quinta-feira, março 06, 2014

Rússia acelera anexação da Crimeia

Na foto: "Crimeia, terra da guerrilha gloriosa"


O Soviete Supremo (Parlamento) da República Autónoma da Crimeia decidiu antecipar o referendo sobre o estatuto da península da Ucrânia: de 30 para 16 de março, ou seja, dentro de dez dias.
Porém, para que não restem dúvidas quanto aos resultados, esse Parlamento já aprovou a adesão da Crimeia à Rússia!
Segundo Rustam Temirgaliev, vice-primeiro-ministro do governo da Crimeia, os eleitores deverão ter de responder a duas perguntas: “Primeira: apoia a entrada da Crimeia na Federação da Rússia como membro dessa? Segunda: apoia o restabelecimento da Constituição de 1992?”
Segundo o texto desse documento, a Crimeia fazia parte da Ucrânia e “define com ela as suas relações com base e tratados e acordos”.
Se ainda existissem dúvidas, esta decisão veio mais uma vez confirmar que Moscovo tem pressa em legalizar a sua presença militar na Crimeia e pôr os EUA, a UE e comunidade internacional perante factos consumados. A lógica de Vladimir Putin é: nós sabemos e podemos fazer o que os outros fazem. E aqui vem outra vez à memória o precedente do Kosovo.
O Kremlin nem sequer está preocupado com o facto de restarem apenas 10 dias para o escrutínio e de ele ser realizado num ambiente de ocupação militar por “desconhecidos vestidos de uniformes verdes sem quaisquer distintivos”.
Quanto à reacção das novas autoridades de Kiev, será não reconhecer a legitimidade do escrutínio e protestar verbalmente, pois pouco mais irá fazer. E, aqui, a UE, EUA e NATO não poderão dar grande ajuda.



14 comentários:

Jose Leite disse...

Qualquer dia temos um referendo na Madeira.Independência ou morte, já!

PortugueseMan disse...

Impressionte.

Eu interrogava-me como é que aqueles soldados "desconhecidos" iriam aguentar 1 mês de pressão sem surgir violência.

Portanto isto quer dizer que dentro de 10 dias, a Ucrânia vai perder a sua integridade territorial.

Vamos a ver se isto se consegue fazer de modo pacífico.

Considero a divisão da Ucrânia a melhor solução para um país tão dividido.

O país como um todo não pode ser ajudado por ninguém e deu no que deu.

José Milhazes disse...

Caro PM, quero ouvi-lo a dizer o mesmo quando acontecer na Rússia. Ainda devemos estar vivos os dois.

Antunes disse...

"Caro PM, quero ouvi-lo a dizer o mesmo quando acontecer na Rússia. Ainda devemos estar vivos os dois."

No EUA também era giro.
Dividir em 51 estados independentes.
Muitos deles não se importavam nada, e até há alguns movimentos nesse sentido.

Na Jugoslávia o ocidente promoveu o esmigalhamento do pais mas na Ucrânia isso é um crime.

As hipocrisias do costume.

Anónimo disse...

Bagão Felix chamou a atenção para essa politica de dois pesos e duas medidas dos chamados paises ocidentais. Chamou ainda a atenção para o valor da rua - na Ucrania até destitui governos, no ocidente é quase equiparado a terrorismo.
FM

Pippo disse...

O Antunes e o Anónimo das 11.54h já se me anteciparam.

A Rússia fez, de uma forma mais expedita e muitíssimo, mas muitíssimo mais limpa e pacífica, o que o Ocidente fez na Jugoslávia.

Mas a Rússia é um país terrorista e invasor, e o Ocidente é libertador.

Estamos conversados.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Não é a primeira vez nem será a última que me vê a dizer isto.

Já o disse aqui várias vezes que a Ucrânia tal como está, não vai para a frente. Não consegue.

O país está dividido, e as forças exteriores lutam de acordo com os seus interesses.

Você prefere ver a Ucrânia como está a Síria? é que é possível ir por esse caminho.

Não compare com a Rússia porque é imcomparável.

A Rússia tem força para se valer sózinha e evitar algum tipo de perda de integridade territorial.

A Ucrânia não.

E você recusa-se a ver isto. Há anos que a Ucrânia anda neste impasse e não evoluiu, os políticos só olharam para os umbigos e alguns deles hostilizaram a Rússia.

