quarta-feira, abril 09, 2014

Será a Estónia o próximo alvo da "libertação da Rússia"?



Talvez por “pura coincidência”, os russófonos da Estónia decidiram também lembrar ao mundo que estão solidários com a política da Rússia na Crimeia.
Nos dias 12 e 20 de Abril, o “Movimento Popular dos Russos na Estónia” organiza duas manifestações de apoio à política do Kremlin em relação à Ucrânia. Segundo Iúri Juravliov, um dos organizadores, a primeira irá realizar-se junto da Embaixada da Rússia em Tallinn e a principal palavra de ordem será: “Mundo russo, une-te! Russos na Estónia apoiam russos na Ucrânia”.
Na segunda, que irá realizar-se junto do Parlamento, ele promete apresentar “queixas às autoridades estónias quanto ao que fizeram com a população russa nos últimos 25 anos”.
Juravliov não exclui que nas manifestações se avance com a exigência de um referendo sobre o destino do Nordeste da Estónia, onde a maior parte da população é russófona.
Porém, os objectivos destes organizadores parecem ser mais amplos. “Eu não teria só em conta os russos no Nordeste, em Tallinn metade são russos. Não foi Iaroslav o Sábio que construiu Tartu (Iúriev) e Pedro I que edifício o palácio em Kadrioga? Não foram os soviéticos que construiram a biblioteca nacional?”, precisou Juravliov.
Este russo diz que ele e os seus camaradas não atentam contra o Estado Estónio, mas acrescenta que o futuro dela “passa inevitavelmente pela adesão à União Eurasiática”, actualmente composta por Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia.
As autoridades estónias autorizaram as manifestações e desdramatizaram as suas consequências, considerando que a maioria dos russos e russófonos na Estónia não apoiam semelhantes reivindicações.
“Na Estónia vigoram as liberdades de expressão e reunião. Qualquer louco pode apelar às pessoas a apoiaram OVNI's ou a protestar contra as suas acções, manifestarem-se contra ou a favor dos direitos dos índios”, considera o político estónio Eerik-Niiles Kross.
Mas os políticos estónios não duvidam que por detrás desses organizadores está Moscovo. “A notícia de que os provocadores conhecidos de todos tencionam organizar mais uma iniciativa pró-Kremlin deve ser recebida com calma. O objectivo dessas operações de informação é semear o medo e a falta de confiança. É nosso dever estar acima disso e manter a clarividência do pensamento”, considerou o deputado Marco Mihkelson.
Não obstante a adesão da Estónia e Letónia terem aderido à União Europeia, nesses países existe um grande número de pessoas, fundamentalmente russófonas, que são apátridas. As autoridades desses países do Báltico exigem que para que elas recebam cidadania prestem exames de língua oficial e estudem a história e a Constituição desses Estados.
Esta política, criticada por algumas organizações não-governamentais internacionais, é periodicamente utilizada por Moscovo para acusar estónios e letãos de “violarem os direitos humanos”.
Porém, os russófonos aí residentes não têm presa de regressar à Rússia, onde o nível e qualidade de vida são mais baixos.

Por exemplo, segundo dados do Ministério do Interior da Estónia, no primeiro trimestre de 2014, 432 pessoas requereram cidadania estoniana, enquanto, em igual período do ano passado, esse número foi de 299. Entre 2010 e 2014, o número de apátridas desceu de 104 para cerca de 90 mil, numa população de 1 238 842 pessoas.

4 comentários:

Nuno Rolo disse...

Boa noite,
Não acredito que os russo cheguem tão longe em tentar repetir o que fizeram na Crimeia ou estão a tentar fazer na Ucrânia, se esse é o plano do Kermelin mais declarar guerra a UE e NATO desde já.

Anónimo disse...

Há, desde logo, uma diferença fundamental entre os países bálticos como a Estónia, ex integrantes da antiga URSS, e a actual situação da Ucrânia.

Os países bálticos têm governos legítimos, logo, os russófonos locais têm um interlocutor para dele reclamarem as suas aspirações. Têm ainda as instituições europeias da EU que velam pelos direitos humanos.

É minha crença que à dupla Putin-Lavrov interessa tudo menos cair na armadilha de criar mais uma frente de batalha. As frentes Ucrânia, Síria e Snowden ( o “most wanted man” procurado pela justiça americana, vivo ou morto, pelo horrendo crime de revelar aquilo que a Administração desse mesmo país agora já deu por errado e prometeu corrigir) já lhes assacam recursos de sobra.

Ao invés, a Ucrânia é ao momento governada desde Kiev por um conjunto de exóticas personalidades cuja legitimidade não cabe em nenhum dos critérios possíveis ou aceitáveis. Se dúvidas houvessem, ainda ontem imagens correram o mundo mostrando um evento par(a)lamentar em que um deputado foi impedido de continuar a usar da palavra expulso que foi do púlpito pelo “democrático” método do soco e do empurrão, metodologia que já fora usada contra um director de um meio de comunicação como meio de o afastar, mais uma singela emanação da real natureza do novo poder que, curiosamente, na mesma sessão legislativa aprovou alterações ao código penal agravando as penas para quem atentar contra governos legítimos ( aparentemente devem gozar de total imunidade em relação à lei penal, ou então esta não lhes é aplicável por, justamente, não preencherem os pressupostos de um governo legítimo).

Na verdade, uma qualidade que não se lhes pode negar é o sentido de humor, desde o momento que uma destas criaturas proclamou que iriam constituir “uma democracia directa como em Esparta”, ou ao exigirem que, façam o que fizerem, por exemplo proibir a língua russa como uma das línguas oficiais, só podem ser premiados como imprescritível direito a serem subsidiados com gás russo abaixo dos preços de mercado. Um guionista de comédia teria dificuldades em suplantar os píncaros desta “stand up comedy”.

antónio m p disse...

«Mas os políticos estónios não duvidam que por detrás desses organizadores está Moscovo» - diz.

Quais políticos estónios? E que valor tem, que pessoas não identificadas (os tais políticos) "duvidem" ou não?

Não se ofenda com esta conclusão lógica: eu duvido do rigor desta afirmação. São dúvidas...

Noé Rocha disse...

Estónia ?
Conversa de embalar...