segunda-feira, novembro 07, 2011

E se a tarefa de salvar a Grécia for deixada à Rússia?


A Rússia acompanha com muita atenção a situação na União Europeia, pois o agravamento da crise económica e financeira na zona euro terá reflexos negativos na sua economia. Os países da UE são o maior parceiro comercial da Rússia e Moscovo investiu parte significativa dos seus fundos de estabilização nos mercados europeus.
Porém, as dificuldades que a UE estão a ser aproveitadas pelos dirigentes russos para consumo interno e externo, o que é muito útil em tempo de eleições.
Mergulhados nos seus problemas, os membros da União Europeia não têm agora tempo para seguir e criticar a política do dueto Putin-Medvedev e, quando abrem a boca, ouvem de Moscovo: “Metam-se na vossa vida. Com que direito nos vêm dar lições moral se não conseguem resolver os vossos problemas internos?”.
Mas o mais interessante, neste campo, poderá estar para vir se a União Europeia não travar o seu avanço para o abismo da desintegração.
Se a Grécia for completamente ao fundo, declarar falência e abandonar o euro, não se pode excluir cenários que, há alguns tempos atrás ou até mesmo hoje, podem parecer exóticos ou até delirantes.
Por exemplo, a Rússia substitui a União Europeia na ajuda à Grécia, com as respectivas consequências políticas e até geo-estratégicas. Moscovo estende a mão ao país irmão ortodoxo, abandonado pelo Ocidente católico e protestante. Depois, vem a entrada em massa dos capitais russos nesse país e até à adesão da Grécia ao Acordo Alfandegário, constituído pela Bielorrússia, Rússia e Cazaquistão, vão apenas alguns passos.
As imaginações mais criativas poderão profetizar a saída da Grécia da NATO, a adesão ao Tratado de Segurança Colectiva e à Comunidade de Estados Independentes, estas duas últimas organizações constituídas por vários países que surgiram depois da desintegração da União Soviética.
Um cenário delirante? Talvez, mas este mundo já deu tantas voltas inesperadas que já nada nos deve fazer surpreender. Há 20 anos atrás, quando a URSS ruiu, alguém imaginava que as coisas no mundo e, concretamente na Europa, chegassem onde chegaram?

Deixamos aqui uma pequena notícia “Rússia pode salvar Grécia imersa na crise econômico-financeira”, publicada no sítio electrónico do Diário da Rússia (11.10.2011) para meditação: “O presidente do Centro de Pesquisas Estratégicas da Rússia, Mikhail Dmitriev, afirmou que seu país tem a solução para tirar a Grécia da grave crise econômico-financeira em que se encontra. Durante a Conferência Greco-Russa de Investimentos, que acontece na ilha de Rodes, Dmitriev afirmou que a Rússia pode servir de locomotiva para salvar a Grécia, desde que seja possível vencer as barreiras políticas.

Mikhail Dmitriev sugeriu como áreas mais atraentes para investimentos na Grécia os setores de transportes, indústria energética, imóveis, turismo, produção de níquel, agricultura e produção de alimentos”.
Como se costuma dizer, para bom entendedor, o resto já sabem…

24 comentários:

Alex disse...

Bom dia

Nao da para ler o texto, o formato nao encaixa na pagina.

Anónimo disse...

Desculpe, mas muito irreal este cenário. Forçoso demais.

Vitor M. Trigo disse...

O seu post é muito pertinente e objectivo.
Para mim também é claro que as hipóteses que coloca devem ser colocadas em cima da mesa.
Mas, são altamente desestabilizadoras em termos de NATO que se veria confrontada com uma realidade insuportável: o controlo da faixa leste da Europa, que supostamente passará pelo suporte aos países bálticos, pelo aumento de influência regional da Polónia e da Turquia ("tapando" a Rússia, e neutralizando o eterno sonho da Grande Sérvia) ficaria perigosamente comprometido pela "perda" da Grécia.
Não acredito que a NATO e o "ocidente" não tenham ainda colocado este cenário.

Jose Milhazes disse...

Se o leitor for crente, apenas lhe digo: Deus o ouça.

Zé Pedro disse...

Deixar a UE e a NATO.

Algo que a bem da humanidade todos os paises deviam fazer.

Anónimo disse...

Vitor Trigo, coitadinha da Nato.

Anónimo disse...

