terça-feira, novembro 27, 2012

Rússia coloca ultimato à UE sobre regime de abolição de vistos



 A Rússia dá à União Europeia um ano para que se registem progressos decisivos nas negociações sobre a abolição de vistos entre elas, prometendo tomar “medidas adequadas”caso não cheguem a acordo.
“Importância decisiva terá a conversa com a troika da União Europeia em Bruxelas. O Presidente Putin vai colocar a questão de frente: rapazes, avançamos ou não? O ano seguinte será o momento da verdade e tiraremos conclusões no fim do ano”, declarou Anvar Azimov, embaixador especial, aos jornalistas.
Azimov frisou que há anos que Moscovo apela à livre circulação de cidadãos, propondo a reciprocidade, mas denuncia as reticências dos europeus.
Segundo ele, essas reticências não têm fundamentos técnicos, mas puramente políticos.
“Um dos obstáculos é o respeito dos direitos humanos na Rússia, mas nós não fugimos à discussão, pois ao países da União Europeia não têm menos problemas nesse campo”, precisou o embaixador.
Respondendo a uma pergunta da Lusa, Anvar Azimov fez um forte elogio à posição de Portugal face à abolição de vistos com a Rússia.
“Portugal está entre os países que defendem a abolição rápida de vistos entre a Rússia e a União Europeia. Dentro em breve, iremos assinar um acordo de readmissão com o vosso país”, acrescentou.
Confrontado com a pergunta da Lusa de se a Rússia não tenciona, a exemplo da Ucrânia, abolir unilateralmente o sistema de vistos, o embaixador respondeu que “não tomaremos uma decisão unilateral”.
“A Rússia é um país orgulhoso, autossuficiente. Vamos continuar e intensificar o processo de abolição bilateral de vistos até ao fim de 2013. Se até aí não se der um salto decisivo, a Rússia tirará conclusões”, frisou.
Segundo ele, “é mais vantajoso para a União Europa do que para a Rússia a abolição dos vistos”, recordando os milhões de turistas russos que visitam a Europa e “gastam dez vezes mais que os alemães”.
“Sem a abolição de vistos, sem a criação de um espaço humano único, não haverá parceria estratégica entre a Rússia e UE”, concluiu.

14 comentários:

Pippo disse...

Quais são, exactamente, os países que estão a colocar entraves à negociação?

Europeísta disse...

A Rússia não está em condições de fazer isso, pois vai sediar eventos inportantes como Olimpíadas e copa do mundo, precisará do fluxo de turistas.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, o embaixador recusou, por razões éticas, a precisar essa questão. Disse que 17 dos 27 são a favor da aceleração do processo de abolição de vistos, enquanto 10 defendem um processo mais lento. Mas da conversa ficou claro que A Alemanha, Holanda e Letónia são dos países que mais dificuldades levantam.

Jose Milhazes disse...

Europeísta, a julgar pelas declarações dos dirigentes russos, eles não se preocupam com o fluxo de turistas se em causa o "orgulho russo"

Europeísta disse...

Há o receio da imigração tb Sr. Milhazes, o fluxo de imigrantes para países como Alemanha seria imenso, sem contar tb a questão do pedido de asilo político. Os países do Espaço Schengen estão cogitando a possibilidade de levantara suspensão de visto de países como Sérvia e Albânia por conta de um elevado número depedidos de asilo. Outro problema é que a UE começou a negociar com a Ucrânia, Moldávia e Geórgia primeiro, é naturalmente que esses países tenham prioridade

Anónimo disse...

Eliminar a necessidade de visto para a entrada de cidadãos russos na Europa ocidental em nada ajudará esses países. Pelo contrário, abrir as fronteiras para Rússia é abrir as portas do inferno! A Europa será invadida por um horda de pobreza e de miseráveis e ainda muçulmanos dos Cáucasos a islamizar ainda mais o continente!

Anónimo disse...

São 15 milhões de muçulmanos na Rússia, essa gente tá esperando qualquer facilidade para dá no pé da Rússia!

Jose Milhazes disse...

Europeísta, o embaixador russo declarou com todas as letras que a Rússia ficará ofendida se o acordo for assinado antes com algum dos países por si citados.

Eduardo disse...

Em muitos países da UE o turismo é grande parte da economia. Quem está a perder com este regime de vistos não é a Rússia. O temor de uma suposta emigração russa também é exagerado. A economia russa está em franca expansão, com menos de 5% de desemprego, índice que nem país nórdico tem. É mais fácil ocorrer o contrário...

Anónimo disse...

