quarta-feira, novembro 13, 2013

Tratado de Parceria entre a UE e a Ucrânia vai ser adiado até quando?




Parece ser cada vez mais uma certeza que o Acordo de Parceria entre a União Europeia e a Ucrânia não vai ser assinado no final do mês de Novembro em Vilnius, tal como tinha sido anunciado, mas será mais uma vez adiada a assinatura de um documento vital para o desenvolvimento das relações bilaterais.

As pressões duras, grosseiras e descaradas da Rússia sobre os dirigentes ucranianos surtiram efeito. Moscovo, através do levantamento de barreiras alfandegárias aos produtos ucranianos, bem como de outras que poderão ter acontecido ao mais alto nível, conseguiu meia vitória: a não assinatura do Acordo de Parceria entre a União Europeia e a Ucrânia.

Esta posição é apoiada pelos industriais e homens de negócios ucranianos que mantêm estreitos laços com empresas russas. Segundo a imprensa ucraniana, na terça-feira, numa reunião entre o Presidente Victor Ianukovitch e homens de negocios, Valentin Landik, presidente do consórcio “Gruppa Nord”, teria dito: “Se for possível, por enquanto, adiemos a assinatura do acordo por um ano. Dê-nos a possibilidade de nos preparar, de comprar maquinaria. Isso é um grande pedido não só minha, mas dos industriais”.

Trata-se da assinatura de um acordo de associação com a Europa, onde ninguém nos espera”, acrescentou Gueorgui Skudar, gerente da Fábrica de Construção de Máquinas de Novokramator.

A União Europeia também parece ter já arranjado uma desculpa para adiar a assinatura do documento. Uma das condições era que as autoridades ucranianas permitissem a transferência de Iúlia Timochenko, antiga primeira-ministra, da prisão para uma clínica na Alemanha.

Além disso, as autoridades judiciais ucranianas abriram um processo-crime contra Serguei Vlassenko, advogado de defesa de Timochenko.

Nas últimas semnas, Victor Iankovitch desfere pontapés mortais no acordo de associação. A abertura de processos-crime absurdos contra o meu defensor Serguei Vlasenko é feita de forma consciente e fria, é o último golpe no próprio coração das esperanças ucranianas na assinatura do acordo”, considerou Iúlia Timochenko.

Segundo sondagens realizadas na Ucrânia, a maioria dos inquiridos defende a assinatura do Acordo de Parceria com a UE, mas, por este andar, a sua vontade não irá ser ouvida e muitos deles decidirão que Bruxelas entregou a Ucrânia, o maior país europeu depois da Rússia, ao Kremlin.

Escusado será dizer que se trata de mais um forte sinal de fraqueza que a União Europeia transmite, de que continua a faltar políticas coordenadas no campo da defesa e da diplomacia.

Quanto à Rússia, resta apenas continuar a lutar pela outra meia vitória: a adesão da Ucrânia à União Alfandegária, que reúne a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão. Moscovo poderá ganhar assim mais tempo.

13 comentários:

O Sousa da Ponte disse...

A Russia vai abrir mão da Ucrânia lá para as calendas gregas.
Já perderam todo o leste da europa.
Não me acredito que deixem ir a Ucrânia e a Geórgia.

PortugueseMan disse...

...Escusado será dizer que se trata de mais um forte sinal de fraqueza que a União Europeia transmite, de que continua a faltar políticas coordenadas no campo da defesa e da diplomacia...

Meu caro,

Sinal de forte fraqueza por parte da UE, por arrastar os pés a uma situação que ainda complicaria mais a Europa?

Está a Europa preparada para entrar num vespeiro como o é a Ucrânia?

A Ucrânia é um poço sem fundo de problemas, especialmente problemas financeiros!

A Europa está com problemas mais que suficientes neste momento. Portanto a Europa está certa, não fechar a porta à Ucrânia, e ao mesmo tempo arrastar os pés, para que ela não se aproxime.

A Ucrânia está com uma grave crise financeira, está com um problema energético com a Rússia. A UE não tem condições para ajudar, pelo menos até à Ucrânia reduzir a sua dependência de gás financiado pela Rússia.

E não estou a ver quando é que a Ucrânia terá essa capacidade.

Um artigo para ver como anda esta Ucrânia:

S&P degrada nota da Ucrânia

A Standard&Poors (S&P) baixou a nota soberana da Ucrânia, num nível para “B-”. A perspetiva é negativa.

