sábado, março 22, 2014

Para que não haja equívocos...


Já estou cansado de responder a comentários que se repetem a propósito de mim e das minhas posições expressas no blogue darussia.blogspot.com. Por isso, irei responder agora às perguntas mais frequentes na esperança de que não se repitam:


  • Enquanto jornalista, tento ser objectivo nos meus artigos, peças e comentários. Tento transmitir as opiniões dos vários personagens da notícia. Porém, no meu blogue, posso e devo exprimir posições pessoais, pois tenho esse direito como cidadão.
  • Actualmente, sou correspondente da SIC e da Antena 1 em Moscovo, quando me encontro na capital russa, e escrevo alguns artigos para jornais como o Sol. Não tenho problemas em escrever para a revista “Maria” se o tema for adequado aos meus conhecimentos.
  • No caso do conflito em torno da Ucrânia, deixei bem claras as minhas críticas à política externa desastrosa da UE e dos EUA, mas considerei e considero que isso não justifica a resposta dada por Vladimir Putin. Considero que a política externa deste dirigente russo terá graves e catastróficas consequências para o futuro da Rússia e do mundo.
  • No Direito Internacional actual, defendo que o direito à autodeterminação dos povos é secundário em relação ao direito de inviolabilidade de fronteiras. Por isso, critiquei o processo de desintegração da Jugoslávia e a criação do precedente do Kosovo.
  • Não sou russófobo, considero-me russófilo e russófono, mas isso não me impede de ter posições críticas em relação ao poder na Rússia.
  • Não trabalho para nenhum serviço secreto estrangeiro. Se algum leitor conseguir encontrar contas bancárias para onde os ditos serviços me transferem dinheiro, avise, pois estou disposto a dar-lhe metade.
  • Considero que, actualmente, não existe nem direita, nem esquerda, mas uma profunda crise dos sistemas políticos, dominados por interesses financeiros, económicos, minados pela corrupção e pela incompetência dos políticos. Não tenho soluções milagrosas para esta situação, mas penso que elas poderão passar pelo aumento da actividade da sociedade civil, sob as mais diversas formas.
  • Continuo a defender que o futuro de Portugal passa pela construção de uma Europa livre, democrática e dos cidadãos. Esta Europa deve dialogar e cooperar com a Rússia numa base de igualdade, respeito e interesse mútuo. Nem a Europa, nem a Rússia serão fortes sem esta estreita cooperação.
  • Sou contra toda e qualquer forma de violência, venha ela de onde viver, porque violência só gera violência.
  • Estou aberto à discussão desde que argumentada e civilizada, por isso rejeito ideias políticas extremistas como o fascismo e o comunismo, pois considero-as responsáveis pelos piores crimes do séc. XX.
  • Como pessoa que estudou na União Soviética, considero que nada, mas mesmo nada devo ao Partido Comunista Português e ao Partido Comunista da União Soviética. Se devo alguma coisa, devo-a aos cidadãos comuns soviéticos que pagaram os meus estudos com os seus impostos. Além disso, trabalhei muitos anos para instituições soviéticas e paguei sempre impostos, ou seja, penso ter recompensado pelo menos parte dos gastos.
  • Enquanto doutorado em História, escrevo livros em português e russo, dou regularmente aulas em algumas escolas russas e, quando sou convidado, lecciono em universidades portuguesas, embora muito raramente nestas últimas, por razões que me são alheias.
  • Depois de ter abandonado o PCP, não sou militante, nem membro, nem sócio de nenhuma organização, sociedade ou clube, não escondendo as minhas simpatias pelo Varzim e F.C. do Porto. Quando as equipas portuguesas jogam em competições internacionais, apoio-as incondicionalmente.
  • Gosto muito da gastronomia e vinhos portugueses, mas também não posso passar muito tempo sem provar pratos da cozinha russa, ucraniana, caucasiana, uzbeque, etc. Não bebo vodka, nem outras bebidas brancas porque não posso mais, mas aprecio vinhos tintos, pois os médicos dizem que fazem bem à saúde quando bebidos com moderação.
  • Nasci na Póvoa de Varzim e vivi muitos anos nas Caxinas, por isso considero estas as minhas terras-natais. Sou efetivamente filho de um pescador e, com a ajuda dos pais, irmão e irmãs, eu conseguiu estudar.
  • Baptizado na Igreja de Nossa Senhora da Lapa e tenho como padrinho Nosso Senhor d'Agonia. Frequentei o Seminário dos Combonianos e considero de primordial importância a defesa dos valores cristãos, embora não seja católico praticante. Porém, sinto-me muito bem quando visito Fátima, talvez devido à sua ligação com a Rússia.
  • Sou casado com Siiri Milhazes há muitos anos e tenho dois filhos maravilhosos: Liina e Olev, que são o meu grande orgulho.
  • Gosto dos meus amigos e não recuso apoio a quem precisar, mas não sou lorpa, por isso aconselho os oportunistas a não se aproveitarem.
  • Cada vez mais desiludido com o ser humano e a vida, continuo a seguir os meus princípios e a avançar, pois ainda resta muita gente boa. Com isto não quero dizer que sou um ser perfeito ou exemplo a seguir, bem pelo contrário. Resumindo, sou humano.
  • Enquanto historiador e jornalista, trabalhei sempre a recibos verdes até muito recentemente. Criei, com a minha esposa, a empresa Via Milhazes para enfrentar os desafios da crise.

