terça-feira, dezembro 07, 2010

Blog dos Leitores ( A Grande Guerra dos Continentes)

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Texto enviado pelo leitor Manuel Santos:

"A Grande Guerra dos Continentes – Parte I

Alexander Dugin é um dos mais proeminentes politólogos russos e catedrático. É o fundador do Movimento Eurásico e desde 2008 é o ideólogo oficioso do “Rússia Unida”, o partido do governo presidido por Vladimir Putin. Dugin é autor de numerosas obras e as suas posições são conhecidas pela controvérsia envolvendo simpatias que passam desde os movimentos bolcheviques aos partidos nacionalistas-fascistas. De qualquer das formas o pensamento de Dugin é incontornável quando se tenta compreender a essência do ser russo e quais os desígnios que este povo almeja. Na sua primeira obra traduzida para português e talvez a mais relevante da sua carreira literária, Dugin expõe a tese geopolítica de que há uma imensa conspiração planetária que envolve as duas maiores forças supranacionais: a abordagem terrestre ou continental e a abordagem marítima ou insular.

A história deste confronto começa logo nos relatos de Platão em que a oceânica Atlântida investe contra a continental Atenas. Já no plano histórico o grande combate começa com a marítima Cartago a disputar o domínio com Roma, potência terrestre.

As potência marítimas utilizam como modelo de domínio o comércio, o establecimento de colónias e numa fase mais posterior o “mercado-capitalista-mercantil” como é o caso do Império Britânico e de outras nações europeias que se aventuraram além-mar. Nas civilizações marítimas vingam os interesses materiais e o liberalismo económico aliados ao individualismo. Concretiza-se o primado do económico sobre o político.

Os países anlgo-saxónicos, em particular os EUA e Reino Unido são o actual expoente máximo deste paradigma e são os classificados por MacKinder, atlantistas.

As potências terrestres já assentam sob uma estrutura autoritária, com um Estado mais forte e presente, mais guerreiro que comercial em que o interesse individual cede ao desígnio do todo. Aqui o político impera sobre o económico. Temos como exemplos Roma, o Império Austro-Húngaro, Alemanha e claro, o Império Russo.

Na época moderna temos o confronto antagonista entre o atlantismo, em concreto EUA, Inglaterra com o primado do indivíduo, do liberalismo económico e da democracia protestante e o eurasianismo (Евразийцы no russo original) com o autoritarismo , a hierarquia, o Estado acima do indivíduo do qual a Rússia e a Alemanha são exemplo.

Temos então a conspiração dos atlantistas, levantando o estandarte da “nova Cartago” através da defesa do individualismo, a livre empresa, o liberalismo democrático face aos eurásicos.

Tudo isto resulta no conflito global e milenar em que temos permanentemente o mundo continental com a sua filosofia imperial terrestre assente no idealismo autoritário, na ideia heróico-comunitária que nas palavras do autor é “a Ordem da Eurásia contra a Ordem do Atlântico (da Atlântida); a Roma eterna contra a eterna Cartago” ou seja uma constante guerra púnica que se verifica desde a antiguidade.

A dualidade “sangue e solo” é também dissecada, em paticular a importância da prevalência do solo sobre o sangue que deverá ser o desígnio do euroasianismo.

Na revolução bolchevique o grande confronto verificou-se entre Lenin, continentalista preocupado em perservar o grande espaço imperial russo e Trotski, o revolucionário mundialista, exportador da revolução considerando a URSS apenas algo efémero para vir a atingir outros objectivos.

Um factor comum entre os partidários russos do euroasianismo foi a sua germanofilia quase obrigatória em contraponto a uma anglofobia omnipresente.

Em contrapartida na Alemanha os eurásicos eram russófilos.

A relação dos eurásicos germanicos e russos aprofunda-se entre as duas guerras, tendo o seu ápice com o pacto Ribentropp-Molotov.

Assim que a narrativa descritiva e histórica se vai desenrolando com distanciamento e objectividade, o tom conspirologista vai crescendo há medida em que penetramos cada vez mais na história comtemporânea.





A Grande Guerra dos Continentes – Parte II





Uma das mais surpreendentes teses da conspirologia eurásica baseia-se no pressuposto que teria sempre existido uma espécie de sociedade secreta de cariz quasi-esotérico, a grande Ordem dos eurásicos, mesmo no seio dos mais secretos serviços de informação soviéticos: o GRU (Glavnoye Razvedyvatel'noye Upravleniye - Serviços de Informações Militares) pois enquanto o KGB defendia a efemeridade do Partido, o GRU seria a última linha de defesa do estado. O verdadeiro oponente da CIA era o GRU e não o KGB cujo atlantismo compartilhava com a sua congénere americana.

Em contrapartida houve sempre alegações da existência de uma organização secreta atlantista com enfoque em estudos paranormais e esotéricos inicialmente na Tcheka e depois no KGB, a sociedade de Viy.

É narrada a longa batalha eurásicos-atlantistas travada no seio dos serviços secretos e forças armadas soviéticas desde a fundação da URSS até ao seu colapso com base no trabalho de pesquisa do escritor e jornalista francês Jean Parvulesco. Os atlantistas mais proeminentes, alguns classificados como “atlantistas vermelhos”, teriam sido Djersinski, Koruchev, o “sr. Perestroika, Alexander Yakovlev. Do lado eurásico as figuras de destaque teriam sido Aralov, Toukatchevski, Chtemenko e o “soldado formidável” mentor da Ordem Polar, o marechal Nikolai Ogarkov. Já no descalabro da URSS, Dugin apresenta o golpe de Agosto como uma última e frontal confrontação entre os “filhos da Eurásia” contra os “soldados da Atlântida”. No final exprime o seu ponto de vista escatológico e apocalíptico em que haverá uma batalha final ou endkampf entre a Ordem da Eurásia e a Ordem do Atlântico, em contornos esotéricos e metafísicos de carácter messiânico. Já nos apêndices do livro, o autor faz menção a um pequeno país europeu, não rico nem influente e com nada para se orgulhar, mas que vive o sonho secreto do advir de um quinto império e com toda a sua alma impressa numa palavra intraduzível para as outras línguas: saudade. O motivo esotérico luso é usado como analogia e explicação para algo que não se pode pôr em palavras no que liga a alma russa aos desígnios eurásicos. No final há uma entrevista dada por Dugin ao Los angeles Times um mês após o conflito da Georgia em que este refere a Rússia a ter um papel relevante num mundo multipolar, sendo a eventual entrada na NATO de nações como a Georgia ou Ucrânia uma declaração de guerra. Realça ainda que o Irão poderia ser um aliado da Rússia sendo um patamar de influência desta no Médio Oriente. No final quando questionado se a Rússia poderá enveredar pelo isolamento e se esse será viável, Dugin responde numa frase que contém toda a essência do livro e do seu próprio pensamento:

“ A Rússia não ficará isolada – nem da Europa nem da Ásia.

Dos Estados Unidos talvez, mas isso não nos importa.” "

46 comentários:

Jose Milhazes disse...

Caros leitores, se tiverem meios financeiros para adquirirem este livro, recomendo, pois o seu autor é um representante de uma franja significativa do actual pensamento russo.
A minha opinião é de que Duguin não passa de mais um daqueles analistas políticos que passa a vida a dar tiros no escuro para ver se acerta alguma vez. Conheço as obras fundamentais dele e considero que este tipo de pensamento é extremamente pernicioso para o presente e o futuro da Rússia.
Mas não sou eu que desenha ou planeia o destino deste país, por isso pubkiquei o texto.
Além disso, respeito a opinião do leitor que o enviou para publicação.

Maquiavel disse...

Cá pelo "Ocidente civilizado" temos coisas parecidas, com milhentos "analistas económicos" a mandar tiros no escuro acerca de como resolver a crise para ver se acertam alguma vez...

PortugueseMan disse...

Caro MSantos,

Estou errado ou é uma estreia a colocação de um artigo neste blogue?

Cristina disse...

