quinta-feira, maio 22, 2014

Eleições presidenciais na Ucrânia não resolverão o problema, mas...


Parece não haver dúvidas de que as eleições presidenciais na Ucrânia se irão realizar no próximo Domingo, como também não há dúvidas de que elas não se realizarão em todo o país. Ou seja, não irão resolver o problema fundamental: o futuro da Ucrânia, mas talvez possam abrir novas vias para atingir esse objectivo.
É desde já claro que as eleições não se irão realizar em numerosas mesas de voto de Lugansk e Donetsk, bem como noutras regiões do Leste e Sul do país.
Não obstante a presença de um grande número de observadores internacionais, nomeadamente da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, Moscovo decidiu não enviar os seus, o que significa que o Kremlin não irá reconhecer a legitimidade do escrutínio.
Irá criar-se uma situação esperada: Moscovo reconhece os resultados do referendo organizado pelos separatistas em condições de guerra e os EUA e a UE, por outro lado, irão considerar que a Ucrânia passou a ter um dirigente legítimo.
Segundo os estudos da opinião pública, o milionário Piotr Porochenko deverá vencer o escrutínio, ficando em segundo lugar, mas muito longe do primeiro, Iúlia Timochenko.
Em terceiro lugar aparece Serguey Tiguipko, candidato que poderá ter um papel muito importante nas conversações de paz depois das eleições.
Tiguipko, deputado do Partido das Regiões e antigo ministro ucraniano, poderá ser um bom interlocutor do Leste e Sul nas conversações futuras se tiver uma boa votação.
As eleições presidenciais irão também mostrar qual é, na realidade, a força e o peso de partidos da extrema-direta entre o eleitorado ucraniano. A julgar pelas sondagens, não deverão ter resultados significativos.
Depois de conhecidos os resultados, o novo dirigente de Kiev deverá ter de começar o diálogo com os separatistas, mas a conversa só poderá avançar se for apoiada pelas forças externas envolvidas do conflito. Moscovo, Bruxelas e Washington podem dizer o que quiserem, que não participam directamente no conflito, etc., mas o facto é que eles terão um importante papel na normalização da situação.
Neste momento, ainda é possível travar a onda de sangue e não permitir uma grande guerra no coração da Europa.

P.S. Na Rússia, a propaganda anti-ucraniana, anti-europeia, para já não falar da anti-americana, há muito que já ultrapassou o limiar da histeria. As televisões alimentam o ódio de forma absurda, recorrendo à manipulação e distorção da realidade e da história.
Mesmo que a situação se venha a normalizar, as marcas deixadas por esta campanha levarão muitos anos a desaparecer.
Com isto não quero dizer que a propaganda na Ucrânia seja “santa”, mas, pelo que constato através da Internet, pois encontro-me em Moscovo, fica muito aquém.

Seja como for, é praticamente impossível realizar uma conversa calma e equilibrada sobre a situação na Ucrânia. Fique ainda mais convencido disso depois de visitar Rostov no Don.

16 comentários:

Anónimo disse...

Eleições no domingo?
Não me façam rir!

A Ucrânia tem elevada propensão para farsas, quer no leste pró-russo, quer no resto do país.

Farsas de dimensões épicas, grotescas e ridículas.

Para realizar eleições, a Ucrânia teria de ser um Estado.

E neste momento não é, nem tem Estado. Nem sequer é ou tem uma nação, um exército, uma polícia, ou liberdades de reunião, associação, expressão, comunicação e movimentação..., não consegue evitar a chacina e intimidação de pessoas, de norte a sul e do leste a oeste do território, ....quanto mais um Estado uno e soberano que seja capaz de organizar eleições livres e democráticas.

Aposto que a senhora Nuland já sabe os resultados da próxima eleição. Da última vez acertou na mosca sobre quem a "rua" daria o poder.

Atrás da cortina aguarda um exército de políticos, jornalistas, cronistas, comentadores e opinian makers que se encarregarão de apresentar ao mundo, como facto consumado e verdade universal, o resultado da vontade "livre e democrática" do "povo ucraniano".

E num instante todos falarão sobre as eleições e com os eleitos com muita seriedade e respeito, com a maior cara de pau.

Falar seriamente sobre coisas absurdas e ridículas é uma bela forma de as branquear e legitimar.

O rei vai nú... e só não vê quem não quer ver.

Não perdamos tempo a falar destas eleições, ou do referendo a leste, porque é tudo uma grande anedota.

Não vai ser fácil sair desta opereta bufa de quinta categoria em que se transformou a Ucrânia.

Nada fácil....

Pippo disse...