25 comentários:

MSantos disse...

"...não escondendo as minhas simpatias pelo Varzim e F.C. do Porto."

"Não bebo vodka, nem outras bebidas brancas porque não posso mais..."

Você nunca me enganou.

Cumpts
Manuel Santos

José Milhazes disse...

MSantos, nem nunca tentei enganá-lo.

PortugueseMan disse...

Bom meu caro,

Eu ando sempre a criticá-lo...

Mas veja por outro lado, quanto mais divergentes são as nossas opiniões, mais vontade tenho de as debater, de explicar a minha visão das situações.

Mas pronto, pela minha parte, vou tentar refrear-me um pouco.

PortugueseMan disse...

Bom, também não bebo vodka, confesso que não ligo muito...

Mas às vezes ando a deambular aqui em casa à noite, a assaltar umas garrafas que por aqui tenho.

Nessas noites evito escrever no DaRussia...

Senão é que haveria de ser bonito...

Anónimo disse...

Agora é que o Milhazes estragou tudo ao se revelar adepto do Porto, já nem leio mais.
José Corvo

voza0db disse...

Boas!

Pois normalmente é sempre assim... Os dogmáticos não aceitam com facilidade outras crenças e opiniões!

Admira-me é a sua capacidade de ainda ter paciência para aturar crianças...

Quem não compreende as suas mensagens aqui neste espaço ou é porque é estúpido, ou então, é porque anda a maior parte da existência de joelhos!

Realmente a liberdade incomoda muitos "pseudo-democráticos"... Talvez porque lá no fundo democracia não é sinónimo de liberdade!

Abraço
VOZ a 0 db

Anónimo disse...