Este artigo merecerá certamente uma análise mais profunda, que eu não sou capaz de fazer agora, tendo em conta que as ideias "patrióticas" e nacionalistas de Aleksandr Duguin são apoiadas por uma parte significativa da sociedade russa, especialmente desde que Putin chegou ao poder e muito estimuladas por ele. Concordo com a avaliação do JM mas, mesmo que para nós este tipo de ânimos na Rússia sejam inaceitáveis, há que os estudar e ter em conta, para não termos ilusões quanto ao "europeismo" do país.

Cristina disse...

Já agora, uma notícia muito divertida que mostra como a vodka pode estragar tudo....
http://www.bfm.ru/news/2010/12/03/wikileaks-pjanyj-serdjukov-raskryl-sekrety-armenii.html

Gilberto Mucio disse...

Concordo com Milhazes, e acrescento que esse Dugin não passade uma farsante.

Era "Nacional-Bolshevik", mas bastou Putin lhe oferecer um empreguinho e uma verbinha para seu jornal, que esse cidadão virou a casaca. Se tivesse feito o mesmo com Lomonov, hoje esse seria "chapa-branca" também em vez de oposição.

A Russia hoje, sua economia, é menos nacionalizada e mais dependente do capital estrangeiro do que quando Putin a pegou.

E esse farsante, Dugin, disso não fala de seu patrão, está caladinho a escrever suas sandices.

Pra mim esse cidadão é um frouxo.

Gilberto Mucio disse...

Dugin nada mais é do que um instrumento util de setores da burguesia russa.

Essa de arrumar um inimigo externo para manter a massa idiotizada e entretida é mais velho que andar para frente.

Ele trabalha para eles(para os oligarcas), e presta-lhe um grandioso serviço.

Deripaskas e Abramovichs o agradecem.

"O inimigo está em casa" e tenho dito...

Gilberto Mucio disse...

*Limonov e não "Lomonov"(em meu 1º post)

Jest nas Wielu disse...

Se chamarmos as coisas pelos seus próprios nomes Dugin é um xenófobo, defensor do expansionismo colonial russo, que defende as ideias próximas das ideias fascistas. Além disso é ligado aos serviços secretos russos:
http://en.wikipedia.org/wiki/
Aleksandr_Dugin

MSantos disse...

Quando vi pela primeira vez o livro do sr Dugin, pareceu-me de fácil leitura e chamou-me a atenção do facto de vários orgãos ocidentais, entre as quais a nossa revista da Armada, classificarem-no como uma das principais correntes de pensamento geostratégico russo.

Após a referida leitura do livro achei muito importante expressar aqui neste blog a ideia principal deste pensamento que gostemos ou não está inserido numa franja significativa do pensamento russo, como muito bem referiu o JM.

De certa forma isto é a continuidade do eterno debate sobre esse país a nós tão estranho, enigmático, fascinante e sei lá mais o quê. Relativamente ao nosso pensamento ocidental, acho que os anglo-saxónicos têm um excelente termo que o careactriza: "alien" (alienígena). Não tem nada a ver com extraterrestres mas sim pelo facto de ser totalmente diferente.

E aqui o que interessa é dissecar, como se fosse um estudo, uma investigação, para compreender ou pelo menos tentar, a postura dos russos, a sua política externa, as suas ambições e desejos, os seus problemas de afirmação e como poderemos lidar com eles.

A minha preocupação foi expôr o contexto e a ideia principal tudo sob o ponto de vista descritivo, analítico e sem qualquer juízo de valor.

Cumpts
Manuel Santos

Gilberto Mucio disse...

A RÚSSIA ASSOMBRADA PELOS DEMÔNIOS

Há muito tempo atrás, no final dos anos 90, eu li o livro “O Mundo Assombrado Por Demônios – A Ciência Como Uma Vela no Escuro”, do excelente Carl Sagan.

Essa obra encoraja o pensamento crítico de uma forma geral, divulgando o método científico, a importância do ceticismo, da razão e da lógico em oposição a coisas como superstições e pseudo-ciências como um todo.

O livro, se não me engano, foi escrito lá por 96 ou 97. Lá pelas quantas, no livro, ele aborda uma questão interessante. Ele falando algo sobre os países que viviam de baixo da Cortina de Ferro, e em especial os da ex-URSS, se mostrou bastante preocupado com a vulnerabilidade dos povos desses países, e da sutetibilidade dos mesmos, decorrentes da falta de pensamento crítico(anos de ditadura) e da desilusão causada pelo vazio provocado pela queda dos regimes stalinistas.
Quando li isso, na época, a mim não quis dizer tanta coisa. Hoje vejo o quão genial foi Carl Sagan ao abordar isso, nessa pequena passagem de poucas linhas em seu livro.

Pois falando especificamente da Rússia, trata-se do povo mais ingênuo, supersticioso e influenciável do mundo. É muito fácil enganar um russo com maluquices ou pseudo-ciências. Aqui é o paraíso dos chalatães, metidos a magos, ocultistas, pastores e crentes picaretas. Nesse bolo eu incluo espertalhões com saus invencionices ideológicas das mais variadas vertentes.

O nível de canastrice e cafonice do populismo usado por políticos russos, incluindo Putin ai, é do nível de políticos de cidade de interior de 3ª categoria do Brasil.

(CONTINUA...)

Gilberto Mucio disse...

(continuação)
O nível de politização dos russos(claro que há muitas excepções) é nível de país africano – falo sem exagero. A massa russa é ridiculamente manobrável. É só entender um pouquinho da tão falada “alma russa” que tudo fica muito fácil. E os homens do Kremlin a entendem muito bem e sabem usar isso ao seu favor.

Pois bem... figuras como Alexandr Dugin servem para isso. E nesse sentido, ele é muito eficiente em sua função – a de AGENTE DE DESORIENTAÇÃO. Agente de desorientação política e social. Não só eles, mas figuras como Limonov também, além de grupos fascistóides de uma maneira geral.
Enquanto isso, cadê o movimento operário russo? Cadê os sindicatos? Cadê o movimento estudantil...? Não há nada disso. Os sindicatos aqui praticamente inexistem. Não há direitos trabalhistas neste país, o trabalhador não possui nenhum tipo de seguridade (nisso os liberais não tem do que reclamar)... serviços públicos pioram a olhos vistos... ao mesmo tempo em que a cada dia que passa, mais e mais oligarcas surgem na lista da Forbes.

E o que os agentes de desorientação a serviço da burguesia fazem? Com discursos cafonas e ultra-demagógicos abusando de ufanismos e chovinismos de 5ª categoria, dirigem a atenção desse pobre povo para teorias estapafúrdias, mitológicas e mirabolantes, biuscando de forma ridícula encontrar um inimigo externo, ou então fomentar uma “xenofobia inerna” a fim de dividir e enfraquecer a classe trabalhadora deste mais. Ao mesmo tempo em os figurantes da Lista da Forbes, em parceiria com o Kremlin, estão imunes e dando risada desse povo que tanto desprezam.
Eis o papel de desorientadores profissionais como esse cidadão chamado Dugin.

MSantos disse...

E agora sim, vamos à minha opinião.

A primeira parte do livro essencialmente é um contexto histórico para explicar as posturas atlantistas e continentais. Efectivamente para mim existe uma questão cultural e de facto há civilizações marítimas, propensas ao comércio e livre empresa. O facto de um povo aventurar-se no mar torna-o forçosamente mais aberto e cosmopolita, a sua tendência comercial vai reforçar-se e face ao contacto com povos distantes terá uma perspectiva mais liberal do mundo. De certa forma embora oposta é uma visão em tudo equivalente ao considerado pai da geopolítica, Halford Mackinder.

Contrariamente uma potência continental tem sempre a tendência a se ver encurralada no seu próprio continente e tentará sempre expandir o seu domínio de maneira a garantir a sua segurança. Com uma postura destas tem de haver um estado forte e de cariz mais dogmático.