E o senhor Milhazes que tanto diz gostar da Rússia fica sempre desertinho para que a nato lhe vença

Jose Milhazes disse...

Leitor anónimo, para mim, as relações internacionais não são um jogo de futebol, onde tem de haver um vencedor e um vencido. Isso é tanto mais válido para as relações entre a Rússia e a NATO.

Miguel Loureiro disse...

Bom dia, ou boa tarde José Milhazes
E se assim for, adeus turismo no Algarve, que a Grécia é mais perto e logicamente mais barato.
Abraço

Jose Milhazes disse...

Caro Miguel, não há motivo para preocupações. Há russos para a Grécia e Portugal. Este ano está a registar-se um aumento de turistas russos no nosso país e as previsões para o ano que vem não são más.

Pippo disse...

Finalmente, JM, escreve um bom cenário de futurologia!

Concordo consigo em vários pontos, se bem que discorde de um essencial. Já lá vamos.

Em termos geoeconómicos e geopolíticos, faz todo o sentido que a Rússia apoie a economia grega a subsistir. Por um lado, manteria a "estabilidade dos mercados" e a estabilidade da EU-ropa, que é, como bem apontou, o principal parceiro comercial da Rússia; por outro lado, porderia, sim, servir de porta de entrada para voos mais altos.

Se, contudo, a Grécia for mesmo obrigada a sair do Euro e se, como já o indicaram alguns políticos (idiotas), a saída do Euro implicar a saída da EU-ropa (não sei bem porquê, mas enfim), então eu não estranharia nada, mas mesmo nada, que a Grécia aderisse ao dito Acordo Alfandegário o que, em termos geoeconómicos e geopolíticos, seria uma autêntica "bomba", pois seria a concessão a MOscovo, "chaves na mão", do acesso ao Mediterrâneo Oriental. Note (e já agora, compre que o último artigo que eu traduzi e lhe enviei), que um dos sectores de investimento prioritário da Rússia na Grécia seria o dos "transportes".

No seu cenário, a única coisa a que ainda torço o nariz é a da perspectiva de saída da NATO. Para já, isso não faz qualquer sentido. A NATO, apesar de tudo, serve à Grécia de garantia contra a Turquia, não no sentido da NATO atacar a esta, mas no sentido da NATO servir, no fundo, de "água na fervura" nas relações entre os dois países.

Na verdade, nas minhas cenarizações para aquela região, até mais facilmente vejo a saída da Turquia da NATO do que da Grécia. Se o actual governo turco mantiver a sua retórica (e acção) de afirmação/imposição e confrontação, na eventualidade de as coisas entre Israel e o Irão derem para o torto, é possível que a Turquia decida "forçar a barra", por exemplo, relativamente a Gaza. Ora, se Israel responder à letra, haverá mortos, feridos e barcos destruídos. A Turquia quererá que a NATO a "defenda", os norte-americanos tentarão por água na fervura para não hostilizar dois aliados, mas o europeus espetarão com um grandessíssimo manguito a Ankara que, em resposta, terá de sair da NATO para "salvar a face".

Ora, só faria sentido a Grécia aderir ao Tratado de Segurança Colectiva caso viesse na companhia de Chipre (ambos recebem muito material militar russo) e caso também a posição da Turquia no seio da NATO estivesse enfraquecida (ou a Turquia tivesse saído da NATO). Fora isso, não estou a ver a Grécia trocar a NATO pelo Tratado de Segurança Colectiva.

PortugueseMan disse...

Não é possível.

O que a Rússia pode (e possivelnte vai) é participar na ajuda tendo em vista os dividendos políticos (e não só).

A injecção de dinheiro não resolve problema nenhum na Grécia. É necessária uma imposição política para reduzirem as despesas.

Ora se a UE já tem dificuldades em ajudar e a impôr as regras, a Rússia ainda teria maiores problemas.

O desgaste político que a Rússia teria ao ser visto como um "Papão" não compensa de maneira nenhuma algum tipo de intervenção como a que sugere.

E já não estou a falar do que o Vitor M. Trigo, que teria que se ter em conta (e muito).

Zhirinovsky Iskander! disse...

Não apoio! Isso será uma reação em cadeia, a União Européia vai ruir e a Grécia foi o estopim para o começo do fim!Depois da Grécia virá Portugal, Espanha, Itália e depois Alemanha e França.