Caro José Milhazes,
Agradeço a explicação que teve a amabilidade de prestar, que li com muita atenção e que julgo merecedora de alguns comentários, não à guisa de contraditória (como está na moda dizer-se), mas por respeito democrático. A franqueza com que expõe as questões em público – algumas do foro pessoal – é meritória, mas autoriza-me, também, a comenta-las. Penso não me enganar quando digo que o José Milhazes não está à espera de reunir à sua volta uma corte de gente a dizer que sim com a cabeça; tratar-se-ia de uma «tertúlia» deveras monótona e até inútil. Apesar de criticar as posições que tem assumido face à crise ucraniana – por vezes, admito, de modo provocatório (na justa medida em que o José Milhazes também o é) – não deixei jamais de o fazer, julgo eu, com o respeito e civilidade que o dialogo democrático impõem. Não me causa nenhuma espécie de transtorno o facto de se ter demarcado das doutrinas comunistas que professou – e que hoje diz rejeitar –, mas não posso estar de acordo com a afirmação de que nada deve ao PCP ou ao Partido Comunista da União Soviética. Como saberá melhor que eu, ninguém seria admitido para doutoramento na URSS, menos ainda auferindo de bolsa, sem, pelo menos, pertencer ao PCP. Por outras palavras, não vejo como seja possível separar uma coisa da outra. Tenho afirmado – e reitero – a admiração que tenho por si e pelo seu trabalho e, não sendo eu jornalista, partilho consigo o gosto pela história e pelo seu estudo. Conforme lhe disse em modo privado – e que agora tomo a liberdade de declarar publicamente – é para mim uma grande honra pertencer ao seu círculo de amigos facebookanos. Da minha parte pode contar com o respeito e admiração, mas também com a frontalidade e, até provocação, na justa medida em que o debate de ideias democrático autorizam. Um abraço,
Custódio Braz

Pippo disse...

Está tudo bem, tirando o facto de gostar do Fê-Quê-Pê! :)

E quanto a não beber vodka... nem sequer aquele com piri-piri? É do melhor!

Acho que o nosso principal diferendo reside, não no facto de gostarmos ou não do Putin, mas do facto do JM ser idealista nas RI, ao passo que eu tendo a ver as coisas, na minha opinião, tal como elas são.
E dado que o Mundo segue regras "reais", e não as "ideais", penso que a Rússia está a agir da melhor forma possível, pois as alternativas seriam sempre piores.

Ab

Anónimo disse...

justino disse :

Acima de tudo, o meu respeito e admiração por este impressionante “curriculum vitae” que nos deu a conhecer que não deve estar longe de constituir o melhor “post” que aqui vi publicado.

Fiquei esclarecido por algo que me intrigava, a aparente falta de sincronia entre o JM objectivo dos meios de comunicação e o JM profundo e pessoal deste Blog, que aqui nos fez o favor de desfazer.

Agora o que me passou a intrigar é a sua afirmação da existência de um Direito Internacional de valor primário e outro de valor secundário, no sentido da autodeterminação dos povos não se poder sobrepor às inviolabilidade das fronteiras. Com o devido respeito e salvo melhor opinião, se assim fosse tínhamos de refazer as fronteiras de todo o planisfério a começar pelo mapa de Portugal após 1640, então “de jure” integrado numa união real ibérica.

Ainda sobre o Direito Internacional deixe-me lembrar o que dele disseram George W. Bush e Putin, este no seu mais recente discurso sobre a integração da Crimeia na Federação Russa.

George W. Bush :
“Direito Internacional ? Vou ligar ao meu advogado.”

Putin:
“Disseram que nós estaríamos violando normas da lei internacional. Para começar, é muito bom que, afinal, eles pelo menos se lembrem de que há lei internacional: antes tarde, que nunca”

Antonio Cristovao disse...

As ideias devem ser sempre debatidas e contraditas com ideias. Sinto magoa que se tenha de defender mostrando factos até pessoais que em caso algum poderão servir para argumentação. Pode estar cansado de reler ataques de trogloditas. Mas acredite são como as bruxas, não acreditamos neles mas que existem existem; e as vezes bem convencidos que é a rezar que se aprende melhor.

MSantos disse...

"...defendo que o direito à autodeterminação dos povos é secundário em relação ao direito de inviolabilidade de fronteiras."

Agora muito a sério. O JM que me desculpe mas acho esta constatação que agora usam para defender a integridade do estado falhado ucraniano e impedir a Rússia de ficar com uma fatia assim como já não gostam da possível fragmentação de estados europeus (Reino Unido, Bélgica, Espanha...), um extremo acto de hipocrisia e desonestidade intelectual pois foi na permissa do tal direito à autodeterminação dos povos que as ditas "democracias" ocidentais pós queda do muro incentivaram e tornaram inevitável a fragmentação da URSS, continuaram com a Juguslávia, tentaram e continuam a tentar com a ambicionada desintegração da Federação Russa e promovem-na por esse mundo fora sempre que serve os vossos interesses políticos.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

- Adorei, adorei , adorei.... está de Truz....Como diria o Grande Eça.