Mas isto são questões culturais que moldam os povos ao longo do tempo. E se formos a analizar a história humana até bate certo. Tem sempre havido o eterno combate entre a terra e o mar.

Eu pessoalmente considero-me mais atlantista do que continental embora ache que nestes casos há uma frase portuguesa que exprime literalmente a máxima sabedoria:

"nem tanto ao mar nem tanto à terra"

Também poderei aceitar que no seio do poder soviético/russo e nas suas forças armadas e serviços de informações, tenha havido um combate, mesmo que inconsciente, entre mentalidades atlantistas e continentais. A própria evidência histórica demonstra-o.

O meu total desacordo está na forma como o sr Dugin apadrinha este confronto e se refugia no tal eurasianismo primário, diria mesmo grotesco, quase numa espécie de mini-Mein Kampf, rodeado de desígnios esotéricos e viscerais e desprovido de quaisquer princípios, pois a Eurásia é o principal, independentemente de adevir sob a égide bolchevique ou fascista. Todos e quaisquer meios justificam este objectivo.

E também pelo seu primarismo continental, dado para a sua linha de pensamento, tudo o que vier dos anglo-saxónicos é negativo.

De certa forma, o pensamento de Dugin é nem mais nem menos do que a antítese do próprio cosmoplitismo e uma visão destas no mundo actual com os meios de comunicação disponíveis, muito mais que anacrónica é potencialmente perigosíssima e explosiva.

Noutra escala e sob outro prisma é de certa forma análoga ao fundamentalismo islâmico e claro, ao fanatismo nazi.

Mas o facto é que para mim, é uma das duas principais aspirações dos russos, sendo a outra quase oposta que é seu fascínio e ambição em ser como a Europa e aqui a história demonstra-o. Vladivostoque poderá ser oriental mas nada mais europeu clássico do que S. Petersburgo.

Face a estas duas correntes opostas e omnipresentes os russos vacilam e principalmente vacilam conforme a interacção externa que sofrem e que são tão solícitos.

É essa a principal razão de eu ter sempre advogado que a Europa deveria aproximar-se da Rússia por si só, para lhe abrir as fronteiras, para a "invadir" com cosmopolitismo e moderniza-la não só em tecnologia mas mais importante em mentalidade. Se insistirmos em fazer o jogo do nosso "aliado", formos pela política de cerco e isolamento, continuarmos com as aventuras das NATOs à procura de exportar "liberdade e democracia", obviamente que serão os Dugins a tomar o poder e temos de nos lembrar que a Europa é vizinha da Rússia e se as coisas correrem terrivelmente mal, será a Europa o campo de batalha mais uma vez.

De qualquer das formas, concordo em absoluto com a leitora Cristina quando afirma a inexistência do europeismo da Rússia. Já o disse e torno a dizê-lo: Europa e Rússia são duas entidades destintas e diferentes. Almejar inalcançáveis integrações em UEs ou NATOs é pura ingenuidade.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MSantos disse...

Caro PM

Que eu me recorde fiz uma espécie de crítica cinematográfica do filme "O Caso Farewell", publiquei uma notícia da evental participação da UAC no concurso do KC-X e tavez outros textos que agora não me recordo.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Relativamente ao livro por si só e independentemente de quem o escreve, é pequeno, de fácil e agradável leitura e dado que a capa não foi carregada na figura, aqui está o link:

http://marcadordelivros.blogspot.com/2010/04/antagonista-editora-publica-grande.html

Cumpts
Manuel Santos

Cristina disse...

Concordo totalmente com a opinião do MSantos.

FAB FLANKER disse...

Excelente artigo, o melhor que eu já lí neste BLOG e talvez um dos melhores que já lí!

Incrível eu nunca ter ouvido falar deste Aleksandr Dugin...Será uma constante em minhas pesquisas, daqui para frente. A última frase, na entrevista ao LA TIMES é simplesmente impactante:

"A Rússia não ficará isolada – nem da Europa nem da Ásia. Dos Estados Unidos talvez, mas isso não nos importa."

Isto é incrível, impressionante! Foi o que eu sempre defendi, o mundo multipolar, e não unipolar, como o que vivemos na atualidade... E é o que irá acontecer, dentro dos proximos anos! Quem viver, verá!!!

Mas o mais impressionante é que no início deste artigo, cita-se que "Alexander Dugin é o ideólogo oficioso do “Rússia Unida”, o partido do governo presidido por Vladimir Putin".

Certamente é uma inspiração para os rumos que este partido irá tomar nos próximos anos, na Grande Dinastia PUTIN!!!

Gilberto Múcio: Você é um VENDIDO ao capitalismo imposto pelo Capitólio, servo de Washington e de sua propaganda enganosa. Não sei onde vc mora, mais espero que não seja em meu país, e que nunca ocupe um cargo político, pois pessoas como vc abririam as portas para os US MARINES, não importa o país onde vc mora...

Engraçado, eu leio estes comentários publicados pelos leitores deste blog e me pergunto: Porque vocês não criticam o patriotismo imposto pelos Estados Unidos em seus filmes hollydianos. A bandeira americana sendo venerada nas telas do cinema, no mundo inteiro, e as pessoas não criticam esta propaganda, esta conspiração psicológica que os estrategistas americanos impõe em milhões de pessoas, mundo a fora!

São pessoas como vocês, que fazem a América ficar hegemônica, vocês trabalham para que isso ocorra!

Porque vocês não criticam o fato de que, no dia 11 de setembro de 2001, todos os terroristas que participaram do ataque eram da Arábia Saudita, então porque os EUA não invadiram a Arábia Saudita?

Porque vocês são cegos?

Porque vocês não criticam a morte dos inocentes soldados paquistaneses que foram mortos, dentro de seu próprio país, por drones americanos, comandados de bases no Afeganistão á alguns meses???

Quem é o farsante, sr Múcio? Aleksandr Dugin ou Donald Rumsfeld?

Abram seus olhos, caiam na real e verão qual o país mais xenofóbico e espansionista da história da humanidade!

Pippo disse...

Pois eu já tive o prazer de, há uns 8 anos atrás, entrevistar o Alexander Dugin nos escritórios do Movimento Eurásia. Um dos seus adidos era o Sr Vladimir Ponomarev, um simpático cavalheiro que, não obstante a falta de prática, ainda falava um português de categoria. A Lomonosov é assim!
Adiante!

A entrevista com o Dugin foi muito interessante. Na sua mundividência, ele vê um conflito metafísico entre o Mar e a Terra, e esses dois elementos, as forças telúricas, em suma, condicionam as nossa (dos Homens) vivência e cultura.

Segundo Dugin, a massa euroasiátic é um elemento central, fundamental, no Mundo, e a Rússia, independentemente de ter esteou aquele regime, deve ter consciência das suas características de massa continental fundemental.

Para Dugin, a aliança entre a Rússia e outros países "continentais" tem lógica dentro da sua lógica de eterna oposição Mar-Terra. Para além disso, os países "continentais" têm propensão para ter o mesmo tipo de cultura de autoridade e conservadorismo que tem a Rússia. Por isso, a aliança com o Irão, ou a aliança entre os Ortodoxos e as correntes conservadoras islâmicas na Rússia, fazem sentido, pois cristalizam uma forma de estar na vida que está em sintonia com o espaço em que o Homem euroasiático se insere.

O problema que eu encontrei no Dugin, da mesma forma que encontro, por exemplo, no Rainer Daehnhardt, é a sua porpensão para trasitarem do objectivo para o oculto e o esotérico. Podem ter razão nas questões objectivas que eles abordam, mas depois "estragam tudo" com a prosápia da "magia".

