quarta-feira, setembro 18, 2013

Ou estás quietinho e caladinho, ou levas no focinho…






A propósito dos meus livros «Golpe Nito Alves» e outros momentos da história de Angola vistos do Kremlin” e “Cunhal, Brejnev e 25 de Abril”




Recordei-me da letra desta canção hoje de manhã quando deparei com novas críticas ao meu livro “Cunhal, Brejnev e 25 de Abril” de pessoas que ainda não o leram.
No fundo, as críticas resumem-se a insinuações e acusações sem fundamento e concentram-se principalmente na questão de se parte do arquivo da PIDE foi ou não desviado pelo KGB soviético com a ajuda do PCP ou não.
Depois da reação do PCP, que foi publicada ainda o livro não estava à venda, e de outros “camaradas” ou “companheiros de viagem”, fico ainda mais convencido de que “aqui há mesmo gato”.
As provas avançadas por esse setor baseiam-se fundamentalmente no facto de as declarações virem de “traidores”.
HÉLIO BERNARDO LOPES, antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia, escreve no jornal “Farol da Nossa Terra”: “Pois, surgiu agora um livro de José Milhazes, sobre que foi entrevistado no Jornal das 9, e onde referiu o livro de um antigo traidor soviético, Oleg Kalugin, que foi em tempos do KGB e vive hoje nos Estados Unidos, e um outro de Mitrokin, também antigo espião e traidor”.
Não será caso para dizer: “Chamem a polícia!” (tenho todo o respeito pela polícia e pelas pessoas que velam pela segurança dos cidadãos!)
Deixando de lado os “traidores”, ou seja todos aqueles que não estão de acordo com os comunistas e seus aliados, gostaria de sublinhar uma vez mais que no meu livro há dados novos, nomeadamente a descoberta de um espião soviético que trabalhava para a CIA e foi descoberto precisamente com a ajuda dos arquivos da PIDE/DGS. E este facto não foi contestado por ninguém.
No início, fui acusado de pretender denegrir Álvaro Cunhal, agora, nalguns blogues, já sou acusado de publicar o livro para influir nos resultados das eleições autárquicas!
É de assinalar que, em geral, as “críticas” vindas do PCP e arredores não destacam outros momentos no livro de primordial importância para a compreensão do papel de Portugal na Guerra Fria e na luta entre a URSS e os Estados Unidos, a ação das várias forças políticas portuguesas no PREC, etc.
Como não se pode proibir a publicação de um livro que se desvia da história e iconografia criadas pelo PCP, com falsificações e retoques à mistura, insulta-se o autor. Já vi isso nalgum lado! Se bem me recordo, isso era prática corrente em regimes ditatoriais como o nazismo na Alemanha e o estalinismo na URSS, e é noutras filiais desses regimes espalhadas pelo mundo.

Um exemplo recente disso é o destino do meu livro «Golpe Nito Alves» e outros momentos da história de Angola vistos do Kremlin”, editado em Maio passado pela Editora Aletheia. Pelas numerosas informações que recebo, a venda desta obra continua proibida em Angola e circula apenas pela “candonga”.

Os motivos invocados para a proibição de venda deste livro em Angola devem ser semelhantes aos enunciados pelo PCP e seus companheiros de viagem em relação à minha obra “Cunhal, Brejnev e 25 de Abril”.

Apenas com uma diferença substancial: as autoridades angolanas proibiram o livro porque podem fazê-lo, o PCP não consegue fazer o mesmo. Mas se tivesse poder para isso, já estaria nalgum “índex” especial.

Para concluir, o PCP utiliza a democracia existente em Portugal, que pode ser pequena e pobre, mas suficiente para que essa força política defenda os seus pontos de vista e até insulte os adversários. Mas, se algum dia chegar ao poder, acabam-se eleições democráticas e até as “mais amplas liberdades democráticas” (as palavras entre aspas são de Álvaro Cunhal).

Por isso, devemos dar valor e defender o pouco que temos, e, se possível, aumentá-lo.

P.S. Gostaria de agradecer ao PCP a campanha iniciada contra mim no blogue “O Tempo das Cerejas” (que já chegou ao fim este ano) e através de “independentes”, pois apenas contribuíram para que as pessoas se interessassem pelo meu livro.

E mais não digo, prometendo continuar a publicar na minha página do FB e no meu blogue as “críticas demolidoras” que vão chegando.

10 comentários:

Manuel Goncalves disse...

Tenho sido muitas vezes criticado por comentar o que penso sempore da maneira que penso, por vezes isso incomoda muita gente, agora nunca me deu para criticar aquilo que nunca li.

Manuel Goncalves disse...