Deviam ter resolvido o problema do gás, deveriam ser independentes primeiro para tomarem a decisão que quisessem.

Não o fizeram.

Agora estão a colher o que semearam.

Europeísta disse...

Como é? Soviete Supremo? É isso mesmo que eu li? Esse pessoal vive ainda no tempo de URss e ainda se queixam quando os ucranianos nao querem se deixar arrastar para isso!

José Corvo disse...

Agora na RTP informaram que o 1.º Ministro Ucraniano não reconhece legitimidade ao parlamento da Crimeia...etc
O que está ilegal é que não reconhece legalidade a quem está legal - grande treta.
O Sr. Arsénio deve achar que a legalidade vem da NATO, do Obama e da UE.
Coitado.

Pedro L. Ribeiro disse...

Este ano haverá o referendo na Escócia. Vamos ver se Espanha autoriza os catalães a fazerem-no (tenho a impressão de que já ouvi dizer que não). Anda por aí uma febre secessionista reavivada pela crise e que pode ser muito contagiosa.

PortugueseMan disse...

Acordo de associação UE-Ucrânia, que havia sido suspenso pelo Presidente deposto Viktor Yanukovych, vai ser assinado antes de Maio, ainda com o actual Governo provisório.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/detalhe/ue_acelera_acordo_de_associacao_com_a_ucrania_e_ameaca_russia_com_sancoes_para_favorecer_solucao_politica.html

Bom, parece que todos aceleram a coisa.

Alguém ainda se lembra do que são os valores democráticos?

A UE vai assinar um acordo com este governo, que apenas é suposto estar lá até às eleições?

Mas a UE ainda se lembra de como este governo apareceu? vão-me dizer que foi por escrutínio?

Bem, desde que não se comecem a matar uns aos outros e talvez isto fique resolvido.

Só me chateia o que vamos ter que pagar por um bocado de território ucraniano.

Quantos anos vamos estar a pagar o gás deles?

Fernando Negro disse...

(Se percebo bem o que é dito nas entrelinhas desta colocação...)

O facto de ter o Parlamento da Crimeia já aprovado uma possível adesão à Rússia, não é necessariamente sintomático de que o referendo irá ser fraudulento. Quer apenas dizer que, caso ganhe esta opção, esta não terá de esperar por ser ratificada pelo Parlamento para se tornar efectiva.

(Os acordos e tratados entre países, costumam passar por várias assinaturas e processos. E esta será uma maneira de apressar todos estes mesmos processos, fazendo já alguns antecipadamente.)

Eu não acredito que as possíveis tropas russas que estarão na Crimeia irão intimidar as pessoas a votar na opção que mais lhes interessa.

(E, quem acreditar no contrário, que depois apresente provas concretas disso.)

g_afim disse...

Que espectáculo. Quer dizer, vem aqui um comentador a pedir para apresentar provas de intimidação (uma vez que eles são de maioria russófona não será necessário) mas até agora ninguém apresentou provas concretas de foram os EUA ou a UE ou o raio que financiaram o pessoal a revoltar e expulsar o Ianukovic. Acusar os outros é fácil, difícil mesmo é apresentar provas.
Quanto ao referendo, pelo que percebi, o presidente diz que só é válido se toda a população da Ucrânia participar no dito mas, Sr. José Milhazes, diga-me um coisa, se a Crimeia passar para a Rússia, isso não inviabiliza aquele acordo das armas nucleares ou algo parecido?

Fernando Negro disse...

Pelo que li agora, o Parlamento decidiu, então, inverter o processo e que fosse o referendo a "ratificar" esta decisão.

Vai dar tudo ao mesmo... Desde que aconteça por vontade do povo da Crimeia...

(Não se esqueçam de que este Parlamento é constituído por pessoas que foram eleitas democraticamente. E, de que se trata de uma situação pós-revolucionária - que requer medidas urgentes, para evitar um possível banho de sangue, caso tentem os responsáveis pelo golpe nazi, ocorrido em Kiev, impor a sua vontade também na Crimeia.)

(Caso queiram, depois, as pessoas na Crimeia mudar de ideias, vão ter muito tempo, depois disto, para decidir antes em contrário. Mas, caso não seja este referendo agora feito, muita gente poderá morrer na Crimeia.)

(Não se esqueçam de que, este referendo irá ser feito porque, claramente, a maior parte das pessoas quer voltar a fazer parte da Rússia...)