domingo, fevereiro 23, 2014

Rússia desiste de Ianukovitch, mas não desiste da Ucrânia



Os órgãos de informação controlados pelo Kremlin não poupam adjectivos pejorativos para classificar Victor Ianukovitch, Presidente da Ucrânia afastado do cargo pela oposição: “traidor”, “cobarde”, “fraco”, etc., etc.
O principal “pecado” que lhe é apontado consiste em que ele não esmagou à nascença os protestos que conduziram ao seu derrube e, depois, tal como Kadhafi e Gorbatchov, acreditou nas promessas do Ocidente, de segurança no caso do primeiro e de não alargamento da NATO a Leste no caso do segundo.
Isto tem uma explicação: o Kremlin receia que os acontecimentos no país vizinho seja um mau exemplo para os cidadãos russos, mesmo que a diferença entre a situação política, económica e social dos dois países seja grande. É verdade que a economia russa está a entrar em recessão, o rublo está a sofrer uma desvalorização diária e, em pouco mais de um mês, perdeu cerca de 10% do seu valor em relação ao dólar e ao euro, e o país mergulha-se cada vez mais na corrupção.
Porém, ao contrário da Ucrânia, na Rússia não existe uma oposição numerosa e séria, o aparelho propagandista e repressivo está bem mais afinado. Mas Vladimir Putin guia-se sempre pelo princípio: “mais vale prevenir do que remediar”.
Por essas e outras razões de que venho falado, a Rússia não vai ficar indiferente ao que se passa na Ucrânia e irá fazer tudo para aproveitar os erros dos novos senhores do poder em Kiev. Hoje, domingo, o embaixador russo na Ucrânia, Mikhail Zurabov, foi chamado a Moscovo para consultas e só deverá regressar quando a situação na capital ucraniana estiver mais calma, ou poderá ser mesmo substituído, pois tem sido acusado de não ter sido activo durante os últimos acontecimentos no país vizinho.
Em Moscovo, são muitos os que acreditam que os novos/velhos dirigentes da Ucrânia não conseguirão conter os radicais do Sector de Direita, irão cometer os mesmos erros cometidos em 2004 e que nem a União Europeia, nem os EUA estão dispostos a investir dinheiro numa economia perto da falência. Além disso, Moscovo não esconde o seu apoio aos separatistas do Leste e do Sul da Ucrânia, nomeadamente sob a capa da “federalização do país”, ou seja, a uma divisão gradual do território ucraniano.
Quanto a Iúlia Timochenko, ela apresentou-se como uma mártir do regime de Ianukovitch que, desta vez, promete mesmo salvar a Pátria. Sentada numa cadeira de rodas, talvez para puxar mais a lágrima aos manifestantes, poderá já, nos próximos dias, aparecer a andar com todo o vigor e forças.
Mas não é disso que se trata. Timochenko tem grandes ambições, já fez saber que não quer o cargo de primeiro-ministro, pois, hoje, aceitar isso seria um suicídio político e as eleições presidenciais estão à porta. Ela quer mais, quer ser “Mãe da Nação” no cargo de Presidente da Ucrânia. Ambição não lhe falta, mas não é a única que sofre desse mal entre os vencedores.

Mas ainda é preciso sobreviver até às eleições presidenciais marcadas para 25 de maio, pois, até lá, tudo pode acontecer, tanto mais se os radicais realizarem uma política de aumento da “caça às bruxas” e de humilhação dos vencidos. O facto de terem publicamente espancado e humilhando alguns dirigentes locais, para obrigá-los a assinar a demissão, não enobrece um movimento que diz querer a liberdade e a democracia. Também não será boa ideia se as novas autoridades proibirem os partidos das Regiões e Comunista, pois eles representam parte significativa dos cidadãos ucranianos. Como sabem, eu não morro de amores pelos comunistas, mas a única forma de derrotá-los é actuar melhor do que eles, dar ao povo aquilo que eles não conseguiram dar.