E contudo - e isto é muito importante! - há concluios e organizações secretas que regem as nossas vidas (vejam-se os casos dos dois últimos directores do SIED português, que eram maçons); e há dirigentes e ideias políticas que são fortemente infuênciados pelos elementos "mágicos". Assim de repente vêm-me à ideia o Nazismo (vide Nicholas Goodrick-Clarke) e, claro, a fortíssima influência da Maçonaria e dos seus elementos mágicos na fundação dos EUA)

Já agora, Parabéns ao MSantos por ter escrito esta peça, mas cuidado ao catalogar de forma "fácil" o Eurasianismo e o Dugin como "vermelhos", "fascistas", "nacionalistas", etc.. Na verdade, o eurasianismo duguinista aproxima-se mais dum conservadorismo determinista do que em questões raciais ou nacionais, pois o que ele diz, em suma, é que existe o Mar e a Terra; cada um influencia os povos de determinada forma; e que os dois elementos e os povos que lhes estão subjacentes estão condenados a lutar uns contra os outros.

Ab

Pippo disse...

Pois eu já tive o prazer de, há uns 8 anos atrás, entrevistar o Alexander Dugin nos escritórios do Movimento Eurásia. Um dos seus adidos era o Sr Vladimir Ponomarev, um simpático cavalheiro que, não obstante a falta de prática, ainda falava um português de categoria. A Lomonosov é assim!
Adiante!

A entrevista com o Dugin foi muito interessante. Na sua mundividência, ele vê um conflito metafísico entre o Mar e a Terra, e esses dois elementos, as forças telúricas, em suma, condicionam as nossa (dos Homens) vivência e cultura.

Segundo Dugin, a massa euroasiátic é um elemento central, fundamental, no Mundo, e a Rússia, independentemente de ter esteou aquele regime, deve ter consciência das suas características de massa continental fundemental.

Para Dugin, a aliança entre a Rússia e outros países "continentais" tem lógica dentro da sua lógica de eterna oposição Mar-Terra. Para além disso, os países "continentais" têm propensão para ter o mesmo tipo de cultura de autoridade e conservadorismo que tem a Rússia. Por isso, a aliança com o Irão, ou a aliança entre os Ortodoxos e as correntes conservadoras islâmicas na Rússia, fazem sentido, pois cristalizam uma forma de estar na vida que está em sintonia com o espaço em que o Homem euroasiático se insere.

O problema que eu encontrei no Dugin, da mesma forma que encontro, por exemplo, no Rainer Daehnhardt, é a sua porpensão para trasitarem do objectivo para o oculto e o esotérico. Podem ter razão nas questões objectivas que eles abordam, mas depois "estragam tudo" com a prosápia da "magia".

E contudo - e isto é muito importante! - há concluios e organizações secretas que regem as nossas vidas (vejam-se os casos dos dois últimos directores do SIED português, que eram maçons); e há dirigentes e ideias políticas que são fortemente infuênciados pelos elementos "mágicos". Assim de repente vêm-me à ideia o Nazismo (vide Nicholas Goodrick-Clarke) e, claro, a fortíssima influência da Maçonaria e dos seus elementos mágicos na fundação dos EUA)

Já agora, Parabéns ao MSantos por ter escrito esta peça, mas cuidado ao catalogar de forma "fácil" o Eurasianismo e o Dugin como "vermelhos", "fascistas", "nacionalistas", etc.. Na verdade, o eurasianismo duguinista aproxima-se mais dum conservadorismo determinista do que em questões raciais ou nacionais, pois o que ele diz, em suma, é que existe o Mar e a Terra; cada um influencia os povos de determinada forma; e que os dois elementos e os povos que lhes estão subjacentes estão condenados a lutar uns contra os outros.

Ab

FAB FLANKER disse...

Este foi o melhor artigo que já lí neste blog!!!

A Rússia é um país espetacular, digno da minha admiração por seu patriotismo e desejo de mudança, na Ordem Mundial...

A última frase deste artigo é impactante: “ A Rússia não ficará isolada – nem da Europa nem da Ásia.Dos Estados Unidos talvez, mas isso não nos importa.” "

Essa que deve ser a atitude!!!

Francisco Lucrecio disse...

Vou acrescentar a minha opinião ao que foi escrito, não posso concordar minimamente com o sentido do artigo, muito embora contenha factos que exprimem com exactidão o contexto actual da situação, considero-o mais um exercício de contrição feito por o autor, “alguém que largou o pássaro e agora desesperadamente tenta a todo o custo apanha-lo.

É o arrependimento de mais um traidor a tentar remediar os erros do passado e as patifarias e trafulhices que cometeu contra o seu país.. Este ainda mete a mão na consciência, Gorbachov nem isso tem a pequenez de fazer. Há algum tempo que tenho conhecimento dos sonhos de reconquista estratégicas deste “perito” de meia tijela.

Mas o que me deixou mais estupefacto foi a “inocência imaculada” do MSantos, talvez por ignorar este pensamento de Brzezinski (O objectivo dos EUA é construir uma Europa de Portugal a Beringue (……) que alargue o sistema Internacional de cooperação do qual depende o exercício de hegemonia global da América).
Sabe o que isto quer dizer Senhor MSantos? Se soubesse de certeza não tecia tão largos elogios ao artigo desse saltimbanco politico. Convença-se que este livro vem com 25 anos de atraso.


Esse Dugin não é aquele triste que começou por ser comunista ao pequeno almoço, Europeísta ferrenho ao almoço, que fez elogios a figuras de topo do nazismo ao lanche, e ao jantar um é assalariado de Putin? Julgo ser esse mesmo.

Mas para que esta situação seja entendida de uma forma mais objectiva temos que recuar alguns anos para poder-mos encontrar os seus responsáveis. Porque aqueles que se empenharam em destruir gratuitamente a URSS se se tivessem dedicado a estudar um pouco mais de historia sabiam que há 30 séculos a Ásia Central já era uma região de disputas, e ficavam a saber também que Samarcanda é tão antiga como Jerusalém, ou se tivessem conhecimento do que constou o Grande Jogo mais recentemente. No entanto a cegueira obstinada de destruírem o comunismo impedi-os que olhassem no mínimo cinco anos em frente.

Se tivessem aprendido isto no devido tempo, esta pandilha de traidores tinha-se logo apercebido que a segurança da Rússia dependia da Ásia Central e do Cáucaso? Agora é que compreenderam que paira uma sombra muito negra sobre a Rússia, que não é o comunismo. Mas sim o capitalismo. Foram eles que levaram para lá essa terrível ameaça.

Ziuganov num ensaio critico dos anos 90 com o titulo “ A Rússia depois do ano 2000, Visão Geopolítica de um novo Estado” disse; ( O resultado da luta por o espaço da Eurásia “ Hearteland” decidirá a sorte do mundo e o Ocidente deve portanto obrigatoriamente liquidar por todos os meios a dominação Russa nesta região). Em que errou Ziuganov? Como foi a opinião de um comunista não se podia levar a sério. Agora já é tarde demais para a Rússia tentar assumir-se. Já perdeu o estatuto de potencia mundial e com as cedências que fez na cimeira da NATO em Lisboa a curto prazo vai perder a influencia que ainda detinha na Ásia Central (a única que lhe restava) .

A Rússia militarmente está de cócoras , e os dirigentes Russos sabem muito bem disso e sabem também que o escudo anti-míssil que vai ser construído em volta da Rússia que usa os seus mísseis como dissuasores, se os Estados Unidos destruírem essa ameaça ficam de mãos livres para atacar a Rússia, sabendo que não podem retaliar
E economicamente também está mergulhada numa letargia que dificilmente conseguirá acordar.

Cont........

Francisco Lucrecio disse...

Este Dugin não leu de certeza Samuel Huntington, Brzezinsk, Alexandre del Valle, Kissinger, ou o ultimo livro de Diana Johnstone, porque se já o tivesse feito mudava de discurso. Estará ele ainda à espera de qualquer milagre para o revelar aos actuais dirigentes Russos?

Depois este cavalheiro usa e abusa da sigla KGB até enfastiar, ignora de certeza outra coisa qualquer com objectivos bem mais tenebrosos que existiu por estas bandas que dava por o nome de Gládio, que incorporou dirigentes Nazis, como Reinhard Gehlen e a organização Odessa que operou durante a II G G ao serviço da Alemanha na frente Leste.