A agência de notação evoca as dificuldades do governo em aceder a fundos externos seguros, numa referência ao impasse nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo. Considera também preocupante a desvalorização das reservas cambiais do país, que caíram 26% em setembro, em termos anuais.

A Standard&Poors segue assim o exemplo da Moody’s, que cortou a nota no mês passado.

A situação da Ucrânia degradou-se nos mercados obrigacionistas, face ao impasse com o FMI. O organismo exige um aumento das tarifas do gás doméstico, o que Kiev recusa fazer.


http://pt.euronews.com/2013/11/01/sp-degrada-nota-da-ucrania/

Você quer uma Ucrânia neste estado contaminar mais a Europa?

No estado em que está hoje a Europa, isto arrisca-se a transformar-se uma explosão nuclear económica!

A Ucrânia está a pagar por opções do passado e assim vai continuar por muitos anos.

Esta é a minha opinião.

PortugueseMan disse...

O mesmo artigo que enviei se forem à versão inglesa, é mais detalhado, aproveito para colocar aqui alguns excertos:

Ukraine debt worries bring another downgrade

S&P is concerned about Ukraine’s falling foreign exchange reserves and its ability to refinance its debt. This follows a recent similar move by Moody’s.

Kiev faces a payment crunch to service its debt over the next 18 months.

It has asked for leniency from Russian creditors....

...The International Monetary Fund could help Ukraine, but only if the government raises domestic gas prices and reforms the economy...

...called again for an end to the unprofitable practice of Soviet-era subsidies in which state run oil and gas company Naftogaz sells gas to households and other domestic consumers at prices way below the level at which it buys from Russia...


http://www.euronews.com/2013/11/01/ukraine-debt-worries-bring-another-downgrade/

Esta Ucrânia, neste estado, não pode pensar na Europa. E a Europa nada pode fazer por um país desta dimensão.

Enquanto estiver dependente da Rússia, terá que fazer o que ela quer.

José Milhazes disse...

Caro PM, estou de acordo consigo, mas então para que se reúnem cimeiras, marcam-se datas? A Europa tem realmente graves problemas a resolver no seu seio, daí eu perceber ainda menos esses anúncios.
É verdade que a Ucrânia é um país cheio de problemas, mas trata-se de um território importante em muitos sentidos.

PortugueseMan disse...

...mas então para que se reúnem cimeiras, marcam-se datas?...

Penso que a insistência parte de Ianukovitch, que não sabe para onde se virar. O pais está realmente em maus lençois e será muito difícil libertar-se da pressão russa, para não dizer impossível nos próximos (muitos) anos.

A Europa vai dando alguns sinais de querer ajudar, porque parte da culpa da situação da Ucrânia, pertence à Europa, ao ter encorajado a Ucrânia a sair da zona de influência russa, numa altura que não o poderia ter feito.

A Europa encorajou a Ucrânia a fazer isto e agora a Ucrânia está numa situação deveras complicada.

Os EUA encorajaram a Geórgia a resolver o seu problema territorial e perderam partes do seu território.

Vários interesses encorajaram a remoção de Assad e o país está mergulhado no inferno.

Quem se lixa? sempre a ponta mais fraca.

Os fortes, os que não querem sujar as mãos, apoiam até certo ponto. Quando vêem que o passo é maior que as pernas, recuam.

Recuam porque podem, mas quem vive lá é que sofre sempre as consequências.

Os fortes estão longe, no conforto dos seus lares.

Anónimo disse...

Dr. Milhaezes, permita que o saude e que lhe coloque uma questão.,
Existem provas sobre o envolvimento de A.Cunhal relativamente à transferência de segredos de estado de Portugal para Moscovo?

Se sim, agradeço fontes/livros

Grato.

Matias.J

José Milhazes disse...

Caro Sr. Matias, esse é um problema muito complicado, pois primeiro é preciso definir o que são segredos de Estado. Os documentos que possuo foram publicados no meu livro. Podem existir e existem muito mais, mas estão fechados. Cumprimentos. Jmilhazes

PortugueseMan disse...

Ukraine says does not need to buy Russian gas before year's end

Ukraine can get by without buying Russian gas before the end of the year, Energy Minister Eduard Stavytsky said on Wednesday...

...The decision by the Ukrainian state oil and gas company Naftogaz last Friday to suspend imports sparked fears of a possible new dispute that might affect supplies of Russian gas also to Europe...