JM, explique-me por favor em que consiste a “propaganda anti-ucraniana“.
É que uma coisa é propaganda contra o governo ucraniano, outra coisa é propaganda contra o povo ucraniano. A primeira não é, obviamente, "anti-ucraniana“. A segunda levar-me-ia a perguntar também o que é que classifica o povo ucraniano. Será a nacionalidade jurídica, a língua, a História, o quê?

Outra coisa: recentemente foram detidos, pelas autoridades de Kiev, três jornalistas que trabalham para órgãos noticiosos russos: Graham Phillips, um britânico a trabalhar para a RT, e outros dois, cuja nacionalidade desconheço, que trabalham para a Life News. Estes últimos foram acusados de “auxílio à insurreição armada”.

Dado que aquando da detenção de jornalistas por parte das forças anti-Kiev essas detenções foram classificadas como sendo um "rapto" uma “tomada de reféns”, como é que o JM classificaria estas detenções efectuadas pelas forças kievitas?

José Milhazes disse...

Caro Pippo, é propaganda contra o povo ucraniano. Você sabe russo e pode constatar isso. Quanto à detenção de jornalistas, sou contra qualquer limitação da liberdade de imprensa.

kiko disse...

JM se vc é contra a detenção de jornalistas russos se mostre indignado então como vc se mostra quando é jornalista mercenário americano...

Pippo disse...

"propaganda contra o povo ucraniano"

Qual povo ucraniano? Abarca também os ucranianos russófonos do Leste, ou são só os do Oeste que são vilipendiados?

Anónimo disse...

"Para garantir a segurança destas eleições, as autoridades ucranianas contrataram 70 mil profissionais, incluindo paramilitares que estiveram no Iraque".

Isto é mesmo assim?

chukcha disse...

Eleições? Eu gosto muito de eleições!
Acho que cada um deve votar nas Eleições que quer: Assim o Donbass votou no Referendo e vai mandar estas às malvas, e quem quiser que vote nestas.

"Falar seriamente sobre coisas absurdas e ridículas é uma bela forma de as branqeuear e legitimar."

Nem por isso, ninguém duvida que estas eleições vão ser tão falseadas como o referendo, mas a participação que estas têm acaba por as legitimar.

- O facto de numa região com 50.000 km2 e 6 milhões de habitantes (metade de Portugal) ser possivel realizar um referendo enquanto decorre uma operação militar para o suprimir mostra que a maior parte da população se revê neste.
- Para as Presidenciais bom... vamos ver a particpação no resto do País (o Donbass já lá vai), porque ninguém no seu perfeito juizo vai votar nestas:
- O Tsarev levou nas trombas meia dúzia de vezes e incediaram-lhe a casa e desistiu, o Simonenko desistiu ou foi banido, num sei, p depois de ter chamado imbecil assassino ao Turchinov e o PC lá da terra estar em processo de ilegalização, e o Dobkin, nunca mais houvi falar dele, presumo que esteja na quinta das tabuletas ou numa qualquer cave do SBU.
- Mas e todas as regiões onde tenha uma participaçao superior a 25%, acho que deve ser considerado válido...

As questões são:
- O Porochenko ganha à primeira ou vai haver 2ª
- A Julinha fica-se?
- Os gajos com um exercito privado ficam-se (pravysector, kolomoisky, Lychko, Avakov)

E finalmente:
- O Porochenko vai pagar o gás com chocolate?
É que quem ganhar as eleições têm de pagar o gás. A torneira fecha depois das eleições!

E o Donbass esqueçam. A operação anti-terrorista está a ser um sucesso. Um dia destes a quantidade de militares ucrânianos mortos por fogo amigo igual ao numero de cívis vitimas da artilharia.

Ivan, o meigo. disse...

M se vc é contra a detenção de jornalistas russos se mostre indignado então como vc se mostra quando é jornalista mercenário americano...

Kiko, ele não está indignado.

Paulo disse...

Só quem for muito parvo é que não vê ao ponto a que chegou a histeria neo fascista das televisões russas.

A manipulação e a mentira são tão descaradas, que seria preciso um blog apenas para discutir como é que os russos conseguem comer tanta mentira, tanta manipulação.

Eu acho que eles sabem, que estão a ser bombardeados com mentiras, mas como as mentiras alimentam o Ego imperial e nostalgico dos russos, eles fingem que é verdade.


A propaganda russa, que só tem comparação na propaganda histérica dos nazistas alemães nos meses que antecederam a II guerra mundial atinge o neurótico.

Não é só o caso dos soldados gays americanos que foram enviados pela extinta blackwater para se casarem à força com os coitados dos ucrânianos.
É o caso dos camponeses da ucrânia oriental, que estão seguros de que a América vai declarar a anexação da Ucrânia.

Setenta anos debaixo da pata do comunismo é o que dá.