- Um brinco. Não ter tirado o cursinho superior, estada alimentação e outras alcavalas ás custas do PCP ou mesmo do PCUS - Que foi etc & tal o Povo Soviético com o seu trabalho etc ,etc - Pois é caro sr. Milhazes , é um facto que foi O POVO SOVIÉTICO, que com o seu trabalho que lhe pagou o cursinho etc,etc como também foi graças ao trabalho do povo soviético sobre a liderança dos comunistas que a União Soviética Construiu Universidades e de outras nacionalidades como foi o seu caso. Claro que no seu caso, a coisa foi assim como uma espécie de favor que você lhes fez .Pois poderia muito bem ter ido tirar o seu cursinho por exemplo para Coimbra ou coisa que o valha ou talvez mesmo para Cambridge ou Oxford etc,,etc
Tudo lhe era possível …/…
- espantado!!!!
Quanto a prestação de serviços você lá sabe.../...


http://youtu.be/8rTObRqDPSA

aferreira

Viriatus disse...

Caro José Milhazes,
Se antes tinha em mim um leitor assíduo do seu blogue, com esta «carta aberta» adquiriu um admirador. Bem haja. Mantenha o seu rumo, e acredite, não sou eu que vou recriminá-lo. Este é um blogue pessoal, pertence-lhe, e como tal é livre de colocar aqui a sua “visão”. Só lhe peço um favor: continue a ter a porta aberta para todos aqueles que querem participar. Isto fará do seu blogue uma referência. Tal como já é.
Posto isto, e porque sou crítico da forma como o Ocidente faz a lavagem ao cérebro dos Ocidentais, sempre levantando os postes do Bem e o Mal (onde o Ocidente é o Bem e a Rússia é o Mal), sem analisar seriamente as questões. Os media ocidentais, então, são uma desgraça… isti para não utilizar outro adjectivo que poderia chocar os leitores mais sensíveis.
A diabolização da Rússia tem sido uma constante. E a pobre da Ucrânia a vítima do “Grande Urso”. Mas a verdade é que os media ocidentais não fazem uma única referência à repressão que grassa nas regiões russófonas. E meus senhores, É MESMO DE REPRESSÂO QUE ESTAMOS A FALAR. Vejamos alguns casos:
1) Os direitos políticos dos russófonos foram esmagados;
2) Ninguém pode propor uma visão diferente para a sociedade ucraniana, nomeadamente defender a descentralização e/ou a federalização do país.
3) Há uma progressiva decapitação dos líderes regionais, nomeadamente os que defendem uma descentralização alargada como a solução que pode impedir a implosão do país. De imediato são considerados traidores, presos e levados para Kiev para serem julgados (Anton Davidchenko, de Odessa, Mikhail Dobkin, de Kharkov, etc. etc.);
4) Recentemente Aleksandr Vasilyev, membro do concelho da cidade de Odessa, teve de fugir para a Crimeia para não ser detido pelos Serviços de Segurança Ucranianos;
5) Os referendos convocados pelas populações para defender a descentralização são todos considerados ilegais;
6) Apesar da repressão (seguramente orquestrada pela embaixada norte-americana em Kiev), Odessa, Kharkov, Donetsk e Lugansk prosseguem com as manifestações a exigir a descentralização do país;
Parabéns à embaixada dos Estados Unidos da América pelo excelente trabalho que está a fazer. Os valores democráticos que tanto apregoa não interessam aqui. O que conta é esmagar os que podem apoiar o “inimigo”, o grande Belzebu, a Demoníaca Rússia. A Democracia é so quando nos convém. Onde estão os media? Deixem-me meus senhores lançar uma sonora gargalhada de desprezo pelos nobres “valores ocidentais”.
NOTA: Ah, o atrasado mental do Arseny Yatsenyuk quer tomar o lugar da Rússia no G8. Mas por amor de Deus: internem o homem!