...The ex-Soviet republic, which plans to import 27.3 billion cubic metres of gas this year for its own needs, including 26 bcm from Russia, had about 19 bcm of gas in underground storage vaults as of the end of October...


http://www.reuters.com/article/2013/11/13/ukraine-russia-gas-idUSL5N0IY16V20131113

A Ucrânia está a tentar ganhar tempo, para ver se consegue algo da Europa ou da Rússia...

Mas está encostada à parede, devido aos preços da energia.

Anónimo disse...

O José Milhazes insiste na patranha do desvio de documentos.

Como não consegue provar nada faz suposições.

José Milhazes sobre a questão do desvio de documentos, em vez de tentar iludir as pessoas com coisas que nunca aconteceram, tem o dever de pessoa honesta que quer ser, responder a este homem.

Por isso tenha a coragem de se assumir de uma vez por todas.


Por favor leia e responda ao que escreveu o coronel Sousa e Castro.


Mandume Ya Ndemufayo


Aqui:

Rodrigo Sousa Castro – Presidente
Superintendente para a Extinção da PIDE/DGS e LP

A TODOS OS MEUS AMIGOS DO FB PEÇO O EMPENHO EM LEREM O QUE SEGUE E DIVULGAREM SE ACHAREM JUSTO. É QUE JÁ NÃO É ADMISSIVEL TANTA MENTIRA E DEMAGOGIA.

Quando a 26 de Abril de 1974, finalmente as Forças Armadas tomaram a sede da Pide/Dgs na rua António Maria Cardoso em Lisboa e ocuparam o forte de Caxias libertando os presos políticos, um dos factos que constataram foi que na sede, os agentes da Pide acossados pela Revolução, haviam queimados substanciais quantidades de documentos, não numa incineradora que tivessem para o efeito, mas numa singela lareira revelando logo ali, o estado da arte a que tinha chegado a policia politica da ditadura.
Como não foi possível identificar na totalidade os documentos queimados, sabendo-se todavia que ma maior parte eram listas de colaboradores e informadores e de redes pessoais de informadores que eram exclusivo dos agentes mais graduados da policia politica , inspectores e sub- inspectores, é absolutamente razoável presumir que alguns desses documentos conteriam algum documento relacionado com as policias politicas congéneres inclusive com a CIA.
Acrescente-se todavia, que nessa altura, 90% dos efectivos e da actividade da Pide /Dgs, realizava-se nos três teatros de operações militares em África a beneficio das Forças Armadas Portuguesas, especialmente o Exército, com quem colaboravam estritamente, não só no domínio da pesquisa coberta das informações, como em actividades extra fronteiras, e até em contactos com os movimentos ditos de Libertação.
Na Metrópole, isto é em território Nacional Europeu, tanto a sede como a prisão de Caxias, foram ocupadas em permanência pelas Forças Armadas, quer unidades do Exército , quer da Armada, incluindo a prisão de Alcoentre, onde milhares de agentes e informadores, foram “ depositadas” com o intuito de serem julgados.

Cont….

Anónimo disse...


Cont….
A ocupação, guarda e defesa dessas instalações, manteve-se ininterruptamente nas mãos dos militares até 1982 ( fim do Conselho da Revolução), embora com a substituição das guarnições logo após os acontecimentos politico-militares de 25 de Novembro de 1975.
Ao organizarem a guarda das instalações e arquivos os militares, através de uma cadeia hierárquica conhecida, formaram uma comissão, chamada Serviço de Coordenação para a Extinsão da Pide/Dgs e LP. Nela aceitaram integrar elementos dos vários partidos e forças politicas, que reivindicavam um passado de luta antifascista, entre outras, O PCP, O Ps, a Luar, o MRPP etc. Esses elementos são conhecidos e grande parte, creio eu, ainda hoje é viva , felizmente. Entre eles estava um menbro do comité central do PCP, o snr Oneto ligado ao PS, o dr. Caldeira do PS e hoje da fundação Mário Soares e outros cidadãos ligados ás forças que referi.
Estas forças , particularmente o PCP, que tinham aliás os correlativos simpatizantes no seio das Forças Armadas da altura, procuraram numa primeira fase e rapidamente, indagar das listas de colaboradores e informadores por forma a puderem rapidamente sanearem as suas fileiras e exercerem alguns ajustes de contas. Digo particularmente o PCP, que obviamente teve chocantes surpresas.
Mas a questão essencial, é que este heterogénio grupo politico civil que passou a fazer companhia aos militares, exerciam uma vigilância mútua de tal ordem, que é absolutamente delirante pensar, nas colunas de Berliets (camiões) que a coberto da noite carregaram toneladas de documentos e se puseram a caminho da União Soviética, numa operação Jamesbondiana sem paralelo cá no burgo !!!!!.
É aliás ofensivo para a guarnição e chefias militares presentes e responsáveis á época a admissão de uma operação dessa natureza.
Esta delirante visão, sem o mínimo de consistência e prova real, faz ainda hoje as delicias conspirativas de alguns escribas jornalísticos e do Face Book e mais grave é partilhada por gente que se diz historiadora, alguma com altas responsabilidades académicas..
A verdade, é que tirando alguns recuerdos pessoais, entre os quais algumas armas, os processos de lideres políticos da oposição á ditadura como os de Soares e Cunhal, e eventualmente algumas fotocópias de documentos que a análise superficial de alguns desses zelosos civis partidários poderiam considerar informação útil para este ou aquele partido, os arquivos da policia politica da ditadura podem considerar-se incólumes e foram entregues por mim em 1982 para seguirem para a Torre do Tombo, após um grupo de deputados ter alvitrado que eles ficassem na AR !!!!