O que mais aprecio no Blog do Milhazes são os comentários. Trata-se de uma legião de boa-vontade para com tudo o que acontece na Rússia. Chegaram até a dizer que é mais fácil que uma horda de Europeus imigrem para a Rússia do que o contrário! Quero crer tratar-se de uma piada de ex-comunista, desses que nunca visitou a Rússia.
A primeira coisa que quero dizer é que a Rússia deve primeiramente resolver os seus inúmeros problemas "raciais", antes de tentar acesso livre dos seus cidadãos à Europa. Ora, qualquer pessoa sabe das dificuldades que os russos do cáucaso enfrentam quando querem viajar para as cidades russas. Em Moscou, não conseguem dar dez passos sem que sejam parados por policiais, seguranças, quando não são ofendidos pelos próprios "conterrâneos". E a guerra na Chechênia? Está tudo pacificado no Cáucaso? É claro que há problemas que o governo russo finge que não existem e não quer enfrentá-los. Mas, pelo que se percebe, deseja que os Europeus enfrentem os problemas que os russos não querem enfrentar em sua própria casa.
Em segundo lugar, há um velho ditado que diz que "ninguém respeitará aqueles que não respeitam a si próprios". É humilhante para um país como a Rússia estar de joelhos há anos, a suplicar a suspensão dos vistos com a Europa. Se a demanda fosse levada pelos diplomatas russos, tudo bem. Mas são as autoridades máximas, Putin e Medvedev, que estão verbalizando essas súplicas. Agora já nem são mais súplicas, são ameaças. Ora, que papel indigno para um país como a Rússia! É um vexame. Eu só posso concluir uma coisa dessa postura: o governo russo enxerga uma janela de oportunidade nessa conjunção de profunda crise econômica européia e nesses anos em que a autocracia do Kremlin ainda consegue enganar o ocidente de que não é ainda um regime à moda Lukashenko. A cada dia que passa, fica mais difícil disfarçar esse cenário obscurantista para qual a Rússia caminha rapidamente. Ou seja, logo mais adiante a Europa sairá da crise econômica e enquanto os russos ficarão mais belorussos. É claro que a Europa não quererá cumplicidade de fronteiras abertas com a vanguarda do atraso político europeu. Putin sabe disso, razão pela qual intensifica suas súplicas à suspensão do visto, com argumentos econômicos (turistas russos). É risível!!!
Terceiro, qualquer um que passe sequer uma semana na Rússia aprende que os russos planejam cair fora do país tão logo consigam algumas reservas que permitam "comprar" sua cidadania na Europa ou outro lugar. E os jovens desejam se mandar antes mesmo disso, as pesquisas mostram isso a cada semana. Qual a vantagem para os Europeus em levar para seu território problemas como o alcoolismo, o preconceito racial, a intolerância religiosa, etc? Afinal, a Europa já paga aos russos pelo gás e petróleo pelos preços internacionais, sem desconto. Não deve nada aos russos, seja dito.

Anónimo disse...

Putin quer dar passaporte europeu nas maos daqueles povos dos caucasos para que possa manda-los para o Ocidente, tal como fizeram Romenia e Bulgária com os ciganos.

Russos na ue andarão perambulando pelas cidades européias, brigando, bebendo e criando confusão!

Imograntes só vao tirar emprego dos nativos e jogar lá pra baixo os salários.

Gilberto Mucio disse...

Nossa, que maravilha a Europa está hein.

Acho que o sonhos dos russos é migrarem para Portugal, já que lá o nogócio está bom... rs

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Quanta bobagem...

em primeiro lugar que não está em questão a entrada da Rússia à UE, mas sim a abolição de vistos.

Em segundo, QUALQUER um consegue um visto Schengen. Tudo mundo viaja pela Europa no verão. Até estudante pobre, caixa de McDonalds...

Portando, se os russos tivessem de migrar já estariam migrando.

O fim do visto só acabaria com a burocracia, mas não impede ninguém de entrar na Europa, muito menos os que têm intenção de migrar ilegalmente. Coisa mais fácil do mundo.


Anónimo disse...

prezado comentarista Gilberto,
Parece-lhe simples, mas não é!
Enquanto um cidadão europeu basta decidir tomar um avião para um ou outro destino na Europa ou EUA para atender a uma reunião ou assistir a uma partida de futebol e voltar, os russos têm que planejar, pegar filas, pagar taxas e aguardar o visto.
É uma simplificação tola a sua (desculpe-me a sinceridade!). Você não têm idéia o que significa a um cidadão que mora em Irkutsk conseguir um visto para a França. Primeiramente, não há consulados por lá. Ele geralmente teria que viajar para Moscou para fazer o requerimento pessoalmente. Acontece que uma viagem para Moscou, com hospedagem, pode custar muito mais do que viajar ao destino final que ele deseja.
Eu lhe recomendo ler o estudo sobre turismo russo, da Organização das Nações Unidas para o Turismo. Lá diz claramente que o critério de decisão pelo destino da viagem dos russos do interior é pelo país em que não precisa de visto.
Teoricamente não é impossível a um caixa do MacDonalds viajar a Europa, como vc diz em sua defesa inocente, mas o que a Estatistica mostra é que o visto é um real obstáculo aos planos da maioria dos russos. E olhe que estamos a falar de turistas, pois imagine os homens de negócios que perdem oportunidades. São exatamente estes que pressionam o presidente Putin mais do que os demais cidadãos.
Gilberto, não simplifique o que não é simples. Se fosse algo simples, as autoridades russas não estavam de joelho suplicando aos europeus que aceitem os seus cidadãos sem impedimentos.

Anónimo disse...



O Outro anónimo.

Caro anónimo aconselho-o a informar-se melhor como vivem muitos milhões de Europeus, depois sim já tem o direito de fazer comentarios.

Amigo esta Europa está podre, perdeu todos os valores fundamentais, quer socias quer de respeito por os seus próprios cidadãos, ninguém mais acredita neste modelo, e é por isso mesmo que as pessoas já nem se dão ao trabalho de ir votar quando há eleições.


Hoje quem acredita na Europa tal como está são os tecnocratas que vivem pomposamente em Bruxelas e os governos vassalos que cumprem as directrizes da Senhora Merkel.