Shevchuk perante os propagandones do Kremlin:

http://starshinazapasa.livejournal.com/148657.html

Cristina disse...

Um julgado de paz impôs ontem, dia 26, uma pena de três dias de prisão ao líder do movimento oposicionista russo “Solidariedade”, Mikhail Schneider, informou hoje a agência RAPSI.
O juiz de paz Mikhail Proniakin, do bairro Presnia de Moscovo, tomou a decisão após haver estudado o processo do oposicionista e chegado à conclusão que Schneider desobedeceu a uma exigência legítima da Polícia.
Por sua vez,o Movimento pelos Direitos Humanos considera a detenção de Lev Ponomariov e Mikhail Schneider como um processo falsificado e a própria decisão (pena de prisão) como uma "hedionda vingança pelo comício em defesa da floresta de Khimki, mais um sinal da fascização do poder".

ZÉ PORTO disse...

Posso-lhe garantir que não há qualquer semelhança!
Tivemos que nos desunhar sòzinhos.As Agências tipo Usaid e Fundações tipo Heritage,Ford,etc.não queriam nada connosco...
De qualquer modo,se quiser esclarecimentos da época,é só pedir.
Estava na tropa e fiz parte do último Batalhão a sair de Angola.
E a propósito de Angola,tenho lido por estas bandas estórias da História que, na mehor das hipóteses,me fazem sorrir!...

Jose Milhazes disse...

Leitor Zé Porto, avance com a sua verdade sobre Angola.

ZÉ PORTO disse...

Não sou do estilo de "avançar com a sua verdade".
Infelizmente,as verdades estão muito mercantilizadas:compram-se,vendem-se e há até quem se venda por elas.
Fui apenas um observador e participante o mais objectivo possível daquele momento histórico.
Uma modesta chamada de atenção:
Aquela do Batalhão Sul-Africano a 23Km de Luanda deixa muito o seu crédito em mãos alheias!...

Maquiavel disse...

Zé Porto, essa é que é essa! Falou e bem da estratégia dos OTPOR, e de que foram usados os mesmos métodos nas revoluçöes coloridas, pelos mesmos instigadores, pelos mesmos financiadores.

Hoje em dia os OTPOR devem andar a berrar pelo "retorno do direito internacional ao Kosovo-Metóquia"...

Nem mais, no 25 de Abril de 1974 tanto americanos como soviéticos foram duplamente apanhados de surpresa!!! O que veio *depois* é que já foi outra história...