Cont.....

Anónimo disse...



O embuste da fuga de informação relevante e com peso politico, sobretudo em termos internacionais, uma espécie de wikileaks avant-garde, põe a nú oportunismos serôdios e a ignorância completa do processo histórico relacionado com o fim da ditadura. Por altura do 25 de Abril de 1974, a policia politica português, estava praticamente proscrita das redes de informação normais das democracias ocidentais, incluindo a CIA e como é óbvio, não tinha qualquer contacto com as policias politicas do Bloco Comunista e ainda menos com a China.
Acresce a esta realidade o indigente estado da arte dessa policia, por mim verificado, durante os sete anos em que fui responsável pelo desmantelamento do seu aparelho, em que foi confrangedor, verificar os aspectos artesanais e arcaicos do seu funcionamento. Sem embargo de admitir contactos estritamente pessoais de alguns inspectores, que não do director, major Silva Pais, com elementos de alguns serviços secretos europeus (França e Inglaterra). O resto é fantasia pura.
Relembro que os efectivos , os melhores agentes e 90% do esforço da policia politica se verificava em África e aí sim, com resultados palpáveis, entre os quais os assassinatos de Eduardo Mondlane e Amilcar Cabral. Acções aliás bem negativas para o interesse estratégico português como hoje é fácil constatar.
Por último queria rearfirmar que a todos os agentes e informadores confirmados, foi dado oportunidade de um julgamento justo e equitativo, por mim exigido em Conselho da Revolução e que o General Ramalho Eanes através dos meios Judiciais do Exército proporcionou ( cinco tribunais militares), queria dizer ainda que esses processos judiciais estão salvaguardados no Arquivo Histórico militar, sendo Portugal, talvez o único caso no mundo, onde os arquivos da policia politica de uma ditadura foram essencialmente perservados e o julgamento que os democratas fizeram sobre essa policia politica estão salvaguardados.
Isto sim devia ser valorizado e merecer o estudo de quem perde tempo com especulações e demagogias.

José Milhazes Historiador ou aldrabão?

José Milhazes disse...


Mandume Ya Ndemufayo, já tive oportunidade de responder a esses comentários. Existem opiniões em sentido contrário de pessoas que fizeram parte da Comissão de Extinção da PIDE. Além disso, gostaria que me respondessem a uma questão: faltam ou não documentos no Arquivo da Pide? Se faltam, de que secção?

Anónimo disse...

"Além disso, gostaria que me respondessem a uma questão: faltam ou não documentos no Arquivo da Pide? Se faltam, de que secção? "


José Milhazes.

Afirmativamente não.

Diz isso quem ignora que a Comissão de Extinção da PIDE e da LP além dos militares que a estavam a dirigir, era também composta por membros de vários partidos politicos. PS, PPD (PSD) PCP, MRPP, MDP/CDE.

Não se manipulava um documento sem autorização de qualquer um deles.

Portanto continuar a insistir na tese das toneladas de documentos desviados apenas denota a má fé das pessoas.

Até porque o PS e o PSD já desmentiram essa invensionice publicamente.

Se o José Milhazes entende que tira daí dividendos politicos pois que insista, de certeza que encontra sempre seguidores.

Como Cristão um dia irá pesar-lhe na consciência ter faltado à verdade a quem em si confiou.

Cumprimentos

Mandume Ya Ndemufayo