Ignora ainda a rede de espionagem global Echalon, que nos espia a todos nós permanentemente com 120 satélites. É esta a liberdade de expressão que temos, ser-mos vigiado constantemente.

Sobre o teor do artigo publicado vou ficar por aqui, trata-se da tentativa de ressuscitar espíritos, por alguém que sabe que já perdeu o jogo, alimentando a ilusão do povo Russo por mais algum tempo, até que a realidade os acorde.

Quem tiver interessado dê uma espreitadela neste artigo. Um pouco tendencioso mas descreve as coisas com nitidez.


tp://euro-synergies.hautetfort.com/archive/2009/02/19/a-geopolitica-russa.html


O que pretendia acrescentar sobre a transformação da mentalidade dos Russos nestas duas ultimas décadas. O Gilberto Mucio já disse tudo sem errar nada nem faltar à verdade.

Os Russos acreditaram nas promessas irrealistas e irrealizáveis de Yeltsin, aceitaram aqueles papeis sem qualquer valor tornando-os donos das empresas com a ambição que iam ficar todos ricos. Depois desprezaram a sua própria moeda para se renderem ao “Deus” dólar esperando daí a salvação, até caírem na penúria com o colapso financeiro de Agosto de 1998. Mas nada disso lhe serviu de lição, porque continuam obcecados em busca da riqueza fácil, presos ao consumismo, muito embora vivam e tropecem na miséria quotidianamente.

É muito difícil esperar mudanças de um povo que vive agarrado a esta ilusão. Vão aparecendo alguns sinais de descontentamento , mas esporadicamente, por isso mesmo precisam de um abanão mais forte.

O problema dos Russos é continuarem virados para a grandeza do seu passado esperando ainda aparecer um herói que os salve.

MSantos disse...

Obrigado Pippo.

Sobre a alegada catalogação, é o próprio Dugin que a faz. Como já referi, o artigo escrito reflecte uma análise objectiva e de síntese do livro e não contém lá nenhuma opinião minha. Existe um capítulo do livro cujo título é "Eurásicos Brancos vs Eurásicos vermelhos" e Dugin faz também a menção aos atlantistas vermelhos.

Diz muito bem do conservadorismo determinista e aonde o encontra forte em estado puro e duro? Nas organizações fascistas/nacionalistas e claro, nos marxistas-leninistas ortodoxos.
Aliás a sua biografia fala por si dado antes do movimento eurásico, Dugin ter contribuido para o programa político do PCFR e ter distinguido o fascismo tipicamente russo do nacional-socialismo alemão.

Sobre os esoterismos e misticismos, encontrei um paralelismo assustador com o incubar do "ovo da serpente" na Alemanha na década de 30, quando todos aqueles doentes estavam a solidificar o nazismo na base de algo muito similar como a Ordem de Thule, as teosofias da Madame Blavatski, Guido Von List,a mitologia nórdica, etc.

Para mim o mais surpreendente é que tenham havido ordens de carácter místico/esotérico mesmo no seio do materialismo dialético, em organizações como o KGB ou o GRU onde o racionalismo ateu devia imperar até pela força da ideologia.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Francisco

Partindo do princípio que sou o alvo do seu primeiro parágrafo dado ser eu o autor do artigo, volto a referi que o texto é descritivo e analítico do livro.
A minha opinião está descrita num post atrás.

Sobre a minha ingenuidade, quer o livro, o artigo e os posts colocados versam sobre o assunto focado no livro de Dugin e não sobre as opiniões de Brzezinsk ou outros.

Será para si um exercício irrealizável focar-se e debater só sobre isto sem trazer os seus demais ódios e respectivos contextos exteriores ao assunto?

Cumpts
Manuel Santos

Gilberto Mucio disse...

Eu acho de uma ingenuidade avassaladora analisar política levando em conta o discurso.

Tudo isso não passa de blá blá blá.

Política se analisa pela práxis.

Para quem Dugin trabalha?

Quem lhe paga?

A quem ele serve?

O que Dugin diz sobre o fato da indústria automotiva russa estar a cada dia desnacionalizada? E de parte da indústria armamentista estar nas mãos de mafiosos?

E sobre o fato de odiosos mafiosos do setor de contrução civil serem figuras próximas a Putin, inclusive tendo laços fraternos com o mesmo, e "pior" sendo judeus(já que Dugin é metido a anti-semita)?

E da indústria automotiva estar na mão do capital estrangiero -- americano(Ford) ou francês(Renault)?

O que Dugin diz da safadeza que a Rússia fez(e está fazendo) com o pareiro Irã, vendendo armamento e não entregando e votando a favor de sansões contra o país no conselho de segurança da ONU, pois a burguesia russa(via Kremlin), usa o Irã como instrumento para barganhar com os EUA?

O que Dugin diz da Rússia estar dando apoio logístico aos EUA no Afeganistão?

Ora, bolas, o que Dugin diz do seus patrões, os Oligarcas (quero acusações nominais e formais, e não "genéricas")?

o que Dugin diz do fato de Putin ter dado 4 bilhões de dólares de dinheiro público para Deripaska, um dia antes daquele showzinho protagonizado por Putin?

Do setor de telecomunicações está na mão do capital estrangeiro...?

e etc?

e etc?

e etc?

E depois vão me falar de "nacionalismo" de "eurasianismo"...?

Isso é uma piada.

Como digo, caras como ele nada mais é do que Agente de Desorientação das masass, que sabe muito bem explorar a crendice e ingenuidade das massas russas.

"Metafísica", "ocultismo"... piadas.

Por mais que tenha havido indivíduos adeptos de tais maluquices e crendices no Nazismo, sua práxis política era absolutamente racional. Maquiavélica e diabólica, mas rigorosamente racional.

Gilberto Mucio disse...

Esse tal de "FAB Flanker"(seria "Alone Hunter") tem problemas mentais ou é impressão minha?

MSantos disse...

Caro Pippo

Sobre as conspirações secretas a nível do poder, governos e ordens de decisão, o pior de tudo nem são os maçónicos, opus dei ou afins mas sim aquelas que mexem directamente conosco e essencialmente são de cariz económico, se não vejamos, até à queda do muro poderíamos dizer que tinhamos uma pujante e crescente classe média com perspectivas contínuas de melhoria do nível de vida. Foi quase imediato o apetite por esse enorme "bolo económico" e o consumismo e endividamento foi fomentado, o valor do trabalho continuamente desfalcado e agora o Estado Social que foi o garante da igualdade de oportunidades para todos está forçosamente em cheque e insustentável, embora todos cinicamente dizerem defender.

As democracias perderam a sua essência e vemos hoje a quase obrigatoriedade de determinada facção política estar no poder obrigando mesmo os outros quadrantes a abdicarem dos seus princípios se quiserem também ter lugar e claro, culpando-os de serem o que são mesmo quando as suas políticas já não têm nada a ver com a sua essência ideológica.

Claramente existe uma maldosa estratégia nisto tudo.

Cumpts
Manuel Santos

Gilberto Mucio disse...

«Na revolução bolchevique o grande confronto verificou-se entre Lenin, continentalista preocupado em perservar o grande espaço imperial russo e Trotski, o revolucionário mundialista, exportador da revolução considerando a URSS apenas algo efémero para vir a atingir outros objectivos.»

Essa afirmação é totalmente desprovida de lastro. Um devaneio.

A própria postura de Trotsky, quando da Revolução, suas posições e condições para a assinatura do tratado de paz com a Alemanha, foi uma postura muita mais "nacionalista"(se é que podemos chamar assim) que a do próprio Lenin.

Pippo disse...

Um pequenos pormenores, MSantos:

"Ordem de Thule" - na verdade, é Sociedade de Thule (Thulegeselschaft). Creio que está a confundir com a "Germanenorden" de princípios do séc. XX.

As doutrinas teosóficas (muitos populares nos EUA), o Völkish e afins forasm muitp populares nos anos 10 e 20 do século passado. Os anos 20 foram o encontro dessas teorias com a política, e a década de 30 foram o seu apogeu, naquilo que já se sabe.