Tenho sido criticado muitas vezes por comentar assunto da maneira que penso e como penso, isso por vezes parece incomodar muita gente tornando-me talvez muitas vezes indesejado mas nunca me deu para criticar obras que nunca li.

Pedro Leite Ribeiro disse...

Força, José Milhazes! Essa gentinha, resquícios dos velhos tempos da cortina de ferro, já só vai dando uns latidos pois que nem se pode dizer que ladra, quanto mais morder. Até porque a idade há muito lhes retirou os dentes. Eles que admitam que o regime que defendem foi responsável por muitas centenas de milhares de mortos em vários pontos do planeta e que mantém, ainda, na sinistra Coreia do Norte, tenebrosos gulag (perdoe-me a redundância).

Pippo disse...

Ainda ontem este livro foi comentado no programa "Sociedade das Nações", na SIC.

Fernando Negro disse...

Gostei do post-scriptum... :) eheheh

Típica falta de sofisticação, por parte dos comunistas.

Tivesse eu no seu lugar, estaria a rir-me imenso com este tipo de críticas - as quais, até, só aumentaram a minha curiosidade pelo livro...

Fico com pena de não poder ter comparecido ao lançamento do mesmo em Lisboa. Mas, obrigado, desde já, pelo serviço público que já pude ver que prestou com a publicação do mesmo.

E, a propósito deste seu antagonismo com o PCP (e, só responda a isto, se quiser, tiver tempo e também paciência para tal) aproveitava para lhe perguntar duas coisas, acerca das quais fiquei curioso (e que não faço, de modo algum, por ter alguma coisa a ver com a sua notória independência, enquanto historiador)...

- Percebo que você é agora um crítico deste partido, onde militou. Mas, continua você a considerar-se um socialista (agora, mais "libertário")? (Pode, por exemplo, deixar aqui alguma hiperligação para onde já tenha exposto a sua actual posição política?)

- E, outra coisa pela qual fiquei também com curiosidade... Qual é a sua posição política quanto à União Europeia, que agora governa Portugal? (Pergunto isto, porque já pude ver um vídeo de um discurso seu onde defendia a sua componente internacionalista (e, será que também(?) capitalista(?))... (Se tiver também alguma hiperligação para onde já tenha respondido a isto, será mais simples aqui deixá-la, do que ter o trabalho de me estar a responder.)

Atenciosamente,

Fernando Negro

antónio m p disse...

E o Fernando Negro ficou sem resosta. Talvez porque "nem todos os que riem das algemas são livres" como se diz no "Dr. Jivago".

José Milhazes disse...

António, não se preocupe com o Fernando Negro, pois eu costume responder aos comentários.
Fernando, eu continuo a ser adepto da justiça social, igualdade de oportunidades, solidariedade e humanismo. Os regimes do norte da Europa são aqueles com que mais me identifico.
Quanto à UE, encontra-se num impasse perigoso. Gostaria de ver a Europa uma federação de Estados iguais, democráticos, um pólo importante na política mundial. Hoje, a UE é um saco de gatos.

Fernando Negro disse...

Ah.

Muito obrigado pela resposta. :)

Pois... É porque estava curioso em saber de que ponto-de-vista é que - não só é escrito este livro, mas também, e acima de tudo - vêm as suas opiniões, expressas neste blogue.

Fico então mais esclarecido.

Felicidades,

Fernando Negro

João José Horta Nobre disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/10/ou-estas-quietinho-e-caladinho-ou-levas.html

Espero que não se importe de eu ter adicionado o video da música que refere no artigo.

Cumpts,
JJHN

Anónimo disse...

Khe Sanh

«««««Eles que admitam que o regime que defendem foi responsável por muitas centenas de milhares de mortos em vários pontos do planeta»»».

Podia ter sido assim como diz, mas não foi.
No entanto esses tiveram a superioridade moral de reconhecer os seus erros e parar com as essas supostas "matanças" há muitas décadas.

Mas o seu BANDO continua nos dias de hoje a provocar centenas de milhares de vitimas inocentes com o bjetivo único de saquear os seus despojos.

Precisa que lhe lembre o Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria?


«««««« e que mantém, ainda, na sinistra Coreia do Norte, tenebrosos gulag»»»»»»».


Deseja que lhe prove que o sistema social nas Filipinas é mais sinistro e desumano que na Coreia do Norte?

Apresento-lhe as provas que pretender!


Quanto ao GULAG.

Já os Centros Penitenciários tinham sido extintos na URSS havia uns bons aninhos, ainda era negado aos Índios e Negros Americanos mijar nos mesmos "penicos" dos brancos.

Isto para não lhe lembrar aqueles que eram linchados na via publica em rituais macabros só por terem a cor da pele escura.

Quer que lhe diga até quando esses atos vergonhosos foram permitidos?

Khe Sanh