A Europa Ocidental será islâmica, daqui uns 30 anos, porque a taxa de natalidade de europeus é de 5%, e de imigrantes muçulmanos é de 70%. A Europa Ocidental vai se desintegrar, é um continente de idosos, sem perspectivas para os jovens que estão entrando no Mercado de Trabalho e completamente dividida politicamente, e isso já está ocorrendo, como por exemplo a Bélgica, que praticamente é dividida em dois países politicamente.

A Rússia tem de parar de olhar para o Ocidente, porque todos eles são inimígos. A Rússia tem que olhar para o Oriente, para a Ásia Central e para a América Latina, porque é lá que está o futuro. Índia, China, os países do sudeste asiático, Oriente Médio, Brasil, Peru, Argentina, México, Venezuela... É nestas regiões que a Rússia tem que fortalecer suas influências. A Rússia deve esquecer completamente a Europa Ocidental, e se armar até os dentes!!!

Anónimo disse...

A Rússia tem quase 500 mil milhões USD em reservas de moeda estrangeira. É bastante considerável. Tem superavit comercial acima de 100 mil milhões USD, ou seja tem muito dinheiro a entrar nas reservas. Enquanto a Ucrânia está a pedir dinheiro ao FMI sabendo que a Rússia poderia ajudá-la facilmente...

A Grécia sempre foi um país "esquecido" por o Ocidente. Já sofreu muito com os turcos, agora que o Ocidente resolveu "abraçá-la" o país fez tudo errado. Com uma dívida pública em quase 200% não há outra solução a não ser recomeçar de novo. A Argentina fez isso depois de perder 50% do PIB entre 1998-2002 quando atingiu-se 100% de dívida pública, depois cresceu em média 7% até 2010, tem pleno emprego e é livre do FMI !

Jest nas Wielu disse...

Como um país que não consegue reabilitar Abecásia e Ossétia (desde 2008) conseguirá aguentar Grécia? Embora o melhor que Kremlin faz é obrigar os seus cidadãos viver na penúria só para contradizer os EUA...

Gilberto Mucio disse...

Mas a Rússia não quer "contradizer" os EUA, Jest.

A Rússia, isso sim, quer barganhar.

E o que for possível fazer para aumentar o poder de barganha, a Rússia fará.

Inclusive emprestar dinheiro para Grécia.

Jest nas Wielu disse...

2 Gilberto Mucio 20:31
Creio que posso concordar consigo, em certa medida, eles pretendem barganhar, sim senhora, mas não é menos verdade, que por vezes é para "contradizer", mesmo perdendo com isso...

PortugueseMan disse...

Como um país que não consegue reabilitar Abecásia e Ossétia (desde 2008) conseguirá aguentar Grécia?

Correcção: Como um país que consegue manter à tona um país de 50 milhões, será que consegue aguentar a Grécia?

Era só largarem a Ucrânia, e com o mesmo dinheiro ajudavam a Grécia e ainda lhes sobrava dinheiro para muita coisa...

Jest nas Wielu disse...

off top

A guia turística britânica de renome, The Lonely Planet, incluiu Ucrânia no Top-10 dos países do mundo que devem ser visitados em 2012, propondo aos turistas preencher as lacunas, ultrapassar os clichés e conhecer “o grande desconhecido lugar na Europa”. Edição lembra a cidade de Odessa, a cidade velha de Kyiv, a natureza selvagem da Crimeia e “a cerveja, mais barata do que água”:
http://www.lonelyplanet.com/ukraine

Anónimo disse...

A Rússia poderia até resgatar a Grécia, mas não terá condições de resgatar países como Itália e Espanha. São economias industriais e com PIB bem maior que o da Rússia.

Mas com certeza essa idéia deixa os russófilos em euforia!

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Hoje li um artigo que me fez lembrar algo que disse há uns tempos:

Caro PM, isso é mais um facto de que a Rússia necessita de uma modernização a sério, de que é preciso cumprir os prazos acordados, etc., etc.

Isto foi relacionado com o Sukhoi Superjet e foi aqui:

http://darussia.blogspot.com/2009/11/medvedev-anuncia-modernizacao-das.html

Só para comparar a questão de fazer as coisas dentro do prazo e dentro do orçamentado:

Lockheed’s F-35 Costs Rose 64% Over Decade in ‘Rich Man’s World’

Lockheed Martin Corp. (LMT) won the F-35 Joint Strike Fighter program in the wake of the Sept. 11, 2001, attacks when U.S. B-52 bombers were pummeling the Taliban and Pentagon spending was unleashed.