O filme "O ovo da serpente", do Ingmar Bergman, é muito interessante.

Ainda quanto a Dugin e a Ásia Central, ele disse-me, nessa entrevista, que para a Rússia, a Ásia Central não era fundamental. o Cáucaso, esse sim, era fundamental e não podia nunca ser perdido, mas a perda da Ásia Central era temporária e mais cedo ou mais tarde deixaria de ser dominada pela "rande Ilha Mundial" e voltaria a fazer parte do Hearthland.
Ele também disse que a China poderia vir a ser (ou iria ser, não me lembro bem) o próximo grande inimigo da Rússia, pelo que eventuais alianças seriam apenas temporárias, do estilo para ganhar tempo.

MSantos disse...

Pippo

Efectivamente é Sociedade de Thule.
Obrigado pela correção.

Falou num país asiático importante que é a China e cuja ausência na narrativa de Dugin me saltou à vista.

Ele chega a mencionar um eixo Alemanha-Rússia-Japão e o Japão apesar de insular é entendido como um país de filosofia continental.

Mas a China nunca é mencionada apesar de ser parte significativa da Ásia.

Cumpts
Manuel Santos

Francisco Lucrecio disse...

Caro Pipo! Sabe por que designava Churchil ainda quando era ministro a Ásia Central?

O baixo ventre da Rússia.

Cumprimentos.

Francisco Lucrecio disse...

Caro MSantos deduzo sempre pelas suas respostas que faz parte daquela maioria de pessoas mesmo sem darem por isso, que vivem absorvidos pela propaganda dominante. Se realmente assim é, deve diversificar as suas leituras, consultando as mais variadas bibliografias que se encontram disponíveis. E assim passa a compreender melhor o intrincado mundo da politica e deixa de ver as coisas apenas pela perspectiva restrita dos meios que consulta, que como consequência o seu imaginário posteriormente lhe impõe vender aos outros como verdades absolutas . Tem que aceitar que na politica tal como em tudo o resto, as coisas relacionam-se mutuamente.

Por isso não tente desligar o meu comentário anterior e as acusações que dirigi aos responsáveis pela situação actual, àquilo que aconteceu após a queda da URSS. Tratasse de um exercício de pura má fé da sua parte. Portanto nesse ponto se existe alguma descontextualização é sua, na medida em que está a esforçar-se por separar uma das partes ao todo. Eu isso não lhe permito.


Assim como compreendo perfeitamente o seu engulho, não esperava nem desejava que o caso lhe escapasse das mãos. Era sua intenção zurzir nos comunistas e nos seus símbolos (porque estão lá coisas escritas facilmente compreensíveis que são da sua invenção) embrulhado num artigo de Dugin e depois era só receber as palmas. Também não estou disposto a dar tréguas a este tipo de basbaquices, saídas de alguém sempre pronto a descarregar a bílis inflamada contra os comunistas.


Ainda me acusa de sair fora do contexto? Mas faz referencias a Harold Mackinder nos princípios do século XX. Porventura existiu durante algum tempo qualquer trégua nas disputas pela Eurásia? Quando acha que recomeçaram? Talvez depois de Dugin ter publicado estas alarvidades.

Estude a história , não faça trocadilhos.

Cont……

Francisco Lucrecio disse...

Também não aceita que a intensificação desta aproximação às fronteiras da Rússia se acelerou depois da queda da URSS? E continua com a teimosia que não existem responsáveis por esta situação? Se é isso que defende tem mesmo umas opiniões imparciais de louvar.

Nesse ponto a leviandade (esgueirar) da sua resposta deve ser entendida como lastimável . Na sua opinião aquilo que Brzezinski propõe não é para levar a sério e muito menos ser aceite. É porque não sabe que Brzezinski tem sido um dos principais ideólogos Americanos para assuntos da Europa e da Ásia. Leia este livro de Brzezinski “ O Grande Tabuleiro de Xadrez”.

As directrizes geoestratégicas de Brzezinski não só têm sido muito bem aceites como têm sido implementadas.

Portanto Dugin não está a revelar nada de sensacional que não se soubesse há muito tempo e que não esteja totalmente relacionado com o expansionismo Americano naquela parte do mundo. Se pensa que apresentou aqui um bilhete da lotaria premiado com o seu artigo, enganou-se. O que fez foi vender jogo branco, com letreiros anti-comunistas. Que é o seu hábito.


É ainda de espantar o Caro MSantos não se dignar sequer dispensar uma única palavra sobre as advertências de Ziuganov ainda nos anos 90. Pudera é comunista tem que ser silenciado. Há!!!! Estamos a discutir o livro de Dugin a nova bíblia geoestratégica para a segurança da Rússia.


As opiniões expressas nesse livro são lágrimas fora de tempo, na medida que nunca existiu o mínimo afrouxamento da vigilância sobre o vasto conjunto das fronteiras da Rússia por parte das potencias Ocidentais. A Oeste e todo o Rimland que vai do Mar Vermelho ao Japão o cerco já está consumado, falta tapar o “buraco” Chinês. As saídas para o mar aberto também estão todas fechadas, excepto para o Árctico gelado. A incompetência dos dirigentes Russos é que levou a este estado de coisas, a começar por Gorbachov.


Mas as opiniões que mais prazer me deram ler, foram essas da Rússia se virar para o Atlântico e tentar isolar a América. Impressionante como há gente capaz de disparar atoardas com esta monstruosidade. Como se não existisse uma NATO com os altos comandos nas mãos dos Americanos. Mais uma prova para duvidar se é o universo ou a ignorância (….) que não têm limites.



Isto são assuntos muito complexos, que não podem ser discutidos de modo aligeirado. Infelizmente o formato da Google não permite colocar artigos muito extensos..
.

MSantos disse...

Caro Francisco

Agardecido pelos seus superiores concelhos que tentam sempre tirar iludidos como eu das trevas capitalistas.

Sobre o livro e pela milésima vez o digo (até já estou com medo de me estar a expressar em chinês e não dar conta), quem o ler, ler o meu artigo e depois ler os seus comentários, caro Francisco, vai ver uma linda fotografia.

Obviamente que não vou prosseguir pois iria "combater no seu campo" e aí claro, você com toda essa expriência ia ganhar-me.

Mas já sei que vai continuar e faça favor, não se incomode pela minha parte.

Um bom dia para si.

Manuel Santos

Pippo disse...

Haja pachorra... (suspiro)

Francisco Lucrecio disse...

MSantos! Com uma curta frase arrumava a discussão de vez. Mas irei persistir até você assumir que vive estigmatizado por um anti-comunismo arborícola. Bem pode pregar as vezes que entender que luta pelos valores sociais, mas as ideias que manda cá para fora mostram claramente aquilo que é politicamente

Por isso não tenha duvidas que volto sempre à carga, enquanto não ver esses antolhos ideológicos caídos.

Tão pouco me interessa se vive nas trevas capitalistas. Que vive esmagado sob a pressão de um buraco negro anti-comunista que lhe absorve toda matéria racional à sua volta tenho disso a certeza absoluta.

Tão pouco me preocupa também a linguagem com se exprime, quero lá saber se é Chinês, tanto me faz. O que eu já percebi há muito tempo é que a estapafúrdice dos seus comentários não é para levar a sério.

Porque ao apresentar o livrinho como verdade insofismável é uma prova de que ignora tudo quanto já se escreveu sobre o mesmo tema. Mais grave ainda é desconhecer que esse livro foi escrito com a ajuda do Alto Comando Militar Russo. Uma obra de propaganda, claro. Mas isso para mim também é secundário.

A minha indignação reside apenas no facto de verificar que reciclou o rebotalho mais asqueroso que encontrou lá o livro, atribuindo-lhe maior ênfase.