18 comentários:

PortugueseMan disse...

...Mas ainda é preciso sobreviver até às eleições presidenciais marcadas para 15 de maio...

até 15 de Maio?

Eu quero ver é como se aguentam uma semana.

Eles estão sem dinheiro, alguém vai ter que avançar já com dinheiro e não vai ser os russos...

vamos a ver quem se vai atravessar para injectar dinheiro no país.

Eu estou para ver se a Europa está disposta a meter dinheiro ali, na ordem dos biliões.

se calhar vou ter um aumento no IRS, imposto especial para pagar gás ucraniano.

A Europa enterra dinheiro na Ucrânia e algo se desenterra na Europa.

Anónimo disse...

as eleições presidenciais marcadas para 25 de maio; o PC nas ultimas eleições passou com dificuldades a berreira de 5% e não venceu nenhum círculo uninominal;

Anónimo disse...

No sul a Ucrânia, os Russófonos já se manifestam contra os do Leste, este vídeo é de Odessa.

http://www.youtube.com/watch?v=jUbvA8ovHW0&feature=player_embedded

Mas manifestações mesmo, com verdadeiros manifestantes, estes não andam armados nem de cara tapada, ao contrário dos "democratas" de Kiev financiados e orquestrados pelos EUA/UE que literalmente incendiaram o pais, com consequências na minha cóptica ainda imprevisíveis.

Mas não só em Odessa, em Kharkiv idem aspas.

http://www.youtube.com/watch?v=ebbfkKCjHmE&feature=player_embedded

Por fim, na Crimeia em Sebastopol, unidades da Berkut destacadas para Kiev regressam a casa e são tratados como heróis.

http://www.youtube.com/watch?v=yvhvyr7evQg&feature=player_embedded

Odiados em Kiev, glorificados na Crimeia.

Para quem ainda tem dúvidas, penso que estes vídeos são esclarecedores.

A Ucrânia está mais que dividida.

Fernando Negro disse...

Eu diria que as eleições presidenciais, de 15 de Maio, são para esquecer...

Pois, os revoltosos deram, com este golpe antidemocrático, uma prova definitiva de que não querem saber de eleições presidenciais e de Democracia para nada... (Pelo menos, de eleições verdadeiras...)

E, tudo isto (cercar o Parlamento, para fazer sessões de farsa, perseguir os opositores e impor um governo ilegítimo) é uma repetição dos métodos através dos quais os nazis originais (que servem de inspiração a estes novos) acabaram com a Democracia na Alemanha.

Os neonazis têm um apoio significativo no leste da Ucrânia. E, conseguiram até eleger dirigentes para algumas zonas. Mas, são, ainda assim, uma minoria - até mesmo, nessa parte da Ucrânia. E, se se atreverem a fazer eleições verdadeiras, arriscam-se a ter de enfrentar uma "união antifascista", que corra com eles do poder. (Pois, depois do que fizeram e estão a fazer, quem é que, sendo democrata e não fazendo parte do seu grupo, vai querer continuar a vê-los no poder?)

Não é do interesse destes neonazis (e, acima de tudo, do Ocidente - que os apoiou em, e esteve por trás de, este golpe e cujo apoio, monetário e de toda a ordem, foi decisivo para o seu triunfo) de que voltem a haver eleições verdadeiras nessa parte da Ucrânia.

E, a não ser que o governo democraticamente eleito queira reaver militarmente (/libertar do agora domínio neonazi) o leste da Ucrânia e/ou que haja uma revolta que consiga derrubar o governo ilegítimo que controla essa zona... Eu diria que, essa mesma zona da Europa será, daqui para a frente, um ninho de neonazis - e que o regresso da Democracia à mesma é algo mesmo muito incerto...

Europeísta disse...

Putin quer dividir a Ucrânia. Esse plano já foi elaborado por Putin há mais de 8 anos quando a Rússia invadiu a Geórgia. A estratégia é adotar a "solução georgiania". Da mesma forma com a qual dividiu aquele ele quer dividir tb a Ucrânia e Moldávia. Na região que fala russo da Modávia já quem esteja ensaiando o grito de independencia. Essa movimentação é condição para que a Rússia tenha argumentos para justificar suas pretensões territoriais. Isso já foi dito aqui, inclusive por russófilos que Putin precisa da Ucrânia como um estado tempão. Para ser usado na linha de frente para conter uma suposta invasão. O que parece meio ridículo nos dias atuais pq a guerra moderna usa mísseis balísticos capazes de percorrer milhares de quilômetros. Daí essa idéia de estado tampão é meio inócua. Uma crise na Modálvia seria preocupante já que se a Rússia invadir a Modálvia a Romênia não ficará sem açao e a Romênia é membro da Nato. Esse Putin é um grande irresponsável, as açoes dele e suas ambições vão acabar por levar o mundo a uma terceira guerra mundial, com consequencias imprevisíveis. Há minorias russas significativas nos bálticos tb. Se ele tiver sucesso nesse objetivo de dividir territorialmente os países do ex-Urss, então nada o impede de conseguir territórios desses países tb. Sei que muitos cidadãos desses países estão apavorados. O temor de invasão nunca deixou de existir. Desde o fim da Urss ainda se teme que a Rússia possa querer invadir seus territórios. A história russa é repleta de invasões. Do Império ao comunismo soviético. Os exemplos são inúmeros: Finlândia, Polônia. Balticos, Modalvia/Romenia, Criméia... e, mais recentemente, Geórgia. Ao que tudo indica tb Ucrânia e Modálvia.

Anónimo disse...

Por muito que nos desagrade a figura autocrática de Putin, a Rússia não é Putin e Putin não é a Rússia. Posto isto, tenhamos presente que um dos primeiros actos do novo (?) parlamento ucraniano foi decretar a anulação da lei que punha a língua russa como língua oficial do país. Este facto não augura nada de bom. Quando sabemos que o russo é a língua de comunicação da maioria dos Ucranianos, os do leste e os do Sul, mas também de uma larga maioria dos que vivem em Kiev, privar uma população de utilizar a sua própria língua é lançar petróleo na fogueira. É que do mesmo modo que não se deve confundir Putin com a Rússia, também não se deve confundir Iakunovitch com a grande massa russófona do país. Esse, sim, é o caminho para a desintegração, e é aí que Moscovo vai apostar. E na minha opinião, bem. Ou as novas autoridades estão na dusposição de agir de forma democrática, respeitando as minorias, ou essas minorias têm o legítimo direito de defenderem os seus interesses.
Em Odessa já marcham grandes multidões...
http://www.youtube.com/watch?v=9-7KpfD9pBY

Anónimo disse...

UE e EUA estão sem dúvida dispostos a abrir os cordões à bolsa para manter a Ucrânia no seu alcance político. Quase falida ou não, a Ucrânia é um investimento crucial...e o Ocidente sabe disso.

PortugueseMan disse...

Cruzes credo...

Ukraine Seeks $35 Billion as Yanukovych Warrant Is Issued

Ukraine’s interim government said the country needs $35 billion of financial assistance to avoid default...


A Europa vai passar um cheque DESTES??

E quem me pergunta a mim se quero pagar uma coisa destas?? não estamos numa democracia??

pago impostos por todo o lado, reduzem-nos os salários, as pensões, aumentam IVA e agora vamos dar dinheiro aos outros?

A Europa se vai por este caminho, vai meter-se numa bela embrulhada.

Vamos a ver o que a Europa decide.

mikaelrc ribeirocardoso disse...

Europeista seu nome dis tudo voce e um nada burro e ignorante tenho pena de voce e odeio on nazi da ue e eua morte ao facismo do sec 21

JMAST disse...


Europeísta,

Os E.U.A é que querem dividir a Ucrânia. Já viram que é a única hipótese para poderem, finalmente, instalar um dispositivo anti-míssil para sua defesa. Assim serão o único país a poder defender-se de um possível ataque vindo do países com esse potencial. Cada vez há mais gente a abrir os olhos para os grandes terroristas E.U.A.

JMAST disse...


Europeísta,

Os E.U.A é que querem dividir a Ucrânia. Já viram que é a única hipótese para poderem, finalmente, instalar um dispositivo anti-míssil para sua defesa. Assim serão o único país a poder defender-se de um possível ataque vindo do países com esse potencial. Cada vez há mais gente a abrir os olhos para os grandes terroristas E.U.A.

Pippo disse...

Entretanto, a “Revolução” começa a comer os seus filhos, perdão, os seus pais.

Os partidos que estiveram alheados da rua e que conduziram o país ao estado em que se encontra tomaram conta do Parlamento e, como seus novos donos, encetaram uma legislite aguda, extinguindo de uma penada o estatuto de língua oficial para o russo em regiões de população maioritariamente russófona (eis o mui democrático respeito pelas minorias!) e libertando os presos, mas apenas os da sua cor política. Aos outros, consideram-nos criminosos de delito comum.

Um militante neo-nazi afirma “Nós achamos que o que está a ser feito no Parlamento neste momento é contra-revolução”, diz Ieroslav. “As pessoas que arriscaram, que estiveram dispostas a dar a vida por este país durante a luta de Maidan é que deviam estar agora no poder, a dirigir a Ucrânia. O novo Presidente, Oleksander Turchinov, nunca o vi nas barricadas. O que estamos a assistir é aos oligarcas a reposicionarem-se, tentando obter cargos, à custa da revolução de Maidan. Eu acho que quem devia agora ser chamado ao poder são os que realmente fizeram a revolução, o Sector Direito.”

http://www.publico.pt/mundo/noticia/para-a-direita-radical-as-medidas-do-parlamento-sao-contrarevolucao-1625941

Anónimo disse...

Até dá vontade de rir, vêm acusar a Rússia de invadir países, quando a Rússia nos últimos 20 apenas pisou terreno externo em 2008 na guerra da Geórgia, pelo motivos conhecidos.

Os Estados Unidos desde 1990 tem sido um vê se te avias, Iraque 2X, Jugoslávia e Afeganistão, na Líbia e Síria andam lá forças especiais metidas, e mais uns poucos golpes de estado financiados por Washington, como este na Ucrânia, onde o Presidente do Parlamento, Volodymyr Rybak, eleito democraticamente foi obrigado a demitir-se dia 22 sob ameaça de morte.

O que se está a passar na Ucrânia é um atentado á democracia, é um escândalo, um golpe de estado para-militar disfarçado de revolução pacifica.

Tudo o que foi produzido por este suposto parlamento (Rada Suprema) liderado por um "presidente" do parlamento pastor protestante, diga-se de passagem personagem com um ar sinistro, calculista e vestido de negro não tem valor algum, a Ucrânia vive no vazio legal e constitucional.

As deliberações aprovadas por este parlamento não tem valor porque o presidente do parlamento demitiu-se sob ameaça de morte, e o presidente da republica ucraniana é para todos os efeitos Ianukovitch.

Se os Russófonos do Leste avançarem como já é ventilado para uma Assembleia constituinte assente em Kharkiv, cidade que foi a capital da Ucrânia até ao ano de 1934, as autoridades em Kiev seguindo a mesma linha de raciocínio nada vão poder fazer!

Caminho aberto para a divisão do país.

Se o poder ucraniano ocidental resultante do golpe militar seguir a via militar contra os do Leste, vamos ter a mesma receita de 2008 na Geórgia, a Rússia vai mostrar de novo os dentes.

Anónimo disse...

PortugueseMan,

Se não queres emprestar dinheiro aos ucranianos por que então te dedicas tanto a discutir o futuro deles?

PortugueseMan disse...

Ajuda internacional à Ucrânia não será imediata

...Nas negociações sobre o acordo de associação, a UE propôs 610 milhões de de euros de ajuda financeira à Ucrânia. Mas em Dezembro, após o fracasso do acordo, Kiev quantificou em 20 mil milhões de euros a ajuda financeira de que o país precisava. A Rússia propôs um crédito de 15 mil milhões de dólares [menos 11 mil milhões de euros] acompanhado de uma redução de 30% no preço do gás. "Não estamos na mesmo ordem de grandeza", observou Gomart.

Um entendimento com o FMI "não se fará sem a aceitação de reformas profundas e com um custo social e extremamente elevado", disse, notando que as novas autoridades são "oriundas da Rada [Parlamento], o lugar por excelência da corrupção ucraniana".

"Essa hipótese é muito pouco provável", conclui, referindo-se a uma ajuda do FMI e da UE: "As desilusões arriscam-se a ser rápidas...


www.publico.pt/mundo/noticia/contornos-de-ajuda-internacional-a-ucrania-estao-longe-de-ficar-definidos-1626051

Coloco uma parte do artigo, que demonstra bem o que espera a Ucrânia.

A Ucrânia até hoje sempre recusou as condições impostas pelo o FMI, agora no estado em que a Ucrânia está, não sei que solução vai aparecer.

A UE não pode simplesmente despejar dinheiro, este não pode servir para pagar gás russo.

portanto não estou a ver as alternativas para quem vier a governar a Ucrânia, a não ser implementar as exigências do FMI.

E se for esse o caminho a seguir, temos um novo golpe de estado.

Façam um referendo para a divisão do país, parece-me o melhor para a Ucrânia e os custos serão divididos pela UE/Rússia.

Pippo disse...

Entretanto, o novo governo ucraniano já começa a fazer contas à vida:

MOSCOW, February 24 (RIA Novosti) – Ukraine hopes that the price it pays for Russian natural gas will remain unchanged despite the ouster of pro-Russia President Viktor Yanukovych, Ukraine’s acting energy minister told Reuters on Monday.

Russia’s state gas giant Gazprom agreed with Ukraine’s Naftogaz in December to slash the price that Ukraine had paid since 2009 by about a third, from about $400 per 1,000 cubic meters to $268.50.

“We hope the price will be stable,” the news agency quoted acting Energy Minister Eduard Stavytsky as saying.

More than half of the 55 billion cubic meters of natural gas consumed by Ukraine each year comes from Russia, according to Reuters.
[...]
Ukraine is on the brink of economic collapse following Yanukovych’s ouster on Saturday and the prospect that Russia will renege on billions of dollars in promised loans to the cash-strapped country.

Ukraine’s interim finance minister said Monday that the country is seeking at least $35 billion in urgent aid from Western powers, including the EU and the United States.
[...]

Ukraine is a major re-exporter of Russian gas to Europe, and political wrangling between the former Soviet states has led to serious disruptions in supplies in the past, especially in January 2006 and January 2009 when deliveries were temporarily halted over payment disputes.

http://en.ria.ru/world/20140224/187850083/Ukraine-Hopes-Russian-Gas-Price-Wont-Change--Report.html

PortugueseMan disse...

Se não queres emprestar dinheiro aos ucranianos por que então te dedicas tanto a discutir o futuro deles?

Porque posso.

O significado de "liberdade de expressão" diz-te alguma coisa?

Anónimo disse...

Antes EUA, UE e OTAN estavam como que distanciados do que se passava na Ucrânia. Hoje estão praticamente dentro,de certa forma influindo na sua governabilidade, já que praticamente empossaram o governo golpista que em troca entregou o País de bandeja para os interesses do Ocidente.