Ten years and $66 billion later, the aircraft is still in development, five years behind schedule and 64 percent over cost estimates. The Obama administration may cancel some models and also cut the Pentagon’s orders...


http://www.bloomberg.com/news/2011-11-03/lockheed-s-f-35-costs-rose-64-over-decade-in-rich-man-s-world-.html

MSantos disse...

Caro PM

Junte-lhe mais este:

http://www.defencetalk.com/f-22s-back-to-skies-but-still-no-oxygen-fix-37947/#ixzz1byTrvxw5

Conclusão: as forças aéreas ocidentais que vão optar pelo F-35 e a USAF com o F-22 vão gastar enormidades com os flops mais caros da história.

No caso dos Estados Unidos, a defesa está completamente refém de empresas privadas monopolistas e com interesses comprados na alta política norte-americana.

O que é muito mais eficaz e "limpo" que a tradicional corrupção russa.

Cumpts
Manuel Santos

Francisco Lucrécio disse...

Sem ofensas para ninguém!

Esta é uma daquelas fabulações burlescas sem qualquer sentido.
Nenhum dos cenários descritos tem a mínima hipótese em tornar-se realidade. Trata-se mais de um produto para consumo interno.

Vamos por partes; A Grécia não vai ao fundo, social e economicamente já bateu no fundo. Falta só inventar uma boa desculpa para ser afastada do € “ talvez uma saída temporária” com carater definitivo para que possa reativar a economia e voltar a crescer.

Fala-se muito da divida Grega , não se diz é como pagá-la se todo o setor produtivo Grego está destruído. E sem criação de riqueza é impossível haver crescimento.

Quando chegar esse momento qualquer governo que esteja a dirigir o país vai precisar de ajudas sem se submeter aos desígnios dos mercados, senão volta tudo ao ponto de partida.

Nesse momento sim, pode entrar a Rússia,. Só que a Rússia não tem mais que energia e divisas para oferecer. Mais dividas?

Portanto faz falta quem ajude a reativar o setor produtivo Grego destruído com as benesses do Superavit da economia Alemã das ultimas duas décadas. Foi assim com Portugal, Espanha, R. Checa, as Bálticas, e com a Itália quase, quase………

Falta esperar em que sentido a situação vai avançar e quem pode dar o impulso necessário que a Grécia tanto precisa?

Não pode é assentar nos mesmos princípios como foi até aqui:

Talvez meia Europa, meia qualquer coisa outra (Brasil, China, Coreia?.

Quanto ao pretenso cenário da Grécia sair da NATO? Na conjuntura regional em que o país está inserido Qual o governante Grego que podia arriscar tal decisão?
Nem os militares o permitiam. Por outro lado expunha-se a uma agressão iminente por parte dos Turcos, que bem anseiam por esse momento.

Devemos não esquecer que a Turquia dispõe umas das forças armadas mais poderosas do mundo, com capacidade para mobilizar 16 milhões de efetivos instantaneamente.
Com uma esquadra naval no mar Negro superior à esquadra Russa.

Se deflagrasse um conflito entre a Turquia e a Grécia a Rússia ia intervir ao lado dos Gregos ? Impensável! Era um suicídio.

Essa outra da Grécia aderir ao Tratado de Segurança Coletivo e à CEI é pura especulação. Pior que um disparate.

É verdade que a Rússia tem capacidade financeira para fazer investimentos avultados na Grécia.
Mas em que áreas a não ser no setor energético? Se a própria Rússia precisa de tecnologia externa para se desenvolver como de pão para a boca.

Por outro lado invocar o pretexto que a Rússia pode “intervir” na Grécia para expandir a sua zona de influência, não tem o menor cabimento.
Seria um desafio direto à NATO. E a Rússia militarmente não está em condições de lançar desafios.

Pippo disse...

MSantos, enquanto o F-35 vai somando azares, o PAK FA vai seguindo caminho:

http://www.defencetalk.com/advanced-tactical-frontline-fighter-pak-fa-aircraft-have-performed-100-flights-38137/