Porque o que está escrito aí por baixo foi obra saída da sua mão. E eu depois é que sou sectário? Assumo aquilo que escrevo. Mas não sirvo é de caixa de ressonância e muito menos sou um idiota paralelo para espalhar a “imaginação fértil” de imbecis.

Meta os seus olhos naquilo que escreveu.

«««««««««A relação dos eurásicos germanicos e russos aprofunda-se entre as duas guerras, tendo o seu ápice com o pacto Ribentropp-Molotov.»»»»»».

Quer melhor caixa de ressonância que esta? O sujeito do livro podia ter escrito isto. Mas você teve o cuidado de verificar até que ponto isto correspondia à verdade? Não! Trespasso-o com valor acrescentado.

Conti……….

Francisco Lucrecio disse...

««««««««««Os países anlgo-saxónicos, em particular os EUA e Reino Unido são o actual expoente máximo deste paradigma e são os classificados por MacKinder, atlantistas.»»»»»»».

Halford MacKinder foi sempre um adepto da teoria da grande ilha mundial “Heartland” defendia ele que aí é que residia o perigo para as nações marítimas no entanto nos dois grandes conflitos mundiais foi uma nação marítima que veio em socorro da “grande ilha continente”. Além disso teve que introduzir alterações na configuração da Teoria Inicial de 1904 “ para “Teoria Básica em 1919” finda a I GG ajustando-a ao novo contexto Internacional. Depois para a “Teoria Corrigida em 1943” quando já se desenhava a vitória Soviética a Leste. No entanto aqui já reduz a área da Heartland a Leste puxando-a para o Rio Yenessey, localizando o seu limite Ocidental no Rio Missouri, isto face á previsível liderança da URSS depois da II GG.


Muito embora a teoria da Heartland de Mackinder nunca fosse posta de lado, mas a que vingou e foi levada à pratica foi a apresentada por Spykman ou Rimland, embora esta tenha sido formulada a partir da primeira foi aplicada noutro espaço geografico. Spykman defendia que o “pivot” do mundo é o Rimland e em oposição a Mackinder argumentava no seu silogismo (três perspectivas) “ Que quem controla o Rimland, governa a Eurásia; quem domina a Eurásia controla os destinos do mundo”. E tem sido esta geoestratégia que tem predominado entre os geopolíticos Americanos depois da II GG até hoje.Com excelentes resultados.

Até porque a politica de “Containment” não usou apenas as ideias de MacKinder e Spykman, fez-se uso também de outras teorias que serviram para a sua aplicação , Homer Lea, Colin Gray, George Kenan, Foster Dulles, Kissinger, Brzezinsk, Saul Cohen…….

A escola Francesa também tem os seus teóricos, General Gallois, Ives Lacoste…….

Como pode comprovar, não venho para aqui despejar conteúdo avulso de um foragido politico qualquer. Se não sabe acrescento-lhe ainda que os Soviéticos nunca foram muito bons em geoestratégia.
Nos anos sessenta e setenta com a transformação da União Soviética em potência marítima reforçou-se a previsão que uma potência terrestre também podia acumular poder marítimo, foi uma situação efémera. No entanto o desfecho da Guerra Fria foi mais um paradoxo para as teorias de Mackinder visto ser um país marítimo a sair vencedor.


A partir de agora por quanto mais tempo ainda pensa obrigar-me a fazer figura de pateta explicaando-lhe aquilo que mostra tremenda incapacidade em aprender? Também me canso!







«««««««««Em contrapartida houve sempre alegações da existência de uma organização secreta atlantista com enfoque em estudos paranormais e esotéricos inicialmente na Tcheka e depois no KGB, a sociedade de Viy.»»»»»».

Esta é outra pérola dourada por si. Qual a diferença que encontra nos serviços de Segurança Soviéticos em relação aos de outros países?
Se soubesse do que consta o esoterismo não se atrevia a escrever esta porcaria.

Qual era o ritual exigido aos iniciados? Para si só podiam ser rituais satânicos visto tratar-se de uma Organização “tenebrosa”. O seu objectivo é mesmo esse.

Cont……..

Francisco Lucrecio disse...

««««««««Noutra escala e sob outro prisma é de certa forma análoga ao fundamentalismo islâmico e claro, ao fanatismo nazi.»»»»»»».

De fanatismo cego está Vossa a Excelência a dar belissimas provas.

«««««««««Diz muito bem do conservadorismo determinista e aonde o encontra forte em estado puro e duro? Nas organizações fascistas/nacionalistas e claro, nos marxistas-leninistas ortodoxos.»»»»»»».

Trata-se de provocação ou de ignorância? Onde está a tolerância do seu abençoado capitalismo? De puro no seu comentário está o REACCIONARISMO asqueroso que o faz arrastar-se sobre a imundície da sua ideologia. Cheira-me que já apodreceu sem dar conta disso.


«««««««««««Dugin ter contribuido para o programa político do PCFR»»»»»»».
Como tudo a aldrabice também tem limites.

«««««««««Para mim o mais surpreendente é que tenham havido ordens de carácter místico/esotérico mesmo no seio do materialismo dialético, em organizações como o KGB ou o GRU onde o racionalismo ateu devia imperar até pela força da ideologia»»»»»».

Da sua parte é de esperar tudo. Sei lá? Até aconselhar o uso de bombas atómicas contra mosquitos.

«««««««««Ele chega a mencionar um eixo Alemanha-Rússia-Japão e o Japão apesar de insular é entendido como um país de filosofia continental.»»»»»»».

Outra prova evidente da opacidade da sua isenção neste curto resumo que escreveu à sua medida e conveniência. Dou-lhe uma ajuda!

Dugin faz um plagio da obra de Mackinder e diz +- isto “ Não existe uma oposição geopolítica entre o poder terrestre e o poder marítimo, (Rússia e EUA? Este aparte é meu) porque os dois mundos não são governados exactamente pela competição de imperativos estratégicos, (Ucrânia, Geórgia, Quirguistão o que são?) mas que se opõem fundamentalmente por razões culturais (e as materias primas?). O antagonismo entre a terra e o mar (Rússia, América, portanto) paralelo à divisão Leste-Oeste é entre a tradição e o liberalismo”.

Noutra parte diz também +- isto “ Uma aliança anti-Ocidental da Rússia com o Japão a Alemanha e o Irão, baseada na sua partilha da rejeição com o Ocidente, seria capaz de expulsar a influencia Americana do Continente”.


Mas que visão fantástica?

Depois não quer que eu escreva que este gajo (Dugin) é uma besta? O que ele diz tem algum cabimento? Foi por isso que eu censurei a sua "ingenuidade imaculada" Senhor Santos. Tem mesmo consciência do que leu no livro? Se for assim já é outra coisa, então não é diferente deste sujeito.

Para este palerma (que não o é) não existe mais nada que diferenças culturais. Também não é capaz de dizer como vai conseguir arrancar a Alemanha e o Japão da orbita dos EUA?

Pipo; com prebendas destas é que é preciso ter muita pachorra.

Jose Milhazes disse...

Leitor Francisco Lucrécio, já o aconselhei várias vezes a olhar para o espelho antes de atirar pedras aos outros. Se o sr. leu obras de Guennadi Ziuganov, dirigente comunista russo, como "A Rússia e o mundo moderno", verá que as ideias dele andam próximas das de Duguin. A ideologia dos comunistas russos actuais é nacional-comunista e você sabe disso muito bem.

Gilberto Mucio disse...

«“ A Rússia não ficará isolada – nem da Europa nem da Ásia.

Dos Estados Unidos talvez, mas isso não nos importa.” »

Isolada dos EUA...(risos).

Enquanto ele fala m***s do tipo, a participação de capital americano na economia russa cresce a olhos vistos, ano a ano. Em todos os setores, inclusive os estratégicos.

Francisco Lucrecio disse...

«««««««««Jose Milhazes disse...
Leitor Francisco Lucrécio, já o aconselhei várias vezes a olhar para o espelho antes de atirar pedras aos outros»»»»»»»».


Acertei-lhe com alguma pedra? Faço votos que fosse só nos espelhos, nas barbas seria mais grave, lá se ia o disfarce. Mande a conta que eu pago os prejuízos. Não se esqueça de incluir o IVA.

«««««««««Se o sr. leu obras de Guennadi Ziuganov, dirigente comunista russo, como "A Rússia e o mundo moderno", verá que as ideias dele andam próximas das de Duguin.»»»»»»».

De Ziuganov além de umas coisas soltas, li um dos livros mais recentes em Castelhano “Rusia__ La Geografia de la Victoria” .
Obviamente que existe uma convergência de ideias entre ambos. Se os afecta o mesmo tipo de problemas. Mas quem alinha com quem?

As propostas de Ziuganov embora de pendor marcadamente ideológico, são realistas. Porque quando afirma que as diferenças essenciais entre a Rússia e o Ocidente residem no facto de as democracias Ocidentais serem herdeiras do modelo da democracia Ateniense, baseadas no tipo de sociedade que aceita a divisão entre cidadãos e escravos. Ao passo que as sociedades tradicionais são de essência socialistas. Acha que não corresponde à verdade?

Além disso as propostas estratégicas apresentadas por Ziuganov estão assentes em realismos lógicos. Quando propõe a consolidação do mundo ortodoxo num único espaço e a partir daí a Aliança com Mundo Islâmico.
Então os esforços de Putin não têm sido quase todos nesse sentido?

Em contrapartida as propostas que Dugin apresenta são pura ficção de fantasia, excentricidades.

Ai em baixo vou colocar parte de um artigo muito extenso escrito por Dugin que quando o li, fiquei confundido de tal maneira que não sabia se estava ler algo de um Professor Universitário ou um sermão de bruxaria de Rasputine.

E o livro “ A Grande Guerra dos Continentes” é outra originalidade anormal.

E foi precisamente por saber disso que me engalfinhei com o Senhor MSantos. Seleccionou o mais medíocre que encontrou no livro para aqui colocar, o anti-comunismo, fetiche que o anima até à êxtase.

«««««««««««A ideologia dos comunistas russos actuais é nacional-comunista »»»»»»».
Doutor Milhazes este foi o melhor sacroviche “tesouro” que o Senhor contemplou a rapaziada.

Sacrificou-se o pobre Marx a escrever milhares de ensaios durante toda a vida , tentando convencer o “pagode” que o comunismo não tinha nacionalidade nem pátria, 150 anos depois apareceu um descendente de pescadores de calcanhares gretados a dizer o contrário.

As obras de Marx tudo já para fogueira. Andou esse pantomineiro a impingir ao mundo uma coisa para finalmente um Português provar o contrário.
Os Portugueses sempre tiveram a mania dos descobrimentos!

Diz que Ziuganov é um nacional-comunista. E o Doutor Milhazes em que categorias destas se enquadra? Marxista-verde, Cristão-vermelho, ou um neoliberal-cinzento.

Cumprimentos.

Francisco Lucrecio disse...

Que credibilidade pode merecer quem escreve coisas destas? No entanto faz parte de um longo artigo de opinião escrito por Alexandr Dugin em a “Coisa Russa”



««««««««««««A história mundial no sentido espacial-simbólico foi do Norte para o Sul e do Oriente para o Ocidente. Ela foi para longe das suas origens. Foi “de”, e não “para”. Nela se dissipou a eternidade espalhando-se ao longo do tempo. Nela deixou de sediar-se a qualidade paradisíaca da criação de vida, virando-se para os escuros mecanismos da quantidade, até que desapareceu finalmente na massa vacilante do capital. Foi por acaso que os hegémones de hoje e os donos das finanças e das matérias primas se amontoaram do Ocidente? E aí se entrincheiraram?


Não. Nisto há a lei do espaço. O capital vence onde o sol morre. Estes canalhas têm até o clima quente e húmido nas nossas latitudes. E nós temos as praias cobertas de neve. O nosso espaço não tem valor turístico, não é atractivo para o capital. Simplesmente porque este espaço é do paraíso, e de lá correram com certas pessoas há tanto tempo, que até se perdeu a memória.
E construíram uma cidade num monte, e exterminaram selvagens de pele vermelha, e abriram saloons e tavernas, e começaram a comerciar, a levar mercadoria negra viva, a multiplicar-se, a emprestar dinheiro e a observar os direitos do homem.


A Rússia, se bem que férrea e decaída, se bem que Babilónia, estava mil vezes mais perto do paraíso que a não-Rússia. Até hoje, até com o rosto esborrachado, com tinta da china espalhada pelas faces, com a melena arrancada, apanhada pelos criminosos.
Fomos vítimas da imolação pela “nova ordem mundial”, mas este é um sofrimento expiatório.


Lutando com o Ocidente, nós lutamos com a própria morte.
Nós somos a cidade edénica da Eurásia, testemunha apocalíptica, desmascarando pela última vez a fortaleza da apostasia, arrancando da sua impunidade o anti-Cristo humanitário.

No limiar do milénio a Rússia estendeu-se nas latitudes do paraíso perdido. Ele está fechado também para nós, mas ficaram fendas, através das quais lampeja o ardente fogo do coração russo.
Jerusalém celeste – eis a nossa Rússia. Ela cerra fileiras com os contornos em forma de urso das nossas terras sem fim, quando o tecido da história se desgastar até à espessura de uma mortalha de cigarro.

E as torres das suas doze extremidades coincidirem com as longínquas barreiras dos nossos guardas fronteiriços, lançados para os últimos limites, a verem na noite ininteligíveis povos agressivos, difundindo-se em volta e escondendo a maldade do carneiro.


O governo da nova Jerusalém. O parlamento dos justos, brilhando como o sol. O Ministério dos Assuntos Internos punindo as tropas angélicas. O Arcanjo Miguel montado num cavalo cinzento com manchas negras.

Ficando no lugar, nós revelámo-nos à frente de todos…
Sendo fieis à terra, sendo fieis à nossa terra. A outra tal não.»»»»»»»»»» ( depois, segue, segue e segue na mesma linha)………


Pergunto como deve ser isto catalogado? De louco? Uma abstracção? Paranóia? Oniromancia? De alguém que está muito avançado em relação ao nosso tempo? Ou de uma reencarnação de Rasputine?


Para usar uma expressão muito comum dos nossos irmãos Brasileiros é para dizer que “O homem endoidou mesmo”.


Está a compreender Senhor MSantos as razões porque o “retracei”? Considero muito estranho o Senhor e outros que pensam da mesma forma, apressarem-se a aplaudir estas “obras primas” e omitirem por exemplo os livros de Alexandr Zioniev, um dissidente que nunca colaborou com os comunistas, mas que foi sempre corajoso a defender a verdade em todas as ocasiões e nas circunstancias mais adversas.

Ao passo que esta criatura foi comunista quando necessitou, defendeu figuras nazis quando lhe foi conveniente, neoliberal em tempo de crise, e hoje é um vigaristazeco paranormal, ludibriando os dirigentes Russos pelos vistos.

É mesmo para reflectir?

Francisco Lucrecio disse...

A Orxestra (escreve-se assim?) Dionisíaca emudeceu. Não conseguiram interpretar a ultima pauta?

Tanta algazarra em volta do livro do homem, para ao primeiro movimento da batuta ficar tudo em silencio.

O que está escrito ai atrás é da mesma pessoa, a quem prestaram distinta reverencia.

Já não merece comentários?

Admiro quem se disfarça com este tipo de cosmética escatológica de “skatos+logos” porque me ensinam que nos locais em que os suínos triunfam nem estes precisam de esconder os arrotos depois de comer a farelada, e que mesmo os asnos mais esquivos se atrevem ir comer a palha à mão do dono.

Na verdade aprecio este tipo de ideologia.

Flávio Gonçalves disse...

O Dugin este ano conseguiu a proeza de ver editados 6 livros no Brasil...

Flávio Gonçalves disse...

O Dugin este ano conseguiu a proeza de ver seis livros lançados nos EUA.