Em Portugal temos os jotinhas do partido, os filhos de barriga cheia da esquerda-caviar da elite do partido cunhalino, a torcer pelo fascista Putin.

Porque o que vejo aqui são torcedores e não comentadores.

Ao ponto a que isto chegou.
Se não fosse trágico, seria anedota...

Astromac disse...

Caro Paulo,

O seu comentário fica aqui muito mal. É um rasgo de lucidez e pensamento crítico no meio de muita imbecilidade que aqui é escrita.

Seria de facto cómico se não fosse tão triste. Tem sido uma experiência social fascinante ver como tanta gente no séc. XXI ainda cai na propaganda surrealista. Têm sido aqui comentadas lindas frases como "a Rússia dá cartas na diplomacia", "o Lavrov é um grande estadista", e afins.

Não tenho dúvida que os russos se apercebam que o que ouvem e lêem é propaganda. Se acreditassem mesmo na versão oficial (ie, a Rússia não teve nada a ver com a ocupação da Crimeia ou da Ucrânia ocidental) então não faria sentido que a popularidade de Putin aumentasse, pois segundo o mesmo ele não fez absolutamente nada. A única coisa que ele fez foi mandar retirar as tropas russas da fronteira, mas mesmo depois de três vezes os malandros não saem!

Mas o mais surrealista de tudo é ver como não na Rússia nem na Ucrânia, mas no coração da Europa a extrema-direita neo-nazi se tem aliado com a extrema esquerda em apoiar o imperialismo russo. Avançamos para uma situação em que uma boa parte dos eurodeputados apoiarão a Rússia na questão ucraniana. Tudo isto parece decorrer de um anti-americanismo primário, uma resposta demagoga aos problemas da economia e contra a austeridade cruel. Austeridade esta que, ironicamente, foi criada justamente no seio da UE pela direita conservadora, que agora se vê aflita em controlar os trogloditas da extrema direita. Para protestar contra esta situação, uma boa parte dos europeus estão dispostos a ignorar os perigos do imperialismo só para ser do contra. Muito preocupante.

chukcha disse...

"Não é só o caso dos soldados gays americanos que foram enviados pela extinta blackwater para se casarem à força com os coitados dos ucrânianos.
É o caso dos camponeses da ucrânia oriental, que estão seguros de que a América vai declarar a anexação da Ucrânia."

E ainda fala da propaganda Russa! Isto é bem melhor que o Kissilev quando está com os copos!

A sério... Soldados gays, casar e anexação americana ;)))

Caro Milhazes, e ainda fala você da CS russa... acho que há propagada ocidental sobre propaganda Russa (passe a repetição)bastante mais deliciosa e eficaz!

P.S. O jornal vesti, em Kiev foi fechado pelo SBU, e insuspeito de propaganda russa...

chukcha disse...

Caro Pulo

"Se não fosse trágico, seria anedota..."

Anónimo disse...

O Paulo deve ser daqueles que gostam de ver a conchita a ser uma estrela no ocidente.

Pois, a Rússia é Fascista e tal e não sei quê.

Eu hoje considero que que lê a imprensa ocidental(Reuters, BBC, CNN, Fox, etc) é um analfabeto completo.

A Rússia é apenas um pais normal. O Putin é um politico normal e cujas politicas tem uma lógica, são entendíveis.

Agora o ocidente é só bizarrias, bastardiçes, Femen, Conchitas, apoio a extremistas islamicos, atentados false flag, crises financeiras artificiais para roubar ao povo que "ainda" trabalha etc.

Rússia e China não são nenhuns paraísos, são apenas países normais com interesses perceptíveis.

Andrucha disse...

Para os russófobos de plantão:

http://www.youtube.com/watch?v=R7MgIKb4caM

Anónimo disse...

Seguir este blog é muito esclarecedor, seja pelos "posts" do seu autor sempre isentos e esclarecedores, seja pelos comentários de alguns leitores quase sempre facciosos e nada esclarecedores...

Há dias atrás eu anónimo fui "mandado" postar para outras paragens por um tal de @pippo (que não é anónimo porque se chama @pippo ...) porque este blog era "da russia" e não "da ucrania".

Hoje verifico que o autor do blog relata a propaganda dos meios de comunicação russos ultrapassou o admissível e o que vejo!?!!? os @pippos do mundo parece que passaram a ignorar que este blog é "da russia" e atacam o seu autor... ao mesmo tempo que pugnam pela liberdade de impressa na ucrania...

Isto é ... são pela liberdade de impressa quanto esta interessa e contra a liberdade de imprensa quando esta lhes convém....

É a democracia dos @pipos como este putin foi a vitoria de @pirro...

Pippo disse...

Aaaah! É tão bom ser tão importante para certas pessoas...

:0)