quarta-feira, abril 18, 2012

Estudantes guineenses em estado de choque face aos acontecimentos no seu país

Os estudantes da Guiné-Bissau nas universidades russas ficaram em “estado de choque” face ao golpe de Estado ocorrido no seu país e afirmam não compreender o que aí se passa.
“Fiquei chocado ao saber da notícia dos acontecimentos no meu país. Todos os estudantes ficaram chocados, porque isto é uma vergonha para nós”, declarou à Lusa Aldemar, estudante de Psicologia em Moscovo.
“Temos dificuldade em compreender o que se passou aí, as pessoas perguntam e nós não conseguimos acrescentar explicações”, acrescenta ele.
A desestabilização da situação na Guiné-Bissau faz aumentar ainda mais a penúria em que vivem os estudantes desse país lusófono, que praticamente deixaram de receber apoio das autoridades.
“Das autoridades não recebemos nada, os pagamentos da bolsa estão há muito tempo parados, temos apenas um pequeno apoio do Estado russo e das nossas famílias, quando podem”, disse à Lusa outro estudante guineense que pediu o anonimato.
A Guiné-Bissau está controlada desde quinta-feira por um Comando Militar, que desencadeou um golpe de Estado na véspera da campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais, disputadas pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e Kumba Ialá, que no entanto se recusa a participar na votação.
Desde quinta-feira que é desconhecido o paradeiro de Carlos Gomes Júnior e do Presidente interino, Raimundo Pereira.
Um Conselho Nacional de Transição foi criado no domingo pelos partidos de oposição, numa reunião em que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), não participou.
O golpe de Estado na Guiné-Bissau mereceu ampla condenação internacional, incluindo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que, após uma reunião de ministros no sábado em Lisboa, decidiu propor uma força de interposição com aval da ONU e sanções individualizadas contra os golpistas.

3 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Em termos práticos significa que os estudantes passarão esperar por a bolsa não trimestres, mas anos... exemplo claro como a saída do homem forte, Nino, não melhorou em nada a vida do país...

Jose Milhazes disse...

Caro Jest, já é por demais evidente que a Guiné-Bissau é um Estado falhado. A isto acrescente-se a divisão do Sudão, que irá provocar o efeito do dominó em todo o continente africano.

Jest nas Wielu disse...

Sim, neste aspecto Angola e Moçambique estão indo bem, graças a Deus, bato na madeira :-)