McRena disse...

No início, queria dizer que isto é o meu primeiro comentário em qualquer blog e não falo português muito bem para exprimir minhas emoções.
Quero dizer muito obrigado ao José Milhazes, quem descreve a situação em Crimeia mais claro e honesto de que um majoria de bloggers russos.
Eu completamente concordo com a opinião do José. Rapidez e momento quando o nosso governo decidiu anexar Crimeia mostra só eles não têm confiança em justiça de esta acção.
Assustar-me que tanto muito pessoas na Rússia têm certeza que Crimeia é terra russa e Putin reconstruiu fronteiras históricas. Seguem esta lógica nós temos fazer referendos em todas partes da Ucrânia incluindo Kiev, e também na Bielorrussa, porque não havia na mapa estes países até 1917. Além disso, acho que vamos ter resultados mais de 100% quando fazermos o mesmo referendo em Kaliningrad região sobre juntar com Alemanha.
De acordo com tendência nova as pessoas como mim estão chamadas "national-traidores", mas eu estou realmente triste quando penso como percebem russos na Ucrânia.
Hoje em dia o gente na Rússia divide em duas partes que não tentar ouvir ou entender um do outro.

Anónimo disse...

-McRena, é uma grande treta - Um tipo inventado que se diz russo etc & tal ...e vem para aqui dizer disparates como em 1917 não havia mapas e tal que não Há certeza da Crimeia ser terra Russa & tal --- o sr. McRena, de facto se não existisse tinha de ser inventado e concerteza até o foi.

Aferreira

Pedro Leite Ribeiro disse...

Caro José Milhazes! Se sou assíduo leitor do seu blogue é porque respeito e aprecio as suas opiniões. Pensava que com os outros seria a mesma coisa mas percebo que há pessoas, algumas a coberto do anonimato, que vêm aqui só para o bota-abaixo talvez porque se sintam atingidas nas suas arreigadas convicções políticas. Faz-me alguma confusão que pessoas que julgam ter opiniões com valor suficiente para serem partilhadas não criem os seus próprios blogues, antes prefiram utilizar as caixas de comentários de outros que têm a coragem de dar a cara e o altruísmo de procurar informar os outros e enriquecer a blogosfera com o debate e a discussão de ideias. De facto, nada obriga o dono de qualquer blogue a ter os comentários abertos a todos, incluindo nestes os anónimos. Só uma grande confiança na democracia e nas pessoas pode levar alguém a ter que aturar frescuras e má-criações para manter os canais de diálogo abertos a todos. Por isso, perdoe-me a ousadia de afirmar que não acredito que esteja desiludido com os seres humanos. Tenho quase a certeza que, se procurar bem no seu interior, vai encontrar motivos suficientes para continuar a acreditar.
Além disto tudo, e mudando de assunto, os atos da Rússia têm-me feito recuar aos anos 30 do século passado, embora os protagonistas fossem outros. Também nessa época, o ocidente assistia sem intervir às anexações e conquistas e muitos ocidentais aprovavam as ações belicistas dos Benito e Adolf. Deu no que todos sabemos. Lembro que o austríaco justificava-se com a "necessidade" de proteger as populações alemãs, enquanto o italiano, começando na Etiópia, pretendia reocupar o velho império de há mil e quinhentos anos.
Faço votos para que nunca se desiluda, principalmente com a vida, já que esta é única e mais efémera do que em certas ocasiões possamos pensar.
Respeitosa e agradecidamente,
Pedro Ribeiro.

antónio m p disse...

Caro José Milhazes, continue a tentar ser rigoroso, objectivo e independente. Algum dia há-de conseguir. Até lá, vamos dando o desconto a que tem direito cada um - como eu próprio.
Cumprimentos.

EJSantos disse...

Optimo. Pos as coisas em pratos limpos e assim entendemos melhor o que escreve. Mesmo que possa não concordar com algumas coisas que escreve.
De qualquer forma é bom ter em conta o seu ponto de vista.
Cumprimentos.
EJSantos

PS: Ah, e também gosto de bons vinhos e sou do FCP.

McRena disse...

Peço desculpe de José Milhazes que eu comecei a discussão aqui no seu próprio blog. Eu só queria agradeci e disse umas palavras da solidariedade, mas vi que o sr. Aferreira tinha respondido para a minha opinião. Não atendi todo que sr. Aferreira escrevi, então mais uma vez clarifico a minha posição. Sou totalmente contra separatismo e anexo de Crimeia, porque consequências da povos russos serão trágico.
Eu mencionou mapas históricas só para dizer que a razão deste anexe é ridículo.

Esqueci-me apresentar,
Denis Makarskiy

Roman disse...

McRena,

Como se diz na cidade de Odessa, você fez-me rir muito! Pretende passar por um russo? Não acredito. Porque? Porque o russo sou eu! De que duas partes é que está a falar? Se é 99% + 1%, aí sim, as partes continuam a ser duas. De resto, nem tenho a vontade de escrever para desmentir. Tudo é treta! Adeusinho, o russo disfarçado.

Anónimo disse...


-Mas está mais que claro que é uma grande treta, caro Denis Makarskiy . Por muitos mapas e pseud mapas que apresente não consegue desmentir que A Crimeia é terra Russa desde 1783 , habitada por uma esmagadora maioria de população que se considera a si mesma russa. A Crimeia só passou para a administração de Ucrânia em !954 e no quadro de uma realidade completamente diferente. Mesmo essa passagem administrativa dentro de um Estado multinacional como era o caso da URSS pode muito bem ser considerada Ilegal pois na decisão faltou-lhe a consulta popular .../... vou ficar por aqui. OK Sr.Makarskiy

tenha um bom dia

Aferreira

McRena disse...

Acho que vocês entenderam me errado, eu não disse que Crimeia não tinha feito parte da Rússia. Eu quero dizer que terra, que hoje em dia é Bielorrussa e Ucrânia Oriente incluindo Kiev, foi terra russa até 1917. Então vamos fazer um refendo de juntar Bielorrussa com Rússia, porque não! (acho que um maioria de bielorrussos não vão contra)
Na verdade, eu já tenho pena que escrevi o comentário. Especialmente quando as pessoas escreveram que eu sou "o russo disfarçado", pode ser enviar um cópia do meu passaporte.
Mas prazer em facto que o questão de Crimeia não fica as pessoas indiferente.

Só para recomendar umas boas mapas: http://www.amazon.com/Atlas-World-History-Patrick-OBrien/dp/0199746532/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1395748688&sr=1-1

Vamos ficar aqui, concordo com Sr. Areffeira
Denis

Roman disse...

McRena,

Eu, pessoalmente entendi-te muito bem. Não vale a pena tentar “pintar o quadro” e utilizar argumentos há muito desmentidos. Não penses que a gente que anda por aqui é tola. As tuas “verdades reveladas” não valem nada pois tentas jogar com os factos distorcidos com o fim de semear as dúvidas. Se te lembraste-te do ano 1917, deves dizer que não só Ucrânia (Rússia pequena) e Bielorússia que faziam parte do Império Russo antes dessa data, mas também a Polónia e a Finlândia. Queres dizer que hoje em dia há alguma tendência de a Rússia tentar ocupar estes países? Não te vou contar a história da Crimeia, pois toda a gente já a sabe. Só te vou apontar as teses:

1. A península de Crimeia foi passada e subjugada à Ucrânia de uma forma ilegal, com a violação da constituição de então.
2. A cidade de Sebastópol nunca foi transmitida à Ucrânia por ser uma unidade administrativa independente a fazer parte integrante da Rússia Soviética.
3. Depois da desintegração da União Soviética a península de Crimeia ficou a pertencer à Ucrânia só por causa da “boa vontade” (ou melhor – ignorância e incompetência total) do Yeltsin.
4. Ao longo destes anos de “independência” da Ucrânia haviam várias situações de conflito entre a população / autoridades da República Autónoma da Crimeia e autoridades centrais de Kiev.
5. Perante a crise política e económica permanente na Ucrânia que se aguçou recentemente e trouxe ao poder em Kiev de uma forma ilegítima os elementos da extrema-direita, pró-nazi e assumidamente russófobos, a população etnicamente russa e russófona da Crimeia ficou em perigo como em termos de direitos humanos básicos (língua, etc.) tanto em termos da sobrevivência física. Tendo sido ameaçado pelos elementos acima referidos, o povo da Crimeia manifestou a sua vontade de se reunir com o povo-irmão da Rússia, utilizando o seu direito à autodeterminação e votando na sua maioria esmagadora pela independência e posterior reintegração na Federação Russa.
6. Esta reintegração foi aceite muitíssimo positivamente por ambas das partes, com o apoio total das suas populações.
Portanto, em relação ao teu comentário sobre um referendo na Bielorússia ou algures por aí. Não vai haver qualquer referendo sem DESEJO da população! Essa população teria que estar nas condições mesmo complicadas e APELAR ao governo Russo a pedir ajuda. É isto é que se chama a democracia verdadeira. Só à base desta “permissão”, dada pelo povo, é que a Rússia poderá começar a agir.

Vou-te dar mais um exemplo – as províncias do Norte do Cazaquistão que são maioritariamente russas. Ninguém, não, não é assim… NINGUÉM(!!!) na Rússia pretende anexar estes territórios (apesar de estes se tornarem a parte do Cazaquistão por causa de caprichos dos dirigentes soviéticos). A razão para tal situação é simples – o Cazaquistão de momento é um dos mais próximos e fiéis aliados da Rússia. A população russófona não é discriminada de nenhuma forma, bem pelo contrário – a língua russa é a 2ª língua estatal. O país faz tudo para apoiar a cultura e educação russa! Agora compara com o lema dos nacionalistas ucranianos – “Mala, estação, Rússia”! Pronto, o povo da Crimeia finalmente obedeceu e voltou à Rússia, mas levou consigo a sua terra natal.

No caso da Ucrânia, durante estes anos todos, a Rússia só se deparava com hostilidade, desprezo, tentativas de prejudicar às suas posições nas relações internacionais, etc. Nas relações económicas eram constantes escândalos, abusos, chantagens, tentativas de fugir dos seus compromissos e incapacidade total de chegar a um acordo. Finalmente, estamos a assistir a uma fase final desta tragicomédia. O fracasso total do “estado”, desta quimera nazi- oligárquica. E não vale a pena tentar passar as responsabilidades para a Rússia! Sob o “jugo russo” este território era rico e próspero. E em 23 anos da “independência” chegou à ruína. Por incrível que pareça, a maior parte da população ucraniana ainda não tem noção de que o país deles está mesmo à beira do abismo. Mas esta compreensão não vai demorar muito para chegar…

Roman disse...

...continuação

Agora, sobre a tua personalidade, “compatriota” McRena… Realmente, as pessoas como tu são chamados traidores na Rússia. Mas não são fuzilados imediatamente como se pensa às vezes cá, no Ocidente ;-), ao contrário, conseguem livremente exprimir as suas opiniões.

Eu, pessoalmente, não te considero traidor, mas sim um traidor duplo. Se falássemos e discutíssemos num fórum russo, aí sim, eu até podia admitir e dar-te alguma razão. De qualquer forma na discussão nasce a verdade, …mas vejam só(!).. Tu, mal aprendendo a falar uma língua estrangeira, chegas a um blogue português e começas “revelar as verdades”, a difamar o teu próprio país (dizes tu). Eh pá, é uma situação que qualquer pessoa de bom juízo não vai compreender! Aliás se é esta a fotografia do teu passaporte, então não há nada de estranhar…

Roman disse...

Denis Makarskiy

http://imagizer.imageshack.us/a/img62/9886/jeiu.png