sábado, Julho 09, 2011

Samora Machel ficou desiludido com a União Soviética

 
Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique, ficou desiludido com o apoio da União Soviética, o que o levou a assinar o Acordo de Nkomati com a África do Sul em 1984, revelam documentos dos arquivos soviéticos.
Segundo documentos do Arquivo da Política Externa da Rússia, Machel convenceu-se da ineficácia da ajuda soviética durante a sua visita à URSS em meados de 1983.
Numa reunião com Nikolai Tikhonov, primeiro-ministro soviético, o dirigente moçambicano criticou a URSS por, durante sete anos de independência, não ter acabado nenhuma das obras iniciadas em Moçambique, propondo que fosse estabelecido o controlo dos comités centrais do Partido Comunista da União Soviética e da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) sobre elas.
Tikhonov não recebeu bem as críticas, respondeu-lhe que, quando a URSS começou a construir o socialismo, os soviéticos estavam sozinhos e que vários países libertados, incluindo Moçambique, tinham possibilidade de receber ajuda de Moscovo.
O primeiro-ministro soviético aconselhou-o a partir das possibilidades reais de Moçambique e a desenvolver as áreas económicas que dessem efeito económico rápido: indústria mineira, exportação de espécies raras de madeira e pescas.
Piotr Evsiiukov, na altura embaixador soviético em Maputo, escreveu nas suas memórias: "Samora Machel, durante essa visita, ficou convencido do fracasso económico da União Soviética".
Documentos do Arquivo da Política Externa da Rússia revelam também que Machel, numa reunião de países africanos de expressão portuguesa, realizada em Luanda no mês de abril de 1986, tentou convencer o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, a não apostar apenas na URSS e em Cuba na sua política externa e a ser flexível na continuação de contactos com os Estados Unidos.
Essa desilusão foi um dos motivos fundamentais para Machel assinar o Acordo de Nkomati com a África do Sul, em 1984.
Esse documento previa que a África do Sul deixaria de apoiar a RENAMO, movimento que combatia o regime de Samora Machel em Moçambique, e este retiraria o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), que lutava contra o apartheid.
Esse passo de Moçambique foi mal recebido pela URSS e por alguns dirigentes africanos.
Segundo um documento existente no Arquivo Estatal de História Contemporânea da Rússia (RGANI), Kundi Paihama, então membro do Bureau Político do MPLA, fez um paralelo entre essa iniciativa e a traição dos interesses da unidade de África, na luta contra o imperialismo e o racismo, por parte do Egito e da Somália, e frisou que Angola jamais faria um acordo desse tipo com a África do Sul.

8 comentários:

Jest nas Wielu disse...

É de notar, que na mitologia soviética existe a crença do que várias obras em Maputo (Moçambique) foram constrídas pela URSS. Um russo típico recém-chegado gosta de dizer com toda a convicção “estes prédios foram constuídos pela União (Soviética)”, por exemplo se referindo aos prédios da COOP, que na realidade foram construídos por volta de 1968 e por ai fora.

Anónimo disse...

Os ucranianos típicos não dizem o mesmo?

Jest nas Wielu disse...

2 Anónimo 21:51

Os ucranianos típicos ou conhecem a realidade ou me fazem perguntas e eu os esclareço...

Anónimo disse...

Boa, Jest!

Inácio Cristiano disse...

Caro Jest nas Wielu

A propósito de "construções" em Moçambique: Até à pouco tempo, Portugal selou todos os compromissos com os credores de "Cahora Bassa", obra cuja importancia para Moçambique e para o seu desenvolvimento é da maxima relevância.
Todavia, essa solidariedade da "alma portuguesa" ainda hoje pesa e não pouco, na divida soberana de Portugal para com os seus credores!
Será que na mitologia soviética a referida Barragem hidro-electrica
era considerada obra bresneviana?

Jest nas Wielu disse...

2 Inácio Cristiano 18:06

Não, os soviéticos não chegaram referir à HCB como uma “obra sua”, mas referiram muitas outras coisas, por exemplo, as empresas téxteis (Texlom) que Portugal constuíu nos anos 1960-1970, etc.

Anónimo disse...

"Os ucranianos típicos ou conhecem a realidade ou me fazem perguntas e eu os esclareço..."

Ahahah! Bela piada!!! Estes chauvinistas ucraniano-tropicalistas... é só rir!

Jest nas Wielu disse...

2 Anónimo 19:20

Veja o filme "A História Soviética" e fica calmo, ninguém é mais chauvinista do que os seus adorados amigos (http://www.youtube.com/watch?v=
hdjx